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Posts Tagged ‘Comédia’

O destaque do mês vai, sem dúvida, para o filme de João Canijo, Sangue do meu sangue. Representa um exemplo do cinema nacional de qualidade, um ótimo filme com excelentes prestações de atores, distinguindo-se Rita Blanco. Também português, é o filme de terror O Barão  de Edgar Pêra, adaptação do livro homónimo de Branquinho da Fonseca. No documentário O meu Raul, de Patrícia Vasconcelos, é possível recordar o saudoso Raul Solnado.

Com uma vasta campanha de promoção, a estreia do mês é  As aventuras de Tintim, o segredo do Licorne, realizado em imagem real por Steven Spielberg e transporto para animação, com captura de movimento em 3D, pelo produtor Peter Jackson. Este primeiro filme de uma trilogia baseia-se nos álbuns O segredo do Licorne e o tesouro de Rackham, o terrível.

São também de destacar os filmes  Submarino de Richard Ayoade, uma agradável surpresa do cinema inglês, o romeno Terça, depois do natal de Radu Muntean e o emocionante Serviçais de Tate Taylor, baseado no bestseller de Kathryn Stockett The Help. Com ação no Mississipi racista dos anos 60, relata  factos verídicos  da luta pelos direitos civis de minorias étnicas.

Nas comédias  distinguiu-se a sátira a 007 com Rowan Atkinson (o impagável Mr. Bean) no  papel de um  espião pouco ortodoxo em O regresso de Johnny English de Oliver Parker .

O romantismo está presente nos filmes A lista dos Ex de Mark Mylod, Românticos Anónimos de Jean Pierre Améris e Não sei como ela consegue de Douglas McGrath.

Do conjunto de filmes de terror fazem parte  Medo profundo em 3D de David R. Ellis,  Contágio de Steven Soderbergh,  Não tenhas medo do escuro  de  Troy Nixey e Atividade Paranormal 3 de Ariel Schulman e Henry Joost.

A merecer alguma atenção Identidade secreta de John Singleton, A outra verdade de Ken Loach, o brasileiro No meu lugar de Eduardo Valente, Incendies – a mulher que canta de Denis Villeneuve, Pater de Alain Cavalier e a nova versão do  famoso clássico de Alexandre Dumas, agora em 3D,  Os três mosqueteiros   de W.S.Anderson.

Quanto a estreias, termino com a referência ao documentário sobre o emblemático cabaret parisiense Crazy Horse de Frederick Wiseman, também apresentado na abertura do Doclisboa 2011. Nesta edição, o vencedor  do Grande Prémio da Cidade de Lisboa  foi a obra de Gonçalo Tocha  É na terra não é na lua, filmada na ilha açoriana do Corvo.

Ainda em Lisboa, os apreciadores do cinema alemão  podem usufruir de sessões gratuitas na biblioteca do Goethe Institut, quinzenalmente, a partir das 19:30 e, de 4 a 13 novembro, realiza-se o Lisbon & Estoril Film Festival. A extensa e preenchida programação poderá ser consultada em http://www.leffest.com.

Uma questão muitas vezes debatida no mundo lusófono é a criação de um mercado comum de cinema. Sérgio Sá Leitão, presidente do festival internacional do Rio de Janeiro, deu o apoio público a  esta iniciativa. A crise  será a justificação para o projeto não avançar?

Infelizmente, em outubro, foi novamente notícia a contínua perseguição a actores e realizadores no Irão. A atriz Marzieh Vafamehr foi condenada a 1 ano de prisão e 90 chibatadas  por ter protagonizado um filmes sobre a situação das mulheres naquele país, enquanto o cineasta Jafar Panahi viu confirmada a condenação a seis anos de prisão e proibição de viajar, realizar filmes e dar entrevistas durante vinte anos.

Luísa Oliveira

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José Castanheira, 11º C

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Mais uma tira do José Castanheira no Bibliblog. Se no seu último post tivemos um primeiro contacto com as aventuras virtuais de Martim, desta vez ficamos a conhecer o Telmo. Ficamos à espera da próxima. 🙂

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José Castanheira, 11ºC

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Saiba mais consultando o folheto de apresentação e o programa aqui.

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Depois de ser um participante frequente no Diário Gráfico e, mais tarde, um leitor e comentador assíduo do Bibliblog, o José Castanheira acedeu ao nosso convite para iniciar uma rubrica própria.

Assim, com os parabéns pelo seu primeiro post nesta rubrica de tiras de B.D. , Martim & Telmo, damos-lhe as boas-vindas à nossa comunidade, cada vez maior, de bibliblogueiros.

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José Castanheira, 11ºC

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Neste período realizaram-se dois festivais que, apesar dos cortes orçamentais, já têm lugar de destaque no calendário do cinéfilo. Na 31ª edição do Fantasporto foram apresentados 307 filmes oriundos de 25 países que contribuíram para o êxito de bilheteira.  Alguns  destes filmes tiveram  estreia comercial em Março. Os prémios principais foram atribuídos  ao thriller psicológico Two eyes staring do holandês Elbert Van Strien,  que ganhou o Grande Prémio e o de Melhor Argumento e A Serbian Film de Srdjan Spasojevic com o  Prémio Especial do Júri. Maria de Medeiros foi distinguida com Prémio de Carreira e Pedro Sena Nunes recebeu o  1º prémio do cinema português neste festival.

Outro evento importante foi a 10 ª edição da Monstra festival de Animação de Lisboa que decorreu de 21 a 27.  A Holanda foi o país convidado e, entre outras iniciativas, procedeu-se a  uma retrospectiva do cinema de animação dos estúdios japoneses Ghibli, e  a uma competição de escolas de todo o mundo com 85 curtas-metragens. No encerramento apresentou-se um filme de dez minutos, de vários autores nacionais, sobre a arte na Primeira República. Piercing 1 do realizador chinês Liu Jian, uma reflexão sobre a China atual, recebeu o Grande Prémio, O Mágico de Sylvain Chomet o Prémio do Público e Cozido à Portuguesa de Natália Andrade o prémio entre as obras portuguesas.

