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Archive for Maio, 2014

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Perante as figuras, sem rosto, de Giorgio de Chirico ou de Malevitch, há uma falta que impede o reconhecimento e a identificação do outro enquanto ser.

A inexistência dos elementos que constituem a face, olhos, nariz e boca, não permite descortinar nenhuma entrada, nenhum sinal de alma.

As figuras permanecem incomunicáveis, sem essas aberturas por onde a vida passa, as ligações entre o interior e o exterior não acontecem, e os movimentos e expressões que espelham no exterior a interioridade, não existem.

Toda a face se revela no sentir, quer através de micro-expressões, quer através de alteração da cor, como se o interior pudesse a qualquer momento revelar-se na sua nudez.

Os olhos e, sobretudo, o olhar são os mais reveladores, permitem ver, perscrutar, atravessar espessuras e desmoronar falsas imagens.

Esta projeção do “eu”, no rosto, levou à necessidade de o proteger, ocultando-o de diferentes maneiras, quer com máscaras, simples acessórios que permitem fantasiar o que não se é, através da ocultação da face, interditando o olhar alheio de micro-expressões que se formam, quer com a construção de máscaras “naturais”que reproduzem tiques e algumas expressões estudadas, aprende-se a ter um rosto, a disfarçar o que verdadeiramente se é.

Mas, se as máscaras ocultam, os espelhos revelam. E, se por um lado, há a necessidade de esconder, por outro, há também a necessidade e o fascínio de olhar-se.

Restritos no início, devido à raridade e ao elevado preço, os espelhos tornam-se mais comuns com a revolução industrial. Mas é com a história da Branca de Neve e da Bruxa Má, ao consultar o seu espelho mágico (“Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu”) que, este, incrivelmente sincero, aterroriza a bruxa ao responder-lhe que já existe outra mais bela, da mesma maneira que, diariamente, nos confronta com a verdade de nós próprios.

O espelho é o objeto que satisfaz a vaidade, mas é o objeto que mostra também o que está para além da superfície da imagem.

Esta verdade, cristalizada numa chapa fotográfica e, posteriormente, reproduzida, rapidamente chega à maioria das pessoas, constituindo uma mudança radical na sociedade.

Felix Nadar, 1860

Felix Nadar, 1860

Gaspar Félix Nadar (fotógrafo francês, 1820-1910) contava que as pessoas, quando tiveram oportunidade de se verem retratadas, ficavam tão deslumbradas com a veracidade da imagem que, por vezes, ao saírem do seu estúdio, nem se davam conta de que levavam consigo o retrato trocado. As pessoas queriam simplesmente ver-se, saber como eram, não importava, ainda, o que estava por detrás da imagem.

Mas muitos ficavam zangados e furiosos quando descobriam que o seu retrato não estava à altura da sua auto-imagem.

Alguns fotógrafos, à semelhança de alguns pintores de retrato, recorreram ao uso de artifícios e acessórios, que davam aos traços do rosto a valorização que, por vezes, não tinham.

Esta procura de perfeição e valorização do rosto foi o objeto de estudo de fotógrafos e pintores de retrato que, rapidamente, perceberam o impacto que este “aperfeiçoamento” causava junto das pessoas.

A procura não mais cessou, bem como as diferentes técnicas utilizadas para tornar mais belos os rostos. Apagaram-se rugas, limparam-se manchas, diminuíram-se defeitos, alteraram-se escalas –  esta capacidade de apagar registos emocionais e psicológicos dificultou assim a leitura interior.

Os rostos aparentam ser, hoje, muito felizes e perfeitos, e mesmo, quando a sós perante o espelho “espelho, espelho meu…”, este terá provavelmente dificuldade em atravessar essa estranha camada superficial como uma máscara colada à pele, e nada lhe conseguirá responder.

Um dos artistas que vem alterar toda esta encenação é Francis Bacon. A deformação e a estética do feio rompem com as imagens que se pretendem belas.

