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Concurso Literário Escolar + Leitura + Sucesso – participação da ESDS/ AEDS premiada.

A aluna Sara Boisseau Varino dos Santos, 12º ano, B, que aceitou o desafio da Biblioteca Escolar, foi distinguida com o Prémio do 3º escalão para a modalidade de poesia com o texto “No Canto Rasgado de um Guardanapo”, que a seguir se publica, entre os 13 trabalhos a Concurso.

O júri do Concurso Literário Escolar constituído por João Paulo Proença, Coordenador Interconcelhio para as Bibliotecas Escolares do Concelho de Almada, Armando Correia, Técnico Superior da Área da Educação da Câmara Municipal de Almada e Davide Freitas, Técnico Superior da Rede Municipal de Bibliotecas de Almada, procederam à apreciação dos trabalhos  apresentados a Concurso pelos Agrupamentos Escolares do Concelho de Almada e assim o decidiram.

Foram rececionados na Divisão de Bibliotecas e Arquivos 30 trabalhos, 17 na modalidade de conto e 13 na modalidade de poesia, de 10 Agrupamentos Escolares do Concelho de Almada, produzidos por 28 alunos, identificados com pseudónimo e com os títulos por escalão.

A participação de sucesso da aluna Sara Boisseau é mais um motivo de orgulho para a nossa comunidade escolar e uma prova de que vale sempre a pena investir nos projetos das Bibliotecas Escolares. Parabéns!

Dulce Sousa

poema

Luís Vasconcelos-praia coleção

Fotografia original de Luís de Vasconcelos, selecionada por Sara Boisseau

Em jeito de testemunho

Iniciei o meu 7ºano nesta escola em setembro de 2014. Agora, em junho de 2020, estou a acabar o 12ºano.

Pelas outras escolas por onde passei, a biblioteca foi, para mim, um local de passagem diária. Os livros sempre me fascinaram e acompanham-me desde pequena. Se a leitura sempre fez parte da minha vida, a escrita rapidamente me envolveu e se tornou a minha companheira confidente.

Nesta biblioteca cresci física e intelectualmente. Cresci com a biblioteca, e cresci na biblioteca. O banco que utilizava para chegar às prateleiras do fundo é hoje o mesmo banco que utilizo para aceder às mais altas prateleiras das estantes.  Foi através dos diversificados e atrativos livros da nossa biblioteca que estimulei a criatividade e o interesse pelas mais diversas áreas do saber. Foi na escola Daniel Sampaio que consegui conciliar o gosto pelos números, ingressando no curso de Ciências e Tecnologias, e pelas letras, explorando a biblioteca e participando ativamente nos vários desafios (e foram tantos!) promovidos pelos professores bibliotecários.

Entrei neste desafio pelo prazer de participar e ter sido o meu poema, entre outros, o escolhido, é, para mim, motivo de grande satisfação e alegria. O facto de ter sido uma escolha anónima deixa-me ainda mais feliz pois foi tida em conta, unicamente, a minha escrita, o que confere a este prémio um sabor mais especial.

A verdade é que o caminho se faz caminhando, e na biblioteca da escola Daniel Sampaio encontrei tudo o que precisava para que esta minha viagem tivesse sucesso. Os professores Fernando Rebelo e Dulce Sousa foram o meu farol, apontando-me o caminho. As auxiliares Fernanda e Helena assistiram-me ao longo do percurso, tornando a viagem mais simples. Divido com eles este prémio, porque ele também lhes pertence. A eles, os meus agradecimentos.

Hoje, estou a terminar o 12ºano. Em breve, encontrarei outra biblioteca. Mas não me despeço da biblioteca da escola Daniel Sampaio. Levo-a comigo, e ao mesmo tempo, deixo-a para vocês. Estou certa que a cadeira onde me sentava não ficará vazia, pois espero que este meu testemunho sirva de incentivo a outros caminhantes.

Sara Boisseau, 12ºB

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Quem sou eu?

Caminho há três dias para o norte de França, onde dizem que os alemães estão a preparar um ataque direto a Paris. Fui recrutado pelo exército português contra a minha vontade mas, para ser sincero, até gosto da adrenalina da guerra. Sinto-me apenas mais um soldado, todos os meus problemas exteriores são irrelevantes, basta um milésimo de segundo e esses problemas perdem o significado. Estou num pelotão composto por dezasseis mil soldados todos iguais, todos valem o mesmo no meio desta guerra.

E assim Joaquim Leão caminha para a sua última batalha, de certa forma, ele é parecido comigo. Talvez pela sua consciência de não ser nenhum herói ou por saber que vale exatamente o mesmo que os outros. Obviamente o que Joaquim sente durante esta viagem é algo que eu não sinto. Talvez tu o consigas sentir, ou talvez eu descreva tão bem que o consigas sentir e, se não conseguires, faz como eu, finge que o sentes.

Desculpa, mãe, se estiveres a ler isto, significa que fiz o ato mais cobarde da história da humanidade mas não consigo viver comigo mesmo após o que ouvi, o que vi, o que fiz…

Desculpa pai, por te desonrar assim desta forma, mas matei um aliado. Juro que foi sem querer mas o que é certo é que o vi gritar de pânico enquanto morria lentamente.

E para ti, minha querida amada, desculpa não puder ver o nosso filho nascer, crescer, casar… mas a guerra é pior do que o diabo consegue imaginar. Nem sequer conseguimos distinguir um fiel aliado português de um alemão. Quando invadiram a nossa trincheira, havia tanto sangue, tanto pó, tanta confusão que apenas disparei. Quando me apercebi em quem tinha acertado fiquei paralisado e depois gritei de desespero, mas o meu grito foi abafado pelo som do que pareciam mil armas. Agarrei no corpo do soldado cujo nome ainda não sei, nem irei saber, e vi-o gritar de sofrimento, chorar e exclamar repetidamente “eu não quero morrer”, até que a sua voz parou de se ouvir e a sua alma foi entregue a Deus cedo demais.

