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Posts Tagged ‘Animação’

Jaime Espada, Ana Beatriz e Fernanda Correia, 7º E

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O grande acontecimento cinematográfico de dezembro foi a estreia de  Star Wars – o despertar da Força, o episódio VII da maior saga de ficção científica que movimenta milhões de fãs e fabulosos lucros de bilheteira desde o primeiro filme, estreado em 25 maio de 1977. Realizado por J.J.Abrams, apresenta uma nova etapa da saga com cenários reais e escasso recurso a imagens geradas por computador, recuperando os icónicos atores da trilogia original, pelo que surgem Harrison Ford como Han Solo, Carrie Fisher como princesa Leia e Mark Hamill como Luke Skywalker, tendo sido acrescentadas  novas personagens  que vão reviver o mito da Força.

Mas houve outras estreias de qualidade que merecem ser mencionadas, nomeadamente, o drama emotivo sobre as experiências que marcam o percurso de vida, Juventude de Paolo Sorrentino, considerado o melhor filme europeu de 2015 na 28ª edição dos galardões atribuídos pela Academia europeia de cinema tendo sido concedido a um dos protagonistas, Michael Caine,  os prémios honorário e de melhor ator.

Igualmente digna de menção é Charlotte Rampling, distinguida como a melhor atriz europeia, pela brilhante interpretação em 45 anos de  Andrew Haigh, drama baseado na obra “another country” de David Constantine. Os veteranos Charlotte Rampling e Tom Courtenay já tinham sido distinguidos com o Urso de Prata na 65ª edição do festival de cinema de Berlim pela excelente prestação de um casal abalado emocionalmente por factos do passado nas vésperas de festejaram o aniversário de um longo casamento. Emocionante, A rapariga dinamarquesa de Tom Hooper é baseado no romance homónimo de David Ebershoff, abordando a angústia do processo e da luta pela afirmação da identidade de género da pintora Lili Elbe nascida Einar Wegener, sendo considerada a primeira mulher transexual. Pelo admirável papel que desempenha, Eddie Redmayne apresenta-se como um forte candidato aos disputados prémios cinematográficos dos próximos meses.

Também interessante, A modista, com argumento e realização da australiana Jocelyn Moorhouse, inspirado no romance homónimo de Rosalie Ham, com Kate Winslet a protagonizar um drama da década de 50 em que a alta costura é um meio para alcançar uma vingança.

No Coração do Mar de Ron Howard, uma aventura marítima baseada em factos verídicos, equilibrada entre a  narrativa e os efeitos especiais de última geração, a partir da obra homónima de Nathaniel Philbrick, vencedor do National Book Award de 2000 para não-ficção. Com uma reconstituição criteriosa das circunstâncias do naufrágio, no início do século XIX, do navio baleeiro, Essex, é também um retrato do universo da caça da baleia e da vida dos sobreviventes após a tragédia.

Por fim, referência a filmes de animação que agradam a todos e não só na época natalícia. O Principezinho de Mark Osborne apresenta a magia do notável clássico da literatura infantil de Saint-Exupéry enquanto Snoopy e Charlie Brown-Peanuts: o filme de Steve Martino faz reviver momentos agradáveis proporcionados pelas famosas personagens criadas por Charles M. Schulz sendo que Hotel Transylvania 2 de  Gennedy Tartakovky  é a continuação  da  divertida aventura com vampiros.

Luísa Oliveira

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Novembro iniciou-se com a aguardada estreia do 24º filme da saga 007, iniciada em 1962, Spectre de Sam Mendes, mais uma obra de acção e aventura com o famoso agente secreto, representado atualmente por Daniel Craig. Da mesma forma, a vasta legião de fãs The Hunger Games: A revolta –Parte 2  de Francis Lawrence aguardou com expetativa  a luta de  Jennifer Lawrence pela liberdade o que tem resultado em excelentes valores de bilheteira.

Também de luta mas não de ficção, as ações dinamizadas pelas mulheres que reivindicaram o reconhecimento do direito ao voto, constituíram a base para o argumento do filme As sufragistas de Sarah Gravon. Com inúmeros sacrifícios pessoais colocando em risco as relações familiares e até a própria vida, a sua tenacidade contribuiu para a emancipação feminina.

Numa área diferente, Steve Jobs de  Danny Boyle, protagonizado por  Michael Fassbender,  apresenta  o retrato íntimo, pessoal e profissional, de um homem controverso e visionário que vai contribuir para uma autêntica revolução digital com o lançamento de produtos que vão mudar o quotidiano da humanidade. Por seu turno, em 13 minutos de Oliver Hirshbiegel,  vemos como o alemão Georg Elser poderia ter mudado o rumo da história ao tentar matar Adolf Hitler em 8 de novembro de 1939 colocando uma bomba atrás de um púlpito que iria ser usado pelo ditador, em Munique. Infelizmente, este abandonou o local mais cedo do que o previsto pelo que, Georg Elser, que será assassinado no campo de concentração de Dachau pouco tempo antes do final do conflito, não será recordado como um herói mas como alguém que viu o perigo que representava o ditador numa época em que era idolatrado por muitos alemães.

Num período posterior à 2ª guerra mundial marcado pela intensa rivalidade entre as superpotências EUA e URSS  A ponte dos espiões de Steven Spielberg, com argumento dos irmãos Cohen e de Matt Charman é uma  narrativa  autêntica dos factos  que envolveram a acção do  advogado americano James Donovan, interpretado por Tom Hanks, para libertação de um piloto aprisionado pelos soviéticos. Thriller político de excelente qualidade enriquecido pela fotografia e banda sonora que contribuem para transmitir o ambiente de tensão latente vivido durante a Guerra Fria.

