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Posts Tagged ‘Ficção Científica’

Se um livro não mudar algo em nós, então falhou no seu dever como livro

5ª vagaO livro A 5ª Vaga foi escrito por Rick Yancey, em 2013, e publicado em Portugal pela Editorial Presença.

O livro pertence ao género da ficção científica, mais propriamente da Distopia, embora a narrativa não tenha lugar num futuro pós-apocalíptico.

A história tem como protagonista uma rapariga de dezasseis anos, Cassie, que é um diminutivo de Cassiopeia. Cassie é uma dos poucos sobreviventes da invasão extraterrestre, extraterrestres estes a quem chamam “Os Outros”.

Esta invasão divide-se em quatro vagas. A Primeira Vaga desligou todos os aparelhos eletrónicos, que funcionassem a baterias ou a eletricidade, deixando o mundo às escuras. A Segunda Vaga consistiu num enorme tsunami que destruiu todas as cidades do litoral. Na Terceira Vaga, “Os Outros” lançaram um vírus mortal, que se transmitia pelas aves, a que se chamou a “Morte Vermelha”, por fazer as pessoas esvaírem-se em sangue. Pela Quarta Vaga, “Os Outros” já estavam entre os humanos, ocupando os seus corpos para exterminar todos os que tinham sobrevivido até então, e aos quais Cassie chama “Silenciadores”.

Cassie perdeu a família e a única pessoa que lhe restava era o seu irmão mais novo, Sammy, que fora levado pelos extraterrestres, para a Quinta Vaga. Ela chega mesmo a pensar que é a última humana viva na Terra.

O livro consiste basicamente na busca de Cassie pelo irmão mais novo, acompanhada de Evan Walker, um dos Silenciadores da Quarta Vaga que se apaixona por Cassie e que decide protegê-la.

Ben, um antigo colega de liceu de Cassie, é também levado para o mesmo campo de extermínio que Sammy, com quem acaba por criar grandes laços. E também Ben acaba por querer resgatar Sammy das mãos d’“Os Outros”.

Eu achei o livro bastante interessante porque adoro cenários de Distopia, mas acho que este livro é um pouco diferente dos que li até ao momento, pois não toma propriamente lugar num futuro apocalíptico, mas sim no início de um.

Achei igualmente interessante o facto de haver mais do que um narrador, que não é especificado pelo autor, Rick Yancey , no início de cada parte, não sabendo assim o leitor quem está a contar a história, tendo de o descobrir por si próprio, o que resulta num pormenor bastante divertido.

Outra coisa de que também gostei muito foi o facto de o livro nos fazer pensar bastante e nos obrigar a juntar os factos e as pistas para perceber o que se está realmente a passar.

Uma das passagens do livro de que mais gostei foi quando a Cassie estava presa debaixo de um carro, com a perna ferida, e não conseguia fugir.

5th-wave

“Mas, se eu sou mesmo a última da minha espécie, a última página da História da Humanidade, não vou deixar a História acabar desta maneira, nem por sombras.

Pode ser que eu seja a última, mas ainda cá estou. Sou aquela que numa autoestrada abandonada, tem que se voltar para o caçador sem rosto no meio das árvores. Sou aquela que não vai fugir nem ficar, mas sim enfrentar.

Porque, se eu sou a última, então sou a humanidade.

E se esta é a guerra da humanidade, então eu sou o campo de batalha”.

Gostei bastante desta passagem porque mostra-nos que é em momentos como este que nos apercebemos do que realmente importa. Proteger os nossos.

Eu acredito que todos os livros que lemos nos mudam. Mudam a nossa maneira de pensar, a nossa maneira de agir, o que dizemos, o modo como olhamos para o mundo. Se um livro não mudar algo em nós, então falhou no seu dever como livro.

Inês  Silva, 10ºB

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Para dar as boas-vindas aos alunos recém chegados à escola, resolvemos fazer um escaparate com algumas das obras de maior êxito da nossa biblioteca, que tem “coisas” de amor, aventura, misteriosas e mesmo… horríveis. Aqui fica a primeira Estante deste ano letivo, já com resultados no terreno: mais de metade dos livros do escaparate já estão na companhia dos nossos leitores :).

