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Archive for the ‘Texto & Pretexto’ Category

Quem sou eu?

Caminho há três dias para o norte de França, onde dizem que os alemães estão a preparar um ataque direto a Paris. Fui recrutado pelo exército português contra a minha vontade mas, para ser sincero, até gosto da adrenalina da guerra. Sinto-me apenas mais um soldado, todos os meus problemas exteriores são irrelevantes, basta um milésimo de segundo e esses problemas perdem o significado. Estou num pelotão composto por dezasseis mil soldados todos iguais, todos valem o mesmo no meio desta guerra.

E assim Joaquim Leão caminha para a sua última batalha, de certa forma, ele é parecido comigo. Talvez pela sua consciência de não ser nenhum herói ou por saber que vale exatamente o mesmo que os outros. Obviamente o que Joaquim sente durante esta viagem é algo que eu não sinto. Talvez tu o consigas sentir, ou talvez eu descreva tão bem que o consigas sentir e, se não conseguires, faz como eu, finge que o sentes.

Desculpa, mãe, se estiveres a ler isto, significa que fiz o ato mais cobarde da história da humanidade mas não consigo viver comigo mesmo após o que ouvi, o que vi, o que fiz…

Desculpa pai, por te desonrar assim desta forma, mas matei um aliado. Juro que foi sem querer mas o que é certo é que o vi gritar de pânico enquanto morria lentamente.

E para ti, minha querida amada, desculpa não puder ver o nosso filho nascer, crescer, casar… mas a guerra é pior do que o diabo consegue imaginar. Nem sequer conseguimos distinguir um fiel aliado português de um alemão. Quando invadiram a nossa trincheira, havia tanto sangue, tanto pó, tanta confusão que apenas disparei. Quando me apercebi em quem tinha acertado fiquei paralisado e depois gritei de desespero, mas o meu grito foi abafado pelo som do que pareciam mil armas. Agarrei no corpo do soldado cujo nome ainda não sei, nem irei saber, e vi-o gritar de sofrimento, chorar e exclamar repetidamente “eu não quero morrer”, até que a sua voz parou de se ouvir e a sua alma foi entregue a Deus cedo demais.

Desculpem, mas não consigo viver sabendo que tirei essa oportunidade a outro homem.

Talvez Leão não seja de facto assim tão parecido comigo. O suicídio parece algo precipitado e pouco racional. Talvez o facto de ter assassinado o seu parceiro tenha sido um acontecimento tão forte que a sua consciência morreu com o parceiro e passou a reinar os sentimentos. Será que é essa a cura?

Volto a perguntar, quem sou eu?

Ass: Eu

Henrique Silva, 12ºB

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Escolhi este quadro do pintor Carlos Botelho, autor influenciado pelo modernismo, corrente artística marcada pela quebra dos padrões tradicionais.

Nesta obra está representado Fernando Pessoa. Observando o quadro, é notória a utilização de apenas três cores: vermelho, branco e preto. Por um lado, esta simplicidade cromática retrata a vida modesta e despojada do poeta. Por outro, contrasta com a complexidade da sua ideologia e reflexões.

Tendo esta obra sido produzida no Modernismo, é possível reconhecer algumas características representativas desse período, como é o caso da velocidade: as pinceladas rápidas e soltas dão uma sensação de movimento feroz. Este movimento poderá ser metafórico, estando associado à inquietação e desassossego do estado de espírito do próprio Fernando Pessoa.

A sensação de movimento foi também representada nesta obra pela pouca delimitação do rosto do poeta. Para além da ideia de movimento, o facto de o rosto não estar bem nítido, com linhas definidas, sugere a incerteza do poeta acerca da própria identidade. Fernando Pessoa não sabia quem era: Não sei quem sou, que alma tenho.[1]

O poeta sentia que era “vários” ao mesmo tempo, criando os tão conhecidos heterónimos (desdobramento da sua personalidade), levando-o a sentir o mundo e a poesia de diferentes modos, destacando-se Álvaro de Campos, engenheiro pessimista com o gosto pelo progresso, mas angustiado com o presente – Não sou nada./Nunca serei nada./Não posso querer ser nada [2]Alberto Caeiro, apaixonado pela Natureza – Além disso, fui o único poeta da Natureza [3] e Ricardo Reis, que gosta da simplicidade tradicional – Segue o teu destino,/Rega as tuas plantas,/Ama as tuas rosas.[4]

Assim, pode concluir-se que a imagem não representa um só indivíduo, mas antes, a reunião em si de todos os aspetos da extensa obra e da grande personalidade que foi Fernando Pessoa.

 

 Sara Boisseau, 12ºB

 

  • [1]  “Não sei quem sou, que alma tenho”, Fernando Pessoa
  • [2]Tabacaria”, Álvaro de Campos
  • [3]Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia”, Alberto Caeiro
  • [4] “Segue o teu destino”, Ricardo Reis

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O dia 3 de maio foi passado, num primeiro momento, no Mosteiro de Alcobaça e, após isso, na cidade medieval de Óbidos.

Os alunos do 10.º E e F puderam contemplar a beleza e imponência da arquitetura do Mosteiro de Alcobaça, fundado em 1153 por D. Afonso Henriques através de uma doação feita ao Monge S. Bernardo.

Mosteiro de Alcobaça

A visita ao grandioso edifício contou com duas guias que foram explicando a finalidade de várias das salas, trazendo o passado ao presente e aproveitando uma ou outra ocasião para questionar os alunos do curso de Línguas e Humanidades.

