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Archive for Junho, 2017

verão 17

imagem editada daqui

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Foram entregues na biblioteca os prémios aos alunos que ganharam o concurso de poemas fomentado pelo Clube Europeu, Grupo de Inglês e a BE da ESDS, subordinado ao tema Human Values. Os poemas vencedores já foram publicados aqui no Bibliblog em artigo anterior.

 

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ED_livrolivre1O Livro Livre é uma outra forma de comemorar os 40 anos do 25 de Abril dando a conhecer a crianças e jovens este marco da História de Portugal e o seu legado. Celebra os direitos e as liberdades fundamentais consagrados na Constituição de 1976 como a sua principal herança e destaca a responsabilidade do que é viver em democracia.

Tomando como referência este momento de conquista histórica, fruto da luta e do trabalho de muitos, militares e civis, o Livro Livre apela ao espírito da liberdade e convoca o leitor a participar numa atividade criativa, como co-autor do livro. Desafia-o a resgatar as memórias de quem viveu este período e registar estas experiências. Através de breves enquadramentos históricos, ilustrações sugestivas e propostas de atividade diversificadas, este livro constrói um espaço para a reflexão sobre o significado do 25 de Abril

(sinopse FNAC)

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O projeto foi apresentado à nossa turma, 9º C da ESDS, pela prof. de História Anabela Rodrigues e, em colaboração com Educação Visual, desenvolvemos o projeto Livro Livre.

Primeiramente analisámos os conteúdos já presentes no livro, depois realizámos diversas pesquisas documentais na biblioteca da escola e testemunhais junto da geração que viveu o 25 de Abril de 74.

Depois reflectimos individualmente sobre os conteúdos propostos pelo livro, que nos questionava sobre temas de cidadania, levando-nos a emitir uma opinião que mais tarde registaríamos no livro.

Mas a questão da criatividade  também foi importante, pois o preto e branco do livro antes de passar pelas nossas mãos necessitava cor e personalização: assim pintámos, modificámos páginas, e adaptámos o livro à maneira de cada um.

A turma gostou de participar no projeto, pois foi o testemunho de algo importante, conseguindo-se inclusivamente aprender mais com o Livro Livre do que com os manuais de História. Como etapas mais marcantes do processo destaco as entrevistas a quem viveu intensamente esse período. Foi igualmente fundamental, o trabalho de colaboração entre a nossa DT, as professoras de História e Educação Visual e as nossas famílias.

Fomos convidados para apresentar os nossos projetos pessoais no Museu do Aljube e aí pudemos dar testemunho aos presentes não só da nossa experiência individual mas de toda a turma.

Margarida Lopes, 9ºC (testemunho)

 

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Desde o ano letivo de 2012-13 que a BE tem promovido em colaboração com o grupo de Português a realização de um Portefólio de Leitura no Ensino Básico, cujos objetivos seriam dar forma a um projeto individual de leitura dos alunos, integrando quer as leituras curriculares, quer as escolhas dos alunos.

Apesar de não se ter conseguido generalizar esta prática, a prof. Rosa Silva tem sido admiravelmente perseverante, acreditando nas potencialidades deste projeto e apresentando resultados que temos vindo a publicar todos os  anos.

Desta vez, a seleção dos 3 melhores portefólios entre os seus alunos premiou os Portefólios da Sara Boisseau, do Bruno David e da Inês Martins, do 9ºC, cujos portefólios a seguir publicamos, quer em excertos, quer na sua integralidade.

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Sara Boisseau, Bruno David e Inês Martins com os livros que premiaram o seu trabalho

O meu perfil de leitor

Eu sou uma pessoa aberta a novas experiências e estou sempre pronta para novos desafios. Considero-me uma apaixonada pela leitura.

Os livros são os nossos segundos pais. Ajudam-nos a crescer e dão-nos ferramentas para podermos orientar a nossa vida, presente e futura. Ao ler, formamos uma ideia própria e madura acerca de variadíssimos assuntos. Lendo, falamos e escrevemos melhor e mais rapidamente, com um vocabulário muito mais rico do que aquele que não possui essa prática. Ler enriquece os nossos sonhos, permite-nos ver a imensidão da nossa ignorância, transporta-nos a mundos desconhecidos. Ler educa a mente, a memória e a imaginação. Em suma, ler é receber muito em troca de quase nada.

Sara Boisseau

O Livro da Minha Vida

No fim, tu morres. No fim do livro, tu morres. Assim mesmo, como se morre nos romances: sem aviso, sem razão, a benefício apenas da história que se quis contar. Assim, tu morres e eu conto. E ficamos de contas saldadas.

