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Posts Tagged ‘Escrita’

No dia 29 de janeiro de 2020, decorreu na ESDS a Oficina de Escrita criativa orientada pelo escritor David Machado. Tratou-se de uma iniciativa enquadrada no Festival READ ON, projeto cofinanciado pelo programa Europa Criativa, da União Europeia, a decorrer em Almada. A oficina de escrita foi dirigida sobretudo a jovens do ensino secundário e nela se inscreveram alunos de diversas turmas de 11º e 12º anos.

O laboratório de escrita criativa decorreu em três fases: um primeiro momento de reflexão/debate sobre a importância da literatura, do ato de escrita e da função das histórias e das narrativas na nossa vida social e pessoal. Nesta fase inicial, o testemunho de David Machado e o seu diálogo com os alunos foi muito importante para clarificar e concretizar o que é o ofício de escritor e o processo de escrita.

O segundo momento aconteceu já à mesa de trabalho e correspondeu a um brainstorming que levou os alunos a esboçarem uma história multicéfala mas coesa. Cada ideia um caminho novo para uma narrativa que teria de ser verosímil, cada pormenor teria de justificar a sua própria existência e nunca defraudar o leitor. Sob o olhar técnico e arguto do escritor David Machado, os alunos tiveram oportunidade de perceber que numa história nada está ao acaso. O estado de vigilância tem de ser permanente, inclusivamente, para evitar preconceitos e clichés que navegam nas ideias e que poderão contaminar a criatividade da escrita. Foi um momento muito divertido e enriquecedor do processo de criação de texto.

Depois do exercício de oralidade, que “aqueceu” a imaginação do grupo, veio o terceiro momento. Nesta fase, os alunos foram convidados a iniciar o processo de escrita criativa da sua história. Um processo solitário de redação de uma história individual que partiu de uma ideia original de cada aluno Cada um dos 15 textos deveria integrar no seu enredo o tema Green Revolution – Revolução Verde.

Os resultados foram muito interessantes e, apesar de não ter sido possível a David Machado comentar a construção de todos os textos, as suas observações foram muito úteis para o coletivo. Incidiram sobre o modo como cada narrativa consegue “agarrar” o leitor, o modo como se ganha ou perde o leitor a partir de situações ou frases que quebram o encantamento da história no imaginário de quem a lê. Ouviram-se fragmentos de histórias. Narrativas inesperadas, puras, tocadas pela magia das primeiras escritas criativas.

O trabalho de criação continuou em casa. Mas aqui, na escola, os alunos envolveram-se realmente na experiência e no final da oficina tinham ainda mais dúvidas a esclarecer e perguntas a fazer a David Machado, que sempre disponível partilhou a sua experiência literária.

A Biblioteca da ESDS agradece a todo o grupo de alunos envolvidos, bem como a todas as professoras que colaboraram na divulgação da iniciativa.

Um agradecimento muito especial ao escritor David Machado pela sua partilha de experiência e pelo conhecimento que nos transmitiu. Próximo encontro: Festival Read On – Concurso de Escrita Criativa.

Dulce Sousa

(Prof. Bibliotecária ESDS/AEDS)

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Escolhi este quadro do pintor Carlos Botelho, autor influenciado pelo modernismo, corrente artística marcada pela quebra dos padrões tradicionais.

Nesta obra está representado Fernando Pessoa. Observando o quadro, é notória a utilização de apenas três cores: vermelho, branco e preto. Por um lado, esta simplicidade cromática retrata a vida modesta e despojada do poeta. Por outro, contrasta com a complexidade da sua ideologia e reflexões.

Tendo esta obra sido produzida no Modernismo, é possível reconhecer algumas características representativas desse período, como é o caso da velocidade: as pinceladas rápidas e soltas dão uma sensação de movimento feroz. Este movimento poderá ser metafórico, estando associado à inquietação e desassossego do estado de espírito do próprio Fernando Pessoa.

A sensação de movimento foi também representada nesta obra pela pouca delimitação do rosto do poeta. Para além da ideia de movimento, o facto de o rosto não estar bem nítido, com linhas definidas, sugere a incerteza do poeta acerca da própria identidade. Fernando Pessoa não sabia quem era: Não sei quem sou, que alma tenho.[1]

O poeta sentia que era “vários” ao mesmo tempo, criando os tão conhecidos heterónimos (desdobramento da sua personalidade), levando-o a sentir o mundo e a poesia de diferentes modos, destacando-se Álvaro de Campos, engenheiro pessimista com o gosto pelo progresso, mas angustiado com o presente – Não sou nada./Nunca serei nada./Não posso querer ser nada [2]Alberto Caeiro, apaixonado pela Natureza – Além disso, fui o único poeta da Natureza [3] e Ricardo Reis, que gosta da simplicidade tradicional – Segue o teu destino,/Rega as tuas plantas,/Ama as tuas rosas.[4]

Assim, pode concluir-se que a imagem não representa um só indivíduo, mas antes, a reunião em si de todos os aspetos da extensa obra e da grande personalidade que foi Fernando Pessoa.