Ora, do Mosteiro faz parte uma igreja gótica composta pelo nártex, pelo deambulatório, pelas capelas radiantes, pela nave central e laterais, o cruzeiro e o transepto. E é precisamente neste último constituinte do Mosteiro onde se situam os mais belos túmulos que nos contam uma história de amor. A história de Romeu e Julieta, neste caso, a versão portuguesa – um enredo composto por D. Pedro, “o Justiceiro” e D. Inês. Vamos lá recuar no tempo e chamar o passado até aqui…

O acontecimento data do século XIV quando D. Pedro se apaixona por Inês de Castro, a dama de honor de D. Constança, a esposa do herdeiro ao trono. Diz-se que a beleza de Inês era tanta, que Pedro se apaixonou… e o sentimento era mútuo! Viveram assim um amor adúltero. Após ter ficado viúvo, D. Pedro pensou poder viver aquele romance livremente. O problema é que o seu pai, o rei D. Afonso IV, era contra esse casamento pois não queria perder a independência de Portugal para a Espanha. Diz-se, que apesar disso os dois apaixonados se casaram e tiveram 3 filhos.

Pedro e Inês (do filme homónimo de António Ferreira)

Infelizmente a vida dos dois “pombinhos” não foi um conto de fadas, tendo Inês de Castro sofrido às mãos do então rei de Portugal, ou devo dizer, às mãos dos assassinos que encomendou para fazerem o trabalho sujo.

Morreu a mulher apunhalada em frente aos filhos enquanto pedia misericórdia. Este momento trágico teve lugar em Coimbra, na Quinta das Lágrimas, onde, afirmam muitos, Inês foi morta. Reza a lenda que a cor vermelha que se vê nas rochas da fonte corresponde ao sangue derramado por Inês.

Ao olhar para os dois túmulos de Pedro e Inês, é impossível ficar indiferente aos pormenores que os cobrem; todos contam a história dos dois apaixonados! Em ambos os túmulos encontramos uma rosácea, que se divide em duas faixas circulares, a Roda da Vida (exterior) e a Roda da Fortuna (interior), sendo aqui que se representam cenas da vida dos dois amantes. Também as faces laterais foram decoradas – no caso de D. Pedro, encontramos cenas da vida do seu padroeiro, S. Bartolomeu. No que respeita ao túmulo de D. Inês, junto aos seus pés, a representação do juízo final (o dia em que as almas são julgadas) e, nas faces laterais encontramos cenas da vida de Jesus (desde a sua nascença, até ao momento da sua morte, na cruz), a quem, aliás, se fazem inúmeras referências através da Bíblia.

É curioso que os dois estão com os pés voltados para o cruzeiro o que nos remete logo para o encontro entre as suas almas: quando acordarem vão levantar-se e olhar um para o outro a fim de que se reconheçam.

pormenor dos túmulos de Pedro e Inês

Luís Manuel Ascensão, 10.º E

imagens daqui, daqui e daqui

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A Multiplicidade em Fernando Pessoa

fpA imagem que escolhi é da autoria do artista português Rui Pimentel. Representa, de uma forma curiosa, o autor Fernando Pessoa e o seu processo de fragmentação do “Eu”, que remete para a multiplicidade do poeta.

Esta gravura mostra o poeta em frente a um espelho que reflete três diferentes personalidades que constituem o seu “todo”, representando alguns dos heterónimos que assumiu.

O espelho, podendo assumir inúmeros significados, pode aqui ser encarado como um símbolo da verdade e sinceridade, um instrumento de contemplação, sendo possível atingir, o pensamento em si mesmo.

Tal como acontece no mito de Narciso1, também Pessoa se olha ao espelho com a finalidade de se conhecer. As várias reflexões surgem então como fragmentos do pensamento do poeta.

Através da sua poesia expressa o desejo que tem de conhecer o seu verdadeiro “Eu”, “Não sei quantas almas tenho/ Cada momento mudei./ Continuamente me estranho./ Nunca me vi nem achei.”2.

Esta necessidade de se conhecer leva-o a fragmentar-se em outros, que apesar da mesma aparência têm personalidades completamente distintas, “Atento ao que sou e vejo,/Torno-me eles e não eu./ Cada meu sonho ou desejo/ É do que nasce e não meu.”2.

Tal como representado na figura, neste processo de despersonalização destacaram-se Alberto Caeiro, poeta bucólico, antimetafísico e mestre dos outros – “Pensar é estar doente dos olhos”3, Ricardo Reis poeta clássico, e Álvaro Campos, poeta engenheiro, amante da ‘força da máquina’ – “Ah poder exprimir-me todo como um motor se exprime!”4 -, cuja vida acaba por tomar um rumo semelhante à do seu criador -“Não: Não quero nada/Já disse que não quero nada”5.

Perante a imagem conclui-se que o espelho funciona de certo modo como uma ferramenta que permite o autoconhecimento do próprio poeta e uma consequente expressão e materialização do seu pensamento.

Sara Cardoso, 12ºB

  1.  – Mito grego no qual um belo jovem se apaixona pelo seu reflexo e este acontecimento acaba por conduzir à sua morte.
  2.  – Não sei quantas almas tenho”, Fernando Pessoa
  3.  “O Mundo não se Fez para Pensarmos Nele”, Alberto Caeiro
  4.  – “Ode Triunfal”, Álvaro de Campos
  5. “Lisboa Revisitada”, Álvaro de Campos

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No segundo período do ano letivo 2017/2018, aos alunos do 10º ano da escola Secundária Daniel Sampaio foi proposto, como forma de avaliar a expressão oral, a apresentação de uma obra recomendada no Projeto de Leitura.

A escolha de cada livro foi feita no primeiro período do mesmo ano letivo. Os alunos tinham ao seu dispor uma grande variedade de obras pertencentes a diversos géneros literários, obras estas, escolhidas de acordo com os seus gostos pessoais. Este fator refletiu-se positivamente na avaliação individual de cada aluno, pois estes conseguiram interpretar e compreender melhor o enredo em causa, tornando assim, a sua apresentação mais natural, o que, consecutivamente, facilitou aos restantes alunos uma melhor interiorização da mensagem da história.