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WELLS,  H. G., O  Homem Invisível, Publicações Europa-América, Colecção Livros de Bolso / Série Ficção – Científica

A história começa na estalagem de Iping, uma vila de Inglaterra. Certo dia, aparece um homem todo coberto com casaco, luvas, ligaduras envolvendo a cara e chapéu, pelo que não se vê parte alguma do seu corpo, que se instala nessa mesma estalagem. Percebe-se, então, que o homem possui um temperamento bastante instável, sendo que não quer ser incomodado nem visto por ninguém.

Um dia, após a dona da estalagem, Srª Hall, confrontar o homem sobre certos acontecimentos estranhos que se passam no seu quarto e sobre os roubos que têm acontecido na aldeia, este retira o seu chapéu, peruca e óculos, revelando que é invisível e que foi ele o autor dos roubos. A polícia tenta prendê-lo, porém ele despe-se completamente e consegue fugir.

Após este acontecimento, o homem invisível arranja um cúmplice, chamado Marvel. Com a sua ajuda, o homem consegue voltar a Iping e recuperar os livros que deixara na estalagem, os livros que continham a fórmula da invisibilidade. Porém, Marvel, com medo que o homem invisível o mate, foge levando consigo os livros.

Noutra vila, o homem invisível encontra um amigo seu de faculdade, o Dr Kemp. É aí que ele revela que é Griffin, um jovem estudante de Química bastante pobre. Griffin explica que então que encontrou a formula da invisibilidade, que não partilhará com ninguém, e que com a ajuda de Kemp podem criar um reino de terror, em que Griffin rouba, aterroriza e ordena sobre todas as pessoas da vila. Chega então a polícia, contactada por Kemp, e Griffin, furioso, consegue novamente escapar.Porém, sentindo-se traído por Kemp, persegue-o a fim de o matar. Kemp, apercebendo-se disto, avisa toda a vila que o homem invisível vem atrás dele. Assim, quando Griffin alcança Kemp, as pessoas da vila fazem-lhe uma emboscada e agridem-no, levando à sua morte.

Escolhi ler este livro pois H.G.Wells é considerado um dos melhores escritores de ficção científica (autor de clássicos como A Guerra dos Mundos e a Máquina do Tempo) e nunca tinha lido um livro da sua autoria. Gostei bastante do livro, apesar deste não ser tanto um livro de “entretenimento” mas mais um livro para reflectir, nomeadamente sobre as atitudes de Griffin e sobre o efeito que o poder pode ter sobre ser humano. Recomendo a sua leitura a todas as pessoas, principalmente entusiastas de ficção científica, pois é um livro que nos faz reflectir e “crescer”, pois apercebemo-nos que o ser humano é capaz de tudo para conseguir algo e que pode tornar-se bastante instável quando tem poder.

H.G. Wells

Aqui registo o meu excerto preferido:

-Tome!- disse ele. Deu um passo em frente e entregou algo à Srª Hall que, fitando espantada a sua cara metamorfoseada, aceitou automaticamente. Depois, quando viu o que era, gritou em voz alta, largou o objecto e recuou. O nariz, era o nariz do forasteiro, róseo e brilhante, caiu no chão.

Depois arrancou os óculos e toda a gente no bar engoliu em seco. Tirou o chapéu e com um gesto violento pôs-se a arrancar a barba e as ligaduras. Um pressentimento horrível perpassou pelo bar.

-Oh meu Deus! – disse alguém. E foi então que viram.

Era pior do que se podia imaginar. A Srª Hall, de pé, com a boca aberta e tomada de horror, gritou por causa do que viu e correu para a porta da casa. Todos começaram a mover-se. Estavam preparados para cicatrizes, um rosto desfigurado ou algum outro horror, mas nada! As ligaduras e o cabelo falso voaram pelo corredor até ao bar, onde as pessoas se esquivaram para não serem atingidas. Todos se empurraram em direcção às escadas… que o homem que estava ali de pé, gritando alguma explicação incoerente, era uma pessoa normal até ao colarinho mas daí para cima… nada, não havia absolutamente nada!”