 

 Sara Boisseau, 12ºB

 

  • [1]  “Não sei quem sou, que alma tenho”, Fernando Pessoa
  • [2]Tabacaria”, Álvaro de Campos
  • [3]Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia”, Alberto Caeiro
  • [4] “Segue o teu destino”, Ricardo Reis

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Abrimos a “caixa dos sonhos” e fomos ver que bibliotecas haviam sonhado os nossos alunos ao longo do mês de outubro. Em breve publicaremos os melhores textos do 3º Ciclo e do Secundário.

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Destino, que pecado foi o meu ?

Eu era feliz. Durante toda a minha vida sempre cantei e amei, porém, todo este doce canto se converteu em lágrimas e em choro. Amei, cantei mas perseguido pelo Destino e pela Má Fortuna, também sofri. Confesso que este sofrimento também foi causado pelos meus Erros, pois levei algum tempo a perceber, que o “ Amor é um fogo que arde sem se ver “, sofrendo muitas das vezes a tentar definir o que é o Amor.

camõesSempre fui um Homem muito propenso às paixões amorosas, porém, talvez devido à ironia do destino, sempre se trataram de amadas ilustres de uma beleza suprema conotada com uma harmonia e um equilíbrio que lhe conferem uma beleza celestial e caráter superior, e por isso , infelizmente para mim, durante toda a minha vida tive de lidar com amores impossíveis.

Ao longo da minha vida também vivi sempre com a fama de boémio e rufião e por isso deixaram-me um pouco de parte. Fiquei sempre muito entristecido e frustrado pois todas as minhas obras me levaram a um grande esforço e inspiração, mas confesso que fui incompreendido pela sociedade e isto sempre me causou indignação.

                                                                                                             Assinado: Luís de Camões

Duarte Almeida, 10ºF

imagem daqui

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1507-1No conto “A Aia”, de Eça de Queirós, a Aia troca de berço o principezinho e o escravozinho (seu filho), acabando este por ser morto, e ela, por se suicidar.

Na minha opinião, o que a Aia fez foi de grande coragem e lealdade ao reino, pois não é toda a gente que sacrificaria o seu próprio filho para salvar o herdeiro do trono, mas, apesar disso, eu não concordo com a troca de bebés. Se eu estivesse no lugar da Aia, provavelmente teria fugido com as duas crianças. Sim, eu estaria a trair o reino, mas a meu ver, uma vida vale muito mais do que tudo isso, e se fosse necessário, abdicaria da minha própria vida para salvar a vida dos dois.

Tendo em conta a troca dos bebés, é normal que a Aia se sentisse culpada daquilo que tinha feito, porque tecnicamente, foi ela que matou o próprio filho. Assim que a Aia colocou o seu filho no berço do príncipe, ele ficou com a morte garantida.

Portanto, eu entendo que a Aia se tenha suicidado, pois a coisa mais preciosa que ela tinha era o seu filho, mas ele foi morto. Então, ela perdeu a vontade de viver e, com o sentimento de culpa, acabou por tirar a sua própria vida.

Ana Bárbara Gomes Rodrigues, 9.º B

A meu ver, a atitude da Aia, ao trocar os dois bebés, o príncipe e o escravo, não foi correta, nem o acontecimento que lhe sucedeu, que foi o suicídio da aia com o punhal de esmeraldas.

Acerca da troca de bebés, não concordo pois penso que ninguém tem o direito de escolher quem vive e quem morre, independentemente da classe social. Para além disso, na minha opinião, o amor de mãe deve ser superior a qualquer outro sentimento, como por exemplo, a lealdade. Um dos deveres da mãe deve ser o de proteger o filho.

Em relação ao suicídio, julgo que a Aia não agiu corretamente pois, como já referi anteriormente, ninguém tem o direito de escolher quem vive e quem morre, mesmo quando se trata da nossa própria vida. Do meu ponto de vista, o suicídio é um ato de cobardia. A aia suicidou-se pois não conseguia viver com as consequências da sua escolha.

Concluo, baseando-me nos argumentos por mim apresentados anteriormente, que não foi correta a atitude, da aia, de trocar os dois bebés de berço nem o seu consequente suicídio.

Tomás Silva, 9.ºB

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Eu não concordo com as atitudes da aia.

