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Posts Tagged ‘Cultura’

 

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Antes da inauguração do Centro Cultural de Belém, ou da Fundação de Serralves, a “Gulbenkian” era O Centro Cultural – não havia paralelo em Portugal em termos museológicos, artísticos e culturais. Ir à “Gulbenkian” soava sempre a algo a um tempo culto e prazenteiro – mesmo que tal se limitasse a ficar horas perdido num recanto do magnífico jardim da sua sede, a fingir que se estudava com a namorada da altura para uma qualquer cadeira da faculdade.

Gulbenkian é  não só o apelido do milionário filantropo que a sorte fez ficar em Portugal e deixar-lhe a sua riquíssima coleção de obras de arte, mas também o nome de muitos outros que promoveram e financiaram milhares de atividades de divulgação e apoio às artes e às ciências, ao longo destes 60 anos. Calouste era um homem muito rico, mas sem o seu legado Portugal teria sido nestas últimas 6 décadas definitivamente muito mais pobre.

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Fernando Rebelo

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Aqui encontrarás inúmeros conteúdos audiovisuais que…

… ao longo das últimas décadas, a RTP produziu e cujo interesse não se esgotou na sua divulgação televisiva ou radiofónica. Entrevistas com figuras notáveis das letras, das artes, das ciências, bem como documentários sobre o património e a história, frequentemente procurados por professores e estudantes, têm tido acesso limitado ou caem até no esquecimento. Esses conteúdos são um complemento relevante para o trabalho feito na sala de aula, e passam agora a estar disponíveis online, através das várias plataformas digitais que o Ensina utiliza. Pretendemos construir um espaço de consulta fácil para os utilizadores, através de computadores, tablets ou smartphones, em permanente construção e – dentro em breve – com o contributo de entidades externas à própria RTP. Nos próximos meses esperamos conseguir apresentar, com elevada frequência, novos materiais trabalhados a partir do arquivo do serviço público de rádio e televisão, ou produzidos especificamente para este projeto.

Que tipo de conteúdos?

Estão disponíveis, numa primeira fase, videos, audios, infografias e fotografias produzidas pelos diferentes canais da Rádio e Televisão de Portugal ao longo das últimas oito décadas. Para além de pequenos excertos de entrevistas ou programas, apresentamos também alguns grandes documentários com grande relevância para determinadas matérias escolares.

Como consultar?

Na área de temas temos os conteúdos divididos pelas principais matérias: Artes, Português, Ciência, História, Cidadania, etc. Em cada tema podemos filtrar os resultados por tipo de conteúdo, nível de ensino ou sub-tema. Alguns dos artigos publicados estão agregados em dossiers, que nos oferecem o conjunto da oferta existente sobre determinado assunto, ou conjuntos de episódios de uma mesma série. 

adaptado de http://ensina.rtp.pt/

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Neste ano em que se celebram os 8 séculos da língua portuguesa aqui fica uma sugestão de um canal YouTube, uma lista de reprodução gerida por Carlos Alberto Didier, dedicado à língua portuguesa e à literatura da lusofonia. Nesta compilação de 175 documentos audiovisuais incluem-se documentários sobre grandes clássicos da literatura portuguesa (muitos deles curriculares, de Camões a Saramago), assim como de outros países da lusofonia, numa variedade de originais lidos e declamados, documentários e entrevistas – sem dúvida um espólio muito interessante quer para fins letivos, quer para  simples amantes desta nossa pátria-língua.

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A nossa bibliblogueira residente quase desde o início, Cristina Teixeira (professora), autora já da rubrica “A Morte da Estética”, propõe-nos agora uma nova série de artigos, que se iniciam com o que hoje se publica, sob o título “Grande Lisboa” – grande porque pretende abranger uma grande diversidade de temas, grande porque pretende também celebrar a grandeza (e talvez também a miséria) da nossa capital, mas grande, finalmente, porque abrangerá a literalmente conhecida área metropolitana com a mesma designação. Aqui se inaugura então esta nova rubrica com um texto sobre o “Bairro Alto” quando acaba de cumprir 500 anos.

bairro altoCompletaram-se no passado mês de dezembro 500 anos sobre o arranque da urbanização do Bairro Alto. Verdadeiro palco iniciático da vida boémia da cidade, foi este bairro, ao longo destes séculos, palco de vivências diversificadas, intensas e sobrepostas, que têm marcado indelevelmente o sítio. Do fado aos bordéis, do jornalismo à moda, à arte, à música e à restauração, é um bairro que se tem ”reinventado”, nunca perdendo dinamismo e vibração.

