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Foi em 1943, em plena 2ª guerra mundial, que Hugh Martin e Ralph Blane compuseram uma canção para um filme protagonizado por Judy Garland (Meet me in St. Louis/Não há como a nossa casa).

Have yourself a merry little Christmas percorreu com êxito os 77 anos que já nos separam da sua criação mas, não obstante ser mundialmente conhecida, não sei se todos se aperceberam do modo como a mensagem que as palavras que a compõem se atualiza nestes outros tempos difíceis que estamos a viver: “Next year all our troubles will be out of sight” (no ano que vem, já todos os nossos problemas terão ficado para trás), “Faithful friends who are dear to us/Will be near to us once more” (Bons amigos, que nos são queridos/Estarão connosco outra vez). São palavras que ecoam um Natal triste, sem a presença dos entes queridos, mas são sobretudo palavras de outra geração que, estando igualmente a sofrer, nos transmite a esperança num melhor futuro.

Aqui fica então essa esperança e essa canção.

Bom Natal e Melhor Ano Novo

Fernando Rebelo

O livro de que vou falar é “Madame Bovary” de Gustave Flaubert, publicado em 1857. Esta obra é um romance cuja ação decorre no século XIX e que explora os limites do amor e da liberdade.

Ema, a personagem principal, é uma jovem, pertencente à burguesia, educada num convento. Desde cedo, começa a ler fantasias românticas, as quais espera encontrar no casamento.  Quando se casa com Carlos Bovary e se apercebe que leva uma vida demasiado monótona e nada como a que teria idealizado, procura realizar o seu sonho de um amor perfeito fora do casamento. Assim, comete adultério mais de uma vez e, insatisfeita com a sua vida e com os seus amantes, começa a fazer compras fúteis e desnecessárias, acabando assim por se afogar a si e à família em dívidas.

A questão-problema que desenvolvi através desta obra é: Será “Madame Bovary” o romance dos romances?

Na minha opinião sim, pois temos de ter em mente que o romance foi escrito na década de 50 do séc. XIX. Como tal, o romance é inovador, criticando a burguesia e o clero e retratando ainda o adultério, o que seria um pecado mas, acima de tudo, um crime nesta época.

Esta obra mostra uma perspetiva de romance que leva ao adultério, algo inovador e demasiado cru no século XIX. Mas demasiado comum, nem por isso correto, no nosso dia a dia. O que seria um assunto tabu há 200 anos, atualmente está demasiado banalizado, apesar de ser errado. Provando assim que o romance é algo polémico e intemporal.

Apesar do romance ter sido publicado no século XIX, conseguimos encontrar referências evidentes na atualidade.

Passo então a explicar:

  • Ema quando não encontra o tão esperado amor perfeito, começa a refugiar-se em compras supérfluas, passando assim o seu tempo a adorar objetos e posses materiais. Em vez de, procurar amar a sua família e fazer o seu romance perfeito acontecer com Carlos.
  • Tal como nós, quando nos deparamos com um obstáculo, e não conseguimos resolver o problema que nos é pedido para superar o mesmo. Escolhemos passar ao lado deste sentindo vazio imenso correspondendo à solução. Escolhemos assim refugiar-nos em objetos e posses materiais, de forma a tentar preencher um vazio impreenchível.

Ilustração da obra por Mikhail Mayofis

Também nós, como Ema, idealizamos um romance perfeito que nos é embutido pela sociedade estereotipada em que vivemos através de livros, telenovelas, filmes românticos e até mesmo pelas redes sociais.

Muitos podem pensar que “Madame Bovary” não merece este reconhecimento, pois esta obra é só mais uma entre muitas onde, as histórias são semelhantes ou até mesmo porque não tem um final feliz como muitos esperariam num livro como este. Mas este romance é a inovação dos romances e traz consigo uma nova vertente de escrita. Quanto ao final feliz eu penso que o autor apenas procurou fazer transparecer aquilo que é a realidade e não um conto de fadas.

