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Posts Tagged ‘Política’

No dia 8 de março, o autor, jornalista e historiador José Milhazes conversou com alunos das turmas do 12º Línguas e Humanidades com o intuito de promover o seu livro mais recente “As Minhas Aventuras no País dos Sovietes” (2017) e de expor algumas ideias e histórias sobre o comunismo e as suas experiências pessoais passadas num país com aquela ideologia.

Milhazes, nascido na Póvoa de Varzim de uma família humilde de pescadores, partiu para a União Soviética em 1977, onde iria tirar a licenciatura em História e viver numa sociedade comunista, algo com que ele, firme apoiante da ideologia marxista, há muito sonhava. Em vez de voltar logo para Portugal, o historiador casou-se e ficou a viver lá durante muitos anos. Tendo lá chegado durante o governo de Brejnev, acompanhou esse período e tudo o que se seguiu, incluindo o fim da URSS. Desde 1989 que Milhazes, devido à sua posição e vivências, escreve para jornais portugueses e comenta sobre assuntos atuais que envolvam a Rússia.

A sessão começou com uma (quase) breve introdução, em que o convidado se apresentou aos presentes e falou sobre as suas aventuras no país dos sovietes, sobre a atual Rússia e sobre a evolução de Portugal, do seu ponto de vista. Depois, alunos e professores tiveram a oportunidade de colocarem as suas questões. Estas abrangeram vários tópicos, e receberam respostas ainda mais amplas que, apesar de serem longas e algo dispersas, acabaram por responder a muitas outras perguntas também, algumas das quais ninguém tinha sequer pensado!

Algumas das questões colocadas foram sobre a sua visão relativa ao caráter repressivo da URSS (e como se compararia ao Portugal pós-Revolução de que ele tinha saído), “acha que o marxismo ou algum tipo de neomarxismo ainda faz sentido? ”ou ainda a sua opinião sobre a violação de direitos humanos na atual Rússia. José Milhazes respondeu com várias histórias e opiniões pessoais, remetendo várias vezes aos seus livros e também aos artigos e crónicas escritos para jornais como o Observador. No final, os presentes tiveram a oportunidade de receber autógrafos nos seus livros e alguns até de ficar na sala por mais algum tempo e conversar com o autor.

O feedback vindo de alguns dos alunos presentes é positivo, mas muitos afirmaram que, apesar do privilégio de terem contactado diretamente com alguém que experienciou eventos aprendidos em aulas de História, o facto de José Milhazes ter divagado muito na sua introdução e nas respostas, limitou a intervenção de alguns alunos, já que esta estava limitada por tempo e muitas questões ficaram por perguntar ou por melhor esclarecer. Isto, claro, seria resolvido com uma segunda visita!

Alice Santos e Carla Miranda, 12ºD

A história de José Milhazes é uma inspiração para vários alunos que se maravilhavam a ouvi-lo sobre tudo o que tinha para contar. Informados acerca do seu trabalho e entusiasmados para compreender melhor o seu livro, foram colocadas questões variadas sobre política, economia e até lhe foi pedida a opinião sobre problemas atuais que o nosso mundo enfrenta.

O autor demonstra muito conhecimento relativamente à história da Rússia, dos tempos soviéticos e à atualidade do presidente Putin. O autor também transmite imensa informação sobre as suas experiências que são fascinantes e demonstram grande coragem da sua parte!

Os alunos da escola Daniel Sampaio desfrutaram de uma oportunidade única de conhecer a história para além dos livros, através de alguém com muita informação para transmitir, um gosto histórico enorme e, certamente, uma enorme vontade de aprofundar todos estes acontecimentos.

Entre as histórias e “ideologia” abordada pelo autor, foi importante ter realçado que o conhecimento deve sempre ser questionado e a aprendizagem nunca é demais. A aprendizagem e os fenómenos históricos são privilégio a que todos nós temos acesso, de modo que cabe a cada um de nós, como indivíduos de uma sociedade desenvolvida, buscar o conhecimento e a vontade de aprender.

Após uma experiência única e impactante em que o tempo passou a voar, todos esperam ansiosamente repetir este encontro continuando a acompanhar o trabalho feito por este célebre historiador, na esperança de, talvez no futuro, usufruir novamente de tal oportunidade para que todas as perguntas que ficaram por colocar sejam respondidas e a nossa visão histórica seja ampliada.

Stephanie Vidal, 12ºD

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2016Apesar de ainda faltarem alguns dias para o final do ano e ainda muita coisa poder acontecer, é chegada a hora de olhar para trás e escolher o acontecimento mais marcante, quer a nível nacional, quer internacional – terá sido o que nos fez mais feliz? Ou pelo contrário o que nos marcou, ou ao país, ao mundo de uma forma negativa? Terá sido o que nos surpreendeu mais?

Eis a pergunta que propomos aos leitores com esta nova sondagem. Diga-nos a sua opinião (na caixa lateral do lado direito do blog).

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040f29f56ecfb6002f015f304c09da04.jpgFoi entre 17 e 18 de julho de 1936 que o levantamento militar de Francisco Franco contra a Frente  Popular, que governava a então II República espanhola, deu início a um período sangrento de guerra civil que se estendeu por quase três longos anos e que teve como desfecho uma ditadura que duraria até 1975.

