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Posts Tagged ‘Animação’

O grande acontecimento cinematográfico de dezembro foi a estreia de  Star Wars – o despertar da Força, o episódio VII da maior saga de ficção científica que movimenta milhões de fãs e fabulosos lucros de bilheteira desde o primeiro filme, estreado em 25 maio de 1977. Realizado por J.J.Abrams, apresenta uma nova etapa da saga com cenários reais e escasso recurso a imagens geradas por computador, recuperando os icónicos atores da trilogia original, pelo que surgem Harrison Ford como Han Solo, Carrie Fisher como princesa Leia e Mark Hamill como Luke Skywalker, tendo sido acrescentadas  novas personagens  que vão reviver o mito da Força.

Mas houve outras estreias de qualidade que merecem ser mencionadas, nomeadamente, o drama emotivo sobre as experiências que marcam o percurso de vida, Juventude de Paolo Sorrentino, considerado o melhor filme europeu de 2015 na 28ª edição dos galardões atribuídos pela Academia europeia de cinema tendo sido concedido a um dos protagonistas, Michael Caine,  os prémios honorário e de melhor ator.

Igualmente digna de menção é Charlotte Rampling, distinguida como a melhor atriz europeia, pela brilhante interpretação em 45 anos de  Andrew Haigh, drama baseado na obra “another country” de David Constantine. Os veteranos Charlotte Rampling e Tom Courtenay já tinham sido distinguidos com o Urso de Prata na 65ª edição do festival de cinema de Berlim pela excelente prestação de um casal abalado emocionalmente por factos do passado nas vésperas de festejaram o aniversário de um longo casamento. Emocionante, A rapariga dinamarquesa de Tom Hooper é baseado no romance homónimo de David Ebershoff, abordando a angústia do processo e da luta pela afirmação da identidade de género da pintora Lili Elbe nascida Einar Wegener, sendo considerada a primeira mulher transexual. Pelo admirável papel que desempenha, Eddie Redmayne apresenta-se como um forte candidato aos disputados prémios cinematográficos dos próximos meses.

Também interessante, A modista, com argumento e realização da australiana Jocelyn Moorhouse, inspirado no romance homónimo de Rosalie Ham, com Kate Winslet a protagonizar um drama da década de 50 em que a alta costura é um meio para alcançar uma vingança.

No Coração do Mar de Ron Howard, uma aventura marítima baseada em factos verídicos, equilibrada entre a  narrativa e os efeitos especiais de última geração, a partir da obra homónima de Nathaniel Philbrick, vencedor do National Book Award de 2000 para não-ficção. Com uma reconstituição criteriosa das circunstâncias do naufrágio, no início do século XIX, do navio baleeiro, Essex, é também um retrato do universo da caça da baleia e da vida dos sobreviventes após a tragédia.

Por fim, referência a filmes de animação que agradam a todos e não só na época natalícia. O Principezinho de Mark Osborne apresenta a magia do notável clássico da literatura infantil de Saint-Exupéry enquanto Snoopy e Charlie Brown-Peanuts: o filme de Steve Martino faz reviver momentos agradáveis proporcionados pelas famosas personagens criadas por Charles M. Schulz sendo que Hotel Transylvania 2 de  Gennedy Tartakovky  é a continuação  da  divertida aventura com vampiros.

Luísa Oliveira

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Novembro iniciou-se com a aguardada estreia do 24º filme da saga 007, iniciada em 1962, Spectre de Sam Mendes, mais uma obra de acção e aventura com o famoso agente secreto, representado atualmente por Daniel Craig. Da mesma forma, a vasta legião de fãs The Hunger Games: A revolta –Parte 2  de Francis Lawrence aguardou com expetativa  a luta de  Jennifer Lawrence pela liberdade o que tem resultado em excelentes valores de bilheteira.