O dinâmico cinema de animação português é reconhecido mundialmente e a prova disso  é o facto  de quatro dos sete filmes a concurso de 6 a 1 de Junho no Festival Internacional de animação de Annecy, em França, pertencerem  à produtora Sardinha em Lata.

Outra notícia interessante foi o facto da curta-metragem Alfama de João Viana ter conquistado o Grande Prémio na 12º edição do Festival Internacional do filme de Aubagne, principal acontecimento mundial consagrado à relação do cinema com o som. Entre as obras oriundas de 29 países, o júri considerou Alfama “ a melhor criação sonora para uma curta-metragem, pela função estruturante do som na escrita do guião”.

Quanto às estreias, em Março houve géneros para todos os gostos embora, nem sempre, de  qualidade. Da amálgama de estreias, os destaques vão  para obras já laureadas:  o drama comovente tendo com base a doença de Alzheimer de Poesia do realizador sul-coreano Lee Chang-Dong– prémio do Melhor Argumento no Festival de Cannes ; a comtemplação de Mel de Semih  Kaplanoglu da Turquia que venceu o Urso de Ouro no festival de Berlim de 2010; Camino de Javier Fesser, drama espanhol inspirado numa história verídica que ganhou seis Goyas, incluindo o de melhor filme espanhol de 2008.

Também merecem destaque A tempestade de Julie Taymor, adaptação da obra homónima de William Shakespeare,  O tio Boonmee (que se lembra das suas vidas anteriores) de Apichatpong Weerassethkul Tailândia e a acção de A maldição do faraó – as aventuras de Adèle Blanc-Sec de Luc Besson, baseado numa famosa série de banda desenhada francesa.

As comédias, como é usual, marcaram grande presença: Tens a certeza? de James L. Brooks;  Igualdade de sexos de Nigel Cole;  o francês Potiche – minha rica mulherzinha de François Ozon; Rédea solta de Bobby e Peter Farrelly; O agente disfarçado: tal pai, tal filho; Copacabana de Marc Fitoussi; Micmacs – uma brilhante confusão de Jean-Pierre Jeunet e o hilariante Manhãs gloriosas de Roger Michell sobre o mundo  dos programas matinais  da televisão.

Também marcaram presença em Março os filmes de acção: Os agentes do destino de George Nolfi  –  thriller romântico baseado num conto de Philip K. Dick ; O Profissional de Simon West; Homens de negócios de John Wells, Época das bruxas de Dominic Sena, sobre um herói das Cruzadas e Guerreiros do Amanhã de Stuart Beattie, uma aventura da Austrália.

Os  apreciadores de ficção científica ou terror podem escolher entre Ritual de Mikael Hafstrom inspirado em factos reais  sobre exorcismo, Mutante de Vincenzo Natali ou o terror espanhol de O exorcismo de Manuel Carballo, Sou o número quatro de D. J.Caruso, Perigo à espreita de Antti Jokinen e ainda  Monsters – zona interdita, ficção de Gareth Edwards, e Sucker Punch- Mundo surreal de Zack Snyder.

Para entreter o público infantil tivemos Rango de Gore Verbinski, Zé Colmeia de Eric Brevig, Gnomeu e Julieta de Kelly Asbury animação  inspirado na peça de William Shakespeare, Alpha & Omega de Anthony Bell e Ben Gluck  e Winx Club 3D : a aventura magica de Iginio Straffi.

Registaram-se  ainda as estreias de E o tempo passa de Alberto Seixa Santos, Filme Socialismo de Jean-Luc Godard e Em último recurso de Baltasar Kormákur.

Por fim, documentários com algum interesse: Chelsea hotel de Abel Ferrara sobre o mais icónico hotel de Nova Yorque que enfrenta uma ameaça de despejo e Os 2 da (nova) vaga, de Emmanuel Laurent,  sobre os cineastas franceses François Truffaut e Jean-Luc Godard, fundadores do emblemático movimento cinematográfico  Nouvelle Vague.  Especialmente dirigido aos adolescentes  o musical Justin Bieber: never say never,   de Jon Chu sobre a ascensão do jovem ídolo que se tornou uma estrela no mundo da música .

De 1 a 10 Abril, no cinema São Jorge,  vai realizar-se a 5ª Mostra do Documentário Português Panorama, um género que  cada vez tem mais adeptos. Esta edição  vai centrar-se num período pós 25 Abril de 1974, conturbado mas saudoso para alguns, o PREC.

De 14 a 21 Abril realiza-se a 4º edição de 81|2 – Festa do Cinema Italiano cuja programação, em Lisboa, divide-se entre o cinema Monumental e o espaço Nimas. A partir desta data e até 8 Maio a festa continua em Coimbra, Porto e Funchal.

Luísa Oliveira

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Para os cinéfilos, Fevereiro é o mês  mais aguardado devido à atribuição dos ambicionados Óscares. E, para manter a tradição, começo por falar na 83º edição que decorreu no dia 27 de Fevereiro, com apresentação feita pelos actores Anne Hathaway e James Franco. A habitual noite de glamour não trouxe muita surpresas e o Discurso do rei continuou a sua caminhada triunfante, arrecadando quatro estatuetas: Melhor Filme, Melhor Realizador (Tom Hooper), Melhor Actor Principal (Colin Firth) e Melhor Argumento Original. Natalie Portman ganhou o prémio de Melhor Actriz Principal, e Cristian Bale e Melissa Leo foram considerados os Melhores Actores Secundários pelos papéis em The Figther – último round. Por seu turno,o filme dinamarquês In a better World de Susanne Bier foi considerado o Melhor Filme Estrangeiro. Grande desilusão para Indomável, o grande derrotado da noite, e destaque para A origem que ganhou quatro estatuetas nas categorias técnicas.

