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Archive for Abril, 2013

Apesar do tempo da ação da peça Felizmente há luar, de Luis de Sttau Monteiro ter lugar em inícios do séc. XIX, a analogia com o período vivido em Portugal antes do 25 de Abril de 1974 é incontornável.  Aqui fica o registo de um trabalho sobre essa obra, realizado pelas alunas do 12º ano do Curso Profissional de Técnicos de apoio à Infância da ESDS,  para evocar este dia, transcorridos 39 anos, e lembrar que felizmente há abril…

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Day we read, we read at night , Lucy Campbell

imagem original: Day we read, we read at night , Lucy Campbell

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Tal como anunciado aqui no Bibli, vai realizar-se a Semana da Leitura, entre 22 e 27 de Abril, sob o tema Livro & Liberdade, que pretende juntar as efemérides dos dias 23 e 25 de Abril. Assim, o evento incluirá uma exposição sobre o mesmo tema, com informações sobre a Censura em Portugal no período do Estado Novo, facsímiles dos Autos de Censura de obras de autores conhecidos, tal como uma pequena mostra de cartazes da  revolução.

Teremos ainda no dia 23 de Abril, entre as 10 e as 10:15, uma performance poética na biblioteca, concebida e realizada pelo professor Carlos Amaral e os alunos do Ateliê de Expressão Dramática sob o tema da liberdade.

Por seu turno, a Associação de Estudantes, na pessoa do seu presidente João Simões, responsáveis pela animação sonora dos intervalos, disponibilizou-se para passar nesses dias música e palavras dedicadas à literatura e à liberdade, enquanto os professores de Português deverão dispor de algum tempo dos seus períodos letivos para a realização de atividades com os alunos na mesma linha temática.

Boas Leituras e Viva a Liberdade!

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Os_Jogos_da_FomeCOLLINS, Suzanne (2009), Jogos da Fome, coleção Via Láctea, Editorial Presença 

Esta história situa-se num futuro pós-apocalíptico, em que um regime totalitário governava a partir da megalópole, o Capitólio. Este governava os dozes distritos de Panem.

Uma anterior revolta fracassada dos Distritos levou a um acordo de rendição, em que todos os distritos se comprometeram a enviar, anualmente, um rapaz e uma rapariga para os Jogos da Fome – espetáculo sangrento de combates mortais, que passava em todas as casas, de todos os distritos. No final destes jogos, só uma pessoa podia vencer em vinte e quatro. […]

Um dos muitos aspetos em que a Autora conseguiu surpreender-me, foi o facto de, no final de cada capítulo, deixar a história suspensa, criando no leitor a necessidade de querer saber mais e mais.

Barbara Bessa

BLYTON, Enid (2011), As Gémeas – O segundo ano em Santa Clara, coleção As Gémeas, Oficina do LivroAs Gémeas - o Segundo Ano em Santa Clara

Neste livro, as gémeas já estão no segundo ano, em Santa Clara. Já conhecem a escola e têm muitas amigas e estão desejosas de regressar ao colégio. Naquele ano, entraram quatro raparigas novas para a turma. No meio de espetáculos, estudos, partidas, maldades, ceias secretas e aniversários, as gémeas acabam por passar bons momentos e grandes aventuras em Santa Clara.

Nesta obra, podemos reter mais aspectos positivos do que negativos. O único aspecto negativo é o facto de ser pouco descritivo. Acho que podia ter mais descrição, para “mergulharmos” na história. Um dos aspectos positivos é o facto de a história estar repleta de aventura; há sempre algo a acontecer. Outro aspecto positivo é o facto de podermos retirar várias lições de moral: devemos conhecer bem as pessoas antes de as criticarmos; devemos dar sempre uma oportunidade e tentar sempre antes de desistir.

Telma Nabais

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GOSCINNY, R. e UDERZO, A. (1996), Astérix gladiador, coleção Astérix, Meribérica

Certo dia, na aldeia gaulesa, Cacofonix foi passear pela floresta, para cantar. Um pouco depois, foi apanhado pelos romanos, para ser oferecido a Júlio César. Mais tarde, a mensagem do rapto de Cacofonix torna-se conhecida dos gauleses. Então, Obélix e Astérix prepararam-se para a aventura de salvar Cacofonix.

Ásterix e Obélix, a bordo de um navio Fenício, iniciaram a sua viagem, na qual enfrentaram vários perigos. Ao chegarem a Roma, não sabiam onde procurar Cacofonix, mas ao verem um cartaz que informava que um gaulês iria ser atirado aos leões, concluíram que era Cacofonix, e que só o poderiam libertar, se lutassem na arena, e assim o fizeram.