Desculpem, mas não consigo viver sabendo que tirei essa oportunidade a outro homem.

Talvez Leão não seja de facto assim tão parecido comigo. O suicídio parece algo precipitado e pouco racional. Talvez o facto de ter assassinado o seu parceiro tenha sido um acontecimento tão forte que a sua consciência morreu com o parceiro e passou a reinar os sentimentos. Será que é essa a cura?

Volto a perguntar, quem sou eu?

Ass: Eu

Henrique Silva, 12ºB

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sonho 3ºCiclo.jpg

A minha biblioteca de sonho

É um sítio irreal

Nas nuvens eu a ponho

É por isso especial.

 

Sossego, luz, cultura

É o que não vai faltar,

Depois da imaginação pura

À Terra vou voltar.

 

E eis que encontro parecido

Um agradável lugar

Onde tudo faz sentido

E a sabedoria está no ar.

 

Simpatia e amabilidade

Eu consigo encontrar,

Pois esta é na verdade

A minha biblioteca escolar.

Madalena Vitorino, 9º C

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A Multiplicidade em Fernando Pessoa

fpA imagem que escolhi é da autoria do artista português Rui Pimentel. Representa, de uma forma curiosa, o autor Fernando Pessoa e o seu processo de fragmentação do “Eu”, que remete para a multiplicidade do poeta.

Esta gravura mostra o poeta em frente a um espelho que reflete três diferentes personalidades que constituem o seu “todo”, representando alguns dos heterónimos que assumiu.

O espelho, podendo assumir inúmeros significados, pode aqui ser encarado como um símbolo da verdade e sinceridade, um instrumento de contemplação, sendo possível atingir, o pensamento em si mesmo.

Tal como acontece no mito de Narciso1, também Pessoa se olha ao espelho com a finalidade de se conhecer. As várias reflexões surgem então como fragmentos do pensamento do poeta.

Através da sua poesia expressa o desejo que tem de conhecer o seu verdadeiro “Eu”, “Não sei quantas almas tenho/ Cada momento mudei./ Continuamente me estranho./ Nunca me vi nem achei.”2.

Esta necessidade de se conhecer leva-o a fragmentar-se em outros, que apesar da mesma aparência têm personalidades completamente distintas, “Atento ao que sou e vejo,/Torno-me eles e não eu./ Cada meu sonho ou desejo/ É do que nasce e não meu.”2.

Tal como representado na figura, neste processo de despersonalização destacaram-se Alberto Caeiro, poeta bucólico, antimetafísico e mestre dos outros – “Pensar é estar doente dos olhos”3, Ricardo Reis poeta clássico, e Álvaro Campos, poeta engenheiro, amante da ‘força da máquina’ – “Ah poder exprimir-me todo como um motor se exprime!”4 -, cuja vida acaba por tomar um rumo semelhante à do seu criador -“Não: Não quero nada/Já disse que não quero nada”5.

Perante a imagem conclui-se que o espelho funciona de certo modo como uma ferramenta que permite o autoconhecimento do próprio poeta e uma consequente expressão e materialização do seu pensamento.

Sara Cardoso, 12ºB

  1.  – Mito grego no qual um belo jovem se apaixona pelo seu reflexo e este acontecimento acaba por conduzir à sua morte.
  2.  – Não sei quantas almas tenho”, Fernando Pessoa
  3.  “O Mundo não se Fez para Pensarmos Nele”, Alberto Caeiro
  4.  – “Ode Triunfal”, Álvaro de Campos
  5. “Lisboa Revisitada”, Álvaro de Campos

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Prémio

Uma “biblioteca de sonho” é, no mínimo, uma expressão estranha numa sociedade em que tudo o que é “de sonho” se afasta cada vez mais do livro. Mas, como diria Neil Gaiman, “um livro é um sonho que tu seguras nas tuas mãos”, e se calhar é mesmo isso que falta nesta sociedade, sonhar.

Se calhar é isso mesmo que nos falta, falta-nos os mundos, as personagens a ficção, falta-nos as lágrimas, o riso, o suspense, falta-nos descobrir o mundo sem sair do quarto, falta-nos viver mil vidas num virar de página.

E, se um só livro é tudo isto, então o que será uma biblioteca senão a porta para um novo mundo? Porque nunca uma biblioteca é “apenas uma biblioteca”, é, porém, uma nave espacial, que nos leva aos mais longínquos cantos do universo, ou uma máquina do tempo, que nos transporta do passado para o futuro num simples piscar de olhos, ou uma professora, que tem mais a ensinar que qualquer ser humano, ou uma amiga que te entretém e consola, quando mais ninguém o consegue fazer – mas, acima de tudo, um refúgio, para uma vida melhor e mais feliz.

É certo, então, que nunca uma “biblioteca de sonho” precisou de ser grande, bem decorada, ou ter livros mais eruditos, uma “biblioteca de sonho” não precisa mais do que um livro, daqueles que nos fazem sonhar, e apenas um leitor, de preferência, daqueles que ainda sabem sonhar.

Lara Alves, 12ºE

Menção Honrosa

A minha biblioteca de sonho teria a mesma função que as bibliotecas atuais: preservar o que de melhor há no mundo, os livros.

Esta minha biblioteca paradisíaca seria acessível a todos os que dela quisessem desfrutar, independentemente das idades. A sua estrutura seria de vidro e as poucas paredes deveriam ter cores vivas e alegres.