Foi quando, nos anos 80, Manuel Reis abriu o bar Frágil, que a vida noturna explodiu na cidade e se polarizou neste atlbairro. A partir de então tornou-se território de eleição de todas as tribos urbanas que à noite o invadem, infelizmente cada vez mais indiferenciadas, do género adolescente de litrosa de cerveja na mão, deixando como despojos da sua passagem garrafas espalhadas pelo chão, paredes grafitadas e esquinas transformadas em urinóis, prejudicando gravemente a vida dos seus pacatos residentes e afastando frequentadores. Ainda que outras zonas da cidade surjam, esporadicamente, como locais de eleição para a noite, o Bairro (como familiarmente é conhecido) nunca perdeu o seu protagonismo e permanece, para a vida noturna, a verdadeira referência. Para além de sítio de copos e divertimento, ali surgiu, nos anos que seguiram ao 25 de Abril, a geração que havia de ensaiar tipos de cultura urbana, trazida de outras latitudes, proporcionando uma revolução de mentalidades. O Bairro apresenta características que tal favorecem: é IMG_01251muito central, mas simultaneamente é protegido por “fronteiras” bem definidas (a Norte pela Rua D. Pedro V, a sul pelo Largo de Camões e pela Calçada do Combro, a Oeste pela Rua do Século e a Este pela Rua da Misericórdia e a Igreja de São Roque), o que o tornam um recinto quase privado dentro da cidade. As ruas estreitas e empedradas, e algo labirínticas (para o que concorre a ausência de uma praça ou largo central) tornaram-no ideal para acolitar as vivências mais extravagantes, alternativas e criativas, que ao longo do tempo têm convergido neste espaço.

A Lisboa do tempo de D. Manuel era uma das capitais europeias mais dinâmicas e cosmopolitas da época. Do Oriente chegavam ao Tejo todo o tipo de produtos, riquezas e exotismos. A cidade muralhada tornou-se incomportável para tanta gente. O rei D. Manuel adquiriu os terrenos na colina contígua às portas de Santa Catarina às famílias Andrade e Atouguia para aí construir um novo bairro, de acordo com um plano urbano moderno, alternativo à velha urbe, de malha ainda medieval, e de matriz árabe. Foram aí implementados os preceitos racionalistas do Renascimento: um bairro ortogonal, de ruas direitas, grande-panorama-de-lisboa_santa-catarina-sao-bento_sec-xviiparalelas e perpendiculares (rua principal e travessa), organizadas pela lógica do quarteirão. A este bairro foi dado o nome de Vila Nova de Andrade e deveria albergar funcionários ligados ao comércio e faina marítima, entre eles, os estrangeiros que nessa altura se estabeleceram em Lisboa, como cosmógrafos e comerciantes, também ligados à mesma atividade, e que procuraram esta zona de Santa Catarina para construir os seus palacetes. Quando os jesuítas se instalaram na ermida de São Roque, naquela colina ocidental de Lisboa, e posteriormente aí construíram o seu convento, no que hoje é a Igreja de são Roque e o complexo da Misericórdia, nobilitaram a zona, e alguma aristocracia, sobretudo a de toga, e também o clero, subiram da Ribeira e ali construíram os seus palácios e conventos, na zona extra-muros da cidade.

