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Em Outubro, Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, associe-se ao Festival Literário Internacional de Óbidos, cujo o tema é “O Tempo e o Medo”. Seja destemido e venha participar no Fólio Educa.

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Festa Medieval realizada pelos alunos de Humanidades

Realizou-se no passado dia 13 de junho de 2019, na Escola Secundária Daniel Sampaio, uma festa medieval organizada pelos alunos da turma do 10.ºF de Humanidades e as professoras das disciplinas de Filosofia, História A e Português, e também com a participação da diretora de turma, a professora de MACS, sem a qual este projeto não seria possível.

Esta festa medieval consistiu numa crítica à sociedade da época, para a qual os alunos realizaram peças de teatro representando as várias classes sociais, nobreza, clero e povo e trajaram conforme a sua classe social ou grupo profissional.

Neste projeto, havia padres, frades, freiras, padeiras, camponesas, taberneiras, estalajadeiras, alcoviteiras, Rei e Rainha, esbirros, enforcados, entre outros.

Durante as representações, alunos de outras turmas, que assistiam aos espetáculos, teceram muitos comentários positivos acerca do referido projeto. Desejaram fazer parte desta “viagem ao tempo medieval”.

A música rasgou o tempo e renovou o ambiente, alunos cantaram, declamaram, tocaram, professores e alunos dançaram, enfim, a alegria foi a principal convidada desta festa de união!

Realizou-se também um grande almoço com as iguarias da altura, como enchidos, favas, leitão, queijos, morcelas, muito pão, com louças de barro e talheres de madeira, tendo sido tudo muito bem apreciado e comentado pelo 10.ºF e professores, pela qualidade extrema da comida e decoração feita pelos alunos e especialmente pela professora de MACS.

Foi um projeto muito interessante que os professores tencionam repetir para o ano envolvendo igualmente outras turmas. Parece-me que iremos viajar para outra época… Apertem os cintos!

Mafalda Castro, 10.º F

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Uma manhã medieval

A idade média homenageada pela idade contemporânea

Iniciando os preparativos para o que seria um dia fora do comum, os alunos da turma 10ºF do curso de Humanidades atraíram para a Escola Secundária Daniel Sampaio um espírito medieval que deu lugar, desde cedo, a um clima de fraternidade entre colegas e professores que fariam deste dia um marco para o fim do ano letivo.

Foi ao som dos sinos que marcavam as 11:30 horas do dia 13 de junho que se deu início à encenação de uma missa que, num tom sátiro, porém sério, conseguiu criticar (de forma geral) a sociedade medieval. Seguiu-se, então, o começo do ‘jantar’ com a inusitada aparição de cinco personagens lendárias da época medieval, sendo elas a Padeira de Aljubarrota, Deuladeu Martins, Inês de Castro, a Rainha Santa Isabel de Aragão e a menina da Capa Rica que, contando as suas lendas, pediram permissão a ‘El-Rei’ para se juntarem ao banquete.

A mesa recheada de iguarias tradicionais, que tinha os lugares reservados somente para os importantes integrantes da corte, não conseguiu privar os alunos das emoções deste convívio que lembrava o término das aulas. Foram, assim, erradicadas as desigualdades sociais características da época medieval pela espontaneidade do ‘jantar’, podendo os elementos das diferentes classes sociais comer juntos, num alegre convívio.

Enquanto decorria o ‘jantar’, tornou, novamente, à escola um cenário de representação com a intervenção dos esbirros apresentando dois criminosos a ‘El-Rei’: um feiticeiro e um ladrão que havia roubado a coroa real. Por iniciativa da rainha, a corte gritou por “morte ao ladrão”, que consequentemente foi enforcado.

No mesmo ambiente de encenação, surgiu uma donzela perante o monarca queixando-se de que havia sido assediada por um monge – uma crítica ao clero medieval, que mostrou a impunidade da igreja na respetiva época.

O desfecho desta agradável manhã deixa na lembrança o som da música, as conversas, gargalhadas e a dança das fitas realizada pelas donzelas e senhoras, bem como um sentimento de realização, pelo sucesso do evento, por parte dos alunos e professoras Rute Magalhães, Antónia Gomes, Luísa Ferreira e Carmo Gomes, responsáveis pela organização do mesmo.

