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É mais ou menos assim que eu imagino Fernando Pessoa no dia 30 de novembro de 1935. Imagino que nas suas últimas horas se tenha sentido sozinho, e pensativo, característica que carregou às costas durante 47 anos de vida.

Durante anos, Fernando Pessoa limitou-se a existir, não se permitindo viver realmente. Todos os momentos que poderiam ser motivo de prazer, foram motivo de reflexão. Fernando Pessoa nunca se preocupou com cargos notáveis, tendo optado por ocupações que lhe permitiam investir tempo nas suas produções artistas. A sua vida amorosa constitui também, a par da sua vida social, material para apenas uma página da sua biografia.

Seria de esperar que um poeta que é capaz de reconhecer o motivo da sua infelicidade tentasse combate-la, mas Pessoa transferiu para a poesia tudo aquilo que não conseguiu sentir. A solução por ele encontrada serviu apenas para piorar o problema que o atormentou durante tanto tempo.

Se levarmos em conta o Fingimento Poético apresentado por Pessoa, chegamos à conclusão de que escrever, requeria reflexão, pensamento e mais, emoções. Emoções estas que eram fingidas e manipuladas consoante a vontade do autor, o que implicava, mais uma vez, uma desconexão completa com o interior por parte do autor, e o exercer da lógica, o que contribuiu para perpetuar a falta de sentimento, transversal à vida de Pessoa.

Consigo imaginar que a Dor de Pensar, que mencionou em poemas como “Ela canta, pobre ceifeira”, estava lá, a assombra-lo e a trazer ao de cima todos os momentos não sentidos. Que conclusão terá Pessoa retirado dos seus últimos momentos? Talvez numa vida posterior, Pessoa tenha a oportunidade de aproveitar os pequenos prazeres mundanos e colocar acima da razão a emoção, permitindo-se sentir tudo aquilo acerca do qual refletiu.

Beatriz Augusto, 12ºB

imagem daqui

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A pequena mão desenha a árvore
onde uma estrela se aninha para dormir.
Que dia será o de amanhã
no meio dos escombros onde o eco da súplica
enlouquece os cães famintos?
Quadro trágico para uma noite assim.
A pequena mão pega na borracha
e tenta apagar toda a dor do mundo
e acender com um novo traço
a claridade que resgata a alma.
A estrela acorda numa copa alta
e segue o caminho do que sabe
até encontrar a pequena mão
que tudo reinventa à medida do que somos.
Quando o encontro acontece
já não é noite nem dia, tempo infinito,
mas apenas um lugar onde o choro das crianças
de súbito se transforma em cântico.

A pequena mão desenha tudo
o que falta desenhar para o sonho fazer sentido.
É uma mão frágil mas firme, apenas sábia,
e quando abre o livro azul das manhãs
é sempre para escrever as palavras
que o estrondo abafou nas cidades feridas.
A pequena mão desenha uma árvore,
uma estrela e uma mãe aflita.
Depois desenha uma linha de horizonte,
uma constelação e uma pequena arca.
Um traço basta para criar a luz.
Depois tudo é mistério e júbilo.
Que ao menos esta noite ninguém se esqueça
da árvore, da estrela, da lenda
e da magia da pequena mão afagando a vida.

José Jorge Letria, in ‘Antologia Poética’

imagem: Nadal, por Valentí Gubianas Escudé, via Pinzellades al Món

madalena

A imagem que eu escolhi é da autoria de Rui Carruço, um artista português. Este quadro representa, indubitavelmente, o retrato de Fernando Pessoa e demonstra a fragmentação que lhe é característica. Esta fragmentação representada, e consequente multiplicidade, é concordante com as vanguardas do tempo em que o poeta viveu, uma época de crise de valores, de rutura com o passado e de rumo ao futuro, um período caracterizado pelo início do Modernismo.

Analisando o quadro de Rui Carruço numa primeira abordagem, consigo observar a utilização de cores opostas, cores quentes e frias, segundo o modelo do círculo cromático, principalmente os tons azulados, pretos e alaranjados.

Já analisando a gravura de uma forma mais interpretativa, consigo ver as disposições de vários fragmentos repetidos, pertencentes à imagem original, a face de Fernando Pessoa, que sugere a original “multiplicidade individual” que define o autor.

As obras de Pessoa caracterizam-se, entre outros aspetos, pelo seu caráter racional e consciente, que prioriza a razão às emoções, e que leva, consequentemente, à tristeza e inveja dos que, na sua perfeita inconsciência, são felizes: “Ah, poder ser tu, sendo eu”[1]. Poemas como “Autopsicografia” e “Isto” são um claro exemplo desta afirmação.

Tendo sempre como base as características acima mencionadas, o poeta no seu processo criativo lidava com uma diversidade de temas e, destes, alguns acabavam por integrar algumas obras. Um destes temas foi a identidade, para que a figura remete.

Suposto isto, o poeta sujeitou-se a uma autorreflexão. No entanto, esta capacidade, que deveria permitir saber a identidade do poeta, revela-se infrutífera, dado que o sujeito em questão somente descobre que não se identifica com o que vê: “Eu vejo-me e estou sem mim,/Conheço-me e não sou eu.”[2].

Assim, acontece a fragmentação e consequente despersonalização representada na imagem, em que o “eu” torna-se o objeto da avaliação. Esta avaliação decorre porque o poeta, na insuficiência que a sua personalidade reflete ser, tenta, utilizando a razão, desmistificar todo o seu ser. Neste processo, retiram-se as características que fazem de uma pessoa, uma pessoa.

