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Resumo:

Este artigo tem por base um projeto realizado no âmbito da disciplina de Biologia acerca do tema das implicações bioéticas/ético-sociais da aplicação das técnicas de reprodução/procriação medicamente assistida (RMA ou PMA). Ao desenvolvê-lo, teve-se como objetivo analisar as mais atuais implicações bioéticas relacionadas com os diversos processos de reprodução medicamente assistida, considerando os direitos da criança, de modo a poder contribuir para a consciencialização do maior número de pessoas possível face às controvérsias do debate acerca deste tema. Através da análise de várias perspetivas sobre a problemática: “Será moralmente correta, em todos os casos, a manipulação da fertilidade e de embriões aquando dos processos de reprodução medicamente assistida? Se considerarmos que não, em que casos pode não ser? E porquê?”. Para complementar este artigo realizou-se ainda um pequeno questionário com o objetivo de analisar a opinião, o nível de consciencialização e as disparidades entre a visão de diferentes faixas etárias acerca das implicações bioéticas e sociais da aplicação destes processos. Para este efeito, o inquérito foi distribuído por 2 amostras: uma constituída por jovens adultos (20 indivíduos entre os 16 e os 25 anos de idade) que ainda não lidaram ou que estão agora a começar a lidar com a ideia da parentalidade, num mundo em que as técnicas de reprodução medicamente assistida são um recurso cada vez mais acessível; e outra constituída apenas por adultos (20 indivíduos entre os 35 e os 65 anos de idade), que em princípio já terão passado pela fase de vida em que se planeia ter filhos. O artigo apresenta assim uma relação entre as principais implicações éticas associadas a estes processos e as respostas dos 40 inquiridos.

 Introdução:

O recurso a técnicas de procriação medicamente assistida advém diretamente da necessidade de procura de métodos de resolução face a problemas de saúde associados à infertilidade, que atingem um número significativo de casais, em idade fértil, à escala mundial.

A infertilidade deve então definir-se como sendo a incapacidade temporária ou permanente de gerar um filho ou de levar uma gravidez até ao seu termo natural. Surgindo assim as técnicas de PMA como as descobertas científicas que têm vindo a possibilitar a concretização dos sonhos de inúmeros casais inférteis, bem como o reconhecimento do seu direito à parentalidade.

Contudo, apesar da existência destes problemas e do reconhecimento do direito destes casais à paternidade, não é ético que, que com o aparecimento destas técnicas de procriação, os direitos do novo ser sejam ignorados. Na Constituição da República Portuguesa está decretada a inviolabilidade da vida humana, pelo que deve ser tida em conta ao longo de todo o ciclo vital e em todas as circunstâncias.

Estes processos de procriação medicamente assistida, levantam portanto imensas e legítimas preocupações decorrentes da simples manipulação em laboratório não só de gâmetas, mas sobretudo de embriões humanos em pleno decurso do seu desenvolvimento, que têm conduzido cientistas, biólogos, médicos, juristas, teólogos, sociólogos e até políticos a variados debates e reflexão em torno da questão do início da vida humana e da manipulação subjacente a tais técnicas. O desafio, contudo, relativamente à aplicação legal destes processos, é conciliar os progressos da ciência com o respeito à dignidade da pessoa humana.

Ora, como já foi referido, os mais recentes progressos tecnológicos têm vindo a permitir o desenvolvimento destas técnicas, que por sua vez têm tornado possível a resposta aos desejos de inúmeros casais estéreis. No entanto, com estes progressos levantam-se também questões cada vez mais abrangentes acerca da legitimidade da aplicação destes processos, uma vez que, com o passar dos anos, a sua utilidade deixou de se restringir apenas à resolução de problemas de infertilidade.

As principais questões colocadas neste âmbito e que abordaremos no decorrer deste artigo surgem portanto associadas: aos processos de doação de espermatozóides, oócitos e embriões; ao destino de embriões excedentários; à maternidade de substituição; à intencionalidade de casais homossexuais em procriar; às situações de monoparentalidade; e à seleção de embriões com base no sexo ou na evidência de doenças.

Desenvolvimento: Relação entre os resultados do inquérito e as mais atuais questões Bioéticas associadas à aplicação legal dos processos de RMA.

Doação de gâmetas

Quanto à doação de gâmetas, a polémica surge principalmente associada à introdução de um terceiro elemento na relação conjugal (o dador) e aos possíveis danos psicológicos que a existência desse “terceiro pai/mãe” pode causar na criança gerada pelo processo de reprodução assistida. Esta questão leva a outras uma vez que é também discutido se o dador deve ter direito ou não ao anonimato e se deve ou não ser remunerado pela doação.

