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Archive for Fevereiro, 2020

No dia 29 de janeiro de 2020, decorreu na ESDS a Oficina de Escrita criativa orientada pelo escritor David Machado. Tratou-se de uma iniciativa enquadrada no Festival READ ON, projeto cofinanciado pelo programa Europa Criativa, da União Europeia, a decorrer em Almada. A oficina de escrita foi dirigida sobretudo a jovens do ensino secundário e nela se inscreveram alunos de diversas turmas de 11º e 12º anos.

O laboratório de escrita criativa decorreu em três fases: um primeiro momento de reflexão/debate sobre a importância da literatura, do ato de escrita e da função das histórias e das narrativas na nossa vida social e pessoal. Nesta fase inicial, o testemunho de David Machado e o seu diálogo com os alunos foi muito importante para clarificar e concretizar o que é o ofício de escritor e o processo de escrita.

O segundo momento aconteceu já à mesa de trabalho e correspondeu a um brainstorming que levou os alunos a esboçarem uma história multicéfala mas coesa. Cada ideia um caminho novo para uma narrativa que teria de ser verosímil, cada pormenor teria de justificar a sua própria existência e nunca defraudar o leitor. Sob o olhar técnico e arguto do escritor David Machado, os alunos tiveram oportunidade de perceber que numa história nada está ao acaso. O estado de vigilância tem de ser permanente, inclusivamente, para evitar preconceitos e clichés que navegam nas ideias e que poderão contaminar a criatividade da escrita. Foi um momento muito divertido e enriquecedor do processo de criação de texto.

Depois do exercício de oralidade, que “aqueceu” a imaginação do grupo, veio o terceiro momento. Nesta fase, os alunos foram convidados a iniciar o processo de escrita criativa da sua história. Um processo solitário de redação de uma história individual que partiu de uma ideia original de cada aluno Cada um dos 15 textos deveria integrar no seu enredo o tema Green Revolution – Revolução Verde.

Os resultados foram muito interessantes e, apesar de não ter sido possível a David Machado comentar a construção de todos os textos, as suas observações foram muito úteis para o coletivo. Incidiram sobre o modo como cada narrativa consegue “agarrar” o leitor, o modo como se ganha ou perde o leitor a partir de situações ou frases que quebram o encantamento da história no imaginário de quem a lê. Ouviram-se fragmentos de histórias. Narrativas inesperadas, puras, tocadas pela magia das primeiras escritas criativas.

O trabalho de criação continuou em casa. Mas aqui, na escola, os alunos envolveram-se realmente na experiência e no final da oficina tinham ainda mais dúvidas a esclarecer e perguntas a fazer a David Machado, que sempre disponível partilhou a sua experiência literária.

A Biblioteca da ESDS agradece a todo o grupo de alunos envolvidos, bem como a todas as professoras que colaboraram na divulgação da iniciativa.

Um agradecimento muito especial ao escritor David Machado pela sua partilha de experiência e pelo conhecimento que nos transmitiu. Próximo encontro: Festival Read On – Concurso de Escrita Criativa.

Dulce Sousa

(Prof. Bibliotecária ESDS/AEDS)

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Num tempo em que o plástico constitui uma ameaça para o ambiente, fazer a apologia do mesmo é não só ir contra a corrente como poder ferir suscetibilidades.

Apontado como um material nocivo, poluente, responsável pela causa de morte nos oceanos, tido como algo que as pessoas desejam freneticamente substituir, o plástico tornou-se o alvo a abater.

Patente no museu de Leiria, a exposição “Plasticidade – uma História dos Plásticos em Portugal” mostra um conjunto de objetos que vão desde materiais de construção a móveis, próteses, tintas, automóveis, computadores, obras artísticas… ilustrando como este material revolucionou a vida quotidiana.

A exposição corresponde uma das metas de um projeto coordenado por Maria Elvira Callapez, especialista em História dos Plásticos e investigadora na FCUL.

cadeira de Vernon Panton

Distinguida com o prestigiado prémio Dibner, o qual seleciona museus e exposições que melhor comuniquem ao público a história da tecnologia, da indústria e da engenharia, esta exposição apresenta outro olhar sobre este tão mal-amado material.

O surgimento do plástico, no séc. XIX, teve desde logo uma causa nobre: salvar os elefantes. Isto porque se matavam elefantes para lhes retirar o marfim dos dentes com o qual se fazia, entre outros objetos, bolas de bilhar e, dada a escassez destes animais, em determinada altura, alguém teve a ideia de lançar um concurso para o fabrico destas peças com um material sintético.

Deve-se então ao investigador inglês, Alexander Parkes, a criação do primeiro plástico, “Parkesine”. O estudo e as técnicas desenvolvidas permitiram não só a criação das bolas de bilhar como cabos de facas, travessões, botões de punho, etc mas sucederam-se alguns problemas e o material teve de ser aperfeiçoado até se instalar definitivamente. Hoje é “uma macromolécula que existe para a eternidade”, refere a mesma especialista, exaltando as suas inúmeras qualidades, tantas que conseguiu destronar os materiais tradicionais até então. Era usual a utilização de peças como baldes de zinco, pesados e barulhentos, máquinas de costura em ferro, difíceis de transportar, ferros de engomar, em ferro, entre tantos outros, impossíveis de coadunar com a vida moderna. O plástico tornou-se num material de consumo generalizado e a sua aplicação na indústria alterou não só o processo de fabrico, usando-se técnicas de moldes, como as formas dos objetos foram alteradas. A indústria do mobiliário sofreu uma autêntica revolução devido ao baixo custo, à durabilidade e à democraticidade do seu uso.