Não concordo com ela, porque, em vez de pôr o filho à frente de tudo e todos, quis proteger o filho da rainha, para o reino não desmoronar.

A meu ver, a aia nunca devia ter posto a vida do seu próprio filho à frente dos interesses do reino, pois afinal de contas, a aia era uma simples empregada que prestava os seus serviços ao reino.

Em relação ao suicídio, penso que a aia tomou a decisão errada, porque se ela, no início, colocava o reino à frente do seu pequeno “chocolatinho”, logo a seguir, ela espeta aquele punhal de esmeraldas no peito, ou seja, primeiro, queria salvar o reino do tio bastardo, mas depois, deixa o reino desfalcado, sem uma das suas mais leais empregadas. Na minha opinião, ela foi má para o filho e acabou por não ajudar assim tanto o reino.

Pelas razões supracitadas, condeno as atitudes da aia.

Tiago Fernandes, 9ºB

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Penso que o fim do conto “A Aia” foi demasiado dramático ou, por outras palavras, triste.

 Julgo que não era necessário a Aia morrer no fim, pois como já li vários textos, desde livros, banda desenhada, entre outros, esse tipo de final é aquilo a que chamamos de “cliché”. Quantas histórias já eu li que acabam assim! A meu ver, a Aia devia ser uma mulher jovem, por isso poderia ter tido mais filhos. Do meu ponto de vista, a Aia devia ter fugido com o seu filho e com o príncipe. Por muito leal que a Aia fosse, estar a sacrificar sangue do seu sangue é um pouco extremo, para mim.

Mas no fim de tudo, acho que o final é também adequado, pois a Aia salvou o seu príncipe, ao trocar os dois bebés de berço, e após isso, como ela acreditava na vida após a morte, matou-se para ir ter com o filho.

Sara Trigo, 9°B

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folheto informativo com o regulamento       ficha-de-inscricao    site

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a tfNum quadro do século XV em que se encontra representada uma partida de xadrez entre o duque de Ostenburgo e o seu cavaleiro, sob o olhar atento de uma misteriosa dama, um velho mestre flamengo escondeu uma mensagem, em latim, com a interrogação “Quem matou o cavaleiro?”.

 Quinhentos anos depois, Julia, uma restauradora de arte, descobre a mensagem escondida, o que a compele a resolver esse enigma, auxiliada por um antiquário e por um peculiar jogador de xadrez. Apesar de o resolverem, o mistério não termina, pois Julia recebe a proposta anónima de continuar o jogo de xadrez representado no quadro. À medida que se vai desenrolando, o perfil do misterioso adversário vai sendo descoberto, o que vai culminar na surpreendente mas simultaneamente previsível revelação da sua identidade. Reconheço que me agradou a leitura desta obra de Pérez-Reverte, especialmente devido à mistura de mistério com táticas de xadrez. A junção de factos com ficção também foi uma característica que apreciei, nomeadamente no que concerne o pintor e o quadro referidos no texto.

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“A partida de xadrez”, Peter Van Huys

A linguagem é simples, sem recurso a vocabulário específico da área da arte ou do xadrez, o que permite ao público da minha faixa etária compreender facilmente o fio condutor da história.

 Por fim, devo referir que a obra peca um pouco pelo seu final ligeiramente previsível, devido a certos detalhes presentes no texto que não escapam ao olhar do leitor mais atento. Contudo, isto não impediu o livro de me surpreender, chegando a fazer-me temer pela vida da protagonista. Acrescento ainda que a reviravolta no final me fez lembrar (merecidamente ou não) dos livros de Agatha Christie.

Tomás Noválio, 10ºB

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as alunas vencedoras com os livros-prémio

No passado mês de novembro, no âmbito da disciplina de português e em colaboração com a Biblioteca, a turma B do 8.º ano foi desafiada a criar um texto acompanhado de uma ilustração e inspirado na obra O Principezinho, de Saint-Exupéry. Efetivamente, a partir da frase sugestiva “Um dia, encontrei o principezinho e ele pediu-me para desenhar uma ovelha”, os alunos deram asas à imaginação e, em grupo, elaboraram o texto, tendo a ilustração sido feita individualmente. O grupo detentor do melhor texto incluiu as alunas Ana Rodrigues, Jéssica Cristas, Marta Araújo e Sara Trigo. Ana Rodrigues é também a autora da melhor ilustração. Parabéns às alunas.

Rosa Silva

(professora de português)

Um dia, encontrei o Principezinho e ele pediu-me para desenhar uma ovelha…

Um dia, encontrei o Principezinho e ele pediu-me para desenhar uma ovelha. Eu fiquei espantada com aquele rosto branco como a neve, aqueles olhos azuis como o céu e com aqueles cabelos de ouro. Não hesitando, perguntei-lhe:

− O que é que uma criança faz sozinha no campo?

