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Posts Tagged ‘Festival’

Como é do conhecimento geral, grande parte dos filmes exibidos são adaptações  de obras literárias  apresentando, por vezes, algumas alterações em relação ao original. Foi o caso de A rapariga no comboio  de Tate Taylor adaptação do mundialmente famoso livro homónimo de Paula Hawkins. Quem conhece esta surpreendente obra talvez fique dececionado com o filme não reconhecendo algumas partes pois as diferenças não são só a nível do suspense e mistério mas também geográficas, dado que no filme a ação  decorre em Nova Iorque e no livro nos arredores de Londres. Mas a escolha das personagens tanto femininas como masculinos e sobretudo de Emily Blunt como protagonista apresenta alguns momentos intensos o que torna interessante este thriller  de cariz psicológico.

Pelo contrário, Inferno de Ron Howard, terceiro filme adaptado dos livros de Dan Brown  depois de O código da Vinci em 2006 e Anjos e demónios em 2009, segue  a obra original  com os enigmas habituais e várias reviravoltas no enredo. Tom Hanks continua como protagonista no papel do professor especialista em simbologia religiosa. Woody Allen apresenta os seus habituais diálogos criativos em Café Society, uma comédia dramática romântica sobre relações amorosas frustradas na América dos anos 30/40 do século XX . A ação alterna entre a radiosa Hollywood e as suas festas luxuosas e o ambiente faustoso da cinzenta Nova Iorque, misturando-se mafiosos e políticos que frequentam os mesmos locais de divertimento e lazer.

Em moldes diferentes,  Doutor Estranho, com realização e argumento de Scott Derrickson, apresenta mais um super-herói, neste caso, de força mental, que combate as forças do mal que pretendem destruir o planeta. Esta adaptação da banda desenhada de Steve Ditko apresenta  Benedict Cumberbatch  interpretando um brilhante e arrogante neurocirurgião que perde o uso das mãos após um desastre de automóvel  e que no Tibete descobre em si poderes sobrenaturais e dimensões do universo nunca sonhadas; aprende artes marciais mágicas e enfrenta as forças mais negras do universo.

Os que apreciam filmes de terror com muita violência e tensão têm à disposição o thriller Green Room  de Jeremy Saulnier que fez parte da programação da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Patrick Stewart surge no papel de um líder de neonazis assassinos que pretende eliminar todos os elementos de uma banda punk, testemunhas de um ato de violência praticado por aqueles.

Por fim, para passar momentos descontraídos, a comédia francesa  Bem-Vindos… mas não muito  de Alexandra Leclère,  já exibido na Festa do cinema francês cujas obras continuam a percorrer o país . Os grupos sociais franceses são apresentados de forma estereotipada como pretexto para o tratamento de questões polémicas atuais como sejam o acolhimento de emigrantes /refugiados, a pobreza e as diferenças sociais. Resulta numa obra agradável, mesmo para os que não apreciam cinema francês sendo que o final é mais otimista do que a realidade, infelizmente.

De 4 a 13 novembro, decorre um dos maiores eventos culturais em Portugal, a 10ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival, apresentando o que de melhor se faz não só no mundo da Sétima Arte como também noutras áreas culturais, nomeadamente  literatura, música e artes plásticas. Utilizando vários espaços em Lisboa e Cascais e com a presença de nomes célebres das várias áreas culturais continua a apresentar-se como um acontecimento propício à discussão e reflexão de temas que marcam a atualidade internacional.

Termino relembrando que o Cine-clube Impala, na Costa de Caparica, continua com os seus ciclos de cinema. Assim, em novembro,  propõe um Ciclo de Cinema de Taiwan e do Japão, começando no dia 3, pelas 21:30 horas, com o filme de Taiwan Yi-Yi, realizado por Edward Yang, sobre o difícil equilíbrio que cada família chinesa de Taipé tem de fazer entre o passado e o presente e a complexidade das relações ao longo do tempo. Este Ciclo de cinema, que abrange obras raramente exibidas nas salas nacionais, continua nos dias 10, 17 e 24 de novembro o que constitui uma boa oportunidade para conhecer esta filmografia oriental.

Luísa Oliveira

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Maio apresentou um conjunto variado de estreias mas o destaque vai para Dheepan do francês Jacques Audiard, vencedor da Palma de Ouro do festival de Cannes de 2015. O argumento foca um tema atual envolvendo três refugiados, apresentados como família, fugidos à guerra civil no Sri Lanka e que, pedindo asilo político em França, deparam com mais violência num subúrbio de Paris dominado pelos traficantes de droga e de armas. Os intérpretes não são atores profissionais sendo que a personagem principal, interpretada por Antonythasan, Jesuthasan, é um antigo guerrilheiro nacionalista Tigre Tamil que se tornou escritor e ativista político depois de ter fugido para França na década de 90. O filme apresenta grande realismo não só no esforço que os três estranhos fazem para pareceram uma família normal convivendo com as lembranças dos familiares assassinados pelos militares no Sri Lanka, como na denúncia do poder dos traficantes nos subúrbios. No final, o modo como o grupo de refugiados reage à violência e o instinto de sobrevivência acaba por os transformar numa verdadeira família.