A “transição”, que fez evoluir, após a morte de Franco, a ditadura para uma democracia ocidental, não sarou porém completamente as profundas divisões e feridas abertas na sociedade espanhola e que estão ainda bem patentes nos dias de hoje.

Se há elementos iconográficos que melhor representam os dois lados da barricada eles são sem dúvida Guernica de Picasso – uma representação do bombardeamento da pequena localidade basca homónima pelos alemães -, e o monumento chamado  Vale dos Caídos, perto de San Lorenzo del Escorial (Madrid), erguido aos seus mortos pelos falangistas vitoriosos  e no qual repousam os restos mortais do ideólogo do regime franquista, Primo de Rivera, e do próprio Franco.

Enquanto o primeiro é uma obra de arte de reconhecido mérito universal – talvez o mais importante quadro do pintor e o mais iconográfico do séc.XX como manifesto antiguerra – o Vale dos Caídos tem um mérito bem mais duvidoso pois representa um nacionalismo católico e reacionário de má memória para muitos espanhóis, cuja própria manutenção nestes moldes é alvo de grande controvérsia na sociedade espanhola de hoje, tendo em conta que a sua construção resultou do trabalho forçado de muitos prisioneiros do lado derrotado.

O que dividiu (e divide) a sociedade espanhola de então não se limitou a uma fratura entre uma esquerda republicana, laica (mesmo anticlerical) e uma direita fascista e católica conservadora – nos dois lados cruzaram-se interesses e paradigmas múltiplos, visões do estado e da própria identidade de Espanha como nação: se da parte republicana derrotada tínhamos uma frente laica, do outro lado surgia uma frente militar-religiosa (bem diferente do fascismo de Mussolini e do Nazismo de Hitler, neste aspeto), que encarou a guerra como uma cruzada contra os ímpios ateus, os comunistas, sindicalistas e defensores das identidades e autonomias regionais.

Assim, o que opôs os dois lados pode ser resumido nas dicotomias ainda hoje presentes de uma forma mitigada: esquerda-direita, laicismo-religião, identidades regionais-centralismo, república-monarquia. Como se podem ver pelos cartazes da frente popular republicana (los rojos, como lhe chamavam os falangistas), as autonomias nacionais-regionais tinham ampla expressão identitária, tanto em termos de organizações políticas e sociais, como no uso de outras línguas nacionais,  como o catalão.

Do lado esquerdo da barricada, a Frente Popular federava todas as esquerdas, incluindo comunistas, socialistas (PSOE), anarquistas, sindicalistas, e  contava com o apoio de brigadas de voluntários internacionais, provenientes de muitas partes do globo mas com predominância dos comunistas internacionalistas (apoiados pela então URSS) . Nestas brigadas participaram  figuras célebres como o romancista americano Ernest Hemingway, o escritor inglês George Orwell, o poeta também inglês W. H. Auden, os escritores franceses André Malraux e Saint-Exupéry e a ativista política, também francesa, Simone Weil.

Do lado dos falangistas-franquistas, houve o apoio aberto e ativo do estado alemão hitleriano, da Itália de Mussolini e da ditadura de Salazar que, sem se envolver diretamente no conflito, manifestou-se a favor do anticomunismo de Franco e deu um secreto apoio à brigada portuguesa autodenominada  Os Viriatos.

80 anos é já muito tempo, mas a História ensinou-nos que o passado é essencial para compreender o presente e decidir o futuro – desta forma, esperemos que os nossos às vezes irmãos mas sempre vizinhos ibéricos mantenham vivos na memória esses quase três anos de sangue, para que possam encontrar uma fórmula que os faça finalmente reconciliar-se com a(s) sua(s) identidade(s) e ultrapassar tão fortes e antigos antagonismos. O que só nos beneficiaria a nós, mesmo aqui ao lado.

Fernando Rebelo

fontes: Wikipédia e Pinterest

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Damos início às publicações de 2015 com um texto de opinião do nosso colega Carlos Sant’Ovaia, que serve igualmente de lançamento da nossa próxima sondagem – O ranking das escolas reflete a qualidade do seu ensino e das aprendizagens dos seus alunos?

Esperamos assim contar com a opinião dos nossos leitores, na sequência do convite à reflexão sobre o tema,  feito pelo autor do artigo, seja o resultado dessa reflexão consonante ou não com a posição que defende.

Fernando Rebelo

standardized-testingCerca de vinte anos após a sua abolição, no agitado contexto que envolveu as escolas no período pós 25 de Abril, os exames regressaram à agenda da educação, de forma tímida mas persistente. Apresentados como a panaceia para o apregoado défice de conhecimentos disponibilizados pela escola aos jovens que a frequentam, os exames foram granjeando a simpatia e o apoio de um número significativo de opinion makers, acabando por consagrar o seu regresso em 1993, através de um esconso despacho ministerial (Despacho Normativo 338/93, de 21 de outubro).

A centralidade dos exames, enquanto instrumento de regulação da ação educativa, conheceu contudo uma nova dimensão com o início da publicação do ranking das escolas.rankings

O acesso aos resultados dos exames nacionais tornou-se possível em agosto de 2001, com a disponibilização à imprensa dos dados relativos aos resultados dos exames nacionais pelo Ministério de Educação, então dirigido pelo ministro Júlio Pedrosa.

