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Archive for Novembro, 2013

O filme A Gaiola Dourada voltou a ser notícia não só pelo êxito de bilheteira e estreia em dez países mas também à previsível exibição, em 2014, no Museu de Arte Moderna (MoMa) de Nova Iorque, no âmbito de uma semana dedicada ao tema da emigração. Quanto a iniciativas cinéfilas já realizadas, destaque para a 11ª edição do Doclisboa – Festival Internacional de Cinema que, entre 24 de outubro e 3 de novembro, exibiu 244 filmes de 40 países, somando um total de 123 longas e 121 curtas-metragens. Almada foi uma das cidades que recebeu este evento e o documentário que integrou o 30º Festival de Almada como homenagem a Joaquim Benite (1943-2012) foi agora premiado com o Prémio do Público para a melhor longa-metragem portuguesa. No Lisbon &  Estoril Film Festival (Leffest)  Fish & Cat do iraniano Shahram Mokri foi considerada a melhor das doze longas metragens em competição. Primária, curta documental do português Hugo Pedro, foi considerada a melhor das 24 curtas-metragens rodadas por alunos de escolas de Cinema de toda a Europa. Esta obra já tinha sido premiada na edição 2013 do Córtex  – Festival de Curtas-metragens de Sintra. No que respeita a próximas iniciativas, em dezembro, de 12 a 15 realiza-se, nos Cinema São Jorge e City Alvalade, a 4ª edição da Mostra de Cinema da América Latina que promete apresentar os doze melhores filmes latino-americanos. Ao longo das várias edições esta iniciativa, organizada pela Casa da América Latina em parceria com várias entidades nomeadamente o Instituto do Cinema e do Audiovisual, tem sido um evento de grande qualidade que, além do caráter intercultural que lhe é inerente visa também estimular as relações comerciais e de promoção do cinema entre Portugal e a América Latina através do contacto entre produtores e distribuidores nacionais e internacionais. Também é de assinalar que em Santa Maria da Feira de 1 a 8 realiza-se a 17ª edição do festival de cinema luso-brasileiro.

Em novembro registou-se um largo conjunto de estreias de qualidade mas assinalo as que considero mais importantes. Começo com uma obra que apresenta uma comunidade escolar como referência Nunca desistas de Daniel Barnaz em que Viola Davis e Maggie Gyllenhaal desempenham o papel de mães dinâmicas e corajosas lutando contra o burocrático e decadente ensino tradicional americano. Baseado em factos verídicos, esta obra demonstra como, através de muita persistência é possível fazer a diferença e contribuir para a mudança. Como os tempos que vivemos estão cinzentos, nada melhor que uma comédia para criar boa disposição e, nesse sentido, Malavita de Luc Besson  e produção de Martin Scorsese  é o ideal. Inspirado no romance homónimo de Tonino Benacquista, Robert de Niro e Michelle Pfeiffer estão perfeitos  no papel de ex–mafiosos colocados em França ao abrigo do Programa de Proteção de Testemunhas,  assim como Tommy Lee no do agente policial que os deveria controlar. Jogando com os estereótipos ligados ao mundo da marginalidade e às diferenças culturais francesas e americanas é uma forma diferente e original de contar histórias de mafiosos e de mostrar a violência inerente a estes argumentos. No género drama e como comemoração do 50º aniversário do assassinato do presidente ícone da América, J.F.Kennedy,  Parkland de Peter Landesman, com Tom Hanks como produtor, é uma versão interessante deste acontecimento traumático do passado recente americano. Num registo quase documental a adaptação do livro de Vincent Bugliosi, Four days in november apresenta-nos as pessoas comuns que estiveram envolvidas nos acontecimentos trágicos desse dia. Desde o médico que assistiu JFK no hospital (Zac Efron), ao próprio Lee Harvey Oswald (Jeremy Strong), o alegado atirador, também ele assassinado, bem como a sua mãe (JacWeaver), para além de vários membros do staff político e organização policial. Igualmente no âmbito de um aniversário, desta feita, do nascimento do líder comunista Álvaro Cunhal, tivemos Até amanhã, camaradas de Joaquim Leitão, readaptação para cinema da série de televisão produzida em 2005, com ação em pleno período fascista e cujo enredo acompanha um grupo de militantes comunistas que preparam uma jornada de luta, ao mesmo tempo que reorganizam o partido, então na clandestinidade. Esta obra e Lápis Azul de Rafael Antunes, documentário de ficção baseado em factos reais sobre a censura no período do Estado Novo, servem para  avivar memórias de uma época ainda mais sombria e para mostrar que, como dizia o poeta, “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”. Do mesmo modo Virgem Margarida de Lícínio Azevedo baseia-se em factos reais para retratar uma época conturbada após a descolonização de Moçambique. Numa obra de grande qualidade que tem tido reconhecimento em alguns festivais internacionais, com a atriz principal, Iva Mugalela, a receber prémios pelo seu desempenho, demonstra-se que os imperativos nacionais nem sempre se coadunam com os direitos humanos. Noutro género, o perigoso mundo do tráfico de droga, surge  O Conselheiro de Ridley Scott com argumento do premiado escritor Cormac McCarthy, que criou algumas expectativas não totalmente satisfeitas mas que se vê com agrado devido ao seu elenco de luxo onde se incluem atores como Brad Pitt, Javier Bardem, Cameron Diaz e Michael Fassender. Venus de Vison do polémico Roman Polanski abriu o Lisbon & Estoril Film Festival com a adaptação da peça de David Ives inspirada na obra de Leopold Von Sachen-Masoch de 1870 também adaptada a banda desenhada de 1985. Com ação a desenrolar-se num teatro parisiense Emmanuelle Seigner e Mathieu Amalric protagonizam um jogo de poder e sedução num filme provocador.