Mas os Óscares da Academia não podem eclipsar outros acontecimentos como o Festival de  Berlim  e os prémios Bafta, César e Goya. Assim, na 61ª edição do  Festival de Berlim foi apresentada uma retrospectiva integral da obra do criativo realizador sueco falecido em 2007, Ingmar Bergman. Curiosamente este realizador,  durante a sua longa carreira, ganhou três Óscares de Melhor Filme Estrangeiro. O Urso de Ouro para melhor filme foi para o iraniano Asghan Farhadi com a obra Nader and Semin – a Separation que também ganhou os Ursos de Prata para Melhores Actriz e Actor. A 64 ª edição dos Bafta, prémios da Academia de cinema britânico,  foi um reconhecimento do  Discurso do rei, que arrecadou sete estatuetas. Os Césares, prémios da Academia francesa de Cinema, galardoaram Os deuses e os homens de Xavier Beauvois com 3 prémios e o realizador Roman Polanski pelo filme  O escritor fantasma. Nos prémios Goya, Discurso do rei foi considerado o Melhor filme europeu e Javier Bardem foi premiado por Biutiful, tendo Pa Negre, de Agusti Villaronga,  arrecadado nove prémios.

Nas estreias do mês, houve a coincidência  de apresentação de filmes nomeados para os Óscares:  o emocionante  trilher psicológico Cisne Negro de Darren Aronofsky, com uma excelente representação de Natalie Portamn; o estupendo drama histórico e biográfico sobre o rei Jorge VI de Inglaterra em  Discurso do Rei de Tom Hooper, com uma magistral interpretação de Colin Firth; o brilhante Indomável dos irmãos Ethan e Joel Cohen,  um western  que tem sido um êxito de bilheteira e que é a nova adaptação da novela de Charles Portis, baseada num episódio verídico. Realce ainda para Jeff Bridges na personagem que valeu a John Wayne, em 1969, o Óscar de Melhor Actor em A velha raposa; o drama familiar ligado ao boxe em The Fightero último round de David O. Russel,  a partir da biografia de dois pugilistas irmãos, Dicky Ecklund e Micky Ward; a história de sobrevivência, 127 horas de Danny Boyle; o drama Despojos de inverno de Debra Granik, considerado um clássico do feminismo contemporâneo e Blue valentine – só tu e eu de Derek Cianfrance,  sobre as dificuldades da vida a dois.

Ainda outras estreias do mês: a comédia política  e testemunho jornalístico, CasinoJack –  O dinheiro dos outros de George Hickenbooper, com Kevin Spacey  na personagem de Jack Abramoff que esteve envolvido num escândalo de corrupção de vários funcionários do Congresso Americano durante a Administração de George W. Bush;  a comédia de acção Green Hornet de Michel Gondry, baseada numa personagem radiofónica dos anos 30 e numa série  televisiva dos anos 60;  a importância da  tenacidade em Secretariat de Randall Wallace, versão de um livro que relata a história verídica de Secretariat, um cavalo que se tornou o primeiro, em vinte e cinco anos, a vencer a Tríplice Coroa, e que continua a ser o único animal a figurar na lista dos 50 maiores atletas do século XX, tendo sido capa de inúmeras revistas desportivas; a comédia romântica Sexo sem compromisso de Ivan Reitman;  terror e  ficção científica  de 2008 em Outlander – a vingança Howard McCain;  O exército vermelho unido de Koji Wakamatsu, um documentário ficcional com imagens de arquivo, relatos e recriações sobre os métodos terroristas utilizados pelo fanático Exército Vermelho japonês; também do mesmo realizador, O bom soldado, um drama com acção na 2ª Guerra Mundial;  Budapeste de Walter Carvalho a partir da obra homónima de Chico Buarque de Hollanda;  Somewhere – Algures de Sofia Coppola ; a aventura de  Sanctum de Alister Grierson e O dilema de Ron Howard.

A curiosidade do mês foi o facto do realizador australiano Phillipe Mora  ter descoberto, em  Berlim, dois filmes em 3D, datados de 1936,  um período muito anterior à utilização desta técnica em Hollywood.

No plano nacional, assistiu-se à estreia do musical  As cobaias de Pedro Gil de Vasconcelos e à realização da 31ª edição do Fantasporto com inauguração oficial no dia 25 e que se prolonga até 6 Março. Nesta edição, a maioria dos filmes são de produção europeia com muitas antestreias mundiais. Duas das obras são protagonizadas pelo actor britânico, ícone do cinema fantástico, Cristopher Lee. O  Fantas, Festival Internacional de Cinema do Porto, pela sua vasta programação, continua a prestigiar o mundo do cinema.

Luísa Oliveira

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No mundo do cinema continua a época de atribuição de prémios que antecedem os Óscares. O People’s Choice Awards, escolha feita pelos espectadores  com votação on line, premiou Eclipse, 3º filme da saga Crepúsculo que, curiosamente, também teve nove nomeações para os Razzies, prémios atribuídos pela Fundação Golden Raspberry Award, que premeia as piores longas metragens estreadas nos E.U.A.

No dia dezasseis realizou-se  em Los Angeles a 68º cerimónia dos Globos de Ouro,  concedidos pela  imprensa estrangeira acreditada em Hollywood. Estes prémios são considerados a antecâmara dos Óscares e, este ano, a apresentação esteve a cargo do actor britânico de séries de humor, Rick Gervais, que fez algumas intervenções polémicas. A Rede Social foi o grande vencedor com os prémios nas categorias de Melhor Filme Dramático (o mais prestigiado),  realizador, banda sonora e argumento. Os miúdos estão bem ganhou o prémio de Melhor Filme de Comédia e Annett Bening  o de Melhor Actriz.   Colin Firth  em  Discurso do rei (filme premiado pela Associação de Realizadores dos EUA) e Natalie Portman em Cisne negro foram galardoados como Melhores Actores Dramáticos.  Prémio de carreira foi para  o excelente actor Robert de Niro .

