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Em Outubro, Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, associe-se ao Festival Literário Internacional de Óbidos, cujo o tema é “O Tempo e o Medo”. Seja destemido e venha participar no Fólio Educa.

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Como é do conhecimento geral, grande parte dos filmes exibidos são adaptações  de obras literárias  apresentando, por vezes, algumas alterações em relação ao original. Foi o caso de A rapariga no comboio  de Tate Taylor adaptação do mundialmente famoso livro homónimo de Paula Hawkins. Quem conhece esta surpreendente obra talvez fique dececionado com o filme não reconhecendo algumas partes pois as diferenças não são só a nível do suspense e mistério mas também geográficas, dado que no filme a ação  decorre em Nova Iorque e no livro nos arredores de Londres. Mas a escolha das personagens tanto femininas como masculinos e sobretudo de Emily Blunt como protagonista apresenta alguns momentos intensos o que torna interessante este thriller  de cariz psicológico.

Pelo contrário, Inferno de Ron Howard, terceiro filme adaptado dos livros de Dan Brown  depois de O código da Vinci em 2006 e Anjos e demónios em 2009, segue  a obra original  com os enigmas habituais e várias reviravoltas no enredo. Tom Hanks continua como protagonista no papel do professor especialista em simbologia religiosa. Woody Allen apresenta os seus habituais diálogos criativos em Café Society, uma comédia dramática romântica sobre relações amorosas frustradas na América dos anos 30/40 do século XX . A ação alterna entre a radiosa Hollywood e as suas festas luxuosas e o ambiente faustoso da cinzenta Nova Iorque, misturando-se mafiosos e políticos que frequentam os mesmos locais de divertimento e lazer.

Em moldes diferentes,  Doutor Estranho, com realização e argumento de Scott Derrickson, apresenta mais um super-herói, neste caso, de força mental, que combate as forças do mal que pretendem destruir o planeta. Esta adaptação da banda desenhada de Steve Ditko apresenta  Benedict Cumberbatch  interpretando um brilhante e arrogante neurocirurgião que perde o uso das mãos após um desastre de automóvel  e que no Tibete descobre em si poderes sobrenaturais e dimensões do universo nunca sonhadas; aprende artes marciais mágicas e enfrenta as forças mais negras do universo.

Os que apreciam filmes de terror com muita violência e tensão têm à disposição o thriller Green Room  de Jeremy Saulnier que fez parte da programação da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Patrick Stewart surge no papel de um líder de neonazis assassinos que pretende eliminar todos os elementos de uma banda punk, testemunhas de um ato de violência praticado por aqueles.

Por fim, para passar momentos descontraídos, a comédia francesa  Bem-Vindos… mas não muito  de Alexandra Leclère,  já exibido na Festa do cinema francês cujas obras continuam a percorrer o país . Os grupos sociais franceses são apresentados de forma estereotipada como pretexto para o tratamento de questões polémicas atuais como sejam o acolhimento de emigrantes /refugiados, a pobreza e as diferenças sociais. Resulta numa obra agradável, mesmo para os que não apreciam cinema francês sendo que o final é mais otimista do que a realidade, infelizmente.

De 4 a 13 novembro, decorre um dos maiores eventos culturais em Portugal, a 10ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival, apresentando o que de melhor se faz não só no mundo da Sétima Arte como também noutras áreas culturais, nomeadamente  literatura, música e artes plásticas. Utilizando vários espaços em Lisboa e Cascais e com a presença de nomes célebres das várias áreas culturais continua a apresentar-se como um acontecimento propício à discussão e reflexão de temas que marcam a atualidade internacional.

Termino relembrando que o Cine-clube Impala, na Costa de Caparica, continua com os seus ciclos de cinema. Assim, em novembro,  propõe um Ciclo de Cinema de Taiwan e do Japão, começando no dia 3, pelas 21:30 horas, com o filme de Taiwan Yi-Yi, realizado por Edward Yang, sobre o difícil equilíbrio que cada família chinesa de Taipé tem de fazer entre o passado e o presente e a complexidade das relações ao longo do tempo. Este Ciclo de cinema, que abrange obras raramente exibidas nas salas nacionais, continua nos dias 10, 17 e 24 de novembro o que constitui uma boa oportunidade para conhecer esta filmografia oriental.

Luísa Oliveira

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Maio apresentou um conjunto variado de estreias mas o destaque vai para Dheepan do francês Jacques Audiard, vencedor da Palma de Ouro do festival de Cannes de 2015. O argumento foca um tema atual envolvendo três refugiados, apresentados como família, fugidos à guerra civil no Sri Lanka e que, pedindo asilo político em França, deparam com mais violência num subúrbio de Paris dominado pelos traficantes de droga e de armas. Os intérpretes não são atores profissionais sendo que a personagem principal, interpretada por Antonythasan, Jesuthasan, é um antigo guerrilheiro nacionalista Tigre Tamil que se tornou escritor e ativista político depois de ter fugido para França na década de 90. O filme apresenta grande realismo não só no esforço que os três estranhos fazem para pareceram uma família normal convivendo com as lembranças dos familiares assassinados pelos militares no Sri Lanka, como na denúncia do poder dos traficantes nos subúrbios. No final, o modo como o grupo de refugiados reage à violência e o instinto de sobrevivência acaba por os transformar numa verdadeira família.

Algumas obras vivem da interpretação de atores afamados, como é o caso de Richard Gere em Viver à margem de Oren Moverman, num papel de um sem abrigo desesperado por recuperar a ligação afectiva com a sua filha, e de Tom Hanks em  Negócio das Arábias de Tom Tykwe,  baseado  na obra de Dave Eggers Um holograma para o rei, interpretando um vendedor falido para quem um negócio na Arábia Saudita se apresenta como uma forma de reabilitação pessoal e profissional.

Jodie Foster realizou Money Monster, associando momentos de tensão e de entretenimento no quadro da crise financeira, nomeadamente a complexidade do mundo das finanças e mercados e o desespero de quem perde o emprego. Ensurdecedor do norueguês Joachim Trier  é um drama familiar  a partir do relacionamento de um pai e dos seus dois filhos. Igualmente sobre relações, O amor é uma coisa estranha de Ira Sachs é uma obra melancólica que  decorre no ambiente da  comunidade gay e artística de Nova Iorque. John Lithgow e Alfred Molina brilham no papel de um casal numa relação reconfortante que, apesar de inúmeros problemas aprecia todos os momentos em que estão juntos até à separação pela morte.

Da Irlanda, por sua vez, chega-nos um filme surreal A Lagosta de Yorgos Lanthimos, vencedor do Prémio do Júri no Festival de Cannes de 2015, para quem aprecia argumentos bizarros com muitas análises possíveis, nenhuma delas definitiva. Também da Irlanda uma obra totalmente diferente – A Canção do Mar de Tomm Moore, um belíssimo filme de animação europeu que concorreu ao Óscar de Melhor Longa-Metragem de Animação combina o fantástico e o folclore da tradição celta resultando uma obra de deslumbrante  magia.

Alice do outro lado do espelho de John Henderson é uma imaginativa adaptação ao cinema do célebre e eterno livro de Lewis Carroll sobre as fantásticas aventuras de Alice no País das Maravilhas recriando-se o universo imaginário num filme de imagem real filmado na ilha de Mann. Bons rapazes de Shane Black é uma divertidíssima comédia de humor negro em que Russel Crowe  e Ryan  Gosling brilham no papel de dois detetives privados no Los Angeles dos anos 70. Sobrevivente de James McTeigue é o habitual filme de ação, espionagem com argumento ligado ao terrorismo.

A notável cinematografia francesa esteve presente com O Sr. Juíz com realização e argumento de  Christian Vincent, que no festival de cinema de Veneza recebeu os prémios de Melhor Argumento e Melhor Ator para Fabrice Luchini, mostrando como o amor contribui para humanizar quem pratica  a justiça.

Por fim, abrilhantado pela música de Mário Laginha, o que é considerado uma tragédia de gente anónima e banal Cinzento e negro de Luís Filipe Rocha. Apesar da ação se desenrolar também na ilha do Faial e Lisboa, o título refere-se a uma frase de Raul Brandão sobre a ilha do Pico, no livro As Ilhas Encantadas.

Termino estas “Fitas”, desejando que o mundo maravilhoso do cinema seja uma boa companhia nos meses de calor que se avizinham.

Luísa Oliveira

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Embora fevereiro esteja focado na cerimónia dos Óscares, considero que a notícia do mundo do cinema mais relevante do mês foi a que envolveu a portuguesa Leonor Teles, que se tornou a mais jovem realizadora a receber um Urso de Ouro pela curta metragem Balada de um batráquio na 66ª edição do festival internacional de cinema de Berlim. A realizadora, de origem cigana, considera o filme “ enérgico, irónico e irreverente” que parte da tradição portuguesa de colocar sapos de loiça à entrada de restaurantes e outros estabelecimentos comerciais para afastar e impedir a frequência de pessoas ciganas. Como tal acrescenta que “Através da minha história pessoal pretendi chamar a atenção para um comportamento crescente que se aproveita da crença e da superstição como forma de menosprezar e distanciar outros seres humanos”.

Quanto à 88.ª cerimónia dos Óscares da Academia de Hollywood, confirmou as expectativas, apesar da polémica sobre a ausência de atores negros nomeados nas principais categorias. Assim, à quinta nomeação, Leonardo Di Caprio, finalmente, levou a estatueta dourada pelo seu desempenho avassalador em Revenant: O Renascido. Ainda sobre a mesma obra Alejandro G. Iñárritu venceu o prémio de Melhor Realizador, e neste caso, pelo segundo ano consecutivo.

Nomeada pela primeira vez, ao lado de veteranas na passadeira vermelha como Cate Blanchett ou Jennifer Lawrence, Brie Larson viu o seu emotivo desempenho em Quarto reconhecido com o Óscar para Melhor Atriz, depois de ter recebido os prémios Bafta, Globos de Ouro e do Sindicato dos Atores. Nos agradecimentos não faltou uma palavra ao pequeno Jacob Tremblay, de nove anos, que faz de seu filho neste drama intenso realizado por Lenny Abrahamson. Esta fascinante obra sobre as vítimas de pedofilia, estreada em fevereiro, foi adaptada pela escritora irlandesa Emma Donoghue a partir do romance da sua autoria O quarto de Jack em que é exposta a capacidade de resistência a uma situação traumatizante e como a linguagem do amor contribui para a libertação.

