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Posts Tagged ‘Física’

 

Nesta Semana  da Ciência e Tecnologia, registamos com satisfação o estabelecimento 6 parcerias de cooperação com centros de investigação e unidades do ensino superior na área da Ciência e Tecnologia. Ao abrigo do programa Cientificamente Provável , a escola, mediada pela BE, estabeleceu parcerias com o MOSMICRO ITQB NOVA, o CERENA- Centro de Recursos Naturais e Ambiente (IST-UL), o Centro de Química e Bioquímica (FC-UL), o CENIMAT/i3N (FCT/UNL) – Centro de Investigação de Materiais, o Laboratório de Instrumentação, Engenharia Biomédica e Física da Radiação (LIBPhys-FCT-UL) e o Departamento de Matemática da FCT-UNL.

Estas parcerias cobrem de uma forma, sempre que possível, interdisciplinar as áreas da Biologia, Química, Física e Matemática, e a sua execução estará a cargo das professoras Carla Vaz, Telma Rodrigues, Paula Paiva e Ana Cristina Santos. Terão como principais destinatários os alunos do Ensino Secundário de Ciências e Tecnologias e darão particular suporte ao novo projeto Erasmus+ KA229 da escola , que se propõe  partilhar boas práticas no ensino-aprendizagem das ciências, numa abordagem interdisciplinar, com escolas da Lituânia, Hungria e Turquia. 

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A atribuição dos prémios Nobel, neste ano, é marcada pela polémica pois, como é de conhecimento geral, o da Literatura não será entregue após cinco elementos do júri terem abandonado o comité devido a denúncias de fugas de informação e de abusos sexuais não havendo, assim, o quórum para avaliar e decidir quem seria o contemplado. Estes prémios começaram a ser entregues em 1901 e, desde então, 892 pessoas foram distinguidas, mas apenas 48 eram mulheres. No entanto, embora por motivos diferentes, nomeadamente o político, não é a primeira vez que um prémio fica suspenso como foi o caso do Nobel da Literatura que não foi entregue  nos anos de 1914, 1918, 1935, 1940, 1941, 1942 e 1943.

Em outubro começou a identificação dos laureados, anunciando o Instituto Karolinska, considerada uma das maiores faculdades de medicina da Europa, para o Nobel da Fisiologia ou da Medicina os imunologistas americano James P. Allison e japonês Tasuku Honjo pelos desenvolvimentos da imunoterapia como arma contra o cancro. James Allison estudou uma proteína que funciona como um travão ao sistema imunitário, após perceber o potencial de lançar células imunitárias para atacar os tumores no tratamento de doentes. Tasuku Honjo “descobriu uma proteína nas células imunes e revelou que ela também funciona como um travão, mas com um mecanismo diferente. As terapias inspiradas na sua descoberta provaram ser muito eficazes na luta contra o cancro” concluiu o comité.

medicina

O Nobel da Física foi atribuído ao norte-americano Arthur Ashkin dos Laboratórios Bell em Holmdel, EUA, ao francês Gérard Mourou da Escola Politécnica em Palaiseau, França e da Universidade do Michigan nos EUA e à canadiana Donna Strickland da Universidade de Waterloo, no Canadá, graças às suas invenções no campo da física do laser que conduziram à criação dos impulsos de laser de alta intensidade que são utilizados em aplicações industriais e médicas, nomeadamente nos milhões de cirurgias corretivas que são feitas aos olhos todos os anos. Donna Strickland foi a terceira mulher a ganhar este prémio depois de Marie Curie em 1903 e de Maria Goeppet-Mayer em 1963.

Fisica

O Nobel da Química distinguiu investigadores pelo trabalho desenvolvido com anticorpos que têm impacto em várias áreas nomeadamente a farmacêutica e a produção de biocombustíveis.  Frances H. Arnold, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena (EUA), é a quinta mulher a receber o Nobel da Química pelo trabalho desenvolvido com a “evolução dirigida de enzimas”, recebendo metade do prémio pecuniário. A outra metade será dividida entre George P. Smith, da Universidade do Missouri, em Columbia (EUA), e por Sir Gregory P. Winter, do Laboratório de Biologia Molecular do MRC (Medical Research Council), em Cambridge (Reino Unido), pelo trabalho desenvolvido com péptidos (fragmentos de uma proteína) e anticorpos em fagos, minúsculos vírus que apenas infectam bactérias.  O comunicado de imprensa do comité do Nobel tem o sugestivo título de “A (r)evolução na química” e começa por referir que o poder da evolução é revelado na diversidade da vida. Foi através da evolução dirigida, a evolução num tubo de ensaio, que os três laureados revolucionaram a química e o desenvolvimento de novos fármacos, mais eficazes e com menos efeitos secundários.