Também de luta mas não de ficção, as ações dinamizadas pelas mulheres que reivindicaram o reconhecimento do direito ao voto, constituíram a base para o argumento do filme As sufragistas de Sarah Gravon. Com inúmeros sacrifícios pessoais colocando em risco as relações familiares e até a própria vida, a sua tenacidade contribuiu para a emancipação feminina.

Numa área diferente, Steve Jobs de  Danny Boyle, protagonizado por  Michael Fassbender,  apresenta  o retrato íntimo, pessoal e profissional, de um homem controverso e visionário que vai contribuir para uma autêntica revolução digital com o lançamento de produtos que vão mudar o quotidiano da humanidade. Por seu turno, em 13 minutos de Oliver Hirshbiegel,  vemos como o alemão Georg Elser poderia ter mudado o rumo da história ao tentar matar Adolf Hitler em 8 de novembro de 1939 colocando uma bomba atrás de um púlpito que iria ser usado pelo ditador, em Munique. Infelizmente, este abandonou o local mais cedo do que o previsto pelo que, Georg Elser, que será assassinado no campo de concentração de Dachau pouco tempo antes do final do conflito, não será recordado como um herói mas como alguém que viu o perigo que representava o ditador numa época em que era idolatrado por muitos alemães.

Num período posterior à 2ª guerra mundial marcado pela intensa rivalidade entre as superpotências EUA e URSS  A ponte dos espiões de Steven Spielberg, com argumento dos irmãos Cohen e de Matt Charman é uma  narrativa  autêntica dos factos  que envolveram a acção do  advogado americano James Donovan, interpretado por Tom Hanks, para libertação de um piloto aprisionado pelos soviéticos. Thriller político de excelente qualidade enriquecido pela fotografia e banda sonora que contribuem para transmitir o ambiente de tensão latente vivido durante a Guerra Fria.

Reunindo comédia e drama, Joaquim de Almeida contracena com Sandra Bullock e Billy Bob Thornton em Profissionais da crise de David Gordon Green com um tema atual  sobre o papel dos consultores políticos que ultrapassam todos os obstáculos para levar os seus candidatos, mesmo os corruptos,  à vitória. O Segredo dos seus Olhos de Billy Ray  é uma refilmagem do excelente filme homónimo argentino vencedor, em 2009, do Óscar de melhor filme estrangeiro. Embora mantenha o suspense focando o argumento no temor do terrorismo as prestações credíveis dos atores, nomeadamente Nicole Kidman e Julia Roberts,  não fazem esquecer  a obra argentina que apresenta uma melhor qualidade.

Na última edição do Lisbon and Estoril Film Festival  Minha Mãe  de  Nanni Moretti  foi a obra intimista  e emotiva de abertura  que, focando a espera da morte, foi inspirada no falecimento, em 2010, da mãe do realizador.

Quanto à produção nacional estreou-se O Leão da Estrela de Leonel Vieira inspirado na comédia de enganos homónima, constituindo a 2ª obra da trilogia “ novos clássicos” de homenagem a obras icónicas da cinematografia portuguesa das décadas de 30 e 40.

No momento em que já se aproxima a época natalícia, os filmes de animação apresentam-se como alternativa, refiro-me a filmes como uma aventura protagonizada por um dinossauro e uma criança – A viagem de Arlo de Peter Sohon, que é mais uma produção dos estúdios da Pixar.

Relembro que O Cineclube Impala Cine continua com os seus ciclos temáticos sobre grandes realizadores estando a decorrer o dedicado a Éric Rohmer, cuja programação poderá ser consultada em http://www.gandaia.pt.

Luísa Oliveira

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Quando se comemora 40 anos do fim do regime repressivo do Estado Novo, justifica-se uma referência especial à curta-metragem portuguesa A Caça Revoluções, da realizadora Margarida Rêgo, coproduzida pelo Royal College of Art, que foi selecionada para integrar a Quinzena dos Realizadores de 15 a 25 de maio, em Cannes, paralelamente ao Festival de Cinema. Esta primeira obra da realizadora é uma animação experimental a partir de uma fotografia tirada durante a revolução de Abril 1974, transmitindo os sons das manifestações, comícios, canções e poemas desse momento revolucionário. O filme é dedicado a “todas as pessoas que acreditam na possibilidade de um país diferente” e antes de ser exibido na prestigiada Quinzena de Realizadores integrará a competição do festival IndieLisboa.

