Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Filmes’

3c680a0d94550a0d45acc430a36a0574Cientistas com comédia

«A Teoria do Big Bang» é uma série americana que acompanha um grupo de amigos que vivem em Pasadena, Califórnia. Esse grupo é formado, inicialmente, por Leonard Hofstader e Sheldon Cooper, que são físicos, e Penny, a paixão de Leonard até ao final da série, em que acabam casados. O resto do grupo é formado por Howard Wolowitz, engenheiro aerospacial, e pelo astrofísico Rajesh Koothrappali. Ao longo da história, também entram Bernadette e Amy, que se envolvem com Howard e Sheldon.

É uma série cujo público-alvo são os adolescentes e os adultos de qualquer género. É uma série de comédia e um pouco de romance, mas sempre muito engraçada, que são aspetos positivos.

Negativamente, observa-se o facto de a série ter acabado ao fim de doze temporadas. Podiam ter feito uma pós-vida do grupo a seguir ao grande final.

É uma série que durou doze anos e doze temporadas, em que dá para ver a evolução das personagens como pessoas, amigos e cientistas. Esta série merece uma classificação de quatro estrelas e meia.

Afonso Couceiro,  8.º C

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

4723738Filme: “Jurassic World”

Realizador: Juan António Bayona

Atores: Bryce Dallas Howard, Chris Pratt, Rafe Spall, B.D Wong, Ted Levine, Toby Jones, Daniella Pineda, Geraline Chaplin, James Crowet.

O filme “Jurassic World” é do realizador Juan António Bayona. Este filme é uma descarga de adrenalina e é muito emocionante. O filme retrata a vida de um cientista – Owen Grady – e de uma mulher de negócios, Claire Dearing, que lutam contra o tempo para salvar os dinossauros.

Ao longo do filme, os atores colocam um dinossauro em cativeiro, mas isto foi muito polémico, porque os animais devem viver no seu habitat natural, juntamente com seus pares ou outras espécies, e não isolados, em cativeiro. Esta foi a grande crítica trazida a público pelos espetadores do filme, que defenderam a vida dos animais no seu habitat.

Um dos aspetos positivos do filme é a união entre as personagens para conseguirem salvar o maior número de pessoas durante a erupção do vulcão na ilha.

Um aspeto negativo, além do dinossauro em cativeiro, é a morte do segurança, sendo uma cena muito realista.

Carolina Viegas, 8ºD

Read Full Post »

do realizador Jonathan Demme

Prós – Uma história de cortar a respiração, com atores incríveis.

Contras – Muito violento para quem não goste de terror psicológico.

Clarice Starling é uma aluna da academia do FBI que é enviada para entrevistar o prisioneiro Hannibal Lecter, um psiquiatra brilhante, mas também um psicopata violento e um assassino canibal. O objetivo é descobrir pistas para identificar um assassino em série que mata jovens mulheres, retirando-lhes uma parte da pele e deixando uma mariposa nas suas gargantas.

O Dr. Lecter é a personificação do mal, mas gostamos dele por ser charmoso e por ser muito educado com a Clarice. Ele concorda em colaborar mas não dirá uma palavra sem receber contrapartidas em troca, incluindo mudar para uma prisão com um quarto com janela.

Apesar de ser um filme de 1991, já quase com 30 anos, apresenta-nos uma história atual, numa altura em que se fala tanto de igualdade de género. Ao contrário de outros filmes policiais, a personagem principal é uma mulher inteligente, rodeada de homens, polícias e assassinos, e suficientemente determinada para conseguir convencer o psiquiatra condenado a prisão perpétua, a colaborar.

Vencedor de vários prémios, incluindo cinco Óscares, entre os quais, melhor filme, melhor ator principal e melhor atriz principal, apresenta uma história cativante que nos prende ao ecrã à espera que o mistério se resolva, seguindo as pistas de Dr. Lecter e acompanhando a metamorfose do assassino em série, da agente Clarice e do psiquiatra, levando-nos a um final inesperado.

Rita Martins, 8ºB

Read Full Post »

Neste ano em que a nossa colega cinéfila, Luísa Oliveira, Bibliblogueira desde o início, deu por encerrada a publicação da sua rubrica Fitas do Mês, para se dedicar a outros afazeres, damos início ao que esperamos que venha a ser uma nova rubrica sobre cinema. Tendo como mentora a professora bibliotecária Dulce Sousa, o Delfim Martins, frequentador assíduo da nossa videoteca, enviou-nos o texto que agora publicamos.
Fernando Rebelo
……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………
Cinema: a sétima arte

O meu nome é Delfim Martins, aluno do 8ºB, da Escola Secundária Daniel Sampaio.

O cinema é uma das artes que cada vez mais me impressiona, sendo que os três fatores que mais valorizo num bom filme são: um bom trabalho de realizador, diálogos surpreendentes e a qualidade dos atores.
Neste momento, o meu objetivo cinéfilo é ver todo o  trabalho dos grandes realizadores, tais como:
Martin Scorsese, conhecido por trazer ao grande ecrã histórias verídicas como nenhum outro, tais como o “Touro Enraivecido”;
Francis Ford Coppola, realizador de um dos melhores filmes de sempre, vencedor de Palma de Ouro: “Apocalypse Now”;
Quentin Tarantino, uma excelente combinação entre o humor e a violência, também conhecido por escrever roteiros fantásticos e por realizar a sua obra prima “Pulp Fiction” premiada com Palma de Ouro;
Christopher Nolan, muito premiado pelo seu mais recente filme: “Dunkirk” sendo dos melhores realizadores da nova geração;
Alfonso Cuáron, também dos melhores realizadores da nova geração com os filmes “Gravidade” e “Roma”, ambos premiados e curiosamente realizador de, na minha opinião o melhor filme da saga de Harry Potter, o :Harry Potter: O Prisioneiro de Azkaban”;
Alfred Hitchcock, o grande mestre do suspense com grandes filmes como: “Rear Window”, “Psycho” e Vertigo”;
Federico Fellini, o realizador estrangeiro mais premiado nos Óscares, conhecido pela sua bela e realista cinematografia;
Orson Welles, muitas vezes referido na lista dos melhores realizadores de sempre, ainda que  com uma carreira ao contrário, pois começou por realizar um dos melhores filmes de sempre com apenas 25 anos:”Citizen Kane” e a partir daí foi descendo na sua carreira, nunca atingindo grande sucesso comercial;
Stanley Kubrick, o grandioso, sublime e reconhecido por muitos como o melhor realizador de sempre pela sua irreverente e inspiradora maneira de filmar e também por conseguir realizar qualquer tipo de filme, desde a ficção científica realizando em 1968 “2001: Odisseia no Espaço” um filme muito à frente do seu tempo, aos filmes de terror com o “Shining” interpretado por um dos meus atores preferidos de sempre pela sua performance irradiante como louco e desesperado: Jack Nicholson, aos filmes de guerra “Full Metal Jacket” e ainda à violência extrema com “Clockwork Orange” e ao seu último filme que não chegou a concluir devido à sua morte. “Eyes Wide Shut” uma obra muito bela que retrata uma face da Humanidade com desejos sexuais e malvadez.
Agradeço à Biblioteca por me disponibilizarem tantos e tão bons filmes que tanto têm contribuído para este meu objetivo.
Delfim Martins   

Read Full Post »

O Festival de Cannes continua a marcar o mundo cinematográfico no mês de maio.  Na 72ª edição o cinema de autor marcou uma forte presença, sendo que a Palma de Ouro foi atribuída ao realizador coreano Bong Joon Ho com The Host – a criatura volta.  Considerado um filme de terror, revela o mal-estar da sociedade coreana a partir da história de uma família pobre que planifica   o assalto à residência de um casal abastado.