Algumas obras vivem da interpretação de atores afamados, como é o caso de Richard Gere em Viver à margem de Oren Moverman, num papel de um sem abrigo desesperado por recuperar a ligação afectiva com a sua filha, e de Tom Hanks em  Negócio das Arábias de Tom Tykwe,  baseado  na obra de Dave Eggers Um holograma para o rei, interpretando um vendedor falido para quem um negócio na Arábia Saudita se apresenta como uma forma de reabilitação pessoal e profissional.

Jodie Foster realizou Money Monster, associando momentos de tensão e de entretenimento no quadro da crise financeira, nomeadamente a complexidade do mundo das finanças e mercados e o desespero de quem perde o emprego. Ensurdecedor do norueguês Joachim Trier  é um drama familiar  a partir do relacionamento de um pai e dos seus dois filhos. Igualmente sobre relações, O amor é uma coisa estranha de Ira Sachs é uma obra melancólica que  decorre no ambiente da  comunidade gay e artística de Nova Iorque. John Lithgow e Alfred Molina brilham no papel de um casal numa relação reconfortante que, apesar de inúmeros problemas aprecia todos os momentos em que estão juntos até à separação pela morte.

Da Irlanda, por sua vez, chega-nos um filme surreal A Lagosta de Yorgos Lanthimos, vencedor do Prémio do Júri no Festival de Cannes de 2015, para quem aprecia argumentos bizarros com muitas análises possíveis, nenhuma delas definitiva. Também da Irlanda uma obra totalmente diferente – A Canção do Mar de Tomm Moore, um belíssimo filme de animação europeu que concorreu ao Óscar de Melhor Longa-Metragem de Animação combina o fantástico e o folclore da tradição celta resultando uma obra de deslumbrante  magia.

Alice do outro lado do espelho de John Henderson é uma imaginativa adaptação ao cinema do célebre e eterno livro de Lewis Carroll sobre as fantásticas aventuras de Alice no País das Maravilhas recriando-se o universo imaginário num filme de imagem real filmado na ilha de Mann. Bons rapazes de Shane Black é uma divertidíssima comédia de humor negro em que Russel Crowe  e Ryan  Gosling brilham no papel de dois detetives privados no Los Angeles dos anos 70. Sobrevivente de James McTeigue é o habitual filme de ação, espionagem com argumento ligado ao terrorismo.

A notável cinematografia francesa esteve presente com O Sr. Juíz com realização e argumento de  Christian Vincent, que no festival de cinema de Veneza recebeu os prémios de Melhor Argumento e Melhor Ator para Fabrice Luchini, mostrando como o amor contribui para humanizar quem pratica  a justiça.

Por fim, abrilhantado pela música de Mário Laginha, o que é considerado uma tragédia de gente anónima e banal Cinzento e negro de Luís Filipe Rocha. Apesar da ação se desenrolar também na ilha do Faial e Lisboa, o título refere-se a uma frase de Raul Brandão sobre a ilha do Pico, no livro As Ilhas Encantadas.

Termino estas “Fitas”, desejando que o mundo maravilhoso do cinema seja uma boa companhia nos meses de calor que se avizinham.

Luísa Oliveira

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Embora fevereiro esteja focado na cerimónia dos Óscares, considero que a notícia do mundo do cinema mais relevante do mês foi a que envolveu a portuguesa Leonor Teles, que se tornou a mais jovem realizadora a receber um Urso de Ouro pela curta metragem Balada de um batráquio na 66ª edição do festival internacional de cinema de Berlim. A realizadora, de origem cigana, considera o filme “ enérgico, irónico e irreverente” que parte da tradição portuguesa de colocar sapos de loiça à entrada de restaurantes e outros estabelecimentos comerciais para afastar e impedir a frequência de pessoas ciganas. Como tal acrescenta que “Através da minha história pessoal pretendi chamar a atenção para um comportamento crescente que se aproveita da crença e da superstição como forma de menosprezar e distanciar outros seres humanos”.

Quanto à 88.ª cerimónia dos Óscares da Academia de Hollywood, confirmou as expectativas, apesar da polémica sobre a ausência de atores negros nomeados nas principais categorias. Assim, à quinta nomeação, Leonardo Di Caprio, finalmente, levou a estatueta dourada pelo seu desempenho avassalador em Revenant: O Renascido. Ainda sobre a mesma obra Alejandro G. Iñárritu venceu o prémio de Melhor Realizador, e neste caso, pelo segundo ano consecutivo.

Nomeada pela primeira vez, ao lado de veteranas na passadeira vermelha como Cate Blanchett ou Jennifer Lawrence, Brie Larson viu o seu emotivo desempenho em Quarto reconhecido com o Óscar para Melhor Atriz, depois de ter recebido os prémios Bafta, Globos de Ouro e do Sindicato dos Atores. Nos agradecimentos não faltou uma palavra ao pequeno Jacob Tremblay, de nove anos, que faz de seu filho neste drama intenso realizado por Lenny Abrahamson. Esta fascinante obra sobre as vítimas de pedofilia, estreada em fevereiro, foi adaptada pela escritora irlandesa Emma Donoghue a partir do romance da sua autoria O quarto de Jack em que é exposta a capacidade de resistência a uma situação traumatizante e como a linguagem do amor contribui para a libertação.