Como dois dos vários alunos participantes nesta atividade, e uma vez que nos foi dada a oportunidade de realizar esta apreciação crítica, ambos possuímos uma forte opinião sobre este método avaliativo, a qual iremos partilhar.

Primeiramente, iremos salientar os principais aspetos positivos desta atividade. Do nosso ponto de vista, este trabalho teve como principal objetivo promover hábitos de leitura juvenil, o que, indubitavelmente, foi benéfico, pois proporcionou um maior desenvolvimento intelectual aos alunos, ampliando o conhecimento literário dos mesmos. Outro aspeto relevante a referir é o facto de esta atividade dar a oportunidade aos alunos de aumentar o seu “à vontade “ ao partilhar as suas ideias frente a um dado público. O último aspeto positivo retirado por nós na realização deste trabalho foi o facto de este ter sido preparado fora da sala de aula, o que nos deu a possibilidade de elaborar uma apresentação mais cuidada, tanto a nível da linguagem utilizada, como do conteúdo exposto.

O único reparo que teríamos, eventualmente, a fazer, seria o de se limitar o número de apresentações do mesmo livro, de forma a evitar que as exposições orais se tornem repetitivas e monótonas.

A realização deste trabalho foi, a nosso ver, bastante enriquecedora, pois aumentou o nosso leque de conhecimento literário. A maior parte dos livros escolhidos pelos alunos encontram-se disponíveis na biblioteca da nossa escola. Isto para dizer, que para ler basta ter vontade. A leitura está acessível a todos, basta procurá-la. Vivam os livros e parabéns aos seus escritores, e já agora, também para nós, leitores.

Sara Boisseau e Simão Sanguinho, 10ºB

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C-Btv_GarbageAcabam as aulas. Vou estudar. Chego a casa e não paro de me questionar: será que está alguém em casa? Olho para o sofá e não vejo ninguém. Sento-me, ligo a televisão, pego no comando e clico, por engano, no canal cinco, o melhor canal do mundo!

Apercebo-me de que os homens da paz aparecem nas notícias a ameaçarem-se um ao outro: se mais alguma bomba for utilizada, declaro guerra! – Disse o americano ao pequeno coreano. Será que esta ameaça é só “garganta” ou vai haver guerra? Bem, continuo a ver o telejornal. O jornalista pivô continua, sem se preocupar com o facto de uma nova guerra começar.

O reino dos anúncios começa. A repetição e os produtos são o mais interessante do telejornal! Parece que toda a gente passa à frente do telejornal só para ver os modelos a desfilarem em frente às câmaras. De repente, os anúncios acabam, e tudo volta a ser como era. O jornalista a tagarelar sempre a mesma coisa: “ E agora, vamos falar sobre os refugiados” ou então “incêndio ameaça as casas”, para não falar do futebol.

Está na hora. As notícias acabaram. As audiências desapareceram, e passa “TV SHOP”.

 João Gonçalves, 9.º D

imagem daqui

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Destino, que pecado foi o meu ?

Eu era feliz. Durante toda a minha vida sempre cantei e amei, porém, todo este doce canto se converteu em lágrimas e em choro. Amei, cantei mas perseguido pelo Destino e pela Má Fortuna, também sofri. Confesso que este sofrimento também foi causado pelos meus Erros, pois levei algum tempo a perceber, que o “ Amor é um fogo que arde sem se ver “, sofrendo muitas das vezes a tentar definir o que é o Amor.

camõesSempre fui um Homem muito propenso às paixões amorosas, porém, talvez devido à ironia do destino, sempre se trataram de amadas ilustres de uma beleza suprema conotada com uma harmonia e um equilíbrio que lhe conferem uma beleza celestial e caráter superior, e por isso , infelizmente para mim, durante toda a minha vida tive de lidar com amores impossíveis.

Ao longo da minha vida também vivi sempre com a fama de boémio e rufião e por isso deixaram-me um pouco de parte. Fiquei sempre muito entristecido e frustrado pois todas as minhas obras me levaram a um grande esforço e inspiração, mas confesso que fui incompreendido pela sociedade e isto sempre me causou indignação.

                                                                                                             Assinado: Luís de Camões

Duarte Almeida, 10ºF

imagem daqui

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1O desenvolvimento das telecomunicações aumenta os fluxos de informação e dinamiza as relações internacionais, tendo diminuído as vertentes distância-tempo e distância-custo. As TIC constituem um instrumento de desenvolvimento económico e de coesão social, desenvolvendo um novo conceito de espaço, designado por ciberespaço, onde a interação entre pessoas e empresas de todo o mundo é cada vez maior.

Assim, o desenvolvimento das TIC tem um papel muito importante na sociedade atual, por facilitar as relações interterritoriais e dinamizar as atividades económicas.

Em Portugal, têm-se realizado progressos significativos relativamente à criação de infraestruturas e à difusão das redes de telecomunicação.2

Os contrastes na repartição espacial das redes de telecomunicação coincidem com os contrastes na distribuição da população, sendo que a maioria se encontra no litoral. Porém, todo o território está coberto pelas redes de serviços essenciais, o que permite a toda a população o acesso à informação e internet.

Desta forma, Portugal encontra-se conectado ao resto do mundo através de serviços internacionais de comunicação por satélite e por uma rede de cabos submarinos de fibra ótica, o que permite a realização de contactos mais rápidos e baratos com a maioria dos países.