David Ramos e Raquel Ponge, 10ºF

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Convida-se a comunidade educativa a estar presente no lançamento do livro do nosso colega de história, Luís Mendonça.CONVITE história de portugal (1)

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No dia 8 de março, o autor, jornalista e historiador José Milhazes conversou com alunos das turmas do 12º Línguas e Humanidades com o intuito de promover o seu livro mais recente “As Minhas Aventuras no País dos Sovietes” (2017) e de expor algumas ideias e histórias sobre o comunismo e as suas experiências pessoais passadas num país com aquela ideologia.

Milhazes, nascido na Póvoa de Varzim de uma família humilde de pescadores, partiu para a União Soviética em 1977, onde iria tirar a licenciatura em História e viver numa sociedade comunista, algo com que ele, firme apoiante da ideologia marxista, há muito sonhava. Em vez de voltar logo para Portugal, o historiador casou-se e ficou a viver lá durante muitos anos. Tendo lá chegado durante o governo de Brejnev, acompanhou esse período e tudo o que se seguiu, incluindo o fim da URSS. Desde 1989 que Milhazes, devido à sua posição e vivências, escreve para jornais portugueses e comenta sobre assuntos atuais que envolvam a Rússia.

A sessão começou com uma (quase) breve introdução, em que o convidado se apresentou aos presentes e falou sobre as suas aventuras no país dos sovietes, sobre a atual Rússia e sobre a evolução de Portugal, do seu ponto de vista. Depois, alunos e professores tiveram a oportunidade de colocarem as suas questões. Estas abrangeram vários tópicos, e receberam respostas ainda mais amplas que, apesar de serem longas e algo dispersas, acabaram por responder a muitas outras perguntas também, algumas das quais ninguém tinha sequer pensado!

Algumas das questões colocadas foram sobre a sua visão relativa ao caráter repressivo da URSS (e como se compararia ao Portugal pós-Revolução de que ele tinha saído), “acha que o marxismo ou algum tipo de neomarxismo ainda faz sentido? ”ou ainda a sua opinião sobre a violação de direitos humanos na atual Rússia. José Milhazes respondeu com várias histórias e opiniões pessoais, remetendo várias vezes aos seus livros e também aos artigos e crónicas escritos para jornais como o Observador. No final, os presentes tiveram a oportunidade de receber autógrafos nos seus livros e alguns até de ficar na sala por mais algum tempo e conversar com o autor.

O feedback vindo de alguns dos alunos presentes é positivo, mas muitos afirmaram que, apesar do privilégio de terem contactado diretamente com alguém que experienciou eventos aprendidos em aulas de História, o facto de José Milhazes ter divagado muito na sua introdução e nas respostas, limitou a intervenção de alguns alunos, já que esta estava limitada por tempo e muitas questões ficaram por perguntar ou por melhor esclarecer. Isto, claro, seria resolvido com uma segunda visita!

Alice Santos e Carla Miranda, 12ºD

A história de José Milhazes é uma inspiração para vários alunos que se maravilhavam a ouvi-lo sobre tudo o que tinha para contar. Informados acerca do seu trabalho e entusiasmados para compreender melhor o seu livro, foram colocadas questões variadas sobre política, economia e até lhe foi pedida a opinião sobre problemas atuais que o nosso mundo enfrenta.

O autor demonstra muito conhecimento relativamente à história da Rússia, dos tempos soviéticos e à atualidade do presidente Putin. O autor também transmite imensa informação sobre as suas experiências que são fascinantes e demonstram grande coragem da sua parte!

Os alunos da escola Daniel Sampaio desfrutaram de uma oportunidade única de conhecer a história para além dos livros, através de alguém com muita informação para transmitir, um gosto histórico enorme e, certamente, uma enorme vontade de aprofundar todos estes acontecimentos.

Entre as histórias e “ideologia” abordada pelo autor, foi importante ter realçado que o conhecimento deve sempre ser questionado e a aprendizagem nunca é demais. A aprendizagem e os fenómenos históricos são privilégio a que todos nós temos acesso, de modo que cabe a cada um de nós, como indivíduos de uma sociedade desenvolvida, buscar o conhecimento e a vontade de aprender.