O caso Spotlight de Tom McCarthy, sobre uma equipa de jornalistas de investigação do “Boston Globe” que denunciou abusos sexuais de menores por padres católicos, conquistou os galardões para Melhor filme e para Melhor Argumento Original, que se juntaram aos prémios Bafta e do Sindicato dos Argumentistas. Os prémios de Melhor ator secundário foram para a sueca Alicia Vikander pelo desempenho em A rapariga dinamarquesa e o britânico Mark Rylance, em A Ponte dos Espiões. Entres os restantes prémios destaque para  Mad Max: Estrada da Fúria de George Miller que arrecadou seis estatuetas nas categorias técnicas enquanto  Divertida-mente de Pete Docter e Jonas Rivera, levou para casa o Óscar de Melhor Filme de Animação e Amy de Asif Kapadia e James Gay-Rees, o de Melhor Documentário.

Por fim, o Óscar de melhor filme estrangeiro foi para a produção húngara O filho de Saul de Lászlo Nemes que é, igualmente, uma das estreias de fevereiro. Uma obra perturbante e incomodativa sobre as memórias de holocausto mas oportuna pois os ventos da intolerância começam a soprar, novamente, na Europa.

Quanto às restantes estreias do mês há obras que vale a pena visionar mas que não foram contempladas pelos ambicionados galardões, como Carol de Todd Haynes baseado no livro de Patricia Highsmith foi considerado o melhor filme do ano segundo os críticos de Nova York e a revista Time Out. Com uma perfeita reconstituição da década de 50 acompanha o romance entre duas mulheres, Carol Aird (Cate Blanchett) e Therese Belivet (Rooney Mara) que se conhecem, por acaso, numa loja de brinquedos de Nova Iorque construindo uma relação considerada imoral pela sociedade da época que via com preconceito e ignorância o divórcio e a homossexualidade.

Igualmente sobre intolerância mas, neste caso, política Trumbo, de Jay Roach, baseia-se em factos reais ocorridos nos EUA nas décadas de 40 e 50, em plena a Guerra Fria, com a perseguição a figuras de Hollywood simpatizantes de ideologia de esquerda, sendo abordado, neste filme, o caso de que foi vítima o argumentista Dalton Trumbo que lutou pela defesa da liberdade de expressão que só lhe permitu trabalhar sob pseudónimos, já até aos anos 60. Mais uma obra para se conhecer e não esquecer.

Denunciado a situação degradante da mulher em sociedades conservadoras, tivemos o drama franco-turco Mustang de Deniz Gamze Erguven que, na 41 ª edição dos Cesar, foi contemplado com quatro galardões. Baseado em factos verídicos, revela como as mulheres são subjugadas em culturas onde não existe liberdade.

Com características diferentes Os oito odiados de Quentin Tarantino com o habitual clima de violência apresentado nas obras deste realizador debruça-se sobre as tensões não resolvidas nos EUA, nomeadamente os conflitos étnicos entre brancos, negros, mexicanos, nortistas e sulistas e mulheres. Horas decisivas de Craig Gillespie descreve, com muita ação, situações reais vividas em fevereiro de 1952 aquando de uma operação de resgaste durante uma tempestade.

O nostálgico Salve, César! dos irmãos Joel e Ethan Coen, com um elenco notável de atores em que sobressaem Josh Brolin, George Clooney, Ralph Fiennes Scarlett Johansson, Frances McDormand, Tilda Swinton, Channing Tatum, acompanha um dia na vida de um responsável de um estúdio, durante a denominada época de ouro do cinema de Hollywood.

O thriller A Floresta de Jason Zada faz da lendária floresta japonesa de Aokigahara o cenário para uma mistura, de sobrenatural, suspense e terror. Tivemos ainda, tivemos ainda, para o público infantil, Alvin e os esquilos:a grande aventura de Walt Becker e Zootrópolis de Byron Howard.

Relembro que O Cineclube Impala Cine, no Auditório Costa da Caparica irá iniciar um novo Ciclo de Cinema, desta vez dedicado à ficção científica. Para iniciar este novo ciclo, no dia três de março, o filme escolhido foi o carismático Blade Runner, de Ridley Scott, com Harrison Ford, Rutger Hauer e Daryl Hannah, entre outros. Ao terminar, assinalo a 15ª edição da MONSTRA – festival de animação de Lisboa, que decorrerá entre 3 e 13 março, com a exibição de centenas de obras oriundas de vários países. O interessante programa pode ser acedido em http://www.monstrafestival.com.

Luísa Oliveira

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Novembro iniciou-se com a aguardada estreia do 24º filme da saga 007, iniciada em 1962, Spectre de Sam Mendes, mais uma obra de acção e aventura com o famoso agente secreto, representado atualmente por Daniel Craig. Da mesma forma, a vasta legião de fãs The Hunger Games: A revolta –Parte 2  de Francis Lawrence aguardou com expetativa  a luta de  Jennifer Lawrence pela liberdade o que tem resultado em excelentes valores de bilheteira.

Também de luta mas não de ficção, as ações dinamizadas pelas mulheres que reivindicaram o reconhecimento do direito ao voto, constituíram a base para o argumento do filme As sufragistas de Sarah Gravon. Com inúmeros sacrifícios pessoais colocando em risco as relações familiares e até a própria vida, a sua tenacidade contribuiu para a emancipação feminina.

Numa área diferente, Steve Jobs de  Danny Boyle, protagonizado por  Michael Fassbender,  apresenta  o retrato íntimo, pessoal e profissional, de um homem controverso e visionário que vai contribuir para uma autêntica revolução digital com o lançamento de produtos que vão mudar o quotidiano da humanidade. Por seu turno, em 13 minutos de Oliver Hirshbiegel,  vemos como o alemão Georg Elser poderia ter mudado o rumo da história ao tentar matar Adolf Hitler em 8 de novembro de 1939 colocando uma bomba atrás de um púlpito que iria ser usado pelo ditador, em Munique. Infelizmente, este abandonou o local mais cedo do que o previsto pelo que, Georg Elser, que será assassinado no campo de concentração de Dachau pouco tempo antes do final do conflito, não será recordado como um herói mas como alguém que viu o perigo que representava o ditador numa época em que era idolatrado por muitos alemães.

Num período posterior à 2ª guerra mundial marcado pela intensa rivalidade entre as superpotências EUA e URSS  A ponte dos espiões de Steven Spielberg, com argumento dos irmãos Cohen e de Matt Charman é uma  narrativa  autêntica dos factos  que envolveram a acção do  advogado americano James Donovan, interpretado por Tom Hanks, para libertação de um piloto aprisionado pelos soviéticos. Thriller político de excelente qualidade enriquecido pela fotografia e banda sonora que contribuem para transmitir o ambiente de tensão latente vivido durante a Guerra Fria.

Reunindo comédia e drama, Joaquim de Almeida contracena com Sandra Bullock e Billy Bob Thornton em Profissionais da crise de David Gordon Green com um tema atual  sobre o papel dos consultores políticos que ultrapassam todos os obstáculos para levar os seus candidatos, mesmo os corruptos,  à vitória. O Segredo dos seus Olhos de Billy Ray  é uma refilmagem do excelente filme homónimo argentino vencedor, em 2009, do Óscar de melhor filme estrangeiro. Embora mantenha o suspense focando o argumento no temor do terrorismo as prestações credíveis dos atores, nomeadamente Nicole Kidman e Julia Roberts,  não fazem esquecer  a obra argentina que apresenta uma melhor qualidade.

Na última edição do Lisbon and Estoril Film Festival  Minha Mãe  de  Nanni Moretti  foi a obra intimista  e emotiva de abertura  que, focando a espera da morte, foi inspirada no falecimento, em 2010, da mãe do realizador.

Quanto à produção nacional estreou-se O Leão da Estrela de Leonel Vieira inspirado na comédia de enganos homónima, constituindo a 2ª obra da trilogia “ novos clássicos” de homenagem a obras icónicas da cinematografia portuguesa das décadas de 30 e 40.

No momento em que já se aproxima a época natalícia, os filmes de animação apresentam-se como alternativa, refiro-me a filmes como uma aventura protagonizada por um dinossauro e uma criança – A viagem de Arlo de Peter Sohon, que é mais uma produção dos estúdios da Pixar.

Relembro que O Cineclube Impala Cine continua com os seus ciclos temáticos sobre grandes realizadores estando a decorrer o dedicado a Éric Rohmer, cuja programação poderá ser consultada em http://www.gandaia.pt.

Luísa Oliveira

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As estreias do mês de outubro não fazem esquecer eventos cinematográficos recentes como foram a festa do cinema chinês durante o mês de Setembro e a 16ª edição da festa do cinema francês que, durante o mês de novembro, continua a percorrer os cinemas nacionais, nomeadamente no Seixal, nos dias vinte e sete e vinte e oito. Além destes acontecimentos é de assinalar o Doclisboa que decorreu com a qualidade e o sucesso habitual.

Quanto a estreias uma referência especial a um filme fabuloso realizado por Jean-Jacques Annaud,  A hora do lobo que marcou a abertura da Festa do cinema francês  tendo sido, igualmente, apresentadas seis das obras deste realizador. Baseado numa biografia de 2004 de Jiang Rong, pseudónimo de um ativista pela democracia preso durante as manifestações da praça de Tiananmen de 1989. Esta película não é só uma fascinante viagem pelas estepes da Mongólia como também um alerta para a necessidade urgente de preservação da natureza e o equilíbrio na relação entre os seres vivos. A acção decorre em 1967 durante a Revolução cultural maoísta quando um estudante / professor de Pequim é enviado para o meio rural na Mongólia fazendo uma aprendizagem de vida quando enfrenta as decisões da autoridade central de eliminar os lobos da região, situação que poria em causa a relação mística destes animais e a comunidade local.

Também sobre aprendizagem mas neste caso de sobrevivência é a última obra do lendário Ridley Scott, o excelente filme de ficção científica Perdido em Marte. Baseado no livro homónimo de Andy Weir demonstra a complexidade da instalação de seres humanos em Marte com uma interpretação exemplar de  Matt Damon,  entrecortada pelo silêncio, ao encarnar a personagem de um astronauta que é deixado no planeta vermelho pelos colegas supostamente porque estava morto.