3O desenvolvimento tecnológico exige uma sociedade onde o conhecimento é um valor fundamental que deve promover a criação de emprego e riqueza, a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento social. Nesse âmbito, a política comunitária adotou iniciativas como a Iniciativa Internet, em 2000, que visava o crescimento acelerado do uso da internet e constituiu um instrumento complementar do Programa eEuropa, o Programa Operacional Sociedade do Conhecimento e o Programa Ligar Portugal, todos com o objetivo de dotar Portugal dos meios e saberes necessários para responder aos desafios da nova sociedade da informação. Atualmente, seguindo as orientações da Agenda Digital para a Europa,  Portugal definiu e aprovou, em 2012, a sua própria Agenda Digital. Esta visa contribuir para o desenvolvimento da Economia Digital e da Sociedade do Conhecimento, preparando o país para um novo modelo de atividade económica.

Alice Santos, 11º D

Imagens retiradas da plataforma Flickr:

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A capital lusitana era uma porta aberta para o mundo, visto ser um porto de partida e chegada das rotas transoceânicas que interligariam para sempre a Europa, África, América e Ásia

Lisboa está na moda. Seja isto surpreendente ou não, a realidade é que esta situação não é de todo inédita e que a capital já foi outrora reconhecida à escala mundial pelas mais diversas razões.

De facto, durante o século XVI, Lisboa sofreu um incrível incremento que a tornou numa das maiores urbes europeias.

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Lisboa no séc. XVI

A capital lusitana era uma porta aberta para o mundo, visto ser um porto de partida e chegada das rotas transoceânicas que interligariam para sempre a Europa, África, América e Ásia.

Desta forma, a cidade crescia a olhos vistos em edifícios e variadas gentes, voltada para o mar, com um excelente porto, chegando a ser considerado como o melhor que há em toda a costa do mar descoberto. Neste porto, cruzavam-se tripulações de soldados, armadas, missionários, mercadores, funcionários da Alfândega bem como das Casas da Índia e Guiné, banqueiros e humildes carregadores.

Junto ao porto encontravam-se os estaleiros da Ribeira das Naus onde se construía e reparava a frota portuguesa e as denominadas Ruas Novas onde se juntavam comerciantes dos confins do mundo para efetuarem os seus ofícios.

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Rua Nova dos Mercadores, séc. XVI, autor desconhecido

A Casa da Guiné, da Índia e os Bazares da Rua Nova dos Mercadores abarrotavam de ricas especiarias, marfim, ouro, sedas, açúcar, diamantes e outras preciosidades que tinham então percorrido os mares do Globo.

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O Paço da Ribeira em finais do séc. XVI

Foi D. Manuel que revigorou Lisboa enquanto Metrópole Comercial. Com a realização de um plano de reconstrução urbanística, mandou erguer o Paço da Ribeira, o Armazém do Trigo, a Alfândega Nova, a Casa dos Bicos, a Torre de Belém entre outros.

Desta forma, manteve igualmente enquanto monarca um poder forte e centralizado que organizava os tráfegos ultramarinos pela via do monopólio régio.

Perante a hegemonia lisboeta, a população da cidade triplicou num século e infelizmente algo que também ajudou esse acréscimo foi o desmesurado aumento do número de escravos, de modo a acarretarem todas as tarefas necessárias para o desenvolvimento da cidade.

Em conclusão, a afirmação de Lisboa ocorreu devido à fusão entre um forte império colonial, enquanto metrópole comercial e política e ainda uma renovação cultural, onde estas transformações a tornaram uma das maiores e mais animadas cidades da Europa na centúria de Quinhentos.

Beatriz Sousa, 10ºD

Referência Bibliográfica:

  • PINTO, Célia do Couto e ROSAS, Maria Antónia Monterroso (2016) Um novo Tempo da História – História A – 10.º Ano, Porto Editora

Imagens:

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No dia 29 de Novembro de 2016, realizámos uma visita de estudo ao Museu de Arte Contemporânea do Chiado no âmbito do estudo das vanguardas modernistas. Nesta exposição vimos então quadros que representavam as vanguardas e neovanguardas na arte portuguesa nos séculos XX e XXI. Foi assim possível observar o que caracterizou a época do modernismo na arte em Portugal. De variados quadros de imensos artistas portugueses prestigiados, como Almada Negreiros, Mário Eloy, Amadeo de Souza-Cardoso, ou Mário Cesariny, escolhi, para aprofundar a pesquisa, “Cabeça” de Santa-Rita.

santa-ritaGuilherme Santa-Rita, nascido em 1889 na cidade de Lisboa, recebeu uma bolsa para estudar em Paris em 1910, após formar-se na Escola das Belas Artes, voltando apenas ao seu país em 1914, devido ao inicio da 1ª Guerra Mundial. Tendo-se inspirado nas exposições de pintores futuristas italianos em galerias que vira na França, trouxe consigo para Portugal ideias futuristas que acabariam por torná-lo num dos introdutores do futurismo no nosso país, junto com Mário de Sá-Carneiro. Participou nas revistas Orpheu e Portugal Futurista, sendo a sua pintura “Orpheu nos Infernos”, representada nesta última. No entanto, curiosamente, Santa-Rita nas portas da morte, vítima da tuberculose, fez um último desejo, indicando à sua família que destruísse toda a sua obra. A família assim o fez, sendo assim, muito difícil delinear o percurso artístico do pintor durante a sua estadia em França e mesmo após esta. As únicas pinturas que “sobreviveram” foram, então, “Cabeça”, “Orpheu nos Infernos” e alguns trabalhos que este tinha realizado durante o tempo que estudou Belas-Artes em Lisboa.408px-guilherme_de_santa-rita_001

A pintura “Cabeça”, realizada em 1910 e possivelmente inspirada nas máscaras africanas, encaixa-se, então, na primeira fase do modernismo português com influências do futurismo nas linhas curvas que conferem dinamismo e nas cores metalizadas reforçando o carácter maquinista da figura e características cubistas, mais especificamente cubismo analítico, nas formas decompostas de uma cabeça e de um violino. Este óleo sobre tela, para além de ser conhecido por ser uma mistura entre Cubismo e Futurismo (cubo-futurista), revela, ainda, mistério pelo facto de estar inacabado. Isto comprova-se com uma atenta observação ao fundo da pintura, onde se nota que apenas o canto superior esquerdo e pouco mais, se encontra pintado com um tom acinzentado. O resto do plano do fundo não está pintado, sendo possível observar a superfície da tela onde Santa-Rita realizou esta obra. Contudo, esta não deixa de ser uma bela obra e um grande símbolo do primeiro modernismo em Portugal.

