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Archive for the ‘Conceitos sem Preconceitos’ Category

Vivemos num tempo de crise económica, mas será que esta crise também não tem origem nos valores da nossa sociedade? Uma sociedade que hipervaloriza a ascensão social e o poder, na qual, as pessoas só pensam em ganhar mais. Mas qual será o futuro de um mundo em que a concorrência não tem preço? Onde os países vendem produtos a preços baixíssimos e o mundo todo compra, mas ninguém quer saber se houve trabalho escravo ou quanto sangue foi derramando antes de chegar ao consumidor. No entanto, apesar de termos o poder para mudar isto, todo o mundo finge que isto não existe e a comunidade internacional não faz nada. Um desses exemplos é o caso da Líbia. Os E.U.A. eram um antigo aliado do ditador libanês, até chegaram a prender um dos líderes do actual governo provisório Líbio, uma vez que ele era contra Khadafi; no entanto, depois da nova Primavera dos Povos, os E.U.A., juntamente com a NATO, redimiram-se e passaram a apoiar os revoltosos, ou seja, o Nobel da Paz só ajudou aquele povo oprimido depois da pressão internacional.

Actualmente, político é sinónimo de corrupção, todavia, os políticos não deveriam ser o reflexo da população que os elegeram para estarem no poder? Vivemos num país, em que as pessoas vão de férias, e para a viagem de volta ficar mais barata, tiram pequenas peças dos veículos e depois ligam para a seguradora e dizem que o veículo está avariado, só para obterem vantagem, não tendo de pagar o combustível para regressar a casa. Isto ainda sem falar nas pessoas que burlam os impostos. Qual será a ligação com a política? É evidente que a política é um reflexo da vida em sociedade e da população. Roubo é roubo, fazer batota, ou dar o famoso jeitinho brasileiro é errado. Qual será mesmo a diferença entre um político que desvia milhares de euros, ou de um cidadão que burla o IRS? Não há diferença: o político desviou o dinheiro que é dos contribuintes, e que seria revertido em benefícios para a população, e o cidadão também fez o mesmo, só que em menor escala. Imaginem, porém, milhares de cidadãos fazendo a mesmo coisa: é como dizem, “grão a grão enche a galinha o papo”. Essa crítica aos políticos é uma crítica ao nosso próprio reflexo: “quem não telhados de vidro que atire a primeira pedra”.

Nós podemos e devemos lutar por um país melhor, pois este fardo não está só nas mãos dos políticos, está nas nossas mãos. Nós, que somos a sociedade, nós, que seremos os políticos de amanhã, nós, que somos o espelho da nação, que tipo de reflexo veremos quando olharmos para ele?

Luiz Felipe Monteiro, 12º D

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Atualmente vivemos num mundo cheio de ilusões. Porém, será que estamos preparados para enfrentarmos a realidade como ela é?  Como podemos ter total acesso à realidade?

Primeiramente, vamos clarificar o conceito de realidade. A realidade é entendida como: qualidade do que é real; o que existe de facto; certeza; aquilo que se opõe ao nada; ao aparente; ao ilusório; etc.

Será que no mundo de tantas ilusões e dissimulação, a mentira tem algum papel na nossa vida? O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, na sua obra Sobre a Verdade e a Mentira no Sentido Extramoral, diz que na arte a dissimulação é válida, porque pode satirizar a sociedade. Ou seja, a dissimulação é utilizada pelo teatro, por exemplo, e neste caso ela é válida. O filósofo faz uma análise da verdade e da mentira num sentido extramoral, ou seja, para além daquilo do que moralmente achamos que é correto: a verdade é boa e a mentira é má. A mentira inserida no contexto artístico dá-nos acesso à outra realidade, o teatro.

Nietzsche

Nietzsche define a mentira e a verdade. Ele diz que O mentiroso utiliza as designações válidas, as palavras, para fazer com que o irreal pareça real. Ele diz, por exemplo, “Sou rico”, quando a designação correta seria precisamente a palavra “pobre”. Faz mau uso das convenções estabelecidas através de trocas arbitrárias ou até inversões de nomes, feitas a seu bel-prazer. (1) Para Nietzsche, a mentira dá-nos acesso a outro mundo, o mundo artístico, um mundo de esperança, felicidade, etc. A mentira é uma aparência, porém agradável, que nos faz viver. A aparência faz parte da nossa vida. O filósofo entende como verdade: (…) as verdades são ilusões que foram esquecidas enquanto tais, metáforas que foram gastas e que ficaram esvaziadas do seu sentido, moedas que perderam o seu cunho e que agora são consideradas, não já como moedas, mas como metal. (1) Nietzsche explica como ser verdadeiro, isto é, utilizar as metáforas usuais, portanto, expresso de uma maneira moral da obrigação de mentir segundo uma convenção estabelecida, de mentir de um modo gregário, num estilo vinculativo para todos. Ora, é certo que o homem esquece que é isso que se passa com ele; ele mente do modo indicado, inconscientemente e segundo hábitos de séculos – e precisamente através dessa não consciência e através desse esquecimento ele atinge o sentido de ser verdadeiro.(1) Friedrich Nietzsche entende a verdade como sendo um ponto de vista. O filósofo não especifica nem aceita a definição da verdade, uma vez que não se pode alcançar uma certeza sobre a realidade do oposto da mentira.

A meu ver, a verdade vai muito para além da teoria de Nietzsche. A verdade é contar os factos tais como aconteceram, sem adulteração da realidade, sem que a imaginação acrescente pormenores. É verdade que a verdade pode magoar e a distorção da verdade, ou seja, o uso da arte da dissimulação pode minimizar o sofrimento das pessoas envolvidas. No entanto, a arte da dissimulação é utilizada de maneira a diminuir a dor dos indivíduos na sociedade. Trata-se apenas de uma desculpa para modificar a verdade/realidade, para nos protegermos do modo como a sociedade nos vê quando nos pronunciamos acerca daquilo que,para nós, é verdade. Parece-me que a teoria de Nietzsche é extremamente convincente, uma vez que nos dá uma ideia liberal, i.e., dá-nos uma ideia de que a experiência da vida em sociedade se realiza, se cada indivíduo respeitar a perspectiva do outro e que todos os indivíduos procurem sempre a verdade, tentando evitar a todo custo a dissimulação.