Para além das estantes mágicas com toda a variedade de livros, imagine-se a entrar numa sala deslumbrante, sobre um grande e retângular tapete vermelho, cujas portas cor de mel convidam o leitor a entrar. Experimente olhar à sua direita. Sentado nessa modesta cadeira pode observar Fernando Pessoa, que o espera para conversar. Entre e satisfaça a sua curiosidade. Saia e dirija-se a qualquer uma das outras centenas de portas nessa sala, pois, em cada uma delas, encontrará um grande escritor que anseia  dialogar consigo, respondendo a todas as suas inquietações.

A minha biblioteca de sonho daria vida aos livros, mas, principalmente, aos seus escritores, pois mais do que preservar os livros, é preservar a memória de quem os escreveu.

Sara Boisseau dos Santos, 11ºB

 

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Durante o mês de outubro gostaríamos que descrevesses a tua biblioteca de sonho – informa-te na BE e ganha um prémio pela partilha do  sonho mais imaginativo.

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Espero que te possa confiar tudo a ti; o que, até agora nunca pude fazer a ninguém, e espero que venhas a ser um grande amparo para mim.

Anne Frank

Imagem1Anne Frank, uma pequena menina judia de 13 anos recebe no dia do seu aniversário, um pequeno diário.  Anne vai escrevê-lo frequentemente sob a forma de carta a uma amiga imaginária, a quem vai chamar “Kitty”. Nele, Anne desabafa sobre a sua vida e os seus pensamentos mais íntimos.

Às três horas da tarde, a família Frank recebe uma carta, a dizer que Margot, irmã de Anne, teria de ir para um campo de concentração na Alemanha. Otto, pai de Anne, decide abandonar as suas vidas antigas para não serem apanhados pela Gestapo (polícia nazi). Escondem-se num pequeno “apartamento”, onde Otto trabalhava. A esse “apartamento”, Anne chama “anexo” e aos seus habitantes de “mergulhadores”.

No “anexo”, não podiam fazer barulho, por causa dos operários que trabalhavam no rés-

Imagem3

o “Anexo”

do-chão. Ao ir para o “anexo”, a família Frank ficou privada de sair à rua  porque podia ser descoberta a qualquer altura. Como não podiam sair à rua, Miep uma operária que trabalhava para Otto, sacrificou-se a ajudar a família Frank trazendo comida e notícias “do mundo exterior”. Anne admirava muito Miep, chamando-a de “a nossa heroína”.

“Como refúgio, a casa de trás é ideal; ainda que seja húmida e esteja toda inclinada, estou segura de que em toda Amsterdão, e talvez em toda Holanda, não há outro refúgio tão confortável como o que temos instalado aqui.”

No início a família Frank não consegue habituar-se à sua nova vida de “mergulhador”.  Anne sente muitas dificuldades, mas aceita e consegue habituar-se a certas mudanças. Às nove horas da manhã, o anexo receberia mais três moradores, a família van Daans. Estes não conseguem habituar-se às suas novas vidas, queixando-se de tudo e  deixando Anne desconfortável.

“ A gente não tem ideia de como mudou até que a mudança já tenha acontecido.”

Como o “anexo” se encontrava no meio de Amesterdão, os bombardeamentos ingleses eram frequentes, deixando todos os “mergulhadores” receosos. Vivia-se um período de medo. Mais tarde, entra o oitavo “mergulhador, Dussel, um homem solitário com a mulher no estrangeiro. Este, como não tinha lugar para dormir, muda-se para o quarto de Anne. Anne não simpatiza com Dussel.

“Como se já não ouvisse bastante ‘psius’ durante o dia, porque estou fazendo barulho demais, meu caro companheiro de quarto teve a ideia de ficar fazendo ‘psius’ também à noite. De acordo com ele, eu não deveria nem me mexer. Eu me recuso a dar trela, e da próxima vez em que ele pedir silêncio vou devolver-lhe o ‘psiu’.”

A vida dos moradores não era nada fácil. Acordavam às 7:30, as mulheres preparavam as refeições enquanto os homens, trabalhavam nas suas “secretarias”. Anne passava a tarde a estudar e à noite escrevia no seu diário.

Vários meses se passam e os “mergulhadores” habituam-se à sua nova vida. Anne, por ser a mais nova de entre os moradores, normalmente recebia a culpa de tudo.

Às sete horas da tarde, Anne e os restantes “mergulhadores”, reúnem-se a ouvir a rádio, na emissora Orange. Ouvem que a Itália fascista tinha capitulado e que a derrota dos alemães estava próxima. Os moradores do anexo, ao ouvirem isso, começaram a ficar ansiosos pelo fim da guerra e por poderem voltar as suas antigas vidas.

Já é 1944, e a derrota dos Alemães, estava prevista para o inverno. Anne já tem quase 15 e começa a perder o receio dos “mergulhadores serem descobertos pelos alemães. Começa a aproximar-se de Peter, o único filho da família van Daans. Mais tarde, apaixona-se por Peter, chegando mesmo a beijá-lo. Peter já tinha dezoito anos e Anne nunca conseguiu pedi-lo em namoro, visto que tinha mais três anos do que ela.

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Mais uma vez, Anne e os mergulhadores reúnem-se à volta da rádio a ouvir as notícias. Ao meio dia, a rádio inglesa anunciou o «D-day». Anne percebeu logo que não tardava o colapso da Alemanha e que o fim da guerra estava próximo.

“Os horríveis alemães oprimiram-nos e ameaçam-nos tanto tempo, que só o pensar, agora, não se trata só dos judeus. Agora  trata-se da Holanda e de toda a Europa.”