Após uma experiência única e impactante em que o tempo passou a voar, todos esperam ansiosamente repetir este encontro continuando a acompanhar o trabalho feito por este célebre historiador, na esperança de, talvez no futuro, usufruir novamente de tal oportunidade para que todas as perguntas que ficaram por colocar sejam respondidas e a nossa visão histórica seja ampliada.

Stephanie Vidal, 12ºD

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Está pois abolida a pena de morte nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história! (…)

Abolir a morte legal deixando à morte divina todo o seu direito e todo o seu mistério é um progresso augusto entre todos. Felicito o vosso Parlamento, os vossos pensadores, os vossos escritores e os vossos filósofos! Felicito a vossa Nação. Portugal dá o exemplo à Europa. (…) A Europa imitará Portugal, Morte à morte! Guerra à guerra! Ódio ao ódio! Viva a vida! A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos concidadãos. Aperto-vos a mão como a meu compatriota na humanidade…

Victor Hugo, em carta ao DN, datada de 2 de julho de 1867

imagem daqui

site comemorativo da efeméride

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ED_livrolivre1O Livro Livre é uma outra forma de comemorar os 40 anos do 25 de Abril dando a conhecer a crianças e jovens este marco da História de Portugal e o seu legado. Celebra os direitos e as liberdades fundamentais consagrados na Constituição de 1976 como a sua principal herança e destaca a responsabilidade do que é viver em democracia.

Tomando como referência este momento de conquista histórica, fruto da luta e do trabalho de muitos, militares e civis, o Livro Livre apela ao espírito da liberdade e convoca o leitor a participar numa atividade criativa, como co-autor do livro. Desafia-o a resgatar as memórias de quem viveu este período e registar estas experiências. Através de breves enquadramentos históricos, ilustrações sugestivas e propostas de atividade diversificadas, este livro constrói um espaço para a reflexão sobre o significado do 25 de Abril

(sinopse FNAC)

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O projeto foi apresentado à nossa turma, 9º C da ESDS, pela prof. de História Anabela Rodrigues e, em colaboração com Educação Visual, desenvolvemos o projeto Livro Livre.

Primeiramente analisámos os conteúdos já presentes no livro, depois realizámos diversas pesquisas documentais na biblioteca da escola e testemunhais junto da geração que viveu o 25 de Abril de 74.

Depois reflectimos individualmente sobre os conteúdos propostos pelo livro, que nos questionava sobre temas de cidadania, levando-nos a emitir uma opinião que mais tarde registaríamos no livro.

Mas a questão da criatividade  também foi importante, pois o preto e branco do livro antes de passar pelas nossas mãos necessitava cor e personalização: assim pintámos, modificámos páginas, e adaptámos o livro à maneira de cada um.

A turma gostou de participar no projeto, pois foi o testemunho de algo importante, conseguindo-se inclusivamente aprender mais com o Livro Livre do que com os manuais de História. Como etapas mais marcantes do processo destaco as entrevistas a quem viveu intensamente esse período. Foi igualmente fundamental, o trabalho de colaboração entre a nossa DT, as professoras de História e Educação Visual e as nossas famílias.

Fomos convidados para apresentar os nossos projetos pessoais no Museu do Aljube e aí pudemos dar testemunho aos presentes não só da nossa experiência individual mas de toda a turma.

Margarida Lopes, 9ºC (testemunho)

 

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A capital lusitana era uma porta aberta para o mundo, visto ser um porto de partida e chegada das rotas transoceânicas que interligariam para sempre a Europa, África, América e Ásia

Lisboa está na moda. Seja isto surpreendente ou não, a realidade é que esta situação não é de todo inédita e que a capital já foi outrora reconhecida à escala mundial pelas mais diversas razões.

De facto, durante o século XVI, Lisboa sofreu um incrível incremento que a tornou numa das maiores urbes europeias.

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Lisboa no séc. XVI

A capital lusitana era uma porta aberta para o mundo, visto ser um porto de partida e chegada das rotas transoceânicas que interligariam para sempre a Europa, África, América e Ásia.

Desta forma, a cidade crescia a olhos vistos em edifícios e variadas gentes, voltada para o mar, com um excelente porto, chegando a ser considerado como o melhor que há em toda a costa do mar descoberto. Neste porto, cruzavam-se tripulações de soldados, armadas, missionários, mercadores, funcionários da Alfândega bem como das Casas da Índia e Guiné, banqueiros e humildes carregadores.