Magda Farinho, 12º E

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No dia 29 de novembro de 2016, no âmbito da disciplina de História A, as turmas de décimo segundo ano do curso de Línguas e Humanidades realizaram uma visita de estudo ao Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, onde puderam observar in loco várias das obras estudadas no que diz respeito à temática das tendências culturais vanguardistas em Portugal, que se distinguiram em dois momentos particulares: o primeiro modernismo (entre 1911 e 1918) e o segundo modernismo (decorrido nos anos 20 e 30).

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 Menino e Varina, Mário Eloy, 1928

Entre as várias obras de artes visualizadas e brevemente analisadas ao longo da exposição, destaco o “Menino e Varina” de Mário Eloy, um dos mais relevantes representantes do Modernismo português, conhecido por ser um irreverente autodidata e cuja vida e obra foi marcada pelas suas várias viagens ao estrangeiro (teve até contacto com o centro cultural europeu, Paris, que lhe deu acesso a um meio socialmente elitista, permitindo-lhe aprofundar conhecimentos e abrindo-lhe portas a uma carreira artística mais convencional). Apesar de ter tido também um percurso marcado pela sua instabilidade emocional e oscilações de humor – que o levou mesmo a destruir muitas das suas obras -, da sua carreira ter tido um fim prematuro e uma curta duração devido à doença de que padecia causar-lhe um progressivo descontrolo motor e demência, e de ter ainda perdido um grupo de cerca de trinta pinturas que deixara na Alemanha no decorrer da II Guerra Mundial, deixou como legado um conjunto de quatrocentas peças, entre as quais se encontram desenhos e pinturas de sua autoria.

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Mário Eloy, autorretrato

Relativamente a esta obra, “Menino e Varina”, tem como técnica o óleo sobre tela, uma altura de quarenta e nove centímetros e largura de quarenta e três centímetros como dimensões, e foi executada em Lisboa no ano de 1928, tendo sido exposta pela primeira vez nesse mesmo ano.

Tendo em conta estes dados e numa primeira observação da pintura, entende-se uma evidente influência das frequentes viagens que fazia à cidade de Lisboa, onde sob a perspetiva do movimento expressionista que lhe é dado a conhecer em Berlim e que marca as suas obras no período entre 1927 e 1929, Eloy interpreta situações da vida quotidiana tradicional, representando assim paisagens urbanas, retratos ou modelos tipicamente lisboetas, entre os quais o fadista e a varina, para exemplificar.

Deste modo, constatamos nesta cena que Mário Eloy estrutura uma composição onde o primeiro plano é ocupado pela figura desproporcionada e monumental de uma varina, uma vendedora ambulante de peixe que leva o um cesto sobre a sua cabeça e cujo corpo ocupa quase a totalidade da tela, parecendo mesmo estar a trespassá-la pelo modo como o seu braço esquerdo levantado está cortado pelos limites superiores do quadro. O seu rosto, que apresenta formas distorcidas onde se distinguem uma boca entreaberta e grandes olhos, é pintado com uma pincelada grosseira e larga, num cromatismo agressivo que conjuga tons negros, verdes e ocres, que remetem para o Expressionismo.

Partilhando com a varina o primeiro plano mas numa escala desajustada está o seu filho – também ele deformado – que tem pelo joelho e que carrega nos seus braços um único peixe, dando a sensação que acompanha o movimento do corpo da mulher no sentido diagonal.

Por sua vez, no plano de fundo da obra é possível visualizar-se uma paisagem, na qual o mar e a areia da praia mal se distinguem, destacando-se uma casa de pescadores deformada à esquerda, e dois barcos no lado que se lhe opõe, à frente dos quais se veem duas outras mulheres despidas, carregando na cabeça o que pode ser interpretado como cestos de carvão ou de peixe.

Conclui-se que todos os elementos distintivos deste quadro evidenciam a visão subjetiva de Mário Eloy face a esta realidade, assim como demonstram também o expressionismo alemão que conheceu na cidade de Berlim e de cuja intensidade se veio afastar numa fase posterior no início dos Anos 30.

Ana Leitão, 12ºE

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Encontro-me perante um auditório repleto de homens, impressionante, como este se encontra cheio! mas há um problema… os homens não se aproveitam!

Isto suposto, quero hoje, à imitação de Santo António, voltar-me deste auditório para a terra e, já que os homens não se aproveitam, pregar aos gatos os louvores das suas virtudes e, em seguida, as repreensões dos seus vícios em geral e em particular.gatos

Começando pelos vossos louvores, irmãos gatos, bem vos pudera eu dizer que, entre as criaturas viventes e sensitivas, vós sois a mais independente, curiosa e inteligente de todas dos três elementos. Vindo pois, irmãos às vossas virtudes, que são as que só podem dar o verdadeiro louvor, é aquela subtileza com que vós fazeis as suas tarefas pela honra de vosso Criador e Senhor.

