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the-nobel-literature-prize-2016-bob-dylanA temporada dos prémios Nobel 2016 vai estar sempre ligada à polémica causada pela atribuição do galardão da Literatura a Bob Dylan pois é a primeira vez que um músico ganha o citado prémio. Na verdade, esta escolha não deixou ninguém indiferente desencadeando perplexidade que se manifestou tanto no apoio como no desacordo, sendo neste último caso o mais evidente o do escritor peruano Mario Vargas Llosa, Nobel da Literatura de 2010. Este, durante a cerimónia em que lhe foi atribuído o grau de Doutor Honoris Causa, pela Universidade de Burgos, em Espanha, criticou a “cultura de espetáculo” que impera na sociedade atual questionando se no próximo ano o prémio não será entregue a um futebolista. O escritor Gary Shteyngart, ironicamente, por seu lado, diz que entende que para o comité sueco, “ler um livro é difícil”. Entre os que concordaram com a atribuição o destaque vai para o escritor Salman Rushdie que considerou uma “ótima escolha”.

A polémica aumentou pelo facto de Bob Dylan, tardar a reagir à distinção, não atendendo telefonemas e mensagens da Academia Real Sueca reconhecendo, mais tarde, que se sentia honrado pela atribuição do prémio, embora não possa estar presente na cerimónia de entrega do mesmo em 10 de dezembro, dizendo que tinha “ compromissos prévios”. No entanto, nos seis meses seguintes à cerimónia terá de fazer o discurso de aceitação que é o único requisito exigido aos laureados e, como tal, aguardam-se novos desenvolvimentos, embora esta situação não seja inédita e já aconteceu, por diversas razões, nomeadamente com Doris Lessing, Harold Pinter e Elfriede Jelinek.  Em mais de um século de história dos Nobel da Literatura, apenas dois autores recusaram o prémio: em 1958, por pressão do poder soviético, Boris Pasternak, viu-se obrigado a rejeitar a honra, recebendo o prémio mais tarde e, em 1964, foi a vez do francês existencialista Jean Paul Sartre  não aceitar o prémio.

the-nobel-medicine-prize-2016-yoshinori-ohsumiMas, naturalmente, esta polémica não pode ofuscar o mérito dos restantes galardoados. Assim, o Nobel da Medicina, foi atribuído ao japonês Yoshinori Ohsumi, professor no Instituto de Tecnologia de Tóquio, por ter contribuído, de forma decisiva, para que fossem conhecidos os mecanismos da autofagia celular. Em comunicado, a Academia refere que o laureado “descobriu e elucidou sobre os mecanismos da autofagia, um processo fundamental para a degradação e reciclagem dos componentes celulares”. Yoshinori Ohsumi, especialista em biologia celular, conseguiu através de uma série de experiências com fermento de padeiro identificar os genes essenciais para a autofagia, no início da década de 90 do século passado. As suas descobertas abriram o caminho à compreensão da importância fundamental da autofagia em muitos processos fisiológicos, como a adaptação à fome ou a resposta à infecção concluindo-se, também, que as mutações nos genes da autofagia podem provocar doenças e o próprio processo autofágico está envolvido em diversos problemas, incluindo o cancro e a doença neurológica.

Quanto ao  Prémio Nobel da Física, foi atribuído a três britânicos: David Thouless, Duncan Haldane e Michael Kosterlitz, pois graças ao seu trabalho pioneiro  nas décadas de 70 e 80, revelaram os segredos da matéria exótica no mundo quântico contribuindo para a comunidade científica procurar novas e exóticas fases da matéria com  potenciais aplicações, tanto na ciência de materiais como na electrónica. Segundo o comunicado da Real Academia Sueca das Ciências, “os laureados deste ano abriram a porta para um mundo desconhecido onde a matéria pode assumir estados estranhos. Usaram métodos matemáticos avançados para estudar fases, ou estados, pouco habituais da matéria, como os supercondutores, superfluidos ou películas magnéticas finas”.

O Prémio Nobel da Química  foi atribuído ao francês Jean-Pierre Sauvage, ao escocês J. Fraser Stoddart e ao holandês Bernard L. Feringa, pelo desenho e síntese de máquinas moleculares, a miniaturização da tecnologia, pelo desenvolvimento de moléculas com movimentos controláveis quando lhes é fornecida energia resultando na criação das máquinas mais pequenas do mundo – mil vezes mais pequena que um fio de cabelo. O comunicado da Academia salienta que “[Ainda assim,] em termos de desenvolvimento, o motor molecular está ao mesmo nível que o motor elétrico estava em 1830, quando os cientistas exibiam máquinas elétricas capazes de mover pedais e rodas, mas não sabiam que essas máquinas iriam tornar-se comboios, máquinas de lavar, ventoinhas e processadores de alimentos”. Esta área de investigação apresenta inúmeras aplicações, nomeadamente na Medicina.

O Prémio Nobel da Economia foi atribuído ao britânico Oliver Hart e ao escocês Bengt Holmström, dois professores de universidades norte-americanas de Harvard e MIT que estudam a teoria dos contratos, isto é, o estudo sobre a forma como os contratos de trabalho e outros são construídos para servirem de base às relações económicas. A Academia, em comunicado, refere que “as novas ferramentas teóricas criadas por Hart e Holmström são valiosas para compreender os contratos e as instituições na vida real, bem como potenciais fracassos na conceção de contratos”.

the-nobel-peace-prize-2016-juan-manuel-santosPor fim, o Nobel da Paz distinguiu o presidente colombiano Juan Manuel Santos pelos esforços de paz com a guerrilha marxista das FARC para pôr fim a 50 anos de guerra civil que causou mais de 220 mil mortos no país e que resultaram, no dia 26 de Setembro, na assinatura do acordo de paz negociado durante quatro anos em Cuba. E apesar da vitória do Não no referendo de 2 outubro, Kaci Kullmann Five, a presidente do Comité Nobel sublinhou que o resultado do referendo torna ainda mais importante que Santos e as FARC respeitem o cessar-fogo destacando que  “o facto de a maioria do povo ter dito não ao acordo não significa que o processo de paz esteja morto”.  Juan Manuel Santos tornou-se, assim, no 26.º chefe do Estado a receber um Nobel e a  América Latina volta a receber o galardão da Paz depois da vitória de Rigoberta Menchu em 1992, pela sua defesa das mulheres indígenas.