Tratou-se de uma decisão polémica, criticada por muitos, sobretudo professores mas também académicos, que nela temiam as consequências para as escolas de uma informação descontextualizada junto do público e, concretamente, dos encarregados de educação; mas aplaudida por outros, com destaque para a coligação de interesses entretanto formada em torno do então diretor do jornal Público – José Manuel Fernandes – que vinha pugnando, há largos meses, pelo que considerava ser o direito público de acesso aos dados. Foi este jornal quem primeiramente promoveu a produção do ranking das escolas, mantendo-a regularmente desde então.

Os argumentos pró-divulgação dos resultados dos exames eram, sinteticamente, os seguintes:

  • Representam a transparência do sistema educativo;
  • Permitem a troca de experiências: aprender com os bons exemplos e evitar os maus;
  • Disponibilizam aos pais informações úteis para optarem pela escola onde colocar os seus filhos;
  • Estimulam a concorrência entre escolas, o que constitui um fator de melhoria de cada uma delas;
  • Fornecem dados que permitem decisões e ações orientadas para uma maior qualidade do ensino.

Esta sinopse argumentativa evidencia bem os fundamentos e os objetivos que lhe estão subjacentes. Com efeito, a generalidade dos argumentos esgrimidos em favor da divulgação dos resultados dos exames, e dos rankings das escolas que os mesmos suportam, visou (e visa) sobretudo introduzir (e manter) mecanismos de mercado na oferta educativa, fomentando a concorrência com o propósito de instituir a livre escolha das escolas (privadas ou públicas) pelos encarregados de educação.

tumblr_m3xc85azi71qkaoroo1_500Nas palavras do já referido José Manuel Fernandes, “mais do que dar respostas – qual é a melhor ou a pior escola do país? – o trabalho que hoje [27/8/2001-primeira edição dos rankings] editamos deve levar-nos a interrogações: Porque é que numa mesma escola, com os mesmos alunos, há excelentes prestações numas disciplinas e péssimas noutras? Porque é que escolas que são vizinhas e tem condições semelhantes, obtêm por vezes resultados tão diferentes?” (Fernandes, 2001), interrogava o jornalista em jeito de introito à pergunta basilar da coligação de interesses a que conferia visibilidade: “Porque será que, havendo na minha área de residência uma escola que obtém melhores resultados do que a minha, o ministério não me dá possibilidade de escolher?” (idem).

A criação de normas-padrão e provas de avaliação a nível nacional mostraram-se igualmente fundamentais na implementação de “duas peças fundamentais para a reforma educativa: a prestação de contas (accountability) e a competição entre escolas”, ao mesmo tempo que se mostraram instrumentais na “reorganização dos currículos em função do mercado de trabalho” (Afonso, 2002,  p.114).

O referido autor afirma ainda que a “avaliação estandardizada criterial com publicitação de resultados (…) permite evidenciar, (…) o já designado paradoxo do ‘Estado neoliberal’”: por um lado, o Estado quer controlar mais de perto os resultados escolares e educacionais (tornando-se assim mais Estado, Estado-avaliador) mas, por outro lado, tem que partilhar esse escrutínio com os pais e outros «clientes» ou «consumidores» da educação (… tornando-se mais mercado e menos Estado). Produz-se assim um mecanismo de quase-mercado”.(idem, p.122).imagem

Neste contexto, os exames nacionais, amplificados pelos rankings, concorrem para a regulação de estratégias e práticas educativas, conformando-as às consideradas mais eficazes para os resultados. Numa investigação efetuada junto de docentes do ensino secundário, Maria Benedita Melo constatou que o ranking “alterou em 22,4% dos inquiridos as práticas profissionais quotidianas (…), 37,5% por cento dos docentes que inquiriu afirmaram que “os rankings levaram à adoção de estratégias específicas que permitissem (…) melhorar os resultados obtidos nos exames de 12º ano” (Melo, 2009).

De facto, apesar da posição geralmente crítica com que questionam os critérios da sua elaboração, estudos recentes sustentam que as lideranças escolares e os docentes se preocupam com os rankings, sobretudo com a imagem das escolas que os mesmos transmitem e com a sua própria imagem enquanto professores (Melo, 2007a). Tal facto pressiona-os no sentido alterarem opções pedagógicas e critérios de avaliação com vista a obterem dos seus alunos melhores resultados nos exames, privilegiando por vezes a eficácia em detrimento da eficiência.

tumblr_m81ucz4wlX1qkaoroo1_500A pressão efetuada sobre as escolas encontra-se também patente na dependência entre o crédito horário que lhes é concedido para atividades e projetos próprios e os resultados obtidos pelos respetivos alunos dos exames nacionais, fixada, primeiramente, no Despacho Normativo 13A/2012 de 5 de junho. O critério definido nesse normativo compreende vários fatores e indicadores, um dos quais, o EFI (Indicador de Eficácia Educativa), remete, com uma clareza sem precedentes, para os resultados da avaliação interna e externa, ou seja, a que é protagonizada pelos professores e a que resulta dos resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais. O crédito horário a conceder a cada escola varia, assim, em resultado da aplicação de fórmulas de cálculo que têm em conta a média dos resultados obtidos pelos alunos internos nos exames nacionais, a comparação entre as Classificações Internas Finais (CIF) e as obtidas nos exames nacionais (CE) e ainda a comparação entre as classificações obtidas nos exames num ano letivo com as obtidas nos exames do ano letivo anterior.