Hoje em dia, em Portugal, o dador pode ser remunerado mas o seu anonimato foi recentemente levantado, o que significa que após fazer 18 anos a criança gerada a partir da transferência de gâmetas ou embriões tem direito não só a conhecer a informação de natureza genética que lhe diz respeito mas também a identificação civil do dador que permitiu a sua gestação.

O retirar do anonimato do dador, representa assim o reconhecimento do direito da criança de conhecer a sua identidade familiar uma vez que foi gerada por um processo de reprodução medicamente assistida e deve pelo menos ter a possibilidade de esclarecer, de forma legal, quaisquer dúvidas acerca da sua origem. No entanto, por outro lado pode representar um fator de desmotivação para os planos de potenciais dadores.

Quando questionados sobre se achavam ético negar à criança gerada por um processo que envolvesse doação de gâmetas ou de embriões, o direito a conhecer a identidade do seu progenitor biológico, os inquiridos responderam de forma interessante, uma vez que na amostra constituída por jovens, a maioria concordou que se negasse esse direito à criança, isto é, que se mantivesse o anonimato do dador; e na amostra constituída por adultos, a maioria discordou com a eticidade da negação desse direito, isto é concordou com o levantamento do anonimato.

Não sendo representativas da generalidade da população, as respostas das duas amostras, permitem-nos conjeturar que os jovens tenham respondido que acham legítimo o anonimato do dador ao se colocarem na posição do mesmo, adotando um ponto de vista inconsequente face às implicações que o desconhecimento da identidade civil de um pai biológico pode ter no desenvolvimento da criança gerada por estes processos, por talvez já olharem para este tipo de cenário com mais normalidade e menos controvérsia do que os mais velhos. Enquanto que, estes últimos, de forma mais ponderada, do ponto de vista exterior de quem já não está dentro do período de idade em que é permitido ser dador e de quem poderá já ter experienciado a parentalidade, parecem ter mais em conta os direitos da criança.

Destino de embriões excedentários

No seguimento das implicações associadas às doações de gâmetas e de embriões, levantam-se também questões acerca do destino de embriões excedentários, isto é, de embriões que sobram de processos de fertilização artificial. Estas referem-se principalmente à moralidade dos fins que lhes são atribuídos.

De acordo com a lei em vigor no nosso país, os embriões que não tiverem sido transferidos ou implantados no útero materno devem ser criopreservados (conservados por congelamento), comprometendo-se os beneficiários dos processos em questão a utilizá-los em novo processo de transferência embrionária no prazo máximo de cinco anos. A pedido do casal, os embriões poderão ser criopreservados por mais 3 anos, período findo o qual a lei permite que os embriões sejam doados para outras pessoas, para investigação científica ou então destruídos em condição de inviabilidade mediante decisão dos beneficiários.

Estes embriões são então criopreservados com o intuito de serem utilizados futuramente pelos casais inférteis que todos os dias recorrem a técnicas de procriação com o desejo de serem pais. O dilema surge quando o casal já tem o número de filhos pretendido ou quando este decide desfazer-se dos embriões. Por isso, que destino eticamente correcto deverá ter este “excesso” de embriões que poderia dar origem a mais um ser humano?

Noutros países, como a Espanha por exemplo, permite-se o congelamento de embriões durante cinco anos, e depois deste prazo obrigam à sua destruição. E na Dinamarca os que sobram são destruídos logo após a fertilização, sem recurso à criopreservação.

Como já mencionado, a comunidade científica, a comunidade religiosa, os progenitores, os políticos e a sociedade em geral debatem estas questões éticas, para além dos aspectos técnicos e científicos, posicionando-se num vasto leque de perspetivas, que vão desde a atribuição ao embrião humano de um estatuto de pessoa plena, condenando todas e quaisquer práticas de investigação que promovam a sua destruição, até à não atribuição de qualquer estatuto que não seja o de “material” passível de ser doado, transacionado, manipulado e usado em benefício da humanidade.

Posto isto, a controvérsia surge quanto a este tema devido à existência da perspetiva de que o embrião assume o estatuto de pessoa digna de direitos a partir do momento da fecundação. Diante disso, há quem questione a legitimidade da investigação científica e da destruição de embriões por ferir os direitos fundamentais do embrião à vida e à dignidade.

Sendo apenas questionados acerca da legitimidade da utilização de embriões para investigação científica, 70% dos inquiridos concordou com esta tese, enquanto que apenas 12,5% afirmou ser contra a mesma e 17,5% afirmou não ter opinião acerca do assunto. O que demonstra a diversidade de posições assumidas relativamente a este tema, no entanto, a maioria dos indivíduos da nossa amostra, acaba por mais uma vez concordar com aquilo que está definido como legal na Constituição da República Portuguesa.