Luísa Oliveira

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Recordam-se de terem lido os aspetos relacionados com as «ÁREAS URBANAS – DINÂMICAS INTERNAS», na disciplina de Geografia A, que foram abordados no nosso Jornal em artigos anteriores?

Pois é!

Ficámos de vos mostrar de que modo a Geografia nos explica a importância do estudo das CIDADES e das CONDIÇÕES DE VIDA URBANA, na melhoria da qualidade de vida da população em Portugal.

E estamos a cumprir o prometido!

Leonett Abrantes (prof. de Geografia)

Ao estudarmos estes Conteúdos Programáticos, a nossa Professora Leonett Abrantes propôs-nos um trabalho que refletisse as condições de vida urbana, incidindo nos seguintes aspetos:

  • Quais os problemas inerentes às condições de vida urbana?
  • Quais as medidas de recuperação da qualidade de vida urbana?
  • Que importância assume o Programa POLIS na recuperação da qualidade de vida urbana?

 Queres conhecer um pouco mais destes aspetos?

Nas áreas urbanas, principalmente nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, verificam-se alguns problemas que afetam a população. O excessivo crescimento da população e a ausência de planeamento de expansão das cidades para as periferias traz efeitos sociais e ambientais negativos. Numa primeira fase, fase centrípeta, as cidades foram polos de atração da população rural, alimentando uma tendência para a concentração da população e das actividades económicas nos centros urbanos.

Posteriormente, na fase centrífuga, os preços fortemente disputados pelas atividades terciárias de alto nível e levaram à deslocação da população, indústrias e algumas funções terciárias mais exigentes em espaço, em direção a áreas periféricas, alargando o espaço urbano de forma descontínua.

Em Portugal, este fenómeno verificou-se nos anos 50, quando a população rural se deslocou para o litoral, evidenciando a tendência de Litoralizaçãoconcentração da população e das actividades económicas no litoral. Os subúrbios cresceram de forma não planeada, com domínio de blocos de apartamentos ao longo das vias de comunicação, que conferem à população uma maior acessibilidade e um menor custo do solo. Verificou-se, por vezes, o fenómeno da Periurbanização, onde a área fora da coroa suburbana, como o espaço rural, foi ocupado de forma descontínua por indústrias, comércio e serviços, obrigando, consequentemente, ao alargamento das áreas residenciais para trabalhadores.

movimentos pendulares-áreas-metropolitanas-de-lisboa-e-portoDaqui resultou o alargamento das vias de comunicação e da rede de transportes, o que possibilitou uma maior acessibilidade a estas áreas. No entanto, este processo veio agravar a localização dispersa da função residencial e das atividades económicas e intensificar os movimentos pendulares.

Estes processos da suburbanização e periurbanização têm impactes sociais, ambientais e territoriais nefastos, pois, a intensificação dos movimentos pendulares entre as grandes cidades e as áreas envolventes, cada vez mais distantes, aumentam o consumo de combustível e a dependência externa fase aos combustíveis fosseis e prejudicam o meio ambiente, com a grande concentração de gases poluentes enviados para a atmosfera. O aumento da densidade populacional e a necessidade de deslocação causam uma grande pressão sobre o sistema de transportes e, para além disso, a concentração dos transportes aumentam os tempos das deslocações, devido ao congestionamento do trânsito, o que consequentemente contribui para a fadiga e para o ‘stress. Esta excessiva concentração da população denota que os equipamentos públicos são insuficientes e que cada vez mais há um aumento do custo na distribuição da água, energia e saneamento básico, devido à dispersão do povoamento periurbano.tráfego

Embora as cidades ofereçam boas condições de vida à população (os cidadãos dispõem de equipamentos hospitalares, serviços, bancos, clinicas dentárias, centros comerciais, parques de lazer, bibliotecas, escolas de ensino primário e secundário, universidades, etc.), surgem, contudo, alguns constrangimentos resultantes do excessivo crescimento urbano e ausência de planeamento, evidenciando um desequilíbrio entre as infraestruturas urbanas e as necessidades da população, o que coloca em risco a sua sustentabilidade e a qualidade de vida.

A saturação dos espaços e a incapacidade de resposta de algumas das infraestruturas e dos serviços, sobretudo nas redes de distribuição de água e energia, saneamento, transporte públicos, tribunais, finanças, escolas, hospitais e centros de apoio a crianças e terceira idade, são alguns dos problemas das áreas urbanas. A mobilidade e os transportes são essenciais nas cidades para a realização dos movimentos pendulares – de casa ao trabalho e do trabalho a casa. Esta necessidade origina problemas como congestionamento do trânsito, dificuldades de estacionamento pela ausência ou insuficiência de parques de estacionamento, proliferação de parques subterrâneos em locais de risco ou até mesmo invadindo locais históricos.

saturação de infraestruturas

Mais grave ainda, é o agravamento da dependência externa face aos combustíveis fosseis e, ainda, emissão em massa de gases poluentes com ‘efeito de estufa’. Esta crescente quantidade de automóveis por habitante é observada na taxa de motorização (relação entre o número de automóveis e o número de habitantes expresso por 1000 habitantes) e conclui-se que este número tem vindo a aumentar, o que se deve à insuficiência e ineficácia dos transportes públicos urbanos, escassez de carreiras e de percursos, más condições das viaturas, elevado tempo de espera nas paragens, ausência de serviços noturnos, preços elevados e insegurança.