Bacon mostra a deformação, acentua-a, contrapõe à imagem manipulada e perfeita, o exagero da deformação, revela outro lado, e se o rosto transparece o interior, Bacon só mostra interiores sombrios, interiores que incomodam e que a sociedade prefere não ver.

O seu espelho devolve-lhe as imagens que tem dentro de si, e ele põe-as a descoberto, não as oculta, enfrenta-as.

Ana Guerreiro

Fontes das imagens:

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Neste artigo, continuamos a descrever o CBD de uma cidade como Lisboa. Ainda se recordam do conceito de CBD? Vamos relembrar! O CBD das cidades (em inglês,“Central Business District”) é designado por Área de Negócios Central ou “Baixa”.

Após o terramoto de 1755, o Marquês de Pombal criou uma nova planta da cidade, inspirada nas novas cidades do Mundo Novo, ou seja, de características ortogonais (de ruas direitas, paralelas e perpendiculares, cruzando-se em ângulo reto) e edifícios da mesma altura.

A ‘Baixa Pombalina’ é, pois, a área do CBD de Lisboa mais organizada, devido à sua arquitetura, com ruas largas, paralelas e perpendiculares, características facilitadas por fatores de ordem natural (relevo plano). Uma área também importante do CBD é o Chiado, de relevo mais íngreme (estende-se por uma das colinas de Lisboa), em plena harmonia com o legado histórico da região.

Uma das medidas implementadas por Pombal, na reconstrução desta área da cidade de Lisboa, foi a diferenciação espacial, onde as ruas perpendiculares ao Tejo são denominadas conforme o ofício existente na mesma – sapateiros, ourives, correeiros, etc.

Visualiza-se, assim, a especialização das ruas: Rua do Ouro, Rua da Prata, Rua dos Sapateiros, Rua dos Douradores, Rua dos Fanqueiros, etc.

Em Portugal, devido ao passado histórico, os edifícios têm uma altura média de 4/5 andares e todos da mesma altura, não havendo discrepâncias entre eles.

A rede de transportes, ou seja, a acessibilidade é um dos principais fatores que confere à ‘Baixa’ um grande dinamismo funcional: autocarros e elétricos da Carris, parques de estacionamento subterrâneos e, muito próximos, os terminais dos transportes ferroviários e fluviais.

 E as funções governativa, administrativa e industrial?

 No Terreiro do Paço (ou próximo dele) é possível encontrar serviços associados ao governo e à administração pública (vários ministérios, Juntas de Freguesia e a Câmara Municipal de Lisboa – CML). Também é possível encontrar alguns restaurantes mais caros, focalizados para os turistas, pois a localização onde se encontram (Terreiro do Paço e debaixo das arcadas dos edifícios) é privilegiada e apreciada. Também é de relevar que no Terreiro do Paço podemos encontrar vários acessos, nomeadamente os transportes públicos, elétrico (antigo e moderno) e autocarros.

No CBD é, ainda, possível encontrar a função industrial, representada por ‘ateliers’ de alta-costura, joalharias e ourivesarias, topografias e gráficas e pela indústria da panificação (pastelarias e padarias). Estas indústrias localizam-se no CBD, devido à pouca necessidade de espaço, à não poluição, quer ambiental quer sonora e pelo facto de necessitarem de um contacto próximo com o consumidor.

No Chiado predominam as atividades culturais e de lazer: Igrejas e Museus (ex: Museu de São Roque), Teatro da Trindade, Teatro São Luís, Ruínas do Convento do Carmo, Teatro Nacional de São Carlos (Ópera), entre outros; livrarias com algum passado histórico (Bertrand, Sá da Costa), lojas de luxo (Hugo Boss, Hermès), comércio antigo e típico, comércio de retalho, ou comércio vulgar, muitas lojas de roupa e hotéis (Hotel Borges Chiado, Hotel do Chiado, Bairro Alto Hotel).

E a função residencial?

Estas (e outras) características do CBD da cidade de Lisboa serão enunciadas no próximo artigo: NÃO PERCAM!