 Ana Catarina Costa,  11ºB

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Neste período realizaram-se dois festivais que, apesar dos cortes orçamentais, já têm lugar de destaque no calendário do cinéfilo. Na 31ª edição do Fantasporto foram apresentados 307 filmes oriundos de 25 países que contribuíram para o êxito de bilheteira.  Alguns  destes filmes tiveram  estreia comercial em Março. Os prémios principais foram atribuídos  ao thriller psicológico Two eyes staring do holandês Elbert Van Strien,  que ganhou o Grande Prémio e o de Melhor Argumento e A Serbian Film de Srdjan Spasojevic com o  Prémio Especial do Júri. Maria de Medeiros foi distinguida com Prémio de Carreira e Pedro Sena Nunes recebeu o  1º prémio do cinema português neste festival.

Outro evento importante foi a 10 ª edição da Monstra festival de Animação de Lisboa que decorreu de 21 a 27.  A Holanda foi o país convidado e, entre outras iniciativas, procedeu-se a  uma retrospectiva do cinema de animação dos estúdios japoneses Ghibli, e  a uma competição de escolas de todo o mundo com 85 curtas-metragens. No encerramento apresentou-se um filme de dez minutos, de vários autores nacionais, sobre a arte na Primeira República. Piercing 1 do realizador chinês Liu Jian, uma reflexão sobre a China atual, recebeu o Grande Prémio, O Mágico de Sylvain Chomet o Prémio do Público e Cozido à Portuguesa de Natália Andrade o prémio entre as obras portuguesas.

O dinâmico cinema de animação português é reconhecido mundialmente e a prova disso  é o facto  de quatro dos sete filmes a concurso de 6 a 1 de Junho no Festival Internacional de animação de Annecy, em França, pertencerem  à produtora Sardinha em Lata.

Outra notícia interessante foi o facto da curta-metragem Alfama de João Viana ter conquistado o Grande Prémio na 12º edição do Festival Internacional do filme de Aubagne, principal acontecimento mundial consagrado à relação do cinema com o som. Entre as obras oriundas de 29 países, o júri considerou Alfama “ a melhor criação sonora para uma curta-metragem, pela função estruturante do som na escrita do guião”.

Quanto às estreias, em Março houve géneros para todos os gostos embora, nem sempre, de  qualidade. Da amálgama de estreias, os destaques vão  para obras já laureadas:  o drama comovente tendo com base a doença de Alzheimer de Poesia do realizador sul-coreano Lee Chang-Dong– prémio do Melhor Argumento no Festival de Cannes ; a comtemplação de Mel de Semih  Kaplanoglu da Turquia que venceu o Urso de Ouro no festival de Berlim de 2010; Camino de Javier Fesser, drama espanhol inspirado numa história verídica que ganhou seis Goyas, incluindo o de melhor filme espanhol de 2008.

Também merecem destaque A tempestade de Julie Taymor, adaptação da obra homónima de William Shakespeare,  O tio Boonmee (que se lembra das suas vidas anteriores) de Apichatpong Weerassethkul Tailândia e a acção de A maldição do faraó – as aventuras de Adèle Blanc-Sec de Luc Besson, baseado numa famosa série de banda desenhada francesa.

As comédias, como é usual, marcaram grande presença: Tens a certeza? de James L. Brooks;  Igualdade de sexos de Nigel Cole;  o francês Potiche – minha rica mulherzinha de François Ozon; Rédea solta de Bobby e Peter Farrelly; O agente disfarçado: tal pai, tal filho; Copacabana de Marc Fitoussi; Micmacs – uma brilhante confusão de Jean-Pierre Jeunet e o hilariante Manhãs gloriosas de Roger Michell sobre o mundo  dos programas matinais  da televisão.

Também marcaram presença em Março os filmes de acção: Os agentes do destino de George Nolfi  –  thriller romântico baseado num conto de Philip K. Dick ; O Profissional de Simon West; Homens de negócios de John Wells, Época das bruxas de Dominic Sena, sobre um herói das Cruzadas e Guerreiros do Amanhã de Stuart Beattie, uma aventura da Austrália.

Os  apreciadores de ficção científica ou terror podem escolher entre Ritual de Mikael Hafstrom inspirado em factos reais  sobre exorcismo, Mutante de Vincenzo Natali ou o terror espanhol de O exorcismo de Manuel Carballo, Sou o número quatro de D. J.Caruso, Perigo à espreita de Antti Jokinen e ainda  Monsters – zona interdita, ficção de Gareth Edwards, e Sucker Punch- Mundo surreal de Zack Snyder.