Em Portugal, o arrendamento de imóveis com rendas fixas é o responsável pela degradação de muitos edifícios nas áreas antigas da cidade, visto que as rendas fixas não compensam o investimento do proprietário dos imóveis. O seu rendimento não garante o suficiente para proceder à recuperação das habitações. Por vezes, quando estes edifícios ficam desocupados, por morte ou abandono, e não se procede à demolição ou recuperação, são frequentemente ocupados por clandestinos ou ‘sem abrigo’, na sua maioria imigrantes oriundos da Ásia e África e toxicodependentes. Estes imigrantes, muitas vezes, ocupam bairros de lata onde se destaca a pobreza, marginalidade e criminalidade. Verifica-se, nestas bolsas de habitação precária, a má qualidade de vida, não tendo acesso ao saneamento básica e rede de eletricidade, o que se deve à ilegalidade destes bairros não planeados.

idososO envelhecimento da população acompanha o envelhecimento dos edifícios e levanta problemas sociais de abandono e solidão, sobretudo nas áreas centrais, habitadas por idosos. A população jovem procura habitação nas áreas suburbanas, onde o custo é inferior. Daqui, surge outro problema nas áreas suburbanas: as crianças e adolescentes sofrem por vezes de solidão pela ausência dos pais. Pertencem à chamada “geração da chave”, pois desde tenra idade que têm a chave de casa, ficando entregues a si próprios. Esta solidão reflete-se na indisciplina, no insucesso escolar e no risco de consumo e dependência de drogas e álcool.

Os movimentos pendulares, deslocação casa ao trabalho/escola e do trabalho/escola a casa, causam stresse e doenças do sistema nervoso, devido à fadiga, custos acrescidos e desgaste pelas deslocações diárias.

A cidade, apesar da elevada concentração demográfica e de atividades económicas, é um lugar onde as pessoas se cruzam, mas raramente se encontram, prevalecendo um anonimato difícil de quebrar, acentuando-se a solidão e a ausência de relações de vizinhança.

A conjuntura económica europeia tem contribuído para o acentuado aumento dosolidão dos jovens_geração da chave desemprego de longa duração. Para além de problemas económicos, o desemprego provoca a diminuição de contactos sociais e autoestima e as suas consequências podem ser depressão, alcoolismo, suicídio, etc., o que aumenta a pobreza e a exclusão social. A pobreza urbana inclui os idosos com baixas pensões e reformas, os trabalhadores mal remunerados, as famílias monoparentais, os grupos étnicos e culturais minoritários e as pessoas ‘sem-abrigo’ que vivem em vãos de escada, carros abandonados ou na rua.

As situações de abandono e pobreza propiciam a criminalidade e insegurança dos cidadãos.

metro lisboaA qualidade ambiental é um importante indicador de qualidade de vida urbana. A grande concentração de população e de atividades económicas, transportes, etc., fazem das cidades os principais consumidoras de recursos naturais e de energia e os maiores produtores de resíduos urbanos, exercendo uma forte pressão sobre os ecossistemas. Verifica-se um elevado nível de ruído e de poluição atmosférica, que comprometem a qualidade do ar e a saúde dos habitantes. A forte concentração de gases poluentes provoca a subida da temperatura, o que se deve essencialmente aos materiais de construção e impermeabilização dos solos (o alcatrão das estradas reduz o albedo e aumenta a absorção de calor – é o chamado “clima urbano”); a climatização artificial, com a introdução de ar condicionados na maioria dos edifícios, contribui também para a formação de ‘ilhas de calor’ e os transportes são outro fator que também contribui para que as temperaturas sejam mais elevadas nas áreas urbanas em relação às periferias.

A poluição das cidades é resultado da crescente produção de resíduos que obrigam à construção de equipamentos de deposição e tratamento de lixos e de águas residuais, por exemplo, aterros sanitários e ETAR’S, que, apesar de minorarem os resíduos, são também eles agentes poluidores.

Existe, ainda, para além do ponto de vista ambiental anteriormente referido, a ponto de vista estético das cidades – a “Poluição Visual”. Podemos observar uma forte pressão construtiva, aliado ao custo do solo das áreas urbanas, que está na origem da escassez de áreas verdes para lazer e convívio, assim como escassez de caminhos pedonais, que permitam a separação entre carros e peões e deslocação autónoma de pessoas com deficiência. A paisagem urbana é desvirtuada por numerosas agressões que diminuem a qualidade estética, não só pela presença de equipamentos de ar condicionados, mas, também, pela degradação de edifícios históricos.

Torna-se, assim, necessário proceder ao Planeamento Urbano, como solução destes problemas. É o processo essencial para a prevenção e resolução dos problemas anteriormente referidos. Este planeamento procura gerir a utilização do espaço de forma equilibrada, aproveitando as potencialidades urbanas e criando condições adequadas à população.

reabilitaçao urbanaPortugal tem investido e valorizado as Políticas de Ordenamento do Território, através de alguns instrumentos de gestão, por exemplo, a nível das cidades destaca-se o PMOT (Planos Municipais do Ordenamento do Território) onde se integra o PDM (Plano Diretor Municipal), o PU (Plano de Urbanização) e o PP (Plano de Pormenor), cada um com diversas funções:

PDM – Gestão territorial de nível local que fixa linhas gerais de ocupação do território municipal. Avalia e define estratégias para responder às novas necessidades e potencializar novas oportunidades. Legalmente, este plano tem de ser revisto e renovado no mínimo de 10 em 10 anos.

