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Posts Tagged ‘Concurso’

À semelhança do ano anterior, a BE organizou, em parceria com a Porto Editora e a colaboração das professoras Énia Sena, Marina Andrade e Ana Fernandes, o concurso de literacia 3D. Este ano foi o 7ºAno de Ciências que contou com a participação de perto de 30 alunos de todas as turmas.

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folheto informativo com o regulamento       ficha-de-inscricao    site

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A prova decorrerá, na nossa escola, no dia 9 de novembro de 2016(4ªf), com início às 15h30m  e terá a duração de 2 horas. Se quiseres participar inscreve-te junto do teu professor de matemática.

Podes saber mais informação aqui:

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clica para aceder ao site

Dina Viegas e Ana Fernandes

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Jose_Saramago-00A leitura da obra Memorial do Convento transcende a conjugação de letras escritas a negro que decoram folhas em branco. A riqueza desta obra não está patente na capa ou contracapa. Apenas quem experiencialmente leu esta incrível obra saberá do que falo.

O uso de uma peculiar pontuação, a capacidade que este autor tem de criar ambientes verosímeis através da escolha de palavras da época, de descrições até ao pormenor da roupa das personagens, dos espaços físicos e sociais que estão presentes ao longo de toda a narração, cativa o leitor deixando-o preso à história, por esta apresentar uma nova verdade em comparação com o cânon da História. Isto é, o leitor embarca numa viagem por caminhos nunca antes conhecidos, possibilitando a si mesmo, uma reflexão e reavaliação do passado, uma vez que o ponto de vista de José Saramago é diferente do da História.

Para além de embarcar nesta viagem, foi nos proporcionada a oportunidade de viver cada detalhe de um dos palcos onde desfilam diversos quadros sociais, para melhor compreender todo o esforço e o sacrifício de inúmeros trabalhadores que está subjacente à construção do Convento de Mafra, à realização de uma promessa feita por D. João V, um rei megalómano que segundo a história é o magnífico, aquele que fez erguer um grandioso monumento.

Ao observar o esplendoroso monumento, imaginei quantos sacrifícios teriam sido realizados, quantas vidas perdidas na tentativa de poder realizar uma promessa que não lhes pertencia, quanto tempo investido para tamanho feito…cdacb40b-4028-41c9-98d6-3f0bc1427e91

Saramago, na sua obra deu ênfase ao transporte de uma pedra vinda de Pêro Pinheiro até Mafra, que aparentava ser fulcral neste monumento, não só pelo seu tamanho e quantidade de pessoas e juntas de bois que foram necessárias para transportá-la, mas também pelo facto de possuir um nome próprio: Benedictione.

Confesso que contemplando o monumento e a sua imensidade, quase que nem daria pela pedra que fora destinada à varanda sobre o pórtico da igreja, senão tivesse conhecimento de toda a história que nela está assente.

E foi no momento em que averiguei a pequenez daquela pedra, daquela que trouxe com ela, o sacrifício, o sofrimento e até mesmo a morte de trabalhadores que ajudaram na concretização de desejos megalómanos e prepotentes do rei todo-poderoso, que apenas queria mostrar o seu poder e riqueza aos restantes povos europeus, desprezando quaisquer recursos e até mesmo as circunstâncias em que se encontrava o povo, que me apercebi que

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José Santa-Bárbara

a palavra faz de nós aquilo que hoje somos. Hoje, não conheceríamos outra versão se José Saramago não imortalizasse os verdadeiros heróis, aqueles que na verdade ergueram tão grandioso monumento com tão escassos recursos e tempo.

Toda a introspeção que esta visita de estudo me proporcionou, não só me levou a concordar com José Saramago, como também me permitiu alcançar níveis de compreensão acerca da mensagem patente em Memorial do Convento.

Cada pormenor, cada detalhe, cada pedra que constitui o monumento, tem uma história para contar, e sem a palavra nenhuma história poderá ser narrada ao mundo. Nenhuma história será conhecida.

Catarina Gouveia, 12ºA

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fotoMais uma vez, se entregaram os prémios aos melhores Portefólios de Leituras, um projeto que tem vindo a ser desenvolvido, já há vários anos, entre a BE e o grupo de Português, sendo a prof.ª Rosa Silva a mais persistente (e crente na sua mais valia para os alunos) ao continuar a integrar este projeto na sua prática letiva.

Mário Sá Nogueira (1º), Inês Domingues (2º) e Sara Boisseau (3º), todos do 8ºC, foram os distinguidos neste ano letivo, recebendo cada um um livro do seu gosto, como distinção pelo seu trabalho – parabéns aos três!

Aqui ficam alguns pequenos excertos dos portefólios dos nossos vencedores:

mandela-livroO Livro da Minha Vida

Esta autobiografia que relata a extraordinária história de vida de Nelson Mandela. Todo o percurso de luta e de esperança até ao triunfo final, em que se transforma numa figura incontornável da África do Sul e do mundo. Foi o maior livro que li até hoje e que me marcou por toda a história vivida, por toda a dor e sofrimento passados.

Mário Sá Nogueira, 8ºC

Duas sugestões de leitura

downloadOs dois livros que eu sugiro, que não os do contrato de leitura, são “ A culpa é das estrelas”, de John Green e “Pai nosso”, de Clara Ferreira Alves.