planta de lxTodo o bairro foi construído de acordo com normas construtivas de grande simplicidade. A Provedoria de Obras Reais era o organismo que definia e assegurava que as construções seguissem as normas: a “aplicação de métricas proporcionais, a estandardização de elementos arquitetónicos e a uniformização de acabamentos” (Helder Carita). O material utilizado era a alvenaria de pedra e cal, com vãos e cantos reforçados a pedra de lioz; os planos de fachada deveriam ser lisos e contínuos, tendo como saliência máxima um palmo e meio para a sacada, e seguir um determinado padrão para a sequência de janelas de sacada e peitoril, as escadas teriam que ser interiores e toda uma pauta a que os próprios mosteiros e palácios tiveram que se submeter. No século XVIII tornou-se um bairro aristocrático e cultural, com um teatro e academias. Quando o terramoto de 1755 destruiu Lisboa, o Bairro Alto foi, de certa forma, poupado, sobretudo a parte mais alta da Vila Nova de Andrade, isto é, o Bairro Alto, designação que então se divulga. Os edifícios que foram construídos em substituição dos arruinados, delimitam o bairro e a simplicidade das fachadas vai ser reforçada pelo rigoroso programa pombalino, embora algumas alterações vão então ser permitidas, como algumas notas barrocas no próprio palácio do Marquês de Pombal, construído na fronteira oeste do bairro, na Rua da Século.

A malha urbana densifica-se e os prédios sobem uns pisos. No século XIX impera a burguesia, e na segunda metade de oitocentos muitos nobres vendem os seus DSC_0185_149palacetes na zona (embora ainda sobrevivam alguns habitados pelos descendentes das famílias fundadoras), sobretudo aos jornais e às tipografias, dada a enorme expansão da imprensa nessa altura. Esta apropriação do bairro pelos mais importantes jornais do país, deram o cariz boémio ao bairro, uma vez que jornalistas e tipógrafos trabalhavam pela noite dentro, servindo-se das tascas e casas de pasto a altas horas da noite. Hoje em dia, apenas aí subsiste teimosamente o jornal desportivo “A Bola”. Aos jornalistas juntaram-se a partir do último quartel do 704Adega Machado, Bairro Altoséculo XX, os estudantes, os artistas e os escritores. E ultimamente todos os turistas e estrangeiros residentes, que procuram Lisboa e o seu bairro de eleição. A sua frequência é transversal a várias gerações e a diferentes culturas, até porque alberga alguns dos restaurantes mais sofisticados da cidade, como o Pap’ Açorda, o Casa Nostra ou o Decadente, que existem a paredes meias com casas de pasto e tascas abarracadas. O mesmo se passa com as lojas, como por exemplo a de design premium,  Loja da Atalia e outros estúdios de estilistas de renome, que se acotovelam com as tradicionais capelistas e as mercearias de esquina. Ainda a mesma lógica “promíscua” e democrática nas habitações, – vetustos casebres avizinham-secinema_terraco1 com condomínios de luxo, como os do Convento dos Inglesinhos. O mesmo também se verifica nos espaços culturais: O Conservatório Nacional, instalado no antigo Convento dos Caetanos, e a alternativa galeria ZDB, convivem bem com as associações recreativas populares do bairro.

É tudo isto que torna o Bairro Alto, desde 2010 classificado com Conjunto de Interesse Público (CIP), num pequeno mundo muito particular dentro da cidade.

Nota da autora: Este artigo foi escrito a partir de notas recolhidas numa visita de estudo organizada pelo arquiteto Hélder Carita ao Bairro Alto, no âmbito da comemoração dos seus 500 anos, assim como em documentos fornecidos pela organização “Eu amo Lisboa” que a programou, e na separata do jornal Expresso (Revista, 23 NOV/13) “BAIRRO ALTO, 500 aos de vida na colina”.
Cristina Teixeira

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Saiba mais em:
Património.pt
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A Hemeroteca Digital, sítio da Hemeroteca Municipal de Lisboa (HML), tem por objectivo a construção duma biblioteca digital de jornais e revistas caídos em domínio público. Com este projecto pretende-se criar um sítio de referência para a consulta em linha e difusão pública do universo fascinante da imprensa periódica portuguesa.