Este livro pode ser lido por pessoas de todas as idades, e as suas fantásticas ilustrações permitem, ao leitor, uma boa compreensão da história.

Mário Moimenta

BACH, Richard (2008), Fernão Capelo Gaivota, ed. Europa-América, 10ª edição, LisboaFernão

Esta história fala de uma gaivota diferente das outras, pois esta quer voar mais alto que todas as outras gaivotas e mais rapidamente que todas elas. Esta gaivota fazia parte de um bando, e nesse bando, as gaivotas não faziam mais nada do que voar, para apanhar peixe e comer. Este bando não evoluía mais do que isto: trabalhar para comer. Esta gaivota, mais conhecida por Fernão Capelo Gaivota, era muito mais evoluída e pensava muito mais além que todas as outras gaivotas, e por isso foi expulsa do bando.

Um dia, quando ela estava a voar a alta velocidade, apareceram das gaivotas que voavam à mesma velocidade que ela e que, depois, a levaram para uma comunidade onde todas pensavam como Fernão. Fernão pensava que estava no paraíso, mas não era.

Adorei a lição de vida de Fernão para com as outras gaivotas, pois acho que todos nós devíamos tentar ir para além dos nossos limites. Houve uma frase de que gostei muito, e que foi uma gaivota muito sábia que a disse: “Vê mais longe a gaivota que voa mais alto”.

Marta Candeias

Nota: textos recolhidos e editados pela professora Rosa Silva

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A Assembleia Geral  das Nações Unidas, em 1993, instituiu  a comemoração do Dia Mundial da Imprensa em 13 abril  uma forma de salientar a sua  importânciano mundo contemporêno. Numa época  de globalização da informação e da comunicação é importante relembrar os primórdios da imprensa e como teria sido inimaginável sem a tipografia (do grego typos — “forma” — e graphein — “escrita”). Recuamos, por isso,  à primeira metade do século XV  e ao inventor alemão Johannes Gutemberg apesar das evidências de que o holandês Laurens Coste iniciou a impressão de livros com a utilização de carateres móveis de madeira, alguns anos antes de Gutenberg, razão pela qual é g 1considerado, por muitos, como o pai da imprensa. Deve-se, no entanto, referir o mérito de inventores chineses que já conheciam o papel desde o século II e prensas de madeira onde gravavam textos e imagens desde o século VIII e tipos móveis no século XI. Jikji , ensinamentos sobre o budismo, foi o primeiro livro impresso com carateres móveis  metálicos , em finais do século XIV, na Coreia.

Estas técnicas eram desconhecidas na Europa e, independentemente da polémica, é seguro que Gutenberg que tinha aprendido o ofício de ourives e que foi aclamado durante a Revolução Francesa como “primeiro revolucionário e benfeitor da humanidade” utilizou um método com carateres móveis que veio a revolucionar a cultura europeia. Inventou a tinta de impressão para papel e pergaminho misturando  fuligem, resina e óleo de linhaça e criou um processo que consistia em cunhar as letras em matrizes de cobre, com uma punção de aço com letras gravadas em relevo, gerando uma espécie de molde de letras, que eram finalmente montadas em uma base de chumbo,  onde recebiam a tinta  e eram prensadas no papel. Para a feitura da prensa gráfica (termo de imprensa deriva deste equipamento) Gutenberg  inspirou-se nas prensas utilizadas para espremer uvas da região de Mongúcia, g 3Alemanha, de onde era natural.  Este método permitiu a obtenção de carateres precisos e resistentes ao desgaste da impressão e veio substituir o moroso trabalho dos copistas que tornava os dispendiosos livros autênticas obras de arte que implicavam materiais como o couro paara a encadernação assim como tecidos bordados. O primeiro exemplar deste método revolucionário foi a Bíblia de 42 linhas, em latim, de cuja edição existem 48 exemplares. Esta técnica propagou-se rapidamente  nas cidades universitárias e comerciais, nomeadamente Veneza e Paris e, em pouco tempo, as tipografias espalharam-se pela Europa, tornando os livros mais acessiveis e democratizando um saber “erudito”, que deixa de ser exclusivo do clero. Em 1539, a primeira tipografia chega ao continente americano com o alemão  Johann Cromberger.

Em Portugal o primeiro impresso saiu da oficina de D. Samuel Porteira Gacon, judeu que tinha fugido das perseguições da Inquisição em Espanha e que se estabeleceu em Faro. O único exemplar desta edição , em hebraico,  O Pentateuco encontra-se na British Library , em Londres.  Não há consenso no que respeita às obras  impressas em português e a disputa faz-se entre O Sacramental de Clemente Vercial de 1488 e Tratado de Confissom de 1489, impresso em Chaves com um único exemplar na Biblioteca Nacional, em Lisboa.