Para entreter o público infantil tivemos Rango de Gore Verbinski, Zé Colmeia de Eric Brevig, Gnomeu e Julieta de Kelly Asbury animação  inspirado na peça de William Shakespeare, Alpha & Omega de Anthony Bell e Ben Gluck  e Winx Club 3D : a aventura magica de Iginio Straffi.

Registaram-se  ainda as estreias de E o tempo passa de Alberto Seixa Santos, Filme Socialismo de Jean-Luc Godard e Em último recurso de Baltasar Kormákur.

Por fim, documentários com algum interesse: Chelsea hotel de Abel Ferrara sobre o mais icónico hotel de Nova Yorque que enfrenta uma ameaça de despejo e Os 2 da (nova) vaga, de Emmanuel Laurent,  sobre os cineastas franceses François Truffaut e Jean-Luc Godard, fundadores do emblemático movimento cinematográfico  Nouvelle Vague.  Especialmente dirigido aos adolescentes  o musical Justin Bieber: never say never,   de Jon Chu sobre a ascensão do jovem ídolo que se tornou uma estrela no mundo da música .

De 1 a 10 Abril, no cinema São Jorge,  vai realizar-se a 5ª Mostra do Documentário Português Panorama, um género que  cada vez tem mais adeptos. Esta edição  vai centrar-se num período pós 25 Abril de 1974, conturbado mas saudoso para alguns, o PREC.

De 14 a 21 Abril realiza-se a 4º edição de 81|2 – Festa do Cinema Italiano cuja programação, em Lisboa, divide-se entre o cinema Monumental e o espaço Nimas. A partir desta data e até 8 Maio a festa continua em Coimbra, Porto e Funchal.

Luísa Oliveira

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No mundo do cinema continua a época de atribuição de prémios que antecedem os Óscares. O People’s Choice Awards, escolha feita pelos espectadores  com votação on line, premiou Eclipse, 3º filme da saga Crepúsculo que, curiosamente, também teve nove nomeações para os Razzies, prémios atribuídos pela Fundação Golden Raspberry Award, que premeia as piores longas metragens estreadas nos E.U.A.

No dia dezasseis realizou-se  em Los Angeles a 68º cerimónia dos Globos de Ouro,  concedidos pela  imprensa estrangeira acreditada em Hollywood. Estes prémios são considerados a antecâmara dos Óscares e, este ano, a apresentação esteve a cargo do actor britânico de séries de humor, Rick Gervais, que fez algumas intervenções polémicas. A Rede Social foi o grande vencedor com os prémios nas categorias de Melhor Filme Dramático (o mais prestigiado),  realizador, banda sonora e argumento. Os miúdos estão bem ganhou o prémio de Melhor Filme de Comédia e Annett Bening  o de Melhor Actriz.   Colin Firth  em  Discurso do rei (filme premiado pela Associação de Realizadores dos EUA) e Natalie Portman em Cisne negro foram galardoados como Melhores Actores Dramáticos.  Prémio de carreira foi para  o excelente actor Robert de Niro .

Em 27 Fevereiro irá realizar-se a 83º edição dos Óscares. Na longa lista de nomeados  destacam-se O Discurso do Rei de Tom Hooper e Indomável dos irmãos Cohen, respectivamente, com doze e dez nomeações.

A diversidade marcou as estreias do mês: Tron, o legado de Joseph Kosinski ,  aventura digital  filmada no meio de muito secretismo, com o excelente actor Jeff Bridges num remake de um filme que tinha protagonizado há 28 anos; O turista de Florian Henckel von Domersmarck ; As viagens de Gulliver de Rob Letterman, adaptação aos tempos modernos  do clássico de 1726 do irlandês Jonathan Swift; Chantrapas , produção francesa  e ucraniana  realizada pelo russo Otar Iosseliani; Xeque à rainha de Caroline Bottaro; Fora de lei de Rachid Bouchareb numa coprodução da Argélia e da França; Tu, que vives, de Roy Anderson, curiosas histórias tragicómicas passadas em várias cidades mundiais; O preço da traição de Atom Egoya; a comédia romântica  O amor é o melhor remédio Edward Zwick ; o quotidiano íntimo de um casal de terceira idade em Um ano mais Mike Leigh, nomeado para o Óscar de Melhor Argumento original; o drama Biutiful do mexicano  Alejandro González Inárritu,  que o descreveu como “poema sórdido”, com Javier Bardem num grande papel, nomeado para Óscar de Melhor Actor; O thriller  72 horas de Paul Haggis; o drama italiano Que mais eu quero de Sílvio Soldini e o documentário Com que voz de Nicholas Oulman sobre o seu pai, Alain Oulman que acompanhou Amália Rodrigues nas produções musicais.