Conforme a imagem retrata, esta crise de identidade incita o poeta a conhecer-se a si próprio, e assim surgem os heterónimos, fragmentações aparentemente iguais, mas com personalidades e, por conseguinte, estilos criativos, completamente distintos: “Atento ao que sou e vejo,/Torno-me eles e não eu./ Cada meu sonho ou desejo/ É do que nasce e não meu.”[3]. Destes heterónimos, destacam-se Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.

Concluindo, a imagem permite analisar a crise de identidade que despersonalizou, fragmentou, e multiplicou a personalidade do autor, e que, inquestionavelmente, é o núcleo do universo pessoano. Observa-se que mesmo não se “encaixando” entre si, todos os fragmentos formam um todo: Fernando Pessoa.

[1] “Ela canta, pobre ceifeira” – Fernando Pessoa

[2] “Gato que brincas na rua” – Fernando Pessoa

[3] “Não sei quantas almas tenho” – Fernando Pessoa

Madalena Vitorino, 12ºE

clara pereira

Esta pintura de Ricardo Ferrari, da coleção “Lembranças da minha Infância”, de 2012, transporta-nos para um tempo feliz, de brincadeiras tradicionais, de liberdade de movimentos, em que os próprios tons usados nos dão uma sensação de calor e harmonia.

Pode-se voltar à infância e escrever sobre esse regresso por muitos motivos. No caso de Pessoa e do seu ortónimo, quando escreve sobre isso, ele não revive esse tempo, já que não viveu uma infância particularmente feliz. É a sua razão que cria essas lembranças e emoções e o ajuda a enfrentar a realidade adulta: “E hoje que sinto aquilo que fui, minha vida flui, feita do que minto.”1

A fuga para uma ideia feliz da infância torna-se, ao mesmo tempo, num confronto com a ausência de felicidade que ele sente no momento em que escreve. Esse contraste entre o tempo em que a inocência  lhe permitia não pensar e o tempo presente, de confusão e sofrimento interiores, é também muito duro de aceitar: “ A criança que fui chora na estrada. Deixei-a ali quando vim ser quem sou; Mas hoje, vendo que o que sou é nada, quero ir buscar quem fui, onde ficou.”2

Na pintura, as crianças não têm rosto. Não é a sua história pessoal que interessa ao pintor. É , sim, transmitir a ideia de um início igual e cheio de esperança no futuro, lugar onde se pode voltar quando tudo deixa de fazer sentido: “Quando era criança vivi, sem saber, só para hoje ter aquela lembrança.”3

Fernando Pessoa e o pintor Ferrari inventam um tempo e é esse tempo que os sustentará no futuro, como se fosse uma bengala, a que recorrerão de cada vez que caírem.

  • Quando era criança”, Fernando Pessoa
  • “A criança que fui chora na estrada”, Fernando Pessoa
  • “Quando era criança”, Fernando Pessoa

Clara Pereira, 12ºB

Os brinquedos óticos surgiram no início do séc. XIX, ainda antes do aparecimento do cinema, este, só no final, em 1895, foi apresentado publicamente através dos irmãos Lumière.

São eles o taumatrópio, popularizado em 1824 por John Ayrton Paris; depois, Joseph Plateau criou o fenaquistoscópio, em 1832; e surgiram ainda o zootrópio, o flipbook, o praxinoscópio e o teatro praxinoscópio, sendo estes dois últimos desenvolvidos e com maior aperfeiçoamento, a partir do zootrópio.

Estes engenhos, rodados a uma determinada velocidade, imprimiam movimento à sequência das imagens aí representadas, facto que intrigava e divertia uma parte da população que acompanhava as invenções e investigações científicas da época, entre as quais, a perceção visual, nomeadamente a persistência retiniana. Ora, estes objetos comprovavam esse efeito.

O fascínio pelo movimento sempre esteve presente.

 As representações mais antigas, como a arte parietal do paleolítico, por exemplo, já denotam o princípio ou a sugestão do movimento, visível em certos detalhes das figuras como a agitação das crinas ou a inclinação dos cascos. Trata-se de um movimento implícito, ao contrário do real, que implica uma deslocação de algo, no espaço, o caminhar de uma pessoa ou o voo de um pássaro.

Mas a animação das imagens tem feito igualmente o seu percurso na história, desde o remoto teatro de sombras, inventado pelos chineses, e chegado à Europa no séc. XVII, até outros como a lanterna mágica no séc. XVII, e os divertimentos óticos.

Também as teorias sobre a maneira como percecionamos o movimento foram evoluindo, tal como o próprio mecanismo da visão.

Imagem1Assim, considerando o globo ocular e o processo de apreensão da imagem: sabendo que a luz, refletida pelos objetos, entra na pupila, atravessa uma lente, o cristalino, e é projetada, invertida, na retina, onde existem milhões de células como, por exemplo, os cones e os bastonetes que nos permitem ver o mundo a cores. Os cones reconhecem as cores e, os bastonetes, a luminosidade. À noite, só os bastonetes funcionam, enquanto os cones ficam inativos, daí não vermos as cores, no escuro. Também uma anomalia nestas células, pode originar o daltonismo, dificultando o reconhecimento das cores.

A imagem ao ser projetada invertida, na retina, é, contudo, posicionada corretamente pelo cérebro.

No seguimento deste processo, a imagem permanece na retina durante uma fração de segundo após esta se afastar do campo visual.

De acordo com a teoria da persistência retiniana ou persistência da visão, se for apresentada uma sequência de imagens, a uma velocidade superior a dezasseis imagens por segundo, estas, fundem-se umas nas outras não havendo qualquer interrupção devido a essa breve permanência da imagem anterior, e originando a sensação de movimento.

