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Archive for Dezembro, 2012

luz

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SARAMAGO, José (2006), As Pequenas Memórias, Editorial Caminho

Tu disseste avó, sentada na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabias e por onde nunca viajarias, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e disseste, com a serenidade dos teus noventa anos e o fogo de uma adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer.” Assim mesmo, eu estava lá.

500_9789722118316_as_pequenas_memoriasEste livro trata-se de um livro de memórias, ou seja, o autor, como se fosse lembrando, conta algumas histórias sobre os primeiros anos da sua vida em Azinhaga, a sua aldeia natal. O autor, porém, não narra as suas histórias de uma forma cronológica: pode contar um episódio de quando tinha três anos como, de seguida, estar a contar sobre um em que tinha 15 anos.

Ele fala, essencialmente, da sua infância e da sua adolescência, através de vários episódios, uns mais dramáticos e outros mais divertidos. O autor conta-nos várias histórias de como a família Barata estava quase sempre com eles e relata os pequenos esquemas que às vezes tinham para poupar dinheiro.

Num dos episódios, por exemplo, ele desvenda a origem do seu apelido “Saramago”. Não era um apelido de verdade, era simplesmente uma alcunha que as pessoas lhes davam. Um dia, quando o pai foi fazer o registo civil do seu filho, sucedeu que o funcionário que estava encarregado estava bêbedo e que decidiu acrescentar ao nome José de Sousa, que era o que o pai lhe queria dar, o apelido Saramago. Depois, só aos 7 anos, quando o foram matricular, é que repararam que o filho tinha Saramago no nome. No final, o pai teve de mudar também o nome para não haver conflitos com a lei.

Num outro episódio, fala-nos da peripécia à volta da data do seu nascimento. O seu verdadeiro dia de anos é dia 16 de novembro e não dia 18, como está no registo civil. Isto deve-se ao facto de que o seu pai estava a trabalhar longe e, para se fazer o registo de nascimento da criança tem-se, no máximo, 30 dias. Como o pai não conseguiria chegar a tempo de modo a registar a criança sem pagar multa, eles decidiram registar o seu nascimento para dia 18 e assim livraram-se da despesa.

estátua do autor em Azinhaga

estátua do autor em Azinhaga

Uma história mais dramática foi a do arame. Um dia, estava ele a passear nas redondezas quando três miúdos agarraram-no e começaram a enfiar-lhe um arame pela uretra acima. Depois de verem o sangue a escorrer, os rapazes foram-se embora deixando-o ali, sozinho. Foi logo para casa e a mãe, assustada, levou-o ao hospital.

Eu escolhi este livro porque foi-me recomendado por familiares como sendo um livro muito interessante. Pensava que não ia gostar pois não é o tipo de livro que me atrai, mas acabei por perceber que era um livro bastante cativante, envolvente e às vezes divertido. No fundo, aquilo de que eu mais gostei foi da diferença de mentalidades: no livro a relação mãe-filho é completamente diferente do é que atualmente. Ele tinha muito mais liberdade quando tinha 4 ou 5 anos do que se calhar eu tenho hoje, com 15 anos, ou seja, nos tempos que correm, as mães e os pais são muito mais protetores do que eram nessa altura.

Teresa Lourenço, 10ºC

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não digo do natal

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jardim AlfazemaJESS-COOKE, Carolyn (2011), Diário do Anjo da Guarda, Edições Asa

Todos os dias vejo os bastidores das cenas, das experiencias que estava destinada a viver, as pessoas que estava destinada a amar, e quero pegar numa caneta celestial e alterar tudo aquilo. Quero ser eu a escrever o meu guião. Foi o parágrafo que mais gostei de Diário de um Anjo da Guarda, um livro escrito por Carolyn Jess-Cook e com cerca de trezentas e quinze páginas.

É um romance intemporal que logo me chamou a atenção devido à sua capa. Depois, ao ler a sinopse, percebi que se tratava de um livro que abordava o sobrenatural, combinando romance, fantasia e terror, ao mesmo tempo que se debruçava sobre temas como o abuso, a dependência e a maternidade, levando-nos a reflectir sobre os nossos atos e pensar que nada na vida nos acontece por acaso. É então uma história de amor e de espiritualidade, que retrata a vida de uma mulher a quem é dada a oportunidade de voltar a nascer.

