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Archive for Dezembro, 2012

luz

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SARAMAGO, José (2006), As Pequenas Memórias, Editorial Caminho

Tu disseste avó, sentada na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabias e por onde nunca viajarias, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e disseste, com a serenidade dos teus noventa anos e o fogo de uma adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer.” Assim mesmo, eu estava lá.

500_9789722118316_as_pequenas_memoriasEste livro trata-se de um livro de memórias, ou seja, o autor, como se fosse lembrando, conta algumas histórias sobre os primeiros anos da sua vida em Azinhaga, a sua aldeia natal. O autor, porém, não narra as suas histórias de uma forma cronológica: pode contar um episódio de quando tinha três anos como, de seguida, estar a contar sobre um em que tinha 15 anos.

Ele fala, essencialmente, da sua infância e da sua adolescência, através de vários episódios, uns mais dramáticos e outros mais divertidos. O autor conta-nos várias histórias de como a família Barata estava quase sempre com eles e relata os pequenos esquemas que às vezes tinham para poupar dinheiro.

Num dos episódios, por exemplo, ele desvenda a origem do seu apelido “Saramago”. Não era um apelido de verdade, era simplesmente uma alcunha que as pessoas lhes davam. Um dia, quando o pai foi fazer o registo civil do seu filho, sucedeu que o funcionário que estava encarregado estava bêbedo e que decidiu acrescentar ao nome José de Sousa, que era o que o pai lhe queria dar, o apelido Saramago. Depois, só aos 7 anos, quando o foram matricular, é que repararam que o filho tinha Saramago no nome. No final, o pai teve de mudar também o nome para não haver conflitos com a lei.

Num outro episódio, fala-nos da peripécia à volta da data do seu nascimento. O seu verdadeiro dia de anos é dia 16 de novembro e não dia 18, como está no registo civil. Isto deve-se ao facto de que o seu pai estava a trabalhar longe e, para se fazer o registo de nascimento da criança tem-se, no máximo, 30 dias. Como o pai não conseguiria chegar a tempo de modo a registar a criança sem pagar multa, eles decidiram registar o seu nascimento para dia 18 e assim livraram-se da despesa.

estátua do autor em Azinhaga

estátua do autor em Azinhaga

Uma história mais dramática foi a do arame. Um dia, estava ele a passear nas redondezas quando três miúdos agarraram-no e começaram a enfiar-lhe um arame pela uretra acima. Depois de verem o sangue a escorrer, os rapazes foram-se embora deixando-o ali, sozinho. Foi logo para casa e a mãe, assustada, levou-o ao hospital.

Eu escolhi este livro porque foi-me recomendado por familiares como sendo um livro muito interessante. Pensava que não ia gostar pois não é o tipo de livro que me atrai, mas acabei por perceber que era um livro bastante cativante, envolvente e às vezes divertido. No fundo, aquilo de que eu mais gostei foi da diferença de mentalidades: no livro a relação mãe-filho é completamente diferente do é que atualmente. Ele tinha muito mais liberdade quando tinha 4 ou 5 anos do que se calhar eu tenho hoje, com 15 anos, ou seja, nos tempos que correm, as mães e os pais são muito mais protetores do que eram nessa altura.

Teresa Lourenço, 10ºC

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não digo do natal

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jardim AlfazemaJESS-COOKE, Carolyn (2011), Diário do Anjo da Guarda, Edições Asa

Todos os dias vejo os bastidores das cenas, das experiencias que estava destinada a viver, as pessoas que estava destinada a amar, e quero pegar numa caneta celestial e alterar tudo aquilo. Quero ser eu a escrever o meu guião. Foi o parágrafo que mais gostei de Diário de um Anjo da Guarda, um livro escrito por Carolyn Jess-Cook e com cerca de trezentas e quinze páginas.

É um romance intemporal que logo me chamou a atenção devido à sua capa. Depois, ao ler a sinopse, percebi que se tratava de um livro que abordava o sobrenatural, combinando romance, fantasia e terror, ao mesmo tempo que se debruçava sobre temas como o abuso, a dependência e a maternidade, levando-nos a reflectir sobre os nossos atos e pensar que nada na vida nos acontece por acaso. É então uma história de amor e de espiritualidade, que retrata a vida de uma mulher a quem é dada a oportunidade de voltar a nascer.