Em 1912, o psicólogo checo, Max Wertheimer, um dos fundadores da Teoria da Gestalt, desenvolveu experiências em que separa diferentes movimentos: o movimento beta, segundo o qual, perante duas imagens projetadas numa tela, em extremidades opostas e em rápida sucessão, são percecionadas como apenas uma imagem que atravessa o espaço e provoca a ilusão de movimento. Este movimento beta é vulgarmente confundido com o fenómeno phi que consiste em mostrar separadamente, duas linhas que se acendem e apagam em rápida sucessão e num curto intervalo de tempo, levando o observador a afirmar ter percecionado movimento entre as duas.

Outros estudos concluem que apenas o movimento percecionado nos brinquedos óticos está de acordo com os movimentos phi e beta, não incluindo aqui o movimento do cinema, a não ser  como uma definição para a ilusão de movimento na teoria do cinema. Porém, outras questões surgem como a contestação ao conceito de observador passivo onde as imagens se projetam passivamente na retina sem que ele participe no que vê. Quer no cinema, quer na vida real, a interação com o que nos rodeia obriga a uma solicitação constante com o que se insere no campo visual, mas também com o que está fora e é essa ligação entre a nossa ação, os ângulos, a aproximação e o afastamento e o mundo em movimento que não cabe numa definição estática. O próprio Wertheimer afirmou não ser possível formular, considerando somente um processo periférico que ocorre no globo ocular, devendo examinar-se processos que se desenvolvem além da retina.

A construção de alguns brinquedos óticos em contexto de sala de aula, ilustra o processo de desenvolvimento e o fascínio do aparecimento da animação, tão diferente do que, atualmente, assistimos, onde a dinâmica do mundo virtual em que a imagem, o som e o texto acontecem em simultâneo e onde as inovações não cessam de nos surpreender, e onde a noção de tempo, tão díspar do ritmo cadenciado da primeira, se automatiza em gestos e movimentos que não contemplam recuos. Realizar um engenho destes é fazer um trajeto no tempo e experimentar a magia e a euforia dos primeiros inventores, é  compreender o fenómeno da persistência retiniana e deleitar-se com o objeto estético.

Ana Guerreiro

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Há algo neste quadro que logo me desperta uma emoção. Alegria. A simpleza da paisagem e o seu tom quente e acolhedor, presumo, estão na origem do problema. Problema porque logo, logo, começo a pensar “porquê?”. Porquê esta emoção? Será que imagino alguma memória inexistente na qual me embrenho, confundindo os indistinguíveis sonho e realidade? Ou será que imagino uma simples canção, talvez, ecoando ondeante no pensamento, como um “comboio de corda”? E mais importante, ao contrário de Fernando Pessoa, será que esta alegria me durará? Acho que já falhei.

É a resposta a que Fernando Pessoa chega – quando se pensa, não se sente. A emoção é algo espontâneo. Porque é ao observarmos mais de perto algo, que começamos a reparar em pormenores que logo desfazem a imagem no seu contexto total. Apercebemo-nos de todas as pequenas imperfeições, que rasgam, ferozmente, as emoções antes sentidas.

Esta pintura de Van Gogh, “Moisson en Provence”, por exemplo, observada com uma consciência nula, faz-nos sentir felicidade: a paz do campo e as cores provincianas sossegadas; a moleza do quente, e das férias. Mas é procurando ao fundo, lá bem longe, já conscientes, que percebemos umas manchas esbatidas de tristeza e frio.

É a essas manchas que Fernando Pessoa chega, seja qual for o caminho que toma para tentar alcançar a inalcançável alegria, por não ser capaz de deixar de pensar. Aliás, pensa tanto que já nem sabe bem quem é. Já não se reconhece – “Eu vejo-me e estou sem mim, / Conheço-me e não sou eu.” – nem reconhece quem foi – “Se quem fui é enigma”.

Pessoa fica, assim, preso num abismo eterno, vendo por vezes momentaneamente a luz da alegria, desfeita em seguida, desejando a cada momento que pare de pensar, e sinta “Isto” no seu coração.

Guilherme Dias, 12ºC

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Com vista à participação num encontro do projeto Erasmus+ da escola a decorrer em Eutin, Alemanha em março de 2022, convidam-se os alunos a apresentar a sua candidatura para seleção de quatro participantes que irão representar a escola. Esta candidatura consiste numa apresentação/análise de um filme recorrendo a conteúdos científicos de, pelo menos, duas disciplinas entre as quatro que estão envolvidas: matemática, física, química e biologia. 

Esta apresentação será feita oralmente em inglês e os critérios para a sua avaliação terão em conta méritos académico-científicos (rigor, relevância e interdisciplinaridade), comunicacionais (capacidade de expor um tema, vivacidade e clareza) e linguísticos (fluência e correção em língua inglesa) e criativos.

    • Os alunos interessados deverão aceder a um formulário online para identificação como candidatos e apresentação de um plano sobre o que pretendem realizar até 17 de dezembro de 2021
  • Os alunos que passarem o processo de pré-seleção serão avisados por email em 22.12.21;
  • As apresentações para seleção dos alunos participantes decorrerão no dia 12.1.22, da parte da tarde (em caso de necessidade, recorrer-se-á ao dia 13.1.22).

Acede ao guião de candidatura ao encontro  para saberes como te candidatar e, se decidires candidatar-te, preenche este formulário.

Quaisquer dúvidas poderão ser esclarecidas junto dos professores da equipa E+: Fernando Rebelo, Ana Cristina Santos, Carla Vaz, Paula Paiva e Ana Noválio (na BE).