PU – Integra o PDM e define a organização espacial de uma área de perímetro urbano do território municipal, onde possa ser necessário uma intervenção, nomeadamente a definição da rede viária, localização de equipamentos de uso e interesse colectivo, estrutura ecológica, circulação de transportes, criação de parques de estacionamento, etc.

PP – Desenvolve e concretiza as propostas de organização espacial de qualquer área especifica do concelho, define detalhadamente a forma de ocupação e executa projetos de infraestruturas, arquitetura de edifícios e espaços exteriores.

Para recuperar e revitalizar as cidades, no geral, deve proceder-se à dinamização do tecido económico e social, hoje uma das principais preocupações, tendo em vista a manutenção da centralidade e o repovoamento do espaço. Pretende-se torná-lo competitivo, face às novas centralidades (centros comerciais) e combater a saída dos habitantes para áreas suburbanas.

O uso dos edifícios e dos espaços exteriores leva ao seu envelhecimento e degradação, Requalificação_Urbanasendo necessárias ações de reabilitação urbana, ou seja, intervenções em áreas degradadas para proceder à sua conservação, restauro, reforma, ampliação, transformação, reconstrução, de um edifício, dotando-lhe de melhores condições de habitabilidade e utilização, mas mantendo o estatuto dos residentes e os usos das atividades aí instaladas, ou seja, a função do edifício não é alterada. É através da Iniciativa JESSICA (‘Joint European Support for Sustainable Investment in City Areas’), que é possível aproveitar fundos estruturais da União Europeia (UE), como o FEDER, para a criação de Fundos de Desenvolvimento Urbano, que apoiem projetos de reabilitação urbana e planos integrados de desenvolvimento sustentável.

Outro importante apoio de requalificação urbana é o Programa POLIS – Programa Nacional de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental das Cidades, que permite recuperar, transformar e revitalizar a paisagem, tornando-a mais atrativas e melhorando a qualidade ambiental das cidades portuguesas. Foi criado em 2000 com o objetivo de melhorar a qualidade de vida urbana, apoiando a intervenção urbanística e ambiental, visando aumentar os espaços verdes e promovendo áreas pedonais.

A Política POLIS XXI procura responder aos desafios e problemas das cidades, disponibilizando as verbas do FEDER, para apoio da Regeneração Urbana, valorizando os centros históricos e as frentes ribeirinhas e marítimas, possibilitando a qualificação das periferias e a renovação de funções e uso de áreas abandonadas ou com usos desqualificados e, ainda, a reintegração urbana de bairros críticos, de forma a combater a segregação territorial.

Margarida Nunes, 11ºF

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GEOescritas está de volta com novos temas do interesse de todos! Como cidadãos conscientes do nosso papel no Planeta Terra, iremos divulgar, ao longo do ano letivo, aspetos geográficos de Portugal e do Mundo.

Não percam!

Leonett Abrantes 

A produção de Colza em Portugal

fig.3 - a produção da colza

a produção da colza

Colza (do latim, Brassica napus) é uma planta oleaginosa herbácea, que pode atingir 1 a 1,8 metros de altura e de cujas sementes é possível a extração do azeite de colza para produzir biodiesel. Em Portugal, a produção de colza iniciou-se com o projeto da IBEROL, que planeava implantar em Portugal 20 000 hectares desta planta. Os campos experimentais foram estabelecidos nas Regiões Agrárias da Beira Interior e Alentejo.

O rendimento proveniente da extração de azeite é cerca de 45%, sendo o restante farinha de colza ou bagaço.

automóveis a biodiesel

automóveis a biodiesel

Esta cultura promove inúmeras vantagens não só ao país mas, também,  para os produtores, visto ter um baixo custo de instalação e proporcionar aos agricultores uma ajuda comunitária de 45 euros por hectare. Quanto aos benefícios desta plantação para o país, resultam na diminuição da dependência externa face aos combustíveis fósseis, no equilíbrio da balança comercial pela redução das importações de gasolina e de gasóleo, na promoção da dinamização dos transportes rodoviários movidos com biodiesel e, portanto, “amigos do ambiente”, bem como na redução de gases poluentes e de «Efeito de Estufa» como o CO2, para a atmosfera.

As folhas da colza também constituem alimento para o gado, pelo seu elevado teor em lípidos e médio conteúdo em proteínas.

Em Portugal, a produção de biodiesel, também se poder extrair do girassol, que apresenta os mesmos valores energéticos que a colza, como se pode verificar na tabela abaixo.

fig.1Rita Carvalho Alves, 11ºF

O cultivo da Colza: vantagens em relação ao cultivo do Girassol

colza

colza

A colza ou a couve-nabiça é uma planta cujas sementes se extrai o azeite de colza, utilizado também na produção do biodiesel. As folhas das plantas da colza servem também de forragem (alimentação) para o gado, pelo seu alto conteúdo em lípidos e conteúdo médio em proteínas. Os principais produtores da colza são: a União Europeia (UE), o Canadá, os Estados Unidos da América, a Austrália, a China e a Índia.

A colza está a ser introduzida em Portugal para a produção de combustíveis, atendendo ao facto de poder ser cultivado no período outono/inverno, o que apresenta vantagens comparativas ao cultivo do girassol, efetuado no período primavera/verão, onde existe menor aproveitamento dos recursos hídricos. O clima português apresenta uma irregularidade da precipitação: os meses de maior necessidade de água coincidem com os meses de maior seca, portanto menor precipitação, o que constitui o principal fator limitativo ao cultivo da colza. Como a colza é utilizada para a produção de biodiesel e biocombustível, trata-se de uma cultura industrial.

campo de colza

campo de colza

O cultivo da colza apresenta uma importância muito significativa para Portugal, visto que contribui para a diminuição da dependência externa do país, face aos combustíveis fósseis. Com o cultivo de colza, Portugal cumpre as normas implementadas pela União Europeia (UE), nomeadamente, a Política 20-20-20, que visa uma redução a mais de 20% das emissões com gases que contribuem para o efeito de estufa, aumento de 20% do peso das energias renováveis e, igualmente, um aumento em 20% da eficiência energética nos países da União Europeia (UE). O cultivo da colza não apresenta apenas as vantagens anteriormente mencionadas como também aumenta a obtenção de lucros e, consequentemente, o rendimento do agricultor.