Algumas curiosidades que sustentam a minha argumentação:

O autor Gustave Flaubert vai a tribunal por ter publicado o livro, pois este contem ofensas à moral, religião, clero e burguesia. Para se defender Flaubert diz ser Madame Bovary “Ema Bovary c’est moi“. Pois também ele se sente preso numa sociedade completamente estereotipada, infeliz com tudo o que tem e refém das compras supérfluas.

FLAUBERT, Gustave (2017), Madame Bovary, Ed. Clube do Autor, 1ªedição

Clara Dias, 11ºC

Nós vivemos no melhor dos mundos possíveis. Qualquer mundo que existisse, nunca seria tão bom como o nosso, pois, mesmo não tendo certos problemas, teria outros, garantidamente piores. Esta tese, desenvolvida por Leibniz, é um bocadinho rebuscada, admito-o, e é exatamente uma das principais doutrinas que Voltaire pretende contra-argumentar na sua obra satírica “Cândido ou o Otimismo”.

Este livro foca-se nas desventuras de Cândido, pelas quais passou após ter sido expulso do castelo em que vivia. Cândido foi educado pelo professor Pangloss, que lhe incutiu esta doutrina otimista. Através dos azares de Cândido, evidencia-se que o otimismo não é viável pois até Cândido, crente no otimismo, deixa de o ser.

Apesar disto, discordo do argumento de Voltaire, porque, no fim, Cândido, mesmo não estando completamente satisfeito por um conjunto de razões, vive em harmonia, já que passa a “Cultivar o seu jardim”, isto é, a encontrar a felicidade nas suas simples vivências.

Isto para dizer: é possível que vivamos, mesmo, no melhor dos mundos possíveis. E esta conceção do mundo é fundamental, especialmente no contexto atual.

Antes de continuar, quero dizer que tenho todo o respeito por aqueles que estão a sofrer devido à pandemia, e que não pretendo de modo nenhum diminuir o seu sofrimento – quis, pelo contrário, vir trazer umas palavras de esperança.

Algum tempo depois de ter sido expulso do castelo, Cândido reencontra Pangloss a viver na rua, quase irreconhecível, pois contraiu um vírus. Pangloss explicou que contraiu sífilis porque Cristóvão Colombo o trouxe da América. E, se não tivesse lá ido, não teriam as suas coisas boas na Europa – chocolate, milho, batatas, tomates… Por isto, era necessário que contraísse a doença.

Do mesmo modo, acredito que o vírus que está agora a infetar o mundo tem um propósito semelhante. Está, de facto, a tirar muitas vidas. Mas os avanços médicos e tecnológicos que nos trará podem vir a salvar muitas mais, no futuro. Mais uma vez, o mal acontece para um bem maior.

Mas que bem maior? Para isto, deixo as palavras de Bill Gates, que se tem dedicado à sensibilização das pandemias eminentes há alguns anos:

Maturaremos algumas destas plataformas para as vacinas, que não só servem para pandemias, como para desenvolver vacinas contra a malária, a tuberculose, e o HIV. Assim como em tempo de guerra, avançámos rapidamente e experimentámos coisas novas. Até em termos do nosso estilo de vida: Podemos usar a telemedicina, a tele-escola, podemos evitar algumas das viagens que fazemos para o trabalho? Os nossos olhos foram abertos, e esse software está a tornar-se muito melhor. É uma verdadeira aceleração.

Muito bem. Mas agora, dizem-me vocês, como é que posso ter a certeza de que vivemos mesmo no “melhor dos mundos possíveis”? Não posso. A teoria de Leibniz baseia-se num Deus criador todo poderoso e bom que escolheria sempre o melhor dos mundos possíveis para criar. Mas não consigo provar que Deus existe. Como é que saio daqui?

Deixem-me tentar explicá-lo com os ideais antitéticos de Martin, pessimista, e Cândido, otimista, que têm uma discussão filosófica ao voltar para a Europa:

Por toda a parte, os fracos abominam os poderosos perante os quais rastejam, e os poderosos tratam-nos como rebanhos de que vendem a lã e a carne. Um milhão de assassinos arregimentados, correndo de um ao outro extremo da Europa, exercem o morticínio e a pilhagem com toda a disciplina, porque não têm ofício mais honrado; e, nas cidades (…), os homens são devorados de (..) inveja(…).