O caso Spotlight de Tom McCarthy, sobre uma equipa de jornalistas de investigação do “Boston Globe” que denunciou abusos sexuais de menores por padres católicos, conquistou os galardões para Melhor filme e para Melhor Argumento Original, que se juntaram aos prémios Bafta e do Sindicato dos Argumentistas. Os prémios de Melhor ator secundário foram para a sueca Alicia Vikander pelo desempenho em A rapariga dinamarquesa e o britânico Mark Rylance, em A Ponte dos Espiões. Entres os restantes prémios destaque para  Mad Max: Estrada da Fúria de George Miller que arrecadou seis estatuetas nas categorias técnicas enquanto  Divertida-mente de Pete Docter e Jonas Rivera, levou para casa o Óscar de Melhor Filme de Animação e Amy de Asif Kapadia e James Gay-Rees, o de Melhor Documentário.

Por fim, o Óscar de melhor filme estrangeiro foi para a produção húngara O filho de Saul de Lászlo Nemes que é, igualmente, uma das estreias de fevereiro. Uma obra perturbante e incomodativa sobre as memórias de holocausto mas oportuna pois os ventos da intolerância começam a soprar, novamente, na Europa.

Quanto às restantes estreias do mês há obras que vale a pena visionar mas que não foram contempladas pelos ambicionados galardões, como Carol de Todd Haynes baseado no livro de Patricia Highsmith foi considerado o melhor filme do ano segundo os críticos de Nova York e a revista Time Out. Com uma perfeita reconstituição da década de 50 acompanha o romance entre duas mulheres, Carol Aird (Cate Blanchett) e Therese Belivet (Rooney Mara) que se conhecem, por acaso, numa loja de brinquedos de Nova Iorque construindo uma relação considerada imoral pela sociedade da época que via com preconceito e ignorância o divórcio e a homossexualidade.

Igualmente sobre intolerância mas, neste caso, política Trumbo, de Jay Roach, baseia-se em factos reais ocorridos nos EUA nas décadas de 40 e 50, em plena a Guerra Fria, com a perseguição a figuras de Hollywood simpatizantes de ideologia de esquerda, sendo abordado, neste filme, o caso de que foi vítima o argumentista Dalton Trumbo que lutou pela defesa da liberdade de expressão que só lhe permitu trabalhar sob pseudónimos, já até aos anos 60. Mais uma obra para se conhecer e não esquecer.

Denunciado a situação degradante da mulher em sociedades conservadoras, tivemos o drama franco-turco Mustang de Deniz Gamze Erguven que, na 41 ª edição dos Cesar, foi contemplado com quatro galardões. Baseado em factos verídicos, revela como as mulheres são subjugadas em culturas onde não existe liberdade.

Com características diferentes Os oito odiados de Quentin Tarantino com o habitual clima de violência apresentado nas obras deste realizador debruça-se sobre as tensões não resolvidas nos EUA, nomeadamente os conflitos étnicos entre brancos, negros, mexicanos, nortistas e sulistas e mulheres. Horas decisivas de Craig Gillespie descreve, com muita ação, situações reais vividas em fevereiro de 1952 aquando de uma operação de resgaste durante uma tempestade.

O nostálgico Salve, César! dos irmãos Joel e Ethan Coen, com um elenco notável de atores em que sobressaem Josh Brolin, George Clooney, Ralph Fiennes Scarlett Johansson, Frances McDormand, Tilda Swinton, Channing Tatum, acompanha um dia na vida de um responsável de um estúdio, durante a denominada época de ouro do cinema de Hollywood.

O thriller A Floresta de Jason Zada faz da lendária floresta japonesa de Aokigahara o cenário para uma mistura, de sobrenatural, suspense e terror. Tivemos ainda, tivemos ainda, para o público infantil, Alvin e os esquilos:a grande aventura de Walt Becker e Zootrópolis de Byron Howard.

Relembro que O Cineclube Impala Cine, no Auditório Costa da Caparica irá iniciar um novo Ciclo de Cinema, desta vez dedicado à ficção científica. Para iniciar este novo ciclo, no dia três de março, o filme escolhido foi o carismático Blade Runner, de Ridley Scott, com Harrison Ford, Rutger Hauer e Daryl Hannah, entre outros. Ao terminar, assinalo a 15ª edição da MONSTRA – festival de animação de Lisboa, que decorrerá entre 3 e 13 março, com a exibição de centenas de obras oriundas de vários países. O interessante programa pode ser acedido em http://www.monstrafestival.com.

Luísa Oliveira

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Novembro iniciou-se com a aguardada estreia do 24º filme da saga 007, iniciada em 1962, Spectre de Sam Mendes, mais uma obra de acção e aventura com o famoso agente secreto, representado atualmente por Daniel Craig. Da mesma forma, a vasta legião de fãs The Hunger Games: A revolta –Parte 2  de Francis Lawrence aguardou com expetativa  a luta de  Jennifer Lawrence pela liberdade o que tem resultado em excelentes valores de bilheteira.

Também de luta mas não de ficção, as ações dinamizadas pelas mulheres que reivindicaram o reconhecimento do direito ao voto, constituíram a base para o argumento do filme As sufragistas de Sarah Gravon. Com inúmeros sacrifícios pessoais colocando em risco as relações familiares e até a própria vida, a sua tenacidade contribuiu para a emancipação feminina.