Os destaques do mês vão para o documentário Complexo: Universo paralelo dos irmãos Mário e Pedro Patrocínio, que durante três anos registaram o quotidiano  de uma das favelas mais perigosas do Rio de Janeiro; as obras de dois gigantes da 7ª arte, a comédia romântica Vais conhecer o homem dos teus sonhos de Woody Allen e Hereafter-Outra vida de Clint Eastwood,  que aos 80 anos realiza a sua 31ª obra  com produção de Steven Spielberg, em que trata os mistérios da vida para além da morte; A minha alegria de Sergei Loznitsa , que depois de inúmeros documentários realiza a sua primeira ficção com produção conjunta da Alemanha, Holanda e Ucrânia, e  que é uma parábola crítica e pessimista sobre a situação actual na Rússia.

Termino com a notícia de que, no dia vinte cinco, Leonor Silveira, actriz presente em muitos filmes de Manoel de Oliveira, foi condecorada, pelo governo francês, com a Ordem das Artes e Letras,  na embaixada francesa em Lisboa.

Luisa Oliveira


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O Escritor fantasma, como já se previa, foi o grande vencedor dos Prémios do Cinema Europeu arrebatando seis estatuetas. O realizador Roman Polanski  agradeceu a distinção, por videoconferência, dado os problemas que vem enfrentando com a justiça americana. Nos restantes prémios, Sylvie Testud ganhou o de melhor actriz pela sua interpretação em Lourdes, o prémio Carlo di Palma para a melhor fotografia foi para Lebanon de Samuel Maoz , o de melhor montagem para Carlos de Olivier Assayas,  tendo O Mágico sido galardoado com o de melhor filme de animação.

Curioso é o  facto de Mistérios de Lisboa ter sido considerado o melhor filme de 2010 em França, pelo júri do prémio Louis Delluc, constituído  por um grupo de vinte personalidades e críticos do cinema francês. A RTP vai exibir o filme numa minisérie de  seis episódios. Ainda sobre o cinema português, a revista norte-americana New Yorker incluiu os filmes  O estranho caso de Angélica de Manoel de Oliveira, Aquele querido mês de Agosto de Miguel Gomes e Ne change rien de Pedro Costa na lista do Top 15.

O ano terminou com apresentação de duas preciosidades da cinematografia nacional, agora em formato digital. Assim, tivemos oportunidade de rever  Aniki Bóbó uma realização de 1942 do veterano Manoel de Oliveira e o documentário de 18 minutos Douro, faina Fluvial de 1929.

Mas como as festas natalícias são tradicionalmente  dirigidas ao público infantil, os filmes de animação dominaram as estreias do mês: Planeta adormecido de Manuel Abrantes, Lígia Ribeiro  e Luciano Ottani; Megamind de Tom McGrath; As aventuras de Sammy: a passagem secreta de Ben Stassen; a 50ª longa-metragem da Disney Entrelaçados de Byron Howard e Nathan Greno, o  belíssimo O Mágico de Sylvain Chomet, a partir de um argumento inédito de Jacques Tati, e  a magia das personagens de C.S. Lewis, que ganham vida em As crónicas de Nárnia: a viagem do caminheiro da Alvorada de Michael Apted. Também dirigida aos jovens,  a adaptação da banda desenhada, Scott Pilgrim contra o mundo de Edgar Wright  ganhou dois prémios da International Press Academy.

As comédias  estiveram presentes com os divertidíssimos A tempo e horas de Todd Phillips,  Não há família pior de Paul Weitz , o humor singular de Encontros em Nova Iorque de Nicole Holofcener, e os franceses Mammuth de Benoit Deléphine e Gustave de Kervern e O amor é melhor a dois de Arnaud  Lemoit e Dominique Farrugia. Também de assinalar a ficção científica  com Skyline de Colin e Greg Strause,  o musical Burlesque de Steve Antin, com Cher, e a produção conjunta da Alemanha e Casaquistão Tulpan de Sergei Dvortsevoy.

