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the-nobel-literature-prize-2016-bob-dylanA temporada dos prémios Nobel 2016 vai estar sempre ligada à polémica causada pela atribuição do galardão da Literatura a Bob Dylan pois é a primeira vez que um músico ganha o citado prémio. Na verdade, esta escolha não deixou ninguém indiferente desencadeando perplexidade que se manifestou tanto no apoio como no desacordo, sendo neste último caso o mais evidente o do escritor peruano Mario Vargas Llosa, Nobel da Literatura de 2010. Este, durante a cerimónia em que lhe foi atribuído o grau de Doutor Honoris Causa, pela Universidade de Burgos, em Espanha, criticou a “cultura de espetáculo” que impera na sociedade atual questionando se no próximo ano o prémio não será entregue a um futebolista. O escritor Gary Shteyngart, ironicamente, por seu lado, diz que entende que para o comité sueco, “ler um livro é difícil”. Entre os que concordaram com a atribuição o destaque vai para o escritor Salman Rushdie que considerou uma “ótima escolha”.

A polémica aumentou pelo facto de Bob Dylan, tardar a reagir à distinção, não atendendo telefonemas e mensagens da Academia Real Sueca reconhecendo, mais tarde, que se sentia honrado pela atribuição do prémio, embora não possa estar presente na cerimónia de entrega do mesmo em 10 de dezembro, dizendo que tinha “ compromissos prévios”. No entanto, nos seis meses seguintes à cerimónia terá de fazer o discurso de aceitação que é o único requisito exigido aos laureados e, como tal, aguardam-se novos desenvolvimentos, embora esta situação não seja inédita e já aconteceu, por diversas razões, nomeadamente com Doris Lessing, Harold Pinter e Elfriede Jelinek.  Em mais de um século de história dos Nobel da Literatura, apenas dois autores recusaram o prémio: em 1958, por pressão do poder soviético, Boris Pasternak, viu-se obrigado a rejeitar a honra, recebendo o prémio mais tarde e, em 1964, foi a vez do francês existencialista Jean Paul Sartre  não aceitar o prémio.

the-nobel-medicine-prize-2016-yoshinori-ohsumiMas, naturalmente, esta polémica não pode ofuscar o mérito dos restantes galardoados. Assim, o Nobel da Medicina, foi atribuído ao japonês Yoshinori Ohsumi, professor no Instituto de Tecnologia de Tóquio, por ter contribuído, de forma decisiva, para que fossem conhecidos os mecanismos da autofagia celular. Em comunicado, a Academia refere que o laureado “descobriu e elucidou sobre os mecanismos da autofagia, um processo fundamental para a degradação e reciclagem dos componentes celulares”. Yoshinori Ohsumi, especialista em biologia celular, conseguiu através de uma série de experiências com fermento de padeiro identificar os genes essenciais para a autofagia, no início da década de 90 do século passado. As suas descobertas abriram o caminho à compreensão da importância fundamental da autofagia em muitos processos fisiológicos, como a adaptação à fome ou a resposta à infecção concluindo-se, também, que as mutações nos genes da autofagia podem provocar doenças e o próprio processo autofágico está envolvido em diversos problemas, incluindo o cancro e a doença neurológica.

Quanto ao  Prémio Nobel da Física, foi atribuído a três britânicos: David Thouless, Duncan Haldane e Michael Kosterlitz, pois graças ao seu trabalho pioneiro  nas décadas de 70 e 80, revelaram os segredos da matéria exótica no mundo quântico contribuindo para a comunidade científica procurar novas e exóticas fases da matéria com  potenciais aplicações, tanto na ciência de materiais como na electrónica. Segundo o comunicado da Real Academia Sueca das Ciências, “os laureados deste ano abriram a porta para um mundo desconhecido onde a matéria pode assumir estados estranhos. Usaram métodos matemáticos avançados para estudar fases, ou estados, pouco habituais da matéria, como os supercondutores, superfluidos ou películas magnéticas finas”.