Reunindo comédia e drama, Joaquim de Almeida contracena com Sandra Bullock e Billy Bob Thornton em Profissionais da crise de David Gordon Green com um tema atual  sobre o papel dos consultores políticos que ultrapassam todos os obstáculos para levar os seus candidatos, mesmo os corruptos,  à vitória. O Segredo dos seus Olhos de Billy Ray  é uma refilmagem do excelente filme homónimo argentino vencedor, em 2009, do Óscar de melhor filme estrangeiro. Embora mantenha o suspense focando o argumento no temor do terrorismo as prestações credíveis dos atores, nomeadamente Nicole Kidman e Julia Roberts,  não fazem esquecer  a obra argentina que apresenta uma melhor qualidade.

Na última edição do Lisbon and Estoril Film Festival  Minha Mãe  de  Nanni Moretti  foi a obra intimista  e emotiva de abertura  que, focando a espera da morte, foi inspirada no falecimento, em 2010, da mãe do realizador.

Quanto à produção nacional estreou-se O Leão da Estrela de Leonel Vieira inspirado na comédia de enganos homónima, constituindo a 2ª obra da trilogia “ novos clássicos” de homenagem a obras icónicas da cinematografia portuguesa das décadas de 30 e 40.

No momento em que já se aproxima a época natalícia, os filmes de animação apresentam-se como alternativa, refiro-me a filmes como uma aventura protagonizada por um dinossauro e uma criança – A viagem de Arlo de Peter Sohon, que é mais uma produção dos estúdios da Pixar.

Relembro que O Cineclube Impala Cine continua com os seus ciclos temáticos sobre grandes realizadores estando a decorrer o dedicado a Éric Rohmer, cuja programação poderá ser consultada em http://www.gandaia.pt.

Luísa Oliveira

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Quando se comemora 40 anos do fim do regime repressivo do Estado Novo, justifica-se uma referência especial à curta-metragem portuguesa A Caça Revoluções, da realizadora Margarida Rêgo, coproduzida pelo Royal College of Art, que foi selecionada para integrar a Quinzena dos Realizadores de 15 a 25 de maio, em Cannes, paralelamente ao Festival de Cinema. Esta primeira obra da realizadora é uma animação experimental a partir de uma fotografia tirada durante a revolução de Abril 1974, transmitindo os sons das manifestações, comícios, canções e poemas desse momento revolucionário. O filme é dedicado a “todas as pessoas que acreditam na possibilidade de um país diferente” e antes de ser exibido na prestigiada Quinzena de Realizadores integrará a competição do festival IndieLisboa.

É igualmente de assinalar a 8ª edição do PANORAMA, que decorrerá entre  9 e 15 de maio, com um vasto e interessante reportório dirigido a todos os que se interessam pelo cinema documental português. O trabalho da realizadora Catarina Alves Costa estará em destaque, com a apresentação, na sessão de abertura, do documentário que realizou há 20 anos, Senhora Aparecida. A realizadora irá ainda orientar um workshop para alunos sobre a relação do documentário cinematográfico com a antropologia. A parceria com o Goethe-Institut Portugal e a Fundação Alfred Gerhard leva à apresentação de obras dos cineastas alemães, Alfred Ehrhardt e Hubert Fichte, que filmaram no nosso país na década de 50 e 60 do século XX, assim como a apresentação da coleção de Filmes do Göttingen Institut, realizados na década de 70, cedidos pelo Museu de Etnologia.

No que respeita a estreias, uma menção especial para o polémico Noé de Darren Aronofsky com uma visão peculiar da épica história da personagem bíblica que, neste filme é encarnada de forma intensa  por Russel Crowe, como um indivíduo com uma fé inabalável no Criador que se afasta da sociedade decadente em que vivem os descendentes de Caim e os nómadas descendentes de Seth. É uma obra de ação com incríveis efeitos especiais, filmada na Islândia, a não perder não só pelo polémico argumento, dominado pela eterna luta entre o bem e o mal, como pela interpretação do elenco de luxo em que também se destacam Anthony Hopkins, Emma Watson e Jennifer Connelly.

Também com um excelente elenco, merece menção a comédia de suspense Grand Budapest Hotel de Wes Anderson, em que sobressai Ralph Fiennes no papel de um mordomo libertino de um grandioso hotel na década de 30, época de instabilidade política, social e económica que adivinhava o terror que o mundo iria viver passado pouco tempo. Inspirado na obra de Stefan Zweig, escritor austríaco de origem judaica, descreve uma realidade idílica, imaginária no tempo.

São igualmente interessantes as adaptações de grandes obras literárias Em segredo de Charlie Stratton, a partir do romancede Émile Zola, Thérèse Raquin, sobre desencontros e paixões e O que a Maisie sabe de Alex Van Warmerdam, baseado na obra homónima de Henry James, em que Onata Aprile transmite a angústia dos filhos que são apanhados na teia das separações conjugais.

Para toda a família, recomenda-se a animação de Rio 2 de Carlos Saldanha e a comédia de enganos Marretas procuram-se de James Bobin, sequela de entretenimento com agradáveis momentos cómicos graças às interpretações de Tina Fey, Ricky Gervais e Ty Burrell, e às músicas de Céline Dion, Lady Gaga e Usher.

Salientam-se ainda três documentários imperdíveis: A imagem que falta de Rithy Panh ,O Acto de matar de Joshua Oppenheimer e A dois passos do estrelato de Morgan Neville.

O primeiro, ao apresentar figuras de plasticina na busca de uma fotografia que retrate os anos de terror em que o Camboja foi governado pelo regime do Khmer Vermelho, responsável por um terrível genocídio que vitimou cerca de dois milhões de pessoas entre 1975 e 1979, serve para relembrar esse período terrível. Recebeu o prémio Un certain regard do festival de Cannes e foi nomeado para os Óscares e prémios europeus de cinema.

O segundo, que ganhou um BAFTA e o prémio do público no festival de Berlim, revisita os massacres do golpe militar na Indonésia em 1965 com a participação voluntária dos torturadores que pertenciam aos esquadrões da morte responsáveis pela morte de 500 mil pessoas. Nesta obra perturbante estes indivíduos encenam os crimes pelos quais não foram julgados pois, além de continuarem ligados ao poder, são considerados heróis nacionais. Os dois documentários referidos revestem-se, como tal, de grande importância pois preservem a memória de períodos e locais em que os direitos humanos não eram respeitados.