Na minha opinião, no domínio das artes, cada pessoa tem uma perspectiva diferente sobre uma determinada peça. Para alguns, pode ser a peça mais bonita do mundo e para outros pode ser a peça mais simples de todas. Porém, nas ciências exatas, por exemplo, nomeadamente na matemática, sabemos que “9 x 9 é 81”. Não há dúvidas relativamente a este facto. Podemos fazer esta conta as vezes que forem necessárias, que o resultado será sempre o mesmo. Se alguém fizer esta operação matemática e obtiver um resultado diferente, então esse resultado estará errado e isto não depende das perspectivas. Esta é uma verdade científica e é universal. Existem casos em que não há várias perspectivas sobre um determinado assunto, existe apenas uma verdade universal e comprovada. Se a perspectiva de todas as pessoas é diferente, logo ninguém tem acesso à realidade.

Platão diz que a verdade é racional. Nietzsche diz que a verdade e a mentira estão misturadas, e isto nos faz viver, faz parte da nossa vida. Isto não faz mal nenhum. É aí que está o encanto da vida. A vida é-nos apresentada, basta vivermos. Nós estamos permanentemente a recorrer à mentira, uma vez que não temos total acesso à realidade.

Nietzsche crê que o ser humano anseia pela verdade, não para tornar-se melhor, mas por medo dos resultados negativos. Se no mundo nos quiséssemos prejudicar uns aos outros, como seria mantida a paz na sociedade? Por outras palavras, a verdade é extremamente necessária. Como podemos observar durante toda a história da Humanidade, surgem personalidades obscuras como Adolf Hitler, Getúlio Vargas, Muammar Al-Gaddaf, etc., que utilizam a dissimulação para iludir pessoas e cometer crimes horríveis.

Outro exemplo bem presente nas nossas vidas é a preferência  por telenovelas. Geralmente,  abundam em clichés quando mostram a vida das diferentes classes sociais. Grande parte do público que assistem às telenovelas desconhece o modo como vivem as pessoas de outras camadas sociais.  A partir das telenovelas, contactam com o modo de vida de outras classes sociais. Em resumo, não têm acesso total à realidade mas sim sobre uma perspectiva.  Geralmente trata-se de uma perspectiva errada e estereotipada.

Um texto que, apesar de ter sido escrito há muitos anos precisamente por Platão, continua a ter uma validade intemporal sobre este tema é a Alegoria da Caverna. A Alegoria da Caverna é uma metáfora sobre a vida humana. Para Platão existem dois mundos: o Inteligível, da realidade, onde podemos ascender; e o Sensível, das aparências, onde vivemos. Platão diz que quando os homens da caverna entram em contacto com a luz e os objetos reais, ou seja, com a realidade, são incapazes de os ver, por  não estarem acostumados à luz mas sim à escuridão (salientando que a luz representa a sabedoria e conhecimento da realidade, e a escuridão representa as aparências). Seguidamente, diz que o homem não crê no que vê e a escuridão e as sombras parecem-lhe mais reais. O autor também afirma que é muito difícil para o homem olhar para estes objetos na escuridão, onde é mais confortável. Após algum tempo e uma dura adaptação, o homem consegue viver com a luz. O homem da caverna não fica maravilhado com a luz e não mostra gratidão a quem o ajudou a encontrá-la. No começo, o homem protesta e mais tarde, esclarecido quanto à realidade, o homem dá valor e entende que toda a difícil adaptação à realidade é compensada.

Se refletirmos um pouco, concluímos que geralmente somos contra tudo o que é novo. As teorias do Heliocentrismo e do Geocentrismo são disso um exemplo. Antes de Galileu ter comprovado o Heliocentrismo, a teoria que era tida como verdadeira era a teoria de Ptolomeu, o Geocentrismo.  Este astrónomo, matemático e geógrafo dizia que a Terra estava imóvel, no centro do Universo, e os restantes planetas giravam à sua volta. Entretanto, Copérnico apresentou uma revolucionária e nova teoria que mais tarde veio a ser comprovada por Galileu, o Heliocentrismo, que contradizia o Geocentrismo.  Galileu afirmava que não era a terra que estava no centro do Universo mas sim o Sol e que os restantes astros, juntamente com a Terra, faziam um movimento de translação em volta da terra.

Como Galileu defendia a teoria heliocentrica, teve alguns problemas com a Igreja, nomeadamente com o Santo Ofício, dado que a Igreja defendia a teoria do Geocentrismo. Galileu só não foi condenado à morte e à tortura pelo Santo Ofício, porque era amigo do Papa. No entanto, foi forçado a abdicar publicamente da sua teoria. Apesar de tudo, Galileu continuava a acreditar na sua tese. Os seus livros entraram para o Index (lista de livros proibidos/condenados pela Igreja, visto que contradiziam os princípios bíblicos). A teoria de Galileu contradizia a Igreja, poderia gerar dúvidas nos fiéis e isto poderia ameaçar o poderio da Igreja. Galileu conseguiu comprovar que o nosso planeta não está no centro do Universo, e é apenas um pequeno planeta. Só mais tarde, no séc. XX, o Papa reconheceu a teoria de Galileu.