Junto ao porto encontravam-se os estaleiros da Ribeira das Naus onde se construía e reparava a frota portuguesa e as denominadas Ruas Novas onde se juntavam comerciantes dos confins do mundo para efetuarem os seus ofícios.

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Rua Nova dos Mercadores, séc. XVI, autor desconhecido

A Casa da Guiné, da Índia e os Bazares da Rua Nova dos Mercadores abarrotavam de ricas especiarias, marfim, ouro, sedas, açúcar, diamantes e outras preciosidades que tinham então percorrido os mares do Globo.

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O Paço da Ribeira em finais do séc. XVI

Foi D. Manuel que revigorou Lisboa enquanto Metrópole Comercial. Com a realização de um plano de reconstrução urbanística, mandou erguer o Paço da Ribeira, o Armazém do Trigo, a Alfândega Nova, a Casa dos Bicos, a Torre de Belém entre outros.

Desta forma, manteve igualmente enquanto monarca um poder forte e centralizado que organizava os tráfegos ultramarinos pela via do monopólio régio.

Perante a hegemonia lisboeta, a população da cidade triplicou num século e infelizmente algo que também ajudou esse acréscimo foi o desmesurado aumento do número de escravos, de modo a acarretarem todas as tarefas necessárias para o desenvolvimento da cidade.

Em conclusão, a afirmação de Lisboa ocorreu devido à fusão entre um forte império colonial, enquanto metrópole comercial e política e ainda uma renovação cultural, onde estas transformações a tornaram uma das maiores e mais animadas cidades da Europa na centúria de Quinhentos.

Beatriz Sousa, 10ºD

Referência Bibliográfica:

  • PINTO, Célia do Couto e ROSAS, Maria Antónia Monterroso (2016) Um novo Tempo da História – História A – 10.º Ano, Porto Editora

Imagens:

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No âmbito da disciplina de Geografia os alunos das turmas  D e E do 11º ano visitaram nos dias 12 e 19 de janeiro a exposição  “Ver Almada Crescer“, patente no Museu da Cidade de Almada, acompanhados pelos professores  Fátima Campos e João Melo.

Os alunos percorreram exposição ouvindo as explicações dadas pelo Dr. João Valente que abordou conceitos que implicam com o espaço/tempo/sociedade/na construção de uma cidade.

A visita de estudo permitiu aos alunos compreender que quer o aumento da dimensão espacial da cidade de Almada, quer o aumento da população urbana se devem, em grande parte à modernização e especialização dos transportes, o que explica a importância crescente das áreas urbanas na organização do espaço e das atividades económicas.

Maria de Fátima Campos

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folheto informativo com o regulamento       ficha-de-inscricao    site

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A Ponte sobre o Tejo fez cinquenta anos. É uma construção incontornável, ligada à última metade do séc. XX português. Ironia do destino: a maior obra do outro regime foi rebatizada como Ponte 25 de Abril onze anos após a sua inauguração, em 6 de agosto de 1966. Para muitos será sempre A Ponte – quer pelas suas dimensões, quer por ter unido o Norte com o Sul do país, tornando obsoleta grande parte do tráfico fluvial e da vida ribeirinha da margem sul do Tejo., mas acima de tudo, porque, para o melhor ou o pior, não há cá outra como ela.

A Ponte do buzinão, das filas intermináveis; a Ponte que por vezes odiamos, especialmente quando temos de a atravessar todos os dias em hora de ponta, não deixa porém de ser fascinante – deve haver poucos locais com uma entrada tão grandiosa, com tal vista sobre o rio e a cidade, que se vai aproximando, que até nos faz esquecer a recente fúria da confusão do “garrafão”.

Hoje em dia, não é preciso vir de fora para nos confundirmos com tantas vias: Via Verde, Via Card, Via Bus e até algumas vias normais. É portanto difícil imaginar que nos primeiros tempos de funcionamento se tinha de estacionar o carro e deslocar-se a uma cabine para fazer o pagamento dos 20 escudos da portagem. Pois é uma das muitas coisas que nos conta Raul Solnado num artigo em que relata a primeira vez que a atravessou. E a PIDE gostou tanto dele que conservou um recorte numa das pastas que possuía sobre o ator.