No campo dos filmes de acção, estrearam-se  Jogo Limpo de Doug Liman, e Stone- ninguém é inocente de John Cunan .

Por fim, o estranho documentário I’m still here de Casey Affleck sobre  o suposto abandono da carreira de actor de Joaquin Phoenix.

Porém, de todas as estreias, o meu destaque vai para os seguintes filmes : a obra espanhola Cela 211 de Daniel Monzón, um  intenso trhiller premiado com oito Goyas, Katalin Varga de Peter Strickland, um assombroso  filme sobre vingança, passado na Roménia e falado em húngaro, e A última estação de Michael Hoffman, a partir da adaptação do livro de Jay Parini sobre os últimos dias do carismático Leo Tolstói, com excelentes interpretações de Hellen Mirren e Christopher Plummer.

Continua o período da entrega de prémios, neste caso, das Associações Nacional de Críticos de Cinema dos EUA  e de Críticos de Cinema de Los Angeles que distinguiram  o filme Rede Social de David Fincher com os prémios de  melhor filme, realização, actor e guião. Já se conhecem também os nomeados para a 68ª edição dos Globos de Ouro com The King’s  Speech a liderar com sete nomeações. Em Janeiro saberemos quem irão ser os vencedores.

Quanto ao balanço de  2010, as preferências nos cinemas portugueses foram para  os filmes  em 3D, liderados por Avatar, obras de  animação como Shrek e a saga Twilight.  Mas eu relembro Precious, Invictus, O laço branco, O segredo dos seus olhos, Vão-me buscar alecrim, Uma outra educação, Lola e muitos outros que nos fazem sonhar e passar bons momentos  de alegria e emoção.

Termino com referência  a um movimento de curtas-metragens que pretende revolucionar os hábitos culturais, Shortcutz,  que integra o LABZ, uma plataforma internacional para a  promoção de talentos na área da cultura urbana. Em Lisboa, o encontro é no bar Bicaense, na Rua da Bica às 3ª feiras à noite .

Para manter a tradição, esperemos que 2011 traga bons filmes para amenizar a época de crise .

Luísa Oliveira

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Começo com a notícia da atribuição do prémio Opus Bonum do Festival Internacional do  Documentário de Jihava, na República Checa,  à obra 48 de Susana Sousa Dias. Este documentário de 93 minutos retrata a tortura no Estado  Novo e tem conquistado vários prémios em festivais internacionais.

O Estoril Film Festival constituiu um sucesso e, pouco a pouco, vai-se impondo no panorama internacional. O filme sérvio Tilva Rosh de Nikolai Leizac foi distinguido com os prémios de Melhor Filme e de Cineuropa. Isabelle Hupert recebeu o Prémio Especial do Júri João Bénard  da Costa.

No Cinanima o Grande Prémio da Cidade de Espinho foi atribuído a Big Bang, Big Boom do realizador italiano denominado Blu sendo o Prémio António Gaio concedido a Viagem a Cabo Verde de José Miguel Ribeiro.

De 26 a 28 decorreu a 8ª edição do Aroucafilmfestival organizado pelo Cineclube local. Foram exibidas 32 curtas-metragens, tendo o  realizador espanhol António Palomino conquistado a lousa de ouro com El ambidiestro.

Em Novembro eram aguardadas estreias que se tornaram sucessos de bilheteira : A Rede Social de David Fincher, sobre a criação da famosa rede social à escala mundial – Facebook – através das perspectivas dos jovens que a criaram, e  a parte I do capítulo final da saga,  Harry Potter e os Talismãs da Morte, de David Yates .

Os adeptos de filmes de terror deliciaram-se com as seguintes estreias: O Demónio de John Erik  e Drew Dowdle, primeiro filme adaptado das Crónicas de Night, histórias de terror criadas por M. Night Shyamalan; Piranha 3D de Alexandre Aja,  em que o terror ganha uma maior dimensão neste formato, e  Saw 3Do capítulo final de Kevin Greutert,  último capítulo da famosa saga de terror e que é o primeiro filme registado com câmara digital SI-3D, criando uma atmosfera mais opressiva.