Esta invenção teve um enorme alcance  revolucionando o conhecimento com o desenvolvimento das línguas nacionais, cultura e ciência. Os valores da modernidade difundiram-se, o racionalismo, o individualismo, o gosto pelo saber, a importância dada à observação são as bases da nova g 2mentalidade.  Numa fase inicial, a Igreja Católica apoiou esta invenção e, sinal disso, é o facto da maior parte das primeiras obras impressas tratarem temáticas religiosas, embora em latim, nomeadamente  a Bíblia, que se tornara mais barata por meio da sua reprodução tipográfica. Porém, ao tomarem consciência do alcance deste novo recurso, os impressores enfrentaram alguns riscos, tendo sido perseguidos pela Inquisição. A proibição da tradução da Bíblia para as línguas nacionais  não impediu a sua tradução para o inglês e impressão em Antuérpia, em 1521,  tendo o seu  tradutor, o sacerdote inglês William Tyndale, sido queimado na fogueira por isso.

No século XVI, os tipógrafos jornaleiros tinham um horário de trabalho de 16 horas diárias, o que desencadeou algumas greves, particularmente em França. Em 1695, a Inglaterra  acabou com a lei que regulava as suas atividades e em 1791 a Primeira Emenda à Constituição Americana proibia qualquer lei que limitasse a liberdade de imprensa. A 1ª publicação impressa periódica regular aparece em 1602 em Antuérpia e o 1º jornal em português em 1641 com o nome Gazeta da Restauração. No século XIX, com a industrialização,  aparecem as primeiras agências de notícias e  em 1851 Paul Julius Reuter funda a Reuters. O telégrafo, técnicas de impressão, emissão de rádio, cinema e tv revolucionaram as tecnologias de informação e comunicação já no seéc. XX.

Mseu Nacional da Imprensa

Museu Nacional da Imprensa

Um forma de reconhecer a importância da imprensa e enaltecer o direito fundamental que é a liberdade de expressão é visitar espaços  que dignificam a “ arte negra” e o valor da imprensa. O Museu Nacional da Imprensa, Jornais e Artes Gráficas, no Porto, apresenta, desde 1997,  exposições permanentes e temporárias sobre esta temática. De igual modo, é estimulante conhecer o Espaço Memória-Tipografia Popular do Seixal, extensão do Ecomuseu Municipal, localizada no Núcleo urbano antigo do Seixal em instalações remodeladas de uma oficina tipográfica tradicional, empresa familiar estabelecida naquele local desde os anos 50 do século XX. A  visita  guiada orientada por um excelente pedagogo, antigo tipógrafo, transmite, de forma cativante, memórias, saberes e curiosidades ligadas a esta arte à volta de peças de elevado valor patrimonial pois preservam as artes da composição, impressão e encadernação  destacando-se as de impressão de finais do século XIX e primeira década do século XX e as primeiras impressora introduzidas em Portugal.

Visitar estes espaços museológicos é, por isso, uma excelente oportunidade para relembrar as origens da tipografia e a sua evolução, de refletir sobre os meios de difusão de notícias e fazer uma viagem no tempo em volta das máquinas que tanto contribuiram para a evolução da humanidade.

Luísa Oliveira

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Para iluminar esta Primavera ainda disfarçada de Inverno, mudemos o refrão e façamos de abril leituras mil. Abril é o mês que une Livro e Liberdade, celebrados respetivamente a 23 e 25,  que será também o tema  para nossa Semana da Leitura, cujo programa em breve anunciaremos aqui no Bibli.

Entretanto aqui fica mais uma Estante com uma seleção da nossa biblioteca – do fomento da leitura à reflexão sobre a cidadania, do encanto do livro ao canto da liberdade…

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aceda à notícia

aceda à notícia

… e ainda a propósito de arte, não podemos deixar de assinalar o 120º aniversário do nascimento de José de Almada Negreiros, hoje assinalado, em Lisboa, com o lançamento do programa de comemorações e a inauguração de uma exposição inspirada no artista multifacetado, de acordo com notícia do jornal Expresso, que descreve com mais detalhes a programação das comemorações, cuja leitura sugerimos, assim como uma fotobiografia do artista disponibilizada pelo jornal Público.

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Andy Goldsworthy

Andy Goldsworthy

Apenas uma das muitas deambulações de Andy Goldsworthy pelo planeta em busca da sua obra leva-o a deixar a sua marca artística desde o Pólo Norte, à Austrália, ao Japão. O que procura este artista que declara “I need the land” (preciso do lugar)? Perceber a essência de um determinado ambiente, capturar a sua energia, a sua seiva, e materializar essa captura numa intervenção – esta é a narrativa que subjaz ao gesto de Andy Goldsworthy.

