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Archive for Maio, 2014

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Perante as figuras, sem rosto, de Giorgio de Chirico ou de Malevitch, há uma falta que impede o reconhecimento e a identificação do outro enquanto ser.

A inexistência dos elementos que constituem a face, olhos, nariz e boca, não permite descortinar nenhuma entrada, nenhum sinal de alma.

As figuras permanecem incomunicáveis, sem essas aberturas por onde a vida passa, as ligações entre o interior e o exterior não acontecem, e os movimentos e expressões que espelham no exterior a interioridade, não existem.

Toda a face se revela no sentir, quer através de micro-expressões, quer através de alteração da cor, como se o interior pudesse a qualquer momento revelar-se na sua nudez.

Os olhos e, sobretudo, o olhar são os mais reveladores, permitem ver, perscrutar, atravessar espessuras e desmoronar falsas imagens.

Esta projeção do “eu”, no rosto, levou à necessidade de o proteger, ocultando-o de diferentes maneiras, quer com máscaras, simples acessórios que permitem fantasiar o que não se é, através da ocultação da face, interditando o olhar alheio de micro-expressões que se formam, quer com a construção de máscaras “naturais”que reproduzem tiques e algumas expressões estudadas, aprende-se a ter um rosto, a disfarçar o que verdadeiramente se é.

Mas, se as máscaras ocultam, os espelhos revelam. E, se por um lado, há a necessidade de esconder, por outro, há também a necessidade e o fascínio de olhar-se.

Restritos no início, devido à raridade e ao elevado preço, os espelhos tornam-se mais comuns com a revolução industrial. Mas é com a história da Branca de Neve e da Bruxa Má, ao consultar o seu espelho mágico (“Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu”) que, este, incrivelmente sincero, aterroriza a bruxa ao responder-lhe que já existe outra mais bela, da mesma maneira que, diariamente, nos confronta com a verdade de nós próprios.

O espelho é o objeto que satisfaz a vaidade, mas é o objeto que mostra também o que está para além da superfície da imagem.

Esta verdade, cristalizada numa chapa fotográfica e, posteriormente, reproduzida, rapidamente chega à maioria das pessoas, constituindo uma mudança radical na sociedade.

Felix Nadar, 1860

Felix Nadar, 1860

Gaspar Félix Nadar (fotógrafo francês, 1820-1910) contava que as pessoas, quando tiveram oportunidade de se verem retratadas, ficavam tão deslumbradas com a veracidade da imagem que, por vezes, ao saírem do seu estúdio, nem se davam conta de que levavam consigo o retrato trocado. As pessoas queriam simplesmente ver-se, saber como eram, não importava, ainda, o que estava por detrás da imagem.

Mas muitos ficavam zangados e furiosos quando descobriam que o seu retrato não estava à altura da sua auto-imagem.

Alguns fotógrafos, à semelhança de alguns pintores de retrato, recorreram ao uso de artifícios e acessórios, que davam aos traços do rosto a valorização que, por vezes, não tinham.

Esta procura de perfeição e valorização do rosto foi o objeto de estudo de fotógrafos e pintores de retrato que, rapidamente, perceberam o impacto que este “aperfeiçoamento” causava junto das pessoas.

A procura não mais cessou, bem como as diferentes técnicas utilizadas para tornar mais belos os rostos. Apagaram-se rugas, limparam-se manchas, diminuíram-se defeitos, alteraram-se escalas –  esta capacidade de apagar registos emocionais e psicológicos dificultou assim a leitura interior.

Os rostos aparentam ser, hoje, muito felizes e perfeitos, e mesmo, quando a sós perante o espelho “espelho, espelho meu…”, este terá provavelmente dificuldade em atravessar essa estranha camada superficial como uma máscara colada à pele, e nada lhe conseguirá responder.

Um dos artistas que vem alterar toda esta encenação é Francis Bacon. A deformação e a estética do feio rompem com as imagens que se pretendem belas.