Ainda não encontrei o livro da minha vida, por isso, continuo a procurá-lo. Sou muito jovem ainda e tenho um longo caminho a percorrer. De todos os livros que já li, o que mais me marcou foi, sem sombra de dúvida, “No teu deserto”, de Miguel Sousa Tavares.

Este “quase romance” relata uma viagem realizada pelo narrador ao deserto do Sahara, fazendo-se acompanhar do seu jipe e de Cláudia, uma jovem que conhecera poucos dias antes da partida.

9789897243097O narrador descreve todas as paisagens e transmite todas as suas sensações ao longo desta maravilhosa aventura. Este livro parece uma carta dedicada a Cláudia, na qual o narrador lhe agradece, por todos os bons momentos que passaram juntos. No entanto, lamenta o facto de esta ter falecido sem ter a oportunidade de ler esta carta. Isto remete-nos para um certo arrependimento por parte do narrador, por não ter dito a Cláudia tudo aquilo que gostaria de lhe ter dito.

Esta foi uma obra que me cativou pois apela ao facto de as pessoas darem mais importância a coisas banais, como os bens materiais, e pouca importância ao que realmente importa, como as pessoas que nos rodeiam. Esta obra motiva-nos a dar mais atenção às pessoas que nos fazem felizes. Se essa devida atenção não for dada agora, quando será? Amanhã? E se amanhã for tarde de mais? Ficam abraços por dar, histórias por contar, alegrias por partilhar e, neste caso, palavras por dizer. É um livro magnífico, que me emocionou. Graças a ele, hoje, dou mais valor a todos os momentos que passo com as pessoas com quem me relaciono, tendo consciência de que qualquer momento poderá ser o último.

Sara Boisseau

Duas sugestões de leitura

Os dois livros que eu sugiro, que não os do contrato de leitura, são “A culpa é das estrelas”, de John Green, e “Pai-nosso”, de Clara Ferreira Alves.

Sugiro estas duas leituras porque, no caso de “A culpa é das estrelas”, é uma história que explora, de maneira brilhante, a aventura divertida, empolgante e simultaneamente trágica que é estar-se vivo e apaixonado.

No caso de “Pai-nosso”, porque, neste livro, se testemunham os conflitos religiosos, com maior incidência no Médio Oriente, que assolam o mundo há mais de vinte anos, e como se cruzaram os projetos religiosos dos diferentes países. Esta é uma história que retrata uma realidade com a qual não contactamos, e que nos sensibiliza, ao tomarmos consciência da sua existência. A mim, por exemplo, toca-me particularmente aquilo que está a acontecer, atualmente, com os refugiados da Síria e o quanto deve ser difícil saírem do seu país sem saberem o destino final.

Inês Martins

Sobre as obras de Leitura Obrigatória do 9.º Ano

No nono ano, tivemos de estudar, obrigatoriamente, três obras. Estas eram: “A Aia”, de Eça de Queirós; “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente; “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões.

abiEu gostei, especialmente, do “Auto da Barca do Inferno” e assumo que “não foi amor à primeira vista”, uma vez que já tinha ouvido várias opiniões acerca desta obra, e estas não foram as melhores. Não gostei, no princípio, também pelo facto de a obra conter muitos arcaísmos, ser de difícil compreensão e ser uma obra muito antiga. Sinceramente, tive várias dificuldades, sobretudo, ao nível da interpretação. Mas, com o decorrer do estudo da mesma, apercebi-me de que o texto era cómico, sendo que superei, a meu ver, as minhas dificuldades.

Em relação à minha opinião acerca da obra, acho que é bastante atrevida para a época, dado que cada personagem, a meu ver, representa a classe social a que pertence, na perfeição. O uso de objetos enriqueceu a peça, pois estes representam os pecados cometidos em vida. Também é interessante o facto de Gil Vicente “quebrar o gelo” com tipos de cómico, e o facto de nem todas as personagens irem para o Inferno. Gosto, principalmente, das situações em que as personagens de classes sociais mais elevadas, pensam que deviam ir para o Paraíso, uma vez que pertenciam a estas mesmas classes. Na minha opinião, o facto de a peça ser feita em verso rimado, torna-a bastante interessante, dado que se torna mais melodiosa. Em suma, acho esta peça excelente, pois a meu ver, permanece atual, é cómica e representa a sociedade na perfeição.