Disponibilizamos, assim, através da Internet, em formato HTML e PDF, diversos títulos de publicações periódicas, com destaque para as colecções digitais de periódicos do fundo local e histórico, completadas com fichas históricas de apresentação dos jornais e revistas, raridades bibliográficas relacionadas com a imprensa escrita, e bibliografia de referência para o estudo e consulta do acervo bibliográfico da HML.

Disponibilizamos ainda outros recursos informativos, resultantes da actividade cultural e científica da biblioteca, bem como o acesso a serviços electrónicos, que simplificam muito o contacto do utilizador com a HML.

(transcrição do sítio da HML, que pode ser acedido clicando na imagem abaixo)

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No dia da cidade e dois anos após a sua morte, José Saramago volta para ficar definitivamente em Lisboa com a abertura da fundação que leva o seu nome na Casa dos Bicos e uma exposição que não podia ter um título mais sugestivo para este regresso: A semente e os frutos.

E, apesar de ter um dia partido zangado, Lisboa era sem dúvida uma das suas paixões, ou não tivesse escrito o texto que aqui reproduzimos.

Fernando Rebelo

imagem daqui

Tempo houve em que Lisboa não tinha nome. Chamavam-lhe Olisipo quando os Romanos ali chegaram, Olissibona quando a tomaram os Mouros, que logo deram em dizer Aschbouna, talvez porque não soubessem pronunciar a bárbara palavra. Quando, em 1147 depois de um cerco de três meses, os mouros foram vencidos, o nome da cidade não mudou logo na hora seguinte: se aquele que iria ser rei enviou à família uma carta a anunciar o feito, o mais provável é que tenha escrito ao alto Aschbouna, 24 de Outubro, ou Olissibona, mas nunca Lisboa. Quando começou Lisboa a ser Lisboa de facto e de direito? Pelo menos alguns anos tiveram de passar antes que o novo nome nascesse, tal como para que os conquistadores Galegos começassem a tornar-se Portugueses…

Estas miudezas históricas interessam pouco, dir-se-á, mas a mim interessar-me-ia muito, não só saber, mas ver, no exacto sentido da palavra, como veio mudando Lisboa desde aqueles dias. Se o cinema já existisse então, se os velhos cronistas fossem operadores de câmara, se as mil e uma mudanças por que Lisboa passou ao longo dos séculos tivessem sido registadas, poderíamos ver essa Lisboa de oito séculos crescer e mover-se como um ser vivo, como aquelas flores que a televisão nos mostra, abrindo-se em poucos segundos, desde o botão ainda fechado ao esplendor final das formas e das cores. Creio que amaria a essa Lisboa por cima de todas as coisas.

Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória. Memória que é a de um espaço e de um tempo, memória no interior da qual vivemos, como uma ilha entre dois mares: um que dizemos passado, outro que dizemos futuro. Podemos navegar no mar do passado próximo graças à memória pessoal que conservou a lembrança das suas rotas, mas para navegar no mar do passado remoto teremos de usar as memórias que o tempo acumulou, as memórias de um espaço continuamente transformado, tão fugidio como o próprio tempo. Esse filme de Lisboa, comprimindo o tempo e expandindo o espaço, seria a memória perfeita da cidade.

O que sabemos dos lugares é coincidirmos com eles durante um certo tempo no espaço que são. O lugar estava ali, a pessoa apareceu, depois a pessoa partiu, o lugar continuou, o lugar tinha feito a pessoa, a pessoa havia transformado o lugar. Quando tive de recriar o espaço e o tempo de Lisboa onde Ricardo Reis viveria o seu último ano, sabia de antemão que não seriam coincidentes as duas noções do tempo e do lugar: a do adolescente tímido que fui, fechado na sua condição social, e a do poeta lúcido e genial que freqüentava as mais altas regiões do espírito. A minha Lisboa foi sempre a dos bairros pobres, e quando, muito mais tarde, as circunstâncias me levaram a viver noutros ambientes, a memória que preferi guardar foi a da Lisboa dos meus primeiros anos, a Lisboa da gente de pouco ter e de muito sentir, ainda rural nos costumes e na compreensão do mundo.

