Feeds:
Artigos
Comentários
LdoD

clique para aceder ao site

Anúncios

Em outubro, cumprindo-se a tradição, iniciou-se a comunicação dos galardoados com os prémios Nobel, sendo que, este ano, houve consenso em relação aos nomeados, não se registando nenhuma polémica como aconteceu no ano anterior em relação ao prémio de literatura. Mais uma vez, os distinguidos são todos do sexo masculino. Assim, o Prémio Nobel da Medicina foi atribuído aos investigadores norte- americanos Jeferry C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young por descobertas relativas a mecanismos moleculares que controlam o ritmo circadiano, o chamado ‘relógio biológico’ que dura  24 horas e permite aos seres vivos adaptarem-se às diferentes fases do dia e da noite. Foram atribuídos até hoje 108 prémios Nobel da Medicina e em apenas 39 vezes foram entregues a um único laureado.

1

O Prémio Nobel da Física foi concedido aos cientistas astrofísicos norte-americanos Rainer Weiss, Barry C. Barish e Kip S. Thorne, pelo seu estudo e observação das ondas gravitacionais. Segundo o comité Nobel “está-se perante algo totalmente novo e diferente, que abre mundos até agora insuspeitos…um sem fim de descobertas estão agora ao nosso alcance após terem sido, finalmente, capturadas as ondas e entendidas as suas mensagens”. Os três cientistas são responsáveis pelo Observatório de Interferometria Laser de Ondas Gravitacionais (LIGO) que tem como principal missão observar ondas gravitacionais de origem cósmica, pelo que as suas descobertas são consideradas um avanço notável na investigação confirmando a Teoria de Relatividade de Albert Einstein de há um século.

2

O  Nobel de Química distinguiu o suiço Jacques Dubochet, o alemão Joachim Frank  e  o  escocês Richard Henderson  pelo “desenvolvimento da criomicroscopia eletrónica para a determinação em alta resolução da estrutura de biomoléculas numa solução”. Segundo nota da academia, “o mérito dos premiados consiste em criar métodos que geram imagens tridimensionais das moléculas da vida”, sendo que a estrutura dessas moléculas está diretamente relacionada com o que são capazes de fazer, e conhecê-la e fotografá-la ajuda a entender sua função. A criomicroscopia eletrónica permitiu congelar essas biomoléculas em movimento e tirar uma foto delas com resolução a nível atómico. Graças a isso, foi possível observar, com precisão, proteínas que provocam resistência a tratamentos de quimioterapia contra as doenças oncológicas ou aos antibióticos que empregamos contra as infecções.

3

Quanto ao Nobel de Economia, atribuído desde 1969 e cuja designação oficial é Prémio do Banco da Suécia para as Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, foi justificado pela Academia Real Sueca das Ciências pelo contributo que Richard Thaler, professor da Chicago Booth School of Business, deu para a “compreensão da psicologia da economia”. Referindo ainda que “as contribuições de Richard Thaler construíram uma ponte entre a análise económica e a análise psicológica, no processo de tomada de decisões a nível individual”, assim como “as suas conclusões empíricas e teóricas têm sido cruciais para a criação da área da economia comportamental, que está em rápida expansão, e tiveram um impacto profundo em várias áreas da pesquisa e da política económica”.

4

Nobel da Economia

O Nobel da Literatura foi atribuído ao excelente escritor inglês Kazuo Ishiguro  nascido em  Nagasaqui, Japão, em 1954  pelos  seus “romances de grande força emocional, que revelam o abismo da nossa ilusória sensação de conforto em relação ao mundo”. Autor de obras memoráveis como “As colinas de Nagasaki”,  “Os Despojos do Dia”, vencedor do Booker Prize, “Quando Éramos Órfãos “, “Nunca me Deixes”,  “Nocturnos”  e  “O Gigante Enterrado”. O autor considerou que o prémio atribuído representa “uma honra magnífica”, que o coloca nas pegadas “dos maiores autores que já viveram”. Acrescentou ainda que “O mundo vive um momento muito incerto e eu espero que todos os prémios Nobel possam ser uma força positiva no mundo. Ficaria profundamente comovido se pudesse de algum modo contribuir para uma atmosfera positiva em tempos tão incertos”.