Bruno David

Balanço das leituras feitas

No meu entender, evoluí mais dos onze aos catorze anos do que em todos os anos anteriores, desde que comecei a ler. Devido à minha evolução na leitura, melhorei o meu vocabulário, a compreensão escrita e a capacidade interpretativa e criativa. Tenho avançado também no grau de dificuldade da minha leitura. Isto deve-se não só à minha leitura regular, como também ao meu cuidado na seleção de livros. Essa seleção tem sido apoiada no Plano Nacional de Leitura. As bibliotecas das escolas por onde tenho passado estão recheadas de bonitas obras para todas as idades e gostos.

Foi aí que eu encontrei a maior parte dos livros que li, os quais, alguns deles, apresento neste portefólio. Isto, para dizer que, para ler, basta ter vontade. A leitura é acessível a todos. Basta procurá-la. Vivam os livros e parabéns aos seus escritores, e já agora, também para nós, leitores!

Sara Boisseau

 

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portugal

A Portugalite

Entre as afecções de boca dos portugueses que nem a pasta medicinal Couto pode curar, nenhuma há tão generalizada e galopante como a Portugalite. A Portugalite é uma inflamação nervosa que consiste em estar sempre a dizer mal de Portugal. É altamente contagiosa (transmite-se pela saliva) e até hoje não se descobriu cura.

A Portugalite é contraída por cada português logo que entra em contacto com Portugal. É uma doença não tanto venérea como venal. Para compreendê-la é necessário estudar a relação de cada português com Portugal. Esta relação é semelhante a uma outra que já é clássica na literatura. Suponhamos então que Portugal é fundamentalmente uma meretriz, mas que cada português está apaixonado por ela. Está sempre a dizer mal dela, o que é compreensível porque ela trata-o extremamente mal. Chega até a julgar que a odeia, porque não acha uma única razão para amá-la. Contudo, existem cinco sinais — típicos de qualquer grande e arrastada paixão — que demonstram que os portugueses, contra a vontade e contra a lógica, continuam apaixonados por ela, por muito afectadas que sejam as «bocas» que mandam.

Em primeiro lugar, estão sempre a falar dela. Como cada português é um amante atraiçoado e desgraçado pela mesma mulher, é natural que se junte aos demais para chorar a sua sorte e vilipendiar a causa comum de todos os seus males. Assim sempre se vão consolando uns aos outros. Bebem uns copos, chamam-lhes uns nomes, e confortam-se todos com o facto de não sofrerem sozinhos. Às vezes, para acentuar a tristeza, recordam-se dos bons velhos tempos em que Portugal, hoje megera ingrata que se vende na via (e na vida) pública, era uma namorada graciosa e senhora respeitada em todos os continentes. E, quando dez milhões de lágrimas caem para dentro do vinho tinto que seguram nas mãos, todos abanam as cabeças, dizendo em uníssono «e hoje é o que se sabe…».

Não é só o facto de não saberem nem poderem falar noutra coisa que prova a existência duma paixão. Como qualquer apaixonado arrependido, o português acha Portugal má como as cobras, mas… lindíssima. O facto de ser tão bonita de cara (as paisagens, as aldeias, a claridade, o clima) só torna a paixão mais trágica. O contraste entre a beleza à superfície e a vileza subterrânea dá maior acidez às lágrimas. É por isso que só há um tabu naquilo que se pode dizer de Portugal. Pode dizer-se que é bárbara e miserável, traiçoeira e ingrata, e tudo o mais que há de aviltante que se queira. O que não se pode dizer é «Portugal é um país feio». Nunca. Também neste aspecto se comprova a paixão.

Em terceiro lugar, os portugueses só deixam que outros portugueses digam mal de Portugal. Só quem sofreu nos braços dela (e que ela vai tratando ignobilmente a seu bel-prazer, por saber que nunca lhe hão-de fugir), se pode legitimamente queixar. Isto porque Portugal, sendo uma lindíssima meretriz, engata os estrangeiros descaradamente, desfazendo-se em encantos e seduções para com eles. Esta ideia exprime-se no dogma nacional que reza «Isto é bom é para os turistas», como quem diz «A viciosa da minha mulher a mim não me dá nada, mas atira-se a qualquer estranho que lhe apareça à frente». Qualquer estrangeiro que tenha a ousadia e o mau gosto de se fazer esquisito frente aos avanços despudorados de Portugal está condenado ao maior desagrado de todos.

Esta atitude é lógica, porque só há uma coisa pior do que se ser atraiçoado por quem se ama — é não se ser atraiçoado só porque o outro a acha feia e não a quer. À traição da mulher junta-se o insulto do outro, ao não achá-la sequer digna de um pequenino adultério. É como dizer-nos: «Não só estás apaixonado por uma pega, como ela é feia como breu.»