Outro aspecto que está bem presente na nossa vida é a televisão. A  televisão pode ser um perigo para a percepção da realidade. Segundo Popper no seu livro Televisão: Um Perigo para a Democracia, as crianças são influenciadas e se adaptam aos diferentes meios com que se deparam. Assim, a sua evolução mental depende largamente do seu ambiente.(2) A televisão é um perigo para as crianças, uma vez que lhes rouba o tempo e as crianças têm muita dificuldade em distinguir a realidade da ficção, devido à compreensão limitada que possuem do mundo E assim são mais vulneráveis do que os adultos. (2) Os super-heróis não só influenciam o dia a dia das crianças como também são essenciais para a formação da personalidade de seu filho. É nessa relação da criança com os super-heróis que são plantadas as sementes de valores como ética, coragem, humildade, assim como também nos contos de fadas, onde os heróis são os mais humildes e bondosos, são os que aceitam enfrentar a perigosa tarefa que irá salvar o reino, o rei, o pai etc.” (in http://www.guiagratisbrasil.com/saiba-como-os-super-herois-influenciam-na-vida-das-criancas/) E se estes mesmos super-heróis pregam que só com a violência podemos vencer o mal? Qual será a lição que  estão a passar para as nossas crianças?  Quando assistem a cenas de violência, por exemplo, é provável que concluam à sua maneira que, é o mais forte quem tem razão. (2) As crianças têm dificuldade em perceber as mensagens mais subtis e com algumas técnicas como as mensagens subliminares, por exemplo, alguns produtores podem manipular o comportamento das crianças. Para solucionar este problema da televisão, Popper sugere que o Estado crie um órgão moderador para a produção dos programas televisivos e que quem trabalha na televisão seja portador de uma licença. Em caso de desrespeito pelas regras estabelecidas por este órgão,  seria retirada a licença. A licença só  seria entregue após uma formação e uma prova. O autor exemplifica o problema dizendo que em Inglaterra uma mulher quis castigar um ator que desempenhava o papel de criminoso. E casos como este estão se espalhando por todo o mundo. Esta pessoa, adulta, tem dificuldades em distinguir a realidade da ficção. Aliás, um dos objetivos da ficção em geral e de todos os géneros de ficção propostos na televisão é mostrar cenas tão vivas e reais quanto possível. (2)

Existe um grande risco das pessoas (tanto adultos como crianças) confundirem a realidade com a ficção e isto pode ter sérias consequências. Foi o que aconteceu com dois rapazes de 10 anos, em Liverpool. Eles sequestraram e mataram uma criança de dois anos, em 1993.  Na Grã–Bretanha e nos Estados Unidos, os criminosos confessaram que foram influenciados pelo que tinham assistido na televisão.

Em suma, muitas vezes mentimos sem saber pois não temos total acesso à realidade. A mentira inserida no contexto artístico, nomeadamente no teatro, tem um papel muito importante nas nossas vidas pois torna-a muito mais divertida. A mentira também pode ser usada para minimizar o sofrimento das outras pessoas, uma vez que a verdade por vezes é dolorosa. E, como diria Platão, muitas vezes é mais cómodo ficar na nossa caverna do que ser confrontado com a luz.  Será que isto é saudável?

Luiz Monteiro, 11º E

Fontes bibliográficas citadas:

(1) Sobre a Verdade e a Mentira no Sentido Extramoral – Nietzsche

(2) Televisão: Um Perigo para a DemocraciaKarl Popper

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Actualmente vivemos na sociedade da informação rápida. Apenas com um clique podemos obter qualquer informação em qualquer parte do mundo. Porém, faço-me uma pergunta sobre esta nova sociedade e desta nova cultura, a cultura da informação: será que isto é prejudicial às pessoas? Se o problema dos antigos era a falta de informação o nosso é totalmente o contrário: o seu excesso. Será que todo o investimento nesta sociedade tecnológica faz sentido?

Tenho observado no ambiente escolar que este excesso de informação tem sido prejudicial aos alunos – um desses exemplos é quando temos que ler um livro ou simplesmente fazer um trabalho. No caso do livro, grande parte dos alunos não o lêem, mas fazem o download do resumo na “Net”, porque isto é muito mais fácil do que ler uma obra. Não estou dizendo que não podemos ler um resumo ou tirar informações da “Web”, no entanto, precisamos ter cuidado com este facilitismo, pois com ele adquirimos informações, porém não O Verdadeiro Conhecimento. Conhecimento é uma coisa e Informação é outra. Conhecimento é obtido através da recolha de informações e da observação, é a forma como elaboramos mentalmente a representação da realidade, é a construção, o acto do sujeito de conectar informações. Conhecimento não é sinónimo de informação, ainda assim, o conhecimento precisa da informação.

Portanto, sabemos tanto que nada sabemos, porque temos acesso a tanta informação, mas tudo muito artificialmente. Essa geração da informação não se preocupa em memorizar nada. Para quê? Se com um clique, a partir do nosso telemóvel, podemos obter qualquer informação. Isto é o mal da nossa sociedade, temos o nosso cérebro, que podemos comparar a um Ferrari, porém andamos com a velocidade de um triciclo.

Outra coisa que devo mencionar é a falta de iniciativa e interesse na nossa sociedade. Desde a adesão à União Europeia, Portugal tem acesso a fundos comunitários como, por exemplo, fundos para educação, para apoiar projectos inovadores, etc. E, com todos estes investimentos, os jovens estão interessados em fazer alguma coisa? Não posso dizer que não, porque cairia na generalização, mas a grande maioria não está. Vivem a vida como se fosse um “videoclip”. Podemos e devemos curtir a nossa juventude, mas com um pouco mais de responsabilidade social e sempre pensando no amanhã.

“De acordo com os últimos dados divulgados pelo governo em relação ao período 2000 a 2005, a União Europeia disponibilizou 17.768,7 milhões de euros de fundos comunitários mas o nosso País, nesse período, só utilizou 13.165,8 de euros, ou seja, não foram utilizados 4.602,8 milhões de euros que podiam ter sido utilizados até ao fim de 2005 para melhorar a qualificação dos portugueses, modernizar e aumentar a competitividade da economia, e reduzir as graves assimetrias que existem entre as várias regiões do País. Esta situação é ainda pior do que a verificada no fim de 2004, pois até a 2004 não tinham sido utilizados 4.602,90 milhões de euros”  (Eugénio Rosa).

Ao invés de ficarmos reclamando de Portugal, que é isto ou aquilo, que aqui não tem nada de bom, não se produz nada, podíamos gastar esta energia, em projectos com fundos comunitários. Imaginem como 4.602,90 milhões de euros poderiam ajudar a melhorar neste país, em infra-estruturas, por exemplo. Mas o que falta é o empreendorismo e a falta de inciativa. Estamos vivendo uma crise, sim, porém temos o dinheiro da UE e todos os anos desperdiçamos milhares de euros, enquanto estamos reclamando. Reclamar, reclamar e reclamar, não melhora o país, mas tomar iniciativa para fazer e acontecer, isto sim.

