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1507-1No conto “A Aia”, de Eça de Queirós, a Aia troca de berço o principezinho e o escravozinho (seu filho), acabando este por ser morto, e ela, por se suicidar.

Na minha opinião, o que a Aia fez foi de grande coragem e lealdade ao reino, pois não é toda a gente que sacrificaria o seu próprio filho para salvar o herdeiro do trono, mas, apesar disso, eu não concordo com a troca de bebés. Se eu estivesse no lugar da Aia, provavelmente teria fugido com as duas crianças. Sim, eu estaria a trair o reino, mas a meu ver, uma vida vale muito mais do que tudo isso, e se fosse necessário, abdicaria da minha própria vida para salvar a vida dos dois.

Tendo em conta a troca dos bebés, é normal que a Aia se sentisse culpada daquilo que tinha feito, porque tecnicamente, foi ela que matou o próprio filho. Assim que a Aia colocou o seu filho no berço do príncipe, ele ficou com a morte garantida.

Portanto, eu entendo que a Aia se tenha suicidado, pois a coisa mais preciosa que ela tinha era o seu filho, mas ele foi morto. Então, ela perdeu a vontade de viver e, com o sentimento de culpa, acabou por tirar a sua própria vida.

Ana Bárbara Gomes Rodrigues, 9.º B

A meu ver, a atitude da Aia, ao trocar os dois bebés, o príncipe e o escravo, não foi correta, nem o acontecimento que lhe sucedeu, que foi o suicídio da aia com o punhal de esmeraldas.

Acerca da troca de bebés, não concordo pois penso que ninguém tem o direito de escolher quem vive e quem morre, independentemente da classe social. Para além disso, na minha opinião, o amor de mãe deve ser superior a qualquer outro sentimento, como por exemplo, a lealdade. Um dos deveres da mãe deve ser o de proteger o filho.

Em relação ao suicídio, julgo que a Aia não agiu corretamente pois, como já referi anteriormente, ninguém tem o direito de escolher quem vive e quem morre, mesmo quando se trata da nossa própria vida. Do meu ponto de vista, o suicídio é um ato de cobardia. A aia suicidou-se pois não conseguia viver com as consequências da sua escolha.

Concluo, baseando-me nos argumentos por mim apresentados anteriormente, que não foi correta a atitude, da aia, de trocar os dois bebés de berço nem o seu consequente suicídio.

Tomás Silva, 9.ºB

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Eu não concordo com as atitudes da aia.

Não concordo com ela, porque, em vez de pôr o filho à frente de tudo e todos, quis proteger o filho da rainha, para o reino não desmoronar.

A meu ver, a aia nunca devia ter posto a vida do seu próprio filho à frente dos interesses do reino, pois afinal de contas, a aia era uma simples empregada que prestava os seus serviços ao reino.

Em relação ao suicídio, penso que a aia tomou a decisão errada, porque se ela, no início, colocava o reino à frente do seu pequeno “chocolatinho”, logo a seguir, ela espeta aquele punhal de esmeraldas no peito, ou seja, primeiro, queria salvar o reino do tio bastardo, mas depois, deixa o reino desfalcado, sem uma das suas mais leais empregadas. Na minha opinião, ela foi má para o filho e acabou por não ajudar assim tanto o reino.

Pelas razões supracitadas, condeno as atitudes da aia.

Tiago Fernandes, 9ºB

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Penso que o fim do conto “A Aia” foi demasiado dramático ou, por outras palavras, triste.

 Julgo que não era necessário a Aia morrer no fim, pois como já li vários textos, desde livros, banda desenhada, entre outros, esse tipo de final é aquilo a que chamamos de “cliché”. Quantas histórias já eu li que acabam assim! A meu ver, a Aia devia ser uma mulher jovem, por isso poderia ter tido mais filhos. Do meu ponto de vista, a Aia devia ter fugido com o seu filho e com o príncipe. Por muito leal que a Aia fosse, estar a sacrificar sangue do seu sangue é um pouco extremo, para mim.

Mas no fim de tudo, acho que o final é também adequado, pois a Aia salvou o seu príncipe, ao trocar os dois bebés de berço, e após isso, como ela acreditava na vida após a morte, matou-se para ir ter com o filho.