Os estrangeiros que nos visitam nunca compreendem isto. Lêem e ouvem dizer por todo o lado as maiores infâmias acerca de Portugal e não percebem porque é que todos lhe caem em cima no momento em que ele se atreve a dizer que um pastel de nata não está fresco, ou que tem a impressão de ter sido enganado no troco por um motorista de táxi.

Em quarto lugar, apesar do português passar o tempo a resmungar e a queixar-se quando está perto de Portugal, sabe-se o que lhe acontece quando está há muito tempo longe dela. Os grunhidos transformam-se em gemidos e as piscadelas de olho já não vencem senão lágrimas. E pensa invariavelmente: «Portugal é uma bruxa, mas antes mal tratada por ela do que bem por outra donzela…»

Em quinto e último lugar (e o «Quinto» não é fortuito), temos a derradeira prova da paixão do português por Portugal. Tem a ver com a ideia que ele tem do que Portugal podia ser. Para cada português, «isto podia ser o melhor país do mundo se…» (Segue-se uma condição invariavelmente impossível de se cumprir). A miragem deste país potencial é um paraíso que agrava substancialmente o inferno que os portugueses já supõem aturar. Isto porque os portugueses graças a Deus, têm expectativas elevadíssimas. Nada abaixo do Quinto-Império pode garantir satisfazê-los. […]

Estas expectativas insaciáveis revelam-se na saudável mania que têm os portugueses de comparar Portugal só com a pequena minoria de países que se encontram em muito melhor situação. Para um português, Portugal é o país mais pobre do mundo. Isto é, do mundo «que interessa». Se lhe falarmos nos demais 75% que estão piores que nós, diz logo: «Está bem, mas isso nem se fala…» Nem é preciso ser a Nicarágua ou o Bangladesh — basta mencionar a Grécia ou a Turquia para ele se virar para nós com ar despeitoso e incrédulo e dizer: «Ó filho, está bem, mas isso…»

É curioso notar que a Espanha goza de um estatuto especial nestas comparações. Nem conta como «melhor» nem «pior». A Espanha é sempre até, e a frase «Até na Espanha…» tem o significado precioso de chamar a atenção para um país reconhecidamente rasca onde, neste ou naquele aspecto, já estão escandalosamente melhores do que em Portugal. De qualquer modo, os espanhóis não são como nós. Acham, por exemplo, que é motivo de orgulho ser-se espanhol. Nisso pelo menos, estão muito piores que nós. Entretanto, compreende-se que o difícil não é amar Portugal — o difícil é deixar de amá-lo, também porque é sempre difícil nós sermos felizes.

Miguel Esteves Cardoso, in ‘A Causa das Coisas’

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Destino, que pecado foi o meu ?

Eu era feliz. Durante toda a minha vida sempre cantei e amei, porém, todo este doce canto se converteu em lágrimas e em choro. Amei, cantei mas perseguido pelo Destino e pela Má Fortuna, também sofri. Confesso que este sofrimento também foi causado pelos meus Erros, pois levei algum tempo a perceber, que o “ Amor é um fogo que arde sem se ver “, sofrendo muitas das vezes a tentar definir o que é o Amor.

camõesSempre fui um Homem muito propenso às paixões amorosas, porém, talvez devido à ironia do destino, sempre se trataram de amadas ilustres de uma beleza suprema conotada com uma harmonia e um equilíbrio que lhe conferem uma beleza celestial e caráter superior, e por isso , infelizmente para mim, durante toda a minha vida tive de lidar com amores impossíveis.

Ao longo da minha vida também vivi sempre com a fama de boémio e rufião e por isso deixaram-me um pouco de parte. Fiquei sempre muito entristecido e frustrado pois todas as minhas obras me levaram a um grande esforço e inspiração, mas confesso que fui incompreendido pela sociedade e isto sempre me causou indignação.

                                                                                                             Assinado: Luís de Camões

Duarte Almeida, 10ºF

imagem daqui

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a pedra e palavra

Decorreu este ano a 4ª edição do Concurso Literário A Pedra e a Palavra. Neste concurso propõe-se aos alunos do 12º Ano que escrevam um texto  em que interpretem, a partir da sua própria experiência individual, as impressões provocadas por essa interação entre a palavra e a pedra: a leitura da obra literária de Saramago e a experiência física/sensorial da visita ao Convento de Mafra, a fantasia da ficção e a materialidade do monumento.