Descendo ao particular, de alguns somente farei menção. E o que tem o primeiro lugar entre todos é aquela santa gata Iuki a quem lhe foi proposto petiscar junto dos seus outros irmãos gatos, por ser fêmea e não ter capacidade para caçar o seu próprio alimento. Se Iuki não fosse uma gata independente, teria aceitado a proposta, mas preferiu manter a sua dignidade, uma vez que saberia que ia chegar o dia em que teria de enfrentar a vida sozinha. Assim, aprendeu aos poucos a ser uma gata feroz na caça do seu alimento, conseguindo sempre o que queria. Já os homens, muitas vezes não têm esta dádiva de pensar no futuro e no que é melhor para a sua vida, já para não falar da discriminação feita às mulheres e à falta de determinação e persistência para alcançar um objetivo.fourpackcoloredcats

Passando dos da força de vontade, quem haverá que não louve e admire muito a virtude tão celebrada por Califa que, ao ver qualquer objeto, quer logo perceber do que se trata e qual o seu fim, aprendendo assim através da sua curiosidade. Tomara a maioria dos homens ter esta qualidade, pois  permanecem na ignorância e não partem para a descoberta do mundo exterior.

Antes, porém, que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Descendo novamente ao particular, direi agora gatos, o que tenho contra alguns de vós, começando aqui pelo Yoshi, que só vem a casa quando tem fome, para receber mimos quando está carente ou para se abrigar do frio, no entanto, se nós quisermos a companhia dele simplesmente desaparece, tal como a maioria dos homens, que só agem por interesse.

Com esta única e última advertência vos despido, ou me despido de vós, meus gatos. E que vades consolados com um sermão, que não sei quando ouvireis outro.

Beatriz Oliveira, 11ºC

Imagens editadas daqui e daqui

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On December 6th of 2016 Catarina Cabral and João Pimenta, class 12th B and their colleagues, within teacher Lígia Luís’s English class and with the cooperation of teacher Lurdes Jesus, told a short story to the students of 7th grade. The story is called “Girls night out”, it is about two best friends who decided to sneak out one night to go to a club and something happened.

Most of the kids understood the story and seemed to enjoy it. At the end of the story, the story tellers and the teachers made them some questions about the story, and they even helped to make a suspect list! It was a good experience.

This is the story that was told:

Girls night out

Isobella and Chloe were two typical American teenage girls. After school they spent all of their time together, watching scary movies, having sleepovers, shopping for new clothes. They liked partying, keeping up with their friends, having fun and just enjoying life. They had no way of knowing the terrible fate that life had in store for them.

One night, Isobella and Chloe decided to have a girls night out. They planned to sneak out to a nightclub as soon as their parents went to sleep. Isobella kissed her parents goodnight and went upstairs to bed. When she thought that everyone had gone to sleep, she took out her cellphone, called her friend Chloe and told her to meet her at the store down the street. Chloe agreed and hung up.

Isobella quietly opened her bedroom window, trying not to wake anyone up. She stepped out onto the windowsill and climbed down the drainpipe. As she walked down the deserted street, she got a strange feeling that she was being watched. The hairs on the back of her picked up. She glanced behind her, but she was alone. When she came to the corner of the store there was nobody around, so she took out her cellphone and called Chloe.

“Ok, I’m at the store”, she said, “ Hurry up”.

“What’s wrong?” replied Chloe.

“I don’t know”, said Isobella, “This just doesn’t feel like other nights. Something’s not right. I´ve got a bad vibe.”

“Stop it. You´re just being paranoid”, Laughed Chloe. “I´ll be there in 2 minutes”.

Isobella hung up the phone, but she could not shake the feeling that someone or something was watching her.

Five minutes later, Chloe turned up and the two girls walked together to the nightclub. The girls were too young to get into the club, but the bouncers never asked for their ID. They strolled inside and pretty soon they were dancing to the music and flirting with guys on the dance floor.

Around 3 A.M., Isobella was chatting to a guy who must’ve been at least 10 years older than her. When suddenly she felt her phone vibrating in her pocket. It was a text message from her ex-boyfriend Anthony. She hadn’t heard from him since they broke up.

The message read: “COME OUTSIDE I´VE GOT A HUGE SURPRISE FOR U”

Curious she looked around and saw Chloe busy talking to some other man. She stepped outside…

She got yet another text message, and it read: “MEET U AROUND THE CORNER OVER BY THE DUMPSTER”

The street was dimly lit and deserted. Isobella had a bad feeling in the pit of her stomach. She told herself she was just being over-cautious.

Inside the club, Chloe was looking for her friend. But no signs of her.

Chloe got a text from Isobella:

“MEET ME OUTSIDE NOW HURRY”

As she got outside she got another text message: “I’M AROUND THE CORNER OVER BY THE DUMPSTER COME WATCH ME SPARKLE”

Chloe followed the directions, crossing the dark and lonely street. When she turned the corner, she was confronted by a horrific sight.

Isobella was hanging upside down in the parking lot. Sparkling Christmas tree lights were wrapped around her ankles. A pool of blood below her. Her body stripped of clothing, revealing deep wounds along her stomach and chest.

Chloe fell to the ground and screamed, people that were at the door of the nightclub heard and came to help.

When they turned the corner and saw Isobella’s bloody corpse hanging in front of them, they were horrified.

The police were called and they questioned Chloe for hours. Still in a state of hysteria, she could barely talk. Sobbing uncontrollably, she told them how she and Isobella had sneaked out that night and gone to the nightclub together. She tried to remember all of the guys that they had flirted with on the dancefloor. They asked her if she knew about anyone who would want to harm Isobella, but she couldn’t think of anyone. As much as she wanted to catch Isobella’s killer, she was no help to the investigation.

During the interrogation, one of the cops grabbed a plastic bag and took out a blood-stained envelope.

  “We found this in your friend’s throat. It’s addressed to you”, said the cop as he handed her the envelope.  