Gestação de substituição

A propósito do conceito de anonimato pode também falar-se dos processos de gestação de substituição, ou de barrigas de aluguer em vocabulário menos formal, uma vez que também se gera uma grande controvérsia acerca das implicações e danos psicológicos que alguns casos em específico podem causar na criança.

Entende -se por “gestação de substituição” qualquer situação em que uma mulher se disponha a suportar  uma gravidez por conta de outrem e a entregar a criança após o parto, aos pais que solicitaram tal procedimento, renunciando aos poderes e deveres próprios da maternidade.

Como já referido, face a esta técnica volta a surgir a controvérsia face ao anonimato da gestante, que também foi afetado, em Portugal, pelo fim da lei que protegia os dadores anónimos de esperma, oócitos ou embriões. O fim do sigilo dos dadores e da identidade das gestantes de substituição foi decidido em nome do direito dos filhos a conhecerem as suas origens “enquanto elemento fundamental da construção da identidade”, o que significa que aos 18 anos, os indivíduos gerados por esta técnica têm agora direito a conhecer a identidade genética e civil da sua gestante de substituição.

Mas a legitimidade do decorrer destes processos não é apenas questionada face ao anonimato da gestante. Em alguns países, existe a possibilidade desta relação ter caráter comercial, para assegurar que a criança, ao nascer, não terá contacto com a gestante de substituição. Nestas condições, a “barriga de aluguer” recebe, mediante um contrato, uma remuneração pelo período em que decorrer a gestação do bebé, para além do valor dos gastos extra e do tratamento médico.

Ora, pela legislação de muitos países, a existência deste contrato é vista como um desrespeito à moralidade, uma vez que em certa medida implica a comercialização do corpo humano, neste caso da mulher gestante.

Em Portugal, de acordo com o artigo 8.º da Lei nº 32/2006 a celebração de negócios jurídicos de gestação de substituição só é possível a título excecional e com natureza gratuita, nos casos de ausência de útero, de lesão, ou de doença deste órgão que impeça de forma absoluta e definitiva a gravidez da mulher ou em situações clínicas que o justifiquem.

Posto isto, em Portugal há uma regulamentação algo apertada para esta técnica de reprodução. No entanto, em alguns estados dos EUA, o recurso à mesma é permitido até a casais homossexuais.

Apesar da pertinência das questões bioéticas associadas à gestação de substituição, este tema não foi inserido no questionário, devido ao limite de questões do instrumento utilizado.

Casais Homossexuais

Quanto a este tipo de casais, o nosso país não apresenta muitas soluções para a sua intencionalidade em procriar. Em Portugal, casais de lésbicas e até mulheres solteiras podem recorrer a processos de inseminação artificial e fertilização in vitro, no entanto, a constituição portuguesa não regulamenta o recurso a técnicas de PMA para casais homossexuais masculinos, sendo que o acesso destes às mesmas é expressamente proibido.

A regulamentação neste sentido parece ser necessária uma vez que a homossexualidade é um tema cada vez mais atual e presente no nosso dia-a-dia. Mas, em simultâneo, não é um feito fácil de atingir uma vez que coloca a possibilidade de fazer nascer uma criança, registando-a como filha de um casal que nunca a poderia conceber de forma natural.

Apesar disto, a aceitação da generalidade da população face aos direitos da comunidade homossexual é cada vez mais visível e certamente, num futuro não muito longínquo, até a constituição portuguesa sofrerá uma alteração no sentido do reconhecimento deste direito.

Quando questionados acerca do direito à paternidade de casais homossexuais, 82,5% da totalidade dos participantes responderam que concordam com a ideia de que estes devem poder ter acesso a técnicas de RMA. Não se registam diferenças significativas de opinião nas duas faixas etárias.

No caso dos casais homossexuais masculinos, não havendo a possibilidade por parte de nenhum dos indivíduos de se encarregar de uma gravidez, a solução adequada seria a de se regulamentar legalmente o acesso destes à técnica da gestação de substituição. No entanto, todo o debate necessário à volta deste tema, juntamente com algumas posições tanto mais conservadoras, como mais liberais dos membros da Assembleia da República, fazem com que a sua aplicação e regulamentação se torne num processo muito complicado e demorado.

Monoparentaliade

Cada vez mais em Portugal, por situação de divórcio, falecimento ou por opção própria, existem famílias consideradas monoparentais. Estima-se que em Portugal o número ultrapasse as 350 mil famílias, e tende a aumentar.

No entanto, o que nos interessa abordar neste projeto é o tema da monoparentalidade opcional possibilitada pelo recurso a métodos de reprodução medicamente assistida.

Em Portugal, como já referido, apenas mulheres solteiras podem optar por praticar a monoparentalidade opcional com recurso a técnicas de PMA. Isto porque a mulher, possuindo a capacidade de carregar uma gravidez e de dar vida, pode escolher submeter-se à utilização de técnicas de PMA independentemente do diagnóstico de infertilidade.