Quimica

As preocupações pelas alterações climáticas estiveram presentes na atribuição do prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, mais conhecido por “Nobel da Economia”, aos norte-americanos William Nordhaus e Paul Romer. O prémio, que foi entregue pela primeira vez há exatamente 50 anos pelo Banco central sueco (que financia o prémio), não é formalmente um Prémio Nobel como são os prémios para a medicina, ciência, paz e literatura mas é a distinção mais prestigiante que um economista pode receber .William Nordhaus é um dos académicos mais respeitados na área da economia ligada ao meio-ambiente e, em particular, às alterações climáticas devido aos  modelos que criou e que calculam a interação entre a economia, o uso de energia e as alterações climáticas. Quanto a  Paul Romer, que foi economista-chefe do Banco Mundial de que se demitiu em janeiro passado, é conhecido por ter formulado a teoria do crescimento endógeno, decisiva para “integrar a inovação tecnológica na análise macroeconómica de longo prazo”.

Economia

Por fim, o muito aguardado Nobel da Paz, um dos prémios que gera mais especulação sobre os eventuais laureados – de acordo com a informação oficial, neste ano, havia 331 candidatos sendo que 216 são pessoas individuais e 115 organizações. O justo reconhecimento foi para o médico ginecologista congolês Denis Mukwege e a yazidi Nadia Murad “pelos seus esforços para acabar com o uso da violência sexual como uma arma de guerra e de conflitos armados”. Denis Mukwege, anteriormente galardoado com os prémios Olof Palme (2008), Sakharov (2014) e Calouste Gulbenkian (2015), é um dos maiores especialistas mundiais na reparação e tratamento dos danos físicos provocados por violações. No seu hospital em Bukavu tem tratado milhares de mulheres vítimas de violações durante a guerra civil na República Democrática do Congo. Nadia Murad , ativista de direitos humanos yazidi é, desde setembro de 2016, a primeira Embaixadora da Boa Vontade para a Dignidade dos Sobreviventes de Tráfico Humano das Nações Unidas. Em agosto de 2014, com 21 anos, foi sequestrada pelo grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante e mantida como escrava sexual na cidade de Mossul tendo conseguido fugir e chegar a um campo de refugiados no norte do Iraque e, em seguida, a Estugarda, na Alemanha. Desde então tem sido porta-voz da causa yazidi, tal como a sua amiga Lamia Haji Bachar, com a qual venceu, em conjunto, o Prémio Sakharov do Parlamento Europeu em 2016. Estima-se que mais de três mil yazidis permaneçam desaparecidos e, por isso, a laureada refere que ser contemplada “significa muito, mas não somente para mim, mas para todas as mulheres do Iraque e do mundo inteiro”. Referiu, ainda, “em nome de todas estas pequenas comunidades perseguidas, este prémio diz-me que as suas vozes são ouvidas”.

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A cerimónia de entrega dos prémios está agendada para 10 de dezembro, sendo  o da Paz entregue em Oslo City Hall pelo rei de Noruega e os restantes no Stockholm Concert Hall  pelo rei da Suécia.

Luísa Oliveira

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As auroras polares, ou, como são mais conhecidas, auroras boreais, são um fenómeno muito bonito e peculiar que durante muitos anos inspirou muitos mitos. Na mitologia nórdica, os Vikings achavam que as auroras eram uma ponte entre o nosso mundo e Asgard, onde o Thor e outros deuses viviam. Noutro mito, elas eram a luz refletida pelas armaduras das Valkyries, um conjunto de mulheres guerreiras. Além disso, os finlandeses pensavam que era o anjo Michael a lutar contra o diabo.