No que respeita a estreias, muitas das películas têm como base factos verídicos, como é o caso de O professor e o louco de Farhad Safinia, relacionados com a criação, no século XIX, do conceituado Oxford English Dictionary de importância vital para os que utilizam a língua inglesa. A partir do best seller de Simon Winchester, Mel Gibson e Sean Penn interpretam, respetivamente, o professor James Murray, principal organizador do dicionário e o Dr. William Chester Minor, veterano da guerra civil americana que colaborou de longe pois estava preso num asilo para criminosos loucos.

Também a partir de factos verídicos, mas traumatizantes, Hotel Mumbai do australiano Anthony Maras, com testemunhos reais e fonte documental, debruça-se sobre as vítimas e sobreviventes dos ataques terroristas na cidade indiana de Mumbai em 2008, nomeadamente, no hotel de luxo Taj Mahal Palace. A obra demonstra de forma brutal o trágico pesadelo vivido por todos que se encontravam no espaço dominado pelos terroristas.

Mas a principal estreia do mês foi o aguardado e elogiado filme de Dexter Fletcher, Rocketman, sobre o percurso musical do ícone da música pop Elton John. Numa obra com excelente banda sonora, o ator Taron Egerton é brilhante ao encarnar o carismático músico na idade adulta vivendo, por vezes, momentos atribulados, mas que o vão tornar uma superestrela do mundo musical. Também com caráter autobiográfico mas numa área diferente, temos Uma família no ringue de Stephen Merchand, inspirado na extraordinária história de vida da britânica Paige, uma superestrela da WWE (World Wrestling Entertainment) que se retirou da competição de luta livre profissional em 2018 por motivos de saúde. 

O período de Guerra Fria e o perigo que representava para a humanidade devido ao confronto latente entre os EUA e URSS continua a ser um tema recorrente, como podemos verificar em Uma traição necessária de Trevor Nunn, com Judi Dench   interpretando a protagonista de um filme não só de espionagem mas também sobre a condição feminina. A obra baseia-se no romance de Jennie Rooney, inspirado na história real de Melita Norwood, conhecida por “avó espia” quando foi presa no final da década de 1990.  Os seus atos como agente de espionagem ao serviço do KGB são justificados não por razões ideológicas mas porque julgam ter sido manipulada pelo facto de ser uma mulher com uma ligação sentimental a um militante comunista.

Uma outra perspetiva do período da Guerra Fria e da censura na Rússia pode ser encontrada em Verão de Kirill Serebrennikov, que mostra como o rock servia para a juventude se libertar da opressão política e social em que vivia e através dessa manifestação musical prosseguir os seus sonhos de liberdade artística. Com momentos musicais dos anos 80 do século XX é uma obra a preto e branco, tendo o realizador estado em prisão domiciliária desde agosto de 2017 o que inviabilizou a sua presença no festival de Cannes 2018. No passado mês de abril um tribunal de Moscovo decretou liberdade de movimentos desde que não abandone o território russo.

A vitalidade do cinema francês aparece na divertida comédia de enganos Os Velhos jarretas de Christophe Duthuron sobre a forma como um grupo de amigos idosos enfrentam questões pessoais do passado por resolver. Igualmente interessante e divertido, O que me ficou da revolução de Judith Davis é uma forma de debater o papel e a força da ideologia num mundo global.  Num género diferente, o thriller psicológico, misturando terror e drama, surge-nos O intruso de Deon Taylor.  Para os admiradores do western, temos Billy the Kid: a lenda de Vincent D` Onofrio, abrangendo o último ano de vida do icónico fora-da-lei.  

Por fim, estreou-se a película de ficção Godzilla II: rei dos monstros de Michael Dougherty, destacando-se as batalhas épicas de monstros que fazem parte da cultura popular. Como estamos no período estival, a Associação Gandaia, sediada na Costa de Caparica, tem um programa ambicioso para animar os cinéfilos durante os meses de verão, prosseguindo com os seus ciclos de cinema, sendo que julho é dedicado ao realizador Richard Linklater, com as obras apresentadas todas as quintas feiras no Auditório da Costa de Caparica. Na Praça de Liberdade, nos meses de julho e agosto, é apresentado um evento de cinema ao ar livre às sextas e sábados, o que é um bom pretexto para descontrair e usufruir das altas temperaturas do verão.

Luísa Oliveira

Read Full Post »

Durante os dias 29 de abril e 02 de maio, decorreu na Escola Secundária Daniel Sampaio a 2ª Mostra do Filme Solidário realizada, este ano lectivo, no nosso Agrupamento.

Tratou-se de uma atividade dinamizada pelas Bibliotecas (VR+DS), no âmbito da Educação para a Cidadania. A Mostra do Filme Solidário consiste na apresentação de curtas-metragens de carácter não comercial que visam a reflexão sobre comportamentos sociais e temáticas de impacto global: desenvolvimento sustentável (Norte global/ Sul Global), Objetivos do Milénio, ODS (Objectivos de Desenvolvimento Sustentável), igualdade de género, ambiente, exemplos positivos, comportamentos de risco, violência, fome, direitos de autor.

Nestas sessões, participaram alunos de turmas do 7º ao 12º ano, num total de nove turmas. Em cada uma das sessões, após a visualização das curtas, iniciou-se o debate que contou com a intervenção interessada e pertinente de muitos alunos e professores. Estes momentos foram mediados e dinamizados por Pedro Santos um dos voluntários da produtora independente HelpImages. O Pedro deu-nos a conhecer a missão desta ONG e o modo como filmes tão curtos carregam em si mensagens tão vastas. Nesta exploração, houve leituras polémicas, houve leituras consensuais. Houve debates mais entusiastas, outros menos empolgados, mas em todos eles esteve sempre presente a perceção do enriquecimento mútuo que estas horas de diálogo descontraído nos trouxeram.

Assim, saímos todos com uma certeza: se queremos um mundo melhor e mais sustentável, essa responsabilidade cabe a cada um de nós, sem exceção, pois não há Planeta B.

Dulce Sousa (professora-bilbiotecária da EBVR)

aceda à aos filmes exibidos na mostra

Este slideshow necessita de JavaScript.