Bacon mostra a deformação, acentua-a, contrapõe à imagem manipulada e perfeita, o exagero da deformação, revela outro lado, e se o rosto transparece o interior, Bacon só mostra interiores sombrios, interiores que incomodam e que a sociedade prefere não ver.

O seu espelho devolve-lhe as imagens que tem dentro de si, e ele põe-as a descoberto, não as oculta, enfrenta-as.

Ana Guerreiro

Fontes das imagens:

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Neste artigo, continuamos a descrever o CBD de uma cidade como Lisboa. Ainda se recordam do conceito de CBD? Vamos relembrar! O CBD das cidades (em inglês,“Central Business District”) é designado por Área de Negócios Central ou “Baixa”.

Após o terramoto de 1755, o Marquês de Pombal criou uma nova planta da cidade, inspirada nas novas cidades do Mundo Novo, ou seja, de características ortogonais (de ruas direitas, paralelas e perpendiculares, cruzando-se em ângulo reto) e edifícios da mesma altura.

A ‘Baixa Pombalina’ é, pois, a área do CBD de Lisboa mais organizada, devido à sua arquitetura, com ruas largas, paralelas e perpendiculares, características facilitadas por fatores de ordem natural (relevo plano). Uma área também importante do CBD é o Chiado, de relevo mais íngreme (estende-se por uma das colinas de Lisboa), em plena harmonia com o legado histórico da região.

Uma das medidas implementadas por Pombal, na reconstrução desta área da cidade de Lisboa, foi a diferenciação espacial, onde as ruas perpendiculares ao Tejo são denominadas conforme o ofício existente na mesma – sapateiros, ourives, correeiros, etc.

Visualiza-se, assim, a especialização das ruas: Rua do Ouro, Rua da Prata, Rua dos Sapateiros, Rua dos Douradores, Rua dos Fanqueiros, etc.

Em Portugal, devido ao passado histórico, os edifícios têm uma altura média de 4/5 andares e todos da mesma altura, não havendo discrepâncias entre eles.

A rede de transportes, ou seja, a acessibilidade é um dos principais fatores que confere à ‘Baixa’ um grande dinamismo funcional: autocarros e elétricos da Carris, parques de estacionamento subterrâneos e, muito próximos, os terminais dos transportes ferroviários e fluviais.

 E as funções governativa, administrativa e industrial?

 No Terreiro do Paço (ou próximo dele) é possível encontrar serviços associados ao governo e à administração pública (vários ministérios, Juntas de Freguesia e a Câmara Municipal de Lisboa – CML). Também é possível encontrar alguns restaurantes mais caros, focalizados para os turistas, pois a localização onde se encontram (Terreiro do Paço e debaixo das arcadas dos edifícios) é privilegiada e apreciada. Também é de relevar que no Terreiro do Paço podemos encontrar vários acessos, nomeadamente os transportes públicos, elétrico (antigo e moderno) e autocarros.

No CBD é, ainda, possível encontrar a função industrial, representada por ‘ateliers’ de alta-costura, joalharias e ourivesarias, topografias e gráficas e pela indústria da panificação (pastelarias e padarias). Estas indústrias localizam-se no CBD, devido à pouca necessidade de espaço, à não poluição, quer ambiental quer sonora e pelo facto de necessitarem de um contacto próximo com o consumidor.

No Chiado predominam as atividades culturais e de lazer: Igrejas e Museus (ex: Museu de São Roque), Teatro da Trindade, Teatro São Luís, Ruínas do Convento do Carmo, Teatro Nacional de São Carlos (Ópera), entre outros; livrarias com algum passado histórico (Bertrand, Sá da Costa), lojas de luxo (Hugo Boss, Hermès), comércio antigo e típico, comércio de retalho, ou comércio vulgar, muitas lojas de roupa e hotéis (Hotel Borges Chiado, Hotel do Chiado, Bairro Alto Hotel).

E a função residencial?

Estas (e outras) características do CBD da cidade de Lisboa serão enunciadas no próximo artigo: NÃO PERCAM!

