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A primeira longa metragem da realizadora Leonor Teles, “Terra Franca”, foi distinguida com Prix de La Ville d’Amiens, no 38.º Festival International du Film d’Amiens, em França, e com o Prémio de Melhor Primeira Obra da Competição Internacional na 33.ª edição do Festival Internacional de Cine de Mar del Plata (Argentina). O filme, cuja estreia está prevista para o próximo mês de janeiro, já tinha recebido vários prémios internacionais e retrata a vida de um pescador que vive numa comunidade piscatória à beira do Tejo. A longa-metragem “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos” de João Salavisa e Renée Nader Messora continua a acumular prémios pois foi também distinguida com o Prémio Especial do Júri no Festival Internacional de Cine de Mar del Plata depois de ter sido duplamente premiada no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro (Melhor Realização e Melhor Fotografia). A estreia, em Portugal, está prevista para março de 2019.

No que respeita a estreias nacionais, a apresentação foi diversificada abrangendo vários géneros cinematográficos. Começo pelo filme de Sérgio Tréfaut Raiva, a adaptação do clássico da literatura portuguesa do século XX, ‘Seara de Vento’ de Manuel da Fonseca. A película foi rodada no Alentejo retratando, num período de fome e violência, um assassinato executado por um camponês e a sua resistência à polícia e exército. Ainda sobre produção portuguesa o documentário Doutores palhaços de Hélder Faria e Bernardo Lopes sobre o emocionante contributo dos que pretendem melhorar o quotidiano de quem vive em ambientes de grande sofrimento.

No mesmo género, A febre Ferrante de Giacomo Durzi sobre a excelente escritora napolitana Elena Ferrante   e a sua pretensão de manter o anonimato enquanto a sua obra delícia milhões de leitores. Igualmente no âmbito da literatura o drama Dovlatov de Aleksey Germna Jr. apresenta seis dias da vida do escritor russo Sergei Dovlatov e a sua preocupação em manter a liberdade artística durante o opressivo regime soviético.

No género terror, uma interessante obra do cinema independente americano, realizada e protagonizada por Aaron Moorhead e Justin Benson, O interminável, debruça-se sobre o tenebroso universo dos cultos e seitas religiosas.  Utoya, 22 julho de Erik Poppe é um filme perturbador sobre o massacre da Noruega em 2011 e que alerta contra a ascensão da extrema-direita europeia, uma obra contra o esquecimento descrevendo o pesadelo que o ódio criou.

Outra excelente e igualmente perturbadora obra, Uma guerra pessoal de Matthew Heineman, baseada em factos reais, retrata a extraordinária vida de Marie Colvin (interpretada por Rosemund Pike), uma das jornalistas de guerra mais reconhecidas do nosso tempo que colaborava com o jornal The Sunday Times. Com um espírito rebelde e insubmisso, arriscando a própria vida, teve como missão de vida dar voz, nos seus artigos jornalísticos, aos que de outro modo nunca teriam forma de ser ouvidos, transmitindo de forma realista e crua o que é viver no meio da guerra até à sua morte em Homs, na Síria em 2012.

Viúvas de Steve McQueen, baseado no livro homónimo de Lynda La Plante, adaptado por Gillian Flynn, com um elenco talentoso em que sobressai Viola Davis, apresenta um grupo de mulheres que pretendem vingar as mortes dos maridos criminosos no meio de violência, racismo e corrupção em Chicago. O tema foi apresentado numa minissérie na TV inglesa em 1983 e adaptado à realidade americana.

O sensível Beautiful Boy, de Felix Van Groeningen, mostra o amor resistente de uma família perante o vício do filho e as tentativas de reabilitação. Baseado nas biografias do jornalista David Sheff e do seu filho, Nic Sheff, apresenta interpretações brilhantes dos atores Steve Carell e Timothée Chalamet, este último no papel do filho na fase em que se torna viciado em metanfetaminas.

A vingança de Lizzie Borden, de Craig Macneill, é um thriller psicológico baseado em factos reais, em que a atriz Chloe Sevigny interpreta o papel de Lizzie Andrew Borden, uma das figuras mais icónicas da cultura popular norte-americana que foi a julgamento   pelo duplo homicídio do seu pai, Andrew J. Borden, e da sua madrasta, Abby Borden, no dia 4 de agosto de 1892.