Em outubro, curiosamente, estrearam-se alguns filmes com enredos nas décadas de 70 e 80. Assim Black mass –Jogo sujo    realizado por Scott Cooper   parte da investigação dos repórteres Dick Lehr e Gerard O’Neil sobre um dos criminosos para cruéis de Boston  Jim “Whitey”  Bulger, chefe da Máfia irlandesa,  representado por  Johnny Depp. Esta investigação resultou num escândalo que envolveu o FBI pois a impunidade que o criminoso gozava resultava das suas ligações com um agente desta instituição, seu amigo de infância, com o objetivo de eliminar a Máfia italiana mas que rapidamente resultou num elevado número de homicídios, actividade de extorsão e tráfico de droga que escaparam ao controle das autoridades.

Num tema distinto 71 de Yann Demange, contemplado com uma menção honrosa no festival de Berlim, descreve, com grande realismo e num ambiente de tensão e suspense o sofrimento de um soldado britânico, representado por Jack O´Donnel, abandonado numa zona de Belfast, Irlanda do Norte, palco do eterno conflito religioso entre católicos e protestantes.

O prodígio de Edward Zwick apresenta Tobey Maguire no papel do célebre campeão mundial de xadrez Bobby Fischer que, num período marcado pela rivalidade entre as superpotências americana e soviética, venceu em 1972 o campeão russo Boris Spassky num jogo histórico denominado “Batalha da guerra fria”. Sempre controverso até à sua morte em 2008 este desafio teve consequências psicológicas graves pois aquele que é considerado um dos maiores xadrezistas de todos os tempos tinha um comportamento que oscilava entre a genialidade e a loucura.

Também um desafio pessoal a aventura do francês Philippe Petit que, na década de 70, caminhou entre as torres do World Trade Center suspenso num arame o que é narrado em  The Walk – o desafio  realizado por Robert Zemeckis  com tecnologia inovadora onde se pode verificar as dificuldades que foram ultrapassadas para garantir o sucesso do empreendimento.

Com tema atual, Sicário – o infiltrado de Denis Villeneuve é considerado um dos melhores filmes sobre a temática do tráfico de droga, neste caso, na fronteira americana/mexicana. Emily Blunt,Josh Brolin e Benicio del Toro brilham num enredo que apresenta a realidade violenta dos sanguinários cartéis de droga mexicanos.

Os fãs da filmografia francesa podem assistir a duas comédias ligeiras, superficiais mas divertidas, em Um momento de perdição de Jean- François Richet com Vincent Cassel   e François Cluzet sobre o processo de  sedução e Barbecue de Eric Lavaine  que trata das  escolhas de vida de amigos cinquentões.

É sempre gratificante ver que o talento de excelentes atores não envelhece e, por isso, vale a pena rever Robert de Niro em O estagiário  de Nancy Meyers  com Anne Hathaway num interessante filme sobre as relações familiares e emocionais assim como Robert Redford em Por aqui e por ali   de Ken Kuapis numa divertida aventura em que  contracena com  Nick  Nolte e Emma Thompson .

Uma obra curiosa Pan – viagem à terra do nunca de Joe Wright revela a origem das personagens criadas por J.M. Barrie em 1904 no fantástico mundo dos piratas, guerreiros e fadas quando Peter Pan e o futuro capitão Gancho eram amigos e tinham o Barba Negra, encarnado por Hugh Jackman, como inimigo comum.

Por fim, da Nova Zelândia, uma comédia de Jemaine Clement e Taika Waititi, O que fazemos nas sombras em que, com humor inteligente, a mitologia dos vampiros é apresentada como um documentário.

No que respeita a eventos culturais, em novembro o realce vai para a 9ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival  de 6 a 15 novembro   que, como sempre, apresenta um programa ambicioso com selecção de filmes  de realizadores credenciados, wokshops,debates, sessões de leitura  e actividades enriquecedores do mundo artístico. Nesta edição faz-se um tributo ao multifacetado escritor britânico John Berger sendo o convidado principal o ator e realizador italiano Nanni Moretti. Mais perto, a Gandaia, Associação Cultural da Costa de Caparica, continua a apresentar ciclos de cinema decorrendo actualmente o dedicado a Roman Polanski o que é sempre uma boa oportunidade para conhecer obras relevantes da 7ª arte.

As estreias do mês de outubro não fazem esquecer eventos cinematográficos recentes como foram a festa do cinema chinês durante o mês de Setembro e a 16ª edição da festa do cinema francês que, durante o mês de novembro, continua a percorrer os cinemas nacionais, nomeadamente no Seixal, nos dias vinte e sete e vinte e oito. Além destes acontecimentos é de assinalar o Doclisboa que decorreu com a qualidade e o sucesso habitual.

Quanto a estreias uma referência especial a um filme fabuloso realizado por Jean-Jacques Annaud,  A hora do lobo que marcou a abertura da Festa do cinema francês  tendo sido, igualmente, apresentadas seis das obras deste realizador. Baseado numa biografia de 2004 de Jiang Rong, pseudónimo de um ativista pela democracia preso durante as manifestações da praça de Tiananmen de 1989. Esta película não é só uma fascinante viagem pelas estepes da Mongólia como também um alerta para a necessidade urgente de preservação da natureza e o equilíbrio na relação entre os seres vivos. A acção decorre em 1967 durante a Revolução cultural maoísta quando um estudante / professor de Pequim é enviado para o meio rural na Mongólia fazendo uma aprendizagem de vida quando enfrenta as decisões da autoridade central de eliminar os lobos da região, situação que poria em causa a relação mística destes animais e a comunidade local.

Também sobre aprendizagem mas neste caso de sobrevivência é a última obra do lendário Ridley Scott, o excelente filme de ficção científica Perdido em Marte. Baseado no livro homónimo de Andy Weir demonstra a complexidade da instalação de seres humanos em Marte com uma interpretação exemplar de  Matt Damon,  entrecortada pelo silêncio, ao encarnar a personagem de um astronauta que é deixado no planeta vermelho pelos colegas supostamente porque estava morto.

Em outubro, curiosamente, estrearam-se alguns filmes com enredos nas décadas de 70 e 80. Assim Black mass –Jogo sujo    realizado por Scott Cooper   parte da investigação dos repórteres Dick Lehr e Gerard O’Neil sobre um dos criminosos para cruéis de Boston  Jim “Whitey”  Bulger, chefe da Máfia irlandesa,  representado por  Johnny Depp. Esta investigação resultou num escândalo que envolveu o FBI pois a impunidade que o criminoso gozava resultava das suas ligações com um agente desta instituição, seu amigo de infância, com o objetivo de eliminar a Máfia italiana mas que rapidamente resultou num elevado número de homicídios, actividade de extorsão e tráfico de droga que escaparam ao controle das autoridades.

Num tema distinto 71 de Yann Demange, contemplado com uma menção honrosa no festival de Berlim, descreve, com grande realismo e num ambiente de tensão e suspense o sofrimento de um soldado britânico, representado por Jack O´Donnel, abandonado numa zona de Belfast, Irlanda do Norte, palco do eterno conflito religioso entre católicos e protestantes.

O prodígio de Edward Zwick apresenta Tobey Maguire no papel do célebre campeão mundial de xadrez Bobby Fischer que, num período marcado pela rivalidade entre as superpotências americana e soviética, venceu em 1972 o campeão russo Boris Spassky num jogo histórico denominado “Batalha da guerra fria”. Sempre controverso até à sua morte em 2008 este desafio teve consequências psicológicas graves pois aquele que é considerado um dos maiores xadrezistas de todos os tempos tinha um comportamento que oscilava entre a genialidade e a loucura.

Também um desafio pessoal a aventura do francês Philippe Petit que, na década de 70, caminhou entre as torres do World Trade Center suspenso num arame o que é narrado em  The Walk – o desafio  realizado por Robert Zemeckis  com tecnologia inovadora onde se pode verificar as dificuldades que foram ultrapassadas para garantir o sucesso do empreendimento.

Com tema atual, Sicário – o infiltrado de Denis Villeneuve é considerado um dos melhores filmes sobre a temática do tráfico de droga, neste caso, na fronteira americana/mexicana. Emily Blunt,Josh Brolin e Benicio del Toro brilham num enredo que apresenta a realidade violenta dos sanguinários cartéis de droga mexicanos.

Os fãs da filmografia francesa podem assistir a duas comédias ligeiras, superficiais mas divertidas, em Um momento de perdição de Jean- François Richet com Vincent Cassel   e François Cluzet sobre o processo de  sedução e Barbecue de Eric Lavaine  que trata das  escolhas de vida de amigos cinquentões.

É sempre gratificante ver que o talento de excelentes atores não envelhece e, por isso, vale a pena rever Robert de Niro em O estagiário  de Nancy Meyers  com Anne Hathaway num interessante filme sobre as relações familiares e emocionais assim como Robert Redford em Por aqui e por ali   de Ken Kuapis numa divertida aventura em que  contracena com  Nick  Nolte e Emma Thompson .

Uma obra curiosa Pan – viagem à terra do nunca de Joe Wright revela a origem das personagens criadas por J.M. Barrie em 1904 no fantástico mundo dos piratas, guerreiros e fadas quando Peter Pan e o futuro capitão Gancho eram amigos e tinham o Barba Negra, encarnado por Hugh Jackman, como inimigo comum.

Por fim, da Nova Zelândia, uma comédia de Jemaine Clement e Taika Waititi, O que fazemos nas sombras em que, com humor inteligente, a mitologia dos vampiros é apresentada como um documentário.

No que respeita a eventos culturais, em novembro o realce vai para a 9ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival  de 6 a 15 novembro   que, como sempre, apresenta um programa ambicioso com selecção de filmes  de realizadores credenciados, wokshops,debates, sessões de leitura  e actividades enriquecedores do mundo artístico. Nesta edição faz-se um tributo ao multifacetado escritor britânico John Berger sendo o convidado principal o ator e realizador italiano Nanni Moretti. Mais perto, a Gandaia, Associação Cultural da Costa de Caparica, continua a apresentar ciclos de cinema decorrendo actualmente o dedicado a Roman Polanski o que é sempre uma boa oportunidade para conhecer obras relevantes da 7ª arte.