Em suma, temos tanto que nada temos, temos milhares de euros para serem investidos dos fundos comunitários, só nos faltam pessoas com um espírito empreendedor, para avançar com este país. Se nos outros países, ditos do 3º Mundo ou em desenvolvimento, o problema é a falta de recursos disponíveis para investir na população, na Europa, dito 1º Mundo, o problema já é ao contrário: temos tanto que nada temos.

(Em forma de protesto contra esse excesso de informação,contra essa sociedade de audiovisuais, resolvi fazer um post sem nenhuma imagem.)

Luiz Monteiro, 11ºE

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Atualmente, temos observado que as mudanças climáticas estão dando que falar. E se nós não nos preocuparmos agora com o futuro bem próximo, não estaremos colocando a vida dos nossos filhos e netos em perigo, mas a nossa própria vida. Este tema está na mira dos grandes filmes de Hollywood como: “O Dia Depois de Amanhã” e “2012”.

Existem muitas maneiras de ajudar a preservar o meio ambiente e colaborar para um mundo melhor, como a promoção das energias renováveis, da agricultura sustentável, da reciclagem do lixo, etc. No caso das energias renováveis, existe a energia hidráulica, que provém da energia produzida pelas barragens, construídas em cursos de água;  a energia solar, que advém da energia produzida pela luz do sol, e geralmente é transformada pelos paineis solares; a energia eólica e provém do vento, por outras palavras, energia produzida pelas correntes aéreas;  a Biomassa, energia que provém  da transformação de produtos vegetais ou animais, que são transformados em energia calorífica e eléctrica; etc. O Sol é outra grande grande fonte de energia para o planeta Terra. O Sol é a estrela mais próxima do nosso planeta, fica cerca de 150 milhões de Km. Hoje em dia, existem muitos processos tecnológicos para o aproveitamento da energia solar. A energia solar está englobada no grupo das energias renováveis, ou seja, que não esgotam e estão a disposição do homem, de forma gratuita.

Portugal é um país extremamente rico no que diz respeito às energias renováveis; o que falta é um melhor aproveitamento, dado que é uma fonte de energia  pura, inesgotável e gratuita. Porém há alguns “senãos”:

  • Os custos de investimento são muito altos;
  • A disponibilidade de áreas, pois ocupam muito espaço;
  • A proximidade das urbanizações a abastecer.

“As energias renováveis são um investimento necessário e urgente em Portugal. A sua elevada insolação deveria ser melhor aproveitada com recurso à radiação solar, por exemplo. Assim, o desenvolvimento sustentável torna-se uma realidade mais próxima, produzindo energia sem que esta tenha consequências negativas ou que comprometa futuras gerações. É importante que esta sociedade tenha uma maneira de pensar mais inovadora e consciente, pois o nosso presente não pode constituir um obstáculo ao futuro. Desenvolvidos, mas consciente” (Raquel Pires).

As mudanças climáticas já estão causando impacto no nosso planeta: a subida da temperatura média, as alterações dos níveis de precipitação,  o espaço coberto de neve, o aumento do nível do mar, etc. O clima do nosso planeta está alterando-se, ano após ano. A subida média da temperatura global é de 0,76º C, contudo em alguns lugares o aumento é ainda maior. Estas mudanças climáticas têm algumas consequências como o descongelamento do árctico e da Gronelândia; a subida do nível do mar; o aumento das extensão dos desertos. Alguns países da América do Sul como o Brasil, até então com clima tropical, onde isto nunca tinha acontecido, entra na rota dos ciclones, e os furacões estão cada vez mais intensos. A OMS (Organização Mundial de Saúde) calcula que em 2030, as alterações climáticas levarão à morte de 300 mil pessoas por ano.

A atividade industrial está relacionada com uma certa degradação do meio ambiente, dado que não há processos de fabrico totalmente limpos. Há vários níves de perigosidade das indústrias, depende do tipo de indústria, processos e substâncias. Em Portugal ela desenvolveu-se sem planeamento, o que provoucou poluição, em alguns casos específicos. Assim, isto implica uma maior fiscalização ambiental  é melhor organização no controlo da poluição.

Tornou-se então  indispensável às autoridades, tomarem medidas que visam eliminar ou diminuir o nível de poluição, cujas principais origens são:

  • As tecnologias utilizadas, muitas vezes envelhecidas e fortemente poluentes, com elevados consumos energéticos e de água, sem tratamento adequado dos afluentes com rara valorização de resíduos;
  • Localização das unidades em zonas ecologicamente sensíveis, perturbando e prejudicando a fauna, a flora; etc.

Há muitas medidas que cada um de nós podemos tomar para tornar o mundo melhor:

  • Minimizar os gases da atmosfera;
  • Diminuir o uso de produtos químicos na agricultura, porque eles poluem e os solos e contaminam os lençóis de água;
  • Separar o lixo doméstico e fazer reciclagem;
  • Evitar o desperdício de água.

Enquanto os donos das indústrias só derem valor ao dinheiro, vai ser muito difícil o mundo conseguir vencer esse mal, porém, há muitas organizações para proteger a humanidade desses “monstros”, como a Greenpeace e a WWF. Mas a realidade, todo nós já sabemos, é que, enquanto houver muito dinheiro envolvido, é muito difícil de mudar a situação. Porém é certo que essas pessoas que ganham dinheiro fazendo isso, amanhã provavelmente irão gastar grande parte do que ganharam hoje, com os seus filhos e netos tentando sobreviver neste mundo que os seus pais e avós ajudaram a ficar doente. Vivemos num mundo em que o importante é ganhar, sem medir as consequências de tais actos.

Não podemos esperar mais para fazer a mudança, mesmo você que pensa que não pode fazer nada, você pode! Basta fazer pequenos gestos em casa, que você já estará contribuindo para um mundo melhor: reaproveitar a água da chuva para regar a relva, evitar o desperdício de água na hora do banho, de lavar a loiça, , usar produtos que sejam amigos do ambiente ou evitar o uso do carro em pequenas distâncias.

Ajude a salvar o planeta das mudanças climáticas, antes que elas mudem você e seu estilo de vida.