Nesta edição foi selecionado o texto da Isabel Curioso do 12ºA, premiada com uma obra do mesmo autor. Fica então a seguir publicado o texto da Isabel.

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Memorial do Convento é muito mais do que uma célebre obra de José Saramago. É, tal como o próprio título indica, quase como um livro de lembranças, algo que nos conta acontecimentos passados para que estes não caiam no esquecimento. No entanto, esta imortalização dos factos históricos não depende apenas da história. É uma escolha individual: guardar na memória o que foi lido apenas para o usar num teste de Português ou fazê-lo com outra intenção?

João V, o Magnânimo, cansado de viver na sombra do “Rei-Sol” e cego de vaidade ordena a construção de um convento em Mafra, afirmando ser em honra da sua filha, ainda por nascer. Na satisfação deste capricho real, homens foram escravizados e vidas sacrificadas, numa edificação que se irá provar desrespeitadora dos direitos do povo (se é que de facto existiam…).

isabel curiosoPara o rei e a sua corte megalómana, o povo era um mero meio para atingir um fim repleto de fatuidade. Porém, para o autor do Memorial do Convento, os trabalhadores eram muito mais do que isso. Do Alcino ao Zacarias, Saramago enuncia, individualiza e, consequentemente, retira do anonimato todos os portugueses que, por pertencerem a uma classe social mais baixa, foram apagados da História. Apesar de somente D. João V ter sido aclamado pela construção (parcial) do convento, o escritor certifica-se de que o povo é lembrado e encontra uma história onde pertença.

Com esta ideia em mente, encarar da mesma forma o imponente Convento de Mafra será uma tarefa difícil. O que outrora fora visto apenas como pedra é, agora, eco dos esforços de muitos homens, mulheres e crianças portuguesas. No fundo é aqui que nasce a interação entre a pedra e a palavra: “Todos somos seres culturais, por um olhar, por um entendimento, conseguimos ir mais fundo que a superfície das coisas. E isso, esse aspeto complexo, é o que impede que o Memorial seja lido em linha reta”, como o próprio José Saramago afirmou.

Deste modo, o Convento de Mafra não será apenas mais um majestoso monumento, mais um local a visitar. A palavra, e todo o sentido que o escritor lhe confere, leva-nos a algo “mais fundo que a superfície das coisas”, leva-nos a um momento de introspeção. De certa forma, podemos considerar que este era um dos objetivos de Saramago ao entrelaçar realidade e ficção. Para concluir, a história do Memorial do Convento permite-nos refletir acerca da História de Portugal.

Isabel Curioso, 12ºA

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Atualmente, o Neodarwinismo é a teoria explicativa mais aceite pela comunidade científica para compreender o processo evolutivo da origem e evolução das espécies biológicas. Esta adiciona os conceitos de mutação e recombinação génica aos já introduzidos por Darwin em 1859. Estes fenómenos são responsáveis pela origem de variabilidade intraespecífica numa determinada população. Caso se dê alguma alteração no ambiente sobreviverão, por seleção natural, os indivíduos com os genes mais favoráveis à referida alteração. De seguida, por reprodução diferencial, os indivíduos com estes genes, mais aptos, reproduzem-se de forma mais significativa do que os restantes, pelo que se observa uma mudança no fundo genético desta população.

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Fig. 1. Charles Darwin, publica a “Origem das Espécies”, 1859.

Se por um lado, a evolução das espécies é-nos explicada à luz desta teoria, por outro lado é impossível ignorar que quase todos os seres vivos apresentam associações simbióticas (simbiose, pode ser definida como a vida conjunta de organismos diferentes, De Bary, 1878).

Figura2

Fig. 2. Constantin Merezhkowsky, introduz o conceito de Simbiogénese, 1909.

A importância dos processos simbióticos na origem e evolução das espécies foi referenciada por vários autores, entre os quais Constatin Merezhkowsky, que em 1909, introduziu o conceito de simbiogénese como “a origem dos organismos através da combinação ou associação de dois ou mais seres vivos que entram em simbiose“.

Este mecanismo evolutivo tem sido negligenciado pela abordagem neodarwinista mas, no entanto, devido à sua importância, pode implicar uma nova interpretação do processo evolutivo, uma vez que a simbiose contribui para a introdução de inovação, aparecimento de novas valências e diversidade nos seres vivos. A simbiogénese como mecanismo evolutivo e integrada na teoria simbiogénica da evolução explica o desenvolvimento, a organização e a evolução do mundo biológico usando os princípios darwinistas mas não se limitando apenas a estes para explicar este processo. Um dos aspetos mais importantes é o facto de que muitas associações simbióticas produzirem substâncias e estruturas que nenhum dos indivíduos que constituem o consórcio geram individualmente. Assim, a nova entidade ou superorganismo é poligenómico, em que os genes agem de forma coletiva e complementar em prol de um objetivo comum. A seleção natural irá então atuar nesta nova entidade como um todo e não de forma individual nos seus diferentes constituintes como dita o pensamento tradicional.

