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Archive for Junho, 2014

ilustração de Pascal Campion

ilustração de Pascal Campion

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portugal

(imagem editada daqui)

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Assinatura do Tratado de Versailles

Assinatura do Tratado de Versalhes

Ao cabo de quatro anos e três meses do conflito que ficou conhecido como a Grande Guerra, quando a Alemanha assina o armistício em 11 novembro de 1918, as consequências não se contabilizaram só pelos dez milhões de mortos e cinco milhões de feridos. A mentalidade confiante e racionalista da sociedade burguesa de inícios do século XX sofreu um corte devido ao choque causado pelo conflito, avizinhando-se uma nova ordem internacional com as democracias vitoriosas a iniciarem o processo de reordenamento do espaço europeu e do Médio Oriente. O fim do conflito marcou, assim, a vitória das democracias liberais do ocidente europeu sobre os velhos impérios autocráticos da Europa central e do leste e do Império Otomano. O Império Russo foi o primeiro a desaparecer quando Lenine, após a revolução socialista de 1917, assinou, em março de 1918, a paz com a Alemanha em Brest-Litovsky, embora com inúmeras perdas territoriais nomeadamente para a Polónia, Ucrânia e independência da Estónia, Letónia, Lituânia e Finlândia.

Sátira da época ao Tratado de Versalhes

Sátira da época ao Tratado de Versalhes

Para os vencidos, as perdas foram violentas, sendo os seus impérios desmembrados em consequência dos acordos de paz de 1919. A Alemanha foi considerada a responsável pelo conflito e o seu império, dominado pelos Hohenzolern, desapareceu: além de instaurar a república, perdeu 1/10 da população e 1/7 do seu território, nomeadamente, as regiões da Alsácia-Lorena para a França, territórios para a Polónia, Bélgica, Dinamarca e Checoslováquia. A estes factos, juntam-se outras penalizações como a perda das colónias, desmilitarização de zonas fronteiriças, redução do exército e da marinha mercantil, além das reparações financeiras que ascenderam a centenas de milhões de marcos. O Império Austro-húngaro foi totalmente desmembrado, surgindo os novos estados da Áustria, reduzida aos Alpes Orientais e a uma pequena planície junto ao Danúbio, da Hungria e da Checoslováquia, tendo sido ainda alguns territórios desse antigo império integrados na Itália, Roménia, Grécia, Polónia e Jugoslávia, que se tornou independente. A Bulgária deixou de ter acesso ao mar Mediterrâneo. O vasto Império Otomano do sultão Maomé VI foi dos mais penalizados, ficando reduzido às dimensões da atual Turquia e perdendo todos os territórios do Médio Oriente, originando novos estados como o Iraque, sob influência britânica, Síria e Líbia, protetorados da França, Transjordânia, Palestina e Egito sob tutela britânica, o reino independente da Arábia Saudita, enquanto o Curdistão e a Arménia alcançam a autonomia.

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Esta nova ordem internacional, saída da Conferência de Paz iniciada em janeiro de 1919, não vaticinava resultados duradouros pois os vários tratados, nomeadamente o emblemático Tratado de Versalhes, foram impostos pelos países vencedores aos países vencidos, que nem sequer colaboraram na elaboração dos textos. Esta humilhação e prepotência virá a ser um dos pretextos apresentados pelos nacionalistas alemães para vingar o seu orgulho ferido. Mas, mesmo entre os vencedores, as ambições hegemónicas e a distribuição das reparações de guerra geraram grande descontentamento, nomeadamente em Portugal e Itália, sendo que este último também demonstrou o seu desagrado por não lhe ter sido atribuído alguns territórios anteriormente prometidos. Nesta redefinição das fronteiras, as minorias nacionais não foram consideradas e, sem respeito pela identidade étnica e cultural, foram espalhadas por vários países. Deslocaram-se assim milhões de pessoas, sendo o caso mais grave a fixação na região checa dos Sudetas de milhares de alemães facto que servirá, nos anos 30, de argumento a Hitler para reclamar a integração desse território na Alemanha.