Beatriz Ferrão e Teresa Rosado, 11ºE 

(fotos originais das autoras)

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O 1º conflito mundial, dadas as proporções inéditas de destruição que atingiu, inspirou escritores e cineastas e muitas das obras são autênticas aulas de História. Não pretendendo fazer uma lista exaustiva, começo por salientar alguns filmes que serão sempre identificados como clássicos de guerra: A oeste nada de novo de Lewis Milestone, a obra–prima do talentoso Stanley Kubrik Glória feita de sangue e Asas de William A. Wellman .

O primeiro foi lançado no período entre as duas guerras mundiais e baseou-se no notável livro homónimo de Erich Maria Remarque. A obra, vencedora do Óscar de melhor filme de 1930, conta como um jovem soldado idealista se transforma, desiludido e traumatizado com os horrores da guerra. O segundo, baseado no romance de Humphrey Cobb, é uma crítica ao abuso do poder e da hierarquia social quando soldados são condenados, servindo de bodes expiatórios da inadequada estratégia de ataque de um comandante francês. Kirk Douglas interpreta, de forma emocionante, um sensível e humano comandante que rapidamente percebe a inutilidade da guerra. Embora realizado em 1957, é um filme que merece ser revisto pela atualidade do argumento ao apresentar os jogos de poder, as injustiças cometidas e a desumanização. Asas, realizado em 1927, foi a primeira obra a ganhar o Óscar de melhor produção, o que corresponde ao de melhor filme, sendo ainda considerado o último épico do cinema mudo. Misturando aventura com romance, as cenas de batalhas aéreas apresentam um impressionante realismo com os próprios atores a pilotarem os aviões.

Contudo, além destes filmes, muitos outros merecem referência com temas recorrentes em que a guerra, drama e romance aparecem interligados. O quase centenário Shoulder Arms, uma curta metragem muda, escrita, produzida, realizada e protagonizada por Charlie Chaplin pouco antes do fim da guerra, não podia faltar nesta lista.  Adeus às armas de Charles Vidor, último filme produzido por David O. Selznick, a partir da obra homónima de Ernest Hemingway, com Rock Hudson e Jennifer Jones nos papéis principais, relata uma trágica história de amor em tempo de guerra. O Sargento York, de Howard Hawks, foi baseado no diário de Alvin C. York, soldado americano com inúmeras condecorações, e representado por Gary Cooper, numa fabulosa interpretação que lhe valeu um Óscar. Com cenas que ficam na memória, é uma obra de 1941 quando era importante valorizar quem demonstrou coragem e determinação na luta contra os alemães. O triste e angustiante Johnny vai à guerra, único filme realizado pelo escritor e argumentista Dalton Trumbo, uma das vítimas da perseguição do período macarthista, constitui por sua vez um grito contra todas a guerras.

Crepúsculo das Águias de John Guillermin apresenta-nos a visão do lado alemão da guerra onde, no meio de espetaculares batalhas aéreas, a honra e o preconceito social estão omnipresentes. Flyboys de Tony Bill narra, por seu turno, a história dos americanos que, antes dos EUA entrarem no conflito, se apresentaram como voluntários e que, após um treino rigoroso por parte dos franceses, integraram a Esquadrilha Lafayette, o primeiro esquadrão de pilotos americanos. O último batalhão, de Russell Mulcahy, é um remake de uma obra de 1919, que relata a coragem e o heroísmo de um grupo de americanos cercados pelos alemães na floresta de Argonne, salvos quando tudo parecia perdido, graças à ação do Major Charles Whittlessey, condecorado como um herói pelo Congresso americano.

