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Archive for Agosto, 2011

Não é difícil de adivinhar, mesmo antes de lá entrar a função, do Kansas City Library District Garage “Community Bookshelf” tendo em conta o seu design arquitectónico: todo o perímetro exterior do edifício é constituído por gigantescas lombadas de livros. Como curiosidade, eis alguns títulos que ostenta a sua fachada principal: Tao Te Ching (Lao Tzu),  The Lord of the Rings (Tolkien), A Tale of Two Cities (Dickens) e Romeo and Juliet (Shakespeare).

Serão sugestões de leitura? Homenagens? Permanecerão lá num tempo em que já não houver livros, recordando-nos o tempo em que foram nossos companheiros de cabeceira? O certo é que se pode dizer que nesta biblioteca nem é preciso entrar para começar a percorrer as estantes.

Fernando Rebelo

imagens daqui, daqui, daqui, daqui e daqui

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Logo que, numa inovação, nos mostram alguma coisa de antigo, ficamos sossegados.

Friedrich Nietzsche

15/11/1844 — 25/8/1900

 

imagem daqui

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Brian Dettmer é um artista originário de Chicago que produz as suas peças escultórias a partir de suportes de diversos media não digitais, nomeadamente livros, fitas de VHS ou de cassetes de audio. Num mundo onde os media digitais vão eliminando quase todos os outros, os materiais recombinados por Dettmer, alguns já obsoletos como suporte documental, ganham um novo lugar, uma nova utilidade, dando outra visibilidade à sua extinção como espécies no mundo da comunicação.

site oficial de Brian Dettmer

Fernando Rebelo

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Foi há 433 anos, em 4 de Agosto de 1578, entre Tânger e Fez, numa batalha em que morreram três reis, entre eles D. Sebastião, que nasceu um dos mais fortes mitos da cultura portuguesa – o sebastianismo. Entre o reagir à extrema adversidade com pragmatismo e determinação, ou baixar os braços com um conformismo fatalista, alguns sublimaram a tragédia num messianismo mítico, como foi o caso de Fernando Pessoa, na sua Mensagem, mais visivelmente no poema A Última Nau, incluído numa das provas do exame de Português do 12ºano deste ano lectivo.

Óleo de Carlos Alberto Santos

Levando a bordo El-Rei D. Sebastião,
E erguendo, como um nome, alto, o pendão
Do Império,
Foi-se a última nau, ao sol aziago
Erma, e entre choros de ânsia e de pressago
Mistério.
 
Não voltou mais. A que ilha indescoberta
Aportou? Volverá da sorte incerta
Que teve?
Deus guarda o corpo e a forma do futuro,
Mas Sua luz projecta-o, sonho escuro
E breve.
 
Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
Mais a minha alma atlântica se exalta
E entorna,
E em mim, num mar que não tem tempo ou ‘spaço,
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.
 
Não sei a hora, mas sei que há a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a névoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império.
 

Mas se o poeta contrasta aqui a exaltação da “sua alma atlântica”, na crença do regresso do rei e do “pendão do império”, com a descrença do povo, a quem “a alma falta”, outros portugueses negaram-lhe o fatalismo trágico (crente ou descrente), retratando o desastre de uma forma bem mais prosaica:

Curiosamente ocorrida igualmente em Agosto, Aljubarrota situa-se no pólo oposto da nossa autoestima nacional e assim, nesse período de quase 200 duzentos anos que mediou essas duas batalhas de Agosto, parece ter ficado eternamente suspensa uma poderosa fonte de epopeias e demónios que ainda alimenta a nossa identidade portuguesa… mesmo em férias.

Fernando Rebelo

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