O Prémio Nobel da Química  foi atribuído ao francês Jean-Pierre Sauvage, ao escocês J. Fraser Stoddart e ao holandês Bernard L. Feringa, pelo desenho e síntese de máquinas moleculares, a miniaturização da tecnologia, pelo desenvolvimento de moléculas com movimentos controláveis quando lhes é fornecida energia resultando na criação das máquinas mais pequenas do mundo – mil vezes mais pequena que um fio de cabelo. O comunicado da Academia salienta que “[Ainda assim,] em termos de desenvolvimento, o motor molecular está ao mesmo nível que o motor elétrico estava em 1830, quando os cientistas exibiam máquinas elétricas capazes de mover pedais e rodas, mas não sabiam que essas máquinas iriam tornar-se comboios, máquinas de lavar, ventoinhas e processadores de alimentos”. Esta área de investigação apresenta inúmeras aplicações, nomeadamente na Medicina.

O Prémio Nobel da Economia foi atribuído ao britânico Oliver Hart e ao escocês Bengt Holmström, dois professores de universidades norte-americanas de Harvard e MIT que estudam a teoria dos contratos, isto é, o estudo sobre a forma como os contratos de trabalho e outros são construídos para servirem de base às relações económicas. A Academia, em comunicado, refere que “as novas ferramentas teóricas criadas por Hart e Holmström são valiosas para compreender os contratos e as instituições na vida real, bem como potenciais fracassos na conceção de contratos”.

the-nobel-peace-prize-2016-juan-manuel-santosPor fim, o Nobel da Paz distinguiu o presidente colombiano Juan Manuel Santos pelos esforços de paz com a guerrilha marxista das FARC para pôr fim a 50 anos de guerra civil que causou mais de 220 mil mortos no país e que resultaram, no dia 26 de Setembro, na assinatura do acordo de paz negociado durante quatro anos em Cuba. E apesar da vitória do Não no referendo de 2 outubro, Kaci Kullmann Five, a presidente do Comité Nobel sublinhou que o resultado do referendo torna ainda mais importante que Santos e as FARC respeitem o cessar-fogo destacando que  “o facto de a maioria do povo ter dito não ao acordo não significa que o processo de paz esteja morto”.  Juan Manuel Santos tornou-se, assim, no 26.º chefe do Estado a receber um Nobel e a  América Latina volta a receber o galardão da Paz depois da vitória de Rigoberta Menchu em 1992, pela sua defesa das mulheres indígenas.

Luísa Oliveira

tartaruga-1Quero hoje, à imitação de Padre António Vieira, apontar as virtudes e os defeitos da tartaruga, um animal muito pequeno, esquecido por todos, mas cujas capacidades espantam os mais céticos. Quis Deus dar-lhe estas características, suposto  que enfrentam e acabam com a tirania dos grandes, quer na água, quer na terra.

A sua ambição é sobrenatural – entre todos os outros animais, em nenhum reino é possível encontrar tal ambição e dedicação. Apesar da sua lenta locomoção e fraca estatura, louvo a sua perseverança em alcançar os seus objectivos. Mesmo levando um grande peso nas suas costas, a sua ambição é sempre maior; a sua inteligência também é algo a notar: em situações de perigo usa a sua grande carapaça como proteção, aproveitando-se da ignorância e impaciência do seu atacante, pondo em evidência a sua astúcia.

tartaruga-2Mas será isto absoluto? Um bicho pequeno não devia enfrentar os grandes? Enfrentar aqueles que o pisam e se aproveitam dos pequenos e fracos? A tartaruga porém encolhe-se por cobardia e fraqueza, deixando–se ser pisada e arremessada. Animal como este tão bem protegido, não devia ter um caráter corajoso? De que lhe vale a sua ambição, se a coragem lhe falta? Deus não apoia cobardes.

Esse é o problema da nossa sociedade, a desigualdade entre duas classes: os grandes e os pequenos. Os fracos são pisados e, devido à sua cobardia não enfrentam os poderosos, que os controlam e desvalorizam. Porém, os pequenos são mais astutos e dedicados do que os grandes e, com muito trabalho, alcançam grandes coisas.

Terá o trabalho de Deus falhado? Ou é porque os grandes são demasiado poderosos? Sendo esse o caso, serão os fracos para sempre governados pelos grandes?

Tiago Batista, 11ºC

imagens editadas daqui

As primeiras décadas do século XX e, principalmente, a 2ª guerra mundial são fontes inesgotáveis de argumentos cinematográficos e as estreias do mês de novembro demonstram isso mesmo.