− Eu vim de outro planeta e acabei por chegar aqui. – respondeu-me.

− Mas tu nunca viste uma ovelha? – indaguei.

− Não. Queria muito saber como elas são, pois no meu planeta só tenho a companhia da minha querida flor, que é tão resmungona! Por vezes, parece que sou apenas o seu criado, mas a sua companhia é tudo para mim. – disse-me o menino, emocionado.

− Não há mais ninguém no teu planeta para além de ti e da tua flor? – perguntei.

− Não! Sou só eu e ela! Mas voltando ao início, desenhas-me uma ovelha? – insistiu.

− Para quê desenhar uma ovelha se te posso mostrar uma? – respondi, sorrindo.

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Ilustração de Ana Bárbara Rodrigues

Começámos a andar pelos campos e íamos conversando, enquanto eu lhe ia mostrando as ovelhas e os outros animais. Nesse verão, eu e ele acabámos por nos tornar grandes amigos. E ele chegou mesmo a mudar-se para a minha casa. Integrou-se muito facilmente na família, tornando-se mais um dos meus irmãos.

Com o passar dos anos, os trabalhos da escola iam aumentando, e eu já não tinha tempo para brincar com ele. Ele ainda passou alguns anos com os meus irmãos, até que eles começaram também a crescer.

Passados cinco anos, fomos celebrar o dia da chegada do Principezinho, mas ele não saía do quarto, nem queria abrir a porta a ninguém. Então, fui perguntar à mãe:

− Que se passa com o Principezinho? Costuma estar sempre tão animado neste dia de festa!

− Não sei, mas há já um ano que ele tem estado sempre fechado no quarto, exceto quando tu chegas! − explicou a mãe.

− Vou ver se consigo conversar com ele! – respondi, enquanto me dirigia para o quarto do Principezinho.

Pareceu-me ouvir um choro de criança e, preocupada, bati à sua porta.

− Principezinho, posso entrar?

− Tens tempo para mim? Entra, a porta está aberta. – respondeu entre soluços.

Ao entrar, reparei no seu rosto inundado de lágrimas. Estava brilhante como o vidro da janela do meu quarto em dia de chuva. Inquieta, continuei a fazer-lhe perguntas, para perceber o que se passava com ele.

− Que se passa? Por que é que estás a chorar?

− Diz-me, o que vês neste desenho? – perguntou-me, mostrando um desenho parecido com um chapéu.

− Está-se mesmo a ver que é um chapéu! – respondi prontamente.

− Não! Já és como os adultos! Há cinco anos, respondeste bem, ao dizeres que era uma jiboia que tinha engolido um elefante! – afirmou o Principezinho, deixando transparecer a sua desilusão.

Neste momento, sentei-me a seu lado na cama e coloquei a minha mão sobre a sua. Percebi aonde queria chegar.

− Desculpa, Principezinho, mas foi a primeira coisa que me veio à cabeça! Não quero que fiques triste comigo!

− Não percebes?! Eu não estou triste contigo, mas já não és o que eras! És uma adulta! Já não me percebes! Não tens tempo para mim! – disse, continuando a chorar.

− Eu nunca quis deixar de ter tempo para ti, mas a escola não me permite outra coisa! Os trabalhos aumentam e o tempo diminui… Não tenho culpa de ter que crescer e amadurecer… É algo que não posso evitar! Todos nós vamos perdendo o sabor dos sorrisos e das brincadeiras de crianças, com o passar do tempo. Vamos perdendo aquela inocência e sensibilidade nos nossos corações, que são próprias das crianças, até ao ponto em que deixamos de ter imaginação. O coração fecha-se e não nos deixa sorrir! – disse-lhe, com as lágrimas a descerem–me pelo rosto.

− Mas não há forma de voltares a ser criança? – perguntou o menino, esperançado.

− Não, desculpa! Qualquer dia, vais ficar sem ninguém para brincar aqui em casa. Também os meus irmãos irão crescer, irão envelhecer e tu acabarás só…

O Principezinho, quando percebeu que ia ver as pessoas de quem mais gostava a envelhecerem e a tornarem-se adultas, tomou uma decisão. Para não sofrer, decidiu regressar ao seu planeta, para junto da sua flor. Não poderia permitir que a tristeza lhe escurecesse o coração! Nunca abandonaria o seu coração de criança!

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Ilustração de Jéssica Cristas

 Ana Rodrigues, Jéssica Cristas, Marta Araújo e Sara Trigo, 8.º B

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uma aventura literária (mais…)

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Era uma vez o Convento de Mafra. Era uma vez a Pedra. Era uma vez o Memorial…

No dia quatro do mês de março embarquei numa viagem com os meus colegas e professores rumo à descoberta do Convento e Palácio Nacional de Mafra.