Lara Ramos,  11ºG

fig. 5 - logoFonte das imagens:

– APPB – Associação Portuguesa de Produtores de Biocombustíveis

– Wikipédia

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Mantendo a tradição, o mês de outubro começou com a indicação dos laureados para os prestigiados Prémios Nobel. O primeiro anúncio foi para o de Medicina  e Fisiologia sendo  galardoados  os investigadores norte-americano William C. Campbell, japonês Satoshi Omura e chinesa Youyou Tu. Enquanto Campbell e Omura foram distinguidos pelas descobertas relacionadas com uma nova terapia para combater infeções provocadas por parasitas como lombrigas, Youyou Tu vai receber o prémio por uma inovadora terapia contra a malária. O contributo destes investigadores no combate de doenças mortais causadas por vermes parasitas e da eficácia dos medicamentos Avermectin no combate a doenças parasitárias e do Artemisinin, que contribuiu para reduzir a taxa de mortalidade entre os que contraíram malária foi enaltecido no comunicado do júri em que é referido que “as doenças provocadas por parasitas têm afetado a humanidade há milénios e constituem um problema sanitário global. Em particular, as doenças parasitárias afetam as populações das regiões mais pobres do mundo e representam uma grande barreira à melhoria da saúde e do bem-estar. Este ano, os laureados pelo Nobel desenvolveram terapias que revolucionaram o tratamento de algumas das mais devastadoras doenças parasitárias”. Realçaram, igualmente, que “as duas descobertas concederam à humanidade meios poderosos para combater este tipo de doenças debilitadoras que afetam anualmente milhões de pessoas em todo o mundo. São imensas as consequências para a melhoria da saúde humana e para a redução do sofrimento”.

medicina e fisiologia

Medicina e Fisiologia

Quanto ao Nobel da Física, os contemplados foram Takaaki Kajita e Arthur B. McDonald sendo que a investigação contemplada também tem participação portuguesa, porque a experiência liderada por McDonald integrava, na altura, dois físicos do LIP – Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas  de Coimbra  destacando-se que o grupo português continua a trabalhar com o cientista canadiano. Com investigações separadas o japonês Takaaki Kajita e o canadiano

Física

Física

Arthur B. McDonald solucionaram o enigma sobre os neutrinos (partículas elementares mais abundantes no universo) que emitidos pelo Sol não chegavam à Terra, tendo concluído que aqueles não se perdem, apenas mudam de “sabor”, e isso significa que, afinal, têm massa. Segundo o júri, o estudo “mudou a nossa compreensão dos mecanismos internos da matéria e pode ser crucial para a nossa visão do universo”.

O  Nobel da Química premiou Tomas Lindahl, Paul Modrich e Aziz Sancar, pelos estudos mecanicistas da reparação do ADN. Os três investigadores conseguiram mapear, a nível molecular, como é que as células reparam o ADN danificado e salvaguardam a informação genética. O sueco Tomas Lindahl, do Instituto Francis Crick e do Laboratório Clare Hall, em Hertfordshite, no Reino Unido, provou que o ADN se deteriora a uma taxa que faria com que a vida na Terra fosse impossível. Por isso, percebeu que tinha de existir um mecanismo que vai contra o colapso do nosso ADN: a reparação de excisão de base. Paul Modrich, do Instituto Médico Howard Hughes e da Faculdade Médica da Universidade de Duke, demonstrou como a célula corrige os erros ocorridos quando o ADN é replicado através da divisão das células. Ao mecanismo, chama-se excisão da incompatibilidade. O turco Aziz Sancar, da Universidade da Carolina do Norte, mapeou a reparação de excisão dos nucleótidos que é usada pelas células para reparar os danos dos raios ultravioleta no ADN. As pessoas que nascem com defeitos neste sistema desenvolvem cancro da pele se forem expostas à luz do sol.  Segundo o júri, os cientistas contribuíram para o conhecimento fundamental sobre o funcionamento de uma célula viva, o que pode ser crucial no desenvolvimento de novos tratamentos para o cancro.

química

Química

Literatura

Literatura

O 112.º laureado com o prémio Nobel de Literatura é a escritora e jornalista bielorrussa Svetlana Aleksievitch, a 14.ª mulher a receber o galardão. Alexievich foi escolhida pela sua “obra polifónica, um monumento do sofrimento e da coragem em nosso tempo”.  Esta nomeação não constituiu surpresa pois a escritora e jornalista bielorussa já era apontada antes, pela imprensa internacional, como a favorita para receber o galardão. Em Portugal, apenas uma das suas obras está publicada, O Fim do Homem Soviético – Um Tempo de Desencanto, livro vencedor do Prémio Médicis Ensaio e indicado pela revista Lire como Livro do Ano 2013 em França. Aguardam-se, por isso, novas publicações sobre a escritora de obras de não ficção e cujos temas estão ligados à história da URSS e há identidade russa.