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O fermento é uma substância, orgânica ou inorgânica, que tem a propriedade de determinar a fermentação noutra substância, ou seja, cresce. É composto por fungos microscópicos (leveduras) que se alimentam de açúcar, libertando dióxido de carbono e álcool. Quando a massa está em processo de cozedura no forno, as leveduras multiplicam-se, consumindo o açúcar e o amido contido na farinha.

Existem 2 tipos de fermento: biológico, composto por micro-organismos vivos, fungos, denominados por leveduras químicas, constituído por bicarbonato de sódio e ácidos orgânicos. Quando estão em contacto com a humidade, reagem à temperatura entre 50ºC a 60ºC.

A principal diferença entre o fermento químico e biológico reside na sua composição. No fermento químico, as reações de decomposição ocorrem quando o bicarbonato gera dióxido de carbono e água, fazendo com que a massa aumente de volume. Esta reação é auxiliada pelo aumento de temperatura e só acaba depois de todo o fermento reagir.

Já o fermento biológico, para reagir necessita de glicose, que alimenta a levedura: o fungo ingere a glicose e o seu metabolismo transforma-a em dióxido de carbono e álcool, que irá aumentar com o calor.

Os fermentos químicos são normalmente utilizados para a confeção de pães especiais, broas, biscoitos, bolachas e outros produtos de padaria, sendo responsáveis pelo crescimento das massas. Este ocorre por uma reação química que acontece durante a cozedura.

Os fermentos biológicos são mais direcionados para o fabrico de massas de pães e pizzas.

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Para haver um crescimento as leveduras precisam de alimento, mas não só, elas necessitam também de uma temperatura ideal pois, se esta for muito baixa irá adormecer as leveduras, mas se for demasiado elevada irá matar as leveduras( superior a 55ºC). sendo assim possível congelar a massa mãe ou o fermento de padeiro, e depois descongelar obtendo o mesmo resultado que se obteria se não tivesse congelada.

A temperatura ideal para um desenvolvimento bom será entre os 27º e 32ºC.  Quando as leveduras se desenvolvem a 27ºC, estas multiplicam-se produzindo dióxido de carbono e outros compostos que irão dar ao pão um sabor agradável. Porém se estas leveduras se desenvolverem acima de 35ºC irão se multiplicar mais rapidamente reproduzindo assim mais dióxido de carbono e compostos ácidos, o que irá, consequentemente, deixar o pão com um sabor mais desagradável. 

O fermento de pão pode ser usado hidratado ou seco e granulado. Mas as características de cada uma das leveduras são ligeiramente diferentes. Se for seco deve ser misturado com água e reidratado antes de ser usado. Para tal deve ser usada água quente  entre os 41 e 46º, porque se a água for muito fria a levedura pode ser destruída.

Clara Dias, 11ºC

bibliografia: https://www.amandocozinhar.com/2015/09/conheca-os-5-tipos-de-fermentos.html

Inspirado pelo projeto Scientify, a nova parceria Erasmus+ da ESDS, os alunos de algumas turmas de ciências e tecnologias do Ensino Secundário foram desafiados a “ler ciência”, quer na ficção, quer em obras de divulgação científica. No primeiro caso, foi-lhes proposto que analisassem em obras de ficção (científica ou não) a viabilidade/plausibilidade do ponto de vista científico de alguns eventos incluídos nos seus enredos. No segundo caso, a proposta seria de uma apreciação crítica de uma obra de divulgação científica – obras dirigidas a um público leigo, mas curioso de saber mais sobre astronomia, biologia, matemática, fora do contexto de obras para especialistas ou manuais escolares. Da parceria da BE da ESDS nesta atividade resultou uma exposição de sugestões de leitura que aqui documentamos, convidando os alunos a visitá-la in loco e a escolher alguma obra que achem interessante para o seu trabalho.

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ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

diana0É importante seguirmos uma alimentação variada, completa e equilibrada, de modo a proporcionar-nos energia suficiente para o resto do dia. Cada ser humano necessita de uma quantidade diferente de calorias, ou seja, uma quantidade diferente de energia. Os valores médios aconselhados para adultos saudáveis são entre as 1800 e as 2500 calorias, dependendo do estilo de vida do indivíduo em questão.

A roda dos alimentos é um dos nossos principais guias para uma alimentação saudável, a roda está dividida em 7 grupos, todos com dimensões diferentes. Essas dimensões representam a frequência com que cada grupo deve estar presente na nossa alimentação. A água encontra-se no centro da roda, não possuindo grupo próprio, uma vez que está representada em todos os grupos, e é fundamental à vida humana.

As 4 leis da alimentação saudável 

Lei da quantidade- a quantidade de alimentos ingerida deve satisfazer as necessidades energéticas do indivíduo. Deve-se evitar tanto excessos como restrições, pois ambos são prejudiciais para o organismo

Lei da qualidade- uma alimentação completa é aquela que inclui todos os nutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo, por isso devemos ter uma alimentação variada, incluindo todos os grupos de nutrientes.

Lei da harmonia- refere-se à distribuição e proporcionalidade entre os nutrientes. Os nutrientes devem-se encontrar em proporções adequadas na nossa alimentação, pois estes dependem uns dos outros para funcionarem corretamente. Por isso, devemos ter em atenção que ao cortar certos alimentos da nossa alimentação, podemos estar a privar-nos de nutrientes importantes ao bom funcionamento do nosso organismo.