Numa área diferente, Steve Jobs de  Danny Boyle, protagonizado por  Michael Fassbender,  apresenta  o retrato íntimo, pessoal e profissional, de um homem controverso e visionário que vai contribuir para uma autêntica revolução digital com o lançamento de produtos que vão mudar o quotidiano da humanidade. Por seu turno, em 13 minutos de Oliver Hirshbiegel,  vemos como o alemão Georg Elser poderia ter mudado o rumo da história ao tentar matar Adolf Hitler em 8 de novembro de 1939 colocando uma bomba atrás de um púlpito que iria ser usado pelo ditador, em Munique. Infelizmente, este abandonou o local mais cedo do que o previsto pelo que, Georg Elser, que será assassinado no campo de concentração de Dachau pouco tempo antes do final do conflito, não será recordado como um herói mas como alguém que viu o perigo que representava o ditador numa época em que era idolatrado por muitos alemães.

Num período posterior à 2ª guerra mundial marcado pela intensa rivalidade entre as superpotências EUA e URSS  A ponte dos espiões de Steven Spielberg, com argumento dos irmãos Cohen e de Matt Charman é uma  narrativa  autêntica dos factos  que envolveram a acção do  advogado americano James Donovan, interpretado por Tom Hanks, para libertação de um piloto aprisionado pelos soviéticos. Thriller político de excelente qualidade enriquecido pela fotografia e banda sonora que contribuem para transmitir o ambiente de tensão latente vivido durante a Guerra Fria.

Reunindo comédia e drama, Joaquim de Almeida contracena com Sandra Bullock e Billy Bob Thornton em Profissionais da crise de David Gordon Green com um tema atual  sobre o papel dos consultores políticos que ultrapassam todos os obstáculos para levar os seus candidatos, mesmo os corruptos,  à vitória. O Segredo dos seus Olhos de Billy Ray  é uma refilmagem do excelente filme homónimo argentino vencedor, em 2009, do Óscar de melhor filme estrangeiro. Embora mantenha o suspense focando o argumento no temor do terrorismo as prestações credíveis dos atores, nomeadamente Nicole Kidman e Julia Roberts,  não fazem esquecer  a obra argentina que apresenta uma melhor qualidade.

Na última edição do Lisbon and Estoril Film Festival  Minha Mãe  de  Nanni Moretti  foi a obra intimista  e emotiva de abertura  que, focando a espera da morte, foi inspirada no falecimento, em 2010, da mãe do realizador.

Quanto à produção nacional estreou-se O Leão da Estrela de Leonel Vieira inspirado na comédia de enganos homónima, constituindo a 2ª obra da trilogia “ novos clássicos” de homenagem a obras icónicas da cinematografia portuguesa das décadas de 30 e 40.

No momento em que já se aproxima a época natalícia, os filmes de animação apresentam-se como alternativa, refiro-me a filmes como uma aventura protagonizada por um dinossauro e uma criança – A viagem de Arlo de Peter Sohon, que é mais uma produção dos estúdios da Pixar.

Relembro que O Cineclube Impala Cine continua com os seus ciclos temáticos sobre grandes realizadores estando a decorrer o dedicado a Éric Rohmer, cuja programação poderá ser consultada em http://www.gandaia.pt.

Luísa Oliveira

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As estreias do mês de outubro não fazem esquecer eventos cinematográficos recentes como foram a festa do cinema chinês durante o mês de Setembro e a 16ª edição da festa do cinema francês que, durante o mês de novembro, continua a percorrer os cinemas nacionais, nomeadamente no Seixal, nos dias vinte e sete e vinte e oito. Além destes acontecimentos é de assinalar o Doclisboa que decorreu com a qualidade e o sucesso habitual.

Quanto a estreias uma referência especial a um filme fabuloso realizado por Jean-Jacques Annaud,  A hora do lobo que marcou a abertura da Festa do cinema francês  tendo sido, igualmente, apresentadas seis das obras deste realizador. Baseado numa biografia de 2004 de Jiang Rong, pseudónimo de um ativista pela democracia preso durante as manifestações da praça de Tiananmen de 1989. Esta película não é só uma fascinante viagem pelas estepes da Mongólia como também um alerta para a necessidade urgente de preservação da natureza e o equilíbrio na relação entre os seres vivos. A acção decorre em 1967 durante a Revolução cultural maoísta quando um estudante / professor de Pequim é enviado para o meio rural na Mongólia fazendo uma aprendizagem de vida quando enfrenta as decisões da autoridade central de eliminar os lobos da região, situação que poria em causa a relação mística destes animais e a comunidade local.

Também sobre aprendizagem mas neste caso de sobrevivência é a última obra do lendário Ridley Scott, o excelente filme de ficção científica Perdido em Marte. Baseado no livro homónimo de Andy Weir demonstra a complexidade da instalação de seres humanos em Marte com uma interpretação exemplar de  Matt Damon,  entrecortada pelo silêncio, ao encarnar a personagem de um astronauta que é deixado no planeta vermelho pelos colegas supostamente porque estava morto.

Em outubro, curiosamente, estrearam-se alguns filmes com enredos nas décadas de 70 e 80. Assim Black mass –Jogo sujo    realizado por Scott Cooper   parte da investigação dos repórteres Dick Lehr e Gerard O’Neil sobre um dos criminosos para cruéis de Boston  Jim “Whitey”  Bulger, chefe da Máfia irlandesa,  representado por  Johnny Depp. Esta investigação resultou num escândalo que envolveu o FBI pois a impunidade que o criminoso gozava resultava das suas ligações com um agente desta instituição, seu amigo de infância, com o objetivo de eliminar a Máfia italiana mas que rapidamente resultou num elevado número de homicídios, actividade de extorsão e tráfico de droga que escaparam ao controle das autoridades.