Com temática diferente das obras anteriores, o terceiro documentário, que ganhou um Óscar em 2013, coloca lendas musicais e outras personalidades do mundo do espetáculo a falarem sobre a forma como os elementos dos coros que acompanham os artistas não são devidamente valorizados, nem reconhecido o seu contributo para o sucesso de muitas obras musicais.

Luísa Oliveira

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O início do ano é marcado pelo frenesim da época dos prémios atribuídos pelas várias associações de classe do mundo cinematográfico servindo cada um deles como barómetro para os emblemáticos Óscares.

Começo com A sociedade de críticos de cinema americana que escolheu A propósito de Llewyn Davis de Joel e Ethan Coen, como o melhor filme de 2013 assim como os irmãos Coen melhores realizadores enquanto Oscar Isaac foi considerado o melhor ator do ano passado pela sua interpretação de um cantor folk em busca de sucesso no início dos anos 1960. Já a Associação de Realizadores Americanos (Directors Guilds of America) distinguiu o realizador de Gravidade, Alfonso  Calderón,  no que é sempre  considerado  um prémio especial pois representa não só um reconhecimento pelos pares como pelo facto da maioria dos premiados  vencerem o Óscar nessa categoria. Na Associação de Produtores (Producers Guild Awards) Gravidade e 12 anos escravo venceram empatados o prémio de melhor filme. Quanto à 71ª edição dos Globos de Ouro, prémios do cinema e da televisão atribuídos pela Associação de imprensa estrangeira, Golpada Americana conquistou três galardões para melhor comédia/musical, melhor atriz (Amy Adams) e melhor atriz secundária ( Jennifer Lawrence), enquanto o também favorito 12 anos escravo ganhou apenas um prémio, o de melhor drama, apesar das sete nomeações. O prémio de melhor realizador foi, mais uma vez, para Alfonso Calderón por Gravidade, Matthew McConaughey arrecadou o prémio de melhor ator de drama pelo seu papel em O Clube de Dallas, enquanto Cate Blanchett o de melhor atriz/ drama em Blue Jasmine e Leonardo DiCaprio o de melhor ator na categoria de comédia/musical com O lobo de Wall Street. Golpada americana foi, novamente, distinguido na categoria principal de melhor elenco num filme pela Screen Actors Guild (SAG), associação profissional que reúne atores de cinema e televisão.

POSTER-CINEMA-o-mordomo-710x1024Quanto aos nomeados para os Óscares só em dois de março ficaremos a saber quem levará para casa as cobiçadas estatuetas douradas da 11772_27586ª edição. O espetáculo, apresentado pela famosa comediante Ellen DeGeneres, está marcado para o Dolby Theatre, em Los Angeles sendo que Gravidade  de Alfonso Caldéron com Sandra Bullock e George Clooney e Golpada Americana de David O. Russel são os filmes mais nomeados, em dez categorias, seguindo-se 12 Anos Escravo, com nove nomeações. Adivinha-se, mais uma vez, uma renhida disputa pelas principais estatuetas. A lista apresentada surpreendeu não só por alguns nomeados como pelas ausências, nomeadamente do filme O Mordomo de Lee Daniels sendo que a excelente Meryl Streep teve a sua 18ª nomeação, tornando-se a atriz mais nomeada de sempre para os prémios da Academia de Hollywood. Este ano o vencedor de prémio para melhor curta metragem de animação pode falar português pois Feral de Daniel Sousa e de Dan Golden está entre os nomeados.

12 Anos EscravoNas estreias do mês verificaram-se a apresentação de películas premiadas e nomeadas para os Óscares, nas várias categorias. Destas, um destaque especial para 12 Anos Escravo, uma emocionante e dramática obra realizada por Steve McQueen que pretende  aprofundar a história da escravatura nos EUA e abordá-la segundo uma perspectiva mais realista. Baseia-se nas memórias do violinista Solomon Northup, negro livre de Saratoga no estado de Nova Yorque, que foi raptado e vendido como escravo e que as escreveu e publicou em 1853, após a sua libertação, contribuindo para a consciencialização da necessidade de acabar com a infame escravatura.

Filme premiado a comédia negra de costumes Golpada americana de David O. Russel baseia-se, igualmente, numa história verídica, Golpada Americananeste caso, os factos que rodearam a Operação Abscam do FBI. Sobressai a excelente interpretação de um elenco de luxo destacando-se Bradley Cooper, Christian Bale, Amy Adams e Jennifer Lawrence num enredo de polícias e vigaristas com uma brilhante reconstituição do ambiente de finais dos anos 70 e 80.

O Clube de DallasMatthew McConaughey surge irreconhecível e com um magistral desempenho em O Clube de Dallas de Jean Marc Vallée, uma obra de qualidade baseada na vida de Ron Woodrof a partir do momento que descobre que tem SIDA explorando os medos e temores que rodeavam esta doença nos anos 80 do século XX.

Martin Scorsese dirige o seu ator preferido, Leonardo DICaprio, em O Lobo de Wall Street, uma obra baseada na história verídica do corretor de bolsa de N.Y, Jordan Belford, retratando, de forma verosímil, os excessos e a corrupção que rodeia o fundador da corretora Statton Oakmont.O Lobo de Wall Street

A Rapariga Que Roubava LivrosA rapariga que roubava livros de Brian Percival, adaptação do best seller  da Markus Zusack, um descendente de sobreviventes do nazismo, é um belo filme que nos mostra como os livros podem transformar a triste realidade. As boas interpretações de Sophie Nélisse e George Rush e a música de John Williams estão adequadas numa obra que provoca fortes emoções como, aliás, o livro em que se baseia.