Lei da Adequação- a alimentação deve ser adequada às necessidades do organismo de cada indivíduo. Existem diversos fatores que condicionam as necessidades energéticas de cada um, tais como: ciclo da vida; estado fisiológico; estado de saúde; hábitos alimentares; condições culturais.

Alimentos: 

Orgânicos: Alimentos cultivados sem pesticidas, fertilizantes e herbicidas, ou alimentos derivados de animais, que são alimentados com alimentos naturais, sem hormonas ou antibióticos.

Biológicos: alimentos saudáveis e de elevada qualidade, produzidos de modo a promover práticas sustentáveis e de impacto positivo no ecossistema. Não há uso de pesticidas, adubos químicos, nem organismos geneticamente modificados. A produção de alimentos de origem animal, rege-se por regras e normas que visam  respeitar o bem-estar animal.

Naturais: alimentos que provém da natureza, estes alimentos, contrariamente aos orgânicos e biológicos, não têm uma certificação oficial. Pelo que, apesar da denominação “natural”,  podem, no entanto, utilizar pesticidas, fertilizantes químicos e sementes geneticamente modificadas.

Integrais: alimento que está tão perto do seu estado natural quanto possível para consumo. São, principalmente, cereais e derivados que não passaram por processos de refinação, o que fez com que conservassem todos os seus componentes originais.

Alimentação vegetariana 

original_vegetarians2Em Portugal 1,2% da população é vegetariana, e todos os dias vemos este número a crescer, uma vez que tem se tornado cada vez mais popular entre os jovens excluir a carne da sua alimentação. Não só como uma forma de protesto contra a indústria da carne, mas também como uma alternativa saudável. Vários indícios apontam que o próprio Leonardo Da Vinci adotou este estilo de vida, excluindo a carne da sua alimentação.

Apesar de cada vez ser mais comum ouvir falar sobre o vegetarianismo, ainda há muitas questões e mitos acerca deste estilo de vida.

TODOS OS VEGETARIANOS SEGUEM A MESMA DIETA ?

A dieta de um vegetariano pode mudar consoante a vontade deste, podemos assim dividir estes em 4 grupos diferentes, consoante as suas restrições alimentares : ovolactovegetarianos, lactovegetarianos, vegetarianos estritos e vegans. Com o seguinte gráfico irás conseguir perceber as diferenças entre estes grupos.

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OS VEGETARIANOS PRECISAM DE TOMAR MUITOS SUPLEMENTOS PARA SUBSTITUIR OS NUTRIENTES DA CARNE ?

 Na verdade, a única proteína que estará em falta na dieta dos vegetarianos será a proteína B12, que se encontra nas carnes vermelhas e é essencial à síntese de DNA, portanto para a obter é necessário suplementação. Os restantes nutrientes facilmente se encontram em outros alimentos, não sendo necessário recorrer à suplementação para obter estes, contudo isto varia de dieta para dieta, não sendo regra geral.

OS MEUS OSSOS VÃO FICAR FRACOS SE EU DEIXAR DE CONSUMIR LACTICÍNIOS?

 Os ossos não ficam fracos se deixar de haver consumo de lacticínios. Para que haja a absorção de nutrientes necessários para ter ossos fortes, precisamos de um conjunto de nutrientes específico: cálcio, magnésio, vitamina k e boro.

Lacticínios como o leite, apesar de terem uma elevada quantidade de cálcio, pouco têm dos outros nutrientes, o que faz com que a absorção seja pouca, podendo levar ao excesso de cálcio no organismo.

A couve, por exemplo, pode ser um bom substituto, uma vez que tem todos os nutrientes necessários.

OS VEGETARIANOS TÊM DE COMER MAIS PARA TER A MESMA QUANTIDADE DE PROTEÍNAS?

 Sim, as proteínas vegetais têm menor valor biológico que as proteínas da carne, ou seja, têm menos aminoácidos e nitrogênio, o que faz com que tenhamos de consumir uma maior quantidade destas. Contudo, existem alguns alimentos que podem substituir a carne a um nível nutricional, que é o caso do tofu.

VOU TER ANEMIA SE ME TORNAR VEGETARIANO?

A anemia é causada pela falta de ferro e apesar do consumo de ferro ser associado à ingestão de carnes vermelhas, há vários alimentos vegetais ricos em ferro que podem substituir estas, que é o caso das leguminosas, dos cereais integrais e de alguns legumes. Existem dois tipos de ferro nos alimentos: o heme ( que só tem nas carnes e que a sua absorção varia de 10% a 40%) e o não-heme (está presente nos vegetais e a sua absorção varia de 2% a 20%). Apesar da taxa de absorção do ferro não-heme ser menor, existem alguns tipos de aminoácidos que são capazes de aumentar de 3 a 4 vezes a absorção de ferro. Assim, é possível alcançar a recomendação de ingestão de ferro na alimentação vegetariana, através de uma dieta variada.  

É POSSÍVEL SER VEGETARIANO SENDO ATLETA ?

Uma dieta vegetariana, bem planeada e adaptada, é capaz de satisfazer as necessidades energéticas e nutricionais de qualquer atleta. recomenda-se até que os atletas vegetarianos orientem a ingestão de proteínas para o limite superior ( 2,7 g/kg por dia) de modo a compensar o menor valor biológico das proteínas vegetais. Novak Djokovic, o tenista sérvio que permaneceu o número 1 do mundo por muitos anos, é um exemplo de um atleta de alta competição com uma dieta vegetariana, este afirma que o vegetarianismo melhorou a sua qualidade de vida e até a sua forma de jogar.