Luiz Monteiro, 11ºE

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Estamos diante de uma das maiores festas do mundo, em que nos reunimos com a família e compramos muitos presentes. No entanto, será que é este o real significado do Natal ou estamos a esquecer-nos do principal, a origem dessa festa? É que esta festa tem uma origem religiosa. Na igreja Cristã Ocidental, o Natal é comemorado no dia 25 e na Igreja Ortodoxa Oriental é comemorado no dia 6 de Janeiro.

Qual será então a história dessa data tão ansiada pelas crianças e por vezes nem tanto pelo bolso dos pais? Embora, originalmente, o Natal seja um feriado cristão, muitos não crentes também comemoram este evento. Actualmente, o Natal deixou de ter uma vertente religiosa e passou a ter uma vertente puramente comercial, perdendo a sua verdadeira essência. Para muitos, o Natal é sinônimo de compras. Mas quando na sua história,  ficou assim tão reduzido aos presentes? Isto parece-me ser mais uma ideia burguesa para aumentar as vendas. E de facto é-o.

Bem, o verdadeiro motivo para o comemorarmos é este: O Natal é o dia  do nascimento de Jesus, embora não possamos ter certezas sobre quando isso terá ocorrido. Segundo a Bíblia,  magos do Oriente estavam à procura daquele que seria o rei dos Judeus, porque tinham visto uma estrela no Oriente e iam adorá-Lo. Herodes (rei da Judéia, na época) ouviu-os e perguntou onde  iria este rei nascer, ao que eles responderam:  – Em Belém da Judéia; “Então, Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu-os directamente acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera. E enviando-os a Belém, disse: Ide e perguntai diligentemente pelo menino e, quando o achardes, participai-mo, para que também eu vá e o adore.” (Mt. 2; 7-8) Acabaram de falar com o rei e seguiram viagem, mas perceberam que a estrela ia com eles,  acabando por encontar o lugar onde estava Jesus. “E, entrando  na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram dádivas: ouro, incenso e mirra. E sendo por divina revelação avisados em sonhos para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para sua terra por outro caminho.” (MT. 2; 11-12). Herodes, vendo que tinha sido enganado pelos reis magos, ficou furioso, mandou fazer um recenseamento, matando todas as crianças até os dois anos de idade, em Belém e suas províncias. Quando José ficou sabendo disso, a partir de uma revelação de um anjo, fugiu com a sua família para o Egito, até à morte do rei Herodes.

O Natal é comemorado no dia 25 porque, na Roma Antiga, era neste dia  que se celebrava “o início do Inverno”; presume-se então que haja alguma relação em entre esses dois factos. O dia 25 é festejado desde o século IV pela Igreja Ocidental e desde o V pela Igreja Oriental. A Igreja Ortodoxa comemora-o 13 dias depois dos cristãos ocidentais, por causa da diferença do Calendário Gregoriano. Geralmente, estes últimos respeitam 40 dias de jejum  e consideram este período como um tempo de reflexão.

A figura que hoje conhecemos como Pai Natal, não tem nada a ver com o verdadeiro Natal que  provém da  história de São Nicolau (séc. IV), que era bispo na Ásia Menor. Ele era conhecido por ser uma pessoa austera, generosa e que praticava o bem: ajudava os pobres, colocando sacos de moedas nas chaminés, sem ninguém saber. Ao contrário do que muitos pensam, não foi a Coca-Cola que lançou este look do Pai Natal, mas sim o cartoonista Thomas Nast, na revista Harper’s Weekly, no ano de 1886. É evidente que a Coca-Cola ajudou a difundir esta ideia, pois em 1931 lançou uma  campanha de publicidade com o Pai Natal, com as cores vermelha e branca, as mesmas cores do rótulo da sua bebida.

São Francisco de Assis, por seu turno, foi quem introduziu na tradição natalícia o presépio, com o intuito de tornar esta comemoração mais empolgante e dar-lhe mais vida.

Há muitas versões sobre a origem da Árvore de Natal: a mais aceite é a que envolve Martinho Lutero. Em um belo dia, Martinho estava voltando para casa e  olhando para o céu, maravilhou-se com a visão das estrelas, através de pinheiros que estavam em volta da estrada. Encantado com isto,  levou uns ramos de  pinheiro para casa, colocou-os em um vaso com terra e enfeitou-os, dispondo velas acesas e papéis coloridos na ponta dos galhos.  Martinho tinha como objectivo ensinar aos seus filhos a grandeza do céu, na noite em que Jesus tinha nascido. Algumas pessoas também afirmam que a Árvore de Natal fazia parte de uma tradição pagã e que foi transformada posteriormente em símbolo natalício. Porém, mais uma vez, não sabemos ao certo como esta árvore veio a fazer parte do conjunto dos rituais e tradições do Natal.

No Natal, as crianças esperam o último vídeo-jogo e os adultos não ficam atrás: aproveitam esta época de tentações, com baixos preços, e correm para comprar o presente mais caro, para se afirmar nesta sociedade consumista. Nesta época do ano surgem imensas promoções: as editoras lançam CD, DVD especiais… e neste ponto eu dou um conselho: neste Natal, não compre o que você não pode pagar, mas dê o maior presente de todos: a sua presença e o seu amor às pessoas.

“O que compraria Jesus?” Frase provocatória, coloca o dedo na ferida dos cristãos que enchem as superfícies comerciais para celebrar o aniversário do nascimento de Cristo com uma espectacular troca de presentes. A frase deambula pelas lojas de um centro comercial de Michigan, Estados Unidos da América, numa das acções da campanha “Dia sem compras” que o movimento Adbusters conseguiu instalar em pontos estratégicos do planeta. (…)” 

in Jornal de Notícias

Em 2009, o GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental) organizou o “Dia sem compras” e deu sugestões para as compras de Natal com consciência, tais como:  evitar compras de marcas ou de países que supostamente utilizam o trabalho infantil; optar por comprar produtos locais,  evitando-se assim o recurso aos transportes e dando-se preferência a produtos mais “naturais”.