Os prestigiados atores Tom Hanks, no papel de Walt Disney e Emma Thompson no da escritora P.L.Travers , autora de Mary Poppins, tornam interessante o filme Ao encontro de Mr. Banks de John Lee Hancock.Ao Encontro de Mr. Banks

Thérèse DesqueyrouxThérése Desqueyroux, último filme de Claude Miller, baseia-se no livro homónimo do prémio nobel, François Mauriac . Audrey Tautou tem uma boa interpretação no papel de uma a mulher que quer escolher o seu destino e embora a ação se passe nas primeiras décadas do século XX esse desejo é intemporal.

Por fim, resta ainda mencionar Grudge match – ajuste de contas de Peter Segal, com Robert de Niro numa divertida comédia que proporciona momentos agradáveis e descontraídos.Grudge Match - Ajuste de Contas

No que respeita a alguns eventos é de relembrar que todas as segundas-feiras, pelas 21h30, a Casa da Achada, em Lisboa, exibe um filme alusivo à época da Segunda Guerra Mundial. O ciclo reúne 13 filmes, que mostram “apenas” histórias narradas, deixando para depois a questão “guerra-guerra”. Também em Lisboa, no cinema São Jorge e na Cinemateca Júnior- Museu de cinema decorre, de 1 a 9 de fevereiro o 1º festival internacional de cinema infantil promovido pela Leya Educação. Mais perto, o Auditório Costa da Caparica, iniciou um Ciclo de Cinema Italiano com sessões a iniciarem-se às quinze horas.

Finalizo com a notícia de que o filme Kali – O Pequeno Vampiro, da realizadora portuguesa Regina Pessoa, foi selecionado pela UNESCO para ser exibido no próximo mês de Junho, em Paris, na mostra Panorama of Golden Nights em que são exibidos produções que aquela entidade considera “ património cultural internacional”.

Luísa Oliveira

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O Rei LeãoO Rei Leão (original: The Lion King; realizadores: Roger Allers e Rob Minkoff; distribuidor: Walt Diney, E.U.A. ,1994)

Após me ter sido proposto escrever sobre o filme da minha vida, e garanto-vos desde já que é uma grande responsabilidade, tive que aceitar este desafio que durante muitas horas me deixou a pensar sobre que filme deveria escolher. Isto porque é díficil selecionar um filme entre vários que me deixaram a refletir sobre inúmeras questões, que despertaram diversas emoções desde o choro às mais espontâneas gargalhadas, que me ensinaram lições e que, acima de tudo, me marcaram.

Foi díficil escolher um filme tendo em conta também o facto de que a minha vida nem vai a meio e possivelmente ainda poderei assistir a um filme que me marque para toda a vida e esse sim se torne o intitulado “filme da minha vida”.

Entretanto, e avançando para o que realmente interessa, acabei por fazer a minha escolha que se inclinou para um filme que me acompanhou toda a minha infância, isto é, dos meus cinco aos onze/doze anos mais ou menos. Um filme que ainda hoje me traz tão boas memórias, um filme do qual eu sei todas as falas de cor e, mesmo nos dias de hoje, consigo ver vezes sem conta e nunca me fartar. E esse filme é “O Rei Leão” da Disney.

Provavelmente muita gente iria questionar o porquê de ter escolhido um filme de desenhos animados e, além disso, iriam inclusive perguntar como posso considerar um filme de “bonecos” o filme da minha vida. Mas quanto a isso, eu posso responder de forma muito clara: sim, é de facto, um filme de desenhos animados, um filme direcionado especialmente para crianças. Porém, não se trata apenas e somente de um filme de animação e entretenimento. Se prestarmos atenção, este tipo de filmes são os que melhor passam as mensagens, bem como as lições de moral. São os que de forma não tão evidente (pelo menos até certa idade), nos fazem perceber como certos aspetos na vida funcionam. Foi o que aconteceu com este filme da Walt Disney.

O filme “Rei Leão” (irei focar-me no primeiro filme, embora tenha adorado também o segundo) foi e é um filme que, como já tinha referido, me ensinou algumas coisas que eu fui percebendo melhor à medida que fui crescendo e amadurecendo, e que ainda hoje me faz esboçar um sorriso, por um lado, de nostalgia, por outro, das boas recordações que tenho em mim.

A história do filme foca-se em Simba, filho de Mufasa, que muito cedo morre vítima do seu irmão Scar. Scar mata Mufasa, o rei leão3pois quer alcançar o poder do irmão e, depois da morte dele, obriga Simba a fugir da terra, culpando-o da morte de seu pai. Simba, que ainda era uma criança na altura, ouvindo tais palavras, não hesitou em fugir. Porém, ele não sabia que um grupo de hienas comandadas por Scar iriam atrás dele na tentativa de o matar para que não houvesse herdeiro do trono e Scar subisse definitivamente ao poder. Entretanto, Simba consegue escapar e conhece Timon e Pumba que se tornariam os seus companheiros para a vida. Com eles cresceu, sarou as feridas, aprendeu os hábitos de vida dos companheiros e foi em busca da sua própria felicidade.

Certa tarde, uma velha amiga de infância de Simba vai à caça e tenta capturar Timon e Pumba. Todavia, quando Simba sente a presença da leoa, lança-se para cima dela para a impedir de atacar os amigos. Eis que Nala (essa mesma leoa, amiga de Simba) o reconhece e ambos festejam o reencontro depois de todo aquele tempo sem se verem. No entanto, rapidamente a felicidade dá lugar às interrogações de Nala, que o interpela sobre o seu desaparecimento, o confronta com o facto de todos na sua terra o julgarem morto e afirma que ele tem que regressar, pois as condições do seu habitat (que também já fora de Simba) eram miseráveis, e ele tinha que assumir o trono e expulsar Scar de lá. Contudo, Simba estava cada vez mais confuso e não suportava a ideia de voltar, afetado ainda pelo sentimento de culpa em relação à morte do pai.