«Um feixe de contradições», esta foi a frase que Anne começou a escrever para Kitty a 1 de agosto de 1944. Nesse dia Anne escreve um desabafo final sobre o que ela pensava do mundo. Desabafa uma última vez com “Kitty”. Estas foram as últimas palavras a serem escritas no seu diário:

“ (…) e continuo a procurar um meio para vir a ser aquela que gostava de ser, que era capaz de ser, se…sim, se não houvesse mais ninguém no Mundo. ”

Tua Anne M. Frank

A 4 de agosto, a policia «Grune Polizei» invade o “anexo”, prendendo todos os habitantes, levando-os para um campo de concentração na Alemanha. Em 1945, nove meses após a Imagem6sua deportação, Anne morre no campo de concentração de Bergen-Belsen. A sua irmã Margot tinha falecido também vítima de tifo e subnutrição dias antes de Anne. A sua morte aconteceu duas semanas antes do campo ser liberto. Dos oito “mergulhadores”, apenas o pai de Anne sobreviveu.

Na minha opinião, o tema retratado na obra (a vida de uma menina judaica presa num “anexo” durante a 2º guerra mundial) é interessante para o leitor, com poucas passagens desinteressantes. Após a morte de Anne, o leitor certamente sentirá compaixão e tristeza, visto que acompanhamos a sua vida no “anexo”. Recomendaria esta obra aos meus colegas, sendo esse o motivo pelo qual decidi escrever sobre ela.

Imagem7Os agentes alemães pilharam o “anexo”, levando fotografias, jornais, etc. Dois anos depois, Miep encontra numa pilha de jornais e papeis velhos, o diário de Anne. Alguns anos mais tarde Otto, pai de Anne, publica pela 1ª vez o livro da filha, com o nome de: “Como sobrevivi ao holocausto” . Miep morreu em 2010, com 101 anos de idade e ficou conhecida como a ajudante de Anne. Otto morreu em 1980, em Berna com cancro do pulmão. Ficou conhecido na história como pai de Anne  e passou a sua vida a divulgar os pensamentos da filha.

Atualmente o Diário de Anne Frank é um dos dez livros mais lidos em todo o mundo.

 

Jaime Espada , 7ºE

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Encontro-me perante um auditório repleto de homens, impressionante, como este se encontra cheio! mas há um problema… os homens não se aproveitam!

Isto suposto, quero hoje, à imitação de Santo António, voltar-me deste auditório para a terra e, já que os homens não se aproveitam, pregar aos gatos os louvores das suas virtudes e, em seguida, as repreensões dos seus vícios em geral e em particular.gatos

Começando pelos vossos louvores, irmãos gatos, bem vos pudera eu dizer que, entre as criaturas viventes e sensitivas, vós sois a mais independente, curiosa e inteligente de todas dos três elementos. Vindo pois, irmãos às vossas virtudes, que são as que só podem dar o verdadeiro louvor, é aquela subtileza com que vós fazeis as suas tarefas pela honra de vosso Criador e Senhor.

Descendo ao particular, de alguns somente farei menção. E o que tem o primeiro lugar entre todos é aquela santa gata Iuki a quem lhe foi proposto petiscar junto dos seus outros irmãos gatos, por ser fêmea e não ter capacidade para caçar o seu próprio alimento. Se Iuki não fosse uma gata independente, teria aceitado a proposta, mas preferiu manter a sua dignidade, uma vez que saberia que ia chegar o dia em que teria de enfrentar a vida sozinha. Assim, aprendeu aos poucos a ser uma gata feroz na caça do seu alimento, conseguindo sempre o que queria. Já os homens, muitas vezes não têm esta dádiva de pensar no futuro e no que é melhor para a sua vida, já para não falar da discriminação feita às mulheres e à falta de determinação e persistência para alcançar um objetivo.fourpackcoloredcats

Passando dos da força de vontade, quem haverá que não louve e admire muito a virtude tão celebrada por Califa que, ao ver qualquer objeto, quer logo perceber do que se trata e qual o seu fim, aprendendo assim através da sua curiosidade. Tomara a maioria dos homens ter esta qualidade, pois  permanecem na ignorância e não partem para a descoberta do mundo exterior.

Antes, porém, que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Descendo novamente ao particular, direi agora gatos, o que tenho contra alguns de vós, começando aqui pelo Yoshi, que só vem a casa quando tem fome, para receber mimos quando está carente ou para se abrigar do frio, no entanto, se nós quisermos a companhia dele simplesmente desaparece, tal como a maioria dos homens, que só agem por interesse.

Com esta única e última advertência vos despido, ou me despido de vós, meus gatos. E que vades consolados com um sermão, que não sei quando ouvireis outro.

Beatriz Oliveira, 11ºC

Imagens editadas daqui e daqui

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On December 6th of 2016 Catarina Cabral and João Pimenta, class 12th B and their colleagues, within teacher Lígia Luís’s English class and with the cooperation of teacher Lurdes Jesus, told a short story to the students of 7th grade. The story is called “Girls night out”, it is about two best friends who decided to sneak out one night to go to a club and something happened.

Most of the kids understood the story and seemed to enjoy it. At the end of the story, the story tellers and the teachers made them some questions about the story, and they even helped to make a suspect list! It was a good experience.

This is the story that was told:

Girls night out

Isobella and Chloe were two typical American teenage girls. After school they spent all of their time together, watching scary movies, having sleepovers, shopping for new clothes. They liked partying, keeping up with their friends, having fun and just enjoying life. They had no way of knowing the terrible fate that life had in store for them.

One night, Isobella and Chloe decided to have a girls night out. They planned to sneak out to a nightclub as soon as their parents went to sleep. Isobella kissed her parents goodnight and went upstairs to bed. When she thought that everyone had gone to sleep, she took out her cellphone, called her friend Chloe and told her to meet her at the store down the street. Chloe agreed and hung up.

Isobella quietly opened her bedroom window, trying not to wake anyone up. She stepped out onto the windowsill and climbed down the drainpipe. As she walked down the deserted street, she got a strange feeling that she was being watched. The hairs on the back of her picked up. She glanced behind her, but she was alone. When she came to the corner of the store there was nobody around, so she took out her cellphone and called Chloe.