Em 27 Fevereiro irá realizar-se a 83º edição dos Óscares. Na longa lista de nomeados  destacam-se O Discurso do Rei de Tom Hooper e Indomável dos irmãos Cohen, respectivamente, com doze e dez nomeações.

A diversidade marcou as estreias do mês: Tron, o legado de Joseph Kosinski ,  aventura digital  filmada no meio de muito secretismo, com o excelente actor Jeff Bridges num remake de um filme que tinha protagonizado há 28 anos; O turista de Florian Henckel von Domersmarck ; As viagens de Gulliver de Rob Letterman, adaptação aos tempos modernos  do clássico de 1726 do irlandês Jonathan Swift; Chantrapas , produção francesa  e ucraniana  realizada pelo russo Otar Iosseliani; Xeque à rainha de Caroline Bottaro; Fora de lei de Rachid Bouchareb numa coprodução da Argélia e da França; Tu, que vives, de Roy Anderson, curiosas histórias tragicómicas passadas em várias cidades mundiais; O preço da traição de Atom Egoya; a comédia romântica  O amor é o melhor remédio Edward Zwick ; o quotidiano íntimo de um casal de terceira idade em Um ano mais Mike Leigh, nomeado para o Óscar de Melhor Argumento original; o drama Biutiful do mexicano  Alejandro González Inárritu,  que o descreveu como “poema sórdido”, com Javier Bardem num grande papel, nomeado para Óscar de Melhor Actor; O thriller  72 horas de Paul Haggis; o drama italiano Que mais eu quero de Sílvio Soldini e o documentário Com que voz de Nicholas Oulman sobre o seu pai, Alain Oulman que acompanhou Amália Rodrigues nas produções musicais.

Os destaques do mês vão para o documentário Complexo: Universo paralelo dos irmãos Mário e Pedro Patrocínio, que durante três anos registaram o quotidiano  de uma das favelas mais perigosas do Rio de Janeiro; as obras de dois gigantes da 7ª arte, a comédia romântica Vais conhecer o homem dos teus sonhos de Woody Allen e Hereafter-Outra vida de Clint Eastwood,  que aos 80 anos realiza a sua 31ª obra  com produção de Steven Spielberg, em que trata os mistérios da vida para além da morte; A minha alegria de Sergei Loznitsa , que depois de inúmeros documentários realiza a sua primeira ficção com produção conjunta da Alemanha, Holanda e Ucrânia, e  que é uma parábola crítica e pessimista sobre a situação actual na Rússia.

Termino com a notícia de que, no dia vinte cinco, Leonor Silveira, actriz presente em muitos filmes de Manoel de Oliveira, foi condecorada, pelo governo francês, com a Ordem das Artes e Letras,  na embaixada francesa em Lisboa.

Luisa Oliveira


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O Escritor fantasma, como já se previa, foi o grande vencedor dos Prémios do Cinema Europeu arrebatando seis estatuetas. O realizador Roman Polanski  agradeceu a distinção, por videoconferência, dado os problemas que vem enfrentando com a justiça americana. Nos restantes prémios, Sylvie Testud ganhou o de melhor actriz pela sua interpretação em Lourdes, o prémio Carlo di Palma para a melhor fotografia foi para Lebanon de Samuel Maoz , o de melhor montagem para Carlos de Olivier Assayas,  tendo O Mágico sido galardoado com o de melhor filme de animação.

Curioso é o  facto de Mistérios de Lisboa ter sido considerado o melhor filme de 2010 em França, pelo júri do prémio Louis Delluc, constituído  por um grupo de vinte personalidades e críticos do cinema francês. A RTP vai exibir o filme numa minisérie de  seis episódios. Ainda sobre o cinema português, a revista norte-americana New Yorker incluiu os filmes  O estranho caso de Angélica de Manoel de Oliveira, Aquele querido mês de Agosto de Miguel Gomes e Ne change rien de Pedro Costa na lista do Top 15.

O ano terminou com apresentação de duas preciosidades da cinematografia nacional, agora em formato digital. Assim, tivemos oportunidade de rever  Aniki Bóbó uma realização de 1942 do veterano Manoel de Oliveira e o documentário de 18 minutos Douro, faina Fluvial de 1929.

Mas como as festas natalícias são tradicionalmente  dirigidas ao público infantil, os filmes de animação dominaram as estreias do mês: Planeta adormecido de Manuel Abrantes, Lígia Ribeiro  e Luciano Ottani; Megamind de Tom McGrath; As aventuras de Sammy: a passagem secreta de Ben Stassen; a 50ª longa-metragem da Disney Entrelaçados de Byron Howard e Nathan Greno, o  belíssimo O Mágico de Sylvain Chomet, a partir de um argumento inédito de Jacques Tati, e  a magia das personagens de C.S. Lewis, que ganham vida em As crónicas de Nárnia: a viagem do caminheiro da Alvorada de Michael Apted. Também dirigida aos jovens,  a adaptação da banda desenhada, Scott Pilgrim contra o mundo de Edgar Wright  ganhou dois prémios da International Press Academy.

As comédias  estiveram presentes com os divertidíssimos A tempo e horas de Todd Phillips,  Não há família pior de Paul Weitz , o humor singular de Encontros em Nova Iorque de Nicole Holofcener, e os franceses Mammuth de Benoit Deléphine e Gustave de Kervern e O amor é melhor a dois de Arnaud  Lemoit e Dominique Farrugia. Também de assinalar a ficção científica  com Skyline de Colin e Greg Strause,  o musical Burlesque de Steve Antin, com Cher, e a produção conjunta da Alemanha e Casaquistão Tulpan de Sergei Dvortsevoy.

No campo dos filmes de acção, estrearam-se  Jogo Limpo de Doug Liman, e Stone- ninguém é inocente de John Cunan .