Após ser expulso do castelo onde nasceu, Cândido inicia sua jornada em busca de sua amada Cunegundes e descobre que o mundo não é tão maravilhoso quanto ele pensou.

Esta é a perspetiva que Martin tem da vida, que é intrinsecamente triste. Cândido, pelo contrário, replica: “Mas há um lado bom”. O otimismo de Cândido retrata a vida sob uma luz positiva. Vendo a vida assim, acabamos por ser mais felizes e ter mais esperança: o modo como vemos o mundo influencia como nos sentimos.

A felicidade, a meu ver, é aquilo que se pretende alcançar na vida. Estar mais perto de a ter é desejável e, por isto, devemos conceber o mundo otimisticamente. Não podendo aceitar a visão otimista do mundo como verdade absoluta, podemos tomá-la como, pelo menos, verosímil.

Resumindo, mesmo que soframos, não quer dizer que o mundo em que vivemos seja mau. Os maus momentos são necessários para apreciarmos os bons. E é assim que devemos olhar para o nosso contexto atual – as dificuldades que se nos apresentam têm o propósito de nos fazer crescer pessoalmente, e evoluir o mundo. Ter uma perspetiva positiva da situação traz-nos conforto, e isso é algo que, em tempos atribulados, não deve ser subestimado. Assim, não se esqueçam de procurar o bem na vossa vida.

Citações/fontes

  • Gates, Bill. Bill Gates on how to end this pandemic—and prepare for the next. Susan Goldberg. National Geographic, 14 setembro 2020: 

https://www.nationalgeographic.com/science/2020/09/bill-gates-how-to-end-this-pandemic-and-prepare-for-the-next/

 Marta Vasconcelos, 11ºC

A minha experiência no workshop Repórter Local

No período compreendido entre os dias 6 e 16 de outubro de 2020, quatro alunos e a professora bibliotecária, da Escola Secundária Daniel Sampaio, participaram no workshop online denominado “Repórter Local” ministrado pela Help Images – uma organização sem fins lucrativos.

Após a conclusão do workshop, realizámos uma pequena reportagem com base em alguns dos 17  ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável).

Na minha opinião, este workshop permitiu-me adquirir conhecimentos acerca de um dos muitos ramos da área da comunicação, ajudando-me assim a ter uma noção mais realista de uma das minhas possíveis futuras áreas de trabalho.

Apesar de ter uma considerável carga horária diária, o instrutor Ricardo Nogueira e a outra escola participante, a Escola Básica Ferreira de Castro, fizeram com que valesse a pena.

Esta atividade permitiu-me também fazer novas amizades com pessoas incríveis, com quem irei sem dúvida manter contacto.

Aconselho vivamente a todos que gostem de comunicação, fotografia, som, etc. a participar num workshop como este.

Madalena Vitorino, 11ºE

(vídeo realizado no âmbito do workshop)

O Ponto e a Linha

São os primeiros elementos da gramática visual.

O ponto é o signo gráfico mais simples e a partir do qual nasce a forma.

Na arte, os pontos podem surgir de variadas formas: agrupados, dispersos, maiores ou menores e podem até constituir movimentos artísticos como o Pontilhismo que derivou do Impressionismo.

Decorrente das reflexões de Georges Seurat, cuja pintura passou a apresentar pinceladas muito pequenas, evoluindo depois para pontos de cores primárias (magenta, amarelo e azul ciano) que eram colocados separadamente ao lado uns dos outros para obter o máximo de luminosidade.

A uma certa distância, fundiam-se na nossa retina, sendo percecionados como manchas de cor e realizando assim a mistura ótica das cores.

Para obter, por exemplo, o verde das árvores ou da relva, o pintor aproximava pontos azuis e amarelos na tela para serem percecionados como verde, ou se quisesse um céu violáceo justapunha pontos azuis com magenta ou vermelho.

Além da arte, também os objetos, as pessoas ou as estrelas podem ser percecionados como pontos, se os virmos a uma grande distância.

Do ponto solta-se a linha, sinuosa, reta, quebrada, ora com uma expressão serena e contida, ora dinâmica, revelando uma expressividade de acordo com o material que a representa.