Assim sendo, Ruth vai ser o anjo da guarda de Margot Delacroix, ela mesma noutra dimensão. Para cuidar de Margot, Ruth deve obedecer a, essencialmente, duas regras: a primeira é que ela será testemunha de tudo o que sua protegida fizer; a segunda é que ela deve proteger Margot, pois muitas pessoas tentarão interferir nas suas escolhas. Porém, acima de tudo, Ruth deve amar Margot.

Apesar dos poderes que possuía enquanto anjo, como ler pensamentos, ver através do corpo humano, detectar detalhes do funcionamento dos seus órgãos e possíveis doenças, ela não pode interferir nas escolhas de Margot, tendo apenas permissão para inspirar pessoas próximas e desse modo aliviar o seu sofrimento. Ruth começa por auxiliar no doloroso parto da sua protegida e, pela primeira e última vez, vê a sua mãe e o seu pai biológicos, que nunca conhecera enquanto estivera viva. Após o parto, Margot é internada num hospital e tratada pelo doutor Edwards, até que um casal foi vê-la com a esperança de a adoptarem. Ficaram contudo muito desiludidos quando o médico os informou de que ela só sobreviveria até aos três anos de idade, pois sofria de uma taquicardia ventricular. Porém, com a ajuda de Ruth, o casal acabou por adotar Margot. Com Ben, um advogado e Una, ela teria tudo para se tornar uma pessoa feliz, no entanto, eles acabaram por morrer numa acidente de automóvel.

Carolyn Jess-Cooke

Carolyn Jess-Cooke

Margot é então adotada por outro casal, que apenas decidiu adotar uma criança porque tinham lido um anúncio no jornal que procurava pais adotivos pelo valor de vinte e cinco libras por semana. Com este esquema, eles poderiam manter o trabalho de imigração ilegal. Margot vai sofrer não só com este casal, como também durante toda a sua vida. Vai ser abandonada, acabando desnutrida, maltratada e até espancada, mas a tudo sobreviverá graças a Ruth.

Ao ler este livro, entrei numa viagem intensa pela vida de Margot. Descobri as razões por detrás de alguns acontecimentos inexplicáveis para ela e que afinal talvez não estejamos tão sozinhos como pensamos. Ainda nos faz refletir sobre esta pergunta: o que faria de diferente se pudesse viver tudo de novo?

Assim, quem gosta de dramas e procura um livro diferente do normal com certeza irá adorar Diário do Anjo da Guarda.

Patrícia Leitão, 10ºC

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A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

Valentí Gubianas
Valentí Gubianas

Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.


Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?

Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

Cecília Meireles (1901-1964)

excerto de Quatro vozes, acedido aqui

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Em 20 de Dezembro de 1812 foi publicada em Berlim a primeira edição dos contos dos Irmãos Grimm. Para aqueles que não reconhecem imediatamente o nome, basta só referir que essa coletânea continha, nada mais nada menos, do que contos como a Branca de Neve e os Sete Anões, Cinderela e o Capuchinho Vermelho, entre muitos outros. Inspiradas essencialmente na literatura popular do Norte da Europa, estas histórias ganharam rapidamente popularidade tendo sido traduzidas em inúmeras línguas e ficado a fazer parte do património de muitas infâncias ao longo destes dois séculos.

Alguns autores, como é o caso de Bruno Bettelheim em A Psicanálise dos Contos de Fadas, atribuiram-lhes mesmo uma função psicossocial essencial na aprendizagem infantil pois abordam, através de narrativas intemporais, os dilemas mais profundos do ser humano, interpretados por esse autor à luz de um quadro predominantemente psicanalítico. Nesta linha, é igualmente interessante a versão do Capuchinho Vermelho, como é apresentada no filme A Companhia de Lobos (Neil Jordan, 1984).

Finalmente, para assinalar esta efeméride, aqui fica ainda uma sugestão para uma visita a uma exposição sobre a vida dos Irmãos Grimm,  assim como uma galeria com algumas das ilustrações das suas histórias publicadas entre o séc. XIX e princípios do séc. XX.

Fernando Rebelo

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