No caso do homem solteiro, tal como no caso dos casais homossexuais masculinos, o recurso a tais técnicas não é possível no nosso país, uma vez que implicaria um processo de gestação de substituição. E mais uma vez volta a referir-se que se afigura vir a ser necessária regulamentação neste sentido, uma vez que ao se reconhecer a igualdade entre os seres humanos, se torna inconstitucional negar a qualquer indivíduo o uso de técnicas de reprodução assistida apenas por ser solteiro. Ainda para mais, após o recente reconhecimento de outras formas de entidade familiar, diferentes das constituídas através do laço matrimonial. Entretanto, neste processo, há que fazer a mesma análise do princípio da igualdade, no que toca aos direitos da criança, que será obrigada a crescer sem a figura do pai/mãe biológico/a.

As principais implicações éticas que surgem associadas a este tema relacionam-se portanto, em grande parte, com o facto de existir a ideia de que o pai ou mãe que fica com o jovem à sua responsabilidade consegue fazer o papel de pai e mãe simultaneamente, tal não é obviamente possível. Esse será o principal motivo para colocar em causa a vontade de alguém em gerar e/ou criar um filho autonomamente: o facto de ser difícil, para alguns, conceber a ideia de que uma família monoparental opcional pode funcionar como uma família normal.

Mas a verdade é que é possível. Na realidade, na vida psico-emocional da criança/jovem existe lugar para uma figura de referência masculina e uma feminina e ambas têm a sua importância e papel no seu desenvolvimento. Muitas vezes, na ausência do pai/mãe, este papel pode até ser representado por um avô/ó ou um tio/a mas é essencial que exista.

Os resultados do inquérito, expressam assim a concordância, em ambas as faixas etárias, com a normalidade desta questão, uma vez que a maioria da amostra reconhece o direito à paternidade de pessoas solteiras, registando-se a percentagem de 90% dos inquiridos a nomeá-lo como um direito fundamental de qualquer ser humano.

O debate acerca destes temas não tem fim e as questões associadas aos mesmos são, como tem sido demonstrado, intermináveis e cada vez mais, à medida que a ciência e a medicina se desenvolvem. As questões apresentadas até agora já são, porém, debatidas há alguns anos. Mas as últimas descobertas no âmbito da investigação científica no ramo da genética, parecem poder vir a possibilitar feitos altamente surpreendentes.

DGPI: Seleção de embriões com base no sexo e na evidência de doenças

Através de uma técnica chamada Diagnóstico Genético Pré-Implantação (DGPI), já é possível a casais com doenças genéticas graves evitar a presença destas doenças no DNA dos seus filhos. E em países como os EUA já se pode escolher legalmente o sexo dos bebés.

Sendo possível a análise genética e a seleção de embriões, pode considerar-se que num futuro próximo será possível decidir a cor dos olhos, a força e a inteligência das crianças. Tudo através de um processo relativamente simples, pelo menos a nível teórico.

Basta que os pais se submetam a um processo de fertilização in vitro, em que há estimulação dos oócitos da mãe, sendo estes retirados para serem unidos in vitro com os espermatozoides do pai. Aos embriões é depois feita uma análise, ao fim de três ou de cinco dias, retirando-se uma ou algumas células que são analisadas em laboratório. Através de mecanismos específicos, já em laboratório, procede-se ao diagnóstico genético em que se verifica se os embriões apresentam ou não a característica desejada ou a doença genética indesejada, selecionando-se assim os embriões com as características mais desejáveis e descartando os restantes.

A hipótese de uso desta técnica para seleção de características quando não estão em causa doenças hereditárias, é portanto muito criticada. Eurico Reis, presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, refere, à conversa com o jornal Expresso sobre esta possibilidade, que este: “É um método de apuramento das características genéticas das crianças que vão nascer.”. Argumentando que não faz qualquer sentido, pois está a acabar-se com o mais importante, “o património genético variável”. O juiz garante ainda que em Portugal é impossível conseguir ter um filho de um determinado género só porque se quer. A lei portuguesa, refere, apenas permite “a seleção do sexo” quando estão em causa doenças ligadas ao sexo, como a síndrome do X Frágil.

Quando inquiridos acerca da moralidade da seleção de embriões para evitar o aparecimento de doenças genéticas ou malformações nos bebés, 85% das respostas ao questionário realizado no âmbito da produção deste artigo aprovaram a legitimidade desta técnica.

E, tal como Eurico Reis, 77,5% responderam que não acham legítimo que possam pagar para poder escolher o sexo dos seus filhos apenas por preferência própria. E 82,5% responderam que não consideram legítimo que num futuro próximo venha a ser possível escolher de forma legal características como a cor dos olhos, a força ou a inteligência dos seus filhos, não havendo disparidades relevantes entre as percentagens de resposta das duas amostras nas três perguntas em questão.