“Ok, I’m at the store”, she said, “ Hurry up”.

“What’s wrong?” replied Chloe.

“I don’t know”, said Isobella, “This just doesn’t feel like other nights. Something’s not right. I´ve got a bad vibe.”

“Stop it. You´re just being paranoid”, Laughed Chloe. “I´ll be there in 2 minutes”.

Isobella hung up the phone, but she could not shake the feeling that someone or something was watching her.

Five minutes later, Chloe turned up and the two girls walked together to the nightclub. The girls were too young to get into the club, but the bouncers never asked for their ID. They strolled inside and pretty soon they were dancing to the music and flirting with guys on the dance floor.

Around 3 A.M., Isobella was chatting to a guy who must’ve been at least 10 years older than her. When suddenly she felt her phone vibrating in her pocket. It was a text message from her ex-boyfriend Anthony. She hadn’t heard from him since they broke up.

The message read: “COME OUTSIDE I´VE GOT A HUGE SURPRISE FOR U”

Curious she looked around and saw Chloe busy talking to some other man. She stepped outside…

She got yet another text message, and it read: “MEET U AROUND THE CORNER OVER BY THE DUMPSTER”

The street was dimly lit and deserted. Isobella had a bad feeling in the pit of her stomach. She told herself she was just being over-cautious.

Inside the club, Chloe was looking for her friend. But no signs of her.

Chloe got a text from Isobella:

“MEET ME OUTSIDE NOW HURRY”

As she got outside she got another text message: “I’M AROUND THE CORNER OVER BY THE DUMPSTER COME WATCH ME SPARKLE”

Chloe followed the directions, crossing the dark and lonely street. When she turned the corner, she was confronted by a horrific sight.

Isobella was hanging upside down in the parking lot. Sparkling Christmas tree lights were wrapped around her ankles. A pool of blood below her. Her body stripped of clothing, revealing deep wounds along her stomach and chest.

Chloe fell to the ground and screamed, people that were at the door of the nightclub heard and came to help.

When they turned the corner and saw Isobella’s bloody corpse hanging in front of them, they were horrified.

The police were called and they questioned Chloe for hours. Still in a state of hysteria, she could barely talk. Sobbing uncontrollably, she told them how she and Isobella had sneaked out that night and gone to the nightclub together. She tried to remember all of the guys that they had flirted with on the dancefloor. They asked her if she knew about anyone who would want to harm Isobella, but she couldn’t think of anyone. As much as she wanted to catch Isobella’s killer, she was no help to the investigation.

During the interrogation, one of the cops grabbed a plastic bag and took out a blood-stained envelope.

  “We found this in your friend’s throat. It’s addressed to you”, said the cop as he handed her the envelope.  

“Chloe” was written across the front. With trembling hands, she took out the piece of paper inside and read it.

The letter read: “Maybe if you stayed in bed like you were supposed to, things like this wouldn’t happen. Don’t go sneaking around at night. Bad things can happen.”

The cops had to grab her before she fainted. An ambulance took Cloe to the hospital and treated her for shock.

When Chloe returned home the next day, she was still shaken. Her parents told her that Isobella’s ex-boyfriend, Antony, had been arrested for the murder. He was later released after checking his alibi. He claimed his phone had been stolen on the day of the murder. The police didn’t rule him out as a suspect in the case, but they didn’t have enough to charge him.letter

Isobella’s murder remained unsolved. Nobody was ever brought to trial for the crime and as time went on, people began to forget about it.

Two years have passed and Chloe had almost managed to forget about the terrible night when her best friend had been savagely murdered.

One night, she called her boyfriend and asked him to meet her at the park. It was about 2 in the morning. She began to walk to the park, but felt a strange presence, just like the one Isobella had told her about, the night she was murdered. She was almost at the park when the feeling came across her, so she let it go. Her phone beeped. It was a text message from her boyfriend.  – “Almost there baby luv u lots”.

It made her feel much better. Her last task was to pass by the store, the park was on the other side. She began to walk but heard something behind her. Immediately she began to run. Her boyfriend got to the park and waited about 15 minutes. At 2:35 AM, he got a text from Chloe: -“Keep walking forward and u will see me”

He did as the text suggested and walked forward. There hanging upside-down from a tree, was the mutilate body of Chloe. Christmas lights were wrapped around her ankles and she was covered in blood.

He called the police and was interrogated all night. The next day, when Chloe’s boyfriend got home, there was a letter waiting for him on his parents’ doorstep. It was stained with small drops of blood. The note inside read: “Don’t go sneaking around at night. Bad things can happen.”

I wish I could tell you that the murders of Isobella and Chloe were solved, but that’s just not the case. Today, the police say the investigation is still ongoing, but they have no new leads.

The murders are rarely spoken about nowadays. They were high profile cases at the time, but due to the strange lack of evidence, people soon forgot about them. Everyone who was involved went on with their lives.

You may be wondering how I know so much about these cases. Well, I’d rather not go into it, considering it’s still an ongoing investigation. If you must know, I was the cop who was assigned to the case. I was the cop who handed Chloe the blood-stained letter. You may also be wondering why the murders were never solved. Well, like I always say: Don’t go sneaking around at night… Bad things can happen…

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Quero hoje, à imitação de Padre António Vieira, louvar as virtudes e criticar os defeitos da sociedade. Para isso, voltar-me-ei para os suricatas, elogiando-os, e para os papagaios, criticando-os, enquanto censuro os comportamentos dos Homens.