O artista  parte de três premissas, o tempo, a mudança e o lugar, e busca a colaboração com a natureza e os seus movimentos cíclicos: crescimento, transformação, decadência, erosão, deterioração, aparecimento,  desaparecimento,  durabilidade, permanência.  E de quê? De pedras, da terra, de lamas e lavas, do mar, dos rios, das folhas e ramos, do gelo e da neve, da luz, e também da atmosfera, da paisagem, da forma e do recorte do horizonte que são igualmente fatores inseparáveis do seu trabalho. A ideia é: tudo na natureza é transitório, o seu gesto também.

Andy Goldsworthy, inglês nascido em 1956 em Cheshire, atualmente a viver na Escócia, é hoje considerado um dos mais criativos e bem-sucedidos artistas a trabalhar na tradição do movimento da Land Art. Esta corrente, que alcançou Goldsworthy north polevisibilidade nos EUA nos finais dos anos 60, com as grandes intervenções nos desertos da Califórnia e montanhas do Nevada e Arizona, virou costas às paredes das galerias e dos museus. Esta opção pelo planeta como meio de expressão tem a ver com a emergência do novo culto da natureza trazido pelas preocupações ecologistas, mas também, entre outros fatores, com o cansaço provocado pela excessiva despersonalização das propostas minimalistas, quase hegemónicas na arte contemporânea da altura. Nas suas obras, que diz pretenderem ir direitas ao “coração da natureza”, utiliza técnicas variadas, desde as mais minimalistas e minuciosas, às mais intrusivas, realizando instalações em espaço aberto, muitas vezes em locais recônditos e de difícil acesso. As ferramentas que utiliza com mais frequência são as mãos, eventualmente recorre a outros  utensílios, que inventa  recolhendo  da natureza. Sendo trabalhos efémeros, sujeitos à degradação, é o registo fílmico ou fotográfico que os eterniza (e os transporta para o gallery system, ou seja, para o mercado das artes).

Andy Goldsworthy considera-se um artista do ambiente (environmente artist) e para ele a arte é um processo contínuo e reflexo (“sempre que possível faço um trabalho por dia”), que resulta da sua busca e encontro com a paisagem. Encontro nem sempre profícuo, nem sempre fácil, por vezes fortuito. Percorre o mundo para o fazer, permanecendo por vezes bastante tempo no mesmo local. O ver, o tocar, assim como o lugar em si, o próprio tempo, a atmosfera, a forma e o recorte do horizonte são todos fatores inseparáveis do trabalho. “O lugar encontra-se caminhando, a direção é determinada pelo tempo e pela estação do ano. Agarro as oportunidades que cada dia oferece: se está a nevar, trabalho com neve, no outono com folhas, no inverno com ramos, A alguns lugares volto mais vezes, vezes sem conta, indo mais ao fundo – uma relação em camadas, que perdura no tempo”.

captura-de-pantalla-2012-05-13-a-las-11-39-09No entanto nem sempre o artista sabe o que procura, o que quer fazer, e por vezes, depois de uma busca infrutífera, a oportunidade acaba por se revelar de forma quase óbvia. Impõe-se então de forma intuitiva, já lá estava, não só o local e o material em si, mas também o processo que envolve a sua transformação, assim como a sua envolvente, aquilo que chama o espaço exterior tornado visível, e que é parte indissociável do trabalho. Cria-se então uma imagem definida na confusão de impressões que emanam de determinada paisagem. Esta imagem, que se traduz numa transformação, resulta da atividade mental do artista que declara querer ir “mais além da superfície”.

A sua intenção porém não é deixar uma marca na natureza, mas apenas com ela colaborar, criando uma nova perceção, perceção essa que será depois deixada ao seu destino. Acontece o seu trabalho ser levado ao limite do seu próprio colapso, e não poucas vezes, repetidamente; a obra será conseguida quando se sustentar. A arte é então a beleza desse equilíbrio, ainda que transitório e fugaz.