Read Full Post »

No mês em que se comemora o fim do regime ditatorial em Portugal estrearam-se documentários aliciantes que contribuem para preservar a memória. Da nossa vizinha Espanha, O silêncio dos outros, de Almudena Carracedo e Robert Bahar e produção de Pedro Almodóvar, é um retrato realista das vítimas e sobreviventes das décadas da ditadura de Francisco Franco. Filmado ao longo de seis anos, conquistou o prémio Goya para Melhor Documentário e o do público da secção Panorama do Festival de Berlim. Apresenta testemunhos sobre todos os tipos de violação dos direitos humanos de que os espanhóis foram alvo nesse período mas que não são reconhecidos pelo poder central pois a Lei da Amnistia de 15 outubro de 1977 libertou os presos políticos mas os que cometeram os crimes foram ilibados dos mesmos.

As vítimas de regimes ditatoriais são globais como demonstra Almas mortas de Wang Bing, uma obra sobre as purgas maoístas dos anos 50 e 60, abordando os sobreviventes dos campos de reeducação localizados no extenso deserto de Gobi onde ficaram esquecidos e muitos morreram à fome. Ainda sobre a China, o brasileiro Walter Salles realizou Jia Zhang-Ke, um homem de Fenyang sobre o cineasta reconhecido pela sua criatividade, sendo o documentário um pretexto para reflexão sobre a sociedade chinesa e todas as alterações verificadas a nível da família, cultura e espaços urbanos.

Também focando uma personalidade importante da área cultural Piazzola, os anos do Tubarão, de Daniel Rosenfeld, apresenta, a partir de imagens do arquivo privado familiar, um retrato do lendário músico e compositor argentino Astor Piazzola, falecido em 4 julho de 1992, que revolucionou o tango, tornando-o um género musical de vanguarda durante décadas.

O desempenho de atrizes enriquece e valoriza muitos filmes e estrearam-se vários em que a prestação feminina é determinante para o sucesso dos mesmos. Do Cazaquistão, podemos apreciar uma excelente e dura película que retrata algumas realidades sociais com Ayka  de Sergei Dvortsevoy, que  no festival de Cannes 2018 atribuiu o prémio de melhor atriz a  Samal Yeslyamova  no papel  da  protagonista  do título que, vivendo numa situação ilegal em Moscovo,  procura, de forma desesperada, o seu bébé  abandonado num hospital.  Outra estreia de grande qualidade é o drama histórico Anoitecer escrito e realizado pelo húngaro László Nemes com Juli Jakab  no papel da protagonista Írisz Leiter, procurando  trabalho numa luxuosa loja de chapéus,  em Budapeste, que tinha pertencido, anteriormente, à sua família. As acções que expõem o retrato psicológico da protagonista aliam-se aos sinais premonitórios do início da 1ª guerra mundial.

Ainda sobre temas ligados aos conflitos mundiais, O dia a seguir de James Kent retrata  as convulsões emocionais  e traumáticas na Alemanha no 2º pós guerra, com Keira Knightley a brilhar neste drama de época formando um triângulo amoroso com Jason Clarke e Alexander Skarsgard  num período  marcado por mudanças pessoais e de superação de conflitos internos. Numa temática diferente mas, igualmente, com desempenho meritório feminino, Isabelle Huppert sobressai no filme de suspense e terror Greta – viúva solitária do realizador irlandês Neil Jordan, mostrando como a solidão nas grandes cidades pode conduzir a estados psicóticos, tendo Chloe Grace Moretz no papel de uma jovem e  indefesa  vítima. Sem abandonarmos o género terror, tivemos a estreia da nova adaptação da afamada obra de Stephen King Samitério de animais realizado por Kevin Kolsch e Dennis Widmver trinta anos após a primeira versão para o cinema. Desta vez há algumas alterações ao original publicado em 1983 que apresenta alguns elementos autobiográficos mas mantém-se o mesmo enredo sobrenatural   e aterrador.

Constituindo um divertimento agradável, a comédia francesa Outra de Daniel Auteuil mistura fantasia e romance com prestações características desta cinematografia. Também produção de francesa e baseada em factos reais, A incrível história do carteiro Cheval de Nils Tavernier mostra como os sonhos podem tornar-se reais quando Joseph FerdinandCheval, entre 1879 e 1912, idealiza um palácio para a sua adorada  filha,  em Hauterives, sendo classificado como monumento histórico em 1969. Para o público infantil, Parque das maravilhas de David Feiss surge repleto de imaginação e alegria.

Finalmente, o festival independente Indie Lisboa apresenta a sua 16ª edição de 2 a 12 maio com um vasto programa marcado pela diversidade, o que é sempre um pretexto para visionar variadas obras de qualidade.

Luísa Oliveira

 

Read Full Post »

Em 24 de março realizou-se, no Casino Estoril, a 7ª edição dos Prémios Sophia, organizados pela Academia Portuguesa de Cinema. “Raiva” de Sérgio Tréfaut foi o grande vencedor e entre os vários prémios que recebeu foi distinguido como o Melhor Filme de 2018. Filmado a preto e branco, é a adaptação do clássico do neorrealismo português de 1958 “Seara de Vento” de Manuel da Fonseca e, a partir de factos verídicos ocorridos em Beja em 1930, relata a história de um trabalhador rural que, perante uma grande injustiça e exploração laboral de que era vítima, perde a razão e transforma-se num assassino.

Quanto a estreias, Chuva é cantoria na aldeia dos mortos de João Salaviza e Renée Nader Messora, premiado em vários festivais entre os quais o prémio especial do júri “un certain regard “em Cannes, foi rodado durante nove meses numa aldeia indígena brasileira sendo protagonizado pelo adolescente Ihjac da tribo dos Krahô. Em Cannes os realizadores referiram que o prémio atribuído também se destina ao “Brasil indígena, historicamente negado, silenciado, assassinado”.

No entanto, a estreia mais aguardada do mês trouxe magia e fantasia com Dumbo de Tim Burton, um comovente e belíssimo remake do clássico da Disney de 1941, baseado numa história infantil escrita por Helen Aberson e ilustrada por Harold Pearl. Associando imagens reais e efeitos digitais e com um elenco de estrelas como Danny DeVito, Eva Green, Colin Farrell e Michael Keaton, é com sensações de encantamento e deslumbramento que assistimos, nesta maravilhosa obra, às aventuras do sensível elefante cujas orelhas grandes proporcionam a capacidade de voar.

O papel e importância dos laços familiares em qualquer fase da vida estão referenciados em várias películas. Do Paraguai veio uma dessas obras, As herdeiras de Marcelo Martinessi, focando o isolamento feminino numa sociedade patriarcal. A atriz Ana Brun que interpreta uma das personagens da alta burguesia cuja vida se altera com a falência da família, foi considerada a melhor atriz no festival de Berlim. O papel da família na forma como gere as mudanças também está presente na sensível obra para refletir Uma criança como Jake de Silas Howard abordando a questão da identidade de género e o papel dos pais no apoio ao seu filho. Da Irlanda, Rosie Uma família sem teto de Paddy Breathnach trata, igualmente, um tema atual mas demonstrando como o amor consegue gerir momentos de crise mantendo a união familiar. Num contexto diferente mas envolvendo também uma dinâmica familiar dramática, o artístico Pereira Brava do realizador turco Nuri Bilge Ceylan é direcionado aos fãs deste realizador com diversas questões filosóficos, teológicos e éticas apresentadas numa bela obra mas demasiado extensa.