RaulSolnadoPonteOutro dia fui atravessar a ponte. Era para não ir porque eu não me posso estar a meter em cavalarias altas, mas tanto me disseram tanto me falaram tanto me gabaram a ponte que eu assim que recebi a gratificação de Natal, fui. E não se pode dizer que eu ficasse desapontado, mas afinal aquilo não é o que eu pensava. Em primeiro lugar eu ouvi dizer que eles estavam todos muito contentes porque só levaram três anos a fazer a ponte, e que portanto tinham feito um recorde. Recorde uma bolota! Levam 3 anos a pôr uns ferrinhos para cima, dizem que é recorde e ficam todos vaidosos. E ainda por cima é mentira, porque inauguraram a ponte sem estar a obra acabada. Deixaram-lhe uns buraquinhos no chão, que ainda não taparam e uns buracos de lado que se calhar nunca mais tapam e nem tecto puseram. Quer dizer: além da corrente do rio, aquilo está cheio de corrente de ar. Enfim, isso é lá com eles, eu não sou engenheiro e muito menos americano, portanto eles que se entendam lá uns com os outros porque eu não tenho obrigação de lhes estar a lembrar coisas que a gente está mesmo a ver.

Bem, o que interessa é que eu fui então por uma estrada toda aos caracóis que se chama estrada dos sucessos da ponte e andei ali, mais de meia hora às voltas, que até senti tonturas: isto foi para começar! Depois lá consegui chegar à entrada da ponte onde há uma casinha que tem lá dentro um senhor fardado que está ali a pedir dinheiro para as obras da ponte. O que eu achei esquisito é que aquilo tem um letreiro que diz “portagem”, o que eu acho que está errado porque “portagem” devia ser na ponte do Porto. Ali devia ser “almagem”, porque a casinha fica em Almada, ou “pagagem” porque é onde se paga, ou então “garagem” já que é para automóveis! Bem então lá dei os 20$00 e fiquei na espera, porque pensei que por aquele dinheiro eles forneciam os automóveis e, claro, embora mesmo assim não fosse barato, a gente sempre ficava com o carro e dava ela por ela.

 

Mas não. A gente paga aquele dinheiro todo e eles não dão nada. Nem há música nem um filme, nem ao menos uma cerveja. Nada! Nem recibo! Por aquela exorbitância, ao menos podiam ter feito uma escada de caracol para as pessoas virem cá abaixo chapinhar na água! E o pior é que mal se apanham com o dinheiro na mão e passamos a casinha para entrar na ponte fica logo tudo proibido. É proibido buzinar, é proibido cuspir, não se podem atirar fora as pontas de cigarros e temos que engolir as “beatas”, é proibido guinar para a esquerda, mas para a direita também é,eduardo gageiro não se pode andar devagar mas depressa também não, e nem sequer se pode olhar para os barquinhos! Parece um convento! Calculem que nem se pode parar no caso da gente precisar fazer qualquer coisa… enfim… resolver qualquer aperto! E se fizermos alguma coisa que os policiais da ponte não achem graça, eles multam e ainda pontificam! Eu acho que quando só havia barcos era muito melhor. A gente pagava muito mais barato e punha as “beatas” onde a gente queria, cuspia-se que até dava gosto e ao menos sempre era um passeio de barco que se dava! E ainda por cima com uma vantagem muito grande! O tempo que se esperava na bicha para entrar no barco era um tempo que se podia aproveitar para ir passando férias. Pois!

Mas eu é que já descobri como é que hei-de ir a Cacilhas de borla. Vou pela ponte de Santarém, que já não se paga, gasto os vinte escudos em melões de Almeirim, venho por ali abaixo e posso chegar a Cacilhas a muito boas horas de apanhar o barco para Lisboa. Não estou para que me aconteça o que aconteceu a um rapaz que eu conheço. Passou a ponte para lá e agora, coitadinho, está há mais de um mês a lavar pratos num restaurante a ver se consegue dinheiro para voltar para Lisboa. Livra! A mim é que já não me apanham!