É igualmente de assinalar a 8ª edição do PANORAMA, que decorrerá entre  9 e 15 de maio, com um vasto e interessante reportório dirigido a todos os que se interessam pelo cinema documental português. O trabalho da realizadora Catarina Alves Costa estará em destaque, com a apresentação, na sessão de abertura, do documentário que realizou há 20 anos, Senhora Aparecida. A realizadora irá ainda orientar um workshop para alunos sobre a relação do documentário cinematográfico com a antropologia. A parceria com o Goethe-Institut Portugal e a Fundação Alfred Gerhard leva à apresentação de obras dos cineastas alemães, Alfred Ehrhardt e Hubert Fichte, que filmaram no nosso país na década de 50 e 60 do século XX, assim como a apresentação da coleção de Filmes do Göttingen Institut, realizados na década de 70, cedidos pelo Museu de Etnologia.

No que respeita a estreias, uma menção especial para o polémico Noé de Darren Aronofsky com uma visão peculiar da épica história da personagem bíblica que, neste filme é encarnada de forma intensa  por Russel Crowe, como um indivíduo com uma fé inabalável no Criador que se afasta da sociedade decadente em que vivem os descendentes de Caim e os nómadas descendentes de Seth. É uma obra de ação com incríveis efeitos especiais, filmada na Islândia, a não perder não só pelo polémico argumento, dominado pela eterna luta entre o bem e o mal, como pela interpretação do elenco de luxo em que também se destacam Anthony Hopkins, Emma Watson e Jennifer Connelly.

Também com um excelente elenco, merece menção a comédia de suspense Grand Budapest Hotel de Wes Anderson, em que sobressai Ralph Fiennes no papel de um mordomo libertino de um grandioso hotel na década de 30, época de instabilidade política, social e económica que adivinhava o terror que o mundo iria viver passado pouco tempo. Inspirado na obra de Stefan Zweig, escritor austríaco de origem judaica, descreve uma realidade idílica, imaginária no tempo.

São igualmente interessantes as adaptações de grandes obras literárias Em segredo de Charlie Stratton, a partir do romancede Émile Zola, Thérèse Raquin, sobre desencontros e paixões e O que a Maisie sabe de Alex Van Warmerdam, baseado na obra homónima de Henry James, em que Onata Aprile transmite a angústia dos filhos que são apanhados na teia das separações conjugais.

Para toda a família, recomenda-se a animação de Rio 2 de Carlos Saldanha e a comédia de enganos Marretas procuram-se de James Bobin, sequela de entretenimento com agradáveis momentos cómicos graças às interpretações de Tina Fey, Ricky Gervais e Ty Burrell, e às músicas de Céline Dion, Lady Gaga e Usher.

Salientam-se ainda três documentários imperdíveis: A imagem que falta de Rithy Panh ,O Acto de matar de Joshua Oppenheimer e A dois passos do estrelato de Morgan Neville.

O primeiro, ao apresentar figuras de plasticina na busca de uma fotografia que retrate os anos de terror em que o Camboja foi governado pelo regime do Khmer Vermelho, responsável por um terrível genocídio que vitimou cerca de dois milhões de pessoas entre 1975 e 1979, serve para relembrar esse período terrível. Recebeu o prémio Un certain regard do festival de Cannes e foi nomeado para os Óscares e prémios europeus de cinema.

O segundo, que ganhou um BAFTA e o prémio do público no festival de Berlim, revisita os massacres do golpe militar na Indonésia em 1965 com a participação voluntária dos torturadores que pertenciam aos esquadrões da morte responsáveis pela morte de 500 mil pessoas. Nesta obra perturbante estes indivíduos encenam os crimes pelos quais não foram julgados pois, além de continuarem ligados ao poder, são considerados heróis nacionais. Os dois documentários referidos revestem-se, como tal, de grande importância pois preservem a memória de períodos e locais em que os direitos humanos não eram respeitados.