Após uma longa discussão com Nala, Simba decide caminhar à noite para refletir e chega a evocar o nome do pai através das estrelas, questionando porque é que ele o tinha deixado sozinho quando lhe tinha prometido que sempre estaria lá para ele. Lembro-me que esta foi a cena que mais me marcou em todo o filme, tendo até me escapado algumas lágrimas. Aparece um babuíno, chamado Rafiki, que conhecia Mufasa e soubera de toda a história. Ele surge e aconselha Simba, dizendo-lhe as seguintes palavras: “O passado pode doer, mas quanto a isso só há duas coisas a fazer: fugir dele ou aprender com ele.” É nesta cena que Simba fica decidido a voltar para sua terra natal, enfrentando o passado e lutando pelo trono.

Quando lá chega, todos os parentes, inclusive a mãe e conhecidos de Mufasa, ficam surpreendidos ao ver Simba que julgavam morto mas, evidentemente, ficam contentes com o seu regresso. Simba pensa num plano juntamente com Timon e Pumba para poder chegar até Scar e confrontá-lo. É nesse confronto que vem a surgir a verdade e Scar admite que fora ele quem matara Mufasa. Depois de uma grande luta, Scar acaba por ser alvo das próprias aliadas (hienas) que o devoram quando este cai de um precipício.

No final, Simba assume o trono e passado algum tempo, vem ao mundo a sua filha e de Nala, a quem deram o nome de Kiara e que viria a ser a protagonista do segundo filme.

Tenho a certeza que fui apenas uma das muitas crianças que se apaixonou por este filme. Recordo-me de episódios em que punha a cassete do filme – sim porque, nessa altura, ainda eram usadas cassetes antes de surgirem os DVD’s que hoje conhecemos – e mal o filme iniciava punha-me logo a cantar o tema inicial do filme desde o início ao fim. Também me lembro de saber todas as falas de cor (e ainda hoje sei) e recordo-me também de me pôr de gatas no meio do chão e imitar todas as cenas do filme como se eu mesma fosse a protagonista. A inocência e imaginação de uma criança são fantásticas, não é?

reileaoOutra coisa que me fascina neste filme (e que acontece com grande parte dos filmes da Disney) é, sem dúvida, a banda sonora. Quando somos mais novos não ligamos tanto ao significado das músicas, prestamos mais atenção ao ritmo, por exemplo. No entanto, agora que mais crescida, sempre que vou ouvir alguma música do filme interpreto o seu verdadeiro significado e consigo até indentificar-me com ela mesmo passado todos estes anos. Existe uma, que toda a gente conhece que se chama “Hakuna Matata” e que fala sobre deixar o passado atrás das costas e viver o presente, que é uma das mensagens que o filme passa a quem o vê e foi algo que eu aprendi com ele. Aprendi, também, que é preciso acreditar em nós e enfrentar as situações, pois fugir delas é estar a fugir de nós mesmos. Precisamos aprender com o passado, com os erros, e lutar para que no presente e no futuro tudo fique bem.

Para além destes aspetos, o filme também retrata o facto de estarmos rodeados de ganância, mas devemos ser superiores a toda essa ganância e mesmo inveja e não deixarmos de ser fiéis a nós mesmos, não deixar que essas pessoas nos tirem isso.

Este, certamente, será um filme que me acompanhará para toda a vida. Sempre que assistir ao “Rei Leão”, vou-me sentir criança outra vez, como se viajasse numa máquina do tempo. São incríveis as sensações e o impacto que um filme pode ter em nós. Farei questão, se possível, de um dia mostrar o filme aos meus filhos e partilhar com eles algo que acabou por fazer parte de mim e da minha vida.

Já vi muitos filmes, de todos os géneros: ficção científica, ação, suspense, drama, animação, comédia, romance, um ou outro histórico… E claro que alguns deles também estão na minha lista de filmes favoritos, contudo não me arrependo desta escolha que fiz e hei-de sempre considerar o “Rei Leão” um dos filmes da minha vida.

Sandra F. Matoso, 11ºE

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Neste período realizaram-se dois festivais que, apesar dos cortes orçamentais, já têm lugar de destaque no calendário do cinéfilo. Na 31ª edição do Fantasporto foram apresentados 307 filmes oriundos de 25 países que contribuíram para o êxito de bilheteira.  Alguns  destes filmes tiveram  estreia comercial em Março. Os prémios principais foram atribuídos  ao thriller psicológico Two eyes staring do holandês Elbert Van Strien,  que ganhou o Grande Prémio e o de Melhor Argumento e A Serbian Film de Srdjan Spasojevic com o  Prémio Especial do Júri. Maria de Medeiros foi distinguida com Prémio de Carreira e Pedro Sena Nunes recebeu o  1º prémio do cinema português neste festival.

Outro evento importante foi a 10 ª edição da Monstra festival de Animação de Lisboa que decorreu de 21 a 27.  A Holanda foi o país convidado e, entre outras iniciativas, procedeu-se a  uma retrospectiva do cinema de animação dos estúdios japoneses Ghibli, e  a uma competição de escolas de todo o mundo com 85 curtas-metragens. No encerramento apresentou-se um filme de dez minutos, de vários autores nacionais, sobre a arte na Primeira República. Piercing 1 do realizador chinês Liu Jian, uma reflexão sobre a China atual, recebeu o Grande Prémio, O Mágico de Sylvain Chomet o Prémio do Público e Cozido à Portuguesa de Natália Andrade o prémio entre as obras portuguesas.

O dinâmico cinema de animação português é reconhecido mundialmente e a prova disso  é o facto  de quatro dos sete filmes a concurso de 6 a 1 de Junho no Festival Internacional de animação de Annecy, em França, pertencerem  à produtora Sardinha em Lata.

Outra notícia interessante foi o facto da curta-metragem Alfama de João Viana ter conquistado o Grande Prémio na 12º edição do Festival Internacional do filme de Aubagne, principal acontecimento mundial consagrado à relação do cinema com o som. Entre as obras oriundas de 29 países, o júri considerou Alfama “ a melhor criação sonora para uma curta-metragem, pela função estruturante do som na escrita do guião”.