Num tema distinto 71 de Yann Demange, contemplado com uma menção honrosa no festival de Berlim, descreve, com grande realismo e num ambiente de tensão e suspense o sofrimento de um soldado britânico, representado por Jack O´Donnel, abandonado numa zona de Belfast, Irlanda do Norte, palco do eterno conflito religioso entre católicos e protestantes.

O prodígio de Edward Zwick apresenta Tobey Maguire no papel do célebre campeão mundial de xadrez Bobby Fischer que, num período marcado pela rivalidade entre as superpotências americana e soviética, venceu em 1972 o campeão russo Boris Spassky num jogo histórico denominado “Batalha da guerra fria”. Sempre controverso até à sua morte em 2008 este desafio teve consequências psicológicas graves pois aquele que é considerado um dos maiores xadrezistas de todos os tempos tinha um comportamento que oscilava entre a genialidade e a loucura.

Também um desafio pessoal a aventura do francês Philippe Petit que, na década de 70, caminhou entre as torres do World Trade Center suspenso num arame o que é narrado em  The Walk – o desafio  realizado por Robert Zemeckis  com tecnologia inovadora onde se pode verificar as dificuldades que foram ultrapassadas para garantir o sucesso do empreendimento.

Com tema atual, Sicário – o infiltrado de Denis Villeneuve é considerado um dos melhores filmes sobre a temática do tráfico de droga, neste caso, na fronteira americana/mexicana. Emily Blunt,Josh Brolin e Benicio del Toro brilham num enredo que apresenta a realidade violenta dos sanguinários cartéis de droga mexicanos.

Os fãs da filmografia francesa podem assistir a duas comédias ligeiras, superficiais mas divertidas, em Um momento de perdição de Jean- François Richet com Vincent Cassel   e François Cluzet sobre o processo de  sedução e Barbecue de Eric Lavaine  que trata das  escolhas de vida de amigos cinquentões.

É sempre gratificante ver que o talento de excelentes atores não envelhece e, por isso, vale a pena rever Robert de Niro em O estagiário  de Nancy Meyers  com Anne Hathaway num interessante filme sobre as relações familiares e emocionais assim como Robert Redford em Por aqui e por ali   de Ken Kuapis numa divertida aventura em que  contracena com  Nick  Nolte e Emma Thompson .

Uma obra curiosa Pan – viagem à terra do nunca de Joe Wright revela a origem das personagens criadas por J.M. Barrie em 1904 no fantástico mundo dos piratas, guerreiros e fadas quando Peter Pan e o futuro capitão Gancho eram amigos e tinham o Barba Negra, encarnado por Hugh Jackman, como inimigo comum.

Por fim, da Nova Zelândia, uma comédia de Jemaine Clement e Taika Waititi, O que fazemos nas sombras em que, com humor inteligente, a mitologia dos vampiros é apresentada como um documentário.

No que respeita a eventos culturais, em novembro o realce vai para a 9ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival  de 6 a 15 novembro   que, como sempre, apresenta um programa ambicioso com selecção de filmes  de realizadores credenciados, wokshops,debates, sessões de leitura  e actividades enriquecedores do mundo artístico. Nesta edição faz-se um tributo ao multifacetado escritor britânico John Berger sendo o convidado principal o ator e realizador italiano Nanni Moretti. Mais perto, a Gandaia, Associação Cultural da Costa de Caparica, continua a apresentar ciclos de cinema decorrendo actualmente o dedicado a Roman Polanski o que é sempre uma boa oportunidade para conhecer obras relevantes da 7ª arte.

As estreias do mês de outubro não fazem esquecer eventos cinematográficos recentes como foram a festa do cinema chinês durante o mês de Setembro e a 16ª edição da festa do cinema francês que, durante o mês de novembro, continua a percorrer os cinemas nacionais, nomeadamente no Seixal, nos dias vinte e sete e vinte e oito. Além destes acontecimentos é de assinalar o Doclisboa que decorreu com a qualidade e o sucesso habitual.

Quanto a estreias uma referência especial a um filme fabuloso realizado por Jean-Jacques Annaud,  A hora do lobo que marcou a abertura da Festa do cinema francês  tendo sido, igualmente, apresentadas seis das obras deste realizador. Baseado numa biografia de 2004 de Jiang Rong, pseudónimo de um ativista pela democracia preso durante as manifestações da praça de Tiananmen de 1989. Esta película não é só uma fascinante viagem pelas estepes da Mongólia como também um alerta para a necessidade urgente de preservação da natureza e o equilíbrio na relação entre os seres vivos. A acção decorre em 1967 durante a Revolução cultural maoísta quando um estudante / professor de Pequim é enviado para o meio rural na Mongólia fazendo uma aprendizagem de vida quando enfrenta as decisões da autoridade central de eliminar os lobos da região, situação que poria em causa a relação mística destes animais e a comunidade local.