Com temática diferente das obras anteriores, o terceiro documentário, que ganhou um Óscar em 2013, coloca lendas musicais e outras personalidades do mundo do espetáculo a falarem sobre a forma como os elementos dos coros que acompanham os artistas não são devidamente valorizados, nem reconhecido o seu contributo para o sucesso de muitas obras musicais.

Luísa Oliveira

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O início do ano é marcado pelo frenesim da época dos prémios atribuídos pelas várias associações de classe do mundo cinematográfico servindo cada um deles como barómetro para os emblemáticos Óscares.

Começo com A sociedade de críticos de cinema americana que escolheu A propósito de Llewyn Davis de Joel e Ethan Coen, como o melhor filme de 2013 assim como os irmãos Coen melhores realizadores enquanto Oscar Isaac foi considerado o melhor ator do ano passado pela sua interpretação de um cantor folk em busca de sucesso no início dos anos 1960. Já a Associação de Realizadores Americanos (Directors Guilds of America) distinguiu o realizador de Gravidade, Alfonso  Calderón,  no que é sempre  considerado  um prémio especial pois representa não só um reconhecimento pelos pares como pelo facto da maioria dos premiados  vencerem o Óscar nessa categoria. Na Associação de Produtores (Producers Guild Awards) Gravidade e 12 anos escravo venceram empatados o prémio de melhor filme. Quanto à 71ª edição dos Globos de Ouro, prémios do cinema e da televisão atribuídos pela Associação de imprensa estrangeira, Golpada Americana conquistou três galardões para melhor comédia/musical, melhor atriz (Amy Adams) e melhor atriz secundária ( Jennifer Lawrence), enquanto o também favorito 12 anos escravo ganhou apenas um prémio, o de melhor drama, apesar das sete nomeações. O prémio de melhor realizador foi, mais uma vez, para Alfonso Calderón por Gravidade, Matthew McConaughey arrecadou o prémio de melhor ator de drama pelo seu papel em O Clube de Dallas, enquanto Cate Blanchett o de melhor atriz/ drama em Blue Jasmine e Leonardo DiCaprio o de melhor ator na categoria de comédia/musical com O lobo de Wall Street. Golpada americana foi, novamente, distinguido na categoria principal de melhor elenco num filme pela Screen Actors Guild (SAG), associação profissional que reúne atores de cinema e televisão.

POSTER-CINEMA-o-mordomo-710x1024Quanto aos nomeados para os Óscares só em dois de março ficaremos a saber quem levará para casa as cobiçadas estatuetas douradas da 11772_27586ª edição. O espetáculo, apresentado pela famosa comediante Ellen DeGeneres, está marcado para o Dolby Theatre, em Los Angeles sendo que Gravidade  de Alfonso Caldéron com Sandra Bullock e George Clooney e Golpada Americana de David O. Russel são os filmes mais nomeados, em dez categorias, seguindo-se 12 Anos Escravo, com nove nomeações. Adivinha-se, mais uma vez, uma renhida disputa pelas principais estatuetas. A lista apresentada surpreendeu não só por alguns nomeados como pelas ausências, nomeadamente do filme O Mordomo de Lee Daniels sendo que a excelente Meryl Streep teve a sua 18ª nomeação, tornando-se a atriz mais nomeada de sempre para os prémios da Academia de Hollywood. Este ano o vencedor de prémio para melhor curta metragem de animação pode falar português pois Feral de Daniel Sousa e de Dan Golden está entre os nomeados.