Os acontecimentos ocorridos durante a Revolução Francesa regressam com Uma Nação, um Rei de Pierre Schoeller, focando a tomada da Bastilha e execução de Luís XVI, mas com uma visão idílica dos acontecimentos, não revelando o terror e atrocidades cometidas em nome da liberdade, igualdade e fraternidade. Um acontecimento atual, Kursk de Thomas Vinterberg sobre a tragédia que envolveu o submarino nuclear russo K-141 Kursk mostrando os obstáculos burocráticos que os familiares dos tripulantes enfrentaram na tentativa vã de os salvar. Nós de Jordan Peele   é uma película sobre o género de terror desenvolvendo o tema do sósia maligno de vestuário vermelho apresenta alguma carga política pois é considerado uma alusão aos republicanos apoiantes de Donald Trump.

Por fim, temos o filme do realizador japonês Leo Sato A guerra do caldeirão de Kamagasaki, vencedor do grande prémio da 5º edição do festival Porto / Post / Doc. Filmado num subúrbio da cidade japonesa de Osaka segundo a sinopse apresentada pelo festival “é uma ficção do real, com os habitantes a tornarem-se atores de uma narrativa satírico-cómica sobre a sua própria luta contra a opressão”.

Voltando à cinematografia portuguesa, é de referir que o júri do 19.º Festival Internacional de Cinema de Las Palmas de Gran Canária, Espanha, decidiu entregar o prémio “Lady Harimaguada” de ouro ao filme “A Portuguesa”, de Rita Azevedo, apontando como principais razões para o reconhecimento “O rigor, lucidez e sensibilidade da autora para fazer conviver o classicismo com a modernidade numa crónica histórica”.

Luísa Oliveira

Read Full Post »

No dia 24 fevereiro a 91ª cerimónia de entrega dos Óscares da Academia de Hollywood, pela primeira vez em trinta anos, decorreu sem um apresentador principal mas o fausto e as expectativas sobre os vencedores mantiveram-se.

As estreias de fevereiro contemplaram alguns filmes oscarizados como Favorita de Yorgos Lanthimos que, apesar de ter dez nomeações, arrecadou só a estatueta para Olívia Colman como melhor atriz, num drama baseado em factos reais da corte inglesa no início do século XVIII, com os seus mexericos e pressões políticas.

Regina King foi considerada a melhor atriz secundária pelo seu papel em Se esta rua falasse de Barry Jenkins, uma belíssima, sensível e poética obra baseada no romance homónimo de James Baldwin.  Esta comovente história de amor e de crítica social decorre no bairro de Harlem na década de 70 do século XX quando o preconceito racial vigente na sociedade americana impedia realizações pessoais mas demonstrando também como o amor consegue ultrapassar todas as dificuldades impostas pelas injustiças.

“Roma” era um dos filmes com maior número de nomeações mas acabou por arrecadar três estatuetas douradas, incluindo a de Melhor Realizador a Alfonso Cuáron (pela segunda vez) entregue pelo compatriota Guillermo del Toro, que ganhou no ano passado com “A Forma da Água”. No discurso de agradecimento Cuarón agradeceu “à Academia por reconhecer um filme que gira em volta de uma mulher indígena”. Esta representa os vários milhões de trabalhadores que “não têm direitos”, uma personagem que tem sido renegada na história do cinema. O filme venceu também na Fotografia e foi considerado o Melhor Filme Estrangeiro, o primeiro do México e o primeiro produzido pela Netflix.

Entre os inúmeros prémios destaque para o de melhor ator atribuído a Rami Malek, por “Bohemian Rhapsody “de Bryan Singer e o de melhor ator secundário a Mahershala Ali de “Green book – um guia para a vida” de Peter Ferrelly que, como já era previsível, foi considerado o melhor filme. O Óscar para melhor caracterização foi atribuído a mais uma das estreias de fevereiro Vice o novo filme de Adam McKay que traça, com humor, um retrato implacável de Dick Cheney, o influente vice-presidente de George W. Bush.  Christian Bale transfigura-se, fisicamente, ao interpretar a personagem do polémico político num período bastante conturbado da história mundial e, como tal, é justa a atribuição do prémio.

Mas magia do cinema não contempla só as obras oscarizadas e outros filmes merecem referência como o que retrata o fim da carreira de uma das duplas mais emblemática do género de comédia, especialmente nos anos dourados do cinema mudo, Bucha e Estica de Jon S.  Baird. A história, verídica, refere-se ao período em que os dois atores, Stan Laurel e Oliver Hard, representados pelo ator britânico Steve Coogan e pelo ator norte-americano John C. Reilly tentam voltar aos palcos, em 1953, numa tournée na Grã-Bretanha.

Para toda a família e também baseado em factos verídicos, Mia e o leão branco de Gilles de Maistre aborda as relações parentais e a necessidade urgente de preservar a vida selvagem. Por seu turno, Os irmãos Sister de Jacques Audiard passa-se em meados do século XIX, durante a grande expansão para o Oeste americano e a febre do ouro, criando a ilusão perfeita de que estamos nas paisagens consagradas e mitificadas pelo “western”. John C. Reilly e Joaquin Phoenix interpretam Eli e Charlie, os irmãos do título com posturas de vida diferentes pois representam a tensão entre o velho Oeste da violência, do caos e da ausência de lei, e o novo Oeste que está a ser construído baseado na lei e no progresso, focando o filme a importância dos laços familiares e da ordem e paz.

Igualmente sobre a família, mas num ambiente degradado, Cafarnaum de Nadine Labaki é um filme dramático sobre a realidade libanesa que esteve em competição no festival de cinema de Cannes em que, num cenário de pobreza extrema e de destruição, um jovem pretende processar os pais por não terem condições económicas ou emocionais para terem filhos. Ainda sobre laços familiares, Liam Neeson protagoniza mais um filme de ação, neste caso num ambiente gélido das Montanhas Rochosas em Vingança perfeita de Hans Petter Moland combatendo cartéis de droga que assassinaram o filho.

O cinema de animação está sempre presente começando pelo terceiro filme de uma famosa saga inspirada na escritora Cressida Cowell Como treinares o teu dragão: o mundo secreto de Dean DeBlois e Lego 2 de Mike Mitchell, um filme animado de aventuras das famosas construções didáticas em versão dobrada. Para os que apreciam este género é de relembrar que a 18º edição do festival Monstra dedicado ao cinema de animação decorre entre 20 e 31 março com 550 filmes de animação de 50 países assim como exposições, retrospectivas, competições, workshops e momentos que juntam música, poesia e banda desenhada. Nesta edição o festival vai homenagear o cinema de animação do Canadá que como é referido “um dos países onde esta arte é mais forte e cultivada, e também onde estão reunidas todas as condições para a realização de filmes e muita experimentação”.