Um longo domingo de noivado, do conceituado realizador Jean-Pierre Jeunet e baseado no livro homónimo de Sébastien Japrisot, é uma belíssima obra cinematográfica com cenários de guerra e paisagens deslumbrantes, além da excelente fotografia a que se junta a doce Audrey Tatou que, contra tudo e contra todos, nunca perde a esperança  de encontrar o seu noivo perdido nas trincheiras. Feliz Natal de Christian Carion baseia-se em factos verídicos para nos dar uma visão mais humanizada da guerra quando franceses, escoceses e  alemães fazem uma trégua e confraternizam na primeira época natalícia após o início do conflito, mostrando a ânsia de paz partilhada por todos. My boy Jack de Brian Kirk, numa comovente adaptação de uma peça de teatro homónima, descreve o  sofrimento do poeta inglês Rudyard Kipling e da sua mulher pela busca do seu jovem filho Jack, desaparecido durante o conflito, personagem interpretada por Daniel Radcliff. O título do filme baseia-se no poema que dedicou ao filho desaparecido e que descreve de forma emotiva o desespero de quem perdeu os familiares.

Cavalo de Guerra, uma aventura épica de Steven Spielberg, sobre o livro homónimo de Michael Morpurgo. é um conto sobre a lealdade, a esperança e a tenacidade – acompanhando a jornada de um cavalo separado do seu dono, vai alterando e inspirando a vida daqueles com quem se cruza, nomeadamente a cavalaria britânica, os soldados alemães e até um agricultor francês e sua neta. Dando-nos uma visão completamente diferente do conflito, pois a ação decorre no Médio Oriente, Lawrence da Arábia de David Lean aborda a biografia de T. E. Lawrence, militar britânico que teve importante papel na revolta árabe contra o domínio turco-otomano e acabou por tornar-se num dos filmes mais conhecidos e apreciados de todos os tempos, tendo sendo distinguido com sete Óscares. Finalmente, uma referência incontornável, ao que é considerado um dos melhores filmes de sempre: a adaptação, em 1951, da obra de C. S. Forester, Africa Queen, realizado pelo genial John Huston, com interpretações de dois gigantes do cinema, os atores Katharine Hepburn e Humphrey Bogart, que ganhou o Óscar pela sua interpretação de um aventureiro dono de um barco que é persuadido, no início do conflito, a destruir um navio alemão no antigo Congo Belga num enredo que combina a aventura, com o romance e a vingança.

Com estes e muitos outros filmes a produção cinematográfica também contribuiu para que a memória de um acontecimento tão atroz para a humanidade não se apague.

Luísa Oliveira

Shoulder Arms (Charlot nas Trincheiras), realizado ainda durante a 1ª Guerra

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original

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Nós, representantes dos jovens de toda a Europa, convidamos-te a dizer aos responsáveis ​​políticos e à indústria como deveria ser o futuro da Internet. Quais devem ser os teus direitos e oportunidades digitais? Diz -nos o que é importante para ti no que respeita ao teu futuro online.  

A página do website Youth Manifesto dedicada a Portugal pode ser encontrada clicando no banner abaixo: aí poderás postar as tuas ideias, debater os prós e os contras com outros jovens e votar em questões que aches que são as mais importantes.

Esta iniciativa faz parte de um processo de consulta que será realizada em duas fases: a primeira online usando esta plataforma para expressar e partilhar ideias e a tua visão de futuro (podes discutir este assunto também na escola juntamente com os teus colegas e professores e deixar no website os resultados dessa discussão). Na segunda fase os jovens que tiveram ideias mais votadas, serão convidados para irem a Bruxelas em Novembro de 2014 ao Safer Internet Fórum, para apresentarem as suas ideias aos decisores políticos e às pessoas da indústria. Esta é a tua oportunidade de teres a tua voz ouvida, e esperamos que a aceites e uses.

Leva o seu tempo que necessitas para pensar sobre as perguntas que se seguem e partilha depois os teus pensamentos online:

1. Qual seria a única coisa que mudarias para fazer uma internet melhor?

2. A internet tem 25 anos de idade. Como pensas que vai parecer a Internet daqui a 25 anos? O que devia garantir?

(mensagem enviada para divulgação por Internet Segura.pt)

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Filosofia, para maio: mais um mês, mais uma série de Bibliotecas Portáteis (para uso em sala de aula) temáticas-curriculares, selecionadas pelos docentes da especialidade. Pouco a pouco, vamos conseguindo divulgar o acervo da BE junto de professores e alunos em áreas mais específicas, rentabilizando os recursos documentais, mesmo em estantes mais recônditas.