Também sobre aprendizagem mas neste caso de sobrevivência é a última obra do lendário Ridley Scott, o excelente filme de ficção científica Perdido em Marte. Baseado no livro homónimo de Andy Weir demonstra a complexidade da instalação de seres humanos em Marte com uma interpretação exemplar de  Matt Damon,  entrecortada pelo silêncio, ao encarnar a personagem de um astronauta que é deixado no planeta vermelho pelos colegas supostamente porque estava morto.

Em outubro, curiosamente, estrearam-se alguns filmes com enredos nas décadas de 70 e 80. Assim Black mass –Jogo sujo    realizado por Scott Cooper   parte da investigação dos repórteres Dick Lehr e Gerard O’Neil sobre um dos criminosos para cruéis de Boston  Jim “Whitey”  Bulger, chefe da Máfia irlandesa,  representado por  Johnny Depp. Esta investigação resultou num escândalo que envolveu o FBI pois a impunidade que o criminoso gozava resultava das suas ligações com um agente desta instituição, seu amigo de infância, com o objetivo de eliminar a Máfia italiana mas que rapidamente resultou num elevado número de homicídios, actividade de extorsão e tráfico de droga que escaparam ao controle das autoridades.

Num tema distinto 71 de Yann Demange, contemplado com uma menção honrosa no festival de Berlim, descreve, com grande realismo e num ambiente de tensão e suspense o sofrimento de um soldado britânico, representado por Jack O´Donnel, abandonado numa zona de Belfast, Irlanda do Norte, palco do eterno conflito religioso entre católicos e protestantes.

O prodígio de Edward Zwick apresenta Tobey Maguire no papel do célebre campeão mundial de xadrez Bobby Fischer que, num período marcado pela rivalidade entre as superpotências americana e soviética, venceu em 1972 o campeão russo Boris Spassky num jogo histórico denominado “Batalha da guerra fria”. Sempre controverso até à sua morte em 2008 este desafio teve consequências psicológicas graves pois aquele que é considerado um dos maiores xadrezistas de todos os tempos tinha um comportamento que oscilava entre a genialidade e a loucura.

Também um desafio pessoal a aventura do francês Philippe Petit que, na década de 70, caminhou entre as torres do World Trade Center suspenso num arame o que é narrado em  The Walk – o desafio  realizado por Robert Zemeckis  com tecnologia inovadora onde se pode verificar as dificuldades que foram ultrapassadas para garantir o sucesso do empreendimento.

Com tema atual, Sicário – o infiltrado de Denis Villeneuve é considerado um dos melhores filmes sobre a temática do tráfico de droga, neste caso, na fronteira americana/mexicana. Emily Blunt,Josh Brolin e Benicio del Toro brilham num enredo que apresenta a realidade violenta dos sanguinários cartéis de droga mexicanos.

Os fãs da filmografia francesa podem assistir a duas comédias ligeiras, superficiais mas divertidas, em Um momento de perdição de Jean- François Richet com Vincent Cassel   e François Cluzet sobre o processo de  sedução e Barbecue de Eric Lavaine  que trata das  escolhas de vida de amigos cinquentões.

É sempre gratificante ver que o talento de excelentes atores não envelhece e, por isso, vale a pena rever Robert de Niro em O estagiário  de Nancy Meyers  com Anne Hathaway num interessante filme sobre as relações familiares e emocionais assim como Robert Redford em Por aqui e por ali   de Ken Kuapis numa divertida aventura em que  contracena com  Nick  Nolte e Emma Thompson .

Uma obra curiosa Pan – viagem à terra do nunca de Joe Wright revela a origem das personagens criadas por J.M. Barrie em 1904 no fantástico mundo dos piratas, guerreiros e fadas quando Peter Pan e o futuro capitão Gancho eram amigos e tinham o Barba Negra, encarnado por Hugh Jackman, como inimigo comum.

Por fim, da Nova Zelândia, uma comédia de Jemaine Clement e Taika Waititi, O que fazemos nas sombras em que, com humor inteligente, a mitologia dos vampiros é apresentada como um documentário.

No que respeita a eventos culturais, em novembro o realce vai para a 9ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival  de 6 a 15 novembro   que, como sempre, apresenta um programa ambicioso com selecção de filmes  de realizadores credenciados, wokshops,debates, sessões de leitura  e actividades enriquecedores do mundo artístico. Nesta edição faz-se um tributo ao multifacetado escritor britânico John Berger sendo o convidado principal o ator e realizador italiano Nanni Moretti. Mais perto, a Gandaia, Associação Cultural da Costa de Caparica, continua a apresentar ciclos de cinema decorrendo actualmente o dedicado a Roman Polanski o que é sempre uma boa oportunidade para conhecer obras relevantes da 7ª arte.