Mais uma produção francesa de qualidade no thriller dramático Histórias de uma vida de Jean Becher, numa adaptação do romance de Jean-Christophe Rufin, desenrola-se no primeiro pós-guerra em que um cão dá contributo importante para a resolução de um mistério.

O segundo filme da spinoff de Harry Porter constitui um sucesso de bilheteira dos estúdios Warner Bros Monstros Fantásticos – Os Crimes de Grindelwald de David Yates, com Eddie Redmayne que volta para ser o protagonista Newt Scamander na luta contra o poderoso e maléfico feiticeiro Gellert Grindelwald em mais uma obra de fantasia de J. K. Rowling. Na época natalícia é adequado o regresso do duende verde Grinch de Yannow Cheney e Scott Mosie. A história do filme sofre poucas mudanças relativamente à película de 2000, mas é uma criatura mais social e menos assustadora numa película de animação bastante colorida e divertida com Benedict Cumberbatch a dar voz ao Grinch.

Por fim, justifica-se uma menção ao falecimento do polémico e genial cineasta italiano, Bernardo Bertolucci, que realizou inúmeras obras memoráveis além de 1900 e O último imperador, que farão sempre parte da memória do cinema.

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Nesta Semana  da Ciência e Tecnologia, registamos com satisfação o estabelecimento 6 parcerias de cooperação com centros de investigação e unidades do ensino superior na área da Ciência e Tecnologia. Ao abrigo do programa Cientificamente Provável , a escola, mediada pela BE, estabeleceu parcerias com o MOSMICRO ITQB NOVA, o CERENA- Centro de Recursos Naturais e Ambiente (IST-UL), o Centro de Química e Bioquímica (FC-UL), o CENIMAT/i3N (FCT/UNL) – Centro de Investigação de Materiais, o Laboratório de Instrumentação, Engenharia Biomédica e Física da Radiação (LIBPhys-FCT-UL) e o Departamento de Matemática da FCT-UNL.

Estas parcerias cobrem de uma forma, sempre que possível, interdisciplinar as áreas da Biologia, Química, Física e Matemática, e a sua execução estará a cargo das professoras Carla Vaz, Telma Rodrigues, Paula Paiva e Ana Cristina Santos. Terão como principais destinatários os alunos do Ensino Secundário de Ciências e Tecnologias e darão particular suporte ao novo projeto Erasmus+ KA229 da escola , que se propõe  partilhar boas práticas no ensino-aprendizagem das ciências, numa abordagem interdisciplinar, com escolas da Lituânia, Hungria e Turquia. 

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A minha biblioteca de sonho

É um sítio irreal

Nas nuvens eu a ponho

É por isso especial.

 

Sossego, luz, cultura

É o que não vai faltar,

Depois da imaginação pura

À Terra vou voltar.

 

E eis que encontro parecido

Um agradável lugar

Onde tudo faz sentido

E a sabedoria está no ar.

 

Simpatia e amabilidade

Eu consigo encontrar,

Pois esta é na verdade

A minha biblioteca escolar.

Madalena Vitorino, 9º C

A Multiplicidade em Fernando Pessoa

fpA imagem que escolhi é da autoria do artista português Rui Pimentel. Representa, de uma forma curiosa, o autor Fernando Pessoa e o seu processo de fragmentação do “Eu”, que remete para a multiplicidade do poeta.

Esta gravura mostra o poeta em frente a um espelho que reflete três diferentes personalidades que constituem o seu “todo”, representando alguns dos heterónimos que assumiu.

O espelho, podendo assumir inúmeros significados, pode aqui ser encarado como um símbolo da verdade e sinceridade, um instrumento de contemplação, sendo possível atingir, o pensamento em si mesmo.

Tal como acontece no mito de Narciso1, também Pessoa se olha ao espelho com a finalidade de se conhecer. As várias reflexões surgem então como fragmentos do pensamento do poeta.

Através da sua poesia expressa o desejo que tem de conhecer o seu verdadeiro “Eu”, “Não sei quantas almas tenho/ Cada momento mudei./ Continuamente me estranho./ Nunca me vi nem achei.”2.

