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Posts Tagged ‘Fernando Pessoa’

fp 80 anos

imagem editada daqui

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quinto impérioNa sequência de uma atividade realizada no âmbito do estudo da obra Mensagem de Fernando Pessoa, o aluno João Ribeiro, do 12ºF, associou a proposição inscrita na imagem ao lado, sobre o conceito de Quinto Império, à linguagem matemática, da forma que abaixo se apresenta, com o intuito de representar uma afirmação de cariz literário sob a forma de um raciocínio lógico-matemático.

Dulce Sousa (professora de Português do 12ºF)

  • Colaboração na revisão e edição de Fátima Delgado (professora de Matemática)
  • imagem editada daqui

joao_ribeiro

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Esta imagem simboliza nascimento, representando o criar algo inovador, como este escritor criou. O conjunto de todas essas criações é o universo “pessoano”. O centro desse universo é o ovo inteiro, é Fernando Pessoa, com tudo o que ele inclui e o assombra.

imagem original da autora do texto

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Porquê um ovo? Este ovo é invulgar, diferente de tantos outros, de todos os que habitualmente se vêm. Na realidade um ovo é a primeira célula de um novo ser, tendo, portanto, a capacidade de gerar todos os tipos de células de que esse ser será constituído, designando-se, portanto, célula totipotente. É uma célula que tem tudo, o que lhe tira a identidade própria, a especificidade, apesar de no fundo a ter.

Um ovo no qual surgiu mais do que apenas uma gema, um ser intrinsecamente diferente! Este ovo é uma metáfora de Fernando Pessoa, na medida em que dentro dele surgiu mais do que apenas uma personalidade, diferenciando-o dos restantes artistas. A heteronímia torna-o semelhante a uma célula totipotente e surgiu devido ao fingimento (construção), que ele considera ser a base da poesia e da arte.

Mas o que acontece ao ovo? O que acontece a Fernando Pessoa? O que são exatamente cada um desses poetas por ele criados? Ora, tudo o que surgiu com base no início já existia inicialmente, porém estava tudo junto e indiferenciado. Fernando Pessoa não desaparece, todavia, passa a ser uma entre as inúmeras células (isto é, poetas/personalidades) que dele surgiram. Ele passa então a designar-se por ortónimo e os restantes poetas que dele surgiram são os heterónimos. Este poeta, no seu ovo inicial sem identidade, dividiu-se em dois, e depois em muitos mais, já com especificidade. Assim, criou poetas únicos e distintos, à semelhança das distintas funções desempenhadas por cada tipo de células.

Exteriormente, parece uma pessoa comum, assim como este ovo antes de o quebrar. Porém, ao abrir-se, constata-se que o interior já não é assim tão comum. A quebra do ovo revela o seu interior e representa o momento de quebra da sua personalidade, isto é, quando a sua personalidade muda e passa a comportar-se e a escrever como um dos seus heterónimos. O serrilhado recorte da casca simboliza a sua instabilidade, que é causadora da rutura e também a sua dor. Por sua vez, a parte lisa da casca, que na realidade não é lisa, mas sim porosa, demonstra que mesmo o que à primeira vista parece bem, na realidade, ao observar mais detalhadamente, encontra-se também muita instabilidade.

Cada heterónimo novo que se desenvolve é representado por uma gema, enquanto que a clara é o seu ambiente, o que o alimenta e o faz crescer, ou seja, todas as vivências do escritor, incluindo todo o contexto artístico, cultural e social da sua época.

Este ovo está rodeado de sombras! O poeta está envolto em angústia existencial, dor e infelicidade! Estas sombras representam o conflito da sua alma, sendo o lado negro do universo “pessoano”. Mas mesmo na mais profunda escuridão existe luz, daí a existência de gradações de sombras com diferentes tons, sendo que as mais claras e praticamente inexistentes representam a luz que salva o ortónimo, o seu mestre Alberto Caeiro.

Sonhar com ovos de gema dupla simboliza a descoberta de objetos valiosos que estavam perdidos. Neste caso, representa a valiosa descoberta dos heterónimos de Fernando Pessoa que estavam perdidos dentro dele pois, se existe uma pessoa que tem várias pessoas dentro de si, essa pessoa é Fernando Pessoa!

Esta imagem simboliza nascimento, representando o criar algo inovador, como este escritor criou. O conjunto de todas essas criações é o universo “pessoano”. O centro desse universo é o ovo inteiro, é Fernando Pessoa, com tudo o que ele inclui e o assombra.