A discordância da maioria dos inquiridos com a possibilidade de aplicação legal desta técnica para seleção das características e do sexo dos bebés, espelha porém a grande controvérsia que existe associada a este assunto, uma vez que os avanços da medicina revelam já permitir feitos para os quais nem as gerações atuais estão preparadas, não só por não estarem suficientemente informados acerca destes avanços científicos mas também pelas possíveis e imprevisíveis consequências que os mesmos acarretam.

Conclusão: Reflexão acerca do desenvolvimento do artigo

Após a realização da análise detalhada dos resultados do questionário, foi possível concluir que grande parte dos respondentes parece pouco coerente nas suas respostas. Facto que, tendo em conta que responderam ao inquérito com seriedade, pode espelhar, não só a densidade e controvérsia que o tema acarreta, mas também a falta de informação a que está exposta a população que não sofre com problemas de infertilidade ou com a necessidade de recorrer a estes processos. Porém, possibilitou-se ainda concluir que na maioria das suas respostas, a opinião dos inquiridos parece refletir aquilo que a legislação Portuguesa considera como lícito.

Em suma e com maior relevância, pôde ainda concluir-se face a todas as questões apresentadas, que tanto o direito à paternidade de pessoas que recorrem a estes métodos de reprodução, como a preocupação geral com a aplicação dos mesmos, são tópicos dignos da sua legitimidade. O mais importante é, sobretudo, conseguir conciliar sempre os benefícios de qualquer avanço da ciência e da medicina com as suas implicações éticas e sociais à escala universal, pois só assim se poderá atingir o verdadeiro progresso científico. O importante a retirar deste artigo, é assim a sua faceta informativa e potenciadora de uma maior aceitação e conscientização face a estes processos de reprodução que geram controvérsia por todo o mundo, sem descartar de maneira alguma, as objeções éticas que colocam em causa a moralidade da sua aplicação.

Referências Bibliográficas

Trabalho realizado pelos alunos da turma do 12.ºA, da E.S. Daniel Sampaio:

Tomás Lopes, Pedro Pereira e André Arroz

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As auroras polares, ou, como são mais conhecidas, auroras boreais, são um fenómeno muito bonito e peculiar que durante muitos anos inspirou muitos mitos. Na mitologia nórdica, os Vikings achavam que as auroras eram uma ponte entre o nosso mundo e Asgard, onde o Thor e outros deuses viviam. Noutro mito, elas eram a luz refletida pelas armaduras das Valkyries, um conjunto de mulheres guerreiras. Além disso, os finlandeses pensavam que era o anjo Michael a lutar contra o diabo.

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Hoje em dia sabe-se que isto são apenas mitos e não a verdade. O famoso astrónomo Galileo Galilei foi quem deu o nome de Auroras Boreais, que significa “amanhecer do norte”, em homenagem à deusa do amanhecer Aurora.

Mas a verdadeira origem das auroras polares foi apenas descoberta em 1896 pelo cientista norueguês Christian Birkeland. No centro da terra, existe um núcleo de ferro fundido que gera campos magnéticos que se estendem pela crusta terrestre e no espaço em volta de todo o planeta, criando aquilo que se chama o campo magnético da Terra.

É fundamental que a Terra o tenha, pois o campo magnético protege-nos de todas as partículas que são “cuspidas” pelo sol. O sol é tão quente que produz plasma (um quarto estado de matéria) onde átomos positivos (iões) e eletrões negativos andam livremente uns em volta dos outros. O plasma arrasta o campo magnético para além da superfície do sol, fazendo com que este se estique e contorça como um elástico. Quando o elástico se parte, envia biliões de partículas de plasma fora do sol. Ou seja, devido ao facto de que os iões e os eletrões são partículas de carga muito alta, têm energia suficiente para sair da gravidade do sol e dispersarem-se pelo espaço, indo em direção do planeta Terra como se fossem um tiro de uma espingarda de “odio solar”. Isto é o que chamamos de tempestade solar.56154e212f30d

Uma tempestade solar consegue atingir velocidades de 8 milhões km/h e em apenas 18 horas atingir a Terra. Quando isto acontece, o campo magnético da Terra desvia a tempestade. No lado de dia do planeta, o campo magnético estica-se e cria um “funil” para o gás da tempestade solar se dirigir para os polos, criando assim a aurora de dia. No lado de noite do planeta, o campo magnético estica-se ainda mais fazendo com que o “elástico” de plasma se quebre e o gás da tempestade solar se dirija para os polos, criando assim a aurora de noite. Este fenómeno pode acontecer a qualquer altura do dia, mas as auroras de dia não são visíveis pois a luz do sol ofusca-as.