Por fim, o estranho documentário I’m still here de Casey Affleck sobre  o suposto abandono da carreira de actor de Joaquin Phoenix.

Porém, de todas as estreias, o meu destaque vai para os seguintes filmes : a obra espanhola Cela 211 de Daniel Monzón, um  intenso trhiller premiado com oito Goyas, Katalin Varga de Peter Strickland, um assombroso  filme sobre vingança, passado na Roménia e falado em húngaro, e A última estação de Michael Hoffman, a partir da adaptação do livro de Jay Parini sobre os últimos dias do carismático Leo Tolstói, com excelentes interpretações de Hellen Mirren e Christopher Plummer.

Continua o período da entrega de prémios, neste caso, das Associações Nacional de Críticos de Cinema dos EUA  e de Críticos de Cinema de Los Angeles que distinguiram  o filme Rede Social de David Fincher com os prémios de  melhor filme, realização, actor e guião. Já se conhecem também os nomeados para a 68ª edição dos Globos de Ouro com The King’s  Speech a liderar com sete nomeações. Em Janeiro saberemos quem irão ser os vencedores.

Quanto ao balanço de  2010, as preferências nos cinemas portugueses foram para  os filmes  em 3D, liderados por Avatar, obras de  animação como Shrek e a saga Twilight.  Mas eu relembro Precious, Invictus, O laço branco, O segredo dos seus olhos, Vão-me buscar alecrim, Uma outra educação, Lola e muitos outros que nos fazem sonhar e passar bons momentos  de alegria e emoção.

Termino com referência  a um movimento de curtas-metragens que pretende revolucionar os hábitos culturais, Shortcutz,  que integra o LABZ, uma plataforma internacional para a  promoção de talentos na área da cultura urbana. Em Lisboa, o encontro é no bar Bicaense, na Rua da Bica às 3ª feiras à noite .

Para manter a tradição, esperemos que 2011 traga bons filmes para amenizar a época de crise .

Luísa Oliveira

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Começo com a notícia da atribuição do prémio Opus Bonum do Festival Internacional do  Documentário de Jihava, na República Checa,  à obra 48 de Susana Sousa Dias. Este documentário de 93 minutos retrata a tortura no Estado  Novo e tem conquistado vários prémios em festivais internacionais.

O Estoril Film Festival constituiu um sucesso e, pouco a pouco, vai-se impondo no panorama internacional. O filme sérvio Tilva Rosh de Nikolai Leizac foi distinguido com os prémios de Melhor Filme e de Cineuropa. Isabelle Hupert recebeu o Prémio Especial do Júri João Bénard  da Costa.

No Cinanima o Grande Prémio da Cidade de Espinho foi atribuído a Big Bang, Big Boom do realizador italiano denominado Blu sendo o Prémio António Gaio concedido a Viagem a Cabo Verde de José Miguel Ribeiro.

De 26 a 28 decorreu a 8ª edição do Aroucafilmfestival organizado pelo Cineclube local. Foram exibidas 32 curtas-metragens, tendo o  realizador espanhol António Palomino conquistado a lousa de ouro com El ambidiestro.

Em Novembro eram aguardadas estreias que se tornaram sucessos de bilheteira : A Rede Social de David Fincher, sobre a criação da famosa rede social à escala mundial – Facebook – através das perspectivas dos jovens que a criaram, e  a parte I do capítulo final da saga,  Harry Potter e os Talismãs da Morte, de David Yates .

Os adeptos de filmes de terror deliciaram-se com as seguintes estreias: O Demónio de John Erik  e Drew Dowdle, primeiro filme adaptado das Crónicas de Night, histórias de terror criadas por M. Night Shyamalan; Piranha 3D de Alexandre Aja,  em que o terror ganha uma maior dimensão neste formato, e  Saw 3Do capítulo final de Kevin Greutert,  último capítulo da famosa saga de terror e que é o primeiro filme registado com câmara digital SI-3D, criando uma atmosfera mais opressiva.

Os seguintes filmes apresentam argumentos  vulgares : Oh Não! Outra vez tu? de Andy Fickman é uma comédia banal cheia de lugares comuns ; Jackass 3D de Jeff Tremaine, a partir da famosa  série de humor e acção da MTV ; Red- perigosos de Robert Schwentke  com actores de nomeada no papel de espiões reformados e O rei da evasão, comédia francesa de Alain Guiraudie.

Surgiram igualmente alguns filmes de acção  também de qualidade duvidosa: Imparável de Tony Scott; O Americano de Anton Corbijn, com George Clooney e Machete de Robert Rodriguez e Ethan Maniquis com  Danny Trejo, um conhecido actor mexicano, numa sátira aos filmes dos anos 70.

Quanto a musicais, estreou-se GreenDay – 21st century Breakdown de Russel Thomas , concerto dos GreenDay gravado pela MTV.

Porém, registaram-se estreias com alguma qualidade: Inside Job – a verdade da crise de Charles Ferguson, um documentário americano narrado por Matt Damon  que, a partir de entrevistas com especialistas, apresenta uma análise da crise financeira mundial de 2008, mostrando também como tudo poderia ter sido evitado; a curiosa fábula infantil Yuki e Nina de Hippolyte Girandole (também um dos actores principais)  e Nobuhiro Suwa; Os miúdos estão bem de Lisa Cholodenko, uma comédia de costumes  com as excelentes actrizes Julianne Moore e Annette Bening, interpretando um casal lésbico e que venceu o Prémio Teddy para melhor filme na última edição do festival de Berlim; 22 balas de Richard Berry , inspirado em factos verídicos da vida do gangster Charly Mattei, da máfia de Marselha; Cópia certificada de Abbas Kiarostami, sobre um encontro enigmático, com Juliette Binoche  no papel principal, e O Concerto de Radu Mihaileanu. Da Bulgária e da Grécia estrearam-se, respectivamente, O mundo é grande e a salvação espreita ao virar da esquina de Stephan Komandarev  e  A poeira do tempo de Theo Angeloupolos.