Projeto “Cooperar para Evoluir”

No âmbito dos concursos “FCT Nova Challenge 2017” e “Jovens Talentos, Almada, cidade Educadora, 2017”, a equipa Biofurther, composta pelos alunos de Biologia do 12º ano da Escola Secundária Daniel Sampaio, Ana Brito, Daniel Pereira, Filipe Lima, Lara Gonçalves e Sandra Afonso e coordenada pela professora Telma Rodrigues, realizou um projeto com a finalidade de divulgar a simbiogénese no contexto da evolução biológica.

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Fig. 3. Equipa Biofurther.

 

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Fig. 4. e 5. Equipa Biofurther no campo, na recolha do material biológico e a trabalhar no laboratório.

Assim, com o objetivo de melhor compreender as relações, processos e alterações que se estabelecem em casos de simbiose e a sua relevância para a especiação e evolução da vida, estudámos três associações simbióticas:

  • Líquenes (Parmelia sp) – Os líquenes resultam da associação de um fungo e uma alga. O fungo forma uma superfície externa, que mantêm o interior húmido, tornando o ambiente mais estável e seguro para a alga. A alga produz hidratos de carbono através da fotossíntese que servem de alimento ao fungo. Por vezes a alga pode ser substituída por cianobactérias e estudos recentes indicam a presença de um terceiro organismo, as leveduras.
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Fig. 6. Líquenes                                                 Fig.7 Secção de um línquen observada ao microscópio

  • Feto aquático (Azolla filiculoides) – No lobo dorsal das folhas de Azolla filiculoides existe uma cavidade extracelular, onde se encontram cianobactérias filamentosas Anabaena azollae. Estas últimas apresentam heterocistos, células com capacidade de fixar azoto atmosférico e convertê-lo em amónia, que é utilizado pela Azolla na síntese de aminoácidos.
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   Fig. 8. Azolla filiculoides                                                     Fig. 9. Cianobactérias Anabaena azollae                                                                                                               observadas ao  microscópio ótico.

  • Térmitas (Reticulitermes sp) – As térmitas são insetos que se alimentam exclusivamente de celulose. Estes organismos vivem em simbiose com protozoários que degradam a celulose permitindo que as térmitas absorvam os nutrientes necessários. Os protozoários, por sua vez, recebem um microambiente com proteção e alimento garantidos.
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Fig. 10. Térmitas Reticulitermes sp.            Fig. 11. Protozoários flagelados do intestino da térmita                                          observados ao microscópio ótico.

Para além dos endossimbiontes referidos, Azolla e as térmitas também possuem bactérias, mas não foi possível observá-las ao microscópio ótico.

Mais importante do que realçar a existência de benefício mútuo como denominador comum do processo simbiótico, este deve ser visto como um todo e como resultante final da interação dos constituintes do fenómeno simbiótico, isto é, como um superorganismo. Novas capacidades metabólicas e orgânicas são adquiridas e desenvolvidas pelos parceiros, que estabelecem um novo nível de organização que vai para além das capacidades individuais de qualquer um deles.

Após este trabalho experimental foram desenvolvidos protocolos experimentais para a observação destas associações simbióticas, que foram partilhados com os professores do Agrupamento e internacionalmente com as escolas parceiras através do projeto Erasmus+ KA2 SMiLES – “Effective Methods for Strengthening the Learning Process in Teaching Science” atualmente a decorrer na nossa escola. Estes protocolos foram ainda aplicados numa aula de 12ºano e demonstrados no dia Aberto da escola à restante comunidade escolar.

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Fig. 12. Aula a uma turma de 12ºano      Fig.13. Dia Aberto da Escola Secundária Daniel Sampaio.

Com o intuito de melhor percebermos a simbiogénese e de partilharmos esse conhecimento com os nossos colegas, convidámos o Prof. Dr. Francisco Carrapiço (FCUL/DBV/CE3C) para proferir uma palestra sobre este tema na nossa escola.