Luísa Oliveira

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O mês de maio continua associado ao festival internacional de cinema de Cannes e assim foi na 68ª edição que se realizou de 13 a 24 naquela cidade de sul de França que nesse período foi o centro da Sétima Arte. Neste ano a presidência coube aos irmãos Joel e Ethan Coen sendo as cerimónias rodeadas do fascínio habitual. Embora Portugal não tenha apresentado nenhum filme na selecção oficial a obra de Miguel Gomes, As mil e uma noites esteve presente no programa paralelo, Quinzena dos realizadores, tendo recebido muitas críticas positivas. Dheepan, do realizador francês Jacques Audiard, conquistou a Palma de Ouro, com o prémio de melhor atriz partilhado pela norte-americana Rooney Mara,em Carol e pela francesa Emmanuelle Bercot, com Mon Roi. O prémio de melhor ator foi entregue ao francês Vincent Lindon, que interpreta um operário desempregado em La Loi du marché. Hrutar (“Carneiros”), do islandês Grimur Hakonarson, sobre dois irmãos pastores, e que foi premiado na secção Um Certo Olhar. O filme húngaro Son of Saul de László Nemes, que aborda o trabalho de um comando especial de prisioneiros que ajudavam os nazis na limpeza dos corpos de judeus no campo de concentração de Auschwitz, foi distinguido como melhor filme pela crítica internacional, recebendo o prémio FIPRESCI.

Maio trouxe, igualmente, a aguardada estreia de Mad Max – estrada da fúria  com  o realizador australiano George Miller a retomar o fenómeno de finais da década de 70  e  Tom Hardy  a substituir Mel Gibson na personagem principal. Uma obra com 80% das cenas filmadas no deserto da Namíbia a que se juntaram os efeitos especiais e a computação gráfica para transmitirem a realidade de um mundo apocalíptico. Numa visão diferente do futuro em que os sonhos que se tornam reais contribuem para um mundo melhor George Clooney protagoniza Tomorrowland: Terra do amanhã do oscarizado Brad Bird, aliando a aventura à fantasia, o que não é de estranhar dado que é uma produção da Disney. Deus Branco do húngaro Kornel Mundruczó, a partir da relação entre humanos e cães, apresenta uma parábola sobre desigualdades sociais e injustiças mostrando o que pode acontecer quando os rejeitados da sociedade tomam uma atitude para mudar o que é necessário. Ganhou o Palm Dog Award do festival de Cannes tendo sido adotados todos os cães apresentados no filme. O genial Al Pacino brilha em A Humilhação de Barry Levinson, baseado no romance homónimo de Philip Roth , uma fábula sobre a decadência do artista que perde o talento. Prisioneira de Atom Egoyan é um melodrama familiar com boas interpretações e banda sonora adequada aos momentos de tensão com o intuito de chocar pelo tema tratado, rapto de uma criança. Fundamentado em factos verídicos, O rapto de Freddy Heineken de Daniel Alfredson é um trilher que retrata a acção criminosa levada a cabo por um grupo de amigos com o rapto, no início dos anos 80, daquele que era considerado um dos homens mais ricos do mundo, representado por Anthony Hopkins. Para os apreciadores de filmes de época, Nos jardins do rei de Alan Rickman pretende apresentar a construção dos belíssimos e famosos jardins do Palácio de Versalhes com uma visão irónica de Luís XIV, “O rei sol”, e do seu arquiteto paisagístico revolucionário André LeNôtre. A boa disposição é garantida na comédia francesa Uma aldeia quase perfeita de Stéphane Meunier que apresenta uma forma muito agradável de tratar a crise e desertificação de que sofrem tantas localidades.

Num registo oposto o documentário vencedor do prémio para melhor produção nacional no festival Indie lisboa 2015, Fora de vida de Filipa Reis e João Miller Guerra retratam as vidas difíceis de alguns portugueses numa época em que “para uns já não há trabalho e para outros já não há tempo livre”.

Autênticos retratos de vida de um país na segunda metade do século XX foram repostas as obras emblemáticas Verdes anos, Mudar de vida e Se eu fosse ladrão…roubava do realizador Paulo Rocha, falecido em 2012, uma das personalidades incontornáveis do Cinema Novo Português.

Com o verão e as férias a aproximarem-se, o cinema continua a fazer parte dos momentos de lazer realizando-se ciclos que vale a pena visionar. No Centro Comercial Pescador, na Costa de Caparica, O Cineclube Impala, da Associação Gandaia, iniciou um ciclo de cinema chinês com obras de qualidade. Da mesma forma é importante relembrar que a Cinemateca portuguesa continua a apresentar programação ambiciosa para todos os que apreciam o mundo maravilhoso do cinema.

Luísa Oliveira

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Em dois de abril assistiu-se a mais uma cerimónia de entrega dos prémios Sophia atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema sendo que, neste ano, o filme Os gatos não têm vertigens, do realizador António-Pedro Vasconcelos, venceu nove das quinze categorias em que estava nomeado entre as quais os quatro principais prémios, incluindo o de melhor filme, melhor realizador, melhor atriz (Maria do Céu Guerra) e ator (João Jesus) principais. Na atribuição dos prémios seguiu-se Os Maias – Cenas da vida romântica, de João Botelho que venceu em sete categorias, incluindo melhor ator e atriz secundários, atribuídos a João Perry e Maria João Pinho. Já o prémio de melhor curta-metragem-documentário coube a O Meu Outro País, de Solveig Nordlund, e o de melhor documentário em longa-metragem foi entregue ao filme E agora? Lembra-me de Joaquim Pinto.

Esta edição foi marcada pelo falecimento de Manoel de Oliveira, homenageado com a exibição de alguns excertos de obras da sua vasta filmografia sendo referido que o realizador  “Foi um mestre e um exemplo, queremos lembrá-lo hoje e sempre”. Ainda no âmbito das homenagens ao prestigiado realizador a Cinemateca Portuguesa vai exibir, em estreia para público, o filme autobiográfico Visita ou Memória e Confissões realizado em 1982.

No que respeita a estreias do mês o destaque vai para o filme Uma turma difícil de Marie-Castille Mention-Schaar dada a pertinente temática apresentada baseada em factos verídicos. Numa turma de um liceu parisiense de alunos problemáticos e desmotivados uma professora envolve-os num projeto pedagógico sobre as memórias do Holocausto que, ao valorizar a iniciativa, autonomia e responsabilidade, vai contribuir para uma mudança de atitude. Uma obra aconselhável sobre os desafios constantes da educação. Outras estreias de qualidade estão relacionadas com as duas guerras mundiais numa época em que se revisitam memórias desses conflitos. A ocupação nazi em França é a base do melodrama de guerra  Suite francesa de Saul Dibb,  baseado no brilhante romance homónimo da excelente escritora francesa de origem ucraniana, Iréne Némirovsky, assassinada, no verão de 1942, no campo de concentração de Auschwitz . A partir da paixão entre uma mulher francesa e um militar alemão podemos verificar as transformações sociais provocadas pelo conflito nomeadamente o papel dos franceses em relação às perseguições aos judeus. Labirinto de mentiras de Giulio Ricciarelli é um emotivo relato envolvendo factos reais relacionados com o julgamento de Auschwitz, em Frankfurt, focando a árdua e incompreendida tarefa de investigação do jovem advogado Johann Radman  para  descobrir  e punir os responsáveis pelas atrocidades cometidas. Um bom filme que tem como objetivo impedir o esquecimento dos terríveis acontecimentos ao mesmo tempo que leva os alemães a confrontarem-se com um passado vergonhoso. De igual modo o premiado Phoenix de Cristian Petzold, baseado no romance de Hubert Monteilhet  “Le retour  des cendres”, debate-se com as consequências emocionais e de vida de uma sobrevivente dos campos de concentração  num enredo intrigante e dramático sobre a alma humana.

Momentos trágicos da 1ª guerra mundial são revistos em A promessa de uma vida realizado e protagonizado por Russel Crowe quando se assinala os 100 anos do desembarque aliado em Gallipoli, na Turquia, que marcará, de abril de 1915 a janeiro de 1916, um dos períodos mais sangrentos do conflito. O argumento é baseado em factos verídicos quando, em 1919, um agricultor australiano vai procurar descobrir o que aconteceu aos seus três filhos desaparecidos em combate. Obra dramática misturada com algum romance segundo Russel Crowe foi uma forma de homenagear os milhares de mortos nomeadamente australianos e neozelandeses.

Ainda relacionado com conflitos, neste caso o da Coreia na década de 50, John Boorman realizou Pela rainha, comédia nostálgica com caraterísticas autobiográficas e que se destaca pelas boas interpretações dos atores. Igualmente baseado em factos reais e com um elenco de luxo  Preto ou branco  é um drama em que sobressai Kevin Costner e Octavia Spencer no papel de avós de dois mundos diferentes que lutam pela custódia  da neta. Noite em fuga  de  Jaume Collet-Serra,é um interessante filme de ação com o ator Liam Neeson que se especializou neste tipo de argumento.

Os que apreciam cinema de animação de origem nipónica deliciaram-se com a belíssima e sensível obra O conto da princesa Kahuya do mestre japonês Isao Takahata candidata ao Óscar e vencedora da MONSTRA 2015 que, baseada num conto tradicional do Japão, datado do século X, foi feita por processos tradicionais em especial para a gravura e para os desenhos e pinturas em rolos de papel. Assistiu-se, igualmente, à estreia de filmes com caráter biográfico e documental que trazem sempre informação pertinente e curiosidades. O credenciado realizador Ettore Scola como forma de homenagear o genial realizador Federico Fellini no 20º aniversário da sua morte dirigiu Que estranho chamar-se Federico. Em Kurt Cobainmontage of Heck  Brett Morgen  associa acção real  com depoimentos e animação centrados na vida do carismático líder dos Nirvana. Walesa de Andrzeg Wajda apresenta o destacado líder polaco que, ao defender a liberdade e os direitos dos trabalhadores, contribuirá para importantes mudanças políticas que contribuirão para o fim de guerra fria. De aconselhar o excelente documentário O sal da Terra de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado  que apresenta a longa trajetória do consagrado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado nomeadamente o seu meritório projeto “Gênesis”, expedição que teve como objetivo registar, a partir de imagens, civilizações e regiões do planeta até então inexploradas. O documentário teve estreia mundial na edição de 2014 do Festival de Cannes onde recebeu uma Menção Especial do Júri da secção Un Certain Regard. Em Portugal, o filme foi exibido em dezembro do ano passado, no encerramento do Festival PortoPostDoc, no Teatro Municipal Rivoli, no Porto.