A linha é modeladora das formas. Pode estar presente e ser invisível ao mesmo tempo, quando subjaz à estrutura da composição e quando sugere ao olhar que se oriente em determinada direção, ou então quando julgamos ver linhas de contorno separando as formas dos fundos.

Criando composições simples com representação dos materiais escolares, os alunos do 7ºB experimentam dar a sua expressão aos pontos e às linhas.

Ana Guerreiro

Comemoraram-se nos dias 15, 16 e 17 de outubro os “DIAS ERASMUS” – uma celebração de um programa que assumiu o antigo nome das bolsas de estudo universitárias para se estender, desde o seu início em 2014, a todos os níveis de ensino, sob o nome Erasmus +. Desde então, a nossa escola tem-se candidatado à sua Ação-chave 2, que financia projetos de parcerias entre escolas europeias, tendo tido, desde 2016, três projetos financiados na área das ciências em abordagem interdisciplinar: SMiLES (2016-18), INTEReST (2018-21) e, desde setembro, o SCIENTIFY (2020-22).

Certo é que nestes tempos complexos, estes projetos, mais em particular o que vínhamos a desenvolver desde 2018 – INTEReST– , viram-se privados de uma componente muito importante do seu sucesso: o encontro físico dos seus participantes,  dada a incerteza, quando não impossibilidade, da mobilidade internacional. Assim, foi com grande pena nossa que tivemos de adiar sine die o último encontro da parceria, que teria tido lugar em março de 2020, em Mersin (Turquia). Nesse encontro, as escolas de Portugal, Lituânia, Hungria e Turquia teriam tido oportunidade de mostrar as atividades que tinham realizado no âmbito do BeeINTEReSTed e de  finalizar em conjunto as últimas etapas desse projeto que, como o vídeo que a seguir publicamos bem ilustra, se propôs  tratar o tema das abelhas através das conteúdos curriculares das disciplinas de Biologia, Matemática, Física e Química do Ensino Secundário.

Esperando melhores dias, que com certeza chegarão, decidimos porém não ficar parados e, aproveitando a oportunidade que a Agência Nacional E+ nos proporcionou de não só prolongar o projeto até 2021, como de substituir o encontro físico pelo virtual, daremos início a 4 de novembro a uma série de 5 workshops por videoconferência, em que alunos dos 4 países da parceria trocarão experiências sobre as atividades levadas a cabo no desenvolvimento do BeeINTEReSTed e proporão aos colegas dos outros países desafios no âmbito desta temática. Desta forma, manteremos os alunos e os professores destes 4 países motivados, acreditando na qualidade do seu trabalho, preparando-nos para o dia em que nos poderemos encontrar todos outra vez.

  • Equipa INTEReST: Carla Vaz, Telma Rodrigues (biologia), Ana Cristina Santos (matemática), Paula Paiva (física e química) e Fernando Rebelo (coordenação)
  • Site internacional INTEReST: http://www.interest-erasmus.net/

cartaz da autoria da profª. Sandra Surgy

 

PROGRAMA

  • “10 min. a ler”
  • Formação de utilizadores
  • Semana Educativa Ibero-americana sobre Democracia e Cidadania para a Garantia dos Direitos Humanos
  • Repórter Local (Help Images)
  • Mostra do Filme Solidário (Help Images

Concurso Literário Escolar + Leitura + Sucesso – participação da ESDS/ AEDS premiada.

A aluna Sara Boisseau Varino dos Santos, 12º ano, B, que aceitou o desafio da Biblioteca Escolar, foi distinguida com o Prémio do 3º escalão para a modalidade de poesia com o texto “No Canto Rasgado de um Guardanapo”, que a seguir se publica, entre os 13 trabalhos a Concurso.

O júri do Concurso Literário Escolar constituído por João Paulo Proença, Coordenador Interconcelhio para as Bibliotecas Escolares do Concelho de Almada, Armando Correia, Técnico Superior da Área da Educação da Câmara Municipal de Almada e Davide Freitas, Técnico Superior da Rede Municipal de Bibliotecas de Almada, procederam à apreciação dos trabalhos  apresentados a Concurso pelos Agrupamentos Escolares do Concelho de Almada e assim o decidiram.

