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Archive for Março, 2014

A presença da luz implica a presença da sombra.
A primeira, remete para um princípio, o princípio da criação e do divino.
Antes, apenas as trevas, as sombras.
Depois, a luz foi revelada e passou a ser adorada e venerada, representando o Bem, a crença na elevação a um mundo celestial.
A negação desta luz seria a negação a um mundo paradisíaco, a permanência num mundo demoníaco, de trevas e do pecado, cuja representação se encontra em bestiários, onde seres monstruosos e terríveis traduzem o imaginário mais sombrio.

Fig.1 A partir de um desenho de Pieter Bruegel, o Velho: “ Tentações de Santo Antão”.Gravura

fig.1 – A partir de um desenho de Pieter Bruegel, o Velho: “Tentações de Santo Antão”. Gravura

Durante séculos, a arte edificou o divino, a luz, como forma de culto e caminho para a salvação e, as imagens representadas, apontavam o caminho.
O movimento do olhar que se desloca de Deus e se aproxima da natureza, levará ainda vários séculos.
Só no Renascimento, com o homem como medida de todas as coisas, há uma separação entre a luz do divino e a luz da matéria. A luz que projetará sombras, e cuja representação da realidade, dará a conhecer o mundo como um sítio escuro. Vários foram os artistas que desenvolveram um trabalho acerca desta questão da luz e da sombra, como por exemplo, Leonardo da Vinci, que tinha como objetivo dar a impressão de tridimensionalidade, através do claro-escuro, a imagens bidimensionais.Também Rembrandt ou Goya, cujas obras são marcadas pela intensidade da sombra.
Columbano Bordalo Pinheiro também se rodeou de ambientes obscuros para retratar os seus personagens.
Estes ambientes obscuros, em que as formas, ocultas pela penumbra, só, em parte, são desveladas, foi muito apreciado pelos orientais.
Desde a antiguidade que as pinturas, em vez de se pendurarem, eram enroladas e guardadas num compartimento escuro, só retiradas para a luz, em privado, para deleite de alguns. Este comportamento devia-se, não só ao gosto por um lado mais escuro da vida, como ao conhecimento que tinham do ser humano e da sua capacidade de admiração limitada.
Mas, dos vários artistas que desenvolveram essa estética, foi Lourdes de Castro quem verdadeiramente se debruçou sobre o conceito de sombra. Começou por fixar, no papel, objetos, tais como, bonecos, cabides, pequenas coisas, e passou, depois, para as telas, as silhuetas dos amigos, imortalizando-as.

As silhuetas ou sombras, remetem para aquilo que Plínio, o Velho, escreveu sobre a origem do desenho.
Refere, Plínio, que uma jovem vê a sombra do seu amado projetada pela luz de uma lamparina, na parede, quando este se prepara para a abandonar, e a jovem retem a sua imagem, desenhando o contorno da silhueta.
O desenho terá nascido, então, de um ato de amor.
A necessidade de segurar o que se prepara para partir ou de desejar a presença de quem está ausente poderá ser lido, também, na obra desta artista. Querer o que não se tem, ficar apenas com uma parte, com a sua sombra.
Contudo, a sombra não é, para Lourdes de Castro, uma mancha cinzenta e fria, uma vez que a cor está, por vezes, presente em várias sombras, há uma aceitação do que fica, e por isso, guarda os gestos dos amigos. São gestos simples do dia a dia, como fumar um cigarro, ler um livro, pentear o cabelo, que são fixados, primeiro, na tela e, depois, em plexiglas (uma espécie de acrílico) como que querendo acrescentar materialidade àquilo que é efémero e frágil.
A sombra já não acarreta o peso dos séculos, os impressionistas retiraram-lhe essa carga, ao pintá-las, não com tons escuros, mas com fortes contrastes cromáticos, de acordo com as cores complementares.

fig. 6 - Renoir “Piazza San Marco”

fig. 6 – Renoir “Piazza San Marco”

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fig. 7 – Claude Monet “Impressão

A sombra condicionou, ao longo dos tempos, a maneira do ser humano olhar o mundo e de se olhar a si próprio. Os pensamentos e comportamentos mais sombrios foram reprimidos e relegados para uma zona escura e espessa de cada indivíduo, formando uma outra entidade, um negativo do próprio ser. E esta ideia de negativo remete para o conto “A História Fabulosa de Peter Schlemihl”, que fascinou a artista, em que a privação da sombra é vista como uma desgraça que se abate sobre um homem, um homem sem sombra é uma maldição, uma incompletude, alguém que vive à margem do seu negativo.
Os negativos da Lourdes de Castro são outra coisa, algo que não remete para uma zona escura, mas, com os quais convive.
De tal forma os estuda e se debruça sobre eles, quase obsessivamente, que os leva ao extremo, depurando-os até serem pouco mais que uma linha, uma fronteira entre a forma e o vazio, ou entre a matéria e a alma.

fig. 8

fig. 8

 O interesse pelo teatro de sombras chinesas proporcionou-lhe a criação do movimento. Não são marionetas, é a própria artista que se projeta a si própria.
O seu trabalho de sombras passará para outra etapa, da vertical para a horizontal, da parede para os lençóis, onde bordará as silhuetas dos amigos, sempre os amigos.