Talvez não seja possível falar de uma cidade sem criar umas quantas datas notáveis da sua resistência histórica. Aqui, falando de Lisboa, foi mencionada uma só, a do seu começo português: não será particularmente grave o passado de glorificação… Sê-lo-ia, sim, ceder àquela espécie de exaltação patriótica que, à falta de inimigos reais sobre que fazer cair o seu suposto poder, procura os estímulos fáceis da evocação retórica. As retóricas comemorativas, não sendo forçosamente um mal, comportam no entanto um sentimento de autocomplacência que leva a confundir as palavras com os actos, quando as não coloca no lugar que só a eles competiria.

Naquele dia de Outubro, o então ainda mal iniciado Portugal deu um largo passo em frente, e tão firme foi ele que não voltou Lisboa a ser perdida. mas não nos permitamos a napoleónica vaidade de exclamar: “Do alto daquele castelo oitocentos anos nos contemplam” – e aplaudir-nos depois uns aos outros por termos durado tanto… Pensemos antes que do sangue derramado por um e outro lados está feito o sangue que levamos nas veias, nós, os herdeiros desta cidade, filhos de cristãos e de mouros, de pretos e de judeus, de índios e de amarelos, enfim, de todas as raças e credos que se dizem bons, de todos os credos e raças a que chamam maus. Deixemos na irónica paz dos túmulos aquelas mentes transviadas que, num passado não distante, inventaram para os Portugueses um “dia da raça”, e reivindiquemos a magnífica mestiçagem, não apenas de sangues, mas sobretudo de culturas, que fundou Portugal e o fez durar até hoje. 

Lisboa tem-se transformado nos últimos anos, foi capaz de acordar na consciência dos seus cidadãos o renovo de forças que a arrancou do marasmo em que caíra. Em nome da modernização levantam-se muros de betão sobre as pedras antigas, transtornam-se os perfis das colinas, alteram-se os panoramas, modificam-se os ângulos de visão. Mas o espírito de Lisboa sobrevive, e é o espírito que faz eternas as cidades. Arrebatado por aquele louco amor e aquele divino entusiasmo que moram nos poetas, Camões escreveu um dia, falando de Lisboa: “cidade que facilmente das outras é princesa”. Perdoemos-lhe o exagero. Basta que Lisboa seja simplesmente o que deve ser: culta, moderna, limpa, organizada, sem perder nada da sua alma. E se todas estas bondades acabarem por fazer dela uma rainha, pois que o seja. Na república que nós somos serão sempre bem-vindas rainhas assim.

in O Caderno, Lisboa, Caminho, 2009

Notícia e fotogaleria da abertura da fundação e da exposição na Casa dos Bicos (Expresso)

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A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, a Rede de Bibliotecas Escolares e o Plano Nacional de Leitura lançam, em 2011.12, a 1ª edição do concurso Ler em Português, com o intuito de promover a utilização da Língua Portuguesa, aumentar as práticas de leitura e aprofundar a troca de experiências entre alunos e professores portugueses e norte-americanos.

O concurso destina-se a equipas mistas de alunos e professores do Ensino Secundário de Portugal continental, das regiões autónomas dos Açores e da Madeira e dos Estados Unidos da América (…). A participação no concurso efetiva-se através da edição e publicação de conteúdos no blogue atribuído a cada equipa e da elaboração de um trabalho final (…). As equipas selecionadas serão premiadas com um programa de intercâmbio entre Portugal e os Estados Unidos da América para conhecer, in loco, a cultura e os costumes dos dois países, bem como as dinâmicas e os projetos de leitura e literacia desenvolvidos pelas respetivas escolas e bibliotecas escolares.