“Chloe” was written across the front. With trembling hands, she took out the piece of paper inside and read it.

The letter read: “Maybe if you stayed in bed like you were supposed to, things like this wouldn’t happen. Don’t go sneaking around at night. Bad things can happen.”

The cops had to grab her before she fainted. An ambulance took Cloe to the hospital and treated her for shock.

When Chloe returned home the next day, she was still shaken. Her parents told her that Isobella’s ex-boyfriend, Antony, had been arrested for the murder. He was later released after checking his alibi. He claimed his phone had been stolen on the day of the murder. The police didn’t rule him out as a suspect in the case, but they didn’t have enough to charge him.letter

Isobella’s murder remained unsolved. Nobody was ever brought to trial for the crime and as time went on, people began to forget about it.

Two years have passed and Chloe had almost managed to forget about the terrible night when her best friend had been savagely murdered.

One night, she called her boyfriend and asked him to meet her at the park. It was about 2 in the morning. She began to walk to the park, but felt a strange presence, just like the one Isobella had told her about, the night she was murdered. She was almost at the park when the feeling came across her, so she let it go. Her phone beeped. It was a text message from her boyfriend.  – “Almost there baby luv u lots”.

It made her feel much better. Her last task was to pass by the store, the park was on the other side. She began to walk but heard something behind her. Immediately she began to run. Her boyfriend got to the park and waited about 15 minutes. At 2:35 AM, he got a text from Chloe: -“Keep walking forward and u will see me”

He did as the text suggested and walked forward. There hanging upside-down from a tree, was the mutilate body of Chloe. Christmas lights were wrapped around her ankles and she was covered in blood.

He called the police and was interrogated all night. The next day, when Chloe’s boyfriend got home, there was a letter waiting for him on his parents’ doorstep. It was stained with small drops of blood. The note inside read: “Don’t go sneaking around at night. Bad things can happen.”

I wish I could tell you that the murders of Isobella and Chloe were solved, but that’s just not the case. Today, the police say the investigation is still ongoing, but they have no new leads.

The murders are rarely spoken about nowadays. They were high profile cases at the time, but due to the strange lack of evidence, people soon forgot about them. Everyone who was involved went on with their lives.

You may be wondering how I know so much about these cases. Well, I’d rather not go into it, considering it’s still an ongoing investigation. If you must know, I was the cop who was assigned to the case. I was the cop who handed Chloe the blood-stained letter. You may also be wondering why the murders were never solved. Well, like I always say: Don’t go sneaking around at night… Bad things can happen…

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Quero hoje, à imitação de Padre António Vieira, louvar as virtudes e criticar os defeitos da sociedade. Para isso, voltar-me-ei para os suricatas, elogiando-os, e para os papagaios, criticando-os, enquanto censuro os comportamentos dos Homens.

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Os suricatas são os animais mais valentes, humildes e protetores

Começando pois pelos vossos louvores, suricatas, que são dos animais mais valentes, humildes e protetores, quero salientar a vossa capacidade de ensinar as vossas crias a ultrapassar dificuldades e o vosso incrível instinto paternal. Considero essa virtude uma das coisas que faz da nossa sociedade tão humana. Proteger os que nos são próximos e ensinar todos os conhecimentos que temos é uma forma de garantir que deixamos sempre algo de nós para trás. Mas será que somos todos assim? Será que todos temos essa capacidade que faz de nós tão humanos?

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Os papagaios facilmente entregam os segredos mais íntimos

 

Suposto isto, falando agora dos vossos defeitos, papagaios, que gostam muito de imitar outros e se influenciam facilmente, quero repreender o facto de não terem uma voz própria e facilmente entregarem os segredos mais íntimos do mundo que vos rodeia. Este defeito representa muito bem a sociedade atual, pois vivemos num mundo cheio de tendências e manias onde aqueles que se recusam a ser iguais aos outros são considerados loucos. As pessoas são facilmente influenciadas pois têm medo de não serem aceites pela sociedade e não se apercebem que estão aos poucos a perder a sua própria individualidade. Será que somos assim tão diferentes quanto pensamos? Seremos nós os loucos ou os que consideramos os outros loucos?

Assim é a nossa sociedade. Podemos até dizer que vivemos numa sociedade de extremos, onde ou somos suricatas ou somos papagaios, no entanto por muito individualistas que pensemos ser, se calhar até somos muito parecidos uns com os outros e é isso que faz de nós uma sociedade tão única.

Mariana Mamede, 11ºC

Imagens daqui e daqui

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tartaruga-1Quero hoje, à imitação de Padre António Vieira, apontar as virtudes e os defeitos da tartaruga, um animal muito pequeno, esquecido por todos, mas cujas capacidades espantam os mais céticos. Quis Deus dar-lhe estas características, suposto  que enfrentam e acabam com a tirania dos grandes, quer na água, quer na terra.

A sua ambição é sobrenatural – entre todos os outros animais, em nenhum reino é possível encontrar tal ambição e dedicação. Apesar da sua lenta locomoção e fraca estatura, louvo a sua perseverança em alcançar os seus objectivos. Mesmo levando um grande peso nas suas costas, a sua ambição é sempre maior; a sua inteligência também é algo a notar: em situações de perigo usa a sua grande carapaça como proteção, aproveitando-se da ignorância e impaciência do seu atacante, pondo em evidência a sua astúcia.

tartaruga-2Mas será isto absoluto? Um bicho pequeno não devia enfrentar os grandes? Enfrentar aqueles que o pisam e se aproveitam dos pequenos e fracos? A tartaruga porém encolhe-se por cobardia e fraqueza, deixando–se ser pisada e arremessada. Animal como este tão bem protegido, não devia ter um caráter corajoso? De que lhe vale a sua ambição, se a coragem lhe falta? Deus não apoia cobardes.