Assim sendo, Ruth vai ser o anjo da guarda de Margot Delacroix, ela mesma noutra dimensão. Para cuidar de Margot, Ruth deve obedecer a, essencialmente, duas regras: a primeira é que ela será testemunha de tudo o que sua protegida fizer; a segunda é que ela deve proteger Margot, pois muitas pessoas tentarão interferir nas suas escolhas. Porém, acima de tudo, Ruth deve amar Margot.

Apesar dos poderes que possuía enquanto anjo, como ler pensamentos, ver através do corpo humano, detectar detalhes do funcionamento dos seus órgãos e possíveis doenças, ela não pode interferir nas escolhas de Margot, tendo apenas permissão para inspirar pessoas próximas e desse modo aliviar o seu sofrimento. Ruth começa por auxiliar no doloroso parto da sua protegida e, pela primeira e última vez, vê a sua mãe e o seu pai biológicos, que nunca conhecera enquanto estivera viva. Após o parto, Margot é internada num hospital e tratada pelo doutor Edwards, até que um casal foi vê-la com a esperança de a adoptarem. Ficaram contudo muito desiludidos quando o médico os informou de que ela só sobreviveria até aos três anos de idade, pois sofria de uma taquicardia ventricular. Porém, com a ajuda de Ruth, o casal acabou por adotar Margot. Com Ben, um advogado e Una, ela teria tudo para se tornar uma pessoa feliz, no entanto, eles acabaram por morrer numa acidente de automóvel.

Carolyn Jess-Cooke

Carolyn Jess-Cooke

Margot é então adotada por outro casal, que apenas decidiu adotar uma criança porque tinham lido um anúncio no jornal que procurava pais adotivos pelo valor de vinte e cinco libras por semana. Com este esquema, eles poderiam manter o trabalho de imigração ilegal. Margot vai sofrer não só com este casal, como também durante toda a sua vida. Vai ser abandonada, acabando desnutrida, maltratada e até espancada, mas a tudo sobreviverá graças a Ruth.

Ao ler este livro, entrei numa viagem intensa pela vida de Margot. Descobri as razões por detrás de alguns acontecimentos inexplicáveis para ela e que afinal talvez não estejamos tão sozinhos como pensamos. Ainda nos faz refletir sobre esta pergunta: o que faria de diferente se pudesse viver tudo de novo?

Assim, quem gosta de dramas e procura um livro diferente do normal com certeza irá adorar Diário do Anjo da Guarda.

Patrícia Leitão, 10ºC

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A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

Valentí Gubianas
Valentí Gubianas

Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.


Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?

Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

Cecília Meireles (1901-1964)

excerto de Quatro vozes, acedido aqui

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Em 20 de Dezembro de 1812 foi publicada em Berlim a primeira edição dos contos dos Irmãos Grimm. Para aqueles que não reconhecem imediatamente o nome, basta só referir que essa coletânea continha, nada mais nada menos, do que contos como a Branca de Neve e os Sete Anões, Cinderela e o Capuchinho Vermelho, entre muitos outros. Inspiradas essencialmente na literatura popular do Norte da Europa, estas histórias ganharam rapidamente popularidade tendo sido traduzidas em inúmeras línguas e ficado a fazer parte do património de muitas infâncias ao longo destes dois séculos.

Alguns autores, como é o caso de Bruno Bettelheim em A Psicanálise dos Contos de Fadas, atribuiram-lhes mesmo uma função psicossocial essencial na aprendizagem infantil pois abordam, através de narrativas intemporais, os dilemas mais profundos do ser humano, interpretados por esse autor à luz de um quadro predominantemente psicanalítico. Nesta linha, é igualmente interessante a versão do Capuchinho Vermelho, como é apresentada no filme A Companhia de Lobos (Neil Jordan, 1984).

Finalmente, para assinalar esta efeméride, aqui fica ainda uma sugestão para uma visita a uma exposição sobre a vida dos Irmãos Grimm,  assim como uma galeria com algumas das ilustrações das suas histórias publicadas entre o séc. XIX e princípios do séc. XX.

Fernando Rebelo

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cherub symbol (2)James Adams nasceu a 23 de outubro de 1991, em Londres. Até aos 12 anos, viveu com Gwen Choke, sua mãe, que morre de insuficiência cardíaca, e sua irmã Lauren. Frequentou escolas do ensino normal, como qualquer outro miúdo, onde era irrequieto, problemático e desatento. No entanto, tinha facilidade em tirar notas média-altas. Nunca conheceu o seu pai, apenas sabia que era professor de matemática, o que pode ser uma justificação para a sua enorme facilidade com os números.