Sara Trigo, 9°B

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folheto informativo com o regulamento       ficha-de-inscricao    site

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a tfNum quadro do século XV em que se encontra representada uma partida de xadrez entre o duque de Ostenburgo e o seu cavaleiro, sob o olhar atento de uma misteriosa dama, um velho mestre flamengo escondeu uma mensagem, em latim, com a interrogação “Quem matou o cavaleiro?”.

 Quinhentos anos depois, Julia, uma restauradora de arte, descobre a mensagem escondida, o que a compele a resolver esse enigma, auxiliada por um antiquário e por um peculiar jogador de xadrez. Apesar de o resolverem, o mistério não termina, pois Julia recebe a proposta anónima de continuar o jogo de xadrez representado no quadro. À medida que se vai desenrolando, o perfil do misterioso adversário vai sendo descoberto, o que vai culminar na surpreendente mas simultaneamente previsível revelação da sua identidade. Reconheço que me agradou a leitura desta obra de Pérez-Reverte, especialmente devido à mistura de mistério com táticas de xadrez. A junção de factos com ficção também foi uma característica que apreciei, nomeadamente no que concerne o pintor e o quadro referidos no texto.

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“A partida de xadrez”, Peter Van Huys

A linguagem é simples, sem recurso a vocabulário específico da área da arte ou do xadrez, o que permite ao público da minha faixa etária compreender facilmente o fio condutor da história.

 Por fim, devo referir que a obra peca um pouco pelo seu final ligeiramente previsível, devido a certos detalhes presentes no texto que não escapam ao olhar do leitor mais atento. Contudo, isto não impediu o livro de me surpreender, chegando a fazer-me temer pela vida da protagonista. Acrescento ainda que a reviravolta no final me fez lembrar (merecidamente ou não) dos livros de Agatha Christie.

Tomás Noválio, 10ºB

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as alunas vencedoras com os livros-prémio

No passado mês de novembro, no âmbito da disciplina de português e em colaboração com a Biblioteca, a turma B do 8.º ano foi desafiada a criar um texto acompanhado de uma ilustração e inspirado na obra O Principezinho, de Saint-Exupéry. Efetivamente, a partir da frase sugestiva “Um dia, encontrei o principezinho e ele pediu-me para desenhar uma ovelha”, os alunos deram asas à imaginação e, em grupo, elaboraram o texto, tendo a ilustração sido feita individualmente. O grupo detentor do melhor texto incluiu as alunas Ana Rodrigues, Jéssica Cristas, Marta Araújo e Sara Trigo. Ana Rodrigues é também a autora da melhor ilustração. Parabéns às alunas.

Rosa Silva

(professora de português)

Um dia, encontrei o Principezinho e ele pediu-me para desenhar uma ovelha…

Um dia, encontrei o Principezinho e ele pediu-me para desenhar uma ovelha. Eu fiquei espantada com aquele rosto branco como a neve, aqueles olhos azuis como o céu e com aqueles cabelos de ouro. Não hesitando, perguntei-lhe:

− O que é que uma criança faz sozinha no campo?

− Eu vim de outro planeta e acabei por chegar aqui. – respondeu-me.

− Mas tu nunca viste uma ovelha? – indaguei.

− Não. Queria muito saber como elas são, pois no meu planeta só tenho a companhia da minha querida flor, que é tão resmungona! Por vezes, parece que sou apenas o seu criado, mas a sua companhia é tudo para mim. – disse-me o menino, emocionado.

− Não há mais ninguém no teu planeta para além de ti e da tua flor? – perguntei.

− Não! Sou só eu e ela! Mas voltando ao início, desenhas-me uma ovelha? – insistiu.

− Para quê desenhar uma ovelha se te posso mostrar uma? – respondi, sorrindo.

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Ilustração de Ana Bárbara Rodrigues

Começámos a andar pelos campos e íamos conversando, enquanto eu lhe ia mostrando as ovelhas e os outros animais. Nesse verão, eu e ele acabámos por nos tornar grandes amigos. E ele chegou mesmo a mudar-se para a minha casa. Integrou-se muito facilmente na família, tornando-se mais um dos meus irmãos.