Apesar do nome auroras boreais, também existem auroras austrais. Ambas são auroras polares, mas enquanto uma acontece no polo norte a outra acontece no polo sul. E, por isso, na nossa opinião, o nome de aurora boreal não devia ser usado como sinónimo para aurora polar.

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Ambos os tipos de aurora acontecem devido à reação química entre os eletrões que entram pelos polos na nossa atmosfera e os elementos da mesma, principalmente o oxigénio e o azoto. O eletrões transferem energia para os átomos de oxigénio e azoto, excitando-os. Para que estes voltem ao seu estado fundamental, os átomos devem libertar energia em forma de fotões. Os fotões são a partícula elementar das radiações eletromagnéticas como a luz.

Assim, dependendo onde esta reação ocorre na atmosfera, assim vão ser emitidas diferentes radiações: a maiores altitudes, o oxigénio emite uma radiação na zona do vermelho; a altitudes mais baixas, emite uma radiação na zona do verde e amarelo e a altitudes ainda mais baixas, o azoto emite uma radiação na zona do azul. Mas estas “cores” podem misturar-se e formar novas cores como o rosa, roxo e branco. É como se fosse um arco-íris do espaço.

Infelizmente, as auroras não são apenas um bonito espetáculo de luzes mas também têm consequências para o nosso corpo e o planeta. Alguns estudos afirmam que este fenómeno pode mudar o fluxo sanguíneo, especialmente ao nível dos capilares, afetando assim a nossa pressão sanguínea e aumenta a adrenalina no corpo. Isto acontece porque quando a tempestade solar atinge a Terra, o seu campo magnético pode mudar por um momento e dessa forma mudar o nosso batimento cardíaco.

No entanto, as tempestades solares não são perigosas para pessoas saudáveis mas sim para pessoas com um sistema imunitário fraco como pessoas idosas e bebés recém-nascidos.

Para além disso, também podem afetar as comunicações de rádio. As tempestades solares podem afetar a atmosfera e dessa forma afetam as ondas de rádio que estão a comunicar informação pelo mundo todo.Este fenómeno não pode acontecer sem haver uma tempestade solar. A tempestade solar explode os cabos e fios elétricos da rua devido à quantidade de energia magnética que tem.

A atmosfera da Terra também se pode expandir um pouco quando as auroras polares estão a acontecer. Isto significa que qualquer satélite a voar a baixa altitude pode atingir a atmosfera e em casos mais graves cair na superfície terrestre.

Por último, a maioria das pessoas pensa que as auroras boreais são um fenómeno raro o que não é verdade. Elas acontecem a toda a hora, mas devido à luz do sol não as conseguimos ver. A sua intensidade depende porém da intensidade da tempestade solar, logo quanto maior a tempestade solar maior será a aurora.

Mariana Mamede, Beatriz Nabais e Bárbara Santos, 12ºA

Referências bibliográficas:

Nota do editor: este artigo é uma sinopse do trabalho apresentado pelas alunas no âmbito da seleção de alunos para a participação de um encontro SMiLES (KA2), a decorrer em Abril 2018, na Turquia.

 

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Medir uma grandeza consiste em determinar o número de vezes que essa grandeza contém outra da mesma espécie, ou seja, é comparar o valor de uma determinada grandeza com outra da mesma natureza, que se toma como unidade. Por exemplo, ao medirmos o volume das 100 gotas realizámos uma medição direta pois utilizámos uma bureta para executar a medição. Neste caso, a incerteza de cada instrumento de medida é indicada pelo respetivo fabricante e é sempre um valor numérico. No nosso caso a bureta tinha um alcance de 50 ml (alcance corresponde ao valor máximo que o instrumento pode medir) e a incerteza era de +/- 0,02ml.

Para efetuarmos a medição da massa do copo vazio ou com as gotas utilizámos uma balança. Num aparelho digital, como era o caso da nossa balança, a incerteza absoluta corresponde ao menor valor que é possível ler nesse instrumento, no nosso caso a incerteza da balança era de 0.001g. Na balança utilizada o alcance (maior valor que se pode medir) correspondia a 2100g.

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Uma das imagens retirada do site:

https://www.kern-sohn.com/shop/pt/balancas-de-laboratorio/balancas-de-precisao/

Mafalda Antunes,  10ºA

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“Qual é a origem da vida? Quais as condições necessárias para esta existir? Como evoluiu? Existe vida fora do nosso planeta?” Estas são algumas das questões que a astrobiologia procura responder.

A astrobiologia é um novo multi e transdisciplinar campo de conhecimento que busca compreender a origem, evolução e distribuição da vida no Universo. Assim, esta ciência envolve a procura de planetas potencialmente habitáveis no Sistema Solar e fora dele, assim como a pesquisa sobre as origens e evolução da vida na Terra.