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Fig. 14. Palestra com o Prof. Dr. Francisco Carrapiço (FCUL/DBV/CE3C)

Relativamente ao ensino da biologia, a simbiogénese não faz parte do currículo e é omitida no estudo da evolução, sendo as ideias que lhe estão subjacentes apenas abordadas na teoria endossimbiótica sequencial (Sagan, 1967). Assim, pela simplicidade e facilidade de replicação dos nossos protocolos experimentais por outras escolas, bem como a fácil aquisição do material biológico utilizado, uma vez que foi recolhido na Mata dos Medos na Costa da Caparica (zona envolvente da escola), Parque da Paz em Almada e Jardim Botânico da Universidade da Lisboa, a implementação desta temática no ensino da biologia é certamente possível e contribui para alargar os nossos horizontes sobre a origem e evolução das espécies.

Conclusão

Após o estudo destas associações simbióticas, onde encontrámos representantes dos cinco reinos de Whittaker (1979) e de acordo com a bibliografia consultada, verificámos que as relações simbióticas não são exceções, mas sim regra no mundo natural. O próprio Homem é exemplo disso, possuindo no trato intestinal uma importante comunidade microbiótica.

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Fig. 15. Representação das bactérias no trato intestinal humano

Julgamos assim que a teoria simbiogénica da evolução deve ser considerada tão importante para interpretação do processo evolutivo como o neodarwinismo, possibilitando mesmo a compreensão de alguns aspetos pouco explicados à luz desta última teoria, como a transferência lateral de genes, o papel dos microrganismos no processo evolutivo e o facto da evolução ocorrer por vezes de forma brusca e não gradual. Estes conceitos podem ser transpostos para o plano social na medida em que devemos reforçar a componente cooperativa, sendo esta ideia a verdadeira base do conceito do mais apto.

Equipa Biofurther: Ana Brito, Daniel Pereira, Filipe Lima, Lara Gonçalves, Sandra Afonso e Telma Rodrigues

Um agradecimento especial ao Professor Doutor Francisco Carrapiço pela colaboração e revisão científica do artigo.

Protocolos experimentais desenvolvidos (descarregar pdf.)

Referências bibliográficas:

  • Carrapiço, F. (2010). How simbiogenic is evolution?. Theory Biosci. 129:135–139. Acedido em 23 de abril, 2017. DOI 10.1007/s12064-010-0100-1
  • Carrapiço, F. (2015). Beyond neo-Darwinism. Building a Symbiogenic Theory of Evolution.  Kairos. Revista de Filosofia & Ciência 12: 47-53. Acedido em 23 de abril, 2017. Disponível em: http://azolla.fc.ul.pt/publicacoes.html
  • Carrapiço, F. (2015). Can We Understand Evolution Without Symbiogenesis?. Reticulate Evolution, Interdisciplinary Evolution Research 3. Acedido em 23 de abril, 2017. DOI 10.1007/978-3-319-16345-1_3
  • Carrapiço, F. & Rita, O. (2009). “Simbiogénese e Evolução”. In “Evolução. Conceitos e Debates”, Levy, A., Carrapiço, F., Abreu, H. & Pina, M. (eds). Esfera do Caos, Lisboa, pp.175-198.
  • De Bary A (1878) Ueber symbiose—Tageblatt 51 Versamml. Deutscher Naturforscher u. Aerzte, Cassel, pp 121–126
  • Duarte, S., Duarte, M., Borges, P.A.V. & Nunes, L. (2017) Dietary-driven variation effects on the symbiotic flagellate protist communities of the subterranean termite Reticulitermes grassei Clément. Journal of Applied Entomology, 141, 300-307. DOI:10.1111/jen.12331
  • Duarte, S., L. Nunes, P.A.V. Borges, C.G. Fossdal & T. Nobre 2017. Living inside termites: an overview of symbiotic interactions, with emphasis on flagellate protists. Arquipelago. Life and Marine Sciences 34: 21-42. (in press)
  • Merezhkowsky C (1909) The theory of two plasms as foundation of symbiogenesis. A new doctrine on the origins of organisms. Proceedings of studies of the Imperial Kazan University, vol 12. pp 1–102
  • Rita, O. M. C. F. (2006).  Contribuição para o Ensino da Simbiómica na Escola. Tese de Mestrado em Ciências da Terra e da Vida para o Ensino. Faculdade de Ciências – Universidade de Lisboa.
  • Sagan L (1967) On the origin of mitosing cells. J Theor Biol 14:225–274
  • Whittaker, R.H. (1969). New Concepts of Kingdoms of Organisms. Science 163 (3863): 150-160

Referências das imagens:

Figura 1:

Figura 2:

Figura 6:

Figura 10:

Figura 15:

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Foram entregues na biblioteca, no Dia da Escola, pelos professores de Português do 11º Ano, os Diplomas de Mérito Photográphico Queirozeano, que distinguiram as 8 melhores fotos realizadas durante o roteiro em Sintra, já divulgadas em artigo anterior.