Como destaque do mês, sugiro duas obras:  o  drama verídico  Dos homens e dos deuses de Xavier Beauvois, um dos mais aclamados filmes do ano , que ganhou em Cannes o Grande Prémio  e que é o candidato francês ao Óscar de melhor filme estrangeiro. É um belíssimo filme que, além de recriar os pormenores do rapto e morte de monges franceses  de Tibhirine durante a guerra civil da Argélia, em 1996, também nos faz reflectir sobre o valor da fé ; O documentário José e Pilar de Miguel Gonçalves Mendes,  com anteestreia em 16 de Novembro, data de nascimento do escritor.   Este excelente documentário, um tributo à vida e ao amor, percorre quatro anos da vida em comum de Saramago e de Pilar del Rio e apresenta uma nova visão do excepcional escritor  e merece ser visto para que todos conheçam melhor o homem e o escritor.

No princípio de Novembro faleceu Manuel Cintra Ferreira que, além de ter sido um dos mais antigos programadores da Cinemateca Portuguesa,  foi um dos mais prestigiados críticos de cinema que nos habituou às suas  críticas pertinentes. Vai deixar saudades aos apreciadores de cinema. Também  ligado ao mundo do cinema é de registar o falecimento de Dino de Laurentis um dos criadores do neorrealismo italiano que produziu filmes emblemáticos de Fellini e Rosselini.

De 4 a 15 Dezembro  realiza-se a 14º edição do Festival de Cinema Luso-Brasileiro. Neste evento será homenageado Manoel Oliveira que, a completar 102 anos, ainda continua em actividade. Como tal, será apresentado o filme Manoel Oliveira Absoluto de Leon Cakoff, Director da Mostra de Cinema de São Paulo. De 10 a 12 realiza-se a VIII Mostra de Documentários  Direitos Humanos no Auditório Acácio Barreiros do Centro Olga Cadaval com a apresentação de diversos documentários versando esta temática. Também em Dezembro realiza-se a 23ª edição dos prémios atribuídos pela Academia de Cinema Europeu. Os vencedores serão conhecidos em 4 de Dezembro em Tallin, na Estónia. O filme O escritor fantasma de Roman Polanski lidera com sete nomeações, pelo que é um  forte candidato aos vários galardões.

Luísa Oliveira


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Outubro foi o mês do Doclisboa que mais uma vez constituiu um sucesso  devido à qualidade das obras apresentadas que  despertaram o interesse de um vasto público . O vencedor da edição deste ano foi El Sicario Room 164 do italiano Gianfranco Rosi, um longo monólogo confessional de um assassino contratado a soldo dos traficantes de droga mexicanos. O vencedor da Competição Portuguesa nas categorias  de longas e médias-metragens  e do Prémio Escolas coube a Li Ké Terra de Filipa Reis, João Miller Guerra e Nuno Baptista  que acompanha o quotidiano de dois jovens de ascendência cabo-verdiana na sua busca de um futuro em Portugal.

Ainda sobre festivais portugueses, vai realizar-se de 5 a 14 de Novembro a 4º edição do Estoril Film Festival com a apresentação de várias produções europeias. Os realizadores  Abbas Kiarostami, Elia Suleiman , Stephen Frears  e o actor John Malkovich, entre outros, vão marcar presença nesta edição cujo programa completo pode ser consultado em  aqui.

De 8 a 14 de Novembro, certamente que muitos apreciadores de cinema se deslocam a Espinho onde decorre a 34ª edição do CINANIMA , Festival Internacional de Cinema de Animação com o interessante programa em www.cinanima.pt.

Na Aula Magna em 5 e 6 de Novembro realiza-se uma iniciativa curiosa , a Lisbon Film Orchestra, com a interpretação de  bandas sonoras de grandes sucessos de bilheteira.

No que respeita às estreias do mês,  a produção nacional apresentou duas obras de Ivo Ferreira: a curta-metragem O estrangeiro e o interessante  documentário sobre emigração Vai com o vento, expressão de despedida que se usa na China quando alguém  vai partir para longe.

Também estreou-se a curta-metragem Shoot me de André  Badalo, vencedora do  Prémio do Público no Festival Internacional de Cinema de Milão e Menção Honrosa no Los Angeles Movie Awards, e Quero ser uma estrela de José Carlos Oliveira.

Facto curioso é a excelente recepção que tem tido  em França o longuíssimo Mistérios de Lisboa do chileno Raúl Ruíz e produção de Paulo Branco, baseado na obra homónima de Camilo Castelo Branco, escrita  em 1854 .  Como continua em cartaz  deve ser visto, pois é considerado por alguns uma obra-prima.As comédias   estreadas foram Mac Gruber –licença para estragar de Jorma Taccone, uma paródia ao famoso herói dos anos 80 MacGyver, É a vida de Greg Berlanti,  Uma família moderna de Ferzan Ozpeek , Sempre que te vejo de Burr Steers e Agentes de reserva de Adam Mckay com o actor cómico Will Ferrell.

As produções francesas marcaram presença com os dramas  O pai das minhas filhas de Mia Hansen- Love , filme  sobre desespero inspirado na história do produtor Humbert Balsan, Arrependimentos de Cédric Kahn , O refúgio de François Ozon , a magia do circo ambulante em  36 vistas do Monte Saint-Loup de Jacques Rivette  e  a biografia de um ícone francês em Gainsbourg- vida heróica de Joann Sfar .

O tema dos vampiros é retomado com o remake  americano de um recente filme sueco Deixa-me entrar de Matt Reeves . Com algum interesse , o irlandês Ondine de Neil Jordan,  O último Verão de Boyta da argentina Júlia Solomonoff,  e  Só eles de Scott Hicks .

Para entreter as crianças e não só,  os filmes de animação  Lenda dos guardiões de Zack Snyder e Gru- o maldisposto de Chris Renaud e Pierre Coffin.