Neste sentido, um astrobiólogo necessita de compreender como funciona e quais as condições básicas da vida no planeta Terra. Estas são: uma fonte de energia, uma fonte de carbono e água no estado líquido. A água, no estado líquido, por si mesma requer que o planeta não esteja nem muito gelado, nem muito quente, ou seja, precisa de estar a uma distância habitável da estrela que orbita.

A descoberta de organismos extremófilos que habitam ambientes considerados extremos e inóspitos na Terra veio revolucionar o conceito de vida e as condições que se pensavam necessárias para esta ocorrer. Até há cerca de 40 anos, pensava-se que toda a vida na Terra dependia da energia do Sol, não se imaginava encontrar organismos vivos em locais com plena escuridão, com elevadas profundidades, com temperaturas muito altas ou muito baixas, condições de pH extremas ou ainda seres vivos resistentes a elevadíssimas radiações (figuras 1, 2 e 3 – exemplos de organismos extremófilos).

 1-3Os extremófilos constituem ferramentas importantes para os astrobiólogos, tanto na procura de respostas para a origem da vida na Terra como na pesquisa da mesma noutros locais do Universo. Para além disto, estes organismos, por terem mecanismos únicos para a sua sobrevivência em ambientes tão radicais, poderão ainda ter inúmeras aplicações na indústria, podendo no futuro contribuir para novas e estimulantes descobertas.

Só no nosso sistema solar o espetro de possibilidades para a existência de vida noutros planetas aumentou consideravelmente. Reavivaram-se as expetativas de encontrar vida no subsolo e nas calotes polares de Marte, assim como em Europa, uma das luas de Júpiter e nas luas de Saturno, Encélado e Titã (figuras 4, 5, 6 e 7).

4-7Tanto em Europa como em Encélado pensa-se existirem oceanos de água líquida sob as superfícies geladas destes planetas. Em Encélado, observações efetuadas apontam para a existência de géiseres a elevadas temperaturas, e em Europa a proximidade do gigante Júpiter e suas implicações gravitacionais estarão na origem de fenómenos vulcânicos associados a fontes hidrotermais. Sobre Titã, os cientistas especulam que este possa ter lagos ou oceanos com hidrocarbonetos líquidos (metano e etanol), condições que poderão assemelhar-se às da Terra Primitiva.

Outra possibilidade, perfeitamente razoável, é a existência de vida noutros sistemas planetários. Em pouco mais de dez anos, a evolução da tecnologia permitiu detetar centenas de exoplanetas. A maioria destes planetas é de grandes dimensões e encontra-se a grandes distâncias da Terra, mas notícias recentes indicam a descoberta de três planetas com temperaturas e dimensões semelhantes às de Vénus e Terra que circundam uma estrela a apenas 40 anos-luz da Terra.

O projeto “Vida no limite”* surge com a vontade de um conjunto de alunos em realizar na escola um projeto sobre astrobiologia. Neste âmbito, decidiu-se estudar a comunidade de extremófilos acidófilos (pH inferior a 4) que habita uma das lagoas acidificadas da mina do Lousal (pH 2,6). Os alunos do projeto acompanharam uma visita de estudo feita por alunos do 11ºano da escola ao Centro de Ciência Viva do Lousal e recolheram amostras da Lagoa Vermelha (figuras 7 e 8).

7-8

No laboratório da escola foram feitas preparações com a água da lagoa e observaram-se ao microscópio. Com o objetivo de promover o crescimento destas bactérias oxidantes de enxofre e ferro, prepararam-se vários meios de cultura líquidos, inocularam-se com água da lagoa e foram mantidos em banho-maria a 30ºC. (figuras 9 e 10).

9-10

O crescimento foi observado em três dos meios de cultura preparados, com aumento da turbidez, diminuição do pH e observação de bactérias ao microscópio ótico (figuras 11 e 12).

11-12

 

Devido ao sucesso desta experiência a equipa pretende identificar as espécies em cultura com a colaboração de investigadores na área da Microbiologia, testar os limites de tolerância destas bactérias fazendo variar algumas condições abióticas e determinar a viabilidade destas bactérias para biomineração (utilização de seres vivos para extração de minério).

Como o conhecimento científico deve ser divulgado e partilhado, os alunos do projeto foram “dar uma aula” à turma do 7ºC da Professora Carla Vaz. Os colegas do 7ºano estiveram muito atentos e participaram com entusiasmo nas atividades propostas pela equipa.

