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As Fitas regressam com uma análise de alguns dos filmes estreados no mês de setembro. O realce vai para o filme de produção portuguesa realizado por Ivo Ferreira Cartas da guerra baseado no livro de António Lobo Antunes “D’este viver aqui neste papel descripto”. Esta obra é realizada a partir de cartas que o autor escreveu à sua primeira mulher quando, em 1971, foi incorporado no exército português, para servir como médico numa das piores zonas da guerra colonial, o leste de Angola, onde o anseio pelo regresso à metrópole marca o dia a dia da vida militar. As cartas tornam-se uma ajuda preciosa para sobreviver no meio de grande violência, ao mesmo tempo que o autor desperta a paixão por África e  vai formando a sua consciência política.

É o único filme português dos 50 nomeados para os prémios da Academia Europeia de Cinema, com a 29.ª cerimónia, a decorrer a 10 de dezembro, na cidade polaca de Wroclaw, Capital Europeia da Cultura 2016. Os membros da Academia Portuguesa de Cinema também escolheram esta obra para representar Portugal na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, nos Óscares da Academia Americana de Artes e Ciências Cinematográficas. Anteriormente teve algum reconhecimento pois foi finalista ao Urso de Ouro de Berlim e representou Portugal na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano, nos Prémios Goya, da Academia Espanhola de Cinema.

Quanto às restantes estreias, os apreciadores de épicos históricos rejubilam com Ben–Hur do realizador russo de origem cazaque Timur Bekmambetov. Mas, apesar dos excelentes efeitos visuais, esta nova versão não faz esquecer o filme de 1959, dirigido por William Wyler que arrecadou um número recorde de 11 estatuetas nos Óscares de 1960. Enquanto esta versão de 1959 é focada na vingança, o atual centra-se nas relações familiares, no poder da fé, da reconciliação e compaixão incorporando cenas da vida de Cristo.

Para momentos bem divertidos Florence, Uma diva fora de tom de Stephen Frears é uma simpática comédia biográfica sobre a desafinada cantora lírica, a milionária novaiorquina Florence Foster Jenkins, representada de forma brilhante, como sempre, por Meryl Streep. A milionária vivia na ilusão de ser uma diva lírica, sendo que os que a rodeavam, por consideração e por interesse, ocultavam a verdade sobre a sua competência vocal mas, ao cantar tão mal, torna-se uma figura de culto devido aos espetáculos públicos hilariantes que proporcionava.

Uma excelente obra sobre a China atual – Se as montanhas se afastam – do realizador chinês Jia Zhangke, realizado a partir de metáforas e imagens deslumbrantes, em que os personagens de Liangzi, mineiro pobre mas honesto e afável representa as virtudes da velha China e a força da tradição, enquanto o rico Zhang simboliza a corrupção do capitalismo selvagem e a irresistível sedução pelo Ocidente. Ao longo do enredo demonstra-se como a nova geração, fruto do capitalismo desregrado, vai perdendo a identidade pois o feroz desenvolvimento económico tem um elevado preço humano.

Pedro Almodovar retoma o tema da perda no universo feminino com Julieta, a partir do conto escrito pela vencedora do Prémio Nobel de Literatura de 2013, Alice Munro. É uma obra dramática e silenciosa, como que a partilhar com o espetador o vazio de vida e angústia da protagonista pelo desaparecimento voluntário da filha, mostrando também como uma pessoa consegue recompor-se e seguir em frente apesar da ferida aberta. As sempre presentes cores do filme acompanham as várias fases da vida de Julieta e a sua queda física e psicológica.

A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares de Tim Burton, com a habitual fantasia gótica, suge a partir da adaptação do bestseller de 2001 de Ramson Riggs sobre crianças com poderes bizarros e viagens no tempo; apresenta  interessantes efeitos visuais, alguns na técnica de animação stop-motion. É mais uma obra extravagante, típica deste realizador com temas que defendem o reconhecimento e o direito à diferença.

Finalmente, a salientar que a Festa do Cinema Francês regressa a partir do próximo dia 6 de Outubro e, mais uma vez, o evento organizado pelo Instituto Francês viajará por todo o país durante cinco semanas. Para esta 17ª edição, para além das já habituais ante-estreias (ao todo 25 filmes de produção recente entre títulos já adquiridos para Portugal e outros que procuram ainda distribuição), a Festa propõe uma “viagem através do cinema francês” inspirada pelo documentário do mesmo nome do realizador Bertrand Tavernier e um ciclo programado pela associação de produtores e distribuidores independentes ACID, que dá a conhecer as novas abordagens do cinema francês. Este evento constitui, mais uma vez, um bom motivo para a deslocação ao cinema.

Luísa Oliveira

outono

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…de regresso.

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