James, aos 12 anos (quando a mãe morre), vai viver para um lar de crianças onde a psicóloga do sítio lhe reconhece características especiais. Desta forma, ele é levado sem saber para o campus da CHERUB onde lhe fazem testes de aptidão. Como ele passa todos os testes, é convidado a juntar-se à CHERUB, convite que logo aceita.

Todos os potenciais agentes têm de ser levados às escondidas. É lhes dada uma injeção que lhes provoca sonolência. No dia seguinte, acordam num dos quartos da CHERUB deitados, despidos, tendo para vestir na beira da cama uma camisola laranja (a dos visitantes), umas calças da tropa e roupa interior. Devem dirigir-se ao gabinete do diretor que os reencaminha para fazer testes de ingresso e lhes mostra como é o campus. O candidato nunca é obrigado a aceitar ficar, mesmo que seja o melhor! Normalmente aceitam porque têm tudo: quarto com casa-de-banho, refeitório com 3 ementas, um dojo, mesadas grandes, entre outras coisas…

A CHERUB é uma agência secreta britânica. É um ramo dos serviços secretos (MI5) que tem como agentes crianças em vez de adultos. Mais facilmente um criminoso deixa uma criança entrar na sua casa do que um adulto para lhe revistar as coisas. É essa a base da CHERUB. Há 50 anos que existe e apenas morreram quatro agentes. Para se entrar na organização tem de se cumprir requisitos exigentes. Além da inteligência (James tem um QI de 153), os candidatos têm de ter apetência para a missão, serem fisicamente fortes, e serem órfãos.

James é caracterizado como tendo um 1.80m, olhos azuis, cabelo loiro, ser encorpado com uma morfologia física que lhe permite ganhar peso com facilidade. Ele é o “garanhão” do sítio. No campus, a não ser no início, sempre teve uma namorada além das muitas que conseguiu ter durante as missões em que tomou parte. Ele possui uma t-shirt preta (a mais elevada na hierarquia da CHERUB), domina a matemática, tendo acabado um ano mais cedo do que a maioria dos estudantes (a ensino é por níveis ou seja pode-se estar mais à frente na Matemática, mas mais atrás no russo, p.e.) e é fluente em russo (apesar de não dominar o sotaque).

James tem muitos amigo cada qual com as suas características, mas o com quem passa a maior parte do tempo quando não está em missão é Kyle Blueman, que é homossexual e é mais velho, Kerry, com quem namorou e é de descendência asiática, os gémeos Callum e Connor, Bruce, um apaixonado por artes marciais e Gabriela, a voz da razão do grupo.

Robert Muchamore

Robert Muchamore

A Coleção CHERUB já vendeu livros por todo o mundo sendo uma das favoritas dos jovens adolescentes. Tem diversos prémios e criticas positivas que aparecem registadas nas capas dos livros. A origem do nome CHERUB é uma incógnita. É revelado que antes que o fundador pudesse explicar o nome foi assassinado e, como era o tempo da II Guerra Mundial e, como já haviam sido impressos montes de folhas com essa sigla, ela foi assim mantida. O autor, Robert Muchamore, revelou que as duas primeiras letras são as iniciais do fundador – Charles Henderson – no entanto, o resto das letras são um mistério e apenas será revelado noutra coleção posterior.

 Tiago Bernardino, 11º F

imagens daqui e daqui

Nota do editor: quase todas as obras desta coleção estão disponíveis para requisição na tua BE

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Muitas vezes nos deparamos, mesmo aqueles que ensinam a língua. com dúvidas sobre algumas formas ortográficas do português, dúvidas essas que de alguma forma foram agravadas pela entrada em vigor do Novo Acordo Ortográfico. Para ultrapassar este problema, para além de outros sítios como o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, já uma referência nesta matéria, temos igualmente um espaço, regularmente atualizado, no sítio da Porto Editora – Dúvidas da Língua Portuguesa – que através de pequenos vídeos explicativos procura esclarecer alguns dos erros mais frequentes no uso da nossa língua.

clique para aceder ao sítio

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No âmbito do Dia Mundial dos Direitos Humanos e na sequência do visionamento do filme sobre a sua história publicitado aqui no Bibli, alguns alunos do 11ºA, sob a orientação da professora Rosa Silva, registaram as suas próprias visões  sobre o tema, que agora se publicam.