Miriam Colaço, 12ºA

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Nunca me vi nem achei

Fernando Pessoa
(in Não sei quantas almas tenho)

Este verso será, provavelmente, o que melhor ilustra a maneira como Fernando Pessoa via a sua identidade.

Fernando Pessoa era um poeta e, sobretudo, uma pessoa que tinha grandes dificuldades em definir-se enquanto identidade, ou seja, sentia-se “perdido” em si próprio. Encontrava-se constantemente em conflito interior, acabando por se questionar se realmente existia e, se existisse, quem era na realidade.

Esta incapacidade que sentia em autodefinir-se levou Fernando Pessoa a procurar uma solução, isto é, a encontrar uma identidade que o representasse. Deste modo, Pessoa chegou à conclusão que, em vez de criar uma identidade, porque não criar várias identidades que demonstrassem as suas diversas formas de olhar para o mundo, de interpretar o que o rodeava?

Mas até sobre a finalidade das identidades criadas, que se denominam heterónimos, Pessoa não tinha uma ideia definida. Os heterónimos criados serviam tanto para exprimir o que sentia o próprio, como também para exprimir emoções criadas/fingidas por ele, já que ele afirma (no poema Autopsicografia) que o “poeta é um fingidor”.

puzzleAssim, nascem vários heterónimos com estilos de escrita distintos, de entre os quais podemos destacar três que são bastante diferentes entre si: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.

Alberto Caeiro, o mestre, é um heterónimo bastante ligado à natureza e aos cinco sentidos. Para Caeiro, o que importa é o que os seus sentidos conseguem captar, acabando por contemplar o mundo que o rodeia de forma ingénua e objetiva. Assim, Caeiro não pensava no futuro nem no passado, acabando por não dar importância ao que pensava, mas só ao que captava com os seus sentidos.

Ricardo Reis é um heterónimo que vive o presente sem exageros e que tenta aproveitar o momento presente na sua totalidade. Ricardo Reis afirma que não vale a pena viver a vida com grandes exageros, nem ceder às paixões que sente, porque o fim será o mesmo para todas as pessoas, a morte. Deste modo, ao não ceder à paixão que sente, Reis considera que, quando chegar o seu fim, a pessoa amada não irá sentir a tristeza que sentiria caso fossem comprometidos. Tal como Caeiro, Ricardo Reis valoriza a natureza.

Por fim, Álvaro de Campos distingue-se dos outros exemplos por ser um heterónimo que valoriza o mundo contemporâneo e a agitação das cidades. Teve duas fases distintas: a fase futurista onde sente intensamente a agitação das novas invenções que o rodeiam, querendo “ser toda a gente em toda a parte”; e a fase intimista, onde acaba por cair numa angústia, tristeza e deceção, pois apercebe-se que não pode sentir tudo na sua totalidade (“Ah, não ser eu toda a gente em toda a parte!”).

Podemos assim associar Fernando Pessoa e as suas identidades criadas a um puzzle porque, se cada heterónimo criado representar uma peça, estas irão encaixar umas nas outras, pois complementam-se, acabando por formar uma única unidade que representa Fernando Pessoa.

Raquel Cardoso, 12ºA

imagem daqui

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Meus dias, mas que um passe e outro passe/ Ficando eu sempre quase o mesmo; indo/ Para a velhice como um dia entra no anoitecer

Ricardo Reis

RR

Ricardo Reis, crente no paganismo, nasceu no Porto a 19 de Setembro de 1887. Estudou num colégio jesuíta e formou-se em Medicina. O facto de ser monárquico obrigou-o a exilar-se no Brasil em 1919, na sequência da rebelião monárquica que se sucedeu no Porto.

Na sua obra, o heterónimo de Fernando Pessoa brinda-nos com um conjunto de máximas, que o próprio traça para a sua vida.

A consciência aguda da passagem inexorável do tempo e a impotência do ser humano para “lutar” contra essa inevitabilidade é um dos assuntos mais abordados na sua poesia.

Esta passagem inevitável do tempo remete-nos para o estoicismo, que é uma filosofia que nos obriga a aceitar e reger a nossa vida pelas leis gerais da natureza e do destino, tal é o caso deste heterónimo que teve a capacidade de perceber a necessidade de nos regermos por tais leis.

Desse modo, podemos considerar que na base da nossa ilha, que é a vida, temos o mar, o nosso destino, do qual não poderemos escapar – “Nem cuidados, porque se os tivesse o rio correria/ E sempre iria ter ao mar”.