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A prática do desenho foi, durante muito tempo, objeto de observação, de cópia, de repetição e de erro.

Linhas tiradas com o olhar para encontrar relações entre as partes, procura de ângulos, eixos, alinhamentos, proporções, enquadramentos e correções, muitas correções, até nascer a forma.

Depois, vinha o tratamento da superfície, a pele da forma, e estudava-se onde a luz incidia mais e onde as sombras eram mais claras e mais escuras, e assinalava-se, por fim, a textura e os detalhes.

fig.4

fig.4

Assim foi a aprendizagem do método de desenhar, baseado na observação do modelo que se pretendia reproduzir, poderia ser modelo ao vivo, ou então, cópia de obras, mas partindo sempre desta procura de linhas orientadoras.

O trabalho de grandes mestres consistiu neste processo, longo e demorado, a observar, a medir, a aprender a ver, a seguir e a reproduzir o trabalho de outros mestres, adquirindo assim destreza e capacidade de observação e memorização e, sobretudo, interiorizando  gestos e caminhos,

Com o passar do tempo, este método de desenhar caiu em desuso e foi considerado obsoleto e pouco criativo.

Figura 5

fig.5

Após as vanguardas artísticas do início do séc. XX, surgiram outras propostas, consideradas mais livres e acessíveis a qualquer um, sustentadas, também, pelo emergente apelo da psicanálise, que vem romper com um modo de fazer que vise apenas a tradução do real, e propor modelos expressivos que valorizem o mundo interior e as características da personalidade.

Pretendem trazer do subconsciente, através de uma gestualidade espontânea, conduzida por emoções, o que há de único em cada um. Esta prática permite que sentimentos de bem estar e desinibição aflorem e, consequentemente, criem condições para o desenvolvimento da criatividade.

Este conceito de criatividade também tem sido alvo de interpretações que se alteram com o tempo, consoante o juízo que se faça das suas causas.

Para Freud, era o resultado de uma experiência traumática vivida na infância e as razões que levavam o artista a produzir prendiam-se com o brincar das crianças. A brincadeira é a criação de mundos imaginários e tanto a criança como o artista criam mundos de fantasia, gerados por desejos não satisfeitos. Segundo o mesmo, quem está satisfeito não fantasia.

O ato criativo correspondia à transformação de uma mente doente numa mente saudável.

Houve, também, a crença, em tempos mais recuados, que a criatividade habitava numa das duas câmaras que existiam na mente. Em uma delas, residiam os pensamentos vulgares e na outra a criatividade, as ideias inovadoras, cuja inspiração provinha dos deuses, mas cabendo às musas, a transmissão ao artista. Era através da respiração que estas passavam as ideias criativas, daí, hoje, ainda nos referirmos à inspiração quando surge uma boa ideia.

A hereditariedade foi outra causa apontada, por alguns, como o fator preponderante da criatividade.

fig.6

fig.6

Atualmente, o termo tornou-se mais amplo e inclui fatores biológicos, psicológicos e sociais, e é aplicado não só em termos estéticos, como também numa atitude perante o mundo tecnológico e empresarial.

A criatividade é um aspeto indispensável ao trabalho do artista, como é a aprendizagem correta das diferentes técnicas. As mesmas que implicam tempo para a experimentação.

Estudos neurológicos defendem a importância da tentativa e erro, através da repetição e da cópia, essenciais à aprendizagem.

Sustentam que as estruturas mentais precisam de repetição para procederem à organização e sistematização da informação e, no caso da arte, proporcionar a automatização de gestos, facilitadores da expressividade, que, por sua vez, depende da solidez da aprendizagem.

Se a aprendizagem for distorcida, a ação será afetada e o trabalho apresentará incorreções.

Este processo prende-se com as regiões do cérebro envolvidas no controle motor, o córtex frontal e os núcleos de base. O primeiro dita as ordens e supervisiona-as,  o segundo guarda as sequências de comandos que o córtex deve dar aos músculos.