Entre 11 e 13 de Maio vai realizar-se a 1ª edição da Festa do Cinema sendo possível assistir a qualquer um dos filmes em cartaz em 499 salas de cinema portuguesas por apenas 2,50 euros por pessoa. Os bilhetes vão estar, assim, “em saldo” no âmbito desta iniciativa promovida por um grupo de entidades ligadas à indústria cinematográfica nomeadamente a APEC – Associação Portuguesa de empresas cinematográficas, com o objetivo de incentivar a recuperação do hábito de ir ao cinema.

Luísa Oliveira

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O filme português Cavalo Dinheiro, do realizador Pedro Costa, protagonizado pelo cabo-verdiano Ventura, ganhou o prémio de melhor longa-metragem do 6ºFestival Internacional de Cinema de Múrcia, distinção que vem juntar-se ao de melhor realizador do festival de cinema de Locarno, na Suíça.

No que respeita às estreias de cinema, houve géneros para todos os gostos. No entanto, pelas temáticas tratadas, destaco Gett – o processo de Viviane Amsalem de Ronit e Shlomi Elkabetz, e Elsa & Fred de Michael Radford. O primeiro, de origem israelita, é uma inquietante e magnífica demonstração de como a religião pode ser pretexto para oprimir e discriminar mulheres mesmo numa sociedade considerada democrática. O segundo apresenta uma realidade oposta com brilhantes interpretações de Shirley MacLaine e Christopher Plummer, demonstrando que nunca é tarde para a paixão e realizar sonhos.

Mais uma vez o holocausto é tratado a partir de uma história verídica em Corre, rapaz, corre, do oscarizado Pepe Danquart. Baseado na obra do autor israelita Uri Orlev e com uma fotografia deslumbrante, apresenta-nos a dramática vivência de uma criança durante esse período terrível vivido pela humanidade. Igualmente sobre factos recentes e reais o documentário vencedor de Óscar, Citizenfour da jornalista e realizadora norte-americana Laura Poitras sobre Edward Snowden, atualmente exilado na Rússia,  que, no verão de 2013, revelou a existência, nos serviços secretos norte-americanos, de programas de vigilância em massa de comunicações, o que desencadeou algumas tensões políticas internacionais e reavivou o debate, sempre pertinente, sobre espionagem, segurança nacional e direito à privacidade.

O popular ator de semblante sisudo, Tommy Lee Jones, realiza e protagoniza um western que nos remete para os clássicos do género em The Homesman –uma dívida de honra com Hilarry Swank numa ótima prestação no papel de  uma mulher forte e determinada num ambiente hostil. Os apreciadores de Will Smith podem vê-lo em acção em Focus de Glenn Ficarra e John Requa que junta o drama à comédia. A temática do terror junta-se aos poderes sobrenaturais e misticismo em Lazarus de David Gelb para quem aprecia algum suspense e sustos. A ficção científica está bem representada em Chappie de Neill Blomkamp a partir das aventuras do robot prodígio cujas emoções são cobiçadas por muitos.

Os fãs do cinema francês, por seu turno, têm a possibilidade de assistir a mais um sucesso com a comédia romântica com o argumento sempre presente e marcante da emigração em Samba de Eric Toledano e Olivier Nakache. Ainda no mesmo género é gratificante ver Jennifer Aniston num papel dramático, diferente do que nos habituou, em Cake – uma razão para viver de Daniel Barnz. Da mesma forma, é interessante O segundo exótico hotel Marigold de John Madden com um elenco luxuoso, em que se destacam Judi Dench e Maggie Smith numa obra descontraída e com boa disposição.

Quanto a obras de animação, merece uma referência especial o último filme do realizador japonês Hayao Miyazata, considerado pela Academia Japonesa de cinema o melhor filme do género em 2013, As asas do vento. Esta obra que teve antestreia no festival Monstra, relata a história de vida do engenheiro Jiro Horikoshi que criou um avião de guerra usado pelo Japão na 2ª guerra mundial.

Também de assinalar é Home – a minha casa de Tim Johnson da DreamWorks, baseado no livro infantil The true meaning of smekday de Adam Rex, com um tema tratado com frequência sobre a urgência de defender o planeta de uma invasão alienígena. E, ainda sobre animação, é sempre agradável ver as aventuras em Londres do famoso urso peruano Paddington de Paul King. Nota ainda para a deslumbrante Cinderela de Kenneth Branagh que dá vida ao famoso clássico conto de fadas.

No que respeita a eventos no mês de Abril, de 8 a 15, o Cinema São Jorge recebe a 6ª edição do FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa com obras inéditas e de qualidade da lusofonia. De 24 a 26 de os Dias da Música regressam a Belém com o lema Luzes, Câmara… Música! com uma programação dedicada ao cinema revisitando a história da música associada à 7ª arte, através de  um conjunto  de ofertas musicais do erudito ao jazz, do fado à música latino-americana, passando pelas grandes bandas-sonoras que se tornaram fenómenos de popularidade, como, por exemplo, James Bond, Jurassic Park, Guerra das Estrelas ou O Bom, O Mau e o Vilão.

Por fim, para comemorar o mês da liberdade e reavivar memórias, a Cinemateca proporciona uma ocasião única para compreender a censura cinematográfica no nosso país, durante o Estado Novo, a partir dos próprios filmes. Este miniciclo resulta de um trabalho de investigação sobre este assunto nos arquivos da Torre do Tombo dos professores Margarida Sousa e Manuel Mozos, sendo que todas as projecções serão complementadas com os cortes de censura originais. Uma oportunidade a não perder cuja programação pode ser consulta em https://ciclosdacinemateca.wordpress.com/censura-os-cortes-e-os-filmes/.

Luísa Oliveira

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A temporada dos prémios cinematográficos continuou em fevereiro com destaque para o Bernilane, Festival de cinema de Berlim e os Óscares da Academia de Hollywood. No primeiro evento, o Urso de Ouro foi para Taxi do perseguido realizador iraniano Jafar Panahi que, embora esteja proibido de filmar, continua a fazê-lo de forma clandestina e, neste caso, com uma câmara num táxi que é conduzido pelo próprio Panahi.

No rescaldo da 87ª edição dos Óscares, Birdman  (ou a Inesperada Virtude da Ignorância) de Alejandro González Iñárritu foi o grande vencedor ao conquistar quatro estatuetas douradas, entre elas a de Melhor Filme e Melhor Realizador, enquanto Grand Budapest Hotel de Wes Anderson recebeu quatro galardões, a maioria em categorias técnicas, e Whiplash três entre os quais o de melhor ator secundário atribuído a J.K.Simmons. Como melhor ator, foi galardoado Eddie Redmayne, em A Teoria de Tudo, e Patricia Arquette, em Boyhood: Momentos de uma vida, como melhor atriz secundária.

Entre as estreias do mês, referência especial para o comovente O meu nome é Alice de Richard Glatzer e Wash Westmoreland com um soberbo desempenho de Julianne Moore, que mereceu o Óscar de melhor atriz no papel de uma brilhante professora universitária de linguística a quem é diagnosticada uma forma precoce da doença de Alzheimer o que provocará progressiva degradação física e mental e consequentes alterações a nível familiar.

Numa outra vertente uma parte importante da história política recente dos E.U.A. no que respeita à defesa dos direitos civis dos negros é apresentada em Selma, a marcha da liberdade de Ava DuVernay, que ganhou o Óscar de melhor música com o emotivo tema Glory, de John Legend. Relatos selvagens de Damian Srifon, candidato argentino ao Óscar de melhor filme estrangeiro, é uma excelente obra de humor negro e absurdo sobre seis histórias do quotidiano.

O prémio de melhor filme estrangeiro foi atribuído ao polaco Pawel Pawlikowski com o misterioso Ida, que tem acumulando inúmeros prémios, entre os quais o de melhor filme europeu. Igualmente com nomeações para os Óscares Vício intrínseco de Paul Thomas Anderson, adaptação de um romance de Thomas Pynchon, apresenta Joaquim Phoenix no papel de um detetive policial dos anos 70 que circula no meio de um caleidoscópio de personagens bizarras. Referido, inúmeras vezes, como um dos melhores filmes do ano transato, Um ano muito violento de J. C.Chandor é um intenso drama com uma excelente fotografia que carateriza a sombria Nova Iorque, durante o inverno de 1981, estatisticamente o ano mais perigoso na história da cidade, com Oscar Isaac e Jessica Chastain nos principais papéis de uma inquietante história sobre a crença na honestidade num ambiente de corrupção e rivalidades políticas e económicas.

O excêntrico Tim Burton realizou Olhos grandes com uma temática diferente do que nos habitou, mas é agradável ver como a pintora Margaret Keane lutou para ser reconhecida como autora dos famosos quadros com crianças de olhos grandes, cuja autoria tinha sido usurpada pelo seu marido. Com temas de atualidade nomeadamente sobre a responsabilidade dos media perante os atos de violência Mil vezes boa noite de Erike Poppe é também um drama pessoal em que Juliette Binoche encarna uma repórter fotográfica dividida entre a sua profissão e os deveres como mãe e esposa. Igualmente atual Os cartoonistas –soldados de infantaria da democracia de Stéphanie Valloatto apresenta doze profissionais da escrita que em diferentes latitudes geográficas defendem, corajosamente, o direito à liberdade de expressão.

Quando se comemora 70 anos do fim da 2ª guerra mundial, é aconselhável ver como decorreu a reconstrução em Inglaterra no documentário de grande realismo social O espírito de 45 de Ken Loach. Podemos verificar não só como se fez a reconversão da economia de guerra e as transformações em todos os setores da vida económica como também muitas das conquistas do pós – guerra que consolidaram o estado social, nomeadamente o Serviço Nacional de Saúde, se degradaram nas últimas décadas.

Por fim, e para quem deseja passar momentos divertidos, Kingsman-serviços secretos de Matthew Vaughn cómico filme de espionagem com Colin Firth e Samuel L. Jackson, adaptação da série de banda desenhada de Mark Millar.

Fica ainda ao registo de dois eventos cinematográficos a decorrer em Lisboa no mês que agora se inicia: de 4 a 8 de Março no cinema São Jorge decorre o evento Judaica –Mostra de Cinema e Cultura, cujo programa pode ser consultado em http://www.judaica-cinema.org/, e celebrando quinze anos, de 12 a 22 março, teremos a Monstra-festival de Cinema de Animação de Lisboa, que regressa ocupando 18 espaços da cidade de Lisboa com a animação japonesa e da América Latina em destaque.