O sempre aguardado  anúncio do Prémio Nobel da Paz surpreendeu todos com a atribuição ao Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia pela contribuição para a construção de uma democracia pluralista após a Revolução de Jasmim de 2011. O Quarteto integra quatro “organizações chave” da sociedade civil tunisina: A União Geral dos Trabalhadores da Tunísia (UGTT), A Confederação de Indústria, Comércio e Artesanato da Tunísia (UTICA), A Liga dos Direitos Humanos da Tunísia (LDHT) e da Ordem Nacional dos Advogados da Tunísia (ONAT) e  contribuíram  para que o país se mantivesse numa sociedade democrática  após a Primavera Árabe. Como tal o comité norueguês reconhece “Um factor esssencial para que revolução da Tunísia tenha culminado em eleições pacíficas e democráticas no Outono passado foi o esforço feito pelo Quarteto para apoiar o trabalho da Assembleia Constituinte e garantir que a população apoiasse o processo constitucional. O Quarteto abriu caminho para um diálogo pacífico entre os cidadãos, os partidos políticos e as autoridades e ajudou a encontrar soluções de consenso num vasto leque de divisões políticas e religiosas”. Destacou ainda “o contributo decisivo para a construção de uma democracia pluralista na Tunísia” e disse esperar que o prémio sirva para consolidar a democracia naquele que é hoje o único caso de sucesso das revoltas no mundo árabe. O Quarteto de Diálogo para a Tunísia é, segundo o comité de Oslo, a principal razão pela qual o país não caiu na mesma instabilidade e autoritarismo que foram o destino das revoluções árabes no Egipto e Líbia e “Mostra que movimentos islamitas e políticos conseguem trabalhar em conjunto e atingir resultados significativos no melhor interesse do país” acrescentando que  “tem esperança de que o prémio deste ano contribua para a preservação da democracia na Tunísia e que este seja uma inspiração para todos os que procuram promover a paz e a democracia no Médio Oriente, Norte de África e no resto do mundo”.

Paz

Paz

deaton_economia

Economia

Por fim o Nobel das Ciências Económicas, contemplou o professor de origem escocesa da Universidade de Princeton, Angus Deaton por “ projetar uma política económica que promova o bem-estar e reduza a pobreza, devemos primeiro entender as escolhas de consumo individuais e mais do que ninguém, Angus Deaton tem reforçado esse entendimento contemplando o seu  trabalho de pesquisa sobre os temas do consumo, pobreza e economia do bem estar”. Aquando da sua participação na conferência de imprensa em que foi anunciado o prémio, via telefone, foi questionado sobre crise dos refugiados e respondeu que esta é o resultado das “barreiras” que existem entre o “mundo pobre e o mundo rico”, ao cabo de “séculos de desenvolvimento desigual”. “A redução da pobreza nos países pobres pode resolver o problema, ainda que não por muito tempo”, respondeu o académico.

nobelprisutdelning_07_06_sthlmCumprindo a tradição no dia 10 dezembro, aniversário da morte do patrono Alfred Nobel, serão entregues aos laureados o diploma, medalha e importância monetária de acordo com as receitas da Fundação Nobel. E, como também é habitual, as cerimónias de entrega serão rodeadas de algum esplendor como reconhecimento do esforço dos contemplados para o progresso da humanidade.

Luísa Oliveira

imagens daqui e daqui

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Medicina

Medicina

Com a atribuição dos Prémios Nobel em 10 dezembro, data da morte do patrono Alfred Nobel, continua o reconhecimento internacional dos“ melhores entre os melhores”.

Desde a atribuição dos primeiro prémios em 1901 o anúncio dos laureados é acompanhado com muita expetativa pelos media começando com a indicação dos contemplados pelo prémio respeitante à Fisiologia e Medicina. Os contemplados foram o norte- americano John O´Keef, professor da University College de Londres e o casal de investigadores noruegueses, May-Britt e Edvard Mosel, pelas suas descobertas sobre as “células que constituem um sistema no cérebro de determinação da posição”, identificando células que explicam a capacidade de orientação do cérebro o que se pode considerar uma espécie de GPS interno.

Física

Física

O prémio Nobel da Física foi atribuído aos investigadores japoneses Isamu Akasaki e Hiroshi Amano e ao norte-americano e Shuji Nakamura reconhecidos pela invenção do díodo eletroluminescente (LED), que permite significativas poupanças de energia. O júri referiu o aspeto revolucionário desta invenção considerando que “enquanto as lâmpadas incandescentes iluminaram o século XX, o século XXI será iluminado pelas lâmpadas LED”.

Química

Química

Os norte-americanos Eric Betzig e William Moerner e o alemão Stefan Hell venceram o Nobel da Química pelos melhoramentos que introduziram no microscópio. Os três químicos foram recompensados pelo “desenvolvimento da microscopia fluorescente em alta resolução”, o que permite visualizar “dentro das paredes das moléculas individuais em células vivas” tornando, assim, mais eficaz a compreensão de doenças como a de Parkinson, Alzheimer e de Huntington.

Literatura

Literatura

O Nobel da Literatura foi atribuído ao escritor intimista e misterioso Patrick Modiano reconhecido porque “através da arte da memória, evocou os mais inapreensíveis destinos da Humanidade”. O 15º autor de língua francesa a ser distinguido com este prémio já tinha recebido numerosas distinções nomeadamente os Prémios Marguerite Duras, Grande Prémio de Romance da Academia Francesa assim como o Prémio Goncourt.