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raNa minha opinião, apesar de existir uma Declaração Universal dos Direitos Humanos, ainda não há um total respeito pelos mesmos. Sabemos que os direitos humanos, tal como o nome indica, se dirigem a todos os Homens, sejam estes do sexo feminino ou masculino, negros ou brancos. Então, porque ainda se fazem tantas distinções em relação à sua “raça” ou em relação ao seu sexo?

Passo a citar o Artigo V: “Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”. Há, diariamente, uma clara violação deste artigo, quando mulheres e filhos são espancados e, por vezes, assassinados pelos seus maridos e pais.

O Artigo I, em que é mencionado que “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, também é constantemente desrespeitado. Quantas são as mulheres que recebem menos salário que um homem no mesmo cargo profissional? Quantos são os negros que ainda são vítimas de racismo, nos dias que correm? Quando se nasce “diferente” do que a sociedade declara como normal, é logo feita uma sentença: embora essa pessoa seja igual perante a lei, não o é aos olhos da sociedade.

No dia em que não houver discriminação, no dia em que não houver assassínios, no dia em que todos tivermos os mesmos direitos, e no dia em que ninguém seja tratado de forma cruel, nesse dia, orgulhar-me-ei em alterar a minha tese e dizer que há um total respeito pelos direitos humanos.

 Inês Cristina de Gouveia Bonito, 11ºA

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Atualmente, apesar de já ter existido, ao longo da história, uma grande evolução no cumprimento e no respeito pelos direitos humanos, estes continuam a não ser totalmente respeitados.

Segundo a Declaração dos Direitos Humanos, todos os indivíduos têm direito à vida, e, no entanto, esta cláusula não é cumprida. A prova disso é que continuam a Human-Rights-Violations-of-Prisoners-and-Arrested-Persons-in-Indiaser praticados crimes de homicídio e, mais grave ainda, continua a existir, no mundo atual, a pena de morte. Homens que tiram a vida a outros homens, não é um desrespeito pelos direitos humanos? Não há como negar!

Um dos direitos humanos é, também, que todos os seres humanos têm direito à saúde, e, apesar disso, ainda existem pessoas sem acesso a tratamentos. Por exemplo, em África há uma grande proliferação de doenças, muitas delas mortais, e não existem condições nos hospitais locais, para que as pessoas infetadas recebam o devido tratamento.

Nesta declaração, é ainda referido que todos os indivíduos têm direito à liberdade, mas existem ditaduras, ou, pelo menos, censura, em diversos países. Nos Estados Unidos da América, por exemplo, muitos programas, vídeos musicais, desenhos animados, entre outros, não são transmitidos na televisão, porque o governo não o permite. Isto é uma negação à liberdade de expressão, a que todos temos direito.

Por todas estas violações aos direitos humanos, penso que estes não são ainda totalmente respeitados, e temos muito a melhorar no que diz respeito a este assunto.

 Joana Vilar, 11ºA

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Num Mundo dotado de razão e consciência, seria expectável que o ideal comum fosse verdadeiramente universal e válido para qualquer povo de qualquer raça.

Contudo, creio firme e aterrorizadamente que isto não acontece; não existe um total respeito pelo outro ou pelos seus direitos.

 Será que alguma vez alguém se perguntou se os seus direitos estão a ser minuciosamente respeitados? E, se estão, será que os do próximo também estarão? Talvez o egoísmo do Homem não o deixe alcançar esta perspetiva de fraternidade.

human_rights_handsPergunto-me como é possível defendermos os direitos Humanos quando estamos, na verdade, a anulá-los. Parece algo contraditório e para o qual a resposta parece tudo menos simples.

Como é possível afirmar que a Constituição Universal dos Direitos Humanos é vigente, quando nesta, se defende o direito à vida e, no entanto, já é quase universal o direito ao aborto?

E se qualquer um tem direito ao trabalho, porque assistimos diariamente a pessoas menosprezadas, por serem demasiado velhas para arranjar emprego, mas, ao mesmo tempo, demasiado novas para terem acesso à reforma e a uma vida digna?

Se todos têm direito ao trabalho, não deveria importar a idade ou sexo, mas sim, a qualidade do serviço prestado.

Quando analisamos os artigos primeiro e terceiro da Declaração, estes também não parecem encontrar-se em conformidade com a realidade. Se, nestes, são defendidos os mesmos direitos, independentemente do sexo ou religião, porque continuamos a excluir os homossexuais, da sociedade, e a retirar-lhes privilégios, tais como casamento e adoção?