Esta necessidade de se conhecer leva-o a fragmentar-se em outros, que apesar da mesma aparência têm personalidades completamente distintas, “Atento ao que sou e vejo,/Torno-me eles e não eu./ Cada meu sonho ou desejo/ É do que nasce e não meu.”2.

Tal como representado na figura, neste processo de despersonalização destacaram-se Alberto Caeiro, poeta bucólico, antimetafísico e mestre dos outros – “Pensar é estar doente dos olhos”3, Ricardo Reis poeta clássico, e Álvaro Campos, poeta engenheiro, amante da ‘força da máquina’ – “Ah poder exprimir-me todo como um motor se exprime!”4 -, cuja vida acaba por tomar um rumo semelhante à do seu criador -“Não: Não quero nada/Já disse que não quero nada”5.

Perante a imagem conclui-se que o espelho funciona de certo modo como uma ferramenta que permite o autoconhecimento do próprio poeta e uma consequente expressão e materialização do seu pensamento.

Sara Cardoso, 12ºB

  1.  – Mito grego no qual um belo jovem se apaixona pelo seu reflexo e este acontecimento acaba por conduzir à sua morte.
  2.  – Não sei quantas almas tenho”, Fernando Pessoa
  3.  “O Mundo não se Fez para Pensarmos Nele”, Alberto Caeiro
  4.  – “Ode Triunfal”, Álvaro de Campos
  5. “Lisboa Revisitada”, Álvaro de Campos

sonhos sec

Prémio

Uma “biblioteca de sonho” é, no mínimo, uma expressão estranha numa sociedade em que tudo o que é “de sonho” se afasta cada vez mais do livro. Mas, como diria Neil Gaiman, “um livro é um sonho que tu seguras nas tuas mãos”, e se calhar é mesmo isso que falta nesta sociedade, sonhar.

Se calhar é isso mesmo que nos falta, falta-nos os mundos, as personagens a ficção, falta-nos as lágrimas, o riso, o suspense, falta-nos descobrir o mundo sem sair do quarto, falta-nos viver mil vidas num virar de página.

E, se um só livro é tudo isto, então o que será uma biblioteca senão a porta para um novo mundo? Porque nunca uma biblioteca é “apenas uma biblioteca”, é, porém, uma nave espacial, que nos leva aos mais longínquos cantos do universo, ou uma máquina do tempo, que nos transporta do passado para o futuro num simples piscar de olhos, ou uma professora, que tem mais a ensinar que qualquer ser humano, ou uma amiga que te entretém e consola, quando mais ninguém o consegue fazer – mas, acima de tudo, um refúgio, para uma vida melhor e mais feliz.

É certo, então, que nunca uma “biblioteca de sonho” precisou de ser grande, bem decorada, ou ter livros mais eruditos, uma “biblioteca de sonho” não precisa mais do que um livro, daqueles que nos fazem sonhar, e apenas um leitor, de preferência, daqueles que ainda sabem sonhar.

Lara Alves, 12ºE

Menção Honrosa

A minha biblioteca de sonho teria a mesma função que as bibliotecas atuais: preservar o que de melhor há no mundo, os livros.

Esta minha biblioteca paradisíaca seria acessível a todos os que dela quisessem desfrutar, independentemente das idades. A sua estrutura seria de vidro e as poucas paredes deveriam ter cores vivas e alegres.

Para além das estantes mágicas com toda a variedade de livros, imagine-se a entrar numa sala deslumbrante, sobre um grande e retângular tapete vermelho, cujas portas cor de mel convidam o leitor a entrar. Experimente olhar à sua direita. Sentado nessa modesta cadeira pode observar Fernando Pessoa, que o espera para conversar. Entre e satisfaça a sua curiosidade. Saia e dirija-se a qualquer uma das outras centenas de portas nessa sala, pois, em cada uma delas, encontrará um grande escritor que anseia  dialogar consigo, respondendo a todas as suas inquietações.

A minha biblioteca de sonho daria vida aos livros, mas, principalmente, aos seus escritores, pois mais do que preservar os livros, é preservar a memória de quem os escreveu.

Sara Boisseau dos Santos, 11ºB