Porém, será que  nos lembramos que, enquanto estamos na nossa confortável casa, ceando com a nossa família e trocando presentes, há pessoas na rua, sem ter  que comer ou sem família?  Neste Natal dê às pessoas  o presente que Jesus gostaria de receber. Afinal, Ele é o aniversariante. Ame o próximo, ajude as pessoas, dê um presente, mesmo sem valor monetário, mas que poderá marcar a vida de uma família, apenas por tê-lo feito. E não faça isto só no Natal, mantenha este “espírito natalício” todo o ano todo. Não se deixe levar pelo tsunami da publicidade festiva, pense mais na verdadeira essência do Natal e não se esqueça do principal nesta grande noite:  Jesus!

Feliz Natal e um ótimo 2011.

Luiz Monteiro, 11ºE

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Muitas pessoas seguem em busca dos seus sonhos e de melhores condições de vida, assim vão para as grandes cidades do mundo.

Assim como para brasileiros, países como Estados Unidos, Japão, Alemanha e Espanha são o sonho do progresso, para muitos habitantes dos países, como Paraguai, Bolívia e Peru, o país (Brasil) é a chance de uma vida melhor.

Luiz Bassegio, fundador da Pastoral dos Imigrantes no Brasil

A imigração é um movimento de entrada, com intenção de permanecer temporariamente ou permanentemente, para trabalhar, estudar ou residir em outro país, que não o de origem.

Geralmente, as pessoas imigram para obter melhores condições de vida, um trabalho com melhor remuneração e um ensino de melhor qualidade, mas ainda há pessoas que deixam o seu país devido a questões religiosas, políticas, ou ainda, perseguições e discriminações. Um desses exemplos é a Família Real Portuguesa, que em tempo de guerra, foi obrigada a refugiar-se na América. Nunca, nem um rei tinha abandonado o seu reino, para viver e reinar no “Novo Mundo”, embora os europeus tivessem muitas colônias, nem um rei foi a um território ultramarino para governar. Outro exemplo, são os judeus, que imigraram para o Brasil e EUA, vítimas de perseguições na Europa.

Durante o séc. XIX e em meados do séc. XX, a Europa passava por uma crise econômica e política, nomeadamente a Itália, a Alemanha, a Espanha e a Irlanda, o que levou muitas pessoas para as nações do “Novo Mundo” (E.U.A, Brasil, Argentina, Uruguai e Chile), pois estes países precisavam de mão-de-obra para continuar o seu crescimento. Muitos governos incentivam a imigração para aumentar a população. Em contrapartida, alguns governos expulsam seus imigrantes, como o atual caso do governo francês.

O governo francês anunciou no mês de Agosto, que iria repatriar cerca de 700  imigrantes ilegais em França, o que foi uma decisão bastante polêmica e que, a meu ver, dependendo da situação, é uma decisão sensata, mas só para imigrantes que tenham cometidos crimes graves.

A Europa já foi um continente mais aberto aos imigrantes, principalmente depois da guerra, pois os imigrantes “renovavam” a população e ainda constiuiam mão-de-obra barata, o que ainda hoje é uma realidade.

Assim, como muitos brasileiros vêm para a Europa tentar uma vida melhor, milhares de colombianos, bolivianos, argentinos e outros latinos vão para o Brasil, principalmente para o Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais), que é a região mais rica do país. Estes ainda têm outra dificuldade para se integrar na sociedade: a língua. Até mesmo moradores de estados mais pobres do Brasil, migram para as grandes cidades, o que consequentemente, leva ao crescimento desordenado e dá origem às favelas e ao aumento da criminalidade.

Não é fácil ser imigrante. Há muita burocracia com os processos de legalização e leis “fechadas” que complicam essa condição. Assim como eu, milhares de brasileiros também emigram para a Europa e EUA, e têm dificuldades em se legalizar e conseguir um trabalho digno. Assim, temos o paradoxo: “para se conseguir trabalho tem que ter o visto. Para ter o visto, tem que ter um trabalho”.

Os E.U.A são um país que muito sofreu com este fenómeno da imigração na história da Humanidade: no séc. XVII, os escravos foram trazidos da África para o E.U.A., só tendo sido libertados em 1863; muitos latino-americanos tentam a sua sorte neste país, correndo  risco de vida, atravessando o deserto do México.  A emigração dos latinos registra algumas alterações importantes étnicas e culturais, como é exemplo disso, o facto de em alguns lugares dos E.U.A. o idioma mais recorrente ser o espanhol, pois os latinos têm mais filhos que os norte-americanos.

Durante muitos séculos, também os portugueses foram forçados a emigrar para sobreviver e conseguir melhores condições de vida, o que atualmente ainda ocorre; mas, nos últimos vinte anos, Portugal se tornou  destino de muitos imigrantes, nomeadamente das comunidades lusófonas e dos países do leste europeu, principalmente oriundos do Brasil, logo seguido por Cabo-Verde e Ucrânia. Atualmente, os imigrantes representam cerca de 5% da população portuguesa.

Enquanto o número de cidadãos estrangeiros de países da União Europeia registou uma redução de 44,7 por cento e os PALOP, uma descida de 13,8 por cento, registaram-se aumentos no número de ucranianos (31 por cento), da Moldávia (42,9 por cento), romenos (41,4 por cento) e brasileiros (53,7 por cento).

in Jornal Público

Em 2008, foram os Romenos que se destacaram pelo número de cidadãos estrangeiros que imigraram para Portugal, ultrapassando mesmo os PALOP e o Brasil.

A taxa de natalidade dos portugueses está entre as mais baixas da Europa, e estará  a breve prazo sob o predomínio de outras comunidades que procriam com percentagens elevadas de nascimentos.

Eu, como exemplo vivo disto, posso dizer que quando nós deixamos o nosso país para viver na Europa, temos uma visão muito à maneira “holywoodesca”, romântica, aquela Europa glamourosa, sem problemas, uma visão muito limitada e sonhadora. A Europa que costumamos ver nos filmes não é a mesma dos imigrantes.

Um ciclo que não pára: latinos que tentam a vida no Brasil, brasileiros que tentam a vida na Europa, EUA, Japão e em Portugal, portugueses que tentam a vida na América e em França, ou seja, nunca estamos satisfeitos com o nosso país de origem.