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No mês de maio o mundo cinematográfico esteve concentrado nos acontecimentos ligados ao festival de Cannes que decorreu com o glamour habitual. No vasto leque de prémios atribuídos os portugueses também foram contemplados pois o realizador Pedro Pinho venceu o Prémio FIPRESCI, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, pelo filme ‘A fábrica de nada’, estreado na Quinzena de Realizadores, secção paralela ao festival. Esta obra, interpretada por atores e não atores, segue a vida de um grupo de operários que tentam manter os seus locais de trabalho e evitar o encerramento da fábrica através de uma solução de autogestão coletiva.

Quanto a estreias em maio abrangeram vários géneros mas a referência especial vai para o belíssimo filme do suíço Claude Barras, um dos nomeados para o Óscar de melhor longa metragem de animação, A Minha Vida de Courgette que, utilizando as técnicas de manipulação de pequenos bonequinhos (“stop motion”), apresenta um emocionante e comovente retrato de um órfão que, na instituição onde vive, vai aprender o que significa estabelecer uma relação humana. Outra obra de animação, a primeira em 3D produzida pela equipa da TO Studio de Paris, Amarelinho, de Christian De Vita, tem como base de argumento as migrações de ave pelo que além de ser muito educativo também transmite uma mensagem sobre força de vontade e superação individual.

Os enredos ligados à 2ª guerra mundial, por seu turno, continuam a originar boas obras como é o caso da produção norueguesa A escolha do rei de Erik Poppe sobre a opção do rei Haakon da Noruega perante o ultimato dos alemães em abril de 1940. É uma obra importante pois demonstra como é determinante o papel de líderes honestos e corajosos na tomada de decisões em épocas cruciais para as nações. Ainda sobre a mesma época mas, neste caso, apresentando o contributo da população civil para mitigar os efeitos negativos do conflito, temos Heróis da nação da realizadora dinamarquesa Lone Scherfig, uma adaptação do best-seller de 2009 “Their Finest Hour and a Half”, da escritora inglesa Lissa Evans. Realça o esforço de mulheres nomeadamente na realização dos filmes de propaganda ingleses que contribuíram não só para levantar o moral das populações durante o Blitzkriegg, quando a Inglaterra estava na iminência de ser invadida pelos exércitos nazis, como também serviram para convencer os norte-americanos a entrarem no conflito.

Os argumentos de ação e aventura foram a base em várias películas como A Cidade  Perdida de Z  de James Gray,  história verídica do explorador e aventureiro inglês Percy Fawcett , que viaja ate à Amazónia no início do século XX e descobre provas de uma avançada civilização até então desconhecida, que terá habitado a região. Como a comunidade científica não aceita esta suposta descoberta, o obcecado explorador  retorna à região desaparecendo misteriosamente  em 1925.  Outra aventura mas, neste caso, no alto-mar, Pirata das Caraíbas: homens mortos não contam histórias de Joaquim Ronning e Espen Sandberg,  é a quinta película  da  lucrativa saga  da Disney com um  orçamento  record da história do cinema  no valor  de 320 milhões de dólares continuando a apresentar Johnny Depp como protagonista  no papel do carismático pirata Jack Sparrow.

Ridley Scott retoma o terror associado  à ficção científica  em  Alien: Covenant que certamente será do agrado de imensos cinéfilos que têm como culto a saga Alien. Igualmente os que preferem cenas com personagens mais ou menos históricas interessam-se por Rei Artur – a lenda da espada de Guy Ritchie,  que retoma um tema já tratado em muitas obras sobre luta pelo poder. Num género diferente que associa suspense a terror, Foge de Jordan Peele é uma obra perturbante que utiliza a sátira racial  para focar a hipocrisia de determinados grupos sociais em relação à diversidade étnica. Apesar dos vários momentos assustadores e arrepiantes que o filme apresenta é uma  obra aconselhável pela crítica implícita à hipocrisia da sociedade atual  sobre questões ligadas ao racismo.

Por fim o emotivo O sentido do fim de Ritesh Batra, a partir da obra homónima de Julian Barnes,  apresenta um conjunto de atores consagrados como Charlotte Rampling e Jim Broadbent  o que garante boas interpretações  num drama passado em duas épocas distintas sobre as consequências de determinadas escolhas de vida.

Luísa Oliveira

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