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Hoje em dia sabe-se que isto são apenas mitos e não a verdade. O famoso astrónomo Galileo Galilei foi quem deu o nome de Auroras Boreais, que significa “amanhecer do norte”, em homenagem à deusa do amanhecer Aurora.

Mas a verdadeira origem das auroras polares foi apenas descoberta em 1896 pelo cientista norueguês Christian Birkeland. No centro da terra, existe um núcleo de ferro fundido que gera campos magnéticos que se estendem pela crusta terrestre e no espaço em volta de todo o planeta, criando aquilo que se chama o campo magnético da Terra.

É fundamental que a Terra o tenha, pois o campo magnético protege-nos de todas as partículas que são “cuspidas” pelo sol. O sol é tão quente que produz plasma (um quarto estado de matéria) onde átomos positivos (iões) e eletrões negativos andam livremente uns em volta dos outros. O plasma arrasta o campo magnético para além da superfície do sol, fazendo com que este se estique e contorça como um elástico. Quando o elástico se parte, envia biliões de partículas de plasma fora do sol. Ou seja, devido ao facto de que os iões e os eletrões são partículas de carga muito alta, têm energia suficiente para sair da gravidade do sol e dispersarem-se pelo espaço, indo em direção do planeta Terra como se fossem um tiro de uma espingarda de “odio solar”. Isto é o que chamamos de tempestade solar.56154e212f30d

Uma tempestade solar consegue atingir velocidades de 8 milhões km/h e em apenas 18 horas atingir a Terra. Quando isto acontece, o campo magnético da Terra desvia a tempestade. No lado de dia do planeta, o campo magnético estica-se e cria um “funil” para o gás da tempestade solar se dirigir para os polos, criando assim a aurora de dia. No lado de noite do planeta, o campo magnético estica-se ainda mais fazendo com que o “elástico” de plasma se quebre e o gás da tempestade solar se dirija para os polos, criando assim a aurora de noite. Este fenómeno pode acontecer a qualquer altura do dia, mas as auroras de dia não são visíveis pois a luz do sol ofusca-as.

Apesar do nome auroras boreais, também existem auroras austrais. Ambas são auroras polares, mas enquanto uma acontece no polo norte a outra acontece no polo sul. E, por isso, na nossa opinião, o nome de aurora boreal não devia ser usado como sinónimo para aurora polar.

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Ambos os tipos de aurora acontecem devido à reação química entre os eletrões que entram pelos polos na nossa atmosfera e os elementos da mesma, principalmente o oxigénio e o azoto. O eletrões transferem energia para os átomos de oxigénio e azoto, excitando-os. Para que estes voltem ao seu estado fundamental, os átomos devem libertar energia em forma de fotões. Os fotões são a partícula elementar das radiações eletromagnéticas como a luz.

Assim, dependendo onde esta reação ocorre na atmosfera, assim vão ser emitidas diferentes radiações: a maiores altitudes, o oxigénio emite uma radiação na zona do vermelho; a altitudes mais baixas, emite uma radiação na zona do verde e amarelo e a altitudes ainda mais baixas, o azoto emite uma radiação na zona do azul. Mas estas “cores” podem misturar-se e formar novas cores como o rosa, roxo e branco. É como se fosse um arco-íris do espaço.

Infelizmente, as auroras não são apenas um bonito espetáculo de luzes mas também têm consequências para o nosso corpo e o planeta. Alguns estudos afirmam que este fenómeno pode mudar o fluxo sanguíneo, especialmente ao nível dos capilares, afetando assim a nossa pressão sanguínea e aumenta a adrenalina no corpo. Isto acontece porque quando a tempestade solar atinge a Terra, o seu campo magnético pode mudar por um momento e dessa forma mudar o nosso batimento cardíaco.

No entanto, as tempestades solares não são perigosas para pessoas saudáveis mas sim para pessoas com um sistema imunitário fraco como pessoas idosas e bebés recém-nascidos.

Para além disso, também podem afetar as comunicações de rádio. As tempestades solares podem afetar a atmosfera e dessa forma afetam as ondas de rádio que estão a comunicar informação pelo mundo todo.Este fenómeno não pode acontecer sem haver uma tempestade solar. A tempestade solar explode os cabos e fios elétricos da rua devido à quantidade de energia magnética que tem.