Luísa Oliveira

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O mês de maio continua associado ao festival internacional de cinema de Cannes e assim foi na 68ª edição que se realizou de 13 a 24 naquela cidade de sul de França que nesse período foi o centro da Sétima Arte. Neste ano a presidência coube aos irmãos Joel e Ethan Coen sendo as cerimónias rodeadas do fascínio habitual. Embora Portugal não tenha apresentado nenhum filme na selecção oficial a obra de Miguel Gomes, As mil e uma noites esteve presente no programa paralelo, Quinzena dos realizadores, tendo recebido muitas críticas positivas. Dheepan, do realizador francês Jacques Audiard, conquistou a Palma de Ouro, com o prémio de melhor atriz partilhado pela norte-americana Rooney Mara,em Carol e pela francesa Emmanuelle Bercot, com Mon Roi. O prémio de melhor ator foi entregue ao francês Vincent Lindon, que interpreta um operário desempregado em La Loi du marché. Hrutar (“Carneiros”), do islandês Grimur Hakonarson, sobre dois irmãos pastores, e que foi premiado na secção Um Certo Olhar. O filme húngaro Son of Saul de László Nemes, que aborda o trabalho de um comando especial de prisioneiros que ajudavam os nazis na limpeza dos corpos de judeus no campo de concentração de Auschwitz, foi distinguido como melhor filme pela crítica internacional, recebendo o prémio FIPRESCI.

Maio trouxe, igualmente, a aguardada estreia de Mad Max – estrada da fúria  com  o realizador australiano George Miller a retomar o fenómeno de finais da década de 70  e  Tom Hardy  a substituir Mel Gibson na personagem principal. Uma obra com 80% das cenas filmadas no deserto da Namíbia a que se juntaram os efeitos especiais e a computação gráfica para transmitirem a realidade de um mundo apocalíptico. Numa visão diferente do futuro em que os sonhos que se tornam reais contribuem para um mundo melhor George Clooney protagoniza Tomorrowland: Terra do amanhã do oscarizado Brad Bird, aliando a aventura à fantasia, o que não é de estranhar dado que é uma produção da Disney. Deus Branco do húngaro Kornel Mundruczó, a partir da relação entre humanos e cães, apresenta uma parábola sobre desigualdades sociais e injustiças mostrando o que pode acontecer quando os rejeitados da sociedade tomam uma atitude para mudar o que é necessário. Ganhou o Palm Dog Award do festival de Cannes tendo sido adotados todos os cães apresentados no filme. O genial Al Pacino brilha em A Humilhação de Barry Levinson, baseado no romance homónimo de Philip Roth , uma fábula sobre a decadência do artista que perde o talento. Prisioneira de Atom Egoyan é um melodrama familiar com boas interpretações e banda sonora adequada aos momentos de tensão com o intuito de chocar pelo tema tratado, rapto de uma criança. Fundamentado em factos verídicos, O rapto de Freddy Heineken de Daniel Alfredson é um trilher que retrata a acção criminosa levada a cabo por um grupo de amigos com o rapto, no início dos anos 80, daquele que era considerado um dos homens mais ricos do mundo, representado por Anthony Hopkins. Para os apreciadores de filmes de época, Nos jardins do rei de Alan Rickman pretende apresentar a construção dos belíssimos e famosos jardins do Palácio de Versalhes com uma visão irónica de Luís XIV, “O rei sol”, e do seu arquiteto paisagístico revolucionário André LeNôtre. A boa disposição é garantida na comédia francesa Uma aldeia quase perfeita de Stéphane Meunier que apresenta uma forma muito agradável de tratar a crise e desertificação de que sofrem tantas localidades.

Num registo oposto o documentário vencedor do prémio para melhor produção nacional no festival Indie lisboa 2015, Fora de vida de Filipa Reis e João Miller Guerra retratam as vidas difíceis de alguns portugueses numa época em que “para uns já não há trabalho e para outros já não há tempo livre”.

Autênticos retratos de vida de um país na segunda metade do século XX foram repostas as obras emblemáticas Verdes anos, Mudar de vida e Se eu fosse ladrão…roubava do realizador Paulo Rocha, falecido em 2012, uma das personalidades incontornáveis do Cinema Novo Português.

Com o verão e as férias a aproximarem-se, o cinema continua a fazer parte dos momentos de lazer realizando-se ciclos que vale a pena visionar. No Centro Comercial Pescador, na Costa de Caparica, O Cineclube Impala, da Associação Gandaia, iniciou um ciclo de cinema chinês com obras de qualidade. Da mesma forma é importante relembrar que a Cinemateca portuguesa continua a apresentar programação ambiciosa para todos os que apreciam o mundo maravilhoso do cinema.

Luísa Oliveira

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Em dois de abril assistiu-se a mais uma cerimónia de entrega dos prémios Sophia atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema sendo que, neste ano, o filme Os gatos não têm vertigens, do realizador António-Pedro Vasconcelos, venceu nove das quinze categorias em que estava nomeado entre as quais os quatro principais prémios, incluindo o de melhor filme, melhor realizador, melhor atriz (Maria do Céu Guerra) e ator (João Jesus) principais. Na atribuição dos prémios seguiu-se Os Maias – Cenas da vida romântica, de João Botelho que venceu em sete categorias, incluindo melhor ator e atriz secundários, atribuídos a João Perry e Maria João Pinho. Já o prémio de melhor curta-metragem-documentário coube a O Meu Outro País, de Solveig Nordlund, e o de melhor documentário em longa-metragem foi entregue ao filme E agora? Lembra-me de Joaquim Pinto.

Esta edição foi marcada pelo falecimento de Manoel de Oliveira, homenageado com a exibição de alguns excertos de obras da sua vasta filmografia sendo referido que o realizador  “Foi um mestre e um exemplo, queremos lembrá-lo hoje e sempre”. Ainda no âmbito das homenagens ao prestigiado realizador a Cinemateca Portuguesa vai exibir, em estreia para público, o filme autobiográfico Visita ou Memória e Confissões realizado em 1982.

