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Archive for Julho, 2016

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Antes da inauguração do Centro Cultural de Belém, ou da Fundação de Serralves, a “Gulbenkian” era O Centro Cultural – não havia paralelo em Portugal em termos museológicos, artísticos e culturais. Ir à “Gulbenkian” soava sempre a algo a um tempo culto e prazenteiro – mesmo que tal se limitasse a ficar horas perdido num recanto do magnífico jardim da sua sede, a fingir que se estudava com a namorada da altura para uma qualquer cadeira da faculdade.

Gulbenkian é  não só o apelido do milionário filantropo que a sorte fez ficar em Portugal e deixar-lhe a sua riquíssima coleção de obras de arte, mas também o nome de muitos outros que promoveram e financiaram milhares de atividades de divulgação e apoio às artes e às ciências, ao longo destes 60 anos. Calouste era um homem muito rico, mas sem o seu legado Portugal teria sido nestas últimas 6 décadas definitivamente muito mais pobre.

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Fernando Rebelo

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040f29f56ecfb6002f015f304c09da04.jpgFoi entre 17 e 18 de julho de 1936 que o levantamento militar de Francisco Franco contra a Frente  Popular, que governava a então II República espanhola, deu início a um período sangrento de guerra civil que se estendeu por quase três longos anos e que teve como desfecho uma ditadura que duraria até 1975.

A “transição”, que fez evoluir, após a morte de Franco, a ditadura para uma democracia ocidental, não sarou porém completamente as profundas divisões e feridas abertas na sociedade espanhola e que estão ainda bem patentes nos dias de hoje.

Se há elementos iconográficos que melhor representam os dois lados da barricada eles são sem dúvida Guernica de Picasso – uma representação do bombardeamento da pequena localidade basca homónima pelos alemães -, e o monumento chamado  Vale dos Caídos, perto de San Lorenzo del Escorial (Madrid), erguido aos seus mortos pelos falangistas vitoriosos  e no qual repousam os restos mortais do ideólogo do regime franquista, Primo de Rivera, e do próprio Franco.

Enquanto o primeiro é uma obra de arte de reconhecido mérito universal – talvez o mais importante quadro do pintor e o mais iconográfico do séc.XX como manifesto antiguerra – o Vale dos Caídos tem um mérito bem mais duvidoso pois representa um nacionalismo católico e reacionário de má memória para muitos espanhóis, cuja própria manutenção nestes moldes é alvo de grande controvérsia na sociedade espanhola de hoje, tendo em conta que a sua construção resultou do trabalho forçado de muitos prisioneiros do lado derrotado.

O que dividiu (e divide) a sociedade espanhola de então não se limitou a uma fratura entre uma esquerda republicana, laica (mesmo anticlerical) e uma direita fascista e católica conservadora – nos dois lados cruzaram-se interesses e paradigmas múltiplos, visões do estado e da própria identidade de Espanha como nação: se da parte republicana derrotada tínhamos uma frente laica, do outro lado surgia uma frente militar-religiosa (bem diferente do fascismo de Mussolini e do Nazismo de Hitler, neste aspeto), que encarou a guerra como uma cruzada contra os ímpios ateus, os comunistas, sindicalistas e defensores das identidades e autonomias regionais.

Assim, o que opôs os dois lados pode ser resumido nas dicotomias ainda hoje presentes de uma forma mitigada: esquerda-direita, laicismo-religião, identidades regionais-centralismo, república-monarquia. Como se podem ver pelos cartazes da frente popular republicana (los rojos, como lhe chamavam os falangistas), as autonomias nacionais-regionais tinham ampla expressão identitária, tanto em termos de organizações políticas e sociais, como no uso de outras línguas nacionais,  como o catalão.

Do lado esquerdo da barricada, a Frente Popular federava todas as esquerdas, incluindo comunistas, socialistas (PSOE), anarquistas, sindicalistas, e  contava com o apoio de brigadas de voluntários internacionais, provenientes de muitas partes do globo mas com predominância dos comunistas internacionalistas (apoiados pela então URSS) . Nestas brigadas participaram  figuras célebres como o romancista americano Ernest Hemingway, o escritor inglês George Orwell, o poeta também inglês W. H. Auden, os escritores franceses André Malraux e Saint-Exupéry e a ativista política, também francesa, Simone Weil.

Do lado dos falangistas-franquistas, houve o apoio aberto e ativo do estado alemão hitleriano, da Itália de Mussolini e da ditadura de Salazar que, sem se envolver diretamente no conflito, manifestou-se a favor do anticomunismo de Franco e deu um secreto apoio à brigada portuguesa autodenominada  Os Viriatos.