Esse é o problema da nossa sociedade, a desigualdade entre duas classes: os grandes e os pequenos. Os fracos são pisados e, devido à sua cobardia não enfrentam os poderosos, que os controlam e desvalorizam. Porém, os pequenos são mais astutos e dedicados do que os grandes e, com muito trabalho, alcançam grandes coisas.

Terá o trabalho de Deus falhado? Ou é porque os grandes são demasiado poderosos? Sendo esse o caso, serão os fracos para sempre governados pelos grandes?

Tiago Batista, 11ºC

imagens editadas daqui

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1507-1No conto “A Aia”, de Eça de Queirós, a Aia troca de berço o principezinho e o escravozinho (seu filho), acabando este por ser morto, e ela, por se suicidar.

Na minha opinião, o que a Aia fez foi de grande coragem e lealdade ao reino, pois não é toda a gente que sacrificaria o seu próprio filho para salvar o herdeiro do trono, mas, apesar disso, eu não concordo com a troca de bebés. Se eu estivesse no lugar da Aia, provavelmente teria fugido com as duas crianças. Sim, eu estaria a trair o reino, mas a meu ver, uma vida vale muito mais do que tudo isso, e se fosse necessário, abdicaria da minha própria vida para salvar a vida dos dois.

Tendo em conta a troca dos bebés, é normal que a Aia se sentisse culpada daquilo que tinha feito, porque tecnicamente, foi ela que matou o próprio filho. Assim que a Aia colocou o seu filho no berço do príncipe, ele ficou com a morte garantida.

Portanto, eu entendo que a Aia se tenha suicidado, pois a coisa mais preciosa que ela tinha era o seu filho, mas ele foi morto. Então, ela perdeu a vontade de viver e, com o sentimento de culpa, acabou por tirar a sua própria vida.

Ana Bárbara Gomes Rodrigues, 9.º B

A meu ver, a atitude da Aia, ao trocar os dois bebés, o príncipe e o escravo, não foi correta, nem o acontecimento que lhe sucedeu, que foi o suicídio da aia com o punhal de esmeraldas.

Acerca da troca de bebés, não concordo pois penso que ninguém tem o direito de escolher quem vive e quem morre, independentemente da classe social. Para além disso, na minha opinião, o amor de mãe deve ser superior a qualquer outro sentimento, como por exemplo, a lealdade. Um dos deveres da mãe deve ser o de proteger o filho.

Em relação ao suicídio, julgo que a Aia não agiu corretamente pois, como já referi anteriormente, ninguém tem o direito de escolher quem vive e quem morre, mesmo quando se trata da nossa própria vida. Do meu ponto de vista, o suicídio é um ato de cobardia. A aia suicidou-se pois não conseguia viver com as consequências da sua escolha.

Concluo, baseando-me nos argumentos por mim apresentados anteriormente, que não foi correta a atitude, da aia, de trocar os dois bebés de berço nem o seu consequente suicídio.

Tomás Silva, 9.ºB

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Eu não concordo com as atitudes da aia.

Não concordo com ela, porque, em vez de pôr o filho à frente de tudo e todos, quis proteger o filho da rainha, para o reino não desmoronar.

A meu ver, a aia nunca devia ter posto a vida do seu próprio filho à frente dos interesses do reino, pois afinal de contas, a aia era uma simples empregada que prestava os seus serviços ao reino.

Em relação ao suicídio, penso que a aia tomou a decisão errada, porque se ela, no início, colocava o reino à frente do seu pequeno “chocolatinho”, logo a seguir, ela espeta aquele punhal de esmeraldas no peito, ou seja, primeiro, queria salvar o reino do tio bastardo, mas depois, deixa o reino desfalcado, sem uma das suas mais leais empregadas. Na minha opinião, ela foi má para o filho e acabou por não ajudar assim tanto o reino.

Pelas razões supracitadas, condeno as atitudes da aia.

Tiago Fernandes, 9ºB

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Penso que o fim do conto “A Aia” foi demasiado dramático ou, por outras palavras, triste.

 Julgo que não era necessário a Aia morrer no fim, pois como já li vários textos, desde livros, banda desenhada, entre outros, esse tipo de final é aquilo a que chamamos de “cliché”. Quantas histórias já eu li que acabam assim! A meu ver, a Aia devia ser uma mulher jovem, por isso poderia ter tido mais filhos. Do meu ponto de vista, a Aia devia ter fugido com o seu filho e com o príncipe. Por muito leal que a Aia fosse, estar a sacrificar sangue do seu sangue é um pouco extremo, para mim.

Mas no fim de tudo, acho que o final é também adequado, pois a Aia salvou o seu príncipe, ao trocar os dois bebés de berço, e após isso, como ela acreditava na vida após a morte, matou-se para ir ter com o filho.

Sara Trigo, 9°B

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Os Jogos Olímpicos acabam, e todos os comentadores desportivos atiram para o ar, como se o mundo fosse deles, “Portugal foi um fracasso nos Jogos Olímpicos”, mas esquecem-se de que aqueles atletas que estiveram lá, a dar tudo o que tinham por onze milhões de pessoas, durante quatro anos, estiveram a preparar aquelas provas, alguns sem meios nenhuns para o fazer.

Rui Bragança, campeão europeu de Taekwondo, é eliminado na sua segunda luta, o que, para alguns, foi uma grande desilusão, mas para mim, não, pois países com muito dinheiro conseguem ter os meios que quiserem para os seus atletas, enquanto o nosso atleta tem talento, mas vive num país em que o futebol é o desporto-rei, e não se quer saber dos outros desportos para nada.

Tiago Fernandes, 9ºB

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imagem daqui

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