12 Anos EscravoNas estreias do mês verificaram-se a apresentação de películas premiadas e nomeadas para os Óscares, nas várias categorias. Destas, um destaque especial para 12 Anos Escravo, uma emocionante e dramática obra realizada por Steve McQueen que pretende  aprofundar a história da escravatura nos EUA e abordá-la segundo uma perspectiva mais realista. Baseia-se nas memórias do violinista Solomon Northup, negro livre de Saratoga no estado de Nova Yorque, que foi raptado e vendido como escravo e que as escreveu e publicou em 1853, após a sua libertação, contribuindo para a consciencialização da necessidade de acabar com a infame escravatura.

Filme premiado a comédia negra de costumes Golpada americana de David O. Russel baseia-se, igualmente, numa história verídica, Golpada Americananeste caso, os factos que rodearam a Operação Abscam do FBI. Sobressai a excelente interpretação de um elenco de luxo destacando-se Bradley Cooper, Christian Bale, Amy Adams e Jennifer Lawrence num enredo de polícias e vigaristas com uma brilhante reconstituição do ambiente de finais dos anos 70 e 80.

O Clube de DallasMatthew McConaughey surge irreconhecível e com um magistral desempenho em O Clube de Dallas de Jean Marc Vallée, uma obra de qualidade baseada na vida de Ron Woodrof a partir do momento que descobre que tem SIDA explorando os medos e temores que rodeavam esta doença nos anos 80 do século XX.

Martin Scorsese dirige o seu ator preferido, Leonardo DICaprio, em O Lobo de Wall Street, uma obra baseada na história verídica do corretor de bolsa de N.Y, Jordan Belford, retratando, de forma verosímil, os excessos e a corrupção que rodeia o fundador da corretora Statton Oakmont.O Lobo de Wall Street

A Rapariga Que Roubava LivrosA rapariga que roubava livros de Brian Percival, adaptação do best seller  da Markus Zusack, um descendente de sobreviventes do nazismo, é um belo filme que nos mostra como os livros podem transformar a triste realidade. As boas interpretações de Sophie Nélisse e George Rush e a música de John Williams estão adequadas numa obra que provoca fortes emoções como, aliás, o livro em que se baseia.

Os prestigiados atores Tom Hanks, no papel de Walt Disney e Emma Thompson no da escritora P.L.Travers , autora de Mary Poppins, tornam interessante o filme Ao encontro de Mr. Banks de John Lee Hancock.Ao Encontro de Mr. Banks

Thérèse DesqueyrouxThérése Desqueyroux, último filme de Claude Miller, baseia-se no livro homónimo do prémio nobel, François Mauriac . Audrey Tautou tem uma boa interpretação no papel de uma a mulher que quer escolher o seu destino e embora a ação se passe nas primeiras décadas do século XX esse desejo é intemporal.

Por fim, resta ainda mencionar Grudge match – ajuste de contas de Peter Segal, com Robert de Niro numa divertida comédia que proporciona momentos agradáveis e descontraídos.Grudge Match - Ajuste de Contas

No que respeita a alguns eventos é de relembrar que todas as segundas-feiras, pelas 21h30, a Casa da Achada, em Lisboa, exibe um filme alusivo à época da Segunda Guerra Mundial. O ciclo reúne 13 filmes, que mostram “apenas” histórias narradas, deixando para depois a questão “guerra-guerra”. Também em Lisboa, no cinema São Jorge e na Cinemateca Júnior- Museu de cinema decorre, de 1 a 9 de fevereiro o 1º festival internacional de cinema infantil promovido pela Leya Educação. Mais perto, o Auditório Costa da Caparica, iniciou um Ciclo de Cinema Italiano com sessões a iniciarem-se às quinze horas.

Finalizo com a notícia de que o filme Kali – O Pequeno Vampiro, da realizadora portuguesa Regina Pessoa, foi selecionado pela UNESCO para ser exibido no próximo mês de Junho, em Paris, na mostra Panorama of Golden Nights em que são exibidos produções que aquela entidade considera “ património cultural internacional”.