E ser brasileiro gera uma série de ideias pré-concebidas, especialmente em relação ao Rio de Janeiro. As pessoas ao redor do mundo pensam que no Brasil tudo é Carnaval, praia, caipirinha, favelas, “Garotas de Ipanema” e bala perdida. O problema do Rio de Janeiro é que a imprensa maximiza tudo o que há de ruim, e sobre outros países faz o inverso – minimizam os seus problemas. Não estou dizendo que não é verdade o que vemos na TV, mas geralmente este tipo de informação é sensacionalista. Alguns filmes brasileiros, como “Tropa de Elite” e “Caramdiru” também não ajudam muito: até parece que estamos em Bagdad.

É muito díficil ter uma perspectiva de um país sem o conhecer, como é o caso do Brasil, um país de tantas realidades: a do pobre e do rico, do marginal e do doutor, da felicidade e do infortúnio, das festas, mas também do trabalho árduo. Já ouvi muitos brasileiros falarem coisas que dentro da minha realidade no Brasil, seriam um absurdo, mas hoje eu compreendo.

A meu ver, é evidente que a imigração é uma experiência enriquecedora, a nível cultural e linguístico – em suma,  ganham os dois lados: o país de acolhimento uma mão-de-obra mais barata e uma possibilidade de rejuvenescimento da população; o imigrante o dinheiro e melhores condições de vida, além da grande experiência em si mesma.

Luiz Monteiro, 11º E

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Uma das razões para escrever sobre esta matéria foi a enquete (sondagem) do Bibliblog e as curiosas diferenças entre o português de Portugal (europeu) e o português do Brasil, que é popularmente chamado de “Brasileiro”, e principalmente, porque quando eu cheguei a Portugal não entendia quase nada do que as pessoas falavam comigo e as pessoas também não entendiam muito bem o que eu falava, até brincavam que eu precisava de um dicionário para falar com eles. É claro que surge sempre entusiasmo e curiosidade por parte das pessoas no que diz respeito ao modo de pronunciar certas palavras no português do Brasil.

Apesar de ser um dos filhos da globalização, sou contra o Novo Acordo Ortográfico, pois acho que cada país deveria manter a sua regra ortográfica. Sou contra essa ideia da globalização, sou a favor do encontro das culturas, do intercâmbio e da diversidade, mas contra a unificação de uma só cultura dita dominante, desta perda de identidade cultural. Mas, também devemos ter em conta, que num mundo globalizado a existência de várias versões do português é um facto limitador.

Os Romanos chegaram no Noroeste da Europa em 218 a. C., trazendo o Latim vulgar. Todas as províncias da Península Ibérica, à excepção dos Bascos, admitiram o latim como língua. A chegada dos Romanos à península marcou o inicio da nossa língua, o Latim, mas num estado corrompido, conhecido como latim vulgar.

Em 409, os germânicos invadiram a Península através dos Pirenéus. Inicia-se então o período mais sombrio da Península. Provocada a queda do Império Romano pelos Bárbaros, a língua dos Bárbaros misturou-se com o Latim, e originou as línguas nacionais europeias (latinas).  O latim popular evoluiu e transformou-se no proto-galaico-português. No entanto, os reis cristãos a partir do norte de Portugal foram conquistando o sul, povoado pelos Árabes , com isto o galaico-português sofreu diversas transformações e converteu-se progressivamente no português.

Os primeiros textos em português apareceram por volta do séc. XIII. Nesta época o galego e o português eram uma só língua. Com a expansão ultramarina, a língua portuguesa, foi transportada para “novos” continentes. Hoje os países distribuídos pela África, Ásia e América que constituem os PALOP, são independentes de Portugal porém a linguagem permaneceu; desses países destaca-se o Brasil, onde 191 480 630 (censo 2000) pessoas têm como língua materna o português.

Através dos Humanistas, deu-se a valorização das línguas nacionais europeias, pois estes traduziam obras clássicas e criavam obras inspiradas nos autores greco-latinos. Em Portugal, Luís de Camões cantava os feitos heróicos e a glória dos navegadores portugueses na sua famosa obra “Os Lusíadas”.

Camões cultivava a forma mais erudita da língua. Em toda a Europa, notou-se um movimento de afirmação das línguas nacionais, o que consequentemente, originou a sua uniformidade ortográfica, regras e um vocabulário mais rico. Shakespeare em Inglaterra e Maquiavel em Itália foram apenas alguns dos humanistas que ajudaram a construir as literaturas nacionais do Renascimento.

O português do Brasil tem uma certa particularidade, pois, sendo possuidor de um vasto território e diversidade geográfica, este país tem uma dimensão proporcional à sua variedade dialectal. Os especialistas distinguem os dialectos entre Norte e Sul. Eu mesmo, quando ouço uma pessoa oriunda de outra região do Brasil, sem ser o sudoeste, às vezes, sinto alguma dificuldade em entender, devido a algumas diferenças entre termos e na pronúncia. No Brasil, esta diversidade está no entanto mais relacionada com o aspecto sociocultural do que com o geográfico. A diversidade é bastante evidente no momento em que um homem culto fala com o seu vizinho, que é analfabeto. O “brasileiro” apresenta um vocabulário que, em parte, se afasta da “Língua de Camões”, como é possível conferir nas linhas abaixo.

“Assim como os outros idiomas, o português sofreu uma evolução histórica, sendo influenciado por vários idiomas e dialetos, até chegar ao estágio conhecido atualmente. Deve-se considerar, porém, que o português de hoje compreende vários dialetos e subdialetos, falares e subfalares, muitas vezes bastante distintos, além de dois padrões reconhecidos internacionalmente (português brasileiro e português europeu). No momento actual, o português é a única língua do mundo ocidental falada por mais de cem milhões de pessoas com duas ortografias oficiais (note-se que línguas como o inglês têm diferenças de ortografia pontuais mas não ortografias oficiais divergentes), situação a que o Acordo Ortográfico de 1990 pretende pôr cobro.”

Wikipédia (pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_portuguesa)

A língua portuguesa é falada por mais de 240 milhões de pessoas, como língua nativa, e é também a quinta língua mais falada no mundo ocidental. É o idioma oficial de alguns territórios africanos, da Índia Portuguesa e na América do Sul, o Brasil.