Estrearam-se ainda documentários que merecem uma referência: Histórias que contamos de Sarah Polley sobre segredos familiares, que tem acumulado críticas bastante positivas em vários festivais perfilando-se como um dos candidatos ao Óscar 2014 na sua categoria, e A história do cinema – uma odisseia do prestigiado realizador Mark Cousins, um autêntico guia do cinema mundial. Este documentário serve de pretexto para relembrar que a Cinemateca Portuguesa continua a prestigiar este mundo dos sonhos apresentando ciclos temáticos, obras imortais e outras iniciativas do mundo cinematográfico.

Luísa Oliveira

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spettacolo_25158No dia 27 e 28 de Setembro, Lisboa recebeu e ofereceu à sua população um grande espetáculo de dança contemporânea e, apesar de já ter passado algum tempo, acho que é importante referir este espetáculo porque é sinal de que não obstante Portugal já não conseguir investir muito na sua cultura, pelo menos consegue oferecer aos espectadores portugueses a oportunidade de verem grandes nomes internacionais.

No ano de 1987, Wim Vandekeybus surpreendia o mundo da dança estreando com a sua companhia Ultima Vez ultima-vezo espetáculo What the Body Does Not Remember. No ano seguinte, em Nova Iorque, o coreógrafo e os compositores Thierry de Mey e Peter Vermeersch receberam os prestigiados prémios de dança e performance Bessie e a peça consagrou-se como uma das mais influentes criações da dança contemporânea. Passados 25 anos e com um novo elenco, What the Body Does Not Remember fez uma nova digressão mundial que passou por Lisboa.

Tendo visto o espetáculo e como grande apreciadora de dança contemporânea, posso dizer com toda a certeza que foi um dos melhores que já vi. A palavra que melhor descreve o espetáculo é revolucionário e, se digo isto nos dias de hoje, imagino a controvérsia e o êxtase que terá criado na altura em que estreou.

WTB©DannyWillems-7231Tal como muitos espetáculos de arte contemporânea, a sua interpretação não é fácil e parece que a linha de raciocínio do coreógrafo não é muito lógica e muito menos perceptível. Mas isso é o que fascina o espectador e todas as inovações com os materiais utilizados, como tijolos, toalhas e cadeiras provocam muito suster de respiração e suspiros na audiência.

Deixo uma forte recomendação de que da próxima vez que a companhia Ultima Vez estiver presente no país tentem ir assistir a um dos espetáculos, porque mesmo não sendo apreciadores do género, irão recordar as coreografias durante horas a fio. Sendo assim, como acho que às vezes as imagens valem mais que 1000 palavras, deixo-vos não só com fotografias deste espetáculo mas também um vídeo que o documenta de uma forma muito elucidativa.

E fica já prometido que o próximo Com Movimento será dedicado  ao espetáculo Cinderela pela Companhia Nacional de Bailado, que irá estar em cena durante o mês de Dezembro. Para quem quiser saber mais sobre este último espetáculo, ou mesmo decidir-se a ser um dos seus espectadores pode aceder aqui.

Inês Costa, 11ºE

fotos daqui

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Foto Meu Fado GITTO meu fado – muito mais do que uma pirosa estória de amor, peça de co-autoria do nosso colega Carlos Amaral, será levada à cena nos Recreios Desportivos da Trafaria dia 22 novembro, 6ªfeira, às 21:30H ; 23 novembro, sábado, às 21:30H ; 24 novembro, domingo, às 21H ; 29 novembro, 6ªfeira, às 21:30H ; 30 novembro, sábado, às 21:30H ; 1 dezembro, domingo, às 16:00H ; 6 dezembro, 6ªfeira, às 21:30H ; 7 dezembro, sábado, às 21:30H ; 8 dezembro, domingo, às 16:00H.

Para lá do tema nuclear, o Fado, esse elemento chave do nosso (português) património imaterialidade da humanidade, refletimos sobre outras realidades sociais da atualidade como os problemas do desemprego juvenil, os maus-tratos sobre as mulheres, as relações humanas e questões filosóficas como a eterna procura do par amoroso e a busca da inspiração para a criatividade artística. No fundo, defendemos que através da arte em geral, e da poesia em particular, procuramos encontrar soluções para os problemas humanos.

Todas estas ideias são veiculadas através de doze personagens que num ambiente de casa de fado, de rua ou de espaços imaginários vão, através de uma série de acontecimentos e peripécias argumentativas, expondo os seus conluios, divergências e conflitos abertos.

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA

  • Autor: Carlos Amaral, José Teixeira, Xico Braga
  • Encenação: Carlos Amaral, Ana Guerra, Bia Sousa, Gabriel Coelho, José Teixeira, Mila Bernardes, Paulo Miranda, Raquel Fonseca, Rosa Duarte, Rute Moura, Victor Mioma, Xico Braga
  • Músicos: José Carita e Paulo Miranda
  • Cenografia: Victor Mioma
  • Guarda Roupa: Bia Sousa
  • Produção Executiva: GITT

Fonte: Carlos Amaral e Mostra do Teatro de Almada 2013

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Desenhos de Manuel, 8ºB

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