Luísa Oliveira

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O Rei LeãoO Rei Leão (original: The Lion King; realizadores: Roger Allers e Rob Minkoff; distribuidor: Walt Diney, E.U.A. ,1994)

Após me ter sido proposto escrever sobre o filme da minha vida, e garanto-vos desde já que é uma grande responsabilidade, tive que aceitar este desafio que durante muitas horas me deixou a pensar sobre que filme deveria escolher. Isto porque é díficil selecionar um filme entre vários que me deixaram a refletir sobre inúmeras questões, que despertaram diversas emoções desde o choro às mais espontâneas gargalhadas, que me ensinaram lições e que, acima de tudo, me marcaram.

Foi díficil escolher um filme tendo em conta também o facto de que a minha vida nem vai a meio e possivelmente ainda poderei assistir a um filme que me marque para toda a vida e esse sim se torne o intitulado “filme da minha vida”.

Entretanto, e avançando para o que realmente interessa, acabei por fazer a minha escolha que se inclinou para um filme que me acompanhou toda a minha infância, isto é, dos meus cinco aos onze/doze anos mais ou menos. Um filme que ainda hoje me traz tão boas memórias, um filme do qual eu sei todas as falas de cor e, mesmo nos dias de hoje, consigo ver vezes sem conta e nunca me fartar. E esse filme é “O Rei Leão” da Disney.

Provavelmente muita gente iria questionar o porquê de ter escolhido um filme de desenhos animados e, além disso, iriam inclusive perguntar como posso considerar um filme de “bonecos” o filme da minha vida. Mas quanto a isso, eu posso responder de forma muito clara: sim, é de facto, um filme de desenhos animados, um filme direcionado especialmente para crianças. Porém, não se trata apenas e somente de um filme de animação e entretenimento. Se prestarmos atenção, este tipo de filmes são os que melhor passam as mensagens, bem como as lições de moral. São os que de forma não tão evidente (pelo menos até certa idade), nos fazem perceber como certos aspetos na vida funcionam. Foi o que aconteceu com este filme da Walt Disney.

O filme “Rei Leão” (irei focar-me no primeiro filme, embora tenha adorado também o segundo) foi e é um filme que, como já tinha referido, me ensinou algumas coisas que eu fui percebendo melhor à medida que fui crescendo e amadurecendo, e que ainda hoje me faz esboçar um sorriso, por um lado, de nostalgia, por outro, das boas recordações que tenho em mim.

A história do filme foca-se em Simba, filho de Mufasa, que muito cedo morre vítima do seu irmão Scar. Scar mata Mufasa, o rei leão3pois quer alcançar o poder do irmão e, depois da morte dele, obriga Simba a fugir da terra, culpando-o da morte de seu pai. Simba, que ainda era uma criança na altura, ouvindo tais palavras, não hesitou em fugir. Porém, ele não sabia que um grupo de hienas comandadas por Scar iriam atrás dele na tentativa de o matar para que não houvesse herdeiro do trono e Scar subisse definitivamente ao poder. Entretanto, Simba consegue escapar e conhece Timon e Pumba que se tornariam os seus companheiros para a vida. Com eles cresceu, sarou as feridas, aprendeu os hábitos de vida dos companheiros e foi em busca da sua própria felicidade.

Certa tarde, uma velha amiga de infância de Simba vai à caça e tenta capturar Timon e Pumba. Todavia, quando Simba sente a presença da leoa, lança-se para cima dela para a impedir de atacar os amigos. Eis que Nala (essa mesma leoa, amiga de Simba) o reconhece e ambos festejam o reencontro depois de todo aquele tempo sem se verem. No entanto, rapidamente a felicidade dá lugar às interrogações de Nala, que o interpela sobre o seu desaparecimento, o confronta com o facto de todos na sua terra o julgarem morto e afirma que ele tem que regressar, pois as condições do seu habitat (que também já fora de Simba) eram miseráveis, e ele tinha que assumir o trono e expulsar Scar de lá. Contudo, Simba estava cada vez mais confuso e não suportava a ideia de voltar, afetado ainda pelo sentimento de culpa em relação à morte do pai.