A atmosfera da Terra também se pode expandir um pouco quando as auroras polares estão a acontecer. Isto significa que qualquer satélite a voar a baixa altitude pode atingir a atmosfera e em casos mais graves cair na superfície terrestre.

Por último, a maioria das pessoas pensa que as auroras boreais são um fenómeno raro o que não é verdade. Elas acontecem a toda a hora, mas devido à luz do sol não as conseguimos ver. A sua intensidade depende porém da intensidade da tempestade solar, logo quanto maior a tempestade solar maior será a aurora.

Mariana Mamede, Beatriz Nabais e Bárbara Santos, 12ºA

Referências bibliográficas:

Nota do editor: este artigo é uma sinopse do trabalho apresentado pelas alunas no âmbito da seleção de alunos para a participação de um encontro SMiLES (KA2), a decorrer em Abril 2018, na Turquia.

 

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Medir uma grandeza consiste em determinar o número de vezes que essa grandeza contém outra da mesma espécie, ou seja, é comparar o valor de uma determinada grandeza com outra da mesma natureza, que se toma como unidade. Por exemplo, ao medirmos o volume das 100 gotas realizámos uma medição direta pois utilizámos uma bureta para executar a medição. Neste caso, a incerteza de cada instrumento de medida é indicada pelo respetivo fabricante e é sempre um valor numérico. No nosso caso a bureta tinha um alcance de 50 ml (alcance corresponde ao valor máximo que o instrumento pode medir) e a incerteza era de +/- 0,02ml.

Para efetuarmos a medição da massa do copo vazio ou com as gotas utilizámos uma balança. Num aparelho digital, como era o caso da nossa balança, a incerteza absoluta corresponde ao menor valor que é possível ler nesse instrumento, no nosso caso a incerteza da balança era de 0.001g. Na balança utilizada o alcance (maior valor que se pode medir) correspondia a 2100g.

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Uma das imagens retirada do site:

https://www.kern-sohn.com/shop/pt/balancas-de-laboratorio/balancas-de-precisao/

Mafalda Antunes,  10ºA

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the-nobel-literature-prize-2016-bob-dylanA temporada dos prémios Nobel 2016 vai estar sempre ligada à polémica causada pela atribuição do galardão da Literatura a Bob Dylan pois é a primeira vez que um músico ganha o citado prémio. Na verdade, esta escolha não deixou ninguém indiferente desencadeando perplexidade que se manifestou tanto no apoio como no desacordo, sendo neste último caso o mais evidente o do escritor peruano Mario Vargas Llosa, Nobel da Literatura de 2010. Este, durante a cerimónia em que lhe foi atribuído o grau de Doutor Honoris Causa, pela Universidade de Burgos, em Espanha, criticou a “cultura de espetáculo” que impera na sociedade atual questionando se no próximo ano o prémio não será entregue a um futebolista. O escritor Gary Shteyngart, ironicamente, por seu lado, diz que entende que para o comité sueco, “ler um livro é difícil”. Entre os que concordaram com a atribuição o destaque vai para o escritor Salman Rushdie que considerou uma “ótima escolha”.

A polémica aumentou pelo facto de Bob Dylan, tardar a reagir à distinção, não atendendo telefonemas e mensagens da Academia Real Sueca reconhecendo, mais tarde, que se sentia honrado pela atribuição do prémio, embora não possa estar presente na cerimónia de entrega do mesmo em 10 de dezembro, dizendo que tinha “ compromissos prévios”. No entanto, nos seis meses seguintes à cerimónia terá de fazer o discurso de aceitação que é o único requisito exigido aos laureados e, como tal, aguardam-se novos desenvolvimentos, embora esta situação não seja inédita e já aconteceu, por diversas razões, nomeadamente com Doris Lessing, Harold Pinter e Elfriede Jelinek.  Em mais de um século de história dos Nobel da Literatura, apenas dois autores recusaram o prémio: em 1958, por pressão do poder soviético, Boris Pasternak, viu-se obrigado a rejeitar a honra, recebendo o prémio mais tarde e, em 1964, foi a vez do francês existencialista Jean Paul Sartre  não aceitar o prémio.