Reunião da Sociedade das Nações, Genebra 1920

Reunião da Sociedade das Nações, Genebra 1920

Porém, enquanto decorria a Conferência de Paz, apesar das divergências, havia a esperança que este conflito acabaria com todas as guerras. E foi pensando nisso que o presidente americano Woodrow Wilson propôs a criação de uma “organização geral das nações” para “desenvolver a cooperação entre nações e garantir paz e segurança”, constando essa pretensão num dos pontos do Tratado de Versalhes. A Sociedade das Nações, com sede em Genebra, tornou-se assim um instrumento de esperança que, em breve, se mostrou ineficaz pois os erros cometidos na Conferência de Paz vieram demonstrar que eram bastante ambiciosos os objetivos da SDN e difíceis de concretizar. Para complicar o sucesso político da SDN, os EUA, responsáveis pela sua formação, decidem não a integrar, descontentes com as atitudes hegemónicas dos países europeus e com as asfixiantes indemnizações exigidas aos países vencidos.8 - charges sobre a Primeira Guerra Mundial - Revista A Cigarra - 1917 - Blog do IBA MENDES...

Como em todos os grandes conflitos, às alterações geopolíticas juntam-se as transformações demográficas, económicas e financeiras. Assistiu-se ao envelhecimento da população, excedentes de população feminina, diminuição de mão-de-obra pois os mortos e feridos eram adultos do sexo masculino. Sobretudo a Europa central tornou-se um território em ruínas, com campos agrícolas devastados, fábricas destruídas e vias de transporte e comunicações desorganizadas. Os preços aumentaram sem que houvesse a devida correspondência no aumento dos salários, tornando-se habitual o racionamento dos bens essenciais. A Europa torna-se dependente dos EUA quanto aos empréstimos e fornecimento de bens, acentuando o seu endividamento e decadência.

8 - charges sobre a Primeira Guerra Mundial - Revista A Cigarra - 1917 - Blog do IBA MENDES....Futuros líderes políticos como Hitler, Churchill, De Gaulle e chefes militares como Rommel, Montgomery e Jukov participaram no conflito, cujo final representaria o triunfo da justiça e da igualdade e um futuro risonho para a Humanidade. Tal não veio a acontecer pois os erros cometidos por políticos ambiciosos abriram caminho ao autoritarismo e fizeram com que duas décadas mais tarde o mundo vivesse a uma catástrofe ainda maior. Como tal, é natural que se diga que a Grande Guerra foi a antecâmara da 2ª Guerra Mundial.

Luísa Oliveira

imagens: daqui, daqui, daqui e daqui

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vasoEsta imagem relaciona-se com a obra de Fernando Pessoa e também com Pessoa como pessoa, na medida em que a sua alma se fragmentou  em mais pedaços do que a totalidade de barro que havia no vaso (identificando-se com o poema Apontamento de Álvaro de Campos). Não obstante o sofrimento da perda de identidade, Fernando Pessoa teve a capacidade de interligar os seus fragmentos e a partir deles dar vida à sua obra, quer como Pessoa ortónimo, quer com os seus heterónimos.

A alma de Pessoa partiu-se como um vaso vazio, mas ao longo do tempo reconstruiu-a próprios cacos: quer Pessoa quer o sujeito poético de Apontamento tinha mais sensações, quando a alma se encontrava fragmentada do que quando era um todo.

Mas, no fim de contas, a ‘imperfeição’ do não-todo de Pessoa, tornou-o único e versátil, capaz de deixar florescer diferentes tipos de pessoas dentro do mesmo vaso, da sua ‘’obra principal’’, e do próprio Fernando.

‘’Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas. / Um caco brilha, /e os deuses olham-no especialmente / pois não sabem porque ficou ali.’’ Este caco reúne um conjunto de fragmentos aglomerados num só, que o levam a um todo, imperfeito, mas no fim de contas completo; por isso chamou a atenção dos deuses.

A dimensão simbólica da escada, composta pelos pequenos fragmentos do vaso na imagem simboliza a caminhada da vida, normalmente ascendente e progressiva. Mas em Campos e também em Pessoa (poeta) esta caminhada que se quer também ascendente, pois corresponde à procura de si mesmo e ao desejo do impossível, acaba por ser descendente, pelo custo de perda de unidade que comporta – uma perda desejada, mas ainda assim por se transformar em perda. No entanto, e paradoxalmente, no poema Apontamento, a escada conduz ao infinito, sugerido pelas estrelas que o atapetam e pelos astros entre os quais os fragmentos brilham.