Quando estávamos a passar, de autocarro, pelo Terreiro do Convento, fiquei desde logo deslumbrado com a imponência do monumento, com o comprimento e altura da sua fachada principal, com os conjuntos de carrilhões, com a majestosidade e elegância, transmitidas não só pelas dimensões megalómanas do Convento, mas também pelos ricos ornamentos e decorações em pedra. Mais tarde, e já durante a visita ao interior da basílica, a guia forneceu-me os números que comprovam a grandiosidade desta obra: a capacidade para trezentos frades, os dois carrilhões compostos por um total de noventa e oito sinos e um peso total de duzentas toneladas, a área total de quarenta mil metros quadrados… Com base nas primeiras impressões e nestes números, rapidamente concluí que se este convento seria difícil de erguer, mesmo com recurso às tecnologias e técnicas de construção existentes atualmente, então os operários que o fizeram em pleno século XVIII, recorrendo a ferramentas e materiais de construção rudimentares, alcançaram um feito sobre-humano.

Contudo, eu já tinha uma ideia de como seria o Convento, não só por o ter visitado quando era criança, mas principalmente porque li recentemente a obra “Memorial do Convento”, do Prémio Nobel Português da Literatura José Saramago.

No “Memorial do Convento”, Saramago serve-se do pretexto de homenagear o Convento para denunciar as más práticas da sociedade do século XVIII e transpor essa crítica para a sociedade atual, pelo que não seria de estranhar que as referências a este convento ao longo do romance fossem escassas. Porém, este monumento é o centro dessa crítica social. Através dos episódios relacionados com o Convento de Mafra presentes no Memorial, como o da sua edificação, o do transporte da pedra Benedictione desde Pero Pinheiro até à vila de Mafra, a recolha forçada de operários por parte do exército para as obras do convento e os momentos passados por esses trabalhadores na Ilha da Madeira, Saramago expõe o luxo, ostentação e luxúria do Clero e do Rei, a pobreza extrema em que vivia o povo e as crueldades praticadas pelos mais poderosos sobre os mais fracos, o povo. No meu entender, a colocação das passagens que remetem para o Convento no Memorial foi bem idealizada por Saramago, pois fortalece esta crítica que era o seu objetivo principal.

Durante esta visita, pude também confirmar o que já suspeitava desde que comecei a ler o “Memorial do Convento”: José Saramago, antes de escrever este romance, levou a cabo uma investigação exaustiva, visitando por diversas vezes o Convento e consultando manuscritos na Biblioteca Nacional de Mafra, chegando até a morar nesta vila por curtos períodos de tempo. O rigor e a precisão de algumas passagens que se enquadram no plano da História fizeram-me colocar a hipótese de tal trabalho de investigação ter sido levado a cabo. A meu ver, a pesquisa revelou-se uma ferramenta bastante importante na construção da narrativa, na medida em que a dotou de uma credibilidade sólida e provocou uma interligação tão harmoniosa entre a dimensão histórica e a ficcional que o leitor é “iludido”, como eu fui, julgando tratar-se apenas de uma dimensão una.

O único aspeto que me “dececionou” foi a pedra da varanda. Trazida desde Pero Pinheiro por caminhos estreitos, inclinados e repletos de curvas apertadas, numa operação que envolveu duzentas juntas de bois e seiscentos homens, tendo custado a vida a um deles, Francisco Marques, foi a partir dela que se construiu a varanda do Rei. Por ter lido a narração dessa operação, por saber que a pedra tinha até um nome próprio, Benedictione, e que tinha o peso assombroso de trinta e um mil quilogramas, estava a contar com uma varanda que dominasse toda a fachada principal do Convento. Apesar de ter sido avisado pela professora de Português e por Baltasar Sete-Sóis, quando cheguei à entrada do Convento, deparei-me com uma varanda que, apesar de estar ricamente decorada, se enquadrava de forma subtil no monumento, sem fazer jus à grande empreitada que foi trazê-la de Pero Pinheiro. Mas depois, tomei consciência que Saramago procurou, com este episódio, enaltecer o herói coletivo do Memorial, o povo e, em simultâneo, criticar as excentricidades das classes altas, que só para terem uma varanda de pedra única obrigam os mais humildes a colocar em risco as suas vidas.

O balanço final desta visita de estudo é bastante positivo, na medida em que esta me permitiu conhecer o Convento Nacional de Mafra, um grande marco do património nacional, e comparar essa realidade com a ideia a priori que tinha deste monumento, concebida durante a leitura do “Memorial do Convento”!