Por isto, acho importante apelar à consciência de todos, quanto aos direitos humanos, ao que estes significam e se estão realmente em conformidade com a realidade.

Vera Duarte,  11.ºA

imagens daqui, daqui e daqui

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Por iniciativa do Grupo de História em colaboração com a BE, está patente na ESDS uma exposição que pretende comparar o que era a escola em 1987 (no ano em que se inaugurou), o país e o mundo, com o que é hoje, em 2012 (quando a escola celebra o 25º aniversário).

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premio-nobel As cerimónias oficiais de entrega dos Prémios Nobel 2012 realizaram-se no  dia 10, aniversário da morte do industrial e filantropo sueco Alfred Nobel em 1896, distribuindo-se entre Oslo e Estocolmo e, como vem sendo habitual, rodeadas de alguma polémica que começa com a indicação dos laureados, em outubro.

Este ano foi o caso do Prémio Nobel da Paz atribuído à União Europeia que, embora justificado pelo  seu contributo para a

Von Rumpoy, Barroso e Shultz

Von Rumpoy, Barroso e Shulz

democracia e direitos humanos e pela transformação de “um continente de guerra num continente de paz” não impediu que muitas vozes se levantassem contra esta atribuição. Entre os contestatários estiveram antigos galardoados, nomeadamente o arcebispo sul-africano Desmond Tutu e o líder histórico polaco Lech Walesa. Mas, apesar da contestação e de marchas de protesto, a cerimónia realizou-se na Câmara Municipal de Oslo e os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso e do Parlamento Europeu, Martin Schulz comprometeram-se a defender o euro  como forma de preservar  a União numa época de  crise e tensão entre os  seus  membros, muitos deles presentes na cerimónia. Em resposta à contestação, o valor pecuniário do prémio  de 930.000 euros será destinado a projetos de apoio a crianças vítimas de conflitos armados. Na cerimónia oficial a cultura portuguesa esteve representada com a atuação da banda de Almada, OqueStrada.

Prémio Nobel Literatura

Mo Yan

Os restantes prémios foram entregues no Concert Hall, em Estocolmo, e a polémica também rodeou o Nobel da Literatura  atribuído ao escritor chinês , pseudónimo literário de Guan Moye,  que significa”não fales”. A obra de Mo Yan foi reconhecida pelo “realismo alucinatório” que “funde contos populares, história e o contemporâneo”, como justificou em outubro passado a Academia Sueca, durante o anúncio do laureado. Em Portugal, foi publicado em 2007 o excelente “Peito grande, ancas largas”,  traduzido por João Martins e editado pela Ulisseia, aguardando-se a publicação das restantes obras. Mo Yan, que se define como “ contador de histórias”, sendo um  dos escritores chineses contemporâneos mais publicados, nasceu numa família pobre da China rural dedicando o seu prémio à falecida mãe analfabeta. Mo Yan considera que “um escritor deve enterrar os seus pensamentos e transmiti-los através dos personagens dos seus romances”, assume-se como independente, tendo sido bastante criticado  pelos dissidentes chineses por não assinar  uma petição pela libertação do seu compatriota Liu Xiaobo, Prémio Nobel da Paz em 2010. Curiosamente, algumas das suas obras estiveram proibidas pelo regime que agora vem elogiá-lo considerando que a atribuição do prémio é um reconhecimento do valor da cultura chinesa.

O Nobel de  Fisiologia e Medicina foi entregue ao britânico John B. Gurdon do Institute Gurdon no Reino Unido e ao japonês Shinya Yamanaka da Drawing1Universidade de Quioto pela descoberta de que “as células humanas maduras podem ser reprogramadas para se tornarem pluripotentes“ possibilitando o seu desenvolvimento em qualquer tecido do corpo. Conforme o comunicado, “A sua descoberta revolucionou a nossa compreensão de como as células  e os organismos se desenvolvem”.

nobel físicaO francês Serge Haroche do College de France e o norte-americano David J. Wineland  da Universidade do Colorado receberam o Nobel de Física, pela pesquisa em que desenvolveram inovadores métodos experimentais que permitem medição e manipulação de sistemas quânticos individuais e, conforme foi referido, “abriram a porta para uma nova era de experimentação em física quântica”. Segundo o comunicado da Academia Nobel, o trabalho dos dois investigadores ajudou nas primeiras fases de desenvolvimento de um novo tipo de super computadores baseados na física quântica assim como a  construção de um novo tipo de relógio que poderá tornar-se a base de um novo sistema de medição do tempo, com uma precisão cem vezes superior à dos atuais relógios atómicos.Prémio Nobel Química