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Os suricatas são os animais mais valentes, humildes e protetores

Começando pois pelos vossos louvores, suricatas, que são dos animais mais valentes, humildes e protetores, quero salientar a vossa capacidade de ensinar as vossas crias a ultrapassar dificuldades e o vosso incrível instinto paternal. Considero essa virtude uma das coisas que faz da nossa sociedade tão humana. Proteger os que nos são próximos e ensinar todos os conhecimentos que temos é uma forma de garantir que deixamos sempre algo de nós para trás. Mas será que somos todos assim? Será que todos temos essa capacidade que faz de nós tão humanos?

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Os papagaios facilmente entregam os segredos mais íntimos

 

Suposto isto, falando agora dos vossos defeitos, papagaios, que gostam muito de imitar outros e se influenciam facilmente, quero repreender o facto de não terem uma voz própria e facilmente entregarem os segredos mais íntimos do mundo que vos rodeia. Este defeito representa muito bem a sociedade atual, pois vivemos num mundo cheio de tendências e manias onde aqueles que se recusam a ser iguais aos outros são considerados loucos. As pessoas são facilmente influenciadas pois têm medo de não serem aceites pela sociedade e não se apercebem que estão aos poucos a perder a sua própria individualidade. Será que somos assim tão diferentes quanto pensamos? Seremos nós os loucos ou os que consideramos os outros loucos?

Assim é a nossa sociedade. Podemos até dizer que vivemos numa sociedade de extremos, onde ou somos suricatas ou somos papagaios, no entanto por muito individualistas que pensemos ser, se calhar até somos muito parecidos uns com os outros e é isso que faz de nós uma sociedade tão única.

Mariana Mamede, 11ºC

Imagens daqui e daqui

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tartaruga-1Quero hoje, à imitação de Padre António Vieira, apontar as virtudes e os defeitos da tartaruga, um animal muito pequeno, esquecido por todos, mas cujas capacidades espantam os mais céticos. Quis Deus dar-lhe estas características, suposto  que enfrentam e acabam com a tirania dos grandes, quer na água, quer na terra.

A sua ambição é sobrenatural – entre todos os outros animais, em nenhum reino é possível encontrar tal ambição e dedicação. Apesar da sua lenta locomoção e fraca estatura, louvo a sua perseverança em alcançar os seus objectivos. Mesmo levando um grande peso nas suas costas, a sua ambição é sempre maior; a sua inteligência também é algo a notar: em situações de perigo usa a sua grande carapaça como proteção, aproveitando-se da ignorância e impaciência do seu atacante, pondo em evidência a sua astúcia.

tartaruga-2Mas será isto absoluto? Um bicho pequeno não devia enfrentar os grandes? Enfrentar aqueles que o pisam e se aproveitam dos pequenos e fracos? A tartaruga porém encolhe-se por cobardia e fraqueza, deixando–se ser pisada e arremessada. Animal como este tão bem protegido, não devia ter um caráter corajoso? De que lhe vale a sua ambição, se a coragem lhe falta? Deus não apoia cobardes.

Esse é o problema da nossa sociedade, a desigualdade entre duas classes: os grandes e os pequenos. Os fracos são pisados e, devido à sua cobardia não enfrentam os poderosos, que os controlam e desvalorizam. Porém, os pequenos são mais astutos e dedicados do que os grandes e, com muito trabalho, alcançam grandes coisas.

Terá o trabalho de Deus falhado? Ou é porque os grandes são demasiado poderosos? Sendo esse o caso, serão os fracos para sempre governados pelos grandes?

Tiago Batista, 11ºC

imagens editadas daqui

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Jose_Saramago-00A leitura da obra Memorial do Convento transcende a conjugação de letras escritas a negro que decoram folhas em branco. A riqueza desta obra não está patente na capa ou contracapa. Apenas quem experiencialmente leu esta incrível obra saberá do que falo.

O uso de uma peculiar pontuação, a capacidade que este autor tem de criar ambientes verosímeis através da escolha de palavras da época, de descrições até ao pormenor da roupa das personagens, dos espaços físicos e sociais que estão presentes ao longo de toda a narração, cativa o leitor deixando-o preso à história, por esta apresentar uma nova verdade em comparação com o cânon da História. Isto é, o leitor embarca numa viagem por caminhos nunca antes conhecidos, possibilitando a si mesmo, uma reflexão e reavaliação do passado, uma vez que o ponto de vista de José Saramago é diferente do da História.

Para além de embarcar nesta viagem, foi nos proporcionada a oportunidade de viver cada detalhe de um dos palcos onde desfilam diversos quadros sociais, para melhor compreender todo o esforço e o sacrifício de inúmeros trabalhadores que está subjacente à construção do Convento de Mafra, à realização de uma promessa feita por D. João V, um rei megalómano que segundo a história é o magnífico, aquele que fez erguer um grandioso monumento.

Ao observar o esplendoroso monumento, imaginei quantos sacrifícios teriam sido realizados, quantas vidas perdidas na tentativa de poder realizar uma promessa que não lhes pertencia, quanto tempo investido para tamanho feito…cdacb40b-4028-41c9-98d6-3f0bc1427e91

Saramago, na sua obra deu ênfase ao transporte de uma pedra vinda de Pêro Pinheiro até Mafra, que aparentava ser fulcral neste monumento, não só pelo seu tamanho e quantidade de pessoas e juntas de bois que foram necessárias para transportá-la, mas também pelo facto de possuir um nome próprio: Benedictione.

Confesso que contemplando o monumento e a sua imensidade, quase que nem daria pela pedra que fora destinada à varanda sobre o pórtico da igreja, senão tivesse conhecimento de toda a história que nela está assente.