Realiza-se, igualmente uma homenagem ao realizador japonês Satoshi Kon que faleceu em 2010 com a reposição de quatro longas metragens da sua autoria, produzidas entre 1997 e 2006.  Em simultâneo, em diversos estabelecimentos dos vários níveis de ensino, decorrem as sessões Monstrinhas em que serão exibidos 26 filmes com dobragem em português. As crianças até aos três anos também poderão ter o primeiro contacto com os filmes de animação, neste festival, e de forma gratuita. Já nas cerca de 90 curtas pensadas para toda a família, exibidas aos fins de semana, o diretor artístico chama a atenção para a estreia nacional do filme “Tito e os Pássaros”, que fala sobre o medo infantil.

Também são de relembrar as iniciativas do Cineclube Impala Cine que continua com os ciclos de cinema dedicados a diversos temas sendo que em março o escolhido é relativo às gerações Rock`n Roll com sessões às quintas-feiras no Auditório da Costa de Caparica.

Luísa Oliveira

Read Full Post »

O mês de janeiro não deve ser só associado ao anúncio dos candidatos aos Óscares da Academia de Hollywood, cuja cerimónia de entrega de prémios se realizará em 24 fevereiro, pois verificaram-se estreias de qualidade abrangendo vários géneros. No panorama nacional registou-se a estreia comercial de Terra Franca de Leonor Teles, premiado como Melhor Longa Metragem de Ficção no Festival Caminhos do Cinema Português, em Coimbra. Um documentário interessante que retrata a vida solitária e as relações sociais de um pescador numa antiga comunidade piscatória no rio Tejo.

Igualmente com interesse e já apresentado anteriormente no Indie Lisboa, tivemos o documentário Debaixo do céu do realizador Nicholas Oulman sobre refugiados, um tema sempre actual, sendo que nesta obra são apresentados os relatos pessoais de judeus que na fuga ao nazismo passaram por Portugal. O filme é apresentado com imagens de arquivos, nomeadamente de Lisboa, e a identidade dos sobreviventes é revelada só no final.

A memória de infância vivida em regimes totalitários serve de base a Nunca Deixes de Olhar: a arte não tem identidade de Florian Henckel von Donnersmarck que também escreveu o argumento a partir da vida do pintor alemão Gerhard Richter, focando-se na problemática da busca de identidade artística quando as ideologias opressivas limitam toda a criatividade.  Ainda sobre o mundo da arte, estreou-se À porta da eternidade de Julian Schnabel em que Willem Dafoe personifica Vincent Van Gogh, papel que lhe valeu uma nomeação para o Óscar de melhor ator, pois apresenta de forma convincente a instabilidade mental e a angústia criativa do genial pintor. A instabilidade emocional e o processo de destruição psicológica de uma mulher são protagonizados, de forma exemplar, por Maggie Gyllenhaal no papel de uma educadora obcecada pelas competências de uma criança em A Educadora de infância de Sara Colangelo, remake norte-americano do homónimo filme israelita e que valeu à realizadora o prémio de melhor realização no festival de Sundance 2018 e fez parte da seleção oficial do festival de Toronto.

Também de obsessão e decadência emocional trata o desempenho de Nicole Kidman, irreconhecível fisicamente graças à maquilhagem e efeitos visuais, no trilher angustiante Destroyer – Ajuste de Contas de Karyn Kusama no papel uma ex-agente do FBI e agora detetive da polícia de Los Angeles, dependente de álcool e drogas, procurando vingar-se de um passado que destruiu a sua vida familiar e profissional. Igualmente destacando uma personagem feminina mas, neste caso, histórica, Maria, rainha dos Escoceses de Josie Rourke apresenta Saoirse Ronan no papel da controversa e infeliz Maria Stuart no seu problemático percurso de vida e as lutas políticas com a sua familiar Isabel I de Inglaterra que conduzirão à sua morte.

O polémico realizador M. Night Shyamalan está de volta com Glass que conta com alguns dos seus atores preferidos como Samuel L. Jackson, Bruce Willis e James McAvoy. É o terceiro filme da trilogia “Eastrail 177”, que começou com “O Protegido” e continuou com “Fragmentado” e é mais uma obra explosiva de ação, ficção científica e suspense que junta super-heróis, vilões e que até esta data é o filme com maiores receitas de bilheteira do ano.

A comédia dramática Green Book – um guia para a vida de Peter Ferrelly é uma das favoritas aos prémios da 91.ª edição dos Prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, tendo sido já distinguida com inúmeros prémios por várias associações ligadas à indústria cinematográfica. Nela se relatam factos verídicos numa América da década de 60 do século passado, em que a discriminação racial conduzia a lutas pelo reconhecimento dos direitos civis da comunidade afro-americana.  Mahershala Ali no papel  do pianista clássico afro-americano Don Shirley, e Viggo Mortensen como o seu motorista de origem italiana, Tony Lip, em digressão pelo sul  segregacionista dos Estados Unidos, estão nomeados para os Óscares da representação  pois desempenham de forma muito convincente os contrastes que as personagens apresentam a nível de educação cultura e competências sociais .O título do filme tem como base o livro The Negro Motorist Green Book, editado por Victor Hugo Green entre 1936 e 1966 que servia como guia que ajudava os viajantes negros,  a encontrar restaurantes, alojamentos e locais de diversão onde não havia segregação social.

De uma cinematografia pouco conhecido, a islandesa, tivmos uma agradável comédia negra de Hafstein Gunnar Sigurosson A árvore da discórdia, narrativa sobre situações caricatas envolvendo conflitos causados por uma árvore no jardim de um vizinho num bairro suburbano.

Robert Redford com oitenta e dois anos despede-se do cinema com a belíssima comédia romântica O Cavalheiro com Arma de David Lowery. A partir de factos reais decorridos nos anos 80 do século XX, o ator brilha no papel de Forrest Tucker um discreto e cavalheiresco ladrão, proporcionando momentos divertidos juntamente com os atores Sissy Spacek, Casey Affleck e John Hunt.  No final do filme, como pretexto para referenciar as inúmeras fugas feitas pelo elegante assaltante, há uma interessante montagem de cenas de vários filmes protagonizados por Robert Redford na sua longa e produtiva carreira.

Quem não pretende despedir-se da realização e representação cinematográfica é o excelente Clint Eastwood pois aos 88 anos apresenta mais uma  obra, Correio de Droga, a partir de factos reais da vida de um veterano horticultor, falido e solitário,  que se envolve no submundo do tráfico da droga como forma de salvar o seu negócio e reaproximar-se da família com quem mantinha escassas ligações.  O filme baseia-se no artigo publicado no New York Times Magazine “The Sinaloa Cartel´s 90-Year-Old Drug Mule”, de Sam Dolnick, resultando numa obra sóbria, humana, sem artifícios digitais e, embora o tráfico de droga esteja presente, é, acima de tudo,  um olhar sobre a velhice, meditação e redenção dos erros cometidos ao longo da vida.