Foram rececionados na Divisão de Bibliotecas e Arquivos 30 trabalhos, 17 na modalidade de conto e 13 na modalidade de poesia, de 10 Agrupamentos Escolares do Concelho de Almada, produzidos por 28 alunos, identificados com pseudónimo e com os títulos por escalão.

A participação de sucesso da aluna Sara Boisseau é mais um motivo de orgulho para a nossa comunidade escolar e uma prova de que vale sempre a pena investir nos projetos das Bibliotecas Escolares. Parabéns!

Dulce Sousa

poema

Luís Vasconcelos-praia coleção

Fotografia original de Luís de Vasconcelos, selecionada por Sara Boisseau

Em jeito de testemunho

Iniciei o meu 7ºano nesta escola em setembro de 2014. Agora, em junho de 2020, estou a acabar o 12ºano.

Pelas outras escolas por onde passei, a biblioteca foi, para mim, um local de passagem diária. Os livros sempre me fascinaram e acompanham-me desde pequena. Se a leitura sempre fez parte da minha vida, a escrita rapidamente me envolveu e se tornou a minha companheira confidente.

Nesta biblioteca cresci física e intelectualmente. Cresci com a biblioteca, e cresci na biblioteca. O banco que utilizava para chegar às prateleiras do fundo é hoje o mesmo banco que utilizo para aceder às mais altas prateleiras das estantes.  Foi através dos diversificados e atrativos livros da nossa biblioteca que estimulei a criatividade e o interesse pelas mais diversas áreas do saber. Foi na escola Daniel Sampaio que consegui conciliar o gosto pelos números, ingressando no curso de Ciências e Tecnologias, e pelas letras, explorando a biblioteca e participando ativamente nos vários desafios (e foram tantos!) promovidos pelos professores bibliotecários.

Entrei neste desafio pelo prazer de participar e ter sido o meu poema, entre outros, o escolhido, é, para mim, motivo de grande satisfação e alegria. O facto de ter sido uma escolha anónima deixa-me ainda mais feliz pois foi tida em conta, unicamente, a minha escrita, o que confere a este prémio um sabor mais especial.

A verdade é que o caminho se faz caminhando, e na biblioteca da escola Daniel Sampaio encontrei tudo o que precisava para que esta minha viagem tivesse sucesso. Os professores Fernando Rebelo e Dulce Sousa foram o meu farol, apontando-me o caminho. As auxiliares Fernanda e Helena assistiram-me ao longo do percurso, tornando a viagem mais simples. Divido com eles este prémio, porque ele também lhes pertence. A eles, os meus agradecimentos.

Hoje, estou a terminar o 12ºano. Em breve, encontrarei outra biblioteca. Mas não me despeço da biblioteca da escola Daniel Sampaio. Levo-a comigo, e ao mesmo tempo, deixo-a para vocês. Estou certa que a cadeira onde me sentava não ficará vazia, pois espero que este meu testemunho sirva de incentivo a outros caminhantes.

Sara Boisseau, 12ºB

Testemunho de um passado recente tão diferente do actual momento Reportagem sobre a atividade «dar voz aos clássicos»

Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett

A atividade formativa que juntou as turmas E, F e G de 11.º ano decorreu ao fim da manhã da terça-feira, dia 10 de março 2020.

     O Centro de Recursos da nossa escola recebeu as três turmas num momento de aprendizagem fora do vulgar, subordinado ao estudo da obra Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, naquela que foi a Semana da Leitura. O objetivo do encontro, num contexto e espaço diferentes, é simples: os alunos dramatizam a leitura e, com recurso a excertos do filme Quem És Tu, de João Botelho, comparam e analisam as emoções que das personagens emanam.

    A dinâmica centrou-se nos manuais e na fluência com que cada um leu e encarnou a sua personagem – fator importante para a compreensão da mensagem do texto. Na tragédia, tanto os presságios como as peripécias conferem à obra um toque de mistério e suspense, que se encontram patentes ao longo do enredo.