Cristina Teixeira

Bibliografia:

HOLLIS, Jill, CAMERON, Ian. (1990) Andy Goldsworthy: “A Collaboration with Nature”, New York: Harry N. Abrams Incorporated; Andy Goldsworthy, “Time”

Fonte das imagens: daqui, daqui e daqui   – mais imagens aqui

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No rescaldo dos grandes prémios de cinema, sobressaem algumas estreias interessantes: A última vez que vi Macau, complementado com a curta- metragem Alvorada vermelha, ambas de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra de Mata, estrearam-se comercialmente ao mesmo tempo que foi noticiado que o primeiro foi selecionado, juntamente com As linhas de Wellington de Valerie Sarniento, para a 29ª edição do festival de Villeurbanne, França, na categoria de “reflexos do cinema ibérico e latino-americano”.  A aguardada estreia de Comboio noturno para Lisboa, do dinamarquês Bille August, adaptação do romance homónimo de 2004 de Pascal Mercier, pseudónimo literário do filósofo Peter Bieri, trouxe a Lisboa realizador, escritor e os atores Jeremy Irons e Christopher Lee de uma obra que tem o mérito de divulgar a capital  a nível turístico.

De Espanha chega-nos o filme mudo e a preto e branco, adaptação do famoso conto dos irmãos Grimm com argumento e realização de Pablo Berger, Branca de  Neve, o grande vencedor dos Prémios Goya, arrecandando 10 estatuetas. Coincidindo com  a realização do Fantasporto estreou-se o sucesso de bilheteira, Mamã, do realizador argentino Andrés Muschietti, uma coprodução hispano-canadiana de Guillermo del Toro, que venceu os prémios de melhor filme, melhor realizador e melhor actriz (Jessica Chastain) na secção de Cinema Fantástico da 33ª edição daquele festival. Neste emblemático evento na longa lista dos galardões atribuídos merece destaque o Prémio Carreira, atribuído ao realizador português António de Macedo e a homenagem a Manoel de Oliveira, na passagem dos 70 anos sobre a estreia de Aniki-Bóbó (1942). Na secção exclusivamente dedicada ao Cinema Português, foi distinguido o documentário de Luís Moya, Mia Mia Sudan Tamam Tamam, sobre o povo do Sudão e Restart, trabalho coletivo do Instituto de Criatividade, Artes e Novas Tecnologias, de Lisboa (Prémio Escolas de Cinema).

Igualmente aguardado com expetativa Oz – O grande e poderoso de Sam Raimi que, apesar da grandeza que os meios técnicos proporcionam, não consegue suplantar a magia do clássico de 1932 realizado por Victor Fleming. Referência, de igual modo, para as seguintes estreias: o comovente drama franco-belga  Ferrugem e Osso com argumento e realização de Jacques Audiard  e excelentes interpretações de Marion Cotlliard e Mathias Schoenaerts;  a animação para todas as idades de Os croods de Chris Sanders e Kirk DeMicco e As fantásticas aventuras de TAD de Enrique Gato; o argumento divertido e absurdo de Sete psicopatas de Martin Mcdonagh e a descontração de Robô e Frank de Jack Shreir; da Dinamarca  o drama histórico Um caso real de Nikolaj Arcel, nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro e que relata os factos verídicos ocorridos no reinado de Christian VII, no século XVIII,  que vão contribuir para a implantação dos ideais iluministas, e ainda, o perturbante e intenso, A caça de Thomas Vinterberg. Por fim, Terra prometida de Gus Van Sant com Matt Damon como ator, co-argumentista e produtor  e um elenco de luxo  num  belo filme de mensagem e de confronto entre o dinheiro e a tradição.

Como prova do reconhecimento da qualidade da cinematografia nacional, o realizador Miguel Lopes vai presidir à Semana de Crítica do festival de Cannes 2013. A longa-metragem do realizador português João Canijo Sangue do meu sangue volta a ser distinguida a nível internacional tendo, desta vez, sido distinguida com o grande prémio do Festival Cinema Mundi, na República Checa. Quanto a eventos nacionais, a 10ª edição do Indielisboa, festival internacional de cinema independente, realiza-se de 18 a 28 abril e, contrariando a crise, apresenta 250 filmes estrangeiros e portugueses na Culturgest, cinemas São Jorge e City Alvalade e Cinemateca, revelando-se mais uma oportunidade para apreciarmos uma diversidade de obras.

Relembro que continua, no bar Bicaense, o ShortcutzLisboa, movimento internacional de curtas metragens, com a exibição, às 3ª feiras, de três curtas metragens, sendo uma convidada e as outras duas em competição para a melhor do mês e sempre com a presença de personalidades do meio cinematográfico. Na Casa da América Latina, de abril a outubro, são apresentados documentários para dar a conhecer escritores da literatura latino-americana numa iniciativa denominada “Escritores en primera persona”. Num período em que o país é apresentado como o que perdeu mais espetadores de cinema, no ano transato, conforme informação do Observatório Europeu do Visual, estas iniciativas representam um estímulo para os apreciadores da 7ª arte.

Luísa Oliveira

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