the-nobel-medicine-prize-2016-yoshinori-ohsumiMas, naturalmente, esta polémica não pode ofuscar o mérito dos restantes galardoados. Assim, o Nobel da Medicina, foi atribuído ao japonês Yoshinori Ohsumi, professor no Instituto de Tecnologia de Tóquio, por ter contribuído, de forma decisiva, para que fossem conhecidos os mecanismos da autofagia celular. Em comunicado, a Academia refere que o laureado “descobriu e elucidou sobre os mecanismos da autofagia, um processo fundamental para a degradação e reciclagem dos componentes celulares”. Yoshinori Ohsumi, especialista em biologia celular, conseguiu através de uma série de experiências com fermento de padeiro identificar os genes essenciais para a autofagia, no início da década de 90 do século passado. As suas descobertas abriram o caminho à compreensão da importância fundamental da autofagia em muitos processos fisiológicos, como a adaptação à fome ou a resposta à infecção concluindo-se, também, que as mutações nos genes da autofagia podem provocar doenças e o próprio processo autofágico está envolvido em diversos problemas, incluindo o cancro e a doença neurológica.

Quanto ao  Prémio Nobel da Física, foi atribuído a três britânicos: David Thouless, Duncan Haldane e Michael Kosterlitz, pois graças ao seu trabalho pioneiro  nas décadas de 70 e 80, revelaram os segredos da matéria exótica no mundo quântico contribuindo para a comunidade científica procurar novas e exóticas fases da matéria com  potenciais aplicações, tanto na ciência de materiais como na electrónica. Segundo o comunicado da Real Academia Sueca das Ciências, “os laureados deste ano abriram a porta para um mundo desconhecido onde a matéria pode assumir estados estranhos. Usaram métodos matemáticos avançados para estudar fases, ou estados, pouco habituais da matéria, como os supercondutores, superfluidos ou películas magnéticas finas”.

O Prémio Nobel da Química  foi atribuído ao francês Jean-Pierre Sauvage, ao escocês J. Fraser Stoddart e ao holandês Bernard L. Feringa, pelo desenho e síntese de máquinas moleculares, a miniaturização da tecnologia, pelo desenvolvimento de moléculas com movimentos controláveis quando lhes é fornecida energia resultando na criação das máquinas mais pequenas do mundo – mil vezes mais pequena que um fio de cabelo. O comunicado da Academia salienta que “[Ainda assim,] em termos de desenvolvimento, o motor molecular está ao mesmo nível que o motor elétrico estava em 1830, quando os cientistas exibiam máquinas elétricas capazes de mover pedais e rodas, mas não sabiam que essas máquinas iriam tornar-se comboios, máquinas de lavar, ventoinhas e processadores de alimentos”. Esta área de investigação apresenta inúmeras aplicações, nomeadamente na Medicina.

O Prémio Nobel da Economia foi atribuído ao britânico Oliver Hart e ao escocês Bengt Holmström, dois professores de universidades norte-americanas de Harvard e MIT que estudam a teoria dos contratos, isto é, o estudo sobre a forma como os contratos de trabalho e outros são construídos para servirem de base às relações económicas. A Academia, em comunicado, refere que “as novas ferramentas teóricas criadas por Hart e Holmström são valiosas para compreender os contratos e as instituições na vida real, bem como potenciais fracassos na conceção de contratos”.

the-nobel-peace-prize-2016-juan-manuel-santosPor fim, o Nobel da Paz distinguiu o presidente colombiano Juan Manuel Santos pelos esforços de paz com a guerrilha marxista das FARC para pôr fim a 50 anos de guerra civil que causou mais de 220 mil mortos no país e que resultaram, no dia 26 de Setembro, na assinatura do acordo de paz negociado durante quatro anos em Cuba. E apesar da vitória do Não no referendo de 2 outubro, Kaci Kullmann Five, a presidente do Comité Nobel sublinhou que o resultado do referendo torna ainda mais importante que Santos e as FARC respeitem o cessar-fogo destacando que  “o facto de a maioria do povo ter dito não ao acordo não significa que o processo de paz esteja morto”.  Juan Manuel Santos tornou-se, assim, no 26.º chefe do Estado a receber um Nobel e a  América Latina volta a receber o galardão da Paz depois da vitória de Rigoberta Menchu em 1992, pela sua defesa das mulheres indígenas.

Luísa Oliveira

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