O terror  esteve presente no claustrafóbico   Rec2 de Jaume Balagueró e Paço Plaza , em O último exorcismo de Daniel Stamm, A nova filha de Luís Berdejo, na sequela Actividade paranormal 2 de Tod Williams e  na ficção científica   alemã Pandorum- universo paralelo de Christian Alva .

Os fãs de trash-metal podem ocupar, ainda, os dias de Outono assistindo ao documentário de The Big 4 de Nick Wickham sobre o Festival Sonisphere que juntou as bandas Metallica, Slayer, Megadeth e Antrax.

Termino referindo o filme do mês A cidade realizado e protagonizado por Ben Affleck, um dos filmes mais aclamados no Festival de Toronto. Este thriller com acção em Boston  tem recebido as melhores críticas  no que é considerado um filme de polícias e ladrões à moda antiga. A história de um crime é humanizada  não só pelo argumento como pelas boas interpretações dos actores . Com este filme Ben Affleck , que se estreou na realização  em 2007com o perturbante Vista pela Última vez, impõe-se cada vez mais como um  aclamado realizador .

Luísa Oliveira


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Como Setembro foi um mês de festivais,  começo  por transmitir algumas informações  de alguns desses acontecimentos. O  filme Somewhere de Sofia Coppola  ganhou o Leão de Ouro  da 67ª edição do Festival de Veneza, num ano marcado pelo desacordo dos críticos e jornalistas relativamente às escolhas do júri nomeadamente a atribuição da Melhor Interpretação Masculina a Vicent Gallo  no filme Essential Killing. Além disso,  nenhum dos filmes premiados estava entre os preferidos dos críticos. Assim, aguardemos pela exibição no circuito comercial para vermos quem tem razão.

Na 35º edição do Festival de Toronto aconteceu o oposto pois o drama  britânico de Tom Hooper  sobre a gaguez do rei Jorge VI, The King Speech,  foi o previsto vencedor.

Ainda sobre Festivais, Outubro é o mês do aguardado e aplaudido VIII Festival Internacional de Cinema  Doclisboa que se realiza de 14 a 24 de Outubro com o documentário de abertura  sobre José Saramago e a mulher Pilar del Rio.  Como já vem sendo hábito , certamente serão  exibidos excelentes documentários  o que é  um bom motivo para a deslocação à Culturgest e  a outros locais  da capital  .

Também bastante apreciado vai decorrer, entre 7 Outubro e 9 Novembro em várias cidades, nomeadamente Almada,  a 11ª edição da Festa do Cinema Francês. Em Almada as projecções serão no  Fórum Romeu Correia de 13 a 17 Outubro.

A 50ª edição do Festival de Cinema de Viena realiza-se de 21 Outubro a 3 de Novembro com uma retrospectiva do falecido realizador francês Eric Rohmer.

O mês também ficou marcado por inúmeras  estreias  sendo, no entanto, a maioria de qualidade inferior.

No que respeita  às obras de  ficção científica e de terror  tivemos  Predadores de Nimrod Antal, Depois da vida de Agnieszka Wojtowicz – Vosloo, Resident Evil : ressurreição de Paul W.S. Anderson  e o humor negro do interessante Até ao inferno de Sam Raimi.

Claro que os filmes de comédia em que os temas apresentam muitas semelhanças estiveram em maior número.  Assistimos à versão americana de uma comédia francesa em que o  absurdo impera em  Jantar de idiotas de Jay Roach, que se juntou a  muitos outros como :   A vida desafinada de Todd Louiso; Cães e gatos : a vingança de Kitty Galore de Brad Peyton; Eterno solteirão de Brian Keppelman e David Lévien; A troca de Josh Gordon e Will Speck; Todos os outros de Maren Ade; Adoro-te à distância de Nanette Burstein; Jaccuzzi – o desastre do tempo de Steve Pink ; a paródia aos filmes de vampiros em  Ponha aqui o seu dentinho de Aaron Seltzer e Jason Friedberg e Tâmara Drewe de Stephen  Frears. Ainda deste género destaca-se o filme do Uruguai Gigante de Adrián Biniez Grande Prémio do Júri no Festival de Berlim 2009.

Quanto a dramas   assistiu-se às seguintes obras: Entre irmãos de Jim Sheridan; Karate Kid de Harald Zwart; Não minha filha tu não vais dançar de Christopher Honoré;  a sequela  Wall Street :  dinheiro nunca dorme de Oliver Stone;  o italiano La Pivellina de Rainer Frimmel e Tizza Covi; a autobiografia do agente secreto infiltrado Martin McGartland  Na  senda dos condenados de Kari Skogland ;  Comer, orar, amar de Ryan Murphy baseado no livro de memórias de Elizabeth Gilbert e  o filme alemão A papisa Joana de  Sonke Wortmann  sobre um mito cristão do século IX.

Os destaques vão para  o filme australiano Daybreakers – o último vampiro de Michael e Peter Spierig, a excelente obra filipina com uma forte componente social Lola de Brilhante Mendonza  e o  comovente  Hachiko- amigo para sempre de Lasse Hallstrom, baseado em factos verídicos e que emociona  sobretudo os que gostam de animais. Para o público infantil, Sininho salva as fadas de Bradley Raymond ao qual  se pode juntar o curioso documentário francês de Thomas Balmes Bebés . O género  musical, por seu turno, teve um único representante com Step Up 3D de Jon Chu .

Quanto a filmes nacionais, contámos com  O último voo do flamingo de João Ribeiro, baseado no romance homónimo de Mia Couto com acção  em Moçambique no período após o fim da guerra civil; Marginais de Hugo Diogo ; o belo documentário de Marta Pessoa Lisboa Domiciliária, que retrata o quotidiano de  idosos que vivem isolados nas suas habitações; Assalto ao Santa Maria de Francisco Manso baseado na maior acção de protesto contra o regime de Estado Novo; Embargo de António Ferreira,  a  partir da obra homónima de José Saramago,  e  a curta metragem de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes A history of mutual respect.