(publicado originalmente na Semana Portuguesa nº 180, de 4 a 10 de Março de 1967, acedido aqui)

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ilustração de Nuno Saraiva

outras imagens: daqui, daqui e daqui 

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040f29f56ecfb6002f015f304c09da04.jpgFoi entre 17 e 18 de julho de 1936 que o levantamento militar de Francisco Franco contra a Frente  Popular, que governava a então II República espanhola, deu início a um período sangrento de guerra civil que se estendeu por quase três longos anos e que teve como desfecho uma ditadura que duraria até 1975.

A “transição”, que fez evoluir, após a morte de Franco, a ditadura para uma democracia ocidental, não sarou porém completamente as profundas divisões e feridas abertas na sociedade espanhola e que estão ainda bem patentes nos dias de hoje.

Se há elementos iconográficos que melhor representam os dois lados da barricada eles são sem dúvida Guernica de Picasso – uma representação do bombardeamento da pequena localidade basca homónima pelos alemães -, e o monumento chamado  Vale dos Caídos, perto de San Lorenzo del Escorial (Madrid), erguido aos seus mortos pelos falangistas vitoriosos  e no qual repousam os restos mortais do ideólogo do regime franquista, Primo de Rivera, e do próprio Franco.

Enquanto o primeiro é uma obra de arte de reconhecido mérito universal – talvez o mais importante quadro do pintor e o mais iconográfico do séc.XX como manifesto antiguerra – o Vale dos Caídos tem um mérito bem mais duvidoso pois representa um nacionalismo católico e reacionário de má memória para muitos espanhóis, cuja própria manutenção nestes moldes é alvo de grande controvérsia na sociedade espanhola de hoje, tendo em conta que a sua construção resultou do trabalho forçado de muitos prisioneiros do lado derrotado.

O que dividiu (e divide) a sociedade espanhola de então não se limitou a uma fratura entre uma esquerda republicana, laica (mesmo anticlerical) e uma direita fascista e católica conservadora – nos dois lados cruzaram-se interesses e paradigmas múltiplos, visões do estado e da própria identidade de Espanha como nação: se da parte republicana derrotada tínhamos uma frente laica, do outro lado surgia uma frente militar-religiosa (bem diferente do fascismo de Mussolini e do Nazismo de Hitler, neste aspeto), que encarou a guerra como uma cruzada contra os ímpios ateus, os comunistas, sindicalistas e defensores das identidades e autonomias regionais.

Assim, o que opôs os dois lados pode ser resumido nas dicotomias ainda hoje presentes de uma forma mitigada: esquerda-direita, laicismo-religião, identidades regionais-centralismo, república-monarquia. Como se podem ver pelos cartazes da frente popular republicana (los rojos, como lhe chamavam os falangistas), as autonomias nacionais-regionais tinham ampla expressão identitária, tanto em termos de organizações políticas e sociais, como no uso de outras línguas nacionais,  como o catalão.

Do lado esquerdo da barricada, a Frente Popular federava todas as esquerdas, incluindo comunistas, socialistas (PSOE), anarquistas, sindicalistas, e  contava com o apoio de brigadas de voluntários internacionais, provenientes de muitas partes do globo mas com predominância dos comunistas internacionalistas (apoiados pela então URSS) . Nestas brigadas participaram  figuras célebres como o romancista americano Ernest Hemingway, o escritor inglês George Orwell, o poeta também inglês W. H. Auden, os escritores franceses André Malraux e Saint-Exupéry e a ativista política, também francesa, Simone Weil.

Do lado dos falangistas-franquistas, houve o apoio aberto e ativo do estado alemão hitleriano, da Itália de Mussolini e da ditadura de Salazar que, sem se envolver diretamente no conflito, manifestou-se a favor do anticomunismo de Franco e deu um secreto apoio à brigada portuguesa autodenominada  Os Viriatos.

80 anos é já muito tempo, mas a História ensinou-nos que o passado é essencial para compreender o presente e decidir o futuro – desta forma, esperemos que os nossos às vezes irmãos mas sempre vizinhos ibéricos mantenham vivos na memória esses quase três anos de sangue, para que possam encontrar uma fórmula que os faça finalmente reconciliar-se com a(s) sua(s) identidade(s) e ultrapassar tão fortes e antigos antagonismos. O que só nos beneficiaria a nós, mesmo aqui ao lado.

Fernando Rebelo

fontes: Wikipédia e Pinterest

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