A cadeira Panton foi a primeira cadeira em plástico que rapidamente se converteu num ícone da Pop Art, produzida apenas com uma operação maquinal e feita de uma só peça, com a forma de um S, foi criada pelo designer dinamarquês Verner Panton, na década de 1960.

Mas outras áreas como a medicina, em que este material é imprescindível, quer no fabrico de próteses, válvulas que se colocam no coração, fios de operação que depois serão assimilados pelo corpo, etc, torna impensável afastá-lo do quotidiano.

Por outro lado, imagens como a que Rich Horner captou ao mergulhar no mar, na Indonésia, e à qual se referiu como “Garrafas de plástico, copos de plástico, folhas de plástico, baldes de plástico, saquetas de plástico, palhas de plástico, cestos de plástico, sacos de plástico, mais sacos de plástico, plástico, plástico, muito plástico”, alarmam-nos obviamente.

Ou a fotografia de um trabalhador chinês numa operação de reciclagem de garrafas de plástico, nos arredores de Pequim.

Fotografia de Fred Dufour

A culpa não é do plástico, insiste Maria Elvira Callapez, mas sim de comportamentos pouco cívicos, não é o plástico que mata e sim as ações de má utilização. E acrescenta que nos anos 60, nos Estados Unidos, alguns trabalhadores morreram em fábricas de plástico, tendo logo sido atribuída a causa da morte ao material, quando o que aconteceu foi a inspiração de uma substância tóxica quando esses trabalhadores entraram nos reatores, para os limpar, afirmando que hoje isso já não acontece.

O modelo de sociedade consumista, surgido após a segunda guerra mundial, desencadeou uma vertigem de consumo, fomentada pela publicidade, que continua a criar novas necessidades e ansiedades.

A urgência de travar esta onda gigantesca tem trazido à razão algumas questões sobre o equilíbrio ambiental e nomeadamente sobre a ecologia, realçando-se a importância da política dos 3 Rs (reduzir, reutilizar e reciclar). Também uma maneira de estar na vida, minimalista, emerge um pouco por todo o lado, defendendo a redução e reutilização dos produtos.

São pessoas que, cansadas do consumo excessivo, perceberam que menos é mais, um pouco à semelhança do que o arquiteto Mies van der Rohe afirmou “less is more”, quando prescindiu da ornamentação e se concentrou no essencial, no depuramento da forma. A felicidade já não passa pelos bens e produtos de consumo com que enchiam as suas casas, agora dirigem a atenção para o exterior e para os comportamentos irresponsáveis de todos nós que, movidos pelo interesse e ambição de alguns, um dia sonhámos ser felizes adquirindo mais e mais.

Portanto, torna-se urgente adotar medidas que respeitem o ambiente, que privilegiem a reutilização e só depois a reciclagem, uma reciclagem com controlo e qualidade.

Há também a boa notícia de um grupo de cientistas da universidade de Portsmouth, no Reino Unido, ter melhorado uma enzima, intitulada “PETase”, capaz de digerir polietileno tereftalato (PET), um plástico duro que leva centenas de anos a degradar-se. Tendo sido descoberta, no Japão, uma bactéria que se alojava nos sedimentos de um centro de reciclagem de garrafas de plástico, tendo depois evoluído e começado a digerir o plástico, usando-o como principal fonte de energia, e produzindo uma enzima que esses investigadores começaram a estudar de uma maneira mais aprofundada a ponto de acreditarem que pode revolucionar o processo de reciclagem dos plásticos.

O plástico veio para ficar e é impensável viver sem ele, como tal devemos respeitá-lo mais, é o que esta exposição nos diz.

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Os ritmos quentes de Havana invadem a ESDS

No âmbito do projeto “Há música na Biblioteca”, apoiado pelo Clube da Música, no dia 23 de Janeiro, entre as 13:40H. e as 15:15H., a professora Paula Duque “abriu à escola” o acesso a uma das suas aulas do módulo 9 – Instrumentos Rítmicos – da disciplina do 12º Ano de Expressão Corporal, Dramática e Musical, da turma J , do Curso de Técnico de Apoio à Infância, durante a qual decorreu um workshop de percussão, ministrado pelo professor cubano – Hector Marquez, graduado no Curso Superior de Música, na área da percussão, pelo Conservatório de Havana.

Depois de se ter apresentado, o professor nomeou os instrumentos de percussão, que levou consigo para a aula, explicou e exemplificou como cada um deles produzia som, tendo concluído esta primeira parte informando os presentes de como aqueles são afinados e em que tipo de música são mais utilizados. Seguidamente, falou das técnicas implícitas à forma de tocar timbales e “guyro” (com baquetas), cajon, bongô, conga e pandeireta (com as mãos).

Após esta fase, passou-se à parte prática do “workshop”, tendo os presentes sido divididos em vários grupos de seis elementos, os quais tocaram entusiasticamente diversos ritmos, em conjunto, seguindo as orientações e instruções do professor, com e sem a sua participação.

A seguir, os alunos colocaram algumas questões, às quais o professor respondeu, tendo assim esclarecido todas as dúvidas que surgiram.

Por fim, a professor fez uma demonstração de como tocar simultaneamente quatro dos instrumentos utilizados durante o workshop, que culminou num aplauso geral.

Paula Duque

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