80 anos é já muito tempo, mas a História ensinou-nos que o passado é essencial para compreender o presente e decidir o futuro – desta forma, esperemos que os nossos às vezes irmãos mas sempre vizinhos ibéricos mantenham vivos na memória esses quase três anos de sangue, para que possam encontrar uma fórmula que os faça finalmente reconciliar-se com a(s) sua(s) identidade(s) e ultrapassar tão fortes e antigos antagonismos. O que só nos beneficiaria a nós, mesmo aqui ao lado.

Fernando Rebelo

fontes: Wikipédia e Pinterest

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Jose_Saramago-00A leitura da obra Memorial do Convento transcende a conjugação de letras escritas a negro que decoram folhas em branco. A riqueza desta obra não está patente na capa ou contracapa. Apenas quem experiencialmente leu esta incrível obra saberá do que falo.

O uso de uma peculiar pontuação, a capacidade que este autor tem de criar ambientes verosímeis através da escolha de palavras da época, de descrições até ao pormenor da roupa das personagens, dos espaços físicos e sociais que estão presentes ao longo de toda a narração, cativa o leitor deixando-o preso à história, por esta apresentar uma nova verdade em comparação com o cânon da História. Isto é, o leitor embarca numa viagem por caminhos nunca antes conhecidos, possibilitando a si mesmo, uma reflexão e reavaliação do passado, uma vez que o ponto de vista de José Saramago é diferente do da História.

Para além de embarcar nesta viagem, foi nos proporcionada a oportunidade de viver cada detalhe de um dos palcos onde desfilam diversos quadros sociais, para melhor compreender todo o esforço e o sacrifício de inúmeros trabalhadores que está subjacente à construção do Convento de Mafra, à realização de uma promessa feita por D. João V, um rei megalómano que segundo a história é o magnífico, aquele que fez erguer um grandioso monumento.

Ao observar o esplendoroso monumento, imaginei quantos sacrifícios teriam sido realizados, quantas vidas perdidas na tentativa de poder realizar uma promessa que não lhes pertencia, quanto tempo investido para tamanho feito…cdacb40b-4028-41c9-98d6-3f0bc1427e91

Saramago, na sua obra deu ênfase ao transporte de uma pedra vinda de Pêro Pinheiro até Mafra, que aparentava ser fulcral neste monumento, não só pelo seu tamanho e quantidade de pessoas e juntas de bois que foram necessárias para transportá-la, mas também pelo facto de possuir um nome próprio: Benedictione.

Confesso que contemplando o monumento e a sua imensidade, quase que nem daria pela pedra que fora destinada à varanda sobre o pórtico da igreja, senão tivesse conhecimento de toda a história que nela está assente.

E foi no momento em que averiguei a pequenez daquela pedra, daquela que trouxe com ela, o sacrifício, o sofrimento e até mesmo a morte de trabalhadores que ajudaram na concretização de desejos megalómanos e prepotentes do rei todo-poderoso, que apenas queria mostrar o seu poder e riqueza aos restantes povos europeus, desprezando quaisquer recursos e até mesmo as circunstâncias em que se encontrava o povo, que me apercebi que

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José Santa-Bárbara

a palavra faz de nós aquilo que hoje somos. Hoje, não conheceríamos outra versão se José Saramago não imortalizasse os verdadeiros heróis, aqueles que na verdade ergueram tão grandioso monumento com tão escassos recursos e tempo.

Toda a introspeção que esta visita de estudo me proporcionou, não só me levou a concordar com José Saramago, como também me permitiu alcançar níveis de compreensão acerca da mensagem patente em Memorial do Convento.

Cada pormenor, cada detalhe, cada pedra que constitui o monumento, tem uma história para contar, e sem a palavra nenhuma história poderá ser narrada ao mundo. Nenhuma história será conhecida.

Catarina Gouveia, 12ºA

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as redes sociais podem ser um excelente meio de partilha e convívio mas também uma poderosa fonte de agressão

Há diversos anos letivos que, na ESDS, se generalizou no 7ºAno a lecionação do módulo de Boas Práticas na Internet, integrado na área da Cidadania. Apesar de não se ter ainda conseguido uma articulação com as TIC e de não ter ainda uma visibilidade na escola e não ter sido ainda possível de fazer chegar esta literacia digital e de cidadania  a outros níveis de escolaridade, o número médio de horas lecionadas e o número total de alunos estabilizou num nível bastante aceitável (ver quadro abaixo).

À semelhança de anos anteriores, todos os professores reportam o entusiasmo dos alunos com os temas abordados, embora menor empenho na realização de tarefas mais estruturadas.

Longe ainda do idealizado em projetos anteriores da BE – uma carta de cidadania digital para os alunos – esperemos que para o ano possamos avançar um pouco mais nesse sentido com a colaboração de todos.

Fernando Rebelo (PB)

Síntese-balanço da lecionação do Módulo no ano letivo 2015-16

BPI

Alguns trabalhos realizados pelos alunos

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