Sugiro estas duas leituras porque, no caso de “A culpa é das estrelas”, é uma história que explora, de maneira brilhante, a aventura divertida, empolgante e simultaneamente trágica que é estar-se vivo e apaixonado. No caso de “Pai nosso”, porque, neste livro, se testemunham os conflitos download (1)religiosos, com maior incidência no Médio Oriente, que assolam o mundo há mais de vinte anos, e como foi possível  cruzarem-se os projetos religiosos dos diferentes países. Esta é uma história que retrata uma realidade com a qual não contactamos e que, ao tomarmos consciência da sua existência, nos sensibiliza. A mim, por exemplo, toca-me particularmente aquilo que está a acontecer atualmente com os refugiados da Síria e o quanto deve ser difícil sair do seu país sem saberem o destino final.

Inês Domingues, 8ºC

O meu perfil de leitor

escuela-lectura_-philippe-behc3a1Eu sou uma pessoa aberta a novas experiências e estou sempre pronta para novos desafios. Considero-me uma apaixonada pela leitura.

Os livros são os nossos segundos pais. Ajudam-nos a crescer e dão-nos ferramentas para podermos orientar a nossa vida presente e futura. Ao ler, formamos uma ideia própria e madura acerca de variadíssimos assuntos. Lendo, falamos e escrevemos melhor e mais rápido, com um vocabulário muito mais rico do que aquele que não tem essa prática. Ler enriquece os nossos sonhos, permite-nos ver a imensidão da nossa ignorância, transporta-nos a mundos desconhecidos. Ler educa a mente, a memória e a imaginação.

Em suma, ler é receber muito em troca de quase nada.

Sara Boisseau, 8ºC

Aceda aos portefólios integrais:

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Foi realizada mais uma edição do concurso de escrita A Pedra e a Palavra, que propunha aos alunos do 12ºAno que visitaram o Convento de Mafra, no passado mês de maio, que associassem essa experiência física, sensorial e igualmente factual e histórica, à ficção da palavra de Saramago na obra que tinham lido – O Memorial do Convento.

Selecionados os melhores textos desta edição, os vencedores foram premiados com três obras de Saramago. Como sempre, inciamos aqui a divulgação do texto classificado em 1º lugar, da Maria Carolina Santos, 12ºC.

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os vencedores, da esq. para a dir.: 1º Mª. Carolina Santos (12ºC), 2º Luís Leston e 3º Catarina Gouveia (12ºA)

Texto classificado em 1º lugar

Através da leitura de Memorial do Convento é-nos transmitida apenas uma pequena ideia da dimensão do monumento, bem como do seu caráter fictício. Será que a experiência física se assemelha à obtida através da leitura? Será que basta a fantasia da ficção para entender a materialidade deste fragmento de património português?

Aconselho, portanto, a leitura prévia desta obra saramaguiana. Com ela, deparamo-nos com um gritante contraste entre o esplendor barroco de igrejas e palácios e o despojamento das casas, assim como das condições asquerosas e humilhantes em que o povo português vivia; Com ela vamos ao encontro de um passado sombrio caracterizado pelo medo e opressão, em que as palavras pronunciadas pelo narrador e algumas personagens dão conta disso mesmo. Algumas são “pedras” atiradas ao acaso, com a intenção de “ferir” as suscetibilidades dos leitores. E continua a ser esse o verdadeiro propósito da obra.

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José de Santa-Bárbara

Muitas vezes, ao longo das suas páginas, deparamo-nos com alusões feitas à pedra que, no entender do narrador, é uma ínfima parte do monumento descomunal que estava a ser construído. É uma das grandes epopeias da obra de José Saramago, uma verdadeira odisseia carregada de sacrifício só para a transportar. As suas palavras transmitem claramente essa ideia – o transporte de Pêro Pinheiro a Mafra, um dos muitos episódios que ocorreram aquando da construção do convento, exemplificando efetivamente a escravidão humana, o absurdo do sacrifício transmitido muitas vezes em expressões monossilábicas, que constituem gritos de dor, como se àqueles trabalhadores fossem atiradas inúmeras pedras! Quase que se consegue ouvir o gemido de quem a carrega mas não são ouvidas palavras capazes de refletir tudo isso.

Olhemos bem para o tamanho gigantesco do monumento: Quantas palavras foram trocadas por todos aqueles quarenta mil trabalhadores só para transportar esta e outras tantas pedras? Tão grande que aquela era para ser usada numa varanda infinitamente pequena! Foi assim a materialização do convento? Terá sido esse episódio do seu transporte que o narrador utilizou para falar do tamanho gigantesco da pedra?

É importante não esquecer que tudo teve início num simples frase pronunciada pelo rei D. João V, cujas palavras passo a citar: “(…) Prometo, pela minha palavra real, que farei construir um convento de franciscanos na vila de Mafra se a rainha me der um filho no prazo de um ano (…)”. Poucas palavras para tantas toneladas de pedra. Estas representam a dor física e a experiência sensorial de todos os trabalhadores e a nossa também, como leitores e visitantes. Parece que sentimos as “palavras afiadas” daquele rei, bem como as “feridas” que causaram em tanta gente inocente. A fantasia, o sonho de um só homem deu lugar a um voto bem real, escrito sobre a pedra mármore, que milhares de homens epicamente e heroicamente transportaram.

Na verdade, “A Pedra e a Palavra” constituem um verdadeiro desafio literário, “No fundo… temos necessidade de dizer quem somos e a necessidade de deixar algo feito”. De que forma? Usando a palavra com o intuito de descrever pedras imensas que fazem parte das grandes obras de arquitetura deste país, destacando, claramente, o Convento de Mafra.

Maria Carolina Santos,  12ºC.

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