André Boisseau, 12ºB

José Santa-Bárbara, Biblioteca Saramago, Lanzarote

José Santa-Bárbara, Biblioteca Saramago, Lanzarote

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 A Pedra e a Palavra: a realidade do Memorial do Convento

Não é todos os dias que se nos apresenta a oportunidade de criar uma ligação física a um dos livros que lemos. No mundo da ficção acabamos por estar conectados com uma história apenas pelo que a nossa imaginação consegue produzir. No entanto, no Memorial do Convento temos um marco da época em que a história decorre, o fabuloso Convento de Mafra, que nos leva até ao século XVIII numa viagem bastante peculiar.

Atualmente, o Convento é um grande monumento de pedra, algo real e palpável mas há 3 séculos, no reinado de João V, este era apenas uma ideia. O casamento real não gerava herdeiros e a Inquisição condenava inocentes nos autos-de-fé. Tudo isto são factos e elementos presentes na obra. Mas o Memorial não é apenas não-ficção, Saramago não nos mostra apenas os factos – mostra, a par destes, algo novo e para além da simples verdade. Aqui entra a ficção: a história de Blimunda e Baltasar e da Passarola; a história de uma mulher que vê as pessoas por dentro e bem como as suas vontades; a história de uma sociedade cega e de um país mergulhado no absolutismo; uma história, por um lado nova e por outro, familiar.

José Santa-Bárbara, Biblioteca Saramago, Lanzarote

José Santa-Bárbara, Biblioteca Saramago, Lanzarote

A “pedra” surge então como uma máquina do tempo muito especial – a pedra fria e dura do convento leva-nos não só 300 anos em direção ao passado, mas também às nossas personagens, à vida daqueles que existiram e daqueles que não existiram, aos erros cometidos na altura e que continuam a atormentar o nosso dia-a-dia; a pedra leva-nos à palavra escrita pelo autor e às palavras da História de Portugal. O Convento de Mafra mostra-nos, então, que o Memorial é mais do que aquilo que parece – a ficção funde-se com a realidade e as pedras lustrosas do monumento refletem os nossos erros e a nossa hipocrisia.

Por outro lado, depois de passear pelos corredores do edifício, não é difícil de imaginar aqueles que construíram tão grandioso monumento. A partir daí, também não será grande desafio visualizar um desses trabalhadores, maneta da mão esquerda, usando um gancho para o ajudar no seu trabalho. Quando olhamos para o céu vemos um pássaro – mas será mesmo um pássaro? Começamos a duvidar dos nossos olhos e a tal ave vai parecendo cada vez mais uma máquina – talvez fosse mesmo a Passarola. Vai tão alto que poderia enganar qualquer um.

É isto que o Convento nos proporciona – uma recordação material de uma obra de ficção literária, a marca deixada por todas as personagens que fomos conhecendo ao longo da obra e que contribuíram para fazer daquele projecto algo grandioso e tangível. Estas pessoas, umas anónimas, outras cujo nome recordaremos durante muito tempo, ganham vida para além dos factos e da ficção. É em Mafra que o Memorial do Convento passa de uma obra conceituada a uma realidade alternativa, mais mágica do que a nossa mas, ao mesmo tempo, estranhamente semelhante. Afinal de contas, o povo ainda festeja nas touradas.

Joana Martins, 12ºB

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No âmbito da análise de um excerto do Diário de Anne Frank nas aulas de Português do 8ºAno da prof. Rosa Silva, os alunos experimentaram escrever as páginas dos seus próprios diários, mais ou menos influenciados pela célebre diarista, morta há 70 anos no campo de concentração de Bergen-Belsen.

páginas do diário de Anne Frank

páginas do diário de Anne Frank

Quinta-feira, 7 de agosto 2014

Querido Diário,

Hoje, vou-me embora de Berlim, em direção a Bad Prymont. Estou muito feliz e entusiasmada, pois no caminho vamos passar por um campo de concentração muito perto de Berlim, e Bad Prymont foi onde o meu pai cresceu.

Mais ou menos às 10h, cheguei ao campo, onde à entrada havia um museu muito pequeno, com fotos do campo na altura da guerra, e também tinha os uniformes dos prisioneiros dos campos, que eram às riscas brancas e azuis. Quando entrei, tudo pareceu ficar mais cinzento. O campo era triangular, e o guia que nos acompanhava explicou que, assim, os guardas que estavam nas torres, que se situavam em três pontas do campo, conseguiam observar cada passo dos prisioneiros. O chão do campo tinha diferentes tipos de solo, que serviam para torturar os prisioneiros, ao calçarem umas botas e ficarem a andar de um lado para o outro durante horas, e só paravam quando a sola das botas já não existisse.