Embora de forma não exclusiva, a dependência direta entre os recursos a disponibilizar às escolas e os resultados dos exames vem adicionar ainda mais pressão sobre responsáveis escolares e docentes, no sentido de organizarem o ensino tendo em conta o que releva para os exames e alinharem a sua avaliação pela bitola utilizada nos mesmos. Em consequência, o trabalho docente baseado em práticas letivas estimuladoras do espírito crítico, da criatividade, da capacidade de iniciativa, da cooperação e da responsabilidade, competências que não são suscetíveis de avaliação nos exames nacionais, têm vindo a perder valor de ponderação em favor da avaliação essencialmente cognitiva de caráter sumativo, concretizadas através de testes escritos elaborados à imagem e semelhança dos exames.all-class-testing-pic

Melo (2007b) recolheu evidências de que, na sequência da reposição nos exames nacionais, a maioria dos docentes com responsabilidade pela lecionação de disciplinas que vão ser sujeitas a exame nacional, elegem como estratégia pedagógica preferencial “a que traduz uma lógica de ensino-aprendizagem mais “mecanizada”: lecionarem o programa dando mais relevância às matérias que poderão sair no exame e treinando os alunos, (…) a saber responder a testes cujos enunciados são idênticos aos exames (…)” (p.322).

O reforço letivo nas disciplinas de exame, a criação de gabinetes de apoio aos exames e a atribuição dos horários nos anos de exame a professores experimentados no treino para essas provas, são exemplos de medidas adotadas nas escolas com o mesmo objetivo.

2314376313Outras, porém, têm vindo a ser tomadas, com consequências porventura mais profundas. É o caso da seleção dos alunos que serão propostos a exame pelas escolas – alunos internos. Perante uma previsível prestação menos favorável nos exames de uma determinada disciplina, os alunos são reprovados na avaliação de frequência ou “aconselhados” a anularem a matrícula na disciplina em causa, propondo-se ao exame como alunos externos, não computando as suas notas de exame para a estatística dos resultados da escola.

A redução (ou mesmo anulação) da componente comportamental na formação das classificações doshigh-stakes-testing alunos, em benefício do peso da componente cognitiva, constitui uma outra consequência direta da relevância crescente dos exames. De facto, se a diferença entre a classificação interna (CIF – classificação interna) e a classificação externa (CE – classificação do exame) constitui um dos fatores determinantes da atribuição de maior ou menos crédito horário às escolas e se essa mesma diferença é evidenciada nos rankings, a escola tenderá a menosprezar a componente comportamental na avaliação e classificação dos alunos, esquecendo que essa é uma importante componente da formação integral dos indivíduos, que deve ser igualmente avaliada e classificada, para se centrar na componente estritamente cognitiva que constitui a única avaliada nos exames.

fig_transtorno1Uma outra estratégia que tem vindo a fazer percurso em muitas escolas, está relacionada com o early tracking of students, recentemente preconizada ao mais alto nível por responsáveis do Ministério da Educação. Embora ainda não oficialmente enquadrada, esta estratégia tem sido seguida oficiosamente em algumas escolas, através da orientação dos alunos para as chamadas ofertas não regulares, como os CEFs – Cursos de Educação e Formação – e os Cursos Profissionais. Sob o argumento da diversificação da oferta educativa, este encaminhamento precoce configura na realidade um exercício de seletividade social, através do qual a escola (fundamentalmente a escola pública) se demite da sua missão inclusiva, segregando em vez de apoiar, reproduzindo dessa forma as desigualdades sociais que supostamente deveria corrigir.

O próprio relacionamento entre professores de disciplinas sujeitas a exame e os professores das restantes disciplinas revelam tensões decorrentes da pressão dos exames. Queixas de que as disciplinas não sujeitas a exame fazem “perder tempo” excessivo aos alunos, desviando-os do que “realmente importa, começam a ouvir-se com alguma frequência. A este propósito, a diminuição da carga letiva semanal imposta a algumas disciplinas do currículo, designadamente as de opção no 12º ano, ou a irrelevância para a média final das notas obtidas na disciplina de Educação Física, no ensino secundário, constituem exemplos da despromoção a que foram votados pelo ministério saberes e competências fundamentais à formação integral dos alunos.

Do que fica dito, pode retirar-se que a importância adquirida pelos exames, enquanto expressão de um fenómeno mais vasto emergente a nívelBLG_tests_reg20120816-17262-1l7grj internacional, nas últimas décadas, no campo da educação – o testing-, vai muito além do que pontuar a espaços o percurso académico dos alunos, como mais um (entre outros) instrumento de avaliação, embora de âmbito externo e com propósitos de aferição. Na realidade, tal fenómeno tem impactos não desprezíveis ao nível do funcionamento das escolas, dos curricula, do trabalho docente e das competências e conhecimentos adquiridos pelos alunos, razões mais que suficientes para que, enquanto profissionais da educação, sobre ele lancemos uma reflexão crítica, própria de mulheres e homens do conhecimento que essencialmente somos.