Luísa Oliveira

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Enquanto se aguarda pela cerimónia de entrega dos Óscares, em 22 fevereiro, os nomeados nas várias categorias têm sido reconhecidos nas inúmeras cerimónias de consagração que antecedem o evento maior. Mas antes da indicação de alguns dos candidatos os cinéfilos deliciaram-se com a estreia, no mês de janeiro, de alguns dos filmes favoritos. No entanto, a referência especial vai para o vencedor da Palma de ouro da 67ªedição do festival de Cannes o belíssimo sono de inverno do realizador turco Nuri Bilqe Ceylan rodado na enigmática Capadócia, Turquia, cenário de diálogos intimistas que analisam uma relação conjugal.

No que respeita aos nomeados para os Óscares da Academia de Hollywood Birdman ( ou a inesperada virtude da ignorância) de Alejandro González Iñárritu juntamente com o premiado Grand Hotel Budapest de Wes Anderson lideram com nove nomeações cada um. A comédia de humor negro de Alejandro Inárritu sobressai não só pela ótima fotografia e banda sonora como pela interpretação de Michael Keaton de um ator que pretende reerguer a sua carreira afastando-se da anterior personagem de super herói Birdman.

Outro candidato de qualidade com oito nomeações, O jogo de imitação, de Morten Tyldum relata alguns episódios da vida do genial matemático Alan Turing que, ajudando os serviços secretos ingleses, contribuiu para decifrar o código Enigma utilizado pelos nazis.Com uma excelente reconstituição da época e brilhante desempenho de Benedict Cumberbatch é uma obra aconselhável para conhecermos o importante contributo de um dos responsáveis pelo fim do sangrento conflito o que não impediu, no entanto, a perseguição de que foi vítima devido à sua orientação sexual continuando rodeada de mistério a sua morte em 1954.

Igualmente favorito A teoria de tudo de James Marsh com oito nomeações baseada na obra de Jane Hawking ex mulher do astrofísico Stephen Hawking, Viagem ao Infinito – A Extraordinária História de Jane e Stephen Hawking, retratando os 25 anos do casamento sendo que Eddie Redmayne ao representar o famoso físico é um dos candidatos ao Óscar de melhor ator. Stephen Hawking foi diagnosticado, aos vinte e um anos, com uma forma de evolução lenta da doença degenerativa de esclerose lateral amiotrófica o que não o impediu de se tornar um dos mais famosos e conceituados cientistas da atualidade conciliando a física quântica com a teoria da relatividade de Einstein. Desde 1985 que comunica através de uma voz sintética registando os seus pensamentos num computador com os dedos que conseguia mexer. Atualmente,com 73 anos, a doença continua a progredir e só consegue controlar o músculo da bochecha e é através de um sensor de movimento ligado a esse músculo que continua a partilhar as suas descobertas com o mundo.

Com seis nomeações, Sniper Americano de Clint Eastwood é uma narrativa biográfica sobre as missões no Iraque do texano Chris Kyle considerado o mais letal atirador da história militar dos Estados Unidos. Bradley Cooper e Sienna Miller encarnam de forma intensa o conflito emocional e pessoal do casal e, apesar do sucesso de bilheteira, o filme tem sido alvo de grande polémica e debate sobre a participação americana nos conflitos mundiais.

Whiplashnos limites de Damien Chazelle, que venceu o festival Sundance no ano transacto, é uma obra introspetiva sobre a busca obsessiva da perfeição e os limites que cada um deve ter quando se pretende atingir determinados objetivos.

Foxcatcher, um drama de Bennet Miller, com cinco nomeações, baseado nas memórias de Mark Schultz e no livro Wrestling with madness de Tim Huddleston apresenta a relação doentia e trágica do milionário John Du Pont e dos irmãos Schultz, medalhistas de ouro em luta greco-romana.

O musical Caminhos da floresta de Rob Marshall apresenta três nomeações entre as quais a 19ª de Meryl Streep num filme com diferentes personagens do universo das fábulas clássicas.  A esta obra junta-se também o curioso e original Boyhood – momentos de uma vida de Richard Linklater com seis nomeações que se estreou em dezembro passado e demorou 12 anos a gravar.

Mas, no clube restrito dos nomeados, não cabem outras obras que merecem também algum realce: Taken 3 de Olivier Megaton, um novo episódio da famosa saga de acção e aventura com Liam Neeson. Os fãs de Johnny Depp podem apreciar a sua prestação como marchand de arte à procura de um quadro roubado onde se esconde um tesouro nazi na comédia O excêntrico Mortedcai de David Koepp com Ewan McGregor, Gwyneth Paltrow e Jeff Goldblum nos principais papéis.

Angelina Jolie realizou Invencível sobre a odisseia do atleta olímpico Louis Zamperini capturado pelos japoneses durante a segunda guerra mundial. Baseado no livro de Laura Hillenbrand, Invencível: uma história de sobrevivência, resistência e redenção, o título reflete bem a experiência de vida do atleta que faleceu recentemente.

Com um tema, infelizmente, sempre atual Rosewater-uma esperança de liberdade é o primeiro filme realizado pelo famoso comediante Jon Stewart a partir da história verídica do jornalista Maziar Bahari que, preso e torturado no Irão, mantém a esperança e fé na luta pela mudança. Finalmente, para os fãs de ficção científica Autómata de Gabe Ibánez.

O restaurado cinema Ideal, na rua do Loreto em Lisboa, apresentou um programa especial para comemorar não só o dia internacional em memória das vítimas do Holocausto em 27 janeiro, como também os 70 anos do fim da 2ª guerra mundial. Nesse sentido além da reposição, em versão digital, do Grande Ditador de Charles Chaplin apresentou três excelentes documentários: o último dos injustos de Claude Lanzmann sobre a génese da solução final e do assassino Eichmann; A noite cairá de André Singer com terríveis imagens de arquivo filmadas quando da libertação do campo de concentração de Bergen-Belsen que os interesses políticos após o conflito não permitiram que fossem montadas por Alfred Hitchcock como estava previsto e O homem decente de Vanessa Lapa que aborda a vida e a mente de uma das mais tenebrosas figuras do nazismo: Heinrich Himmler, considerado o “arquiteto da solução final”. Obras importantes para que “a memória não se apague”.

Luísa Oliveira

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No mês de dezembro a Disney recebeu um belo presente pois o seu primeiro filme natalício, Empty Socks de 1927 que se julgava perdido, foi encontrado no arquivo da biblioteca norueguesa de Mo i Rana, na região do Círculo Polar Ártico.

Quanto a estreias, o período está sempre associado a filmes de animação para toda a família e este ano não foi exceção com os divertidos Os pinguins de Madagascar de Eric Darnell e Simon J.Smith, Big Hero 6 – os novos heróis de Chris Williams e Don Hall e a produção portuguesa sobre a importância da reciclagem Papel de Natal de José Miguel Ribeiro. A fantasia e aventura de O Hobbit : a batalha dos cinco exércitos de Peter Jackson pode ser, igualmente, enquadrada no espírito da época. No conjunto de estreias realce para algumas obras de suspense e drama além do excelente documentário sobre a trágica realidade na Síria Água prateada – um auto-retrato da Síria de Ossama Mohammed e Wiam Bedirxam, vencedor de melhor filme nesta categoria no London Filme Festival.

A China atual é apresentada de forma cruel no intrigante filme de crime e mistério Carvão negro, gelo fino de Yi`nam Diao vencedor, no festival de Berlim do Urso de ouro para melhor filme e do Urso de prata para melhor ator. David Cronenberg em Mapas para as estrelas, a partir de dados biográficos do argumentista Bruce Wagner, apresenta uma sátira negra sobre a indústria cinematográfica de Hollywood demonstrando a falta da caráter dos vários indivíduos que a compõem. Do Canadá chega um drama comovente e perturbante sobre a relação de amor entre mãe e filho no premiado Mamã de Xavier Nolan. A linguagem do coração de Jean – Pierre Améris apresenta um enredo baseado em factos verídicos que demonstra a importância da força do amor na superação das dificuldades. A adaptação da vida do excêntrico pintor inglês do século XIX, William Turner, valeu a Timothy Spall o galardão para melhor interpretação nos prémios de cinema europeu ao encarnar aquela personagem em Mr. Turner de Mike Leigh.

Na cidade de Riga, Letónia, decorreu a cerimónia de entrega dos prémios do cinema europeu, uma forma de valorizar e incentivar a produção cinematográfica europeia sendo que o filme polaco Ida de Pawel Pawlikowski foi o grande vencedor arrecadando cinco galardões entre os quais o de melhor filme.

Com o início do novo ano, começa a corrida para a 87ª edição dos prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood que se realizará em 22 fevereiro sendo que as várias nomeações aos ambicionados Óscares serão conhecidas no próximo dia 15 Janeiro. Esperemos que a cerrada disputa contribua para o reconhecimento de obras de qualidade no mundo de sonhos do cinema.

Luísa Oliveira

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bichosNo mês das festas natalícias, estreiam-se alguns eventos relacionados com o cinema. Em Almada, entre os dias 10 e 13 de dezembro, o projeto Amor Rafeiro traz ao Auditório Fernando Lopes Graça, no Fórum Romeu Correia, a primeira edição de BICHOS! Animais na Sétima Arte, um ciclo de cinema dedicado aos animais, com uma programação que interessará não só aos amantes de bom cinema como a todos aqueles para quem o respeito pelos animais é uma questão de cidadania. Com exibição de produções independentes nacionais e internacionais de ficção e animação programadas para adultos, famílias e escolas, as receitas de bilheteira reverterão para a construção do futuro canil/gatil multiusos do concelho de Almada.

No Porto, de 4 a 13 dezembro, realiza-se a primeira edição do Festival Internacional de Documentário e Cinema do Real com a projecção de 52 filmes sendo 12 em competição, complementadas com várias iniciativas entre as quais a secção dedicada aos direitos humanos. No dia 11, data de aniversário de Manoel de Oliveira, será exibida a sua mais recente criação a curta-metragem “O velho do Restelo”.