Luísa Oliveira

Read Full Post »

O mês de dezembro iniciou-se com a atribuição dos prémios relativos à 24ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português, em Coimbra, dedicado, exclusivamente, às obras nacionais. O Grande Prémio foi atribuído ao filme Cabaret Maxime do realizador Bruno Almeida que tem como argumento as dificuldades vividas pelo dono de um cabaret devido às mudanças no bairro onde este se localiza e que põe em causa o grupo de artistas que nele trabalha e apresenta números musicais, de burlesco e comédia. Esta obra conquistou ainda os galardões máximos nas categorias de direcção artística, realização, ator secundário e banda sonora. Terra Franca de Leonor Teles, venceu na categoria de Melhor Longa Metragem de Ficção, Entre Sombras de Mónica Santos e Alice Guimarães ganhou prémio de Melhor Animação e Até Que O Porno Nos Separe de Jorge Pelicano o de Melhor Documentário.

Nas estreias em dezembro a produção nacional esteve presente com Parque Mayer de António-Pedro Vasconcelos, uma interessante comédia/drama que revisita um marcante espaço de entretenimento lisboeta num período em que a censura do Estado Novo limitava cada vez mais a liberdade criativa. Quanto às restantes estreias destaque para a obra do cineasta mexicano Alfonso Cuarón que escreveu, realizou e produziu o excelente Roma, vencedor do Leão de Ouro no festival de Veneza e que tem recebido inúmeras críticas positivas perfilando-se como vencedor de vários galardões. O título do filme refere-se a um bairro de classe média na cidade do México, revelando-se como crítica à sociedade mexicana e, especificamente, à posição da mulher, focando, igualmente, a situação política no país na década de 70 do século XX. A belíssima fotografia a preto e branco realça os choques inerentes às desigualdades sociais ao mesmo tempo que é enaltecida a força da mulher que sobrevive às mudanças e aos conflitos.

Igualmente como obra de denúncia social, surge Dogman, do realizador italiano Matteo Garrone, inspirado num caso real, onde sobressai o expressivo ator Marcello Fonte, galardoado no festival de Cannes, no papel de protagonista como um humilde tratador de cães vulnerável aos violentos abusos do criminoso mais temido do decadente bairro periférico que habitam. Retrato humano e de grande realismo de uma sociedade em que a violência impera.

A atriz Keira Knightley protagoniza Sidonie-Gabrielle Colette na obra Colette de Wash Westmoreland – um retrato fiel do ambiente social e cultural da Belle Époque  demonstrando, ao mesmo tempo,  como a intimidade da escritora  vai contribuir   para romper estereótipos sociais e revolucionar a literatura.  Julia Roberts, por sua vez, tem uma brilhante prestação em O Ben está de volta de Peter Hedges, no papel de uma mãe a defender obsessivamente o seu filho toxicodependente; embora a ação decorra na época natalícia é um filme sombrio e triste ao expor o sofrimento dos que têm familiares e amigos envolvidos no submundo da toxicodependência e marginalidade.

Num género diferente e mais de acordo com a leveza da época, temos a divertida comédia dramática francesa, já visionada na Festa do Cinema Francês, Ou nadas ou afundas de Gilles Lellouche, sobre um grupo de homens quarentões que decidem criar uma equipa de natação sincronizada. Igualmente animado e direccionado para quem gosta dos patudos Dog Days – vidas de cão de Ken Marino, sobre um grupo de personagens interligadas com as vidas dos seus cães.

Termino com O Regresso de Mary Poppins de Rob Marshall o filme ideal para divertir toda a família com uma história simples em que a magia, música e animação conduzem a um final feliz tal como tinha sido a primeira versão de 1964.

Luísa Oliveira

Read Full Post »

A primeira longa metragem da realizadora Leonor Teles, “Terra Franca”, foi distinguida com Prix de La Ville d’Amiens, no 38.º Festival International du Film d’Amiens, em França, e com o Prémio de Melhor Primeira Obra da Competição Internacional na 33.ª edição do Festival Internacional de Cine de Mar del Plata (Argentina). O filme, cuja estreia está prevista para o próximo mês de janeiro, já tinha recebido vários prémios internacionais e retrata a vida de um pescador que vive numa comunidade piscatória à beira do Tejo. A longa-metragem “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos” de João Salavisa e Renée Nader Messora continua a acumular prémios pois foi também distinguida com o Prémio Especial do Júri no Festival Internacional de Cine de Mar del Plata depois de ter sido duplamente premiada no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro (Melhor Realização e Melhor Fotografia). A estreia, em Portugal, está prevista para março de 2019.

No que respeita a estreias nacionais, a apresentação foi diversificada abrangendo vários géneros cinematográficos. Começo pelo filme de Sérgio Tréfaut Raiva, a adaptação do clássico da literatura portuguesa do século XX, ‘Seara de Vento’ de Manuel da Fonseca. A película foi rodada no Alentejo retratando, num período de fome e violência, um assassinato executado por um camponês e a sua resistência à polícia e exército. Ainda sobre produção portuguesa o documentário Doutores palhaços de Hélder Faria e Bernardo Lopes sobre o emocionante contributo dos que pretendem melhorar o quotidiano de quem vive em ambientes de grande sofrimento.

No mesmo género, A febre Ferrante de Giacomo Durzi sobre a excelente escritora napolitana Elena Ferrante   e a sua pretensão de manter o anonimato enquanto a sua obra delícia milhões de leitores. Igualmente no âmbito da literatura o drama Dovlatov de Aleksey Germna Jr. apresenta seis dias da vida do escritor russo Sergei Dovlatov e a sua preocupação em manter a liberdade artística durante o opressivo regime soviético.

No género terror, uma interessante obra do cinema independente americano, realizada e protagonizada por Aaron Moorhead e Justin Benson, O interminável, debruça-se sobre o tenebroso universo dos cultos e seitas religiosas.  Utoya, 22 julho de Erik Poppe é um filme perturbador sobre o massacre da Noruega em 2011 e que alerta contra a ascensão da extrema-direita europeia, uma obra contra o esquecimento descrevendo o pesadelo que o ódio criou.

Outra excelente e igualmente perturbadora obra, Uma guerra pessoal de Matthew Heineman, baseada em factos reais, retrata a extraordinária vida de Marie Colvin (interpretada por Rosemund Pike), uma das jornalistas de guerra mais reconhecidas do nosso tempo que colaborava com o jornal The Sunday Times. Com um espírito rebelde e insubmisso, arriscando a própria vida, teve como missão de vida dar voz, nos seus artigos jornalísticos, aos que de outro modo nunca teriam forma de ser ouvidos, transmitindo de forma realista e crua o que é viver no meio da guerra até à sua morte em Homs, na Síria em 2012.

Viúvas de Steve McQueen, baseado no livro homónimo de Lynda La Plante, adaptado por Gillian Flynn, com um elenco talentoso em que sobressai Viola Davis, apresenta um grupo de mulheres que pretendem vingar as mortes dos maridos criminosos no meio de violência, racismo e corrupção em Chicago. O tema foi apresentado numa minissérie na TV inglesa em 1983 e adaptado à realidade americana.