Quanto às estreias, em Março houve géneros para todos os gostos embora, nem sempre, de  qualidade. Da amálgama de estreias, os destaques vão  para obras já laureadas:  o drama comovente tendo com base a doença de Alzheimer de Poesia do realizador sul-coreano Lee Chang-Dong– prémio do Melhor Argumento no Festival de Cannes ; a comtemplação de Mel de Semih  Kaplanoglu da Turquia que venceu o Urso de Ouro no festival de Berlim de 2010; Camino de Javier Fesser, drama espanhol inspirado numa história verídica que ganhou seis Goyas, incluindo o de melhor filme espanhol de 2008.

Também merecem destaque A tempestade de Julie Taymor, adaptação da obra homónima de William Shakespeare,  O tio Boonmee (que se lembra das suas vidas anteriores) de Apichatpong Weerassethkul Tailândia e a acção de A maldição do faraó – as aventuras de Adèle Blanc-Sec de Luc Besson, baseado numa famosa série de banda desenhada francesa.

As comédias, como é usual, marcaram grande presença: Tens a certeza? de James L. Brooks;  Igualdade de sexos de Nigel Cole;  o francês Potiche – minha rica mulherzinha de François Ozon; Rédea solta de Bobby e Peter Farrelly; O agente disfarçado: tal pai, tal filho; Copacabana de Marc Fitoussi; Micmacs – uma brilhante confusão de Jean-Pierre Jeunet e o hilariante Manhãs gloriosas de Roger Michell sobre o mundo  dos programas matinais  da televisão.

Também marcaram presença em Março os filmes de acção: Os agentes do destino de George Nolfi  –  thriller romântico baseado num conto de Philip K. Dick ; O Profissional de Simon West; Homens de negócios de John Wells, Época das bruxas de Dominic Sena, sobre um herói das Cruzadas e Guerreiros do Amanhã de Stuart Beattie, uma aventura da Austrália.

Os  apreciadores de ficção científica ou terror podem escolher entre Ritual de Mikael Hafstrom inspirado em factos reais  sobre exorcismo, Mutante de Vincenzo Natali ou o terror espanhol de O exorcismo de Manuel Carballo, Sou o número quatro de D. J.Caruso, Perigo à espreita de Antti Jokinen e ainda  Monsters – zona interdita, ficção de Gareth Edwards, e Sucker Punch- Mundo surreal de Zack Snyder.

Para entreter o público infantil tivemos Rango de Gore Verbinski, Zé Colmeia de Eric Brevig, Gnomeu e Julieta de Kelly Asbury animação  inspirado na peça de William Shakespeare, Alpha & Omega de Anthony Bell e Ben Gluck  e Winx Club 3D : a aventura magica de Iginio Straffi.

Registaram-se  ainda as estreias de E o tempo passa de Alberto Seixa Santos, Filme Socialismo de Jean-Luc Godard e Em último recurso de Baltasar Kormákur.

Por fim, documentários com algum interesse: Chelsea hotel de Abel Ferrara sobre o mais icónico hotel de Nova Yorque que enfrenta uma ameaça de despejo e Os 2 da (nova) vaga, de Emmanuel Laurent,  sobre os cineastas franceses François Truffaut e Jean-Luc Godard, fundadores do emblemático movimento cinematográfico  Nouvelle Vague.  Especialmente dirigido aos adolescentes  o musical Justin Bieber: never say never,   de Jon Chu sobre a ascensão do jovem ídolo que se tornou uma estrela no mundo da música .

De 1 a 10 Abril, no cinema São Jorge,  vai realizar-se a 5ª Mostra do Documentário Português Panorama, um género que  cada vez tem mais adeptos. Esta edição  vai centrar-se num período pós 25 Abril de 1974, conturbado mas saudoso para alguns, o PREC.

De 14 a 21 Abril realiza-se a 4º edição de 81|2 – Festa do Cinema Italiano cuja programação, em Lisboa, divide-se entre o cinema Monumental e o espaço Nimas. A partir desta data e até 8 Maio a festa continua em Coimbra, Porto e Funchal.

Luísa Oliveira

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O Escritor fantasma, como já se previa, foi o grande vencedor dos Prémios do Cinema Europeu arrebatando seis estatuetas. O realizador Roman Polanski  agradeceu a distinção, por videoconferência, dado os problemas que vem enfrentando com a justiça americana. Nos restantes prémios, Sylvie Testud ganhou o de melhor actriz pela sua interpretação em Lourdes, o prémio Carlo di Palma para a melhor fotografia foi para Lebanon de Samuel Maoz , o de melhor montagem para Carlos de Olivier Assayas,  tendo O Mágico sido galardoado com o de melhor filme de animação.

Curioso é o  facto de Mistérios de Lisboa ter sido considerado o melhor filme de 2010 em França, pelo júri do prémio Louis Delluc, constituído  por um grupo de vinte personalidades e críticos do cinema francês. A RTP vai exibir o filme numa minisérie de  seis episódios. Ainda sobre o cinema português, a revista norte-americana New Yorker incluiu os filmes  O estranho caso de Angélica de Manoel de Oliveira, Aquele querido mês de Agosto de Miguel Gomes e Ne change rien de Pedro Costa na lista do Top 15.

O ano terminou com apresentação de duas preciosidades da cinematografia nacional, agora em formato digital. Assim, tivemos oportunidade de rever  Aniki Bóbó uma realização de 1942 do veterano Manoel de Oliveira e o documentário de 18 minutos Douro, faina Fluvial de 1929.