    Depois de discutido o sentido da palavra “Ninguém.”, proferida pelo Romeiro – o qual responde à questão de Jorge: “Romeiro, romeiro, quem és tu?” – houve lugar para se manifestarem opiniões em relação à aula, a qual foi considerada, por vários, esclarecedora, diferente e mais dinâmica.

    A atividade terminou com o apelo da professora bibliotecária (Dulce Sousa), que reforçou a importância da biblioteca escolar – que, segundo ela, os alunos devem frequentar e aproveitar, de forma autónoma, para pesquisas e leituras.

 Luís Ascensão – 11.º E.

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Ainda completamente fora de tempo, mais vale tarde do que nunca, já que, à exceção da campanha Miúdos a Votos, todo o restante programa se cumpriu.

Dulce Sousa (PB ES Daniel Sampaio)

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1. FERRAMENTAS DE VIDEOCONFERÊNCIA E TRABALHO EM LINHA:

• https://duo.google.com/
• https://classroom.google.com/
• https://zoom.us/
• https://www.circuit.com/
• https://jitsi.org/
• https://web.skype.com/
• https://web.whatsapp.com/
• https://whereby.com
• https://www.webex.com/

2. PLATAFORMAS DE APRENDIZAGEM INTERATIVA:

• Escola virtual: https://www.escolavirtual.pt/ – disponível em acesso livre
• Aula digital: https://auladigital.leya.com/ – disponível em acesso livre

3. PUBLICAÇÕES EM ACESSO LIVRE

• Coleção «O Essencial Sobre…» https://www.incm.pt/portal/livros_edicoes_gratuitas.jsp

                     Clique para aceder ao programa completo

No dia 29 de janeiro de 2020, decorreu na ESDS a Oficina de Escrita criativa orientada pelo escritor David Machado. Tratou-se de uma iniciativa enquadrada no Festival READ ON, projeto cofinanciado pelo programa Europa Criativa, da União Europeia, a decorrer em Almada. A oficina de escrita foi dirigida sobretudo a jovens do ensino secundário e nela se inscreveram alunos de diversas turmas de 11º e 12º anos.

O laboratório de escrita criativa decorreu em três fases: um primeiro momento de reflexão/debate sobre a importância da literatura, do ato de escrita e da função das histórias e das narrativas na nossa vida social e pessoal. Nesta fase inicial, o testemunho de David Machado e o seu diálogo com os alunos foi muito importante para clarificar e concretizar o que é o ofício de escritor e o processo de escrita.

O segundo momento aconteceu já à mesa de trabalho e correspondeu a um brainstorming que levou os alunos a esboçarem uma história multicéfala mas coesa. Cada ideia um caminho novo para uma narrativa que teria de ser verosímil, cada pormenor teria de justificar a sua própria existência e nunca defraudar o leitor. Sob o olhar técnico e arguto do escritor David Machado, os alunos tiveram oportunidade de perceber que numa história nada está ao acaso. O estado de vigilância tem de ser permanente, inclusivamente, para evitar preconceitos e clichés que navegam nas ideias e que poderão contaminar a criatividade da escrita. Foi um momento muito divertido e enriquecedor do processo de criação de texto.

Depois do exercício de oralidade, que “aqueceu” a imaginação do grupo, veio o terceiro momento. Nesta fase, os alunos foram convidados a iniciar o processo de escrita criativa da sua história. Um processo solitário de redação de uma história individual que partiu de uma ideia original de cada aluno Cada um dos 15 textos deveria integrar no seu enredo o tema Green Revolution – Revolução Verde.

Os resultados foram muito interessantes e, apesar de não ter sido possível a David Machado comentar a construção de todos os textos, as suas observações foram muito úteis para o coletivo. Incidiram sobre o modo como cada narrativa consegue “agarrar” o leitor, o modo como se ganha ou perde o leitor a partir de situações ou frases que quebram o encantamento da história no imaginário de quem a lê. Ouviram-se fragmentos de histórias. Narrativas inesperadas, puras, tocadas pela magia das primeiras escritas criativas.

O trabalho de criação continuou em casa. Mas aqui, na escola, os alunos envolveram-se realmente na experiência e no final da oficina tinham ainda mais dúvidas a esclarecer e perguntas a fazer a David Machado, que sempre disponível partilhou a sua experiência literária.