Os seguintes filmes apresentam argumentos  vulgares : Oh Não! Outra vez tu? de Andy Fickman é uma comédia banal cheia de lugares comuns ; Jackass 3D de Jeff Tremaine, a partir da famosa  série de humor e acção da MTV ; Red- perigosos de Robert Schwentke  com actores de nomeada no papel de espiões reformados e O rei da evasão, comédia francesa de Alain Guiraudie.

Surgiram igualmente alguns filmes de acção  também de qualidade duvidosa: Imparável de Tony Scott; O Americano de Anton Corbijn, com George Clooney e Machete de Robert Rodriguez e Ethan Maniquis com  Danny Trejo, um conhecido actor mexicano, numa sátira aos filmes dos anos 70.

Quanto a musicais, estreou-se GreenDay – 21st century Breakdown de Russel Thomas , concerto dos GreenDay gravado pela MTV.

Porém, registaram-se estreias com alguma qualidade: Inside Job – a verdade da crise de Charles Ferguson, um documentário americano narrado por Matt Damon  que, a partir de entrevistas com especialistas, apresenta uma análise da crise financeira mundial de 2008, mostrando também como tudo poderia ter sido evitado; a curiosa fábula infantil Yuki e Nina de Hippolyte Girandole (também um dos actores principais)  e Nobuhiro Suwa; Os miúdos estão bem de Lisa Cholodenko, uma comédia de costumes  com as excelentes actrizes Julianne Moore e Annette Bening, interpretando um casal lésbico e que venceu o Prémio Teddy para melhor filme na última edição do festival de Berlim; 22 balas de Richard Berry , inspirado em factos verídicos da vida do gangster Charly Mattei, da máfia de Marselha; Cópia certificada de Abbas Kiarostami, sobre um encontro enigmático, com Juliette Binoche  no papel principal, e O Concerto de Radu Mihaileanu. Da Bulgária e da Grécia estrearam-se, respectivamente, O mundo é grande e a salvação espreita ao virar da esquina de Stephan Komandarev  e  A poeira do tempo de Theo Angeloupolos.

Como destaque do mês, sugiro duas obras:  o  drama verídico  Dos homens e dos deuses de Xavier Beauvois, um dos mais aclamados filmes do ano , que ganhou em Cannes o Grande Prémio  e que é o candidato francês ao Óscar de melhor filme estrangeiro. É um belíssimo filme que, além de recriar os pormenores do rapto e morte de monges franceses  de Tibhirine durante a guerra civil da Argélia, em 1996, também nos faz reflectir sobre o valor da fé ; O documentário José e Pilar de Miguel Gonçalves Mendes,  com anteestreia em 16 de Novembro, data de nascimento do escritor.   Este excelente documentário, um tributo à vida e ao amor, percorre quatro anos da vida em comum de Saramago e de Pilar del Rio e apresenta uma nova visão do excepcional escritor  e merece ser visto para que todos conheçam melhor o homem e o escritor.

No princípio de Novembro faleceu Manuel Cintra Ferreira que, além de ter sido um dos mais antigos programadores da Cinemateca Portuguesa,  foi um dos mais prestigiados críticos de cinema que nos habituou às suas  críticas pertinentes. Vai deixar saudades aos apreciadores de cinema. Também  ligado ao mundo do cinema é de registar o falecimento de Dino de Laurentis um dos criadores do neorrealismo italiano que produziu filmes emblemáticos de Fellini e Rosselini.

De 4 a 15 Dezembro  realiza-se a 14º edição do Festival de Cinema Luso-Brasileiro. Neste evento será homenageado Manoel Oliveira que, a completar 102 anos, ainda continua em actividade. Como tal, será apresentado o filme Manoel Oliveira Absoluto de Leon Cakoff, Director da Mostra de Cinema de São Paulo. De 10 a 12 realiza-se a VIII Mostra de Documentários  Direitos Humanos no Auditório Acácio Barreiros do Centro Olga Cadaval com a apresentação de diversos documentários versando esta temática. Também em Dezembro realiza-se a 23ª edição dos prémios atribuídos pela Academia de Cinema Europeu. Os vencedores serão conhecidos em 4 de Dezembro em Tallin, na Estónia. O filme O escritor fantasma de Roman Polanski lidera com sete nomeações, pelo que é um  forte candidato aos vários galardões.

Luísa Oliveira


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