No que respeita a estreias do mês o destaque vai para o filme Uma turma difícil de Marie-Castille Mention-Schaar dada a pertinente temática apresentada baseada em factos verídicos. Numa turma de um liceu parisiense de alunos problemáticos e desmotivados uma professora envolve-os num projeto pedagógico sobre as memórias do Holocausto que, ao valorizar a iniciativa, autonomia e responsabilidade, vai contribuir para uma mudança de atitude. Uma obra aconselhável sobre os desafios constantes da educação. Outras estreias de qualidade estão relacionadas com as duas guerras mundiais numa época em que se revisitam memórias desses conflitos. A ocupação nazi em França é a base do melodrama de guerra  Suite francesa de Saul Dibb,  baseado no brilhante romance homónimo da excelente escritora francesa de origem ucraniana, Iréne Némirovsky, assassinada, no verão de 1942, no campo de concentração de Auschwitz . A partir da paixão entre uma mulher francesa e um militar alemão podemos verificar as transformações sociais provocadas pelo conflito nomeadamente o papel dos franceses em relação às perseguições aos judeus. Labirinto de mentiras de Giulio Ricciarelli é um emotivo relato envolvendo factos reais relacionados com o julgamento de Auschwitz, em Frankfurt, focando a árdua e incompreendida tarefa de investigação do jovem advogado Johann Radman  para  descobrir  e punir os responsáveis pelas atrocidades cometidas. Um bom filme que tem como objetivo impedir o esquecimento dos terríveis acontecimentos ao mesmo tempo que leva os alemães a confrontarem-se com um passado vergonhoso. De igual modo o premiado Phoenix de Cristian Petzold, baseado no romance de Hubert Monteilhet  “Le retour  des cendres”, debate-se com as consequências emocionais e de vida de uma sobrevivente dos campos de concentração  num enredo intrigante e dramático sobre a alma humana.

Momentos trágicos da 1ª guerra mundial são revistos em A promessa de uma vida realizado e protagonizado por Russel Crowe quando se assinala os 100 anos do desembarque aliado em Gallipoli, na Turquia, que marcará, de abril de 1915 a janeiro de 1916, um dos períodos mais sangrentos do conflito. O argumento é baseado em factos verídicos quando, em 1919, um agricultor australiano vai procurar descobrir o que aconteceu aos seus três filhos desaparecidos em combate. Obra dramática misturada com algum romance segundo Russel Crowe foi uma forma de homenagear os milhares de mortos nomeadamente australianos e neozelandeses.

Ainda relacionado com conflitos, neste caso o da Coreia na década de 50, John Boorman realizou Pela rainha, comédia nostálgica com caraterísticas autobiográficas e que se destaca pelas boas interpretações dos atores. Igualmente baseado em factos reais e com um elenco de luxo  Preto ou branco  é um drama em que sobressai Kevin Costner e Octavia Spencer no papel de avós de dois mundos diferentes que lutam pela custódia  da neta. Noite em fuga  de  Jaume Collet-Serra,é um interessante filme de ação com o ator Liam Neeson que se especializou neste tipo de argumento.

Os que apreciam cinema de animação de origem nipónica deliciaram-se com a belíssima e sensível obra O conto da princesa Kahuya do mestre japonês Isao Takahata candidata ao Óscar e vencedora da MONSTRA 2015 que, baseada num conto tradicional do Japão, datado do século X, foi feita por processos tradicionais em especial para a gravura e para os desenhos e pinturas em rolos de papel. Assistiu-se, igualmente, à estreia de filmes com caráter biográfico e documental que trazem sempre informação pertinente e curiosidades. O credenciado realizador Ettore Scola como forma de homenagear o genial realizador Federico Fellini no 20º aniversário da sua morte dirigiu Que estranho chamar-se Federico. Em Kurt Cobainmontage of Heck  Brett Morgen  associa acção real  com depoimentos e animação centrados na vida do carismático líder dos Nirvana. Walesa de Andrzeg Wajda apresenta o destacado líder polaco que, ao defender a liberdade e os direitos dos trabalhadores, contribuirá para importantes mudanças políticas que contribuirão para o fim de guerra fria. De aconselhar o excelente documentário O sal da Terra de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado  que apresenta a longa trajetória do consagrado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado nomeadamente o seu meritório projeto “Gênesis”, expedição que teve como objetivo registar, a partir de imagens, civilizações e regiões do planeta até então inexploradas. O documentário teve estreia mundial na edição de 2014 do Festival de Cannes onde recebeu uma Menção Especial do Júri da secção Un Certain Regard. Em Portugal, o filme foi exibido em dezembro do ano passado, no encerramento do Festival PortoPostDoc, no Teatro Municipal Rivoli, no Porto.

Entre 11 e 13 de Maio vai realizar-se a 1ª edição da Festa do Cinema sendo possível assistir a qualquer um dos filmes em cartaz em 499 salas de cinema portuguesas por apenas 2,50 euros por pessoa. Os bilhetes vão estar, assim, “em saldo” no âmbito desta iniciativa promovida por um grupo de entidades ligadas à indústria cinematográfica nomeadamente a APEC – Associação Portuguesa de empresas cinematográficas, com o objetivo de incentivar a recuperação do hábito de ir ao cinema.

Luísa Oliveira

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