Paz

Paz

O disputado Prémio Nobel da Paz, este ano, não teve contestação pois premiou figuras humanas ímpares como sejam a corajosa  ativista paquistanesa Malala Yousafzai e o incansável ativista dos direitos humanos o indiano Kailash Satyarthi.  Foram premiados “pela sua luta contra a opressão das crianças e dos jovens e pelo direito de todas as crianças à educação”,conforme anúncio do presidente do Comité Nobel norueguês, Thorbjoern Jagland, acrescentando ainda que “as crianças devem ir à escola enão serem exploradas financeiramente”. Malala foi atacada, no dia 9 de outubro de 2012, por fundamentalistas que invadiram o autocarro onde seguia para a escola, tendo acabado por ser baleada na cabeça. Tornou-se num símbolo de resistência aos esforços dos talibãs em negar educação e outros direitos às mulheres facto reconhecido internacionalmente com a atribuição de inúmeros prémios da área dos direitos humanos. Kailash Satyarthi, de 60 anos, é um ativista indiano dos direitos das crianças lutando há várias décadas contra o trabalho infantil e através da sua organização ‘Bachpan Bachao Andolan’ já libertou mais de 80 mil crianças da escravidão, ajudando-as na sua reintegração, reabilitação e educação.

Economia

Economia

Neste ano mais um cidadão francês foi distinguido, neste caso, com o Nobel da Economia atribuído ao economista da universidade de Toulouse, Jean Tirole, pela investigação sobre o poder de mercado das empresas e sua regulação. Jean Tirole foi o terceiro francês a receber este prémios sendo, há vários anos, um dos fortes candidatos pois é considerado um dos mais influentes economistas da atualidade. O júri destacou que “muitas indústrias são dominadas por um pequeno número de grandes empresas ou um único monopólio. Sem regulação, estes mercados produzem resultados socialmente indesejados – preços mais altos do que os que resultam dos custos ou empresas improdutivos que sobrevivem porque bloqueiam a entrada de outras, mais novas e mais produtivas”. O prémio da Economia, entregue pela primeira vez em 1969, é o único que não estava incluído no testamento original do cientista e filantropo sueco, Alfredo Nobel, tendo sido criado em 1968 pelo Banco Central Sueco para celebrar o seu tricentenário.

cerimónia de entregue dos Nobel

Cerimónia do Nobel

Como é da tradição, os premiados recebem um diploma, uma medalha Nobel em ouro e uma importância que varia conforme as receitas da Fundação Nobel no ano a que os prémios dizem respeito. A entrega formal dos prémios é feita na Câmara Municipal de Oslo, Noruega, para o Nobel da Paz enquanto os restantes são entregues pelo rei sueco no Palácio de Concertos em Estocolmo.

Luísa Oliveira

imagens daqui e daqui

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bandeirasA agricultura portuguesa enfrenta sérios problemas estruturais, que por sua vez condicionam o aproveitamento dos pontos fortes deste sector, apesar dos progressos registados e decorrentes da nossa adesão à União Europeia.

Problemas estruturais relacionados com:

  • Características das explorações, que são geralmente de pequena dimensão;
  • A população agrícola, uma vez que nos meios rurais predomina a baixa densidade populacional e o envelhecimento demográfico; os agricultores têm maioritariamente baixos níveis de instrução e formação, o que conduz ao ponto seguinte.
  • Reduzida adesão a tecnologias, o que condiciona a inovação e modernização agrícola.
  • A inserção dos produtores nacionais nos mercados internacionais, que se vê dificultada por uma má gestão empresarial e leva à falta de competitividade externa. Além destes factores, a falta de auxílio económico e a fraca ligação à indústria dificultam a comercialização, provocando a dependência externa.
  • Alguns factores naturais como a fraca fertilização dos solos portugueses e elevados riscos de desertificação, que comprometem as culturas.500x500
  • A fraca sustentabilidade social e económica das áreas rurais, está intimamente ligada ao abandono dos espaços rurais.

 Apesar destes pontos fracos a agricultura portuguesa também tem pontos fortes, como:

  • Condições climáticas propícias à prática agrícola, assim como boas condições de sanidade vegetal.
  • As explorações portuguesas têm investido cada vez mais na especialização, isto é, no cultivo de uma só cultura (monocultura).
  • A maior disponibilidade hídrica para rega, derivada da construção de barragens, como a do Alqueva, que garante a sustentabilidade hídrica ao longo do ano.
  • O aumento da qualidade dos produtos portugueses como a azeite e o vinho que têm vindo a ser reconhecidos internacionalmente.
  • Aumento da vocação exportadora de alguns produtos.
  • A pluriatividade da nossa população agrícola, evita o abandono das campos, uma vez que os produtores têm mais rendimentos, sendo assim possível conciliar as duas atividades.
  • Crescente preocupação e utilização de meios amigos do ambiente.vinho-e-azeite-2_22715

Para potencializar o desenvolvimento da agricultura portuguesa é necessário ultrapassar os pontos fracos e continuar a desenvolver os pontos fortes, uma vez que o nosso país está repleto de potencialidades e riqueza.

É igualmente necessário utilizar de forma adequada as ajudas financeiras obtidas no âmbito de programas de apoio à agricultura de modo a aumentar a produção nacional e reduzir a nossa dependência externa.

Micaela e Telma Nabais, 11ºD

imagens daqui, daqui e daqui

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Passeando pela ‘Baixa’ de Lisboa, constata-se que a cidade se ergue sobre sete colinas, que lhe conferem beleza e harmonia. Os edifícios são antigos, muitos deles recuperados através de Planeamento Urbano, apresentando um zonamento vertical ao nível das suas funções.