A Biblioteca da ESDS agradece a todo o grupo de alunos envolvidos, bem como a todas as professoras que colaboraram na divulgação da iniciativa.

Um agradecimento muito especial ao escritor David Machado pela sua partilha de experiência e pelo conhecimento que nos transmitiu. Próximo encontro: Festival Read On – Concurso de Escrita Criativa.

Dulce Sousa

(Prof. Bibliotecária ESDS/AEDS)

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Num tempo em que o plástico constitui uma ameaça para o ambiente, fazer a apologia do mesmo é não só ir contra a corrente como poder ferir suscetibilidades.

Apontado como um material nocivo, poluente, responsável pela causa de morte nos oceanos, tido como algo que as pessoas desejam freneticamente substituir, o plástico tornou-se o alvo a abater.

Patente no museu de Leiria, a exposição “Plasticidade – uma História dos Plásticos em Portugal” mostra um conjunto de objetos que vão desde materiais de construção a móveis, próteses, tintas, automóveis, computadores, obras artísticas… ilustrando como este material revolucionou a vida quotidiana.

A exposição corresponde uma das metas de um projeto coordenado por Maria Elvira Callapez, especialista em História dos Plásticos e investigadora na FCUL.

cadeira de Vernon Panton

Distinguida com o prestigiado prémio Dibner, o qual seleciona museus e exposições que melhor comuniquem ao público a história da tecnologia, da indústria e da engenharia, esta exposição apresenta outro olhar sobre este tão mal-amado material.

O surgimento do plástico, no séc. XIX, teve desde logo uma causa nobre: salvar os elefantes. Isto porque se matavam elefantes para lhes retirar o marfim dos dentes com o qual se fazia, entre outros objetos, bolas de bilhar e, dada a escassez destes animais, em determinada altura, alguém teve a ideia de lançar um concurso para o fabrico destas peças com um material sintético.

Deve-se então ao investigador inglês, Alexander Parkes, a criação do primeiro plástico, “Parkesine”. O estudo e as técnicas desenvolvidas permitiram não só a criação das bolas de bilhar como cabos de facas, travessões, botões de punho, etc mas sucederam-se alguns problemas e o material teve de ser aperfeiçoado até se instalar definitivamente. Hoje é “uma macromolécula que existe para a eternidade”, refere a mesma especialista, exaltando as suas inúmeras qualidades, tantas que conseguiu destronar os materiais tradicionais até então. Era usual a utilização de peças como baldes de zinco, pesados e barulhentos, máquinas de costura em ferro, difíceis de transportar, ferros de engomar, em ferro, entre tantos outros, impossíveis de coadunar com a vida moderna. O plástico tornou-se num material de consumo generalizado e a sua aplicação na indústria alterou não só o processo de fabrico, usando-se técnicas de moldes, como as formas dos objetos foram alteradas. A indústria do mobiliário sofreu uma autêntica revolução devido ao baixo custo, à durabilidade e à democraticidade do seu uso.

A cadeira Panton foi a primeira cadeira em plástico que rapidamente se converteu num ícone da Pop Art, produzida apenas com uma operação maquinal e feita de uma só peça, com a forma de um S, foi criada pelo designer dinamarquês Verner Panton, na década de 1960.

Mas outras áreas como a medicina, em que este material é imprescindível, quer no fabrico de próteses, válvulas que se colocam no coração, fios de operação que depois serão assimilados pelo corpo, etc, torna impensável afastá-lo do quotidiano.

Por outro lado, imagens como a que Rich Horner captou ao mergulhar no mar, na Indonésia, e à qual se referiu como “Garrafas de plástico, copos de plástico, folhas de plástico, baldes de plástico, saquetas de plástico, palhas de plástico, cestos de plástico, sacos de plástico, mais sacos de plástico, plástico, plástico, muito plástico”, alarmam-nos obviamente.

Ou a fotografia de um trabalhador chinês numa operação de reciclagem de garrafas de plástico, nos arredores de Pequim.