Carlos Sant’Ovaia, dezembro 2014

Referências Bibliográficas:

  • Afonso, A. J. (2002). Políticas contemporâneas e avaliação educacional. In L.C. Lima & A. J. Afonso, Reformas da Educação Pública: Democratização, modernização, neoliberalismo (111-128). Porto: Edições Afrontamento.
  • Fernandes, J. M. (2001). Editorial. Público, 27/8/2001.
  • Melo, M. B. (2007a). Educação e mass media na modernidade: efeitos do ranking escolar em análise, In Vieira, M. M. Vieira (Org.). Escola, Jovens e Media (pp 67-94). Lisboa: ICS.
  • Melo, M. B. (2007b). Reflexões e Reflexividade Mediatizada: Os professores do Ensino Secundário e os Rankings Escolares, Tese de Doutoramento em Sociologia, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Lisboa.
  • Melo, M. B. (2009). Professores consideram que rankings originam “julgamento público negativo” sobre a classe. Entrevista a ‘A Página da Educação’, Edição nº 185, série II.

imagens: daqui, daqui, daqui, daqui, daqui, daqui, daqui e daqui

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setores-berlim

setores de divisão de Berlim após 1945

A QUEDA DO  MURO DE BERLIM em 9 novembro de 1989 foi um dos acontecimentos mais marcantes do século XX vaticinando o fim de uma ordem mundial marcada pela bipolaridade americana e soviética. Durante esse ano a descompressão política desencadeada por Gorbatchov na URSS estendeu-se a todo o bloco do leste europeu intensificando-se a contestação ao poder instituído, nomeadamente na Polónia e Hungria indiciando que o poderio soviético começara a desmoronar. No entanto, na RDA, as autoridades políticas festejavam o 40º aniversário da sua fundação como pátria socialista embora a manifestação, em Leipzig, de 70 mil pessoas no dia 9 de Outubro de 1989 não tivesse a habitual resposta repressiva do regime.

Ninguém imaginava que um mês depois o muro caísse. Nas comemorações desse aniversário o líder soviético Gorbatchov advertia Ericmuro-de-berlim-queda Honecker, líder da RDA, para a necessidade de mudança com uma frase que se tornou premonitória de que “quem não presta atenção às lições da história acaba por ser varrido por ela”. Em 9 novembro  o seu sucessor, Egon Krenz  autoriza a abertura da fronteira, permitindo que milhões de alemães que viviam na RDA passassem para o ocidente. Depois de vinte e oito anos era o fim da parede de betão erguida em 1961, que simbolicamente dividia o continente europeu, e o início do processo de reunificação da Alemanha consumado em 3 outubro de 1990.

Desde 1952 que havia limitações à circulação e controle entre Berlim leste, sob o domínio da URSS, e os restantes setores administrados pelos EUA, França e Inglaterra. Mas com a construção do muro em 13 agosto de 1961 isolando os três setores circundantes de Brandeburgo, a RDA pretendia travar as crescentes ondas de milhares de fugitivos de Berlim leste e da RDA que 192-alemanha-copacomeçava a fragilizar a economia da Alemanha leste. Nessa noite de verão unidades armadas da polícia da fronteira da RDA e unidades paramilitares de empresas nacionalizadas começam a vedar com arame farpado as fronteiras entre os vários sectores. Seguidamente edificaram-se paredes de placas de betão de quatro metros de altura, com dispositivo de iluminação, corredor da morte de quarenta metros, um segundo muro nalguns locais, torres de vigilância, barreiras eletrificadas e zonas com cães de guarda. Das oitenta e uma ruas de ligação entre os setores leste e oeste da cidade sessenta e uma são encerradas, com pontos de passagem nas restantes, sendo que, no dia seguinte ao início da construção, ainda conseguiram fugir 6.900 pessoas.

De um dia para o outro milhares de famílias foram separadas e milhares de residentes dos vários setores da cidade perderam os seus empregos. Esta zona fronteiriça só podia ser utilizada mediante autorização especial e as sete passagens no interior da cidade só podiam ser transportas de ocidente para leste sendo que, em sentido contrário, durante alguns anos só era permitida a passagem a reformados da RDA, uma vez por ano.

Mas, apesar de muro e de tantas limitações, entre 1961 e 1989, conseguiram fugir para o lado ocidental 475.000 pessoas contabilizando-se oficialmente mais de 125 pessoas que morreram ao tentar atravessá-lo sendo a última vítima Chris Gueffroy abatido, em 6 fevereiro de 1989, pelos guardas da RDA.

fotododiaEmbora o período que vivemos esteja marcado por alguma instabilidade política e económica, Berlim prepara-se para as comemorações do 25ª aniversário desse símbolo europeu da luta pela liberdade. Entre as várias iniciativas destaque para a fila de 8 mil balões brilhantes ao longo de 15 km representando o traçado exato que marcava a fronteira leste-oeste na cidade. A cada 150 metros terminais explicativos contarão “episódios ou destinos trágicos, felizes ou surpreendentes relacionados com a história da cidade dividida” com visitas guiadas nos locais mais emblemáticos, como o Portão de Brandemburgo ou o Memorial do Muro na Bernauer Strasse. Na noite de 9 de novembro, além da instalação luminosa haverá uma cerimónia simbólica da queda do muro000_dv1903048 com a presença do presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, os Prémios Nobel da Paz Mikhail Gorbachev e Lech Walesa, respetivamente ex-presidente soviético e ex-líder do sindicato polaco Solidarnosc, além de Miklos Nemeth, primeiro-ministro húngaro de 1988 a 1990. A chanceler Angela Merkel também inaugurará, no mesmo dia, a nova exposição permanente do Memorial do Muro, no centro de Berlim.

vista aérea do muro de balões iluminados

vista aérea do muro de balões iluminados

E porque o tempo, infelizmente, apaga algumas memórias, julga-se que só metade dos berlinenses sabem exatamente a sua localização exata, pois nos meses seguintes à queda foi quase totalmente destruído e só restam seis locais de pequenos dimensões da construção que as autoridades da RDA denominavam “Muro de proteção antifascista“ mas que ficará para sempre conhecido como “Muro da vergonha”.