Começo com duas obras recomendáveis em que sobressai a esperança no futuro mesmo em momentos de desespero sendo que uma delas, As inocentes de Anne Fontaine, venceu o Prémio do Público na Festa do cinema francês e é considerado um dos melhores filmes do ano. A partir da história verídica de uma médica comunista da Cruz Vermelha francesa que auxilia as freiras de um convento da Polónia, violadas por soldados soviéticos no final da 2ª guerra mundial, assistimos a um turbilhão emocional, psicológico e espiritual envolvendo as protagonistas e as angústias e interrogações desencadeadas pelo momento em que vivem.

Um olhar diferente sobre as tropas soviéticas, a partir da inocência e imaginação de uma criança, é apresentado no filme A primavera de Christine de Mirjam Unger. Com ação em Viena, baseia-se na obra autobiográfica de Christine Nöstlinger, a autora mais famosa de livros infantis na Alemanha e na Áustria e que viveu os terríveis acontecimentos como uma aventura.

Em sentido contrário a emergência do mal surge em A Infância de um Líder, a estreia como realizador de Brady Corbert vencedor do Prémio “Revelação TAP 2015” do Lisbon and Estoril Film Festival (LEFFEST), e dos Prémios “Melhor Primeiro Filme” e “Melhor Realizador” (Orizzonti Award) no 72º Festival de Cinema de Veneza. Baseado no conto homónimo de Jean-Paul Sartre (1939), o filme tem a função de um documentário pois é uma visão assustadora sobre a ascensão do fascismo no Século XX.

Mas há sempre chance de dizer não e de resistir-se ao mal e a película Sózinhos em Berlim de Vincent Pérez, adaptação da obra homónima de Hans Fallada, dá conta disso, com a verdadeira história de coragem  dos resistentes ao nazismo, Otto e Elise Hampel, executados pelo regime por terem apelado à desobediência  aos nazis.

Igualmente sobre factos deste período, O herói de Hacksaw Ridge de Mel Gibson é um relato verídico e violento sobre o único soldado americano, Desmond Doss, que participou na batalha de Okinawa sem estar armado pois era objector de consciência. Médico do exército, consegue salvar 75 pessoas tendo sido condecorado com a medalha de honra do Congresso americano.

Num registo diferente mas igualmente do género drama, Chocolate de Roschdy Zem apresenta o primeiro palhaço negro nos palcos franceses, Rafael Padilla, um ex-escravo de origem cubana que fugiu para a França no final do século XIX e tornou-se uma estrela em Paris com a ajuda de seu parceiro Tony Grice, conhecido como o palhaço Footit. Chocolat usou o riso para lutar contra o preconceito e o ator Omar Sy tem uma interpretação perfeita como protagonista, mostrando  a ambivalência  de  um homem que deseja ser rico e livre mas que reconhece que  ainda  é controlado e manipulado por outros.

Ewan McGregor estreou-se na realização com American Pastoral baseado no notável romance homónimo de Philip Roth que valeu a este escritor o Prémio Pullitzer . Um filme inquietante sobre o sonho americano e as contradições de ser americano entre os que consideram, orgulhosamente, a América a terra das oportunidades e os que a vêem como símbolo do mal.

Num registo diferente dos anteriores a aventura e divertimento de Monstros fantásticos e onde encontrá-los de David Yates. A famosa escritora J.K. Rowling estreou-se como argumentista numa obra com personagens mágicas em que sobressai o expressivo Eddie Redmayne como um herói atrapalhado mas muito decidido em lutar pelo que considerava justo e correto. Esta obra é um bom regresso ao universo mágico “Harry Potter” aguardando-se com expetativa os quatro filmes que se seguirão.

Luísa Oliveira

À semelhança do ano anterior, a BE organizou, em parceria com a Porto Editora e a colaboração das professoras Énia Sena, Marina Andrade e Ana Fernandes, o concurso de literacia 3D. Este ano foi o 7ºAno de Ciências que contou com a participação de perto de 30 alunos de todas as turmas.

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Teve lugar na Biblioteca, no passado dia 20 de outubro, a entrega dos diplomas DELF, de língua francesa, com a presença, além dos alunos diplomados, da nossa diretora Sara Moura e das professoras Idalina Francisco e Maria Chinopa. Foi atribuído, no Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas, o nível A2 os alunos João Carvalho, Rafaella Latanzzzio, Margarida Nunes e Sofia Ribeiro, e o nível B1 aos alunos Andrea Almeida, Alexandra Louro e Ana Catarina Leitão.