Em São Paulo, encontra-se o único Museu da Língua Portuguesa, que tem como objetivo criar um espaço vivo da língua portuguesa, revelando aspectos da língua quase desconhecidos.

Segundo os seus organizadores, “deseja-se que, no museu, o público tenha acesso a novos conhecimentos e reflexões, de maneira intensa e prazerosa. “O museu tem como alvo principal a média da população brasileira, composta de pessoas provenientes das mais variadas regiões e faixas sociais do país, mas que ainda não tiveram a oportunidade de obter uma ideia mais precisa e clara sobre as origens, a história e a evolução contínua da língua”.

Wikipédia (pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_portuguesa)

No dia 1º de Janeiro de 2009 entrou em vigor no Brasil a nova ortografia do português, com base no acordo de 1990. Algumas palavras perderam o acento, mudaram as regras do hífen e o trema foi extinto.

O Português é um dos principais elos entre os países lusófonos, além disto existe a CPLP Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa – que tem como um dos objetivos a preservação da língua.

Datas do acordo:

  • Dezembro de 1990: Criação do Acordo;
  • Agosto de 1991: Portugal ratificou;
  • Janeiro de 1994: Implantação prevista (não aconteceu);
  • Abril de 1995: Brasil ratificou;
  • Janeiro de 2009: Implantação no Brasil (transição);
  • Janeiro de 2013: Obrigatório no Brasil.

Os países participantes do Acordo Ortográfico são: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor -Leste.

Diferenças entre algumas palavras de Portugal e o “Brasileiro”:


Médio Oriente – Oriente Médio                             Dossier – Fichário

Palinha – Canudo                                                      Telefone Público – Orelhão

Dossie – Fichário                                                       Auto-carro – Ônibus

Telemóvel – Celular                                                 Este –  Leste

Comando-Controle Remoto                                 Centro Comercial – Shopping

Bombas – Posto de gasolina                                     Relva – Grama

Portagem – Pedágio                                      Pequeno-Almoço – Café da manhã

Preservativos – Camisinha                                      Conduzir – Dirigir

SIDA – AIDS                                                               Cancro – Câncer

VHI – HIV                                                                   ADN – DNA

Macacos – Meleca                                                   Ordenado – Sálario

Arrendar – Alugar                                                    Rato – “Mouse”

Colunas – Caixa de Som                                            Levantamento – Saque

Ecrã – Monitor                                         Desodorizante – Desodorante

Cuecas Femininas – Calcinhas                                 Fita-cola – Durex

Casa de Banho – Banheiro                                       Afiador – Apontador

Sumo s/gás – Suco                                                  Sumo c/ gás – Refrigerante

Lixívia – Água Sanitária                                             Gelado – Sorvete

Fato – Terno                                                  Banda Desenhada – Quadrinho

Cacifo – Armário da escola                                       Seleccionador – Técnico

Massa Instantâneo – Miojo                                      Fotocópia – Xerox

Equipa – Equipe                                                        Golo – Gol

Balisa – Trave                                                           Guarda-redes – Goleiro

Botija – Botijão de gás                                              Comboio– Trem

Boleia – Carona                        Líquido Correctivo – Liquipaper / Correctivo

Tabaco – Cigarro                                        Maquilhagem – Maquiagem

Pai Natal – Papai Noel                                            Mãe Natal – Mamãe Noel

Lava carros – Lava Jato                                             Talho – Açougue

Carne Picada – Carne Moída                                Dobragem – Dublagem

Mina – Ponta de grafite                                             Viola – Violão

Boxe – Cueca                                                              Coima – Multa

Camisola – Camisa de Jogador de Futebol              Chávena – Xícara

Pijama Feminino – Camisola                  Hospedeira de Bordo – Aeromoça

T – Shirt – Camiseta                                                 Cabular – Colar nas provas

Bilhete de Identidade – Carteira de Identidade         Natas – Creme de Leite

Carta de Condução – Carteira de Motorista                         Carocha – Fusca

Frigorifico – Geladeira                                                         Peão – Pedestre

Telemóvel – Celular                                                    Sebenta – Apostila

Eléctrico Bonde

Alguns filmes e Séries de TV também mudam de nome:

Portugal/Brasil

O Reino de Deus/Cruzadas

The O.C – Na Terra dos Ricos/The O.C – Um Estranho no Paraíso

A Idade do Gelo/A Era do Gelo

Tudo que uma Rapariga quer/Tudo que uma garota quer

Clube dos Poetas Mortos/Sociedade dos Poetas Mortos

Curiosidades:

Assim, como quando eu cheguei em Portugal, eu não entendia quase nada, por causa das “gírias”, e sei que se alguns dos meus colegas for ao Brasil também não vai entender quase nada, principalmente os jovens. Aqui vão algumas “gírias” do Rio de Janeiro:

Vamos jogar uma pelada?

Pelada, é um futebol, mas um futebol de rua, ou com pessoas que não sabem jogar muito.

Eu tenho um amigo que é maior “X-9”.

X-9 é uma pessoa pouco confiável, por exemplo, quando você conta uma coisa p’ra ela, ela conta para outra pessoa.

A sua “mina” é muito legal.

“Mina”, é uma rapariga, ao contrário de que em Portugal, que é ponta de grafite.

Podre de chique – elegantíssimo                            Por fora – desentendido

Quebrar o galho – resolver o problema                  Ragu – comida

Sacana – individuo sem caráter                                Vida mansa – vagabundo

Safo – sabido                                      Tirar de letra-livrar-se de uma dificuldade

Patricinha – Feminino de “Playboy”       Baranga ou Canhão – Mulher feia

Bufunfa – Dinheiro                       Destrambelhado – Desastrado, descuidado

Gringo – Estrangeiro                                 Estar duro – Estar sem dinheiro

Filé – Mulher bonita

Quando uma pessoa se machucou em Portugal fala-se aleijou. No Brasil aleijou-se é quando uma pessoa perde a perna. Quando a pessoa não tem uma perna ela é uma aleijada.

Luiz Felipe Monteiro, 10º E

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