E foi no momento em que averiguei a pequenez daquela pedra, daquela que trouxe com ela, o sacrifício, o sofrimento e até mesmo a morte de trabalhadores que ajudaram na concretização de desejos megalómanos e prepotentes do rei todo-poderoso, que apenas queria mostrar o seu poder e riqueza aos restantes povos europeus, desprezando quaisquer recursos e até mesmo as circunstâncias em que se encontrava o povo, que me apercebi que

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José Santa-Bárbara

a palavra faz de nós aquilo que hoje somos. Hoje, não conheceríamos outra versão se José Saramago não imortalizasse os verdadeiros heróis, aqueles que na verdade ergueram tão grandioso monumento com tão escassos recursos e tempo.

Toda a introspeção que esta visita de estudo me proporcionou, não só me levou a concordar com José Saramago, como também me permitiu alcançar níveis de compreensão acerca da mensagem patente em Memorial do Convento.

Cada pormenor, cada detalhe, cada pedra que constitui o monumento, tem uma história para contar, e sem a palavra nenhuma história poderá ser narrada ao mundo. Nenhuma história será conhecida.

Catarina Gouveia, 12ºA

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mafraHá uns tempos, mais especificamente no dia 2 de Maio de 2016, fui fazer uma visita de estudo ao Convento de Mafra, com os meus colegas e professores.

Cheguei e fiquei logo abismado com a grandiosidade, a monumentalidade do monumento que é o convento de Mafra, cada detalhe, cada ornamento, cada peça era uma obra de arte, e a soma de todos estes pequenos pormenores resultava na representação física da obra, portanto refletiam assim a verdadeira natureza exterior do convento. Mas será que é a mesmo a “verdadeira”? Será realmente a verdadeira essência do convento – toda a majestosidade e elegância que as peças físicas exibem?

Na minha opinião, e a partir de tudo o que estudei e sei do livro, e principalmente das minhas vivências, a alma do convento, a essência desta magnifica obra de arte não se centra nem nas extravagâncias, nem nas decorações, nos exageros, nos carrilhões, nas fachadas, nas técnicas de construção avançadas para a altura. O segredo simplesmente não está no exterior, no físico, no concreto. Para poder compreender uma das maiores lições que eu, pessoalmente, retirei da visita ao convento tive de me transportar para a realidade do séc. XVIII.

Com esse propósito imaginei: para a obra ser edificada alguém teve de ter o trabalho de a construir. Depois de todas as explicações dadas, tanto pela guia, como pelo livro, consciencializei-me de que a verdadeira essência do convento figura no esforço, no trabalho exaustivo e no cansaço dos trabalhadores, que passaram dias a fio submetidos a condições deploráveis para realizar um monumento que apenas servia como moeda de troca para um rei ocioso, inconsciente e megalómano.  Desde a edificação do convento, até ao transporte da pedra Benedictione de Pero Pinheiro até à vila de Mafra, tudo se deveu à vida e ao sacrifício de pobres vidas humanas.

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José Santa-Bárbara

Após perceber o quão grave foi o modo da construção do convento e o que ele representou , comecei a olhá-lo de outra maneira: em cada peça que observa via, não o ouro, não a prata, não a pintura, mas sim o homem suado e magoado que a criara. Esta alteração de perspetiva sobre o monumento fez-me também observar a nosso quotidiano de outro ponto de vista.

Seguindo esta linha de pensamento, compreendo agora que todos os aspetos negativos que se possam retirar do livro podemos transpô-los para o  dia-a-dia. Não como reforço dos pecados, dos defeitos mas sim como corretor de vícios. Até porque a maior parte das criticas feitas à sociedade na obra podem ser aplicados à sociedade atual, com ligeiras alterações.

Em suma , penso que a visita foi bastante enriquecedora, tanto em termos pedagógicos como em termos socioculturais. Consegui retirar uma lição, um ensinamento, para a vida da visita e da obra – este foi conseguido através de uma associação entre 2 elementos: a pedra e… a palavra.

Luís Leston, 12ºA

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Foi realizada mais uma edição do concurso de escrita A Pedra e a Palavra, que propunha aos alunos do 12ºAno que visitaram o Convento de Mafra, no passado mês de maio, que associassem essa experiência física, sensorial e igualmente factual e histórica, à ficção da palavra de Saramago na obra que tinham lido – O Memorial do Convento.

Selecionados os melhores textos desta edição, os vencedores foram premiados com três obras de Saramago. Como sempre, inciamos aqui a divulgação do texto classificado em 1º lugar, da Maria Carolina Santos, 12ºC.

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os vencedores, da esq. para a dir.: 1º Mª. Carolina Santos (12ºC), 2º Luís Leston e 3º Catarina Gouveia (12ºA)

Texto classificado em 1º lugar

Através da leitura de Memorial do Convento é-nos transmitida apenas uma pequena ideia da dimensão do monumento, bem como do seu caráter fictício. Será que a experiência física se assemelha à obtida através da leitura? Será que basta a fantasia da ficção para entender a materialidade deste fragmento de património português?

Aconselho, portanto, a leitura prévia desta obra saramaguiana. Com ela, deparamo-nos com um gritante contraste entre o esplendor barroco de igrejas e palácios e o despojamento das casas, assim como das condições asquerosas e humilhantes em que o povo português vivia; Com ela vamos ao encontro de um passado sombrio caracterizado pelo medo e opressão, em que as palavras pronunciadas pelo narrador e algumas personagens dão conta disso mesmo. Algumas são “pedras” atiradas ao acaso, com a intenção de “ferir” as suscetibilidades dos leitores. E continua a ser esse o verdadeiro propósito da obra.