Ana Guerreiro

 

Imagens acedidas em:

 

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frictionA força de atrito é a força que surge quando os corpos estão a deslizar ou a tentar deslizar em contato com qualquer outro corpo, devido à rugosidade que os corpos apresentam na sua superfície. Esta força também pode ocorrer na água e no ar, mas não existe no vácuo. As forças de atrito dificultam os movimentos dos corpos. Sempre que um corpo estiver a movimentar-se, ou com tendência a movimentar-se, surgem forças de atrito que, em Física, são representadas por vetores com sentido contrário ao do movimento ou da tendência desse movimento.

A força de atrito é importante para, por exemplo, as pessoas poderem andar. O atrito é útil quando se verifica entre os nossos pés ouCar Engine sapatos e o solo, pois se esta força não existisse não seria possível andar ou correr sem escorregar. Outra situação em que o atrito também é importante é quando surge entre os pneus de um automóvel e a estrada, pois se não existisse o carro escorregaria e não se movimentava e também não parava. No entanto, o atrito que ocorre entre as peças de um motor é prejudicial porque leva ao seu desgaste. A força de atrito também é prejudicial quando ocorre entre o carro e o ar, mas nesta situação porque dificulta o movimento do automóvel, diminuindo assim a sua velocidade, exigindo um maior trabalho do motor se quisermos manter a velocidade.

Vemos, assim, que o atrito é útil ou prejudicial dependendo da situação em que ocorre.

Inês Sousa, 9ºC

(imagens daqui e daqui)

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NOVEMBROAZUL24001Quando, no verão de 1914, se iniciou o primeiro conflito mundial, Portugal vivia os tempos conturbados do regime republicano implantado em 1910, pelo que a discussão sobre a eventual participação nacional foi mais um dos motivos para as infindáveis lutas político-partidárias. Com a crise generalizada em todos os setores, o Partido Democrático no poder aproveitou essa controvérsia para criar um consenso nacional mobilizando o país num desígnio que, neste caso, seria a defesa das colónias africanas.

Apesar de alguma resistência à incorporação militar, esse objetivo mobilizou os portugueses e o facto é que desde finais de 1914, muito antes de existir oficialmente um estado de guerraMicrosoft Word - Document1 entre Portugal e a Alemanha, os militares destes países defrontavam-se no sul de Angola e no norte de Moçambique. A declaração oficial de guerra só aconteceu em 9 março de 1916, após a apreensão em 23 fevereiro, por solicitação da Inglaterra, de setenta navios mercantis alemães e dois austrohúngaros ancorados nos portos nacionais. Subjacente a este motivo, havia o medo de que, num cenário pós-guerra, as ambicionadas colónias servissem de moeda de troca entre as potências em conflito, nomeadamente a Inglaterra e a Alemanha, receio justificado pelo facto de anteriores acordos entre estas potências preverem a partilha dos territórios africanos. Por outro lado, o fragilizado poder republicano contava que a participação traria não só prestígio internacional ao regime como compensação nas negociações de paz, reforçando a velha aliança com a Inglaterra que dominava o maior império na época. O Partido Democrático jogou igualmente com o temor de anexação pela Espanha neutral e da eventual restauração da monarquia, pelo que a defesa das colónias e da soberania nacional, e a necessidade de legitimação internacional do regime republicano fazem o país responder às solicitações tardias da aliada Inglaterra e da França.

Instrução militar em Tancos

Instrução militar em Tancos

Mas a questão da participação chocava com a realidade dos escassos efetivos militares nacionais, dado que só em 25 maio de 1911 se criou o serviço militar obrigatório e o sistema de oficias milicianos, que até então tinha esbarrado na oposição dos oficiais do quadro permanente. O ministro de Guerra, Norton de Matos, dirige a preparação e organização dos futuros combatentes criando a Divisão de Instrução em Tancos que irá dar origem ao Corpo Expedicionário Português (C.E.P), num treino feito com tal rapidez que ficou conhecido como “o milagre de Tancos”. 

embarque para a Flandres em St. Apolónia - 1917

embarque para a Flandres em St. Apolónia

Em finais de janeiro de 1917, parte para a Frente Ocidental, em França, o inexperiente contingente militar sob o comando do general Gomes da Costa, integrado no XI Corpo do Exército Britânico, autonomizando-se posteriormente para, em janeiro de 1918, com o governo de Sidónio Pais, voltar a estar dependente do comando britânico.

Foi nesta posição que ocorreu a traumática Batalha de La Lys, na frente de Ypres, na Flandres, em que as tropas portuguesas foram esmagadas pelos alemães, melhor equipados e em número bastante superior. Na madrugada de 9 abril, quando se iniciava a operação de substituição da extenuada 2ª divisão do C.E.P. por tropas britânicas, o setor português foi apanhado de surpresa pelos intensos bombardeamentos da operação alemã Georgette que pretendia separar as forças aliadas, atravessando o rio Lys e tomando as cidades de Calais e Bolougne–sur–Mer.