Com o passar dos anos, os trabalhos da escola iam aumentando, e eu já não tinha tempo para brincar com ele. Ele ainda passou alguns anos com os meus irmãos, até que eles começaram também a crescer.

Passados cinco anos, fomos celebrar o dia da chegada do Principezinho, mas ele não saía do quarto, nem queria abrir a porta a ninguém. Então, fui perguntar à mãe:

− Que se passa com o Principezinho? Costuma estar sempre tão animado neste dia de festa!

− Não sei, mas há já um ano que ele tem estado sempre fechado no quarto, exceto quando tu chegas! − explicou a mãe.

− Vou ver se consigo conversar com ele! – respondi, enquanto me dirigia para o quarto do Principezinho.

Pareceu-me ouvir um choro de criança e, preocupada, bati à sua porta.

− Principezinho, posso entrar?

− Tens tempo para mim? Entra, a porta está aberta. – respondeu entre soluços.

Ao entrar, reparei no seu rosto inundado de lágrimas. Estava brilhante como o vidro da janela do meu quarto em dia de chuva. Inquieta, continuei a fazer-lhe perguntas, para perceber o que se passava com ele.

− Que se passa? Por que é que estás a chorar?

− Diz-me, o que vês neste desenho? – perguntou-me, mostrando um desenho parecido com um chapéu.

− Está-se mesmo a ver que é um chapéu! – respondi prontamente.

− Não! Já és como os adultos! Há cinco anos, respondeste bem, ao dizeres que era uma jiboia que tinha engolido um elefante! – afirmou o Principezinho, deixando transparecer a sua desilusão.

Neste momento, sentei-me a seu lado na cama e coloquei a minha mão sobre a sua. Percebi aonde queria chegar.

− Desculpa, Principezinho, mas foi a primeira coisa que me veio à cabeça! Não quero que fiques triste comigo!

− Não percebes?! Eu não estou triste contigo, mas já não és o que eras! És uma adulta! Já não me percebes! Não tens tempo para mim! – disse, continuando a chorar.

− Eu nunca quis deixar de ter tempo para ti, mas a escola não me permite outra coisa! Os trabalhos aumentam e o tempo diminui… Não tenho culpa de ter que crescer e amadurecer… É algo que não posso evitar! Todos nós vamos perdendo o sabor dos sorrisos e das brincadeiras de crianças, com o passar do tempo. Vamos perdendo aquela inocência e sensibilidade nos nossos corações, que são próprias das crianças, até ao ponto em que deixamos de ter imaginação. O coração fecha-se e não nos deixa sorrir! – disse-lhe, com as lágrimas a descerem–me pelo rosto.

− Mas não há forma de voltares a ser criança? – perguntou o menino, esperançado.

− Não, desculpa! Qualquer dia, vais ficar sem ninguém para brincar aqui em casa. Também os meus irmãos irão crescer, irão envelhecer e tu acabarás só…

O Principezinho, quando percebeu que ia ver as pessoas de quem mais gostava a envelhecerem e a tornarem-se adultas, tomou uma decisão. Para não sofrer, decidiu regressar ao seu planeta, para junto da sua flor. Não poderia permitir que a tristeza lhe escurecesse o coração! Nunca abandonaria o seu coração de criança!

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Ilustração de Jéssica Cristas

 Ana Rodrigues, Jéssica Cristas, Marta Araújo e Sara Trigo, 8.º B

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uma aventura literária (mais…)

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Era uma vez o Convento de Mafra. Era uma vez a Pedra. Era uma vez o Memorial…

No dia quatro do mês de março embarquei numa viagem com os meus colegas e professores rumo à descoberta do Convento e Palácio Nacional de Mafra.

Quando estávamos a passar, de autocarro, pelo Terreiro do Convento, fiquei desde logo deslumbrado com a imponência do monumento, com o comprimento e altura da sua fachada principal, com os conjuntos de carrilhões, com a majestosidade e elegância, transmitidas não só pelas dimensões megalómanas do Convento, mas também pelos ricos ornamentos e decorações em pedra. Mais tarde, e já durante a visita ao interior da basílica, a guia forneceu-me os números que comprovam a grandiosidade desta obra: a capacidade para trezentos frades, os dois carrilhões compostos por um total de noventa e oito sinos e um peso total de duzentas toneladas, a área total de quarenta mil metros quadrados… Com base nas primeiras impressões e nestes números, rapidamente concluí que se este convento seria difícil de erguer, mesmo com recurso às tecnologias e técnicas de construção existentes atualmente, então os operários que o fizeram em pleno século XVIII, recorrendo a ferramentas e materiais de construção rudimentares, alcançaram um feito sobre-humano.