13-14

*O projeto foi submetido ao concurso FCT Nova Challenge 2016

Agradecimentos: 

  • À nossa escola que nos facultou os meios necessários para desenvolver o nosso projeto, até mesmo nos fins-de-semana (obrigada Professor Filipe Quintão e Sr. Fernando Guerreiro).
  • À colaboração do Centro de Ciência Viva do Lousal que nos permitiu recolher as amostras essenciais para o nosso trabalho e nos disponibilizou bibliografia. Um agradecimento especial ao Professor Jorge Relvas, Presidente do Centro de Ciência Viva do Lousal, que assim que soube do nosso trabalho se prontificou para nos ajudar a levar este projeto para outro nível.
  • À Junta das Freguesia da Charneca da Caparica e Sobreda que tão rapidamente nos apoiou e se ofereceu para divulgar o nosso projeto.
  • A todos os elementos da comunidade científica pelos seus conselhos e generosidade na partilha do seu conhecimento. (Professor Francisco Carrapiço, Dr. Hélio Tomás, Professora Paula Vilas Boas)
  • À turma 7ºC por nos ter recebido de forma tão entusiasta .
  • À professora Carla Vaz pelo incentivo com que apoiou esta iniciativa.
  • À professora Telma Rodrigues, pelo seu imenso empenho, dedicação e entusiasmo sem os quais não teria sido possível levar este projeto a bom porto.

Equipa do Projeto:

  • Afonso Ramos,12ºB
  • Daniela Mendes, 12ºB
  • Lídia Barata, 12ºC
  • Sara Cosme, 12ºB
  • Tiago Ramalho,12ºB
  • Telma Rodrigues (coord.)

Referências Bibliográficas

Referências das Imagens:

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O nosso sistema solar é constituído por uma estrela a qual chamamos Sol e por planetas: Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno.

O sistema solar é um conjunto de planetas, asteróides, cometas e outros corpos que estão sempre em movimento. Cada um mantém-se na sua respetiva órbita devido à intensa força gravitacional exercida pelo Sol, que possui massa muito maior que a de qualquer outro corpo do sistema solar.

Vénus é o segundo planeta a contar do Sol e o sexto maior. Por vezes, este planeta é referido como irmão da Terra, porque em alguns aspectos são muito semelhantes. Vénus é apenas um pouco mais pequeno que a Terra: o seu diâmetro é cerca de 95% do diâmetro da Terra e a sua massa é aproximadamente 80% da massa da Terra. Ambos os planetas têm poucas crateras, o que indica superfícies relativamente jovens. As suas densidades e composições químicas são semelhantes.

A superfície de Vénus está rodeada por uma atmosfera constituída praticamente por dióxido de carbono e por uma enorme camada de nuvens que são formadas por gotas de ácido sulfúrico. A densa camada de nuvens provoca um enorme efeito de estufa, ou seja retém o calor fazendo com que Vénus seja o mais quente dos planetas.

É na camada de nuvens que ocorre uma forte reflexão da luz solar, fenómeno que é responsável pelo brilho deste planeta. De facto, Vénus é, depois do Sol e da Lua, o astro mais brilhante no céu e, por isso, se vê facilmente a olho nu. E, tal como a Lua, pode ser visto de dia e de noite. O seu brilho resulta da reflexão da luz solar na camada de nuvens.

 João Pedro, 7ºB

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Simone Ferreira, 7ºB

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O Sistema Solar é constituído por 8 planetas: Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno.

Há muitos planetas no Sistema Solar que têm satélites, por exemplo, a Terra tem 1 satélite: Lua; Marte tem 2 satélites: Fobo e Deimos; Júpiter tem 67 satélites: Lo, Europa, Ganimedes, Calisto e mais; Saturno tem 62 satélites: Mimas, Encélado, Tétis, Dione, Reia e mais; Úrano tem 27 satélites: Puck, Miranda, Ariel, Umbriel e outros; Neptuno tem 14 satélites: Tritão e Nereida, entre outros.

Marte é o quarto planeta a partir do Sol. É também o segundo menor planeta no Sistema Solar. Batizado em homenagem ao deus romano da guerra, muitas vezes é descrito como o “Planeta Vermelho”, porque o óxido de ferro predominante na sua superfície lhe dá uma aparência avermelhada.

Marte está sendo explorado por cinco naves espaciais atualmente: três em órbita — Mars Odyssey, Mars Express e Mars Reconnaissance Orbiter — e duas na superfície — Mars Exploration Rover Opportunity e Mars Science Laboratory Curiosity.

Marte é um planeta rochoso com uma atmosfera fina, com características de superfície que lembram tanto as crateras de impacto da Lua quanto vulcões, vales e desertos. Recentemente, a NASA divulgou uma grande descoberta para a imprensa, a descoberta de fortes evidências que indicam a existência de água líquida na superfície marciana. Já não é de hoje que cientistas sabem da existência de gelo em certas regiões de Marte, mas nunca se conseguiu nada sobre água liquida correndo pela superfície de Marte.

 Afonso Vaz,7ºD

mara isodoro 7ºB

maqueta de Mara Isidoro, 7ºB

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