Durante a aprendizagem, os gestos necessitam de decisões constantes do córtex para serem executados, depois, uma vez bem adquiridos, dispensam as decisões do córtex, passando a ser da responsabilidade dos núcleos de base e tornam-se espontâneos.

A espontaneidade resulta, então, de uma aprendizagem consistente, de gestos bem aprendidos e menos racionalizados, isto é, são o fruto do estudo e da repetição, interiorizados em níveis cerebrais mais interiores, que se executam sem pensar.

Nas imagens seguintes, observamos que o desenho de Rembrandt é mais expressivo, e que o artista cingiu os traços ao essencial, enquanto que Christus se cingiu mais a aspetos analíticos, tais como a perspetiva, os panejamentos, entre outros.

Contudo, a desenvoltura que Rembrandt apresenta não se alcança sem que se faça uma aprendizagem lenta, semelhante ao trabalho de Petrus Christus.

Ana Guerreiro

fontes das imagens:

  • As Bases do Desenho Artístico, Círculo de Leitores
  • The Natural Way to Draw, Nicolaides
  • Desenho, Sarah Simblet
  • Desenho 12º ano, João Costa

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"tired" (cansada), Norman rockwell, 1947

“tired” (cansada), Norman Rockwell, 1947

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Quando se comemora 40 anos do fim do regime repressivo do Estado Novo, justifica-se uma referência especial à curta-metragem portuguesa A Caça Revoluções, da realizadora Margarida Rêgo, coproduzida pelo Royal College of Art, que foi selecionada para integrar a Quinzena dos Realizadores de 15 a 25 de maio, em Cannes, paralelamente ao Festival de Cinema. Esta primeira obra da realizadora é uma animação experimental a partir de uma fotografia tirada durante a revolução de Abril 1974, transmitindo os sons das manifestações, comícios, canções e poemas desse momento revolucionário. O filme é dedicado a “todas as pessoas que acreditam na possibilidade de um país diferente” e antes de ser exibido na prestigiada Quinzena de Realizadores integrará a competição do festival IndieLisboa.

É igualmente de assinalar a 8ª edição do PANORAMA, que decorrerá entre  9 e 15 de maio, com um vasto e interessante reportório dirigido a todos os que se interessam pelo cinema documental português. O trabalho da realizadora Catarina Alves Costa estará em destaque, com a apresentação, na sessão de abertura, do documentário que realizou há 20 anos, Senhora Aparecida. A realizadora irá ainda orientar um workshop para alunos sobre a relação do documentário cinematográfico com a antropologia. A parceria com o Goethe-Institut Portugal e a Fundação Alfred Gerhard leva à apresentação de obras dos cineastas alemães, Alfred Ehrhardt e Hubert Fichte, que filmaram no nosso país na década de 50 e 60 do século XX, assim como a apresentação da coleção de Filmes do Göttingen Institut, realizados na década de 70, cedidos pelo Museu de Etnologia.

No que respeita a estreias, uma menção especial para o polémico Noé de Darren Aronofsky com uma visão peculiar da épica história da personagem bíblica que, neste filme é encarnada de forma intensa  por Russel Crowe, como um indivíduo com uma fé inabalável no Criador que se afasta da sociedade decadente em que vivem os descendentes de Caim e os nómadas descendentes de Seth. É uma obra de ação com incríveis efeitos especiais, filmada na Islândia, a não perder não só pelo polémico argumento, dominado pela eterna luta entre o bem e o mal, como pela interpretação do elenco de luxo em que também se destacam Anthony Hopkins, Emma Watson e Jennifer Connelly.

Também com um excelente elenco, merece menção a comédia de suspense Grand Budapest Hotel de Wes Anderson, em que sobressai Ralph Fiennes no papel de um mordomo libertino de um grandioso hotel na década de 30, época de instabilidade política, social e económica que adivinhava o terror que o mundo iria viver passado pouco tempo. Inspirado na obra de Stefan Zweig, escritor austríaco de origem judaica, descreve uma realidade idílica, imaginária no tempo.