Contudo, eu já tinha uma ideia de como seria o Convento, não só por o ter visitado quando era criança, mas principalmente porque li recentemente a obra “Memorial do Convento”, do Prémio Nobel Português da Literatura José Saramago.

No “Memorial do Convento”, Saramago serve-se do pretexto de homenagear o Convento para denunciar as más práticas da sociedade do século XVIII e transpor essa crítica para a sociedade atual, pelo que não seria de estranhar que as referências a este convento ao longo do romance fossem escassas. Porém, este monumento é o centro dessa crítica social. Através dos episódios relacionados com o Convento de Mafra presentes no Memorial, como o da sua edificação, o do transporte da pedra Benedictione desde Pero Pinheiro até à vila de Mafra, a recolha forçada de operários por parte do exército para as obras do convento e os momentos passados por esses trabalhadores na Ilha da Madeira, Saramago expõe o luxo, ostentação e luxúria do Clero e do Rei, a pobreza extrema em que vivia o povo e as crueldades praticadas pelos mais poderosos sobre os mais fracos, o povo. No meu entender, a colocação das passagens que remetem para o Convento no Memorial foi bem idealizada por Saramago, pois fortalece esta crítica que era o seu objetivo principal.

Durante esta visita, pude também confirmar o que já suspeitava desde que comecei a ler o “Memorial do Convento”: José Saramago, antes de escrever este romance, levou a cabo uma investigação exaustiva, visitando por diversas vezes o Convento e consultando manuscritos na Biblioteca Nacional de Mafra, chegando até a morar nesta vila por curtos períodos de tempo. O rigor e a precisão de algumas passagens que se enquadram no plano da História fizeram-me colocar a hipótese de tal trabalho de investigação ter sido levado a cabo. A meu ver, a pesquisa revelou-se uma ferramenta bastante importante na construção da narrativa, na medida em que a dotou de uma credibilidade sólida e provocou uma interligação tão harmoniosa entre a dimensão histórica e a ficcional que o leitor é “iludido”, como eu fui, julgando tratar-se apenas de uma dimensão una.

O único aspeto que me “dececionou” foi a pedra da varanda. Trazida desde Pero Pinheiro por caminhos estreitos, inclinados e repletos de curvas apertadas, numa operação que envolveu duzentas juntas de bois e seiscentos homens, tendo custado a vida a um deles, Francisco Marques, foi a partir dela que se construiu a varanda do Rei. Por ter lido a narração dessa operação, por saber que a pedra tinha até um nome próprio, Benedictione, e que tinha o peso assombroso de trinta e um mil quilogramas, estava a contar com uma varanda que dominasse toda a fachada principal do Convento. Apesar de ter sido avisado pela professora de Português e por Baltasar Sete-Sóis, quando cheguei à entrada do Convento, deparei-me com uma varanda que, apesar de estar ricamente decorada, se enquadrava de forma subtil no monumento, sem fazer jus à grande empreitada que foi trazê-la de Pero Pinheiro. Mas depois, tomei consciência que Saramago procurou, com este episódio, enaltecer o herói coletivo do Memorial, o povo e, em simultâneo, criticar as excentricidades das classes altas, que só para terem uma varanda de pedra única obrigam os mais humildes a colocar em risco as suas vidas.

O balanço final desta visita de estudo é bastante positivo, na medida em que esta me permitiu conhecer o Convento Nacional de Mafra, um grande marco do património nacional, e comparar essa realidade com a ideia a priori que tinha deste monumento, concebida durante a leitura do “Memorial do Convento”!

André Boisseau, 12ºB

José Santa-Bárbara, Biblioteca Saramago, Lanzarote

José Santa-Bárbara, Biblioteca Saramago, Lanzarote

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