O sensível Beautiful Boy, de Felix Van Groeningen, mostra o amor resistente de uma família perante o vício do filho e as tentativas de reabilitação. Baseado nas biografias do jornalista David Sheff e do seu filho, Nic Sheff, apresenta interpretações brilhantes dos atores Steve Carell e Timothée Chalamet, este último no papel do filho na fase em que se torna viciado em metanfetaminas.

A vingança de Lizzie Borden, de Craig Macneill, é um thriller psicológico baseado em factos reais, em que a atriz Chloe Sevigny interpreta o papel de Lizzie Andrew Borden, uma das figuras mais icónicas da cultura popular norte-americana que foi a julgamento   pelo duplo homicídio do seu pai, Andrew J. Borden, e da sua madrasta, Abby Borden, no dia 4 de agosto de 1892.

Mais uma produção francesa de qualidade no thriller dramático Histórias de uma vida de Jean Becher, numa adaptação do romance de Jean-Christophe Rufin, desenrola-se no primeiro pós-guerra em que um cão dá contributo importante para a resolução de um mistério.

O segundo filme da spinoff de Harry Porter constitui um sucesso de bilheteira dos estúdios Warner Bros Monstros Fantásticos – Os Crimes de Grindelwald de David Yates, com Eddie Redmayne que volta para ser o protagonista Newt Scamander na luta contra o poderoso e maléfico feiticeiro Gellert Grindelwald em mais uma obra de fantasia de J. K. Rowling. Na época natalícia é adequado o regresso do duende verde Grinch de Yannow Cheney e Scott Mosie. A história do filme sofre poucas mudanças relativamente à película de 2000, mas é uma criatura mais social e menos assustadora numa película de animação bastante colorida e divertida com Benedict Cumberbatch a dar voz ao Grinch.

Por fim, justifica-se uma menção ao falecimento do polémico e genial cineasta italiano, Bernardo Bertolucci, que realizou inúmeras obras memoráveis além de 1900 e O último imperador, que farão sempre parte da memória do cinema.

Read Full Post »

Nas estreias do mês de outubro foram registados documentários de personalidades marcantes de várias áreas. Assim, destaca-se Ingmar Bergman – a vida e obra do génio    de Margarethe von Trotta para relembrar o trajeto de vida do icónico realizador, não só no mundo de cinema como a nível familiar, a que se acrescenta a opinião dos novos cineastas. O documentário insere-se no âmbito das celebrações do centenário do nascimento do realizador que tem como objetivo divulgar a sua magnífica obra.

No que respeita a um mundo em que a criatividade e os excessos estão interligados, McQueen, de Ian Bonhote and Peter Ettedgui  é relembrado a partir de entrevistas a familiares e amigos do inquietante e controverso designer de moda.

Do mundo da música, Bohemian Rapsody de Bryan Singer e Dexter Flecther revê a ascensão da carismática banda musical “Queen” e sobretudo do seu fabuloso vocalista Freddie Mercury. É um excelente pretexto para assistirmos às suas maravilhosas e eternas  canções.

Ryan Gosling representa Neil Alden Armstrong, engenheiro aeronáutico cujo nome ficará para sempre ligado  à exploração espacial, em O primeiro homem na Lua, de Damien Chazelle, filme onde  assistimos ao seu percurso entre 1961 e 1969 quando,  em 20 julho, no âmbito da missão espacial Apollo 11, dá os primeiros passos na Lua.

Feliz Como Lázaro  de Alice Rohrwacher ganhou o prémio para melhor argumento no festival de Cannes é uma comovente obra com uma banda sonora condizente com a realidade rural de uma comunidade isolada, num misto de fábula religiosa e sátira social.

O drama A Mulher de  Bjorn Runge, premiado no festival internacional de filme de Toronto,  baseado na obra homónima de Meg Wolitzer,  apresenta Glenn Close  numa excelente  e emocionante interpretação no papel da mulher de um escritor  famoso que vive durante décadas na sombra do marido, sacrificando o seu talento e ignorando as humilhações de que foi alvo durante o seu casamento até que põe fim ao relacionamento.

Não Deixeis Cair Em Tentação do francês Cédric Kahn, versa questões ligadas à fé e à oração no processo de cura de toxicodependentes numa comunidade religiosa, e valeu  ao  ator Anthony Bajon o Urso de prata no festival de Berlim.

Verão 1993 da catalã Carla Simón é uma comovente obra autobiográfica sobre o processo de adoção e as relações desenvolvidas entre os pais e a criança com situações vividas,  certamente, por muitas famílias no decurso da adaptação à nova realidade familiar.

Pedro e Inês de António Ferreira, adaptação do romance de Rosa Lobato de Faria “A trança de Inês”,  tendo como base a lendária paixão, desenvolve-se ao longo de três épocas diferentes em que a história de amor se repete.

O divertido e intrigante thriller Sete Estranhos no El Royale de Drew Goddard  apresenta um conjunto de estrelas Jeff Bridges, Chris Hemsworth, Jon Hamm, Dakota Johnson e Cynthia Erivo, com boas interpretações de personagens estranhas num hotel  decadente  dividido  ao meio entre os estados de Califórnia e Nevada.

Igualmente divertido  e com alguma ação, Rei dos Ladrões de James Marsh, trata  do assalto do roubo de joias e dinheiro de uma caixa-forte  de Hatton Garden, o maior da história  londrina, em abril de 2015. Este acontecimento que  teve grande repercussão nos media, pois provocou um prejuízo  de 14 milhões de libras, foi protagonizado por homens entre os 59 e 75 anos, alguns reformados, outros com cadastro criminal  e com doenças graves.

Uma obra interessante e verídica sobre  um acontecimento   histórico  da Guerra Fria   Revolução Silenciosa  de Lars  Kraume, adaptação  da obra homónima do escritor alemão Dietrich Garstka, decorre em 1956, na República Democrática Alemã ( RDA). Os alunos de uma escola da cidade de Stalinstadt (actual Eisenhüttenstadt) decidem fazer um minuto de silêncio em homenagem aos que lutaram pela liberdade e foram vítimas da violência das tropas soviéticas que invadiram a Hungria. Mas o simbólico protesto  acaba por ter uma dimensão maior revelando as questões políticas e sociais  da época e a luta dos jovens  pela mudança e resistência às políticas totalitárias.

As películas de terror e de ação  têm sempre muitos fãs como é o caso de  Venom  de Ruben Fleischer, mais uma adaptação de um dos personagens da Marvel,  protagonizado por Tom Hardy no papel do jornalista Eddie Brock que entra em contato com um  alienígena e se torna Venom. Mas, sem dúvida, que este género que apresenta ambientes de tensão e de medos está bem representado  no interessante  thriller Halloween  de  David Gordon Green em que Jamie Lee Curtis  volta a personificar   Laurie Strode  na continuação de factos ocorridos em 1978 .  Passados 40 anos sobre a estreia do clássico de John Carpenter  que, além de produtor executivo  é também o autor da banda sonora, regista-se o confronto decisivo e final  entre Laurie Strode, a sobrevivente do massacre das “babysitters” de 1978, e Michael Myers, o assassino silencioso.