Beatriz Ferrão e Teresa Rosado, 11ºE 

(fotos originais das autoras)

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O 1º conflito mundial, dadas as proporções inéditas de destruição que atingiu, inspirou escritores e cineastas e muitas das obras são autênticas aulas de História. Não pretendendo fazer uma lista exaustiva, começo por salientar alguns filmes que serão sempre identificados como clássicos de guerra: A oeste nada de novo de Lewis Milestone, a obra–prima do talentoso Stanley Kubrik Glória feita de sangue e Asas de William A. Wellman .

O primeiro foi lançado no período entre as duas guerras mundiais e baseou-se no notável livro homónimo de Erich Maria Remarque. A obra, vencedora do Óscar de melhor filme de 1930, conta como um jovem soldado idealista se transforma, desiludido e traumatizado com os horrores da guerra. O segundo, baseado no romance de Humphrey Cobb, é uma crítica ao abuso do poder e da hierarquia social quando soldados são condenados, servindo de bodes expiatórios da inadequada estratégia de ataque de um comandante francês. Kirk Douglas interpreta, de forma emocionante, um sensível e humano comandante que rapidamente percebe a inutilidade da guerra. Embora realizado em 1957, é um filme que merece ser revisto pela atualidade do argumento ao apresentar os jogos de poder, as injustiças cometidas e a desumanização. Asas, realizado em 1927, foi a primeira obra a ganhar o Óscar de melhor produção, o que corresponde ao de melhor filme, sendo ainda considerado o último épico do cinema mudo. Misturando aventura com romance, as cenas de batalhas aéreas apresentam um impressionante realismo com os próprios atores a pilotarem os aviões.

Contudo, além destes filmes, muitos outros merecem referência com temas recorrentes em que a guerra, drama e romance aparecem interligados. O quase centenário Shoulder Arms, uma curta metragem muda, escrita, produzida, realizada e protagonizada por Charlie Chaplin pouco antes do fim da guerra, não podia faltar nesta lista.  Adeus às armas de Charles Vidor, último filme produzido por David O. Selznick, a partir da obra homónima de Ernest Hemingway, com Rock Hudson e Jennifer Jones nos papéis principais, relata uma trágica história de amor em tempo de guerra. O Sargento York, de Howard Hawks, foi baseado no diário de Alvin C. York, soldado americano com inúmeras condecorações, e representado por Gary Cooper, numa fabulosa interpretação que lhe valeu um Óscar. Com cenas que ficam na memória, é uma obra de 1941 quando era importante valorizar quem demonstrou coragem e determinação na luta contra os alemães. O triste e angustiante Johnny vai à guerra, único filme realizado pelo escritor e argumentista Dalton Trumbo, uma das vítimas da perseguição do período macarthista, constitui por sua vez um grito contra todas a guerras.

Crepúsculo das Águias de John Guillermin apresenta-nos a visão do lado alemão da guerra onde, no meio de espetaculares batalhas aéreas, a honra e o preconceito social estão omnipresentes. Flyboys de Tony Bill narra, por seu turno, a história dos americanos que, antes dos EUA entrarem no conflito, se apresentaram como voluntários e que, após um treino rigoroso por parte dos franceses, integraram a Esquadrilha Lafayette, o primeiro esquadrão de pilotos americanos. O último batalhão, de Russell Mulcahy, é um remake de uma obra de 1919, que relata a coragem e o heroísmo de um grupo de americanos cercados pelos alemães na floresta de Argonne, salvos quando tudo parecia perdido, graças à ação do Major Charles Whittlessey, condecorado como um herói pelo Congresso americano.

Um longo domingo de noivado, do conceituado realizador Jean-Pierre Jeunet e baseado no livro homónimo de Sébastien Japrisot, é uma belíssima obra cinematográfica com cenários de guerra e paisagens deslumbrantes, além da excelente fotografia a que se junta a doce Audrey Tatou que, contra tudo e contra todos, nunca perde a esperança  de encontrar o seu noivo perdido nas trincheiras. Feliz Natal de Christian Carion baseia-se em factos verídicos para nos dar uma visão mais humanizada da guerra quando franceses, escoceses e  alemães fazem uma trégua e confraternizam na primeira época natalícia após o início do conflito, mostrando a ânsia de paz partilhada por todos. My boy Jack de Brian Kirk, numa comovente adaptação de uma peça de teatro homónima, descreve o  sofrimento do poeta inglês Rudyard Kipling e da sua mulher pela busca do seu jovem filho Jack, desaparecido durante o conflito, personagem interpretada por Daniel Radcliff. O título do filme baseia-se no poema que dedicou ao filho desaparecido e que descreve de forma emotiva o desespero de quem perdeu os familiares.

