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Posts Tagged ‘Lírica’

Esta imagem simboliza nascimento, representando o criar algo inovador, como este escritor criou. O conjunto de todas essas criações é o universo “pessoano”. O centro desse universo é o ovo inteiro, é Fernando Pessoa, com tudo o que ele inclui e o assombra.

imagem original da autora do texto

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Porquê um ovo? Este ovo é invulgar, diferente de tantos outros, de todos os que habitualmente se vêm. Na realidade um ovo é a primeira célula de um novo ser, tendo, portanto, a capacidade de gerar todos os tipos de células de que esse ser será constituído, designando-se, portanto, célula totipotente. É uma célula que tem tudo, o que lhe tira a identidade própria, a especificidade, apesar de no fundo a ter.

Um ovo no qual surgiu mais do que apenas uma gema, um ser intrinsecamente diferente! Este ovo é uma metáfora de Fernando Pessoa, na medida em que dentro dele surgiu mais do que apenas uma personalidade, diferenciando-o dos restantes artistas. A heteronímia torna-o semelhante a uma célula totipotente e surgiu devido ao fingimento (construção), que ele considera ser a base da poesia e da arte.

Mas o que acontece ao ovo? O que acontece a Fernando Pessoa? O que são exatamente cada um desses poetas por ele criados? Ora, tudo o que surgiu com base no início já existia inicialmente, porém estava tudo junto e indiferenciado. Fernando Pessoa não desaparece, todavia, passa a ser uma entre as inúmeras células (isto é, poetas/personalidades) que dele surgiram. Ele passa então a designar-se por ortónimo e os restantes poetas que dele surgiram são os heterónimos. Este poeta, no seu ovo inicial sem identidade, dividiu-se em dois, e depois em muitos mais, já com especificidade. Assim, criou poetas únicos e distintos, à semelhança das distintas funções desempenhadas por cada tipo de células.

Exteriormente, parece uma pessoa comum, assim como este ovo antes de o quebrar. Porém, ao abrir-se, constata-se que o interior já não é assim tão comum. A quebra do ovo revela o seu interior e representa o momento de quebra da sua personalidade, isto é, quando a sua personalidade muda e passa a comportar-se e a escrever como um dos seus heterónimos. O serrilhado recorte da casca simboliza a sua instabilidade, que é causadora da rutura e também a sua dor. Por sua vez, a parte lisa da casca, que na realidade não é lisa, mas sim porosa, demonstra que mesmo o que à primeira vista parece bem, na realidade, ao observar mais detalhadamente, encontra-se também muita instabilidade.

Cada heterónimo novo que se desenvolve é representado por uma gema, enquanto que a clara é o seu ambiente, o que o alimenta e o faz crescer, ou seja, todas as vivências do escritor, incluindo todo o contexto artístico, cultural e social da sua época.

Este ovo está rodeado de sombras! O poeta está envolto em angústia existencial, dor e infelicidade! Estas sombras representam o conflito da sua alma, sendo o lado negro do universo “pessoano”. Mas mesmo na mais profunda escuridão existe luz, daí a existência de gradações de sombras com diferentes tons, sendo que as mais claras e praticamente inexistentes representam a luz que salva o ortónimo, o seu mestre Alberto Caeiro.

Sonhar com ovos de gema dupla simboliza a descoberta de objetos valiosos que estavam perdidos. Neste caso, representa a valiosa descoberta dos heterónimos de Fernando Pessoa que estavam perdidos dentro dele pois, se existe uma pessoa que tem várias pessoas dentro de si, essa pessoa é Fernando Pessoa!

Esta imagem simboliza nascimento, representando o criar algo inovador, como este escritor criou. O conjunto de todas essas criações é o universo “pessoano”. O centro desse universo é o ovo inteiro, é Fernando Pessoa, com tudo o que ele inclui e o assombra.

Miriam Colaço, 12ºA

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Fecho os olhos e vejo o meu coração …

“To dance before sea and sky”, por Steve Hanks
“To dance before sea and sky”, por Steve Hanks

Dúvidas que pairam, ignorância que sobressai e medos que me embaraçam. Esta realidade que me fez pensar no passado, estabilizar no presente e temer o futuro.

Como uma onda que me deita abaixo e que me deixa sem intenção de me erguer e seguir a minha paixão …

O chão foge-me dos pés e o céu deixa de ser visível – torno-me ignorante ao não querer saber o que se passa na minha vida…

Tento encobrir-me, deixo de acreditar na verdade, naquilo que aparenta ser a minha felicidade. Esforço-me para esconder o óbvio, limito-me a sobreviver, enxugando as lágrimas vindas do mais profundo que há em mim.

Meu refúgio, que é o mar, preserva-me as ilusões e torna-me notável. Manto azul que reflecte o luar, concedo-lhe o meu sonho na esperança que floresça… Que se forme lentamente e um dia seja a minha vida, que vagueie no maior oceano e um dia se transforme no meu destino.

Agora, perdida no seu infinito, sinto que é essencial seguir a minha visão, o meu sonho, que é dançar.