São igualmente interessantes as adaptações de grandes obras literárias Em segredo de Charlie Stratton, a partir do romancede Émile Zola, Thérèse Raquin, sobre desencontros e paixões e O que a Maisie sabe de Alex Van Warmerdam, baseado na obra homónima de Henry James, em que Onata Aprile transmite a angústia dos filhos que são apanhados na teia das separações conjugais.

Para toda a família, recomenda-se a animação de Rio 2 de Carlos Saldanha e a comédia de enganos Marretas procuram-se de James Bobin, sequela de entretenimento com agradáveis momentos cómicos graças às interpretações de Tina Fey, Ricky Gervais e Ty Burrell, e às músicas de Céline Dion, Lady Gaga e Usher.

Salientam-se ainda três documentários imperdíveis: A imagem que falta de Rithy Panh ,O Acto de matar de Joshua Oppenheimer e A dois passos do estrelato de Morgan Neville.

O primeiro, ao apresentar figuras de plasticina na busca de uma fotografia que retrate os anos de terror em que o Camboja foi governado pelo regime do Khmer Vermelho, responsável por um terrível genocídio que vitimou cerca de dois milhões de pessoas entre 1975 e 1979, serve para relembrar esse período terrível. Recebeu o prémio Un certain regard do festival de Cannes e foi nomeado para os Óscares e prémios europeus de cinema.

O segundo, que ganhou um BAFTA e o prémio do público no festival de Berlim, revisita os massacres do golpe militar na Indonésia em 1965 com a participação voluntária dos torturadores que pertenciam aos esquadrões da morte responsáveis pela morte de 500 mil pessoas. Nesta obra perturbante estes indivíduos encenam os crimes pelos quais não foram julgados pois, além de continuarem ligados ao poder, são considerados heróis nacionais. Os dois documentários referidos revestem-se, como tal, de grande importância pois preservem a memória de períodos e locais em que os direitos humanos não eram respeitados.

Com temática diferente das obras anteriores, o terceiro documentário, que ganhou um Óscar em 2013, coloca lendas musicais e outras personalidades do mundo do espetáculo a falarem sobre a forma como os elementos dos coros que acompanham os artistas não são devidamente valorizados, nem reconhecido o seu contributo para o sucesso de muitas obras musicais.

Luísa Oliveira

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Quarto Stato, de Pellizza de Volpedo (1901)

Il Quarto Stato, de Pellizza de Volpedo (1901)

O dia 1º de maio, Dia do Trabalhador, comemora essencialmente a dignidade do trabalhador e das condições no trabalho. As suas origens remontam ao séc. XIX, numa época em que a desumanização laboral consequente da revolução industrial já fizera surgir as primeiras organizações sindicais, em particular junto do proletariado urbano.

Quando em 1 de maio de 1886 os trabalhadores de Chicago se manifestaram em favor da jornada de 8 horas de trabalho foram fortemente reprimidos pela polícia, tendo resultado desse confronto dezenas de mortos e feridos, quer da parte da polícia quer dos manifestantes, nesse dia e nos que se lhe seguiram, ficando o acontecimento conhecido como a Revolta de Haymarket.

Mais tarde, em 1889, a data é escolhida pelos movimentos internacionais socialistas para manifestações em favor da luta pelos direitos no trabalho em homenagem ao levantamento de Chicago, 3 anos antes. A data vai assim  sendo progressivamente adotada em diversos países como feriado nacional.

Em Portugal, apenas em 1 de maio de 1974 a data é celebrada livremente numa manifestação, que foi provavelmente a que reuniu o maior número de pessoas de sempre em todo o país, particularmente em Lisboa. Nela se juntou a celebração do Dia do Trabalhador com a alegria de um país a 5 dias apenas do golpe de 25 de abril que lhe restituiu a liberdade.

(as imagens de cartazes do 1º de Maio destinam-se exclusivamente a fins educativos e são originárias de diversas fontes, particularmente daqui)

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