Após uma longa discussão com Nala, Simba decide caminhar à noite para refletir e chega a evocar o nome do pai através das estrelas, questionando porque é que ele o tinha deixado sozinho quando lhe tinha prometido que sempre estaria lá para ele. Lembro-me que esta foi a cena que mais me marcou em todo o filme, tendo até me escapado algumas lágrimas. Aparece um babuíno, chamado Rafiki, que conhecia Mufasa e soubera de toda a história. Ele surge e aconselha Simba, dizendo-lhe as seguintes palavras: “O passado pode doer, mas quanto a isso só há duas coisas a fazer: fugir dele ou aprender com ele.” É nesta cena que Simba fica decidido a voltar para sua terra natal, enfrentando o passado e lutando pelo trono.

Quando lá chega, todos os parentes, inclusive a mãe e conhecidos de Mufasa, ficam surpreendidos ao ver Simba que julgavam morto mas, evidentemente, ficam contentes com o seu regresso. Simba pensa num plano juntamente com Timon e Pumba para poder chegar até Scar e confrontá-lo. É nesse confronto que vem a surgir a verdade e Scar admite que fora ele quem matara Mufasa. Depois de uma grande luta, Scar acaba por ser alvo das próprias aliadas (hienas) que o devoram quando este cai de um precipício.

No final, Simba assume o trono e passado algum tempo, vem ao mundo a sua filha e de Nala, a quem deram o nome de Kiara e que viria a ser a protagonista do segundo filme.

Tenho a certeza que fui apenas uma das muitas crianças que se apaixonou por este filme. Recordo-me de episódios em que punha a cassete do filme – sim porque, nessa altura, ainda eram usadas cassetes antes de surgirem os DVD’s que hoje conhecemos – e mal o filme iniciava punha-me logo a cantar o tema inicial do filme desde o início ao fim. Também me lembro de saber todas as falas de cor (e ainda hoje sei) e recordo-me também de me pôr de gatas no meio do chão e imitar todas as cenas do filme como se eu mesma fosse a protagonista. A inocência e imaginação de uma criança são fantásticas, não é?

reileaoOutra coisa que me fascina neste filme (e que acontece com grande parte dos filmes da Disney) é, sem dúvida, a banda sonora. Quando somos mais novos não ligamos tanto ao significado das músicas, prestamos mais atenção ao ritmo, por exemplo. No entanto, agora que mais crescida, sempre que vou ouvir alguma música do filme interpreto o seu verdadeiro significado e consigo até indentificar-me com ela mesmo passado todos estes anos. Existe uma, que toda a gente conhece que se chama “Hakuna Matata” e que fala sobre deixar o passado atrás das costas e viver o presente, que é uma das mensagens que o filme passa a quem o vê e foi algo que eu aprendi com ele. Aprendi, também, que é preciso acreditar em nós e enfrentar as situações, pois fugir delas é estar a fugir de nós mesmos. Precisamos aprender com o passado, com os erros, e lutar para que no presente e no futuro tudo fique bem.

Para além destes aspetos, o filme também retrata o facto de estarmos rodeados de ganância, mas devemos ser superiores a toda essa ganância e mesmo inveja e não deixarmos de ser fiéis a nós mesmos, não deixar que essas pessoas nos tirem isso.

Este, certamente, será um filme que me acompanhará para toda a vida. Sempre que assistir ao “Rei Leão”, vou-me sentir criança outra vez, como se viajasse numa máquina do tempo. São incríveis as sensações e o impacto que um filme pode ter em nós. Farei questão, se possível, de um dia mostrar o filme aos meus filhos e partilhar com eles algo que acabou por fazer parte de mim e da minha vida.

Já vi muitos filmes, de todos os géneros: ficção científica, ação, suspense, drama, animação, comédia, romance, um ou outro histórico… E claro que alguns deles também estão na minha lista de filmes favoritos, contudo não me arrependo desta escolha que fiz e hei-de sempre considerar o “Rei Leão” um dos filmes da minha vida.

Sandra F. Matoso, 11ºE

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