Luísa Oliveira

imagens: daqui, daqui, daqui, daqui daqui

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Assinatura do Tratado de Versailles

Assinatura do Tratado de Versalhes

Ao cabo de quatro anos e três meses do conflito que ficou conhecido como a Grande Guerra, quando a Alemanha assina o armistício em 11 novembro de 1918, as consequências não se contabilizaram só pelos dez milhões de mortos e cinco milhões de feridos. A mentalidade confiante e racionalista da sociedade burguesa de inícios do século XX sofreu um corte devido ao choque causado pelo conflito, avizinhando-se uma nova ordem internacional com as democracias vitoriosas a iniciarem o processo de reordenamento do espaço europeu e do Médio Oriente. O fim do conflito marcou, assim, a vitória das democracias liberais do ocidente europeu sobre os velhos impérios autocráticos da Europa central e do leste e do Império Otomano. O Império Russo foi o primeiro a desaparecer quando Lenine, após a revolução socialista de 1917, assinou, em março de 1918, a paz com a Alemanha em Brest-Litovsky, embora com inúmeras perdas territoriais nomeadamente para a Polónia, Ucrânia e independência da Estónia, Letónia, Lituânia e Finlândia.

Sátira da época ao Tratado de Versalhes

Sátira da época ao Tratado de Versalhes

Para os vencidos, as perdas foram violentas, sendo os seus impérios desmembrados em consequência dos acordos de paz de 1919. A Alemanha foi considerada a responsável pelo conflito e o seu império, dominado pelos Hohenzolern, desapareceu: além de instaurar a república, perdeu 1/10 da população e 1/7 do seu território, nomeadamente, as regiões da Alsácia-Lorena para a França, territórios para a Polónia, Bélgica, Dinamarca e Checoslováquia. A estes factos, juntam-se outras penalizações como a perda das colónias, desmilitarização de zonas fronteiriças, redução do exército e da marinha mercantil, além das reparações financeiras que ascenderam a centenas de milhões de marcos. O Império Austro-húngaro foi totalmente desmembrado, surgindo os novos estados da Áustria, reduzida aos Alpes Orientais e a uma pequena planície junto ao Danúbio, da Hungria e da Checoslováquia, tendo sido ainda alguns territórios desse antigo império integrados na Itália, Roménia, Grécia, Polónia e Jugoslávia, que se tornou independente. A Bulgária deixou de ter acesso ao mar Mediterrâneo. O vasto Império Otomano do sultão Maomé VI foi dos mais penalizados, ficando reduzido às dimensões da atual Turquia e perdendo todos os territórios do Médio Oriente, originando novos estados como o Iraque, sob influência britânica, Síria e Líbia, protetorados da França, Transjordânia, Palestina e Egito sob tutela britânica, o reino independente da Arábia Saudita, enquanto o Curdistão e a Arménia alcançam a autonomia.

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Esta nova ordem internacional, saída da Conferência de Paz iniciada em janeiro de 1919, não vaticinava resultados duradouros pois os vários tratados, nomeadamente o emblemático Tratado de Versalhes, foram impostos pelos países vencedores aos países vencidos, que nem sequer colaboraram na elaboração dos textos. Esta humilhação e prepotência virá a ser um dos pretextos apresentados pelos nacionalistas alemães para vingar o seu orgulho ferido. Mas, mesmo entre os vencedores, as ambições hegemónicas e a distribuição das reparações de guerra geraram grande descontentamento, nomeadamente em Portugal e Itália, sendo que este último também demonstrou o seu desagrado por não lhe ter sido atribuído alguns territórios anteriormente prometidos. Nesta redefinição das fronteiras, as minorias nacionais não foram consideradas e, sem respeito pela identidade étnica e cultural, foram espalhadas por vários países. Deslocaram-se assim milhões de pessoas, sendo o caso mais grave a fixação na região checa dos Sudetas de milhares de alemães facto que servirá, nos anos 30, de argumento a Hitler para reclamar a integração desse território na Alemanha.

Reunião da Sociedade das Nações, Genebra 1920

Reunião da Sociedade das Nações, Genebra 1920

Porém, enquanto decorria a Conferência de Paz, apesar das divergências, havia a esperança que este conflito acabaria com todas as guerras. E foi pensando nisso que o presidente americano Woodrow Wilson propôs a criação de uma “organização geral das nações” para “desenvolver a cooperação entre nações e garantir paz e segurança”, constando essa pretensão num dos pontos do Tratado de Versalhes. A Sociedade das Nações, com sede em Genebra, tornou-se assim um instrumento de esperança que, em breve, se mostrou ineficaz pois os erros cometidos na Conferência de Paz vieram demonstrar que eram bastante ambiciosos os objetivos da SDN e difíceis de concretizar. Para complicar o sucesso político da SDN, os EUA, responsáveis pela sua formação, decidem não a integrar, descontentes com as atitudes hegemónicas dos países europeus e com as asfixiantes indemnizações exigidas aos países vencidos.8 - charges sobre a Primeira Guerra Mundial - Revista A Cigarra - 1917 - Blog do IBA MENDES...