Fotografia de Fred Dufour

A culpa não é do plástico, insiste Maria Elvira Callapez, mas sim de comportamentos pouco cívicos, não é o plástico que mata e sim as ações de má utilização. E acrescenta que nos anos 60, nos Estados Unidos, alguns trabalhadores morreram em fábricas de plástico, tendo logo sido atribuída a causa da morte ao material, quando o que aconteceu foi a inspiração de uma substância tóxica quando esses trabalhadores entraram nos reatores, para os limpar, afirmando que hoje isso já não acontece.

O modelo de sociedade consumista, surgido após a segunda guerra mundial, desencadeou uma vertigem de consumo, fomentada pela publicidade, que continua a criar novas necessidades e ansiedades.

A urgência de travar esta onda gigantesca tem trazido à razão algumas questões sobre o equilíbrio ambiental e nomeadamente sobre a ecologia, realçando-se a importância da política dos 3 Rs (reduzir, reutilizar e reciclar). Também uma maneira de estar na vida, minimalista, emerge um pouco por todo o lado, defendendo a redução e reutilização dos produtos.

São pessoas que, cansadas do consumo excessivo, perceberam que menos é mais, um pouco à semelhança do que o arquiteto Mies van der Rohe afirmou “less is more”, quando prescindiu da ornamentação e se concentrou no essencial, no depuramento da forma. A felicidade já não passa pelos bens e produtos de consumo com que enchiam as suas casas, agora dirigem a atenção para o exterior e para os comportamentos irresponsáveis de todos nós que, movidos pelo interesse e ambição de alguns, um dia sonhámos ser felizes adquirindo mais e mais.

Portanto, torna-se urgente adotar medidas que respeitem o ambiente, que privilegiem a reutilização e só depois a reciclagem, uma reciclagem com controlo e qualidade.

Há também a boa notícia de um grupo de cientistas da universidade de Portsmouth, no Reino Unido, ter melhorado uma enzima, intitulada “PETase”, capaz de digerir polietileno tereftalato (PET), um plástico duro que leva centenas de anos a degradar-se. Tendo sido descoberta, no Japão, uma bactéria que se alojava nos sedimentos de um centro de reciclagem de garrafas de plástico, tendo depois evoluído e começado a digerir o plástico, usando-o como principal fonte de energia, e produzindo uma enzima que esses investigadores começaram a estudar de uma maneira mais aprofundada a ponto de acreditarem que pode revolucionar o processo de reciclagem dos plásticos.

O plástico veio para ficar e é impensável viver sem ele, como tal devemos respeitá-lo mais, é o que esta exposição nos diz.

Os ritmos quentes de Havana invadem a ESDS

No âmbito do projeto “Há música na Biblioteca”, apoiado pelo Clube da Música, no dia 23 de Janeiro, entre as 13:40H. e as 15:15H., a professora Paula Duque “abriu à escola” o acesso a uma das suas aulas do módulo 9 – Instrumentos Rítmicos – da disciplina do 12º Ano de Expressão Corporal, Dramática e Musical, da turma J , do Curso de Técnico de Apoio à Infância, durante a qual decorreu um workshop de percussão, ministrado pelo professor cubano – Hector Marquez, graduado no Curso Superior de Música, na área da percussão, pelo Conservatório de Havana.

Depois de se ter apresentado, o professor nomeou os instrumentos de percussão, que levou consigo para a aula, explicou e exemplificou como cada um deles produzia som, tendo concluído esta primeira parte informando os presentes de como aqueles são afinados e em que tipo de música são mais utilizados. Seguidamente, falou das técnicas implícitas à forma de tocar timbales e “guyro” (com baquetas), cajon, bongô, conga e pandeireta (com as mãos).

Após esta fase, passou-se à parte prática do “workshop”, tendo os presentes sido divididos em vários grupos de seis elementos, os quais tocaram entusiasticamente diversos ritmos, em conjunto, seguindo as orientações e instruções do professor, com e sem a sua participação.

A seguir, os alunos colocaram algumas questões, às quais o professor respondeu, tendo assim esclarecido todas as dúvidas que surgiram.

Por fim, a professor fez uma demonstração de como tocar simultaneamente quatro dos instrumentos utilizados durante o workshop, que culminou num aplauso geral.

Paula Duque

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