Os edifícios, para além de terem a mesma altura, têm a mesma organização:

     No piso térreo, (muitas vezes com arcadas), ou nos andares mais baixos, encontram-se as atividades que necessitam de maior contacto com o público e com o consumidor; estão patentes os serviços e o comércio vulgar e especializado (minimercado, loja de souvenirs, loja de roupa, café, restaurante, farmácia, bancos, ‘ateliers’ de alta costura, joalharias e ourivesarias, etc.);

     Nos andares superiores, observam-se as funções menos nobres ou que requerem menos contacto com o público;

       No 2º/ 3º/ 4º pisos, existem janelas de sacada, nos mais baixos e, nos mais altos, janelas de peitoril, (onde se encontram escritórios de empresas, tipografias, editoras, consultórios de médicos, consultórios de advogados);

     Nos últimos pisos é frequente encontrar apartamentos com preços bastante elevados (os apartamentos restaurados chegam a valer 1.000.000 Euros!), onde apenas habitam classes sociais com grande poder económico, ou uma nova classe social chamada de ‘yuppies’ – ‘Young Urban Professional’, (jovens/adultos bem sucedidos, que através das carreiras académicas e/ou profissionais, têm grande poder económico) ou, então, idosos, mas estes vivem em apartamentos que não foram restaurados e que se encontram bastante degradados ou, então, em prédios degradados e muito antigos.

Resumimos, assim, que um só edifício consegue concentrar em si, a função residencial, comercial e/ou industrial e administrativa, o que demonstra a grande funcionalidade e pragmatismo da área da cidade reconstruída por Pombal e, agora, denominada de ‘Baixa’.

Feiras de ruaTambém existem áreas do CBD onde podemos verificar que existe uma maior concentração de serviços lúdicos e culturais (artistas de rua: músicos, malabaristas, artistas, teatro de rua, concertos, pintores, bailarinos, etc.), ou de hotéis, restaurantes, cafés e esplanadas.

Atividades como feiras, vendas e mercados de rua são frequentes na ‘Baixa’ de Lisboa.

Algumas das ruas no CBD foram encerradas ao trânsito e transformadas em ruas pedonais, para maior organização da área, facilitar a acessibilidade e revitalizar a cidade, atraindo população flutuante – aquela que se desloca ao CBD durante o dia, para trabalhar ou, simplesmente, fazer compras e/ou usufruir de um café ou esplanada, regressando ao fim do dia às suas casas.

Os acessos, no Chiado, são estritos em muitas ruas. Calçadas inclinadas recordam-nos que estamos numa das colinas de Lisboa!… Mas embora algumas das ruas tivessem sido cortadas ao trânsito (ex.: Rua Nova do Almada), para possibilitar a circulação de peões, existem, contudo, transportes, como o metropolitano (Estação: ‘Baixa Chiado’) e parques de estacionamento subterrâneos, para aqueles que se desejem deslocar-se no seu automóvel particular no CBD da cidade.

Todas estas atividades (maioritariamente do setor terciário), comerciais, de serviços e as funções raras, associadas a um tráfego intenso, entre outros fatores já referidos, fazem da área de Lisboa que visitámos, o chamado CBD da capital de Portugal.

E o que tem vindo a acontecer à dinâmica funcional da Baixa?

A verdade é que, nos dias de hoje, se constata cada vez mais uma alteração da dinâmica funcional do CBD, pois com o passar do tempo as funções vão-se alterando.

Numa primeira fase, houve uma grande substituição da função industrial e, posteriormente, da residencial pelo comércio e serviços e, atualmente, a tendência é a descentralização destas funções, que passam a exercer a sua influência em outras áreas da cidade.

Com a deslocalização de sedes e filiações de empresas e de outros serviços públicos do CBD para outras áreas da cidade, surgem as ‘Novas Centralidades’.

E porquê que isto acontece?

Devido, à especulação fundiária, que faz com que os preços imobiliários sejam muito elevados, devido ao congestionamento do centro, pois cada vez mais existem automóveis e escasso é o espaço para os poder estacionar e devido, posteriormente, a uma diminuição das acessibilidades ao centro, pois este encontra-se congestionado.

A população desloca-se do centro para a periferia da cidade, originando o processo de Suburbanização (ou para áreas periféricas para lá da coroa suburbana, originando o processo de Periurbanização), devido à fuga do ritmo intenso das cidades, da poluição ambiental e sonora e do elevado custo da Renda Locativa (custo do solo). A deslocação populacional é, também, acompanhada pelas atividades económicas, que se instalam em áreas periféricas, constituindo extensos subúrbios, que, posteriormente, ao ‘ganharem vida própria’, ascendem à categoria de ‘Cidade’.

As classes sociais de maior poder económico preferem adquirir, em áreas aprazíveis e mais distantes do centro da cidade, moradias de luxo, com piscina, jardim e ‘court ‘ de ténis, pelo mesmo preço que pagariam por um apartamento médio no centro de Lisboa.

Devido a estes fatores, a ‘Baixa’ sofre de estagnação económica e social. O decréscimo da densidade populacional e o aparecimento de ‘Novas Centralidades’, em outras áreas da cidade, como, inicialmente, nas Avenidas Novas e, posteriormente, no Parque das Nações e no Centro Comercial Colombo, contribuem para a estagnação do CBD de Lisboa.

Arriscamo-nos a dizer que, cada vez mais, a ‘Baixa’ tem concorrência e que, porventura, tenderá a perder a sua importância para outras centralidades. Aqui, surgem atividades como os tribunais – ‘Campus’ da Justiça, no Parque das Nações -, os hotéis – Myriad by Sana’, no Parque das Nações -, as sedes das empresas e os serviços – centro comercial, hospital, agências de viagens, cabeleireiros, arquitetura, advocacia, gestão, imobiliário, decoração, restauração, etc. – e atividades culturais, lúdicas, recreativas e de lazer – Pavilhão do Conhecimento, Oceanário, Teleférico, MEO-ARENA, Teatro Camões, Casino Lisboa, entre outras.

É pois, necessário continuar a implementar medidas de recuperação, reabilitação, requalificação e revitalização do centro da cidade – nomeadamente do CBD – para que o mesmo possa contribuir para a atração da população, do turismo e das atividades do Setor Terciário, dinamizando a economia do país.

 Beatriz Ferrão e Teresa Rosado, 11ºE 

(imagens originais das autoras)

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