E eu não poderia concordar mais com este ponto de vista, porque os fragmentos da alma de Pessoa acabaram por levá-lo a uma unidade que interliga todos os cacos entre si, ou seja, os vários cacos acabam por formar um todo, e esse todo é o grande vaso, é Pessoa, que comporta várias pessoas dentro de uma pessoa só.

Lisandra, 12º. C

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O mês de maio é sempre marcado pelo emblemático festival de Cannes que, neste ano da sua 67ª edição, decorreu com o glamour habitual. A Palma de Ouro foi entregue por Quentin Tarantino e Uma Thurman ao realizador turco Nuri Bilge Ceylan, pelo filme Winter Sleep, que venceu igualmente o Prémio FIPRESCI da Competição. Desde a sua estreia que este filme, filmado na Anatólia, e que tem como tema um triângulo amoroso, se afigurava como um dos vencedores, tendo o seu realizador dedicado o prémio à juventude turca e aos que perderam a vida durante o ano.

O segundo prémio mais importante do festival, o Grande Prémio do Júri, foi entregue à obra neo-realista italiana Le Meraviglie de Alice Rohrwacher. Bennett Miller recebeu o prémio de Melhor Realizador por Foxcatcher, Timothy Spall venceu o prémio de Melhor Ator, pelo papel em Mr. Turner, enquanto Jullianne Moore recebeu o galardão pela sua prestação em Maps to the stars . O Prémio do Júri foi atribuído ao jovem realizador canadiano Xavier Dolan pelo filme Mommy, ex-aequo com Jean-Luc Godard por Adieu au Langage.

No que respeita às inúmeras estreias do mês, destaque para as seguintes: a simplicidade do poético A lancheira de Ritesh Batra, uma história de afetos e de tradição em Bombaim; com argumento baseado no romance homónimo de Fiódor Dostoiévski, o sombrio O duplo de Richard Ayoade; o excelente drama Capital humano de Paolo Virzi que, ao fazer um retrato de vida de diversas personagens, apresenta uma crítica social da Itália atual; História da minha morte de Albert Serra, vencedor do Leopardo de Ouro do festival de Locarno, uma obra demasiado monótona que pretende retratar o encontro de Casanova com Drácula.

Podemos ainda referir o primeiro documentário a vencer o Leão de Ouro do festival de Veneza Sacro Gra de Gianfranco Rossi sobre a vida de pessoas comuns que vivem perto da auto-estrada que circunda Roma; um apontamento autobiográfico sobre as lembranças e a frustração de sonhos não realizados no período do pós maio 68 Depois de maio de Olivier Assayas, prémio de melhor argumento no festival de Veneza 2012, César para a atriz revelação Lola Creton; suspense numa boa história de vingança em Ruína azul de Jeremy Saulnier,vencedor do prémio FIPRESCI da Crítica Internacional no Festival de Cannes; Ela está de partida de Emmanuelle Bercot com Catherine Deneuve a encarnar uma personagem que procura controlar o seu destino; a comida deliciosa como ponto de partida para o divertido O Chef Jon Favreau, inspirado em acontecimentos reais e, por fim,  As ondas de Abril de Lionel Baier, um filme apropriado quando se comemora os 40 anos do 25 de Abril  que apresenta, de forma engraçada, a experiência real de jornalistas estrangeiros que assistem, inesperadamente, ao início da revolução.

As Fitas regressam no início do próximo ano letivo desejando que o cinema continue a ser uma companhia agradável e refrescante durante o período de verão. Entre as inúmeras actividades previstas uma referência especial à 1ª edição do festival “o sol da Caparica” que, além de espectáculos musicais, também apresentará cinema de animação através da participação especial do Monstra – festival de animação de Lisboa.

Luísa Oliveira

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(clique nas imagens para aceder à dimensão original)

Rúbrica de Ana Guerreiro

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pz

O resto está disponível na BE…

SAINT-EXUPÉRY, Antoine de, O Principezinho, Lisboa, Caravela, 1993 – localização: 087.5. SAI2

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