1507-1No conto “A Aia”, de Eça de Queirós, a Aia troca de berço o principezinho e o escravozinho (seu filho), acabando este por ser morto, e ela, por se suicidar.

Na minha opinião, o que a Aia fez foi de grande coragem e lealdade ao reino, pois não é toda a gente que sacrificaria o seu próprio filho para salvar o herdeiro do trono, mas, apesar disso, eu não concordo com a troca de bebés. Se eu estivesse no lugar da Aia, provavelmente teria fugido com as duas crianças. Sim, eu estaria a trair o reino, mas a meu ver, uma vida vale muito mais do que tudo isso, e se fosse necessário, abdicaria da minha própria vida para salvar a vida dos dois.

Tendo em conta a troca dos bebés, é normal que a Aia se sentisse culpada daquilo que tinha feito, porque tecnicamente, foi ela que matou o próprio filho. Assim que a Aia colocou o seu filho no berço do príncipe, ele ficou com a morte garantida.

Portanto, eu entendo que a Aia se tenha suicidado, pois a coisa mais preciosa que ela tinha era o seu filho, mas ele foi morto. Então, ela perdeu a vontade de viver e, com o sentimento de culpa, acabou por tirar a sua própria vida.

Ana Bárbara Gomes Rodrigues, 9.º B

A meu ver, a atitude da Aia, ao trocar os dois bebés, o príncipe e o escravo, não foi correta, nem o acontecimento que lhe sucedeu, que foi o suicídio da aia com o punhal de esmeraldas.

Acerca da troca de bebés, não concordo pois penso que ninguém tem o direito de escolher quem vive e quem morre, independentemente da classe social. Para além disso, na minha opinião, o amor de mãe deve ser superior a qualquer outro sentimento, como por exemplo, a lealdade. Um dos deveres da mãe deve ser o de proteger o filho.

Em relação ao suicídio, julgo que a Aia não agiu corretamente pois, como já referi anteriormente, ninguém tem o direito de escolher quem vive e quem morre, mesmo quando se trata da nossa própria vida. Do meu ponto de vista, o suicídio é um ato de cobardia. A aia suicidou-se pois não conseguia viver com as consequências da sua escolha.

Concluo, baseando-me nos argumentos por mim apresentados anteriormente, que não foi correta a atitude, da aia, de trocar os dois bebés de berço nem o seu consequente suicídio.

Tomás Silva, 9.ºB

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Eu não concordo com as atitudes da aia.

Não concordo com ela, porque, em vez de pôr o filho à frente de tudo e todos, quis proteger o filho da rainha, para o reino não desmoronar.

A meu ver, a aia nunca devia ter posto a vida do seu próprio filho à frente dos interesses do reino, pois afinal de contas, a aia era uma simples empregada que prestava os seus serviços ao reino.

Em relação ao suicídio, penso que a aia tomou a decisão errada, porque se ela, no início, colocava o reino à frente do seu pequeno “chocolatinho”, logo a seguir, ela espeta aquele punhal de esmeraldas no peito, ou seja, primeiro, queria salvar o reino do tio bastardo, mas depois, deixa o reino desfalcado, sem uma das suas mais leais empregadas. Na minha opinião, ela foi má para o filho e acabou por não ajudar assim tanto o reino.

Pelas razões supracitadas, condeno as atitudes da aia.

Tiago Fernandes, 9ºB

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Penso que o fim do conto “A Aia” foi demasiado dramático ou, por outras palavras, triste.

 Julgo que não era necessário a Aia morrer no fim, pois como já li vários textos, desde livros, banda desenhada, entre outros, esse tipo de final é aquilo a que chamamos de “cliché”. Quantas histórias já eu li que acabam assim! A meu ver, a Aia devia ser uma mulher jovem, por isso poderia ter tido mais filhos. Do meu ponto de vista, a Aia devia ter fugido com o seu filho e com o príncipe. Por muito leal que a Aia fosse, estar a sacrificar sangue do seu sangue é um pouco extremo, para mim.

Mas no fim de tudo, acho que o final é também adequado, pois a Aia salvou o seu príncipe, ao trocar os dois bebés de berço, e após isso, como ela acreditava na vida após a morte, matou-se para ir ter com o filho.

Sara Trigo, 9°B