Cavalo de Guerra, uma aventura épica de Steven Spielberg, sobre o livro homónimo de Michael Morpurgo. é um conto sobre a lealdade, a esperança e a tenacidade – acompanhando a jornada de um cavalo separado do seu dono, vai alterando e inspirando a vida daqueles com quem se cruza, nomeadamente a cavalaria britânica, os soldados alemães e até um agricultor francês e sua neta. Dando-nos uma visão completamente diferente do conflito, pois a ação decorre no Médio Oriente, Lawrence da Arábia de David Lean aborda a biografia de T. E. Lawrence, militar britânico que teve importante papel na revolta árabe contra o domínio turco-otomano e acabou por tornar-se num dos filmes mais conhecidos e apreciados de todos os tempos, tendo sendo distinguido com sete Óscares. Finalmente, uma referência incontornável, ao que é considerado um dos melhores filmes de sempre: a adaptação, em 1951, da obra de C. S. Forester, Africa Queen, realizado pelo genial John Huston, com interpretações de dois gigantes do cinema, os atores Katharine Hepburn e Humphrey Bogart, que ganhou o Óscar pela sua interpretação de um aventureiro dono de um barco que é persuadido, no início do conflito, a destruir um navio alemão no antigo Congo Belga num enredo que combina a aventura, com o romance e a vingança.

Com estes e muitos outros filmes a produção cinematográfica também contribuiu para que a memória de um acontecimento tão atroz para a humanidade não se apague.

Luísa Oliveira

Shoulder Arms (Charlot nas Trincheiras), realizado ainda durante a 1ª Guerra

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Nós, representantes dos jovens de toda a Europa, convidamos-te a dizer aos responsáveis ​​políticos e à indústria como deveria ser o futuro da Internet. Quais devem ser os teus direitos e oportunidades digitais? Diz -nos o que é importante para ti no que respeita ao teu futuro online.  

A página do website Youth Manifesto dedicada a Portugal pode ser encontrada clicando no banner abaixo: aí poderás postar as tuas ideias, debater os prós e os contras com outros jovens e votar em questões que aches que são as mais importantes.

Esta iniciativa faz parte de um processo de consulta que será realizada em duas fases: a primeira online usando esta plataforma para expressar e partilhar ideias e a tua visão de futuro (podes discutir este assunto também na escola juntamente com os teus colegas e professores e deixar no website os resultados dessa discussão). Na segunda fase os jovens que tiveram ideias mais votadas, serão convidados para irem a Bruxelas em Novembro de 2014 ao Safer Internet Fórum, para apresentarem as suas ideias aos decisores políticos e às pessoas da indústria. Esta é a tua oportunidade de teres a tua voz ouvida, e esperamos que a aceites e uses.

Leva o seu tempo que necessitas para pensar sobre as perguntas que se seguem e partilha depois os teus pensamentos online:

1. Qual seria a única coisa que mudarias para fazer uma internet melhor?

2. A internet tem 25 anos de idade. Como pensas que vai parecer a Internet daqui a 25 anos? O que devia garantir?

(mensagem enviada para divulgação por Internet Segura.pt)

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Filosofia, para maio: mais um mês, mais uma série de Bibliotecas Portáteis (para uso em sala de aula) temáticas-curriculares, selecionadas pelos docentes da especialidade. Pouco a pouco, vamos conseguindo divulgar o acervo da BE junto de professores e alunos em áreas mais específicas, rentabilizando os recursos documentais, mesmo em estantes mais recônditas.

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