O Nobel de  Química   foi para os norte-americanos Robert J. Lefkowitz e Brian K. Kobilka com “estudos sobre os recetores acoplados à proteína G”, uma família de receptores situados nas membranas celulares que se ligam a moléculas no exterior e enviam “sinais” para dentro, possibilitando que a célula responda de maneira específica.

nobel_economia_0O Nobel da Economia  criado pelo Banco da Suécia, em 1969, foi igualmente atribuído a dois norte-americanos, Alvin Roth  da Universidade de Harvard e Lloyd Shapley da Universidade da Califórnia, pela investigação sobre os mercados: “ teoria de alocações estáveis e ao modelo de mercado”.

Os rituais que se mantêm há décadas nas cerimónias de gala, conferências, palestras são rodeados por algum fausto mas, sinal dos tempos, a dotação financeira  dos prémios teve uma redução de  20%.

Luísa Oliveira

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Num Universo que já tem 10 ou 15 mil milhões de anos, estamos constantemente a ter surpresas.

Carl Sagan

Um dos factos que contribuiu para validar a teoria do Big Bang (teoria que afirma que o Universo teve origem numa explosão, seguida de uma expansão), foi a descoberta da radiação cósmica de fundo.

radiação cósmica de fundo

radiação cósmica de fundo

A existência desta radiação foi prevista, muito antes da sua deteção, por volta de 1934, quando o físico Richard Tolman revelou teoricamente que, se o Universo estava em expansão, teria que estar preenchido por uma radiação. E se o Universo foi inicialmente muito quente, como a Teoria do Big Bang sugere, devia ser possível encontrar vestígios desse calor que estaria na forma de uma radiação que hoje se designa por radiação cósmica de fundo.

A descoberta desta radiação, que na seriação do espetro eletromagnético se localiza na zona dos microondas, e a sua observação experimental, permitiu excluir o modelo do Estado Estacionário da lista de possíveis modelos de formação do Universo. Segundo o modelo do Estado Estacionário, o Universo expande-se sendo

Arno Penzias e Robert Wilson

Arno Penzias e Robert Wilson

criada nova matéria nos espaços entre as galáxias, mantendo assim a densidade de matéria do Universo.

Em 1965, os americanos Arno Penzias e Robert Wilson, ambos radioastrónomos do Bell Telephone Laboratories, confirmaram a existência desta radiação. A descoberta envolveu um episódio curioso. Estes cientistas, construiram uma antena para testes de comunicação de baixo ruído com o satélite Echo. Três anos depois, a antena deixou de ser necessária para os testes de comunicação de baixo ruído e começou a ser utilizada para estudar radiações rádio presentes na Via Láctea. Mas cedo os dois radioastrónomos descobriram um irritante ruído de fundo que contaminava as medições. Esse ruído parecia não derivar de fontes de ondas de rádio de origem humana, de outro planeta ou até mesmo do Sol. O desespero levou a que Penzias e Wilson pensassem que a origem desse ruído estava no casal de pombos que nidificava na antena. Mas chegaram à conclusão que a origem desse ruído não era do casal de pombos mas sim de origem cósmica – estava identificada a radiação cósmica de fundo. Mais tarde, em 1965, Penzias e Wilson publicaram no Astrophysical Journal artigos sobre os resultados obtidos.

Raquel Cardoso, 10ºC

Bibliografia:

  • Química em Contexto 10 – Teresa Sobrinho Simões, Maria Alexandra Queirós e Maria Otilde Simões – Porto Editora 2012.

Citação:

Imagens:

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yayoi-kusamaYayoi Kusama é uma artista japonesa (a mais considerada na atualidade no seu país), prolífica e surpreendente,  senhora de uma forma muito particular de ver a realidade e de a exprimir. Nascida em 1929, na província de Matsumoto, numa próspera família de industriais, continua hoje, com 83 anos, a trabalhar e a produzir com imensa energia. Para comemorar os 60 anos da sua atividade artística, duas das mais importantes instituições da arte contemporânea, a Tate, em Londres, e a Whitney, em Nova Iorque, organizaram em 2012 exposições retrospetivas da sua obra. As exposições foram, entre outros, patrocinadas pela célebre marca Louis Vuitton, que, pela mão do seu diretor artístico, Marc Jacobs, encetou em 2011, uma parceria com a artista, que passou a assinar alguns dos cobiçados acessórios da marca.