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Ai Weiwei, reputado artista conceptual chinês, nascido em 1957 em Pequim, foi notícia nos últimos dois anos, e por razões muito díspares: a destruição do seu atelier em Pequim e a sua posterior detenção, em Abril de 2011, e a inauguração da exposição do seu trabalho The unilever series: Ai Weiwei sunflower seeds, na Tate Modern em Londres, em Outubro de 2010. O primeiro caso prende-se com a sua acção como activista político, num país onde este tipo de atitude é fortemente reprimida, e a segunda, pela exposição referida, que esteve patente até Maio de 2011, naquele que é o  gadget de arte contemporânea mais prestigiado da Europa. “Made in China”, no bom sentido, define na perfeição esta instalação escultórica, como adiante se explicará.

Entre Abril de 2010 e Novembro de 2011, Ai Weiwei viu o seu estúdio em Pequim, no valor de 1 milhão de euros, ser destruído, os seus bens serem confiscados, a sua mulher sujeita a interrogatórios e ele próprio ser detido em local secreto durante três meses. Depois de libertado foi proibido de utilizar o Twitter e de dar entrevistas durante 1 ano.

Ai Weiwei tornou-se conhecido internacionalmente por ter sido o assessor artístico na  construção do “Ninho de Pássaro”, nome com que foi batizado o palco central dos jogos olímpicos de Pequim 2008, da autoria dos arquitectos Herzog & de Meuron.

Weiwei é filho de Ai Qing, poeta venerado na China, que, no entanto, durante o regime maoísta, foi alvo de perseguições. Acusado de direitista, foi desterrado para o oeste da China onde foi obrigado a limpar latrinas e proibido de publicar. O desterro, que Ai sofreu com o pai, e com quem partilha os ideais de justiça, acabou com o fim da Revolução Cultural (1966-1976), tendo a família voltado a Pequim, onde Ai estudou cinema e  dinamizou um colectivo de artistas denominado Xingxing, grupo perseguido pelas autoridades chinesas, acabando a maioria dos seus membros por abandonar a China. Ai Weiwei foi então para Nova Iorque onde permaneceu doze anos, entregando-se a tarefas diversas para sobreviver, frequentando, sem nunca concluir, vários cursos de arte. Acaba por entrar em contacto com o meio intelectual nova-iorquino, na altura em que o ambiente artístico efervescente está ainda marcado pelas experiências da Pop Art, do minimalismo e do conceptualismo. É nessa cidade que toma conhecimento do legado de Marcel Duchamp, cujas ideias veio a perfilhar. Numa entrevista ao Jornal El País (16/05/2005) afirmou: “aprendi a ser um artista inteligente, não um artista único, com habilidades visuais ou técnicas, – estas fazem falta, porém são apenas ferramentas para representar uma ideia”

Regressado à China, para acompanhar o pai na doença, instala-se em Pequim onde se aplica na animação cultural da cidade, sempre vigiado pelas autoridades chinesas, até porque a sua obra, onde são utilizados vários suportes, entre elas a fotografia, tem quase sempre um conteúdo provocatório, como a fotografia em que aparece frente à Praça Tianamen (onde ocorreram os massacres de 1989), com o punho fechado e o dedo médio estendido, e outra em que a sua mulher, Lu Qing surge levantando a saia em frente ao retrato de Mao Tsé Tung, em Tianamen.

A temática da sua obra não se esgota, contudo, nestes desafios, embora tenha sempre alguma conotação social ou crítica, nem sempre tão explícita. Ai Wewei dedica-se à construção de grandes instalações, fazendo também séries fotográficas com objectos com ligação ao Império do Meio, como vasos neolíticos, cerâmicas imperiais, mobiliário tradicional, em que se subverte a sua função ou o seu valor, como no caso da série em que deixa cair e partir uma réplica de jarrão da Dinastia Ming (séculos III a.C. a III d.C.).

A sua exposição na Tate Modern, Ai Weiwei sunflowers seeds é uma instalação com 100 milhões de sementes de girassol (uma quantidade para além do imaginável, segundo o próprio autor), com o peso total de 150 toneladas, réplicas das naturais, mas feitas em porcelana chinesa, na cidade de Jingdezhen, a terra da porcelana, cozidas a 1300 º e pintadas à mão, uma a uma, num complicado processo, cuja produção envolveu cerca de 1600 pessoas. O que distingue estas sementes de porcelana dos ready-made de Duchamp, é que estas não são fruto de uma indústria massificada, nem produzidos para outro qualquer fim, mas objetos únicos, produzidos por artesãos especializados, destinados exclusivamente à obra artística.