Mas como as festas natalícias são tradicionalmente  dirigidas ao público infantil, os filmes de animação dominaram as estreias do mês: Planeta adormecido de Manuel Abrantes, Lígia Ribeiro  e Luciano Ottani; Megamind de Tom McGrath; As aventuras de Sammy: a passagem secreta de Ben Stassen; a 50ª longa-metragem da Disney Entrelaçados de Byron Howard e Nathan Greno, o  belíssimo O Mágico de Sylvain Chomet, a partir de um argumento inédito de Jacques Tati, e  a magia das personagens de C.S. Lewis, que ganham vida em As crónicas de Nárnia: a viagem do caminheiro da Alvorada de Michael Apted. Também dirigida aos jovens,  a adaptação da banda desenhada, Scott Pilgrim contra o mundo de Edgar Wright  ganhou dois prémios da International Press Academy.

As comédias  estiveram presentes com os divertidíssimos A tempo e horas de Todd Phillips,  Não há família pior de Paul Weitz , o humor singular de Encontros em Nova Iorque de Nicole Holofcener, e os franceses Mammuth de Benoit Deléphine e Gustave de Kervern e O amor é melhor a dois de Arnaud  Lemoit e Dominique Farrugia. Também de assinalar a ficção científica  com Skyline de Colin e Greg Strause,  o musical Burlesque de Steve Antin, com Cher, e a produção conjunta da Alemanha e Casaquistão Tulpan de Sergei Dvortsevoy.

No campo dos filmes de acção, estrearam-se  Jogo Limpo de Doug Liman, e Stone- ninguém é inocente de John Cunan .

Por fim, o estranho documentário I’m still here de Casey Affleck sobre  o suposto abandono da carreira de actor de Joaquin Phoenix.

Porém, de todas as estreias, o meu destaque vai para os seguintes filmes : a obra espanhola Cela 211 de Daniel Monzón, um  intenso trhiller premiado com oito Goyas, Katalin Varga de Peter Strickland, um assombroso  filme sobre vingança, passado na Roménia e falado em húngaro, e A última estação de Michael Hoffman, a partir da adaptação do livro de Jay Parini sobre os últimos dias do carismático Leo Tolstói, com excelentes interpretações de Hellen Mirren e Christopher Plummer.

Continua o período da entrega de prémios, neste caso, das Associações Nacional de Críticos de Cinema dos EUA  e de Críticos de Cinema de Los Angeles que distinguiram  o filme Rede Social de David Fincher com os prémios de  melhor filme, realização, actor e guião. Já se conhecem também os nomeados para a 68ª edição dos Globos de Ouro com The King’s  Speech a liderar com sete nomeações. Em Janeiro saberemos quem irão ser os vencedores.

Quanto ao balanço de  2010, as preferências nos cinemas portugueses foram para  os filmes  em 3D, liderados por Avatar, obras de  animação como Shrek e a saga Twilight.  Mas eu relembro Precious, Invictus, O laço branco, O segredo dos seus olhos, Vão-me buscar alecrim, Uma outra educação, Lola e muitos outros que nos fazem sonhar e passar bons momentos  de alegria e emoção.

Termino com referência  a um movimento de curtas-metragens que pretende revolucionar os hábitos culturais, Shortcutz,  que integra o LABZ, uma plataforma internacional para a  promoção de talentos na área da cultura urbana. Em Lisboa, o encontro é no bar Bicaense, na Rua da Bica às 3ª feiras à noite .

Para manter a tradição, esperemos que 2011 traga bons filmes para amenizar a época de crise .

Luísa Oliveira

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Outubro foi o mês do Doclisboa que mais uma vez constituiu um sucesso  devido à qualidade das obras apresentadas que  despertaram o interesse de um vasto público . O vencedor da edição deste ano foi El Sicario Room 164 do italiano Gianfranco Rosi, um longo monólogo confessional de um assassino contratado a soldo dos traficantes de droga mexicanos. O vencedor da Competição Portuguesa nas categorias  de longas e médias-metragens  e do Prémio Escolas coube a Li Ké Terra de Filipa Reis, João Miller Guerra e Nuno Baptista  que acompanha o quotidiano de dois jovens de ascendência cabo-verdiana na sua busca de um futuro em Portugal.

Ainda sobre festivais portugueses, vai realizar-se de 5 a 14 de Novembro a 4º edição do Estoril Film Festival com a apresentação de várias produções europeias. Os realizadores  Abbas Kiarostami, Elia Suleiman , Stephen Frears  e o actor John Malkovich, entre outros, vão marcar presença nesta edição cujo programa completo pode ser consultado em  aqui.

De 8 a 14 de Novembro, certamente que muitos apreciadores de cinema se deslocam a Espinho onde decorre a 34ª edição do CINANIMA , Festival Internacional de Cinema de Animação com o interessante programa em www.cinanima.pt.

Na Aula Magna em 5 e 6 de Novembro realiza-se uma iniciativa curiosa , a Lisbon Film Orchestra, com a interpretação de  bandas sonoras de grandes sucessos de bilheteira.

No que respeita às estreias do mês,  a produção nacional apresentou duas obras de Ivo Ferreira: a curta-metragem O estrangeiro e o interessante  documentário sobre emigração Vai com o vento, expressão de despedida que se usa na China quando alguém  vai partir para longe.

Também estreou-se a curta-metragem Shoot me de André  Badalo, vencedora do  Prémio do Público no Festival Internacional de Cinema de Milão e Menção Honrosa no Los Angeles Movie Awards, e Quero ser uma estrela de José Carlos Oliveira.

Facto curioso é a excelente recepção que tem tido  em França o longuíssimo Mistérios de Lisboa do chileno Raúl Ruíz e produção de Paulo Branco, baseado na obra homónima de Camilo Castelo Branco, escrita  em 1854 .  Como continua em cartaz  deve ser visto, pois é considerado por alguns uma obra-prima.As comédias   estreadas foram Mac Gruber –licença para estragar de Jorma Taccone, uma paródia ao famoso herói dos anos 80 MacGyver, É a vida de Greg Berlanti,  Uma família moderna de Ferzan Ozpeek , Sempre que te vejo de Burr Steers e Agentes de reserva de Adam Mckay com o actor cómico Will Ferrell.