Como isto acontece, ou seja, o passar dos nossos dias, o intercalar do dia e da noite, nos levam a rumar em direção à velhice, ao mar, ao destino e por isso à morte, devemos ser capazes de nos distanciar um pouco do destino. Isto é, fazer a nossa ilha pairar, para que assim possamos aproveitar a vida, mas sempre com tranquilidade face ao dia, às paixões, e às alegrias, para que quando a noite, as tristezas, as desilusões chegarem, ficarmos indiferentes a tudo o que nos poderia de alguma forma atormentar.

Assim, devemos ser a palmeira no centro da nossa ilha suspensa, tal como Ricardo Reis o era: o equilíbrio entre o dia e a noite, sermos acima de tudo o presente, mas nunca esquecendo que o futuro acabará por vir e, por fim, termos a sabedoria de gozar e aproveitar esse presente (carpe diem) “Colhe o dia, porque és ele.”

Estamos assim perante mais uma das máximas de Ricardo Reis, o epicurismo, que nos mostra a importância de termos um equilíbrio na nossa vida, sabermos procurar os simples prazeres da vida, mas sem excessos, aprendendo assim a viver cada instante como se fosse o último.

Por fim, podemos então considerar que devemos ser um equilíbrio entre o dia e a noite, isto porque tudo o que o dia nos possa trazer de bom, ao vivermos as coisas com intensidade, quando chega a noite, com ela veem certamente coisas menos boas causadas por essa vivência excessiva Por esse motivo, devemos distanciar-nos tanto das coisas boas como das más, para que possamos viver com tranquilidade a nossa vida efémera.

Rita Carvalha, 12ºA

Fonte da imagem – aqui

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M.C. Escher

M.C. Escher

“Quando olho para mim não me percebo…”! Este excerto (do poema “Quando olho para mim não me percebo”) define de uma forma geral, a complexa vida e experiência de Fernando Pessoa. Nascido num século marcado pela mudança, Pessoa foi alvo de vários obstáculos, através dos quais se fortaleceu, no entanto apenas em questões extrínsecas a si. Será que foi por esta razão, a preocupação pelo outro, que o levou a não encontrar-se, a não definir-se?

O “enigma do ser” tem então um forte peso na mente deste poeta, impossibilitando que este consiga viver a vida. Assim, num tom de ansiedade, como que numa necessidade de afeto, cria em si, para resolver este problema, várias entidades, os heterónimos, uma vez que “…Ser um é cadeia/Ser um é não ser…”[1]. Ter-se-ia acabado a incerteza da sua identidade?

Em um dos seus poemas, intitulado “Não sei quantas almas tenho”, existem excertos que nos transmitem a ideia da perduração da questão do “eu”, como por exemplo “Continuamente me estranho”, “Torno-me eles e não eu”. O primeiro mostra-nos que Pessoa apesar de se ter fragmentado, não conseguiu encontrar-se, tendo ficado preso num caminho sem retorno. O último verso é muito importante pois transmite a ideia de uma ciclicidade e de uma impossibilidade: É ele que se define, ou são os seus heterónimos?

O contínuo pensar desta ideia, fez com que Pessoa, continuasse “preso” em si. A conceptualização de heterónimos criou em Pessoa uma ciclicidade de criação: Pessoa enquanto criador dos heterónimos, mas estes enquanto moldadores da vida de Pessoa. Existe assim um influência mútua de ambas as partes, que consequentemente leva ao desenvolvimento do poeta.

Na imagem podemos encontrar retratado o que foi anteriormente referido. Podemos visualizar duas mãos, onde uma delas poderá representar Fernando Pessoa, e a outra, os heterónimos criados. Assim enquanto uma esboça os heterónimos, a outra complementa o criador. Para além disso podemos atribuir ao cinzento da imagem, o significado da restrição, do não avanço pessoal.

É irónico se pensarmos que apesar de Pessoa não conseguir saber quem é, este é capaz de, detalhadamente, criar uma vida para cada “vontade” sua, ou seja, para um Alberto Caeiro, um Ricardo Reis, um Álvaro de Campos, não se questionando sobre essas.

Chega-se assim à conclusão, que Pessoa ao procurar a sua identidade, perde-a, uma vez que este acaba por estilhaçar a sua alma, que nunca poderá ser recuperada, (“…Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,/E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim…”[2]).

Tiago Coelho, 12ºA

[1] Poema: Sou um evadido – Fernando Pessoa

[2] Poema: Lisbon Revisited  – Álvaro de Campos

Imagem daqui

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