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a pedra e palavra

Decorreu este ano a 4ª edição do Concurso Literário A Pedra e a Palavra. Neste concurso propõe-se aos alunos do 12º Ano que escrevam um texto  em que interpretem, a partir da sua própria experiência individual, as impressões provocadas por essa interação entre a palavra e a pedra: a leitura da obra literária de Saramago e a experiência física/sensorial da visita ao Convento de Mafra, a fantasia da ficção e a materialidade do monumento.

Nesta edição foi selecionado o texto da Isabel Curioso do 12ºA, premiada com uma obra do mesmo autor. Fica então a seguir publicado o texto da Isabel.

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Memorial do Convento é muito mais do que uma célebre obra de José Saramago. É, tal como o próprio título indica, quase como um livro de lembranças, algo que nos conta acontecimentos passados para que estes não caiam no esquecimento. No entanto, esta imortalização dos factos históricos não depende apenas da história. É uma escolha individual: guardar na memória o que foi lido apenas para o usar num teste de Português ou fazê-lo com outra intenção?

João V, o Magnânimo, cansado de viver na sombra do “Rei-Sol” e cego de vaidade ordena a construção de um convento em Mafra, afirmando ser em honra da sua filha, ainda por nascer. Na satisfação deste capricho real, homens foram escravizados e vidas sacrificadas, numa edificação que se irá provar desrespeitadora dos direitos do povo (se é que de facto existiam…).

isabel curiosoPara o rei e a sua corte megalómana, o povo era um mero meio para atingir um fim repleto de fatuidade. Porém, para o autor do Memorial do Convento, os trabalhadores eram muito mais do que isso. Do Alcino ao Zacarias, Saramago enuncia, individualiza e, consequentemente, retira do anonimato todos os portugueses que, por pertencerem a uma classe social mais baixa, foram apagados da História. Apesar de somente D. João V ter sido aclamado pela construção (parcial) do convento, o escritor certifica-se de que o povo é lembrado e encontra uma história onde pertença.

Com esta ideia em mente, encarar da mesma forma o imponente Convento de Mafra será uma tarefa difícil. O que outrora fora visto apenas como pedra é, agora, eco dos esforços de muitos homens, mulheres e crianças portuguesas. No fundo é aqui que nasce a interação entre a pedra e a palavra: “Todos somos seres culturais, por um olhar, por um entendimento, conseguimos ir mais fundo que a superfície das coisas. E isso, esse aspeto complexo, é o que impede que o Memorial seja lido em linha reta”, como o próprio José Saramago afirmou.

Deste modo, o Convento de Mafra não será apenas mais um majestoso monumento, mais um local a visitar. A palavra, e todo o sentido que o escritor lhe confere, leva-nos a algo “mais fundo que a superfície das coisas”, leva-nos a um momento de introspeção. De certa forma, podemos considerar que este era um dos objetivos de Saramago ao entrelaçar realidade e ficção. Para concluir, a história do Memorial do Convento permite-nos refletir acerca da História de Portugal.

Isabel Curioso, 12ºA

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feira do livro dado

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Conforme tinha sido anunciado aqui no Bibliblog, realizou-se hoje, pelas 10:15, o encontro com Hugo Teixeira. O ilustrador e autor de BD explicou e demonstrou a turmas do 8ºe 9ª ano a sua técnica de desenho, desde o esboço até à prancha de BD e finalmente à impressão.

Os alunos puderam questioná-lo sobre a sua a sua técnica e o seu percurso como artista, as suas influências e gostos em termos de BD, a relação entre a o argumento e a ilustração. Perguntas que o autor foi respondendo, ilustrando muitas vezes as respostas com imagens do seu processo de trabalho.

No final, como havia sido prometido, os que adquiriram os seus livros tiveram direito a autógrafo-desenho personalizado.

Fernando Rebelo (PB)

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“Da Montanha para o Livro” – João Garcia, todas as Alturas são boas para a Leitura

AEDS, 23 de março de 2017

O alpinista João Garcia, o 1º português a atingir o cume do Evereste (8.848m) e a ascender às 14 montanhas mais altas do mundo, com mais de 8.000m de altitude, sem auxílio de oxigénio artificial, relatou a sua experiência de vida em 4 livros:

  • A Mais Alta Solidão
  • Mais Além- depois do Evereste
  • 10 Passos para atingir o topo
  • 14# – Uma Vida nos Tectos do Mundo

O AEDS teve o privilégio e o prazer de o receber como convidado na Quinzena da Leitura. Neste encontro com alunos e professores do ensino básico e secundário das escolas de Vale Rosal e Daniel Sampaio, o alpinista falou de sucessos e insucessos, fundamentou as suas palavras com conhecimentos de geografia (relevo, clima, meteorologia), biologia (o corpo em altitude, congelamento, mal de altitude) e metodologia de treino. Falou da inteligência emocional, do racional e da tomada de decisões em situações limite. Falou das diferentes conceções do mundo na Europa e na Ásia. Falou das características que nos tornam mais fortes e que são imprescindíveis para que consigamos atingir o topo de qualquer projeto, seja o nosso Evereste um curso de engenharia, de turismo, ambiente, literatura ou desporto. Falou do que o motivou à escrita: a necessidade de clarificar realidades, de refletir em voz alta, de partilhar e agradecer um trabalho de equipa protagonizado por si. Falou da escrita como o modo de expressar um projeto de vida – 17 anos de paciência, determinação, trabalho, persistência, acreditando sempre que as 14 montanhas mais altas do mundo, um dia, poderiam também ter a pegada de um português. “Quando iniciei este projeto, mais gente tinha pisado a Lua do que estado no cume do Evereste na Terra.”

Perante tal testemunho, as perguntas dos alunos e professores foram surgindo. Primeiro tímidas, depois curiosas, indagadoras do pormenor, quer no domínio da vida em montanha, quer na gestão dos afetos. Umas foram “caso pensado”, fruto da leitura e reflexão prévia (questionário on-line) realizada a partir do 5º capítulo do livro A Mais Alta Solidão, atividade organizada pelas Bibliotecas (DS+VR) com o apoio de professores de Português, Geografia, Educação Física, Cidadania e TIC. Outras despontaram com a graça da curiosidade espontânea de quem descobre uma realidade nova.

Durante esta manhã, 23 de março, João Garcia fez-nos viajar até ao mítico Oriente, até à inacessibilidade das montanhas de neves eternas. Como se isso não bastasse, oferece-nos também a partilha da viagem através da leitura dos seus livros, pois ler é sempre Ler para Ser.

E já na manhã seguinte muitos tinham lido os seus livros autografados. Lido por prazer.

Obrigada a todos.

Dulce Godinho (PB- BEVR)

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