Alimentação de Atletas 

Quando se trata de uma dieta de um atleta temos de ter em conta vários fatores, nomeadamente as necessidades energéticas que cada desporto exige, o desempenho atlético do sujeito, e o seu crescimento e desenvolvimento, principalmente em atletas jovens.

Para um atleta um dos pontos mais importantes é a criação de uma rotina, a criação de um plano de refeições permite que os atletas criem um hábito. Também é importante que haja um equilíbrio de nutrientes, principalmente de proteínas e carboidratos, alimentos com função energética. Este equilíbrio é importante para que haja uma contração muscular contínua e uma recuperação eficiente.

Obtenção de energia

A energia é obtida através dos nutrientes presentes nos alimentos. Para que esses alimentos sejam convertidos em energia é necessário que os alimentos, depois de digeridos, sejam quebrados em moléculas de dimensões mais reduzidas, para que possa haver absorção destas por parte das células. Os carboidratos são então reduzidos à sua menor unidade: a glicose.

 Respiração Celular

TABELA DE NUTRIENTES 

PROTEÍNAS: tofu, leguminosas, ovos, lacticínios -quantidade: 0,2 a 2 gramas por quilo de peso. As

 proteínas animais e vegetais diferem na concentração de aminoácidos, por isso é importante que os vegetarianos misturem as suas fontes de proteína vegetal, de modo a receberem todos os aminoácidos essenciais de diferentes origens.

MINERAIS

CÁLCIO: essencial para a robustez dos dentes e dos ossos, ajuda a preservar funções vitais do organismo: couve, brócolos, soja, figos, lacticínios, gergelim, amêndoas, rúcula, agrião quantidade: 1000 mg por dia para um adulto.

ZINCO: componente essencial de muitas enzimas, desempenha um papel importante na divisão celular e na formação de proteínas: cereais, leguminosas, frutos secos, germe de trigo, massa integral, nozes

IODO: componente das hormonas da tiroide, auxilia na regulação do metabolismo, do crescimento e das funções de órgãos essenciais. Vegans e vegetarianos estritos (não consomem lacticínios) podem ter deficiência deste nutriente. ¼ de uma colher de chá de sal iodado por dia

FERRO: não é tão facilmente ingerido através dos vegetais, por isso a dose recomendada para vegetarianos é de 28 mg, o dobro do recomendado para não vegetarianos: leguminosas, frutos secos, espinafres, cereais

GORDURA

Importante fonte de energia, responsáveis pela absorção de vitaminas, ajudam na regulação da temperatura corporal, função protetora dos nossos órgãos , ajudam na produção de hormonas. Tipos de gorduras:

SATURADAS- manteiga, óleo de coco, óleo de palma, queijos gordos

INSATURADAS-mais benéficas- abacate, azeite, nozes

TRANS- muito prejudiciais para a saúde- alimentos com gorduras hidrogenadas (sofreram hidrogenação) e alimentos cozinhados em óleos vegetais submetidos a um sobreaquecimento

COLESTEROL- existe apenas nos alimentos de origem animal- gema de ovo, leite gordo, queijos, manteiga, margarina.

FITOSTERÓIS- gorduras estruturalmente semelhantes ao colesterol, que têm origem vegetal- frutos oleaginosos, hortícolas, sementes, óleos vegetais pouco refinados, legumes e leguminosas secas. Ajudam na diminuição dos níveis de colesterol no sangue, contribuindo para a diminuição do risco de doenças cardiovasculares e para a prevenção do aparecimento de diversos tipos de cancro.

INSATURADAS

ÓMEGA-3: papel fundamental na saúde cardiovascular, nomeadamente a regulação dos níveis de colesterol: nozes, óleo de soja, sementes de linhaça/chia, óleo de linhaça, castanhas. Nota: não é tão bem absorvido pelo organismo quando provém de fontes vegetais

VITAMINAS:

Micronutrientes fundamentais para o funcionamento do organismo que devem ser adquiridos por meio da alimentação

Nota: o nosso corpo é incapaz de produzir vitaminas, mas algumas podem ser armazenadas

VITAMINA A: leite, gema de ovo, vegetais folhosos, frutas de coloração alaranjada ou amarela, atua principalmente na visão, mas também tem um papel fundamental no funcionamento do sistema imunológico.      Quantidade: mulheres adultas devem ingerir 700 microgramas por dia, enquanto os homens necessitam de 900 microgramas diariamente.

VITAMINA B9: importante na biossíntese de diversos compostos, como por exemplo a síntese de perinás e de pirimidinas, dois compostos usados na formação do DNA. Atua na transformação de serina em glicina, e na manutenção dos eritrócitos e leucócitos, leguminosas, cereais e pão.     Quantidade: 240 microgramas para adultos.

VITAMINA D: crucial para a saúde dos ossos (auxilia na absorção do cálcio), também pode ser obtida através da exposição solar, que promove a sua produção pelo organismo auxilia na absorção de vários nutrientes: leite, bebidas de soja ou arroz, cereais, margarinas

 TIPOS DE DIETAS 

Os diferentes tipos de dietas distinguem-se pelo tipo de confeção, composição nutricional e textura, dividindo-se em Dietas Base e Variantes, tal como se apresenta na Tabela 1 e 2, onde são listados por ordem alfabética.

TABELA 1: Diferentes tipos de Dietas Base e respetivas características e indicações principais

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TABELA 2: Diferentes tipos de Dietas Variantes e respetivas características e indicações principais:

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Como é obtida a energia que faz nosso corpo funcionar?

 Todos os seres vivos necessitam de energia para viver. A forma de obtenção dessa energia é variada e envolve processos diversos e complexos, conhecidos como metabolismo.