Quando entrei nos dormitórios, vi pelo menos uma centena de camas, mas segundo o guia, ficavam lá pelo menos duas ou três centenas de pessoas, que dormiam umas em cima das outras. A coisa mais triste e deprimente no campo foi quando fui ao local onde eles queimavam os corpos, e mesmo passado setenta anos após a guerra, aquele sítio tinha um cheiro horrível, e ainda piorou quando fui a um local onde faziam experiências nos prisioneiros.

Enfim, foi muito triste. Agora, vou de viagem para Bad Prymont. Conto-te mais novidades amanhã.

Inês

Inês Ribeiro, 8.º B

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diárioPortugal, 1 de janeiro 2015

 Querido Diário,

Feliz Ano Novo! Ontem, dia 31, era 2014, mas hoje é o primeiro dia de 2015!

Bem… Vou-te contar como foi o meu último dia de 2014.

Tudo começou às 9h00 da manhã. Tanta agitação! Bolos para aqui, bolos para ali… a família começava a chegar, e ainda havia tanta coisa por fazer: arrumar a casa, lavar a loiça, pôr a mesa… Ufa! Tanta coisa! Quinze pratos, quinze facas, quinze garfos, quinze copos… e só duas mãos! Tenho de ser sempre eu! Quando é para comprar presentes, nunca se lembram de mim, no entanto somos seis crianças, e só se lembram da Raquel para pôr a mesa! Que chatice! Um dia vou ser eu a mandar e vou distribuir tarefas…

Enfim… finalmente, o jantar! Ah! Tanto esforço compensou! Um bom bife com batatas fritas e arroz para satisfazer a minha barriga. Vem aí a sobremesa! Que delícia! Nas festas, engordo uns dez quilos! Tanta coisa boa, que nem sei o que escolher. Há sempre muitos jogos para fazer em família e passar o tempo.

OMG! Falta um minuto! Como se diz, “ano novo, vida nova”, no entanto vou continuar a escrever em ti!

10…9…8…7…6…5…4…3…2…1! Feliz Ano Novo! Muitos beijinhos, da tua querida

Raquel

PS: Que este ano tenha muitas coisas boas para te contar. Espero que tenhas entrado com a “folha” direita.

Raquel Fonseca,  8.º B

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Sobreda, 8 de setembro de 2013

Querido diário,

Hoje, acordei super bem-disposta. Tive uma noite descansada e por isso decidi contar-te como correu o meu dia, de uma forma especial, de uma forma diferente, porque faço anos.

Já faço 12 anos, idade para ter juízo, não achas?

Como sabes, os meus dias são sempre os mesmos, as rotinas são sempre iguais. Tenho o cuidado de te manter informado!Girl_Writing_in_Diary_Blog

Acordo cedo, de manhã, tomo o pequeno-almoço, despacho-me e vou para a escola.

Uff! Sabes o que me safou? Estar de férias.

Apesar de hoje ser sábado, é uma sensação ótima estar de férias, e tu devias saber isso, pois estás sempre no teu cantinho! Quem me dera ser como tu!

Mas o motivo da minha satisfação é o meu aniversário ter calhado num fim de semana, porque apesar de eu estar de férias, os meus familiares trabalham. Por esse motivo, no fim de semana, há mais probabilidades de estar com eles.

Agora, que já te contei algumas coisas que não têm muito a ver com o meu dia, vamos ao que interessa…Estou super feliz, pois o meu pai levou-me à Kidzânia, no Dolce Vita, em Lisboa. Há tanto tempo que lhe pedia para lá ir! Finalmente, hoje, fui!

Foi uma experiência incrível! Não sei se estás a ver, a Kidzânia é como se fosse um mundo como o nosso, mas dentro de um avião gigante! Lá dentro, há várias profissões. Experimentei várias, mas a de que mais gostei foi, sem dúvida, fazer de piloto no avião! Senti-me verdadeiramente uma condutora! O meu pai fez de passageiro. Quando o vi, fiquei pasmada e completamente envergonhada, porque ia ler um aviso antes de levantarmos voo. Foi brutal!

Uma experiência que espero repetir por muitos mais anos. Adorei!

Um beijinho da tua querida Joana!

Joana Batista, 8.º C

imagens daqui, daqui e daqui

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relogio2Muitas vezes, ao longo do dia, perdemos alguns segundos a ver as horas: quanto falta para a aula de português acabar; para saber se o autocarro daquela carreira rotineira já passou; quantas horas teremos de sono. Enfim, são inúmeras as ocasiões em que perdemos tempo preocupando-nos com o tempo.