Jamais vou desistir daquilo que um dia me fez existir.

Por fora não, mas por dentro vale a pena sonhar.

Joana Pinto, 10ºB

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Há momentos em que parece que vivo à parte, rodeada de todos e de ninguém, mas, às vezes aparece alguém, lá bem no fundo do horizonte, que chama por mim. Caminho e volto a caminhar sem rumo traçado, apenas ouvindo a melodia daquela voz. Quando lá chego, encontro algo sem traços definidos e sinto-me novamente perdida. Olho melhor, à procura de explorar e só identifico uma mão. Pego nela e deixo-me levar.

Holding_the_world_in_your_hand_by_kristinelarsen

"Holding the world in your hand", por Kristinelarsen

O que quer que aquilo fosse, no caso de ser verdadeiramente alguma coisa, levou-me a descobrir um mundo novo, cheio de cores, de sentimentos, de Alegria! De repente, aquela realidade parou e fez-me olhar em volta. Olhei e olhei mas não via nada… Até que olhei melhor e vi um arco-íris. Fixei o meu olhar naquela imagem e fechei os olhos…Os meus sonhos mais perfeitos, tornaram-se em pesadelos em tonalidades de cinzento. Então, voltei a sentir receio que aquilo voltasse…A vida antes de tudo era uma irrealidade real que me atormentava divinamente todos os dias da minha vida.

Eu sabia que não podia ter receio daquilo. Ou era agora ou nunca. Continuava de olhos fechados e com receio de os abrir e voltar a ver o mesmo que vira durante a minha existência. Será que agora era pior? Ou era apenas a minha imaginação a pairar até ao ínfimo do meu ser e imaginar tudo de um modo pior?

Senti algo a tocar-me e abri os olhos tão repentinamente que me senti tonta, mas ao mesmo tempo bem. Desta vez era um rapaz com os olhos mais delicados e perfeitos que alguma vez tinha visto. Pegou-me na mão e eu sorri. Nesse momento percebi que se torna tão fácil sorrir quando alguém nos pega na mão e nos leva em frente que nem a mais perfeitamente simples gota de água do charco mais longínquo teria sabedoria suficiente para mostrar o contrário. Apercebi-me que o mundo é grande, mas só para quem perdeu algo na outra ponta. É grande para quem continua à espera. É grande para quem vê a distância com os olhos, e não com o coração. E um olhar parece ser tanto, quando tantos olhares nos separam de onde o nosso coração está. Para mim, um olhar é tudo.

Por vezes procuramos aprender a ser grandes quando ainda somos pequeninos e depois, quando crescemos, vimos que não brincámos o suficiente, que não chorámos o suficiente, que não ouvimos o suficiente… E portamo-nos como crianças, choramos mais e mais pelo que devíamos ter chorado e ouvimos os conselhos dos outros com atenção. Apercebemo-nos então que era assim que devia ser: devíamo-nos sentir culpados por não ter brincado demais e brincar com os sentimentos dos outros, depois choraríamos por isso e escutaríamos com atenção o pedido de desculpas e ficaríamos felizes por isso.

Sou feliz assim, depois de tantas lágrimas, tantos arco-íris, tantos insultos e tantas desculpas? Só o tempo o dirá.

Ana Rita, 10ºB

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love bookAmor é como um livro de 500 páginas – a partir do momento em que começamos a lê-lo não conseguimos parar. Não é, porém, como aqueles livros que se “devoram” numa  noite, mas sim um daqueles que se lêem por capítulos, começando por:

1ºCapítulo, Sensação
2ºCapítulo, Sentimento
3ºCapítulo, Atracção
4ºCapítulo, Paixão
5ºCapítulo, Amor
E, por fim, o 6º capítulo, que depende de “leitor” para “leitor”, o fim de tudo ou o início de algo mais sério.

Mas falemos então do dito “livro” do amor…
Bem, no 1ºcapítulo temos uma “personagem” que tem uma mera sensação por uma outra “personagem”: à medida que o tempo passa, a sensação transforma-se num sentimento, começando o 2º capítulo, onde nos apercebemos que esse sentimento cresce a cada dia que passa, passando para a atracção, iniciando-se assim o 3º capítulo. Essa atracção não é atracção física, mas sim atracção pelo que a “personagem” é, não pela sua aparência.
Ao fim de umas quantas “páginas”, percebemos que essa atracção era mútua, ambas as “personagens” a sentiam e, com estas revelações, passamos directamente para o 4º capítulo, onde as “personagens” começam a namorar e descobrem que se amam profundamente, quando aquela paixão cresce até ao topo de tudo, ou seja, estamos no 5ºcapítulo… sem nos apercebermos, já lá chegámos…
E lá chegamos ao 6º capítulo… mas agora não poderei resumir mais este livro, pois a partir de agora tudo depende do “leitor” e da sua decisão: se ele escolhe acabar por aqui ou se quer algo mais.
A decisão está nas mãos e no coração de cada um …

Mafalda Teixeira, 10ºB

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