A energia não é nenhuma molécula, é a capacidade que nosso corpo tem de realizar trabalho, ou seja, fazer força ou provocar deslocamentos e é obtida dos nutrientes dos alimentos, como a glicose, as proteínas e os carboidratos.

A glicose é a principal molécula energética. Os seres humanos, durante o processo evolutivo, conseguiram usar melhor a glicose que vem dos alimentos, transformando o máximo de energia possível. As bactérias, por exemplo, obtêm só 4% do seu potencial, enquanto o corpo humano transforma em trabalho 30% da energia que consome, o mesmo que um automóvel.

Como é que a glicose passa a energia?

 Através da respiração celular, que é um processo metabólico realizado continuamente por todos os seres vivos (exceto os vírus) em que a energia proveniente da quebra das ligações químicas das moléculas da glicose é usada nos processos vitais dos seres vivos.

A maioria dos seres vivos realizam a respiração aeróbica, ou seja, necessitam do oxigênio para que ocorra a respiração celular.

A respiração celular ocorre em três etapas básicas: a glicólise, o ciclo de Krebs e a fosforilação oxidativa. 

Para que qualquer alimento seja transformado em energia não basta ser engolido, mastigado e digerido. Este tem que ser quebrado em moléculas pequenas através da mastigação e digestão, para que possam ser absorvidas pelas células.

  • No intestino delgado, a glicose é absorvida pelo sistema venoso, segue para o fígado, tecidos periféricos e finalmente à célula, onde entra no citoplasma e sofre a sua primeira divisão, dando origem a duas moléculas de ácido pirúvico.
  • As duas moléculas de ácido pirúvico (C3H4O3) seguem para as mitocôndrias, começando então o ciclo de Krebs. Nessa fase, o ácido perde hidrogênios (que vão para outras moléculas) e carbonos que se ligam ao oxigênio disponível na célula, originando CO2, que sai e é libertado na respiração.
  • Os hidrogênios que saíram da molécula tendem a ligar-se ao oxigênio da respiração, nas mitocôndrias, e formam a molécula de H2O. Da água formada parte é eliminada, e outra parte fica dentro da célula participando nas reações químicas e ajudando a formar o citoplasma.
  • Mas sobram alguns iões H +, que são atraídos para o lado interno da membrana celular, que está carregada de iões negativos. E começa a Fosforilação oxidativa em que os eletrões , ao passarem pela cadeia respiratória, perdem energia e para voltar ao interior da mitocôndria, é necessário passar por um complexo proteico chamado de síntese do ATP, onde ocorre a produção de ATP.

Para onde vai a energia produzida pelo corpo? 

  • BAÇO E FÍGADO – 27% É principalmente no fígado que as nossas reservas energéticas – o glicogénio – estão armazenadas. É desse reservatório, o glicogénio, que retiramos a energia necessária.
  • CÉREBRO – 19% As sinapses (comunicação entre os neurônios) consomem a maior parte da energia.
  • MÚSCULOS ESQUELÉTICOS – 18% As contrações musculares requerem muita energia. Durante os períodos de atividade física intensa, os músculos utilizam glicose armazenada em grande quantidade.
  • RINS – 10% A energia é utilizada para a produção da urina, para fabricar hormônios ou eliminar toxinas.
  • CORAÇÃO – 7% O coração depende muito da energia imediata da glicose. Por isso, as mitocôndrias são mais abundantes no músculo cardíaco do que no esquelético.
  • RESTO DO CORPO – 19%

Diana Pereira, 11ºC

Bibliografia:

na hora do regresso

imagem editada daqui

06curi600.1-1280x720GLÚTEN

Com certeza já deve ter ouvido falar do glúten, sobretudo nas redes sociais. Há uns anos, houve grandes polémicas sobre o glúten, que punha as pessoas mais “cheiinhas” e com maior peso. Também houve quem achasse que o glúten, por ser apenas um tema contemporâneo, fora um subproduto do processamento industrial dos alimentos…

Imagem1Pois bem, fique sabendo que o glúten é uma proteína presente em vários tipos de farinha e que não é, de longe, algo moderno. O glúten é um composto de proteínas compostas por componentes mais simples. Estes componentes armazenam os hidratos de carbono e são digeridos em aminoácidos que entram na corrente sanguínea. Assim sendo, a quantidade de hidratos de carbono no sangue é mantida em valores estáveis, mesmo com o consumo de bastantes alimentos com glúten. Isto contraria o mito de que o glúten engorda – o glúten é uma proteína inócua a grande parte das pessoas e até é boa para a saúde. O que realmente faz uma pessoa mais volumosa é o consumo de hidratos de carbono a mais, não é o consumo de glúten.

No entanto, as pessoas com doença celíaca têm problemas com o consumo de glúten…, mas porquê? O que acontece é que, enquanto que numa pessoa normal o glúten é digerido pelos aminoácidos na corrente sanguínea, numa pessoa portadora de doença celíaca ou com alergias ao glúten as enzimas que digerem o glúten não são produzidos em número suficiente ou não são mesmo produzidos, provocando consequências graves. A grande quantidade de glúten no sangue pode provocar indisposição estomacal, danos na mucosa intestinal, lesões na pele (dermatite herpetiforme), diarreia, dor ou inchaço abdominal.

Como se estes sintomas já não bastassem, a recuperação da doença celíaca é lenta e qualquer ingestão de glúten durante a recuperação pode atrasar todo um processo de semanas ou meses. Por isso é que é tão importante perceber antecipadamente se uma pessoa é portadora de doença celíaca. Afinal de contas, esta doença não é assim tão rara: 30% da população mundial ou 2,35 mil milhões de pessoas sofrem com ela.