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José de Santa-Bárbara

Muitas vezes, ao longo das suas páginas, deparamo-nos com alusões feitas à pedra que, no entender do narrador, é uma ínfima parte do monumento descomunal que estava a ser construído. É uma das grandes epopeias da obra de José Saramago, uma verdadeira odisseia carregada de sacrifício só para a transportar. As suas palavras transmitem claramente essa ideia – o transporte de Pêro Pinheiro a Mafra, um dos muitos episódios que ocorreram aquando da construção do convento, exemplificando efetivamente a escravidão humana, o absurdo do sacrifício transmitido muitas vezes em expressões monossilábicas, que constituem gritos de dor, como se àqueles trabalhadores fossem atiradas inúmeras pedras! Quase que se consegue ouvir o gemido de quem a carrega mas não são ouvidas palavras capazes de refletir tudo isso.

Olhemos bem para o tamanho gigantesco do monumento: Quantas palavras foram trocadas por todos aqueles quarenta mil trabalhadores só para transportar esta e outras tantas pedras? Tão grande que aquela era para ser usada numa varanda infinitamente pequena! Foi assim a materialização do convento? Terá sido esse episódio do seu transporte que o narrador utilizou para falar do tamanho gigantesco da pedra?

É importante não esquecer que tudo teve início num simples frase pronunciada pelo rei D. João V, cujas palavras passo a citar: “(…) Prometo, pela minha palavra real, que farei construir um convento de franciscanos na vila de Mafra se a rainha me der um filho no prazo de um ano (…)”. Poucas palavras para tantas toneladas de pedra. Estas representam a dor física e a experiência sensorial de todos os trabalhadores e a nossa também, como leitores e visitantes. Parece que sentimos as “palavras afiadas” daquele rei, bem como as “feridas” que causaram em tanta gente inocente. A fantasia, o sonho de um só homem deu lugar a um voto bem real, escrito sobre a pedra mármore, que milhares de homens epicamente e heroicamente transportaram.

Na verdade, “A Pedra e a Palavra” constituem um verdadeiro desafio literário, “No fundo… temos necessidade de dizer quem somos e a necessidade de deixar algo feito”. De que forma? Usando a palavra com o intuito de descrever pedras imensas que fazem parte das grandes obras de arquitetura deste país, destacando, claramente, o Convento de Mafra.

Maria Carolina Santos,  12ºC.

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imagem editada daqui

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ppRealizou-se, numa parceria entre a BE e o grupo de Português, uma 2ª edição do concurso literário A Pedra e a Palavra, na sequência do estudo da obra Memorial do Convento e subsequente visita ao monumento pelos alunos do 12º Ano.

Uma vez mais, o concurso consistia na escrita de um texto  em que se pedia aos alunos que interpretassem, a partir da sua própria experiência individual, as impressões provocadas por essa interação entre a “palavra” e a “pedra”: a leitura da obra literária e a experiência física/sensorial da visita, a fantasia da ficção e a materialidade do monumento.

prémiosAlguns professores que lecionam Português ao 12º Ano constituiram-se como júri e, apurados os melhores textos, foram distinguidos os três primeiros com um prémio que consistiu numa outra obra de Saramago para cada um dos premiados: Miriam Colaço, 12ºA (1º), Joana Martins, 12ºB (2º) e André Boisseau, 12ºB (3º).

Mas, como o mais importante é mesmo os textos que os distinguiram no concurso, aqui fica já publicado o 1º prémio a que se seguirão muito brevemente os outros dois textos. Parabéns à Miriam, à Joana e ao André!

Fernando Rebelo (PB)

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Texto – 1ºPrémio

Tenho o defeito de ser indecisa, tenho dificuldade em avaliar-me, os meus gostos e sentimentos, talvez porque tento avaliar sob várias perspetivas diferentes e todas elas fazem sentido de alguma forma e não vejo a necessidade de me decidir e acabo por apenas refletir. Por esse motivo, tenho mais dificuldade em expressar a minha opinião do que em defender algo mais objetivo. Como tal, farei uma reflexão sobre o que pensei durante a visita quando comparado com a ideia que tinha anteriormente.

A visita ao Convento de Mafra foi de grande ajuda para aprofundar e consolidar os conhecimentos que tinha sobre a obra. Durante a mesma, pude apreciar a beleza do convento enquanto refletia sobre o sofrimento do povo aquando da sua construção, ordenada por D. João V que, caprichosamente, não poupou meios para mostrar o seu poderio e superar as outras grandes construções da Europa, erigidas pelos reis da sua época, desprezando e ignorando totalmente a situação a que sujeitava o povo e todos os recursos que esbanjava.

“Os passatempos del-Rei”, José Santa-Bárbara

De modo mais abrangente, sobre a injustiça do mundo, que é intemporal e que apenas se pode fazer sentir de forma diferente ao longo dos tempos, sendo que naquela época era drasticamente acentuada devido ao seu sistema político e à inexistência dos conhecimentos e das máquinas e mecanismos atuais. Penso que José Saramago quis salientar essa injustiça pela forma irónica como descreveu as atitudes e decisões reais e enaltecia o sofrimento do povo oprimido e praticamente escravizado.

Foi também um pouco o que eu senti ao ver apenas um pouco da grandiosidade de tamanho monumento. Sangue, suor e lágrimas foram precisos para levantar um monumento que mal foi utilizado. Apenas um rei viveu lá e foi por apenas alguns meses, bem como os trezentos frades que não o ocuparam muito tempo. O quão mal aproveitado foi leva-me a repudiar ainda mais esta situação. Tantas vidas perdidas, tempo, dinheiro e recursos sem fim… apenas e só para a vaidade do rei todo-poderoso D. João V.

Acabei por tomar partido do autor da obra, mesmo sabendo que esteja a ser influenciada pela mensagem de Memorial do Convento; mas as palavras são isso mesmo, não apenas um amontoado de pedras. As palavras, ao formarem um texto, têm um significado e transmitem mensagens, bem como as pedras que quando ordenadas nesta grande construção em Mafra têm toda uma história para contar e uma mensagem para transmitir.

 Miriam Colaço, 12ºA

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