Saliento ainda a interpretação da obra de Fernando Pessoa em Filme do Desassossego de João Botelho, que se estreou no Centro Cultural de Belém não estando previsto o circuito habitual das salas comerciais,  apresentando-se, em alternativa, em digressão pelos cineteatros do país.

Termino com a notícia de que o  filme Morrer como um homem de  João Pedro Rodrigues  é o candidato português à nomeação para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro na edição 2011 destes prémios.

Profª Luísa Oliveira

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Após a interrupção do Verão, as Fitas retomam com notícias das estreias que marcaram o período quente. Começo por referir filmes que agradam a todas as faixas etárias  como Shrek- Para sempre de Mike Mitchell, e o que considero  o melhor filme desta estação o mundo encantador  e emocionante de Toy Story 3 de Lee Unkrich, último filme da famosa trilogia da Pixar,  complementado pela curta  Day & Night de Teddy Wewton. Destaque  merecido para  o excelente filme policial/suspense O escritor fantasma do polémico e genial Roman Polanski que, com mérito, ganhou o Urso de Ouro de Melhor Realizador no Festival de Berlim  2010.

Assistiu-se a estreias de  filmes  fascinantes, realizados fora do circuito de Hollywood, como  Vão-me buscar alecrim dos irmãos Benny e Josh Safdie, um comovente filme  autobiográfico sobre a infância que representa uma homenagem dos realizadores ao pai de ambos e que já tinha arrecadado o Grande Prémio no Indielisboa 2010;  a obra peruana vencedora do Festival de Berlim 2009 A Teta assustada de Claudia Llosa, que relata a forma como o medo pode aniquilar a alma  ; do Uruguai, o Prémio da Crítica do Festival de Cannes 2004 Whisky de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll sobre o quotidiano banal e,  do novo cinema norueguês, Águas Agitadas de Erik Poppe, um discreto e melancólico drama sobre o direito  que todos têm à regeneração humana e social,  convertendo em Bem todo o Mal.

O Verão  também ficou marcado pelo que é considerado o filme do ano: a ficção científica A origem de Christopher Nolan, com um enredo intrigante que prende o  espectador.

Para os apreciadores de argumentos de espionagem, estrearam-se O Caso Farewell de Christian Carion, uma ficção baseada num dos mais importantes casos de espionagem  do período da Guerra Fria e Salt de Phillip Noyce. O Barão Vermelho de Nikolai Mullerschon,   baseado na vida de Manfred von Richthofenn, admirado piloto alemão da 1ª Guerra Mundial, deve agradar aos que gostam de biografias.

Para um público mais restrito, os filmes  perturbantes Canino de Giorgos  Lanthimos e  Meu filho, olha o que fizeste de Werner Herzog,  este último baseado num caso verídico que descreve  a insanidade crescente de um indivíduo.

O género terror esteve representado por Saw VI – Jogos Mortais de Kevin Greutert e o mundo fantástico e  mágico  pela nova  versão  do filme Fantasia, produzida pela  Walt Disney Pictures,  Aprendiz de feiticeiro de Jon Turteltaub.

Surgiram também adaptações  como Presente de morte de Richard Kelly, baseado num episódio da emblemática série televisiva A Quinta Dimensão, Soldados da Fortuna de Joe Carnahan  e  Lucky Luke de James Huth.

Sendo o Verão uma época propícia  a comédias românticas, Jennifer Aniston não podia falhar em Como gerir o amor de Stephen Belbert, que se pode  juntar a outras produções vulgares como  É muito rock, meu de Nicholas Stoller, Miúdos e Graúdos de Dennis Dugan, com o habitual Adam Sandler, Beijos & Balas de Robert Luketic, Cartas para Julieta de Gary Winick  e a  espanhola A estrada de Santiago de Robert Santiago.

Os filmes de acção também estiveram presentes com Dia e Noite de James Mangold,  Golpe de artistas de Peter, O último Airbender 3D de M. Night Shymalan e Os Mercenários de Silvester Stallone .

A cinematografia francesa, como é habitual,  marcou presença com os documentários A Dança de  Fredéric Wiseman sobre a conceituada Companhia de Bailado da Ópera de Paris e Iréne de Alain Cavalier, a partir do drama causado pela morte da mulher, a actriz Irene Tunc  e com  as comédias  Casamento a três de Jacques Doillon  e  Louise-Michel de Benoît Delepine e Gustave de Kervern, produção de 2008, com um argumento interessante.

Quanto a filmes nacionais, contámos com Contraluz de Fernando Fragata, O inimigo sem rosto de José Farinha, baseado no livro da magistrada Maria José Morgado e do jornalista José Vegar sobre a corrupção em Portugal, e a produção animada Dama da Lapa, curta animação de Joana Toste vencedora de vários prémios.

Em Setembro começa a definir-se  o cenário para os Óscares 2011  nos importantes Festivais de Toronto, San Sebastian, Nova Iorque e Veneza.

A 67ª edição do  Festival de Cinema de Veneza, que  decorre de 1 a 11   de Setembro, apresenta a estreia mundial de 79 obras. Portugal está presente com a curta-metragem de Manoel de Oliveira, Painéis de São Vicente,Visão Poética e a primeira longa-metragem de João Nicolau A Espada e a Rosa.

Ainda sem a projecção dos festivais mencionados vai decorrer a 2ª edição do Douro Filme Harvest de 5 a 11 que alia a 7ª Arte  à gastronomia para promover a belíssima região duriense. Neste evento,  a actriz italiana Sophia Loren será homenageada.

No âmbito das comemorações do Centenário da Implantação da República a Cinemateca vai apresentar, nos meses de Setembro e Outubro, documentários e filmes relacionados com o tema.

Profª. Luísa Oliveira


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