5

Nobel da Literatura

 

O Comité Nobel norueguês atribuiu o Nobel da Paz à  Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares.(ICAN) pelo trabalho feito para a eliminação de armamento nuclear no mundo. Esta escolha surgiu numa conjuntura internacional tensa pois a Coreia do Norte multiplica ensaios nucleares e disparos de mísseis balísticos além de que pode estar em risco o acordo sobre o programa nuclear iraniano assinado em 2015 entre o Irão, Alemanha e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia). Nesse sentido, o Comité apelou aos Estados detentores de armas nucleares para se comprometerem a eliminar gradualmente os respetivos arsenais pois estima-se  existirem cerca de 15 mil armas nucleares,  acrescentando a presidente do Comité norueguês, Berit Reiss-Andersen, que “vivemos num mundo onde o risco de recurso a armas nucleares é maior do que era desde há muito”. A porta-voz da organização ICAN, Daniela Varano, em declaração à atribuição do prémio disse que este refletia o “reconhecimento do trabalho de todos os ativistas ao longo dos anos e, muito especialmente, dos Hibakusha isto é, os sobreviventes das duas bombas atómicas lançadas no Japão no final da II Guerra Mundial. ” Num comunicado posterior a ICAN   salientou que, com aquela atribuição, “se ilumina o caminho para um mundo livre de armas nucleares”.

SWITZERLAND-NOBEL-AWARD-PEACE

Mais uma vez, e cumprindo também a tradição, a cerimónia de homenagem e entrega dos prémios aos laureados realiza-se em 10 dezembro, data de aniversário da morte do patrono Alfred Nobel. O da Paz será entregue em Oslo City Hall pelo rei de Noruega e os restantes no Stockholm Concert Hall  pelo rei da Suécia Nestas cerimónias cada laureado além do prémio monetário receberá um  diploma, certificado  e medalha do Prémios Nobel que tem o mesmo design desde 1902. Como se costuma dizer, é a homenagem “aos melhores entre os melhores” e que nas diferentes áreas têm contribuído para o progresso da humanidade.

Luísa Oliveira

No conjunto das estreias de novembro o destaque vai para o documentário apresentado em sessões especiais Rosas de Ermera de Luís Filipe Rocha. Relato verídico do período da 2ª guerra mundial em que Timor foi invadido por tropas japonesas e os pais e irmã do cantor de resistência e intervenção José Afonso foram internados num campo de concentração. Com imagens de arquivo e testemunhos dos irmãos do cantor é uma forma emotiva de revisitar e reviver esse período, tanto em Timor como na metrópole salazarista.

Igualmente muito interessante é Peregrinação de João Botelho, adaptação da obra homónima de Fernão Mendes Pinto, impressa pela primeira vez em 1614, com as aventuras no oriente apresentadas numa mistura de fantasia e realidade, em ambientes fantásticos e misteriosos valorizados pela excelente fotografia a que se junta coros como elementos enriquecedores.

Nas estreias do mês destaque ainda para o filme que lidera as nomeações para os prémios da Academia Europeia de Cinema, a entregar em 09 de dezembro, O Quadrado do sueco Ruben Ostlund, galardoado com a Palma de Ouro do último Festival de Cannes. Inspirado em algumas situações reais vividas pelo realizador, esta sátira desenrola-se no espaço de um museu enquanto decorre uma instalação de arte contemporânea e, segundo aquele, deve ser analisada numa perspetiva sociológica para se concluir o que falha no ser humano, neste caso, a degradação progressiva do curador da exposição com tudo o que o rodeia.

Também de degradação, mas social, a brilhante comédia apresentada em tom teatral e que termina em tragédia A Festa de Sally Potter, produzida pela BBC com excelentes interpretes, como Kristin Scott Thomas, apresenta um pequeno grupo de sete pessoas da classe média-alta cujas atitudes representam uma metáfora da actual  situação sócio-política da Inglaterra.

Tivemos Um Crime no Expresso do Oriente de Kenneth Branagh, realizador e protagonista nesta nova adaptação do policial clássico de Agatha Christie. Nesta obra, porém, além de algumas alterações à narrativa original, o carismático detective belga, Hercule Poirot, surge totalmente descaraterizado e ridículo, completamente diferente da personagem original da autora, valendo o filme apenas pelos excelentes atores que fazem parte do elenco.

Várias estreias mostraram argumentos sobre resistência e resiliência de quem viveu situações traumáticas. David Gordon Green em Stronger – a força de viver trata uma temática ligada ao terrorismo, o atentado de 15 de Abril de 2013 na maratona de Boston. Baseado no livro de memórias de Jeff Bauman que perdeu ambas as pernas no atentado mas que ajudou a encontrar um dos terroristas, demonstra o efeito que o acontecimento teve na sua vida e na dos seus familiares. Os atores Jake Gyllenhaal e Tatiana Maslany transmitem na perfeição a angústia vivida por Jeff no seu quotidiano como deficiente mas também a sua superação física e emocional transmitindo uma mensagem de esperança.