Artista multifacetada, YaYoi Kusama utilizou todos os meios de expressão, da pintura à escultura, à yayoi-kusama-dots-obsession-2009instalação, ao vídeo, à performance, ao design e à poesia, revelando a sua enorme versatilidade. A sua preferência vai para a instalação e a performance, mas, quer nestes casos, quer nos objetos de design, como telemóveis, malas, ou mesmo cosméticos, como os batons da l’Óreal, que também já desenhou, em todos eles Kusama exibe os seus temas preferidos, uma repetição de bolas em tons psicadélicos, as polka dots (tradução: bolinhas) coloridas, ou sobre fundo colorido, com as quais compõe padrões repetitivos e densos, que cobrem a totalidade das superfícies, ou ocupam todo espaço, no caso das instalações. Essa superfície pode ser, como foi várias vezes o caso, o próprio corpo da artista. Estas polka dots, a que a artista também chama “infinity nets” (redes infinitas) são, de acordo com a própria, o fruto das experiências alucinatórias que sofre desde muito nova. Na verdade, a sua infância e vida familiar não foram felizes. Apesar do conforto que a posição social da sua família lhe proporcionou, teve um pai ausente e uma mãe desequilibrada e autoritária, circunstância que a própria liga ao quadro depressivo e obsessivo grave, com episódios alucinatórios, que desde cedo a perturbou e a levou ao internamento psiquiátricos. O seu universo pictórico, obsessivo e algo pitoresco, é a expressão gráfica das suas experiências alucinatórias, a materialização do seu mundo a-real. E funciona como “ antídoto do mal” (Kusama repetiu em entrevistas, “se não fosse a arte, há muito me tinha suicidado”).

Yayoi Kusama retrospective at Tate ModernAs infinity nets, com esta vertente, simultaneamente artística e terapêutica, ao serem enquadrados pelo movimento avant-gard, movimento do qual Kusama foi uma das principais representantes, tornaram-se um sucesso no mundo artístico. Mas para que isso acontecesse, teve que deixar o país natal, onde iniciou uma formação artística que não a satisfez, e ir para Nova Iorque, cidade onde esse instalou e viveu desde os finais dos anos 50 até 1973, ano em que voltou para o Japão. Em Nova Iorque, no epicentro da arte avant-garde, foi influenciada pelas várias correntes, sobretudo pelo Expressionismo Abstrato e pela Pop-Art, expondo com Andy Warhol e Claes Oldenburg . Por essa altura desenvolveu-se também o movimento de contracultura hippie, no qual Kusama imerge intensamente, preparando festivais (street performances), dos quais ficaram célebres os nus cobertos com as inevitáveis polka dots (Central Park, Brooklyn Bridge, MOMA). Mais tarde vai ainda ligar-se ao Minimalismo e à Art Brut.

Em 1973 volta ao Japão e interna-se numa instituição psiquiátrica em Tóquio, onde passou residir, voluntariamente, até hoje, caindo aos poucos no esquecimento. Reapareceu depois do sucesso do seu trabalho no pavilhão japonês da bienal de Veneza de 1993, onde apresentou uma instalação em que uma divisão em vidro se enchia de pequenas abóboras cobertas com um padrão de pintinhas pretas. Desde então tem esculpido uma série de enormes abóboras amarelas cobertas Abóboras-de-Yayoi-Kusamacom o referido padrão ótico. A abóbora acabou mesmo, de acordo com os seus biógrafos, por se tornar o seu alter-ego.

Bolas, pintas, esferas, acrílicos, espelhos, paredes tatuadas com padrões repetitivos, neons, luzes florescentes, tudo em larga escala, assim é composto o mundo orgânico, abstrato e vibrante de Yayoi Kusama, um mundo que transcende o espaço, brinca com a cor, com o reflexo, e com a densidade, e onde muitas vezes o criador é também criatura, tantas as vezes que a artista é parte da obra.

Este mundo muito particular, criado por esta octogenária de cabeleira vermelha, em cadeira de rodas, decorada com polka dots, está hoje presente em muito dos espaços públicos das grandes cidades do planeta.

Cristina Teixeira

imagens daqui, daqui e daqui

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