Como em todos os grandes conflitos, às alterações geopolíticas juntam-se as transformações demográficas, económicas e financeiras. Assistiu-se ao envelhecimento da população, excedentes de população feminina, diminuição de mão-de-obra pois os mortos e feridos eram adultos do sexo masculino. Sobretudo a Europa central tornou-se um território em ruínas, com campos agrícolas devastados, fábricas destruídas e vias de transporte e comunicações desorganizadas. Os preços aumentaram sem que houvesse a devida correspondência no aumento dos salários, tornando-se habitual o racionamento dos bens essenciais. A Europa torna-se dependente dos EUA quanto aos empréstimos e fornecimento de bens, acentuando o seu endividamento e decadência.

8 - charges sobre a Primeira Guerra Mundial - Revista A Cigarra - 1917 - Blog do IBA MENDES....Futuros líderes políticos como Hitler, Churchill, De Gaulle e chefes militares como Rommel, Montgomery e Jukov participaram no conflito, cujo final representaria o triunfo da justiça e da igualdade e um futuro risonho para a Humanidade. Tal não veio a acontecer pois os erros cometidos por políticos ambiciosos abriram caminho ao autoritarismo e fizeram com que duas décadas mais tarde o mundo vivesse a uma catástrofe ainda maior. Como tal, é natural que se diga que a Grande Guerra foi a antecâmara da 2ª Guerra Mundial.

Luísa Oliveira

imagens: daqui, daqui, daqui e daqui

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Quarto Stato, de Pellizza de Volpedo (1901)

Il Quarto Stato, de Pellizza de Volpedo (1901)

O dia 1º de maio, Dia do Trabalhador, comemora essencialmente a dignidade do trabalhador e das condições no trabalho. As suas origens remontam ao séc. XIX, numa época em que a desumanização laboral consequente da revolução industrial já fizera surgir as primeiras organizações sindicais, em particular junto do proletariado urbano.

Quando em 1 de maio de 1886 os trabalhadores de Chicago se manifestaram em favor da jornada de 8 horas de trabalho foram fortemente reprimidos pela polícia, tendo resultado desse confronto dezenas de mortos e feridos, quer da parte da polícia quer dos manifestantes, nesse dia e nos que se lhe seguiram, ficando o acontecimento conhecido como a Revolta de Haymarket.

Mais tarde, em 1889, a data é escolhida pelos movimentos internacionais socialistas para manifestações em favor da luta pelos direitos no trabalho em homenagem ao levantamento de Chicago, 3 anos antes. A data vai assim  sendo progressivamente adotada em diversos países como feriado nacional.

Em Portugal, apenas em 1 de maio de 1974 a data é celebrada livremente numa manifestação, que foi provavelmente a que reuniu o maior número de pessoas de sempre em todo o país, particularmente em Lisboa. Nela se juntou a celebração do Dia do Trabalhador com a alegria de um país a 5 dias apenas do golpe de 25 de abril que lhe restituiu a liberdade.

(as imagens de cartazes do 1º de Maio destinam-se exclusivamente a fins educativos e são originárias de diversas fontes, particularmente daqui)

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Aqui encontrarás inúmeros conteúdos audiovisuais que…

… ao longo das últimas décadas, a RTP produziu e cujo interesse não se esgotou na sua divulgação televisiva ou radiofónica. Entrevistas com figuras notáveis das letras, das artes, das ciências, bem como documentários sobre o património e a história, frequentemente procurados por professores e estudantes, têm tido acesso limitado ou caem até no esquecimento. Esses conteúdos são um complemento relevante para o trabalho feito na sala de aula, e passam agora a estar disponíveis online, através das várias plataformas digitais que o Ensina utiliza. Pretendemos construir um espaço de consulta fácil para os utilizadores, através de computadores, tablets ou smartphones, em permanente construção e – dentro em breve – com o contributo de entidades externas à própria RTP. Nos próximos meses esperamos conseguir apresentar, com elevada frequência, novos materiais trabalhados a partir do arquivo do serviço público de rádio e televisão, ou produzidos especificamente para este projeto.

Que tipo de conteúdos?

Estão disponíveis, numa primeira fase, videos, audios, infografias e fotografias produzidas pelos diferentes canais da Rádio e Televisão de Portugal ao longo das últimas oito décadas. Para além de pequenos excertos de entrevistas ou programas, apresentamos também alguns grandes documentários com grande relevância para determinadas matérias escolares.

Como consultar?