As produções francesas marcaram presença com os dramas  O pai das minhas filhas de Mia Hansen- Love , filme  sobre desespero inspirado na história do produtor Humbert Balsan, Arrependimentos de Cédric Kahn , O refúgio de François Ozon , a magia do circo ambulante em  36 vistas do Monte Saint-Loup de Jacques Rivette  e  a biografia de um ícone francês em Gainsbourg- vida heróica de Joann Sfar .

O tema dos vampiros é retomado com o remake  americano de um recente filme sueco Deixa-me entrar de Matt Reeves . Com algum interesse , o irlandês Ondine de Neil Jordan,  O último Verão de Boyta da argentina Júlia Solomonoff,  e  Só eles de Scott Hicks .

Para entreter as crianças e não só,  os filmes de animação  Lenda dos guardiões de Zack Snyder e Gru- o maldisposto de Chris Renaud e Pierre Coffin.

O terror  esteve presente no claustrafóbico   Rec2 de Jaume Balagueró e Paço Plaza , em O último exorcismo de Daniel Stamm, A nova filha de Luís Berdejo, na sequela Actividade paranormal 2 de Tod Williams e  na ficção científica   alemã Pandorum- universo paralelo de Christian Alva .

Os fãs de trash-metal podem ocupar, ainda, os dias de Outono assistindo ao documentário de The Big 4 de Nick Wickham sobre o Festival Sonisphere que juntou as bandas Metallica, Slayer, Megadeth e Antrax.

Termino referindo o filme do mês A cidade realizado e protagonizado por Ben Affleck, um dos filmes mais aclamados no Festival de Toronto. Este thriller com acção em Boston  tem recebido as melhores críticas  no que é considerado um filme de polícias e ladrões à moda antiga. A história de um crime é humanizada  não só pelo argumento como pelas boas interpretações dos actores . Com este filme Ben Affleck , que se estreou na realização  em 2007com o perturbante Vista pela Última vez, impõe-se cada vez mais como um  aclamado realizador .

Luísa Oliveira


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Ver a animação original de 1894, reproduzida nesta recriação: aqui

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Fonte: MauroCesarx

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Interessante (e muito pouco “linear”) esta combinação entre a interactividade, permitida pelas hiperligações, e a  animação, nesta história que aparentemente vai sendo construída  pelo lápis do desenhador em função das escolhas do espectador.

Assim, decida você mesmo o destino desta Linha, clicando, cada vez que a personagem pedir, num dos botões que vão aparecendo no ecrã à esquerda, neste filme de Patrick Boivin.



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O mês de Novembro foi marcado pela estreia da  aguardada e desejada  Lua Nova de Chris Weitz, sobre os amores e desamores de vampiros adolescentes  e que  atraiu muitos jovens (e não só) às salas de  cinema.  Ainda sobre vampiros (um tema que está na moda), está em exibição Circo dos horrores: o assistente do vampiro, de Paul Weitz.

No género de terror exibiram-se A maldição de Molly Hartley, de Mickey Liddell e Pandemia, de David e Alex Pastor.

Quanto a documentários, estrearam-se  os  portugueses  As ruas da amargura, de Rui Simões, que apresenta exemplos de percursos de vidas complicadas e Ne change rien, de Pedro Costa, sobre a cantora Jeanne Balibar. O polémico Michael Moore, com Capitalismo : uma história de amor, trata da crise financeira que começou em 2007, criticando também as medidas governamentais de estímulo à economia.

Um filme a não perder é Tetro, do cineasta clássico Francis Ford Coppola que, numa obra a preto e branco, faz a desmontagem das relações entre irmãos.

Destacam-se, também, o drama New York, I love you, de vários realizadores e com um elenco interessante,  o musical Step Up 2, de Jon Chu, o thriller de Rian Johnson, Irmãos Bloom, assim como a comédia dramática com lições de gastronomia Julie e Julia, de Nora Ephron, a partir da biografia da famosa cozinheira Julia Child  e representada pela fabulosa Meryl Streep. Os apreciadores de épicos de guerra podem assistir a O milagre em Sant’ Anna, de Spike Lee e James Mc Bride , sobre quatro soldados afro-americanos em Itália durante a 2ª  Guerra Mundial.  Interessante é a comédia Cliente , de Josiane Balasko, que teve antestreia na Mostra de Cinema Francês.

O mês também foi marcado pela estreia do filme catástrofe da temporada 2012, de Roland Emmerich, a partir de uma lenda da antiguidade baseada no calendário Maia que defende  que haverá um cataclismo  naquela data. No entanto, não passa de uma sucessão de efeitos especiais. Também de ficção científica mas com um cariz filosófico  é o magnífico  Moon – Outro lado da Lua, de Duncan Jones.

Como vem aí a quadra natalícia, é oportuno assistir a uma nova versão da obra homónima de Charles Dickens Um conto de Natal, de Robert Zemeckis .

Ainda sobre o Estoril Film Festival,  o cineasta grego Yorgos Lanthimos foi o vencedor do Grande Prémio com  o polémico filme Dogtouth que conta a história de uma família a viver nos arredores de uma cidade, numa casa-prisão, onde as crianças não têm contacto com o mundo exterior.

Quanto ao Cinanima 09, 33º Festival internacional de cinema de animação, que decorreu de 9 a 15 em Espinho, o Grande Prémio foi atribuído ao galardoado  Chris Landreth com  uma curta de onze minutos, The Spine, que apresenta a história de um casal em processo de interdependência e destruição.  O francês Logorama, de vários autores, recebeu o Prémio Especial do Júri e o Melhor Filme Português (Prémio António Gaio) foi atribuído a Nuno Beato com Mi vida en tus manos.

Sobre o mundo ( português) do cinema,  refira-se que o ABC Cineclube está a apresentar até 18 de Dezembro, na Sociedade Portuguesa de Autores, um ciclo intitulado  Filmes esquecidos. O interesse  desta iniciativa é o facto dos doze filmes não terem sido estreados nas salas.

Profª Luísa Oliveira


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