Então, em que cereais podemos encontrar o glúten? Pois bem, o glúten aparece nas sementes dos cereais da famíliaImagem2 das gramíneas e sobretudo na tribo Triticeae, onde se incluem espécies como o trigo, a cevada, o centeio e o triticale. Estes cereais são compostos por perto de 7 a 15% de proteínas, entre as quais proteínas correspondentes às do glúten. Também são constituídos por 40 a 70% de amido, um hidrato de carbono de armazenamento de alimento para as plantas, e por 1 a 5% de lípidos. Por causa da sua estrutura bioquímica, o glúten é também chamado de “glúten triticeae” e, mais popularmente, por “glúten de trigo”. Portanto, podemos concluir que estas proteínas são uma parte fundamental da composição dos cereais aparentados com o trigo.

Outros cereais, como a aveia, não apresentam naturalmente glúten, mas como são, muitas vezes, processados em fábricas onde também é processado o trigo, a aveia acaba por ficar contaminada com glúten também. Assim sendo, quem é portador de doença celíaca deverá ter em atenção o rótulo dos produtos de aveia para confirmar se realmente estão contaminados ou não.

Mudemos de tema e falemos doutra coisa… será que o glúten tem algum efeito naquilo que cozinhamos com a farinha?

Vejamos: o glúten, para além de ser constituído por duas enzimas que armazenam hidratos de carbono – as prolaminas e glutaminas – este composto também é constituído por outras duas enzimas: a albumina e a globulina. Estas enzimas são hidrofóbicas, isto é, não são solúveis em água, no entanto criam interagem com a molécula de água. Estas interações provocam a coesão dos vários grãos de farinha que, de outra maneira, estariam soltos, e tornam a farinha mais elástica e viscosa. Quando a farinha deixa de estar em contacto direto com a água, as duas proteínas principais, ou seja, as que normalmente teriam como função armazenar hidratos de carbono (a prolamina e a glutamina), preservam-nas e mantêm a massa coesa. É por isso que a farinha não se desintegra quando seca…

Está bem, é certo, mas então o que acontece quando a massa vai ao forno? Pois bem, surpreenda-se, pois o glúten também é, em parte, responsável pelo aumento do volume da massa durante a cozedura! Como muita gente deve saber, quando a massa vai ao forno ocorre fermentação. A fermentação é um processo em que pequenos microrganismos se alimentam dos hidratos de carbono da massa, libertando gases neste mesmo processo. Esses gases são sobretudo dióxido de carbono e álcool etílico vaporizado pelo calor do forno. Numa situação normal, os gases Imagem3sairiam da massa e não haveria aumento do volume… e é aí que as proteínas do glúten entram em ação! A prolamina e a glutamina mantêm o dióxido de carbono dentro da massa, impedindo-a de sair dela e causando o aumento do seu volume. Assim sendo, o fabrico de pães sem glúten é considerado um grande desafio para a indústria e investigadores. A ausência de glúten na panificação tem um grande impacto nas propriedades viscoelásticas da massa, dando origem a massas pegajosas, pouco coesas e elásticas, e consequentemente, a pães com miolo compacto com reduzida porosidade, baixo volume e textura desintegrada. Por esta razão, nos últimos anos, têm-se criado alternativas para o fabrico de melhores pães sem a presença do glúten, como através do uso de amido gelatinoso ou mesmo de microalgas.

O etanol não é mantido dentro da massa porque o seu ponto de ebulição é muito superior ao do dióxido de carbono (75ºC contra -57ºC). Porquê? A razão até é simples… Muita gente deve ter reparado que, quando a água atinge o ponto de ebulição, a evaporação é bastante rápida: isto ocorre porque as moléculas encontram-se bastante instáveis. É devido a essa instabilidade que o álcool não é fixado pelas proteínas do glúten – é que, enquanto o dióxido de carbono emitido durante a fermentação encontra-se relativamente estável por se encontrar já em estado gasoso, o etanol está inicialmente em estado líquido, mas rapidamente é transformado num gás, o que causa bastante instabilidade molecular, dificultando a sua fixação pelo glúten. É por essa razão que o pão não possui álcool, ao contrário de outros produtos fermentados com cereais, como a cerveja…

Após a cozedura, o volume mantém-se, e tal deve-se à coagulação do glúten. Tal como grande parte das proteínas, oImagem4 glúten perde atividade vital quando as temperaturas são demasiado elevadas, ou seja, perde atividade vital. Concluindo, no início da cozedura esta proteína fixa os gases e cria volume à massa, mas após algum tempo no forno tanto os microrganismos do fermento como o próprio glúten acabam por “morrer”, e a morte, como toda a gente sabe, é irreversível. Isto provoca a coagulação, ou seja, a solidificação das proteínas do glúten e que mantém o tamanho e o volume, mesmo depois de arrefecer! Isto também explica o porquê de, apesar de o glúten ser uma proteína e de os cereais terem na sua constituição até 15% de proteínas, os pães ou os bolos não conterem muita proteína – simplesmente ficaram sem atividade vital no processo e não têm qualquer valor nutricional para o ser humano.

Diogo Rodrigues, 11ºC

Bibliografia:

No âmbito da ação de formação “Arte e Matemática” sobre o Abstracionismo Geométrico, desenvolvi com os alunos da turma B do 7ºano, trabalhos sobre o tema. Os alunos receberam com interesse a atividade e surpreenderam-se pela positiva com a obra realizada.

Pretendo partilhar o resultado deste recurso pedagógico.

Dina Viegas

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