Luísa Oliveira

 

Read Full Post »

lshindlerNazismo nunca mais

Oskar Schindler, homem muito rico e poderoso, membro do partido nazi, decide requisitar, para trabalharem nas suas fábricas, alguns judeus condenados a embarcar nos comboios que se destinam aos campos de concentração e extermínio.

À medida que se vai relacionando com eles, vai criando alguma afeição e decide juntar as famílias dos seus trabalhadores. Para isso, vai corrompendo guardas e oficiais nazis, desbaratando a sua fortuna, mas conseguindo o seu objetivo.

Quando a guerra termina, são cerca de 1100 as pessoas que Schindler salvou da morte.

“A lista de Schindler” é um filme realizado por Steven Spielberg, tendo nos papéis principais Liam Neeson, interpretando Oskar Schindler, Ralph Fiennes, interpretando Amon Goeth, e Ben Kingsley, fazendo de Itzhak Stern. O filme apresenta, como aspetos positivos, uma excelente interpretação por parte dos atores, uma reconstituição fiel dos locais e das situações onde se desenvolve a ação e também o modo que o realizador escolheu para contar a história, mantendo o espetador sempre “agarrado” ao filme. Como aspeto menos positivo, talvez algum exagero nas cenas de violência, nomeadamente quando a personagem interpretada por Ralph Fiennes demonstra os sinistros instintos.

A comunidade judaica não mais esqueceu Oskar Schindler, e ainda hoje, todos os anos, é feita uma romagem à sua campa tanto pelos ainda sobreviventes como pelos descendentes daqueles que ele salvou.

Pedro Costa, 8.º B

Um novo olhar sobre o Cristianismo

Após a morte de Jaques Sauníere, avô de uma das personagens principais, Sophie Neveu,cdv Robert Langdon, professor de simbologia, e Sophie descobrem que o avô lhes deixou uma série de enigmas que levaram à descoberta de que Sophie era o Santo Graal, descendente de Jesus Cristo e Maria Madalena. Este filme, realizado por Ron Harrowd, é baseado no livro escrito por Dan Brown, “O Código da Vinci”.

O facto de este filme ter muitos enigmas e a sua acção decorrer em diferentes cidades, como França e Inglaterra, torna-o interessante e apelativo, porém existem cenas violentas, que podem impressionar, de forma negativa, pessoas mais sensíveis.

O “Código da Vinci” é um filme que nos dá um olhar diferente sobre o Cristianismo, que pode surpreender os amantes da história das religiões.

Mariana Arzeni, 8ºB

Read Full Post »

A produção cinematográfica nacional teve mais um reconhecimento pois o filme  Diamantino, a primeira longa- metragem de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, venceu o Grande Prémio da 57ª Semana da Crítica da 71ª edição do Festival de Cinema de Cannes. Conforme comunicado pela produtora, enquanto se aguarda a sua estreia comercial, o filme conta “a história de Diamantino, interpretado pelo ator Carloto Cotta, uma superestrela do futebol mundial, cuja carreira cai em desgraça… à procura de um novo objetivo para a sua vida, Diamantino entra numa odisseia delirante, que envolve neofascismo, crise dos refugiados, modificação genética e a busca pela origem da genialidade”. Ainda sobre o mundo futebolístico, é de referir a estreia de Ruth de António Pinhão Botelho, uma abordagem interessante sobre os costumes e vivências de Portugal durante a ditadura salazarista, tendo como pretexto a história da contratação do futebolista Eusébio pelo Benfica.

Os conflitos mundiais continuam com adaptações no cinema, sendo que a 1ª guerra mundial está presente no intenso e belíssimo melodrama franco-alemão de François Ozon, Frantz. Baseado no filme de 1932 realizado por Ernst Lubitsch “O homem que eu matei”, é uma obra apresentada a preto e branco com excelentes interpretações e banda sonora adequada que realçam o luto e o sentimentalismo feminino. De igual forma, a 2ª guerra mundial é um tema recorrente que se pode ver em Os invisíveis de Claus Rafle, um drama com caraterísticas de documentário que decorre em Berlim num período em que a cidade é declarada pelos nazis “livre de judeus”. No entanto, centenas conseguiram escapar às perseguições apresentando-se, nesta obra, os testemunhos de quatro dos sobreviventes, de como viveram a sua vida de adolescentes e jovens adultos num contexto terrível.

O período após a 2ª guerra mundial serve de base ao filme Sociedade literária da tarte da casca da batata de Mike Newell, uma história comovente e deliciosa a partir do livro de Mary Ann Schaffer e Annie Barrows. Nesta excelente película, realça-se importância das relações baseadas na amizade, no amor e na paixão pelos livros que se desenvolvem durante a ocupação alemã da ilha de Guernsey (Canal da Mancha) entre 30 junho de 1940 e 9 maio de 1945 e que constituíram uma forma de resistência.

Também como reflexo de conflitos armados, Refugiados do irreverente artista chinês Ai Weiwei revela-se como um emocionante documentário sobre uma trágica realidade global atual que movimenta milhões de seres. A equipa de filmagem visitou 40 campos de refugiados em 23 países e, entre as afirmações de Ai Weiwei, destacam-se “Este é o meu trabalho: dar voz aos que não têm como falar… Eu tinha muita curiosidade sobre as 65 milhões de pessoas que perderam suas casas em conflitos e desastres naturais. Vê-las sem rumo é muito chocante. Ao mesmo tempo, a resposta europeia é igualmente chocante, pois eles não fazem muito para ajudar”.

Ainda sobre situações problemáticas globais Nunca estiveste aqui de Lynne Ramsay, adaptação do romance homónimo de Jonathan Ames, foca o mundo tenebroso do tráfico humano, tendo ganho no festival de Cannes de 2017 o prémio de melhor argumento e o protagonista, Joaquim Phoenix, o de melhor ator. Outra temática atual, 17 rapariga das irmãs Muriel e Delphine Coulin acaba por ser um filme que provoca um debate sobre a temática da gravidez na adolescência e a reação dos pais e professores à situação. Baseado num caso real ocorrido numa escola dos E.U.A. em 2008 em que dezassete adolescentes decidem engravidar ao mesmo tempo, a ação foi adaptada a uma cidade francesa  constituindo uma reflexão sobre situações vividas por muitos adolescentes.

Ainda sobre ligações humanas, Só te vejo a ti de Marc Forster é um interessante thriller psicológico em que Blake Lively e Jason Clarke protagonizam um casal cuja relação amorosa vai ser posta à prova após a mulher recuperar a visão que tinha perdido devido a um acidente rodoviário. Ordem divina de Petra Volpe, filme selecionado pela Suíça para concorrer ao Óscar de melhor filme estrangeiro, está centrado na luta pela igualdade de direitos para as mulheres na Suíça que, surpreendentemente, só tiveram direito a votar a partir de 1971. Baseia-se nas reações de familiares, amigos e conhecidos à luta pública de uma mulher pelo reconhecimento do direito ao voto feminino