Dispensando agora um pouco do nosso tempo para falar sobre ele, concluímos que a este se pode chamar  ingrato. Ora passa rápido, ora passa devagar. Por exemplo, quando estamos a fazer algo aborrecidos ou contrariados, o tempo vira-se contra nós, demorando a passar. Assim que este nos vê felizes, a fazer algo prazenteiro, parece que faz de propósito e acaba com essa nossa felicidade, fazendo com que essas horas ou minutos pareçam uns míseros milésimos de segundo.artlimited_img330827

Tal como já foi referido, é um ingrato. Resta-nos a nós, submissos ao tempo, tentar manipulá-lo – missão impossível… pois, enquanto tentamos manipulá-lo, ele continua a passar e continuamos a dar-lhe a atenção que não merece, não escondendo o que sentimos.

Por isso, antes que o tempo acabe, devemos ver cada situação do dia a dia de forma positiva, até ao último segundo, antes que este nos tire o pouco tempo que temos.

Filipa Beirão, Joana Carrilho e Micaela Pina, 10º I/J

imagens editadas daqui e daqui

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Nunca me vi nem achei

Fernando Pessoa
(in Não sei quantas almas tenho)

Este verso será, provavelmente, o que melhor ilustra a maneira como Fernando Pessoa via a sua identidade.

Fernando Pessoa era um poeta e, sobretudo, uma pessoa que tinha grandes dificuldades em definir-se enquanto identidade, ou seja, sentia-se “perdido” em si próprio. Encontrava-se constantemente em conflito interior, acabando por se questionar se realmente existia e, se existisse, quem era na realidade.

Esta incapacidade que sentia em autodefinir-se levou Fernando Pessoa a procurar uma solução, isto é, a encontrar uma identidade que o representasse. Deste modo, Pessoa chegou à conclusão que, em vez de criar uma identidade, porque não criar várias identidades que demonstrassem as suas diversas formas de olhar para o mundo, de interpretar o que o rodeava?

Mas até sobre a finalidade das identidades criadas, que se denominam heterónimos, Pessoa não tinha uma ideia definida. Os heterónimos criados serviam tanto para exprimir o que sentia o próprio, como também para exprimir emoções criadas/fingidas por ele, já que ele afirma (no poema Autopsicografia) que o “poeta é um fingidor”.

puzzleAssim, nascem vários heterónimos com estilos de escrita distintos, de entre os quais podemos destacar três que são bastante diferentes entre si: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.

Alberto Caeiro, o mestre, é um heterónimo bastante ligado à natureza e aos cinco sentidos. Para Caeiro, o que importa é o que os seus sentidos conseguem captar, acabando por contemplar o mundo que o rodeia de forma ingénua e objetiva. Assim, Caeiro não pensava no futuro nem no passado, acabando por não dar importância ao que pensava, mas só ao que captava com os seus sentidos.

Ricardo Reis é um heterónimo que vive o presente sem exageros e que tenta aproveitar o momento presente na sua totalidade. Ricardo Reis afirma que não vale a pena viver a vida com grandes exageros, nem ceder às paixões que sente, porque o fim será o mesmo para todas as pessoas, a morte. Deste modo, ao não ceder à paixão que sente, Reis considera que, quando chegar o seu fim, a pessoa amada não irá sentir a tristeza que sentiria caso fossem comprometidos. Tal como Caeiro, Ricardo Reis valoriza a natureza.

Por fim, Álvaro de Campos distingue-se dos outros exemplos por ser um heterónimo que valoriza o mundo contemporâneo e a agitação das cidades. Teve duas fases distintas: a fase futurista onde sente intensamente a agitação das novas invenções que o rodeiam, querendo “ser toda a gente em toda a parte”; e a fase intimista, onde acaba por cair numa angústia, tristeza e deceção, pois apercebe-se que não pode sentir tudo na sua totalidade (“Ah, não ser eu toda a gente em toda a parte!”).

Podemos assim associar Fernando Pessoa e as suas identidades criadas a um puzzle porque, se cada heterónimo criado representar uma peça, estas irão encaixar umas nas outras, pois complementam-se, acabando por formar uma única unidade que representa Fernando Pessoa.

Raquel Cardoso, 12ºA

imagem daqui

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concurso Saramago

‘Quem conta um conto… ao modo de Saramago!?’ lança um desafio aos jovens que queiram ousar a sua primeira experiência de escrita, através da criação de textos originais com inspiração na obra Memorial do Convento, utilizando as competências justas para a produção literária sob a forma narrativa do ‘conto’. SABER +

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amorRealizado no âmbito de uma atividade da turma na aula de Português – Correio Amoroso – a pretexto do S. Valentim e inspirado na lírica camoniana.

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