Batalha de La Lys

Batalha de La Lys

Os serviços de espionagem tinham informado os alemães que as tropas portuguesas estavam mal equipadas e desmoralizadas pois sentiam-se abandonadas pelo poder nacional, e esgotadas devido à estadia prolongada em combate, ao contrário de outros exércitos que regularmente eram substituídos, e sem oficiais experientes pois estes tinham sido chamados por Sidónio Pais a Portugal. O ataque alemão foi levado a cabo por oito divisões com cerca de cem mil homens e mais de mil peças de artilharia e, apesar da 1ª divisão do C.E.P. se juntar ao combate, as forças portuguesas perfaziam cerca de vinte mil homens, pelo que era uma derrota anunciada.

Após a batalha

Após a batalha

Apesar do trágico desfecho, os nacionais resistiram heroicamente, contribuindo para reter o avanço alemão, registando-se inúmeros atos de heroísmo e de coragem, com destaque para o famoso “Soldado Milhões” que salvou inúmeras vidas e que se tornou o único soldado português deste conflito condecorado com o Colar da Ordem de Torre e Espada. No saldo final, as tropas portuguesas ficaram reduzidas a uma divisão, registando-se 1300 mortos (praticamente metade dos mortos em toda a campanha da Flandres), 4600 feridos 2000 desaparecidos e 7000 prisioneiros.

A participação de Portugal neste conflito ficará sempre ligada ao desastre de La Lys mas é injusto esquecer a participação dos nacionais em outros campos de batalhas europeus integrados nos exércitos inglês e francês, nomeadamente com o Corpo de Artilharia Pesada Independente, assim como nas colónias africanas onde se envolveram milhares de combatentes em que as terríveis condições que enfrentaram eram idênticas às do espaço europeu.

campas portuguesas em França

campas portuguesas em França

Os portugueses viveram os horrores caraterísticos deste conflito tendo sido elogiados pelo general Gomes da Costa nas suas memórias: lançado, inesperadamente, numa Guerra que estava longe de prever, o país viu-se em dificuldades, com um exército desprovido de organização apropriada, sem uniformes, sem armamento, sem munições , sem transportes e sem dinheiro.  A participação a guerra saldou-se em cerca de sete mil mortos, muitos dos quais sepultados no Cemitério Militar Português de Richebourg, em França, assim como em milhares de feridos e desaparecidos.

desfile português na Parada da Vitória

desfile português na Parada da Vitória

Portugal fará parte da Conferência de Paz, pertencerá à Sociedade das Nações e, embora quatrocentos militares portugueses tenham desfilado na Parada da Vitória sob o Arco do Triunfo, em Paris, os resultados da participação nacional não foram auspiciosos para o país. A conjuntura de guerra agudizou as dificuldades económicas e sociais, a instabilidade política e governativa, abrindo caminho à instauração da ditadura militar em 28 maio de 1926 e posteriormente às décadas de regime autoritário e repressivo do Estado Novo, sendo que a liberdade só seria restaurada em 25 abril de 1974.

 Luísa Oliveira

(imagens daquidaqui, daqui daqui)

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CARTAZaceda aos artigos sobre atividades da Semana da Leitura

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Neste DIA MUNDIAL DA ÁRVORE – 21 de março de 2014 – celebra-se a proteção e a preservação das Florestas, como sistemas biológicos e dinâmicos, que interagem com o Homem.

A urgência da proteção à Natureza faz-nos consciencializar para a grande temática ambiental, na medida em que a Humanidade depende dos ecossistemas que a rodeiam e dos quais é parte integrante.

Comemoramos o DIA MUNDIAL DA ÁRVORE com uma exposição exemplificativa de trabalhos dos alunos, no “hall” do Pavilhão A, subordinada à temática da Natureza, e com a plantação de três novas árvores nos espaços verdes da Escola. Desejámos enriquecer o nosso jardim com espécies adaptadas ao clima temperado mediterrânico, próprio da nossa região, como a laranjeira, a figueira e a romãzeira.

Celebramos, igualmente, o início de uma nova estação do ano – a Primavera -, nesta altura do ano em que a Terra, no seu Movimento de Translação em torno do Sol, ocupa uma posição no Sistema Solar, na qual a duração do dia é igual à duração da noite.

Estamos no Equinócio de março!

Surge, assim, uma nova época do ano, em que se regista um aumento dos valores da temperatura média mensal e uma diminuição progressiva dos valores da precipitação, face à estação do Inverno.

Com a chegada da Primavera, o DIA MUNDIAL DA ÁRVORE assume, assim, maior grandeza!

Os alunos do Clube do Ambiente e a professora dinamizadora saúdam todos os elementos da Comunidade Educativa, que muito têm contribuído para consolidação de valores ecológicos e de cidadania na nossa escola. A aquisição de conhecimentos e competências pelos alunos nos diversos Clubes/Projetos tem contribuído para elevar o seu sucesso escolar e tornar a nossa Escola mais viva e dinâmica.

Muito obrigada a todos!

Leonett Abrantes

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