Na área de temas temos os conteúdos divididos pelas principais matérias: Artes, Português, Ciência, História, Cidadania, etc. Em cada tema podemos filtrar os resultados por tipo de conteúdo, nível de ensino ou sub-tema. Alguns dos artigos publicados estão agregados em dossiers, que nos oferecem o conjunto da oferta existente sobre determinado assunto, ou conjuntos de episódios de uma mesma série. 

adaptado de http://ensina.rtp.pt/

clique para aceder ao site

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Resultados da última sondagem: qual o acontecimento mais marcante de 2013?

sondagem 2013Nos últimos meses, propusemos aos nossos leitores que elegessem o acontecimento mais marcante de 2013 – o resultado, não de todo inesperado, foi a escolha, em 1º lugar, da continuação da austeridade, destacando-se com uma percentagem de votos igual à soma do 2º e 3º selecionados. Quase no pólo oposto, mas na mesma linha económica e social, os ditos sinais de retoma apenas convenceram 4% dos leitores.

Nos 2º e 3º postos, com percentagens aproximadas, os acontecimentos votados dizem respeito respetivamente ao desaparecimento de Mandela, um ícone mundial da paz e da luta antirracista e ao surgimento de um já quase ícone também: o novo Papa Francisco, uma presença muito marcante para imensa gente apenas com um ano de pontificado.

A qualificação da seleção para o Mundial de Futebol de 2014 entusiasmou 9% dos leitores, enquanto o “chumbo” dos cortes nas reformas pelo Tribunal Constitucional teve relevância para 6%. Finalmente, houve ainda 3% que acrescentaram as revelações de Edward Snowden, que tantos engulhos diplomáticos causaram aos E.U.A., como o facto mais importante de 2013.

Nova sondagem: o que representa o 25 de Abril após 40 anos?

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No ano em que se completam 40 anos sobre o 25 de Abril será interessante saber o que esse acontecimento ainda representa. O próprio cartaz que aqui publicamos, da autoria de Júlio Pomar e de Henrique Cayatte, reflete essa interrogação: já só na memória de quem tem mais de 50, o que pode ainda significar para a população portuguesa? Haverá somente uma certa nostalgia agudizada pela crise, ou uma real necessidade de revisitação de cujas “grandoladas” são sintoma? Fará sentido essa revisitação depois de quase 30 anos, para o melhor e para o pior, de integração europeia? Ou, pelo contrário, é nestes momentos de crise que lembrar o que ele representou (e representa) para muita gente se torna mais urgente? Será o desacordo e a hesitação reinantes em torno desta celebração uma não assumida irrelevância do seu significado, o espelho da falta de consenso no modo como o interpretar ou mesmo o resultado de um embaraço perante uma série de expetativas que ficaram por cumprir? Será já só um “histórico” passado ou ainda um “político” presente e futuro?

De facto, não temos resposta cabal para nenhuma destas perguntas apenas a perceção da sua eventual pertinência, por isso aqui fica o desafio aos nossos leitores de serem eles próprios a propor as respostas.

(Nota: para votar utilize a “caixa” de sondagens na barra lateral direita da página)

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Sobre a última sondagem – quais os efeitos dos cortes financeiros nas escolas?

criseJá há dois anos que se tem mantido a mesma sondagem aqui no Bibliquais os efeitos dos cortes financeiros nas escolas. Primeiro, tornou-se difícil encontrar outra, quando tudo e todos à nossa volta tornavam praticamente este (ou a crise em geral) o único tema da atualidade; depois, desde que em finais de 2011 foi publicada até hoje, foi interessante observar a evolução do voto dos leitores: de uma vantagem clara inicial do quem gosta do que faz continuará a fazê-lo mesmo sob piores condições financeiras, foi-se passando para um pessimismo crescente, sendo hoje a maioria aqueles que sobrepõem uma grande desmotivação dos profissionais (34%) ao otimismo motivacional do item anterior, que acabou por se ficar por uns modestos 20%.

Ainda assim, 15% acredita que uma maior racionalização de recursos e soluções imaginativas para a sua falta poderão ajudar a superar os efeitos dos cortes, contra 12% que, pelo contrário, crê que a consequência será uma perca de qualidade no ensino e nos equipamentos. Finalmente, empatados em último lugar com 9,5%, os restantes votantes dividem-se entre os que acham que, apesar de tudo, os profissionais continuarão a dar o seu melhor pelos alunos, enquanto que outros tantos defendem que a vida nas escolas limitar-se-á às aulas e avaliação dos alunos.

No geral,  temos então um triunfo por 12% das perspetivas negativas sobre a visão mais otimista (ou terá ganho a abstenção?).

Nova sondagem – qual o acontecimento mais marcante de 2013?

Chegados ao final deste ano, que a muitos não deixará saudades, propomos agora aos leitores que escolham o acontecimento mais marcante de 2013 – nacional, 2013-clockinternacional, fica ao critério de cada um – será que a crise continua a ser o Tema dos Temas, ou outros acontecimentos como o apuramento para o Mundial de Futebol, a eleição do Papa, ou os ditos sinais de retoma já marcaram algum espaço nas nossas agendas de 2013? Estaremos quando chegados ao final de 2014 ainda encurralados no mesmo assunto? Esperemos que não… para darmos algum significado aos votos de Feliz Ano Novo.

E, para nos refrescar a memória, embora sem referências a Portugal (que se só parece ter tido relevo mediático global com o hat-trick the CR7 contra a Suécia ou com as ondas da Nazaré), aqui fica, com alguns tons de otimismo anglo-saxónico, 2013 em revista. (2013: what brought us together – o que nos juntou)

imagens: daqui e daqui

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