Os girassóis foram uma metáfora utilizada pelo regime comunista na sua revolução cultural, representando Mao o próprio sol, cujo movimento os milhões de girassóis (os chineses) seguiam, em tropismo infalível e perpétuo; – os girassóis suportaram, tanto material como espiritualmente, a revolução, diz o artista acerca da sua opção por este objeto. Ao mesmo tempo, as sementes de girassol são um aperitivo popular muito comum na China, presentes sempre que se socializa à volta de uma bebida, simbolizando então a partilha, o prazer e a comunhão colectiva. A porcelana, por outro lado, é a mais emblemática das exportações chinesas. Simboliza a delicadeza, perícia e diligência com que eram feitos muitos dos artefactos tradicionalmente produzidos na China (não nos deixemos contaminar pelo novo sentido do “made in China”, característico da voragem industrial contemporânea chinesa e da sua busca pela hegemonia comercial; o termo cuja origem se prende com os atributos que mencionámos será chinezisse, embora, aqui, a sua utilização vernácula, o tenha também desvirtuado).

Cem milhões de sementes produzidas artesanalmente e pintadas uma a uma é disso mesmo testemunho – uma homenagem a esta atitude ancestral chinesa que tantas preciosidades produziu – ainda que estas preciosidades, as sunflowers seeds de Weiwei que encheram a Turbine Hall da Tate, pudessem ser calcadas pelos visitantes, pelo menos até terem sido cobertas por um vidro para evitar a poeira sufocante que libertavam. De acordo com a curadoria da exposição, “a natureza preciosa do material, o esforço de produção, a narrativa e a interpretação pessoal, fazem deste trabalho um poderoso comentário sobre a condição humana”.

 Cristina Teixeira

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Foi há 433 anos, em 4 de Agosto de 1578, entre Tânger e Fez, numa batalha em que morreram três reis, entre eles D. Sebastião, que nasceu um dos mais fortes mitos da cultura portuguesa – o sebastianismo. Entre o reagir à extrema adversidade com pragmatismo e determinação, ou baixar os braços com um conformismo fatalista, alguns sublimaram a tragédia num messianismo mítico, como foi o caso de Fernando Pessoa, na sua Mensagem, mais visivelmente no poema A Última Nau, incluído numa das provas do exame de Português do 12ºano deste ano lectivo.

Óleo de Carlos Alberto Santos

Levando a bordo El-Rei D. Sebastião,
E erguendo, como um nome, alto, o pendão
Do Império,
Foi-se a última nau, ao sol aziago
Erma, e entre choros de ânsia e de pressago
Mistério.
 
Não voltou mais. A que ilha indescoberta
Aportou? Volverá da sorte incerta
Que teve?
Deus guarda o corpo e a forma do futuro,
Mas Sua luz projecta-o, sonho escuro
E breve.
 
Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
Mais a minha alma atlântica se exalta
E entorna,
E em mim, num mar que não tem tempo ou ‘spaço,
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.
 
Não sei a hora, mas sei que há a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a névoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império.
 

Mas se o poeta contrasta aqui a exaltação da “sua alma atlântica”, na crença do regresso do rei e do “pendão do império”, com a descrença do povo, a quem “a alma falta”, outros portugueses negaram-lhe o fatalismo trágico (crente ou descrente), retratando o desastre de uma forma bem mais prosaica:

Curiosamente ocorrida igualmente em Agosto, Aljubarrota situa-se no pólo oposto da nossa autoestima nacional e assim, nesse período de quase 200 duzentos anos que mediou essas duas batalhas de Agosto, parece ter ficado eternamente suspensa uma poderosa fonte de epopeias e demónios que ainda alimenta a nossa identidade portuguesa… mesmo em férias.

Fernando Rebelo

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