No que respeita a estreias, o realce para o excelente Interstellar de Christopher Nolan que certamente, se tornará um clássico da ficção científica. A partir dos escritos do astrofísico da universidade da Califórnia, Kip Thorne, sobre mecânica quântica, viagens no tempo, buracos negros, Matthew McConaughey protagoniza uma emocionante obra que, além de uma reflexão sobre o destino da humanidade após os recursos do planeta se esgotarem, representa um hino à vida. Para quem quer passar momentos hilariantes na sala de cinema, aconselho Orgulho de Matthew Warchus, um delicioso filme baseado em factos verídicos ocorridos em Inglaterra em 1984 durante o governo de Margareth Thatcher no período de greve dos mineiros britânicos, quando estes tiveram o apoio inesperado de grupos de gays e lésbicas o que, como seria previsível, provoca situações de conflito mas também de cumplicidade. Serena, realizada por Susanne Bier em 2012 a partir da adaptação do romance homónimo de Ron Rash, apresenta, pela terceira vez, o par romântico Jennifer Lawrence e Bradley Cooper num drama ocorrido na época da Grande Depressão de 1929. Um quadro pintado em finais do século XVIII com Dido Elizabeth Belle, filha ilegítimas de um capitão da Marinha inglesa e de uma escrava negra, foi a inspiração para Belle de Amma Asante que, além do drama amoroso, descreve os preconceitos da sociedade da época e a campanha a favor da abolição da escravatura. O primeiro filme de Dan Gilroy Nightcrawler-reporter na noite é uma sarcástica reflexão sobre o papel dos media, com Jake Gyllenhaal numa interpretação magistral de um repórter freelancer que utiliza todos as estratégias para sobreviver e ascender profissionalmente num meio desprovido, inúmeras vezes, de valores éticos. Reflexão sobre um tema atual em que a comunicação social é dominada pelo sensacionalismo e manipulação com o objetivo de satisfazer um público sedento de violência e de notícias choque. Os excelentes realizadores belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne tratam, igualmente, temas atuais como a precariedade do emprego e o flagelo do desemprego em Dois dias, uma noite em que Marion Cotillard encarna, de forma brilhante e realista, uma personagem que tem um fim-de-semana para convencer os seus colegas a prescindirem de bonificações para ela manter o emprego. Diferente mas que se vê com agrado A viagem a Itália de Michael Winterbottom com Steve Coogan e Rob Brydon na adaptação de uma série da BBC sobre gastronomia e, neste caso, a italiana. A decorrer no contexto italiano a comédia Viva a liberdade de Roberto Ando. Um verão na Provença de Rose Bosch apresenta-nos uma obra sobre o confronto de gerações com a qualidade que o cinema francês nos habituou. Para os que apreciam biografias têm a possibilidade de assistir a documentários sobre músicos carismáticos do século XX com 20.000 dias na Terra de Iain Forsyth e Jane Pollard sobre Nick Cave e Get on up de Tate Taylor sobre James Brown assim como a película Saint Laurent de Bertrand Bonello sobre o homónimo estilista francês que dominou o mundo da moda. John Wick de Chad Stahelski e David Leitch apresenta acção e aventura dirigida aos inúmeros fãs de Keanu Reeves. Quando se comemora cem anos do início da 1ª guerra mundial Pontes de Sarajevo expõe curtas-metragens de treze realizadores europeus de várias gerações entre os quais Teresa Villaverde com olhares sobre a cidade que marcou o destino de milhões. Com um objetivo idêntico Rio, eu te ama uma súmula de dez curtas-metragens de igual número de realizadores sobre temas ligados à “ cidade maravilhosa”. Por fim, The hunger games: a revolta, parte 1 de Francis Lawrence continua a famosa saga baseada na trilogia dos livros de Suzanne Collins.

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Quanto a notícias sobre produções nacionais, dois filmes co-produzidos pelo Cine-Clube de Avanca foram distinguidos no evento “The Spirits of the Earth Internacional Film Festival” em Castello della Rovere na cidade italiana de Vinovo em Turim onde são apresentadas obras preocupadas com a sustentabilidade, a ecologia e a cultura. Lágrimas de um Palhaço do premiado Cláudio Sá, ganhou o Prémio de Melhor Filme de Animação, sendo o Prémio para o Melhor Filme feito por estudantes  atribuído à curta-metragem de animação Os Guardiões das Florestas, adaptação de uma obra literária de Evandro Morgado realizado por estudantes da Escola E/B 2.3 Dr. Bento Carqueja de Oliveira de Azeméis e produzido ao longo do ano escolar numa oficina orientada por animadores do Cineclube de Avanca. Fuligem, de David Doutel e Vasco Sá, venceu a 38.ª edição do Cinanima – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho na competição internacional a que concorreram dezanove países ganhando, igualmente, o prémio António Gaio a que se candidataram onze obras de realizadores portugueses de mais de trinta anos.

Luísa Oliveira

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Em outubro, no Centro Cultural de Belém, numa cerimónia dedicada à música no cinema português, realizou-se a terceira edição dos Prémios Sophia atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema. A última vez que vi Macau de  João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, venceu na categoria de Melhor Filme sendo a de  Melhor Realizador  entregue a Joaquim Leitão, pela longa-metragem Até Amanhã, Camaradas. O prémio para Melhor Atriz Principal foi atribuído a Rita Durão pela interpretação em Em segunda mão e, pelo mesmo filme, Pedro Hestnes venceu a categoria de Melhor Ator Principal.

No que respeita a estreias, o mês foi marcado por alguns filmes de qualidade destacando-se a penúltima e última obras de Alain Resnais, respetivamente, Vocês ainda não viram nada e Amar, beber e cantar. Enquanto a primeira é apresentada como uma monótona peça de teatro, a segunda, premiada no festival de Berlim, é uma adaptação de uma peça teatral de Alan Ayckbourn abordando os rumos de vida e questões ligadas à morte de um grupo de amigos. Diferente mas bastante interessante pela mistura de mitologia, história e ficção e com excelentes efeitos especiais, Drácula: a história desconhecida de Gary Shore foca a origem do famoso vampiro inspirado no reinado de terror do príncipe da Roménia do século XV, Vlad Tepes. Num excelente e sombrio policial, Liam Neeson interpreta um detetive à moda antiga em O caminho entre o bem e o mal de Scott Frank, adaptação do bestseller de Lawrence Block. Matem o mensageiro de Michael Cuesta descreve o mundo do jornalismo de investigação e, neste caso, o envolvimento da CIA no contrabando de cocaína para os EUA.

Em parte incerta marca o regresso de David Fincher com um brilhante filme adaptado da obra homónima de Gillian Flynn, em que Ben Affleck e Rosamund Pike apresentam boas interpretações numa película misteriosa recheada de ilusões e mentiras, sátira aos relacionamentos conjugais. Aproveita a vida de Henry Altmann e Phil Alden Robinson é, por seu turno, uma boa forma de relembrar o saudoso Robin Williams. De aconselhar, igualmente, obras baseadas em factos reais: O gene rosa de Steven Bernstein, biografia de duas mulheres notáveis, Annie Parker, que venceu três vezes a luta contra o cancro e a geneticista Mary-Claire King, cuja descoberta do gene BRCA do cancro da mama é considerada uma das descobertas mais importantes do século XX e A boa mentira de Philippe Falardeau, sobre o terrível drama dos refugiados da guerra do Sudão e o papel das organizações humanitárias na recuperação dos seus traumas. Brad Pitt apresenta um ótimo desempenho em Fúria de David Ayer, um excelente filme de guerra que, a partir do interior de um tanque militar, descreve a luta pela sobrevivência e o horror dos últimos dias da 2ª guerra mundial. O terror sobrenatural de qualidade está de volta com Annabelle de John R. Leonetti que tem constituído um sucesso de bilheteira.

Por fim, do realizador brasileiro João Jardim, Getúlio pode ser considerado um documentário dos últimos dias do carismático presidente brasileiro Getúlio Vargas.

Em outubro, o Doclisboa decorreu com o sucesso habitual tendo sido premiado, na competição internacional, o realizador chinês Wang Bing com a obra sobre os desfavorecidos da China atual Father and sons, enquanto na competição nacional João Pedro Plácido foi o premiado com a obra Volta à terra. Ainda neste género na X edição do festival internacional de cinema documental Extrema’Doc, em Cáceres, Espanha, o documentário Hospedaria de Pedro Neves, venceu o Prémio Transfronteira. Em novembro, de 7 a 16, realiza-se o Lisbon & Estoril Film Festival com inúmeras obras em competição, exposições e eventos de destaque nomeadamente o simpósio internacional Ficção e realidade: para além do Big Brother.

Luísa Oliveira

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Setembro iniciou-se com a apresentação de vários projetos cinematográficos nacionais embora de estilos diferentes: o documentário de Sérgio Tréfaut sobre o Cante Alentejano num mundo global em  Alentejo Alentejo, prémio de Melhor Filme Português no IndieLisboa 2014; a improvável história de amor de Os Gatos Não Têm Vertigens de António Pedro Vasconcelos, com a talentosa Maria do Céu Guerra e Os Maias –  cenas da vida romântica adaptação de João Botelho de um dos  grandes clássicos da literatura portuguesa, Os Maias, de Eça de Queirós que, além do enredo amoroso, demonstra como Portugal do século XIX se assemelha tanto com a época atual. Os interiores foram filmados em palacetes, sobretudo em Lisboa, e os exteriores em estúdio, usando telas de grandes dimensões, pintadas pelo artista plástico João Queiroz.

Prossegue o reconhecimento da produção nacional tendo sido contemplada Luminita do realizador André Marques, vencedora do grande prémio do Festival Internacional de Curtas-Metragens em Drama, na Grécia. Este prémio vem juntar-se aos atribuídos no festival de curtas de Vila do Conde e no festival de Gijon, sendo que este filme. sobre dois irmãos que se reencontram no funeral da mãe, é candidato ao prémio Sophia de melhor curta-metragem. Quanto às restantes estreias, uma menção especial a duas obras de realizadores geniais:  Magia ao luar de Woody Allen com Emma Stone e Colin Firth, numa comédia romântica de típicos desencontros situada  na década de 1920, com a bela Riviera francesa como cenário, e Jersey Boys de Clint Eastwood, numa adaptação do premiado musical  da Broadway sobre a ascensão e queda  de Frankie Valli e o carismático grupo  da década de 1960, Four Seasons .

Dos nossos vizinhos ibéricos, o divertido sucesso de bilheteira Namoro à espanhola de Emílio Martinez Lázaro proporciona momentos de boa disposição através das peripécias, estereótipos e piadas sobre as evidentes diferenças culturais e linguísticas de Espanha. Vale igualmente a pena assistir à adaptação do fabuloso livro do escritor americano Noah Gordon, O Físico realizado por Philipp Stolzl, que demonstra como a vida pode ser uma aprendizagem constante e que a determinação em lutar para atingir os ideais pode ultrapassar todos os medos mesmo numa época violenta como era o século XI. Numa perspectiva diferente e, a partir da obra de Lois Loury,  The giver – O doador  de memórias  de Phillip Noyce, com um elenco luxuoso em que sobressaem  Meryl Streep e Jeff  Bridges, é uma reflexão filosófica sobre a condição humana e o papel do livre arbítrio, pois questiona-se se a humanidade será mais feliz num mundo sem violência mas também sem emoções. Dirigido aos fãs de filmes catástrofe, Dentro  da tempestade  de Steven Quale  com excelentes efeitos especiais  em que os tornados são as personagens principais na eterna luta entre o Homem e a Natureza. A ação e suspense em The equalizer – sem misericórdia de Antoine Fuqua, baseado na famosa série televisiva homónima dos anos 80, apresenta Denzel Washington numa personagem policial adequada ao seu estilo.

Também merecedor de realce, o Espaço Nimas, em Lisboa, continua com a preocupação em divulgar  obras de realizadores que marcaram a história do cinema mundial. Assim, foi reposta, em versão digital, a obra-prima de 1986 Má Raça, primeiro filme a cores de Leos Carax, com Michel Piccoli e Juliette Binoche numa Paris futurista. Uma referência ainda ao ciclo sobre o cineasta indiano Satyagit Ray que conta com a apresentação de obras que tratam da intimidade do espaço conjugal exposto ao mundo e que não tinham estreado nos cinemas nacionais –  A Grande Cidade (1963), Charulata (1964), O Cobarde  (1965), O Santo  (1965), O Herói  (1966), O Deus Elefante  (1979).

Finalmente, de 2 outubro a 22 novembro, realiza-se a 15ªFesta do cinema francês que, além do ciclo sobre Alain Resnais, na Cinemateca,  apresentará filmes em várias localidade do país no que é uma excelente oportunidade, a não perder, para apreciar, certamente, obras de qualidade.

Luísa Oliveira

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O mês de maio é sempre marcado pelo emblemático festival de Cannes que, neste ano da sua 67ª edição, decorreu com o glamour habitual. A Palma de Ouro foi entregue por Quentin Tarantino e Uma Thurman ao realizador turco Nuri Bilge Ceylan, pelo filme Winter Sleep, que venceu igualmente o Prémio FIPRESCI da Competição. Desde a sua estreia que este filme, filmado na Anatólia, e que tem como tema um triângulo amoroso, se afigurava como um dos vencedores, tendo o seu realizador dedicado o prémio à juventude turca e aos que perderam a vida durante o ano.

O segundo prémio mais importante do festival, o Grande Prémio do Júri, foi entregue à obra neo-realista italiana Le Meraviglie de Alice Rohrwacher. Bennett Miller recebeu o prémio de Melhor Realizador por Foxcatcher, Timothy Spall venceu o prémio de Melhor Ator, pelo papel em Mr. Turner, enquanto Jullianne Moore recebeu o galardão pela sua prestação em Maps to the stars . O Prémio do Júri foi atribuído ao jovem realizador canadiano Xavier Dolan pelo filme Mommy, ex-aequo com Jean-Luc Godard por Adieu au Langage.

No que respeita às inúmeras estreias do mês, destaque para as seguintes: a simplicidade do poético A lancheira de Ritesh Batra, uma história de afetos e de tradição em Bombaim; com argumento baseado no romance homónimo de Fiódor Dostoiévski, o sombrio O duplo de Richard Ayoade; o excelente drama Capital humano de Paolo Virzi que, ao fazer um retrato de vida de diversas personagens, apresenta uma crítica social da Itália atual; História da minha morte de Albert Serra, vencedor do Leopardo de Ouro do festival de Locarno, uma obra demasiado monótona que pretende retratar o encontro de Casanova com Drácula.

Podemos ainda referir o primeiro documentário a vencer o Leão de Ouro do festival de Veneza Sacro Gra de Gianfranco Rossi sobre a vida de pessoas comuns que vivem perto da auto-estrada que circunda Roma; um apontamento autobiográfico sobre as lembranças e a frustração de sonhos não realizados no período do pós maio 68 Depois de maio de Olivier Assayas, prémio de melhor argumento no festival de Veneza 2012, César para a atriz revelação Lola Creton; suspense numa boa história de vingança em Ruína azul de Jeremy Saulnier,vencedor do prémio FIPRESCI da Crítica Internacional no Festival de Cannes; Ela está de partida de Emmanuelle Bercot com Catherine Deneuve a encarnar uma personagem que procura controlar o seu destino; a comida deliciosa como ponto de partida para o divertido O Chef Jon Favreau, inspirado em acontecimentos reais e, por fim,  As ondas de Abril de Lionel Baier, um filme apropriado quando se comemora os 40 anos do 25 de Abril  que apresenta, de forma engraçada, a experiência real de jornalistas estrangeiros que assistem, inesperadamente, ao início da revolução.

As Fitas regressam no início do próximo ano letivo desejando que o cinema continue a ser uma companhia agradável e refrescante durante o período de verão. Entre as inúmeras actividades previstas uma referência especial à 1ª edição do festival “o sol da Caparica” que, além de espectáculos musicais, também apresentará cinema de animação através da participação especial do Monstra – festival de animação de Lisboa.

Luísa Oliveira

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Quando se comemora 40 anos do fim do regime repressivo do Estado Novo, justifica-se uma referência especial à curta-metragem portuguesa A Caça Revoluções, da realizadora Margarida Rêgo, coproduzida pelo Royal College of Art, que foi selecionada para integrar a Quinzena dos Realizadores de 15 a 25 de maio, em Cannes, paralelamente ao Festival de Cinema. Esta primeira obra da realizadora é uma animação experimental a partir de uma fotografia tirada durante a revolução de Abril 1974, transmitindo os sons das manifestações, comícios, canções e poemas desse momento revolucionário. O filme é dedicado a “todas as pessoas que acreditam na possibilidade de um país diferente” e antes de ser exibido na prestigiada Quinzena de Realizadores integrará a competição do festival IndieLisboa.

É igualmente de assinalar a 8ª edição do PANORAMA, que decorrerá entre  9 e 15 de maio, com um vasto e interessante reportório dirigido a todos os que se interessam pelo cinema documental português. O trabalho da realizadora Catarina Alves Costa estará em destaque, com a apresentação, na sessão de abertura, do documentário que realizou há 20 anos, Senhora Aparecida. A realizadora irá ainda orientar um workshop para alunos sobre a relação do documentário cinematográfico com a antropologia. A parceria com o Goethe-Institut Portugal e a Fundação Alfred Gerhard leva à apresentação de obras dos cineastas alemães, Alfred Ehrhardt e Hubert Fichte, que filmaram no nosso país na década de 50 e 60 do século XX, assim como a apresentação da coleção de Filmes do Göttingen Institut, realizados na década de 70, cedidos pelo Museu de Etnologia.

No que respeita a estreias, uma menção especial para o polémico Noé de Darren Aronofsky com uma visão peculiar da épica história da personagem bíblica que, neste filme é encarnada de forma intensa  por Russel Crowe, como um indivíduo com uma fé inabalável no Criador que se afasta da sociedade decadente em que vivem os descendentes de Caim e os nómadas descendentes de Seth. É uma obra de ação com incríveis efeitos especiais, filmada na Islândia, a não perder não só pelo polémico argumento, dominado pela eterna luta entre o bem e o mal, como pela interpretação do elenco de luxo em que também se destacam Anthony Hopkins, Emma Watson e Jennifer Connelly.

Também com um excelente elenco, merece menção a comédia de suspense Grand Budapest Hotel de Wes Anderson, em que sobressai Ralph Fiennes no papel de um mordomo libertino de um grandioso hotel na década de 30, época de instabilidade política, social e económica que adivinhava o terror que o mundo iria viver passado pouco tempo. Inspirado na obra de Stefan Zweig, escritor austríaco de origem judaica, descreve uma realidade idílica, imaginária no tempo.

São igualmente interessantes as adaptações de grandes obras literárias Em segredo de Charlie Stratton, a partir do romancede Émile Zola, Thérèse Raquin, sobre desencontros e paixões e O que a Maisie sabe de Alex Van Warmerdam, baseado na obra homónima de Henry James, em que Onata Aprile transmite a angústia dos filhos que são apanhados na teia das separações conjugais.

Para toda a família, recomenda-se a animação de Rio 2 de Carlos Saldanha e a comédia de enganos Marretas procuram-se de James Bobin, sequela de entretenimento com agradáveis momentos cómicos graças às interpretações de Tina Fey, Ricky Gervais e Ty Burrell, e às músicas de Céline Dion, Lady Gaga e Usher.

Salientam-se ainda três documentários imperdíveis: A imagem que falta de Rithy Panh ,O Acto de matar de Joshua Oppenheimer e A dois passos do estrelato de Morgan Neville.

O primeiro, ao apresentar figuras de plasticina na busca de uma fotografia que retrate os anos de terror em que o Camboja foi governado pelo regime do Khmer Vermelho, responsável por um terrível genocídio que vitimou cerca de dois milhões de pessoas entre 1975 e 1979, serve para relembrar esse período terrível. Recebeu o prémio Un certain regard do festival de Cannes e foi nomeado para os Óscares e prémios europeus de cinema.

O segundo, que ganhou um BAFTA e o prémio do público no festival de Berlim, revisita os massacres do golpe militar na Indonésia em 1965 com a participação voluntária dos torturadores que pertenciam aos esquadrões da morte responsáveis pela morte de 500 mil pessoas. Nesta obra perturbante estes indivíduos encenam os crimes pelos quais não foram julgados pois, além de continuarem ligados ao poder, são considerados heróis nacionais. Os dois documentários referidos revestem-se, como tal, de grande importância pois preservem a memória de períodos e locais em que os direitos humanos não eram respeitados.

Com temática diferente das obras anteriores, o terceiro documentário, que ganhou um Óscar em 2013, coloca lendas musicais e outras personalidades do mundo do espetáculo a falarem sobre a forma como os elementos dos coros que acompanham os artistas não são devidamente valorizados, nem reconhecido o seu contributo para o sucesso de muitas obras musicais.

Luísa Oliveira

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