Com a mesma finalidade Vive de Andy Serkis, produzido por Jonathan Cavendish, retrata as vivências resultantes do facto do seu pai, Robin Cavendish, ter contraído poliomielite aos 28 anos. Além da história de amor e de ânimo dos pais do produtor perante a adversidade, também tem um objectivo informativo pois valoriza o contributo de Robin Cavendish para a melhoria das condições de tratamento de quem sofria as mesmas limitações causadas pela doença.

Focando também as consequências de doenças terríveis no seio familiar  Um Homem de Família de Mark Williams conta com Gerard Butler no papel do protagonista que altera a sua perspectiva do mundo quando vê o filho de 10 anos, Ryan (Max Jenkins), ser internado com leucemia. A montanha entre nós de Hany Abu-Asad é mais um argumento sobre o instinto de sobrevivência em condições adversas com adaptação da obra homónima de Charles Martin. Enriquecido pelas interpretações da oscarizada Kate Winslet e Idris Elba que juntam esforços para sobreviverem num ambiente hostil após um trágico acidente de avião.

Marcas de guerra de Jason Hall apresenta factos reais vividos por milhares de combatentes, neste caso soldados americanos que combateram no Iraque, ao ingressarem na vida civil e a forma como têm de viver com os traumas de guerra. Shot caller – sobreviver a todo o custo de Ric Roman Waugh retrata a realidade do ambiente violento e aterrador do meio prisional. Protagonizado, de forma exemplar, por Nikolaj Coster- Waldau o realizador pesquisou e contactou durante vários anos os elementos desse meio para realizar um drama contra um sistema que leva muitos prisioneiros à degradação moral e a transformarem os seus percursos de vida para sobreviverem.

E porque nunca é demais esquecer os ideólogos do mal mas, sobretudo, os que lutaram  contra o terror  nazi defendendo o direito à liberdade, temos  O homem do coração de ferro de Cédric Jimenez, denominação atribuída por Hitler à terrível figura emblemática do nazismo: Reinhard Tristan Eugen Heydrich. O filme descreve a sua ascensão nas tenebrosas  SS e a forma como  espalhou o terror por onde passava até à sua morte com 38 anos de idade em maio de 1942, vítima de um atentado em Praga organizado pela Operação Antropóide. Este acontecimento idealizado por Winston Churchill e por um pequeno grupo da Resistência Checa e dirigido por membros do governo checolosvaco no exílio foi posto em prática por Jan Kubis e Jozef Gabci. No entanto, a morte de Reinhard Heydrich desencadeou uma terrível sequência de massacres perpetuados pelos nazis com destaque para o que teve como alvo a destruição sangrenta da aldeia de Lídice.

Com a aproximação da época natalícia, surgem mais filmes direcionados para o público  infantil / juvenil, como é o caso do colorido  Coco de Lee Unkrich e do artista gráfico Adrian Molina. É uma maravilhosa obra animada da Disney Pixar, que valoriza os costumes e tradições mexicanas a partir da viagem de uma criança com o seu companheiro canino ao mundo dos mortos. Não é uma obra assustadora, muito pelo contrário, pois apresenta-se divertida, animada, com cenários mágicos, realçando os sonhos de criança e o respeito e valorização da família, o que condiz com a época festiva.

Termino salientando que em novembro, além das estreias, também se verificou reconhecimento de obras nacionais em acontecimentos cinematográficos internacionais. A primeira longa-metragem de ficção do realizador português Pedro Pinho A fábrica de nada  recebeu o Prémio de Melhor Filme no Festival de Cinema de Sevilha que se vem juntar a outros galardões, nomeadamente, os Prémios do Público  no Festival Ficvaldivia, no Chile, CineVision no Filmfest München, de Melhor Realização no Duhok IFF’17, do Júri no CineFest Miskolc Internacional Film Festival’17 e o da Crítica no Festival de Cannes.  Também o filme Farpões Baldios de Marta Mateus, que reflete sobre ruralidade e trabalho, já tinha vencido o Grande Prémio do Curtas Vila do Conde- Internacional Film Festival conquistou o Grande Prémio do Hiroshima International Film Festival, no Japão.

Luísa Oliveira

Mais uma vez, a escola aderiu ao Concurso de Literacia 3D promovido pela Porto Editora e dinamizado pela BE em colaboração com os professores de Português e Inglês. Neste ano, tivemos a Literacia da Leitura para o 7ºAno e Literacia de Inglês para o . Cerca de 130 alunos participaram ao longo das 5 sessões que tiveram lugar na escola entre 20 e 24 de novembro, um número que excedeu em mais do dobro das participações dos anos anteriores.

image001

Acerca deste tema, defendo que a pena de morte é inadmissível, independentemente das circunstâncias, pelas razões que serão seguidamente explicadas.

    pena-de-morte Em primeiro lugar, no artigo 24º da constituição portuguesa e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, está expresso o direito inalienável e inviolável de todos os indivíduos à vida. A pena de morte viola este direito, sendo moralmente condenável.  Além disso, creio que deve ser fornecida a hipótese ao indivíduo de se regenerar e de se reintegrar na sociedade, após cumprimento do seu castigo, possibilidade negada pela pena de morte. Assim, é nosso dever, enquanto sociedade civilizada, não permitir o retrocesso à mentalidade do “olho por olho, dente por dente”, que leva à confusão entre vingança e justiça.

Também é importante realçar que o efeito dissuasor normalmente associado a esta condenação, na prática, não se verifica. Nos Estados Unidos, por exemplo, as taxas de homicídio em estados nos quais a pena capital é legal são superiores às dos estados onde esta é ilegal (5,63 e 4,49, respetivamente).

Acrescento ainda que pessoas de classes sociais mais baixas estarão mais expostas a esta condenação, aumentando a desigualdade, por não terem posses para contratar advogados de renome, estando sujeitos à nomeação de defesa por parte da Ordem dos Advogados, existindo a hipótese de serem defendidos por profissionais com menos experiência ou capacidades.images

Por fim, apresento um exemplo proveniente dos Estados Unidos, onde 1,6% dos condenados à morte são libertados por se provar a sua inocência, sendo que um estudo publicado por uma revista científica, a Proceedings of the National Academy of Sciences, permitiu concluir que 4,1% dos réus que aguardam ou aguardaram no corredor da morte neste país são inocentes. Desse modo, podemos inferir que já existiram casos de execução de pessoas isentas de culpa, o que é inadmissível.

Tomás Noválio, 12ºC

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

A pena de morte como todos sabem é uma punição para crimes capitais. Portugal foi praticamente o primeiro país da Europa e do Mundo a abolir esta pena, sendo o primeiro estado do mundo a prever a abolição da pena de morte na Lei Constitucional, após a reforma penal de 1867. Nos dias de hoje ainda é aplicada em alguns países como a China, Arábia Saudita e em muitos dos estados federais dos EUA; sendo nestes países aplicada segundo as regras do direito e da lei (não é arbitrária). Quando falamos na aplicação da pena de morte é importante frisar que estarão em causa casos muito específicos configurados no quadro legal vigente do pais em causa.

pena-de-morte.jpgCom este texto vou apresentar argumentos que universalmente podemos encontrar a favor da pena de morte, não como uma banalidade face a todos os tipos de crime, mas sim em condições muito específicas, sempre no enquadramento  legal e no pressuposto absoluto que não existem dúvidas sobre a autoria do crime.

Na defesa desta tese são normalmente utilizados os seguintes argumentos:

  • argumento dissuasor que defende que, ao existir a pena de morte no quadro legal e sendo esta a mais pesada, poderá levar a uma potencial diminuição dos crimes uma vez que poderá criar alguma intimidação aos potenciais criminosos levando assim a uma maior segurança dos cidadãos;
  • argumento da proporcionalidade do sofrimento, em que é defendido que quem impõe sofrimento de grau elevado deverá ser punido com grau de sofrimento o mais idêntico possível;
  • argumento do castigo final (morte) que de alguma forma é controlado pela justiça e poderá impedir vinganças futuras que podem ser muito mais dolorosas;
  • argumento de garantia de que o criminoso não voltará a cometer crimes.

Surgem muitas vezes contra-argumentos relativos a este último, designadamente no sentido da pena de prisão perpétua, em que também pode ser alegado que o criminoso não voltara a cometer crimes. No entanto, esta afirmação será apenas válida em teoria, porque para além do criminoso dentro da cadeia poder continuar a promover o crime também pode ser sujeito a atenuantes legais da pena que o façam sair mais cedo ou até ser libertado.

Mais uma vez, será de frisar que a pena de morte para ser aplicada deverá ser sempre em casos muito específicos, sempre no quadro legal e no pressuposto absoluto que não existem dúvidas sobre a autoria do crime. Não posso também deixar de referir que atualmente a questão da pena de morte possa estar a ganhar  algum relevo face aos atos terroristas que tem vindo a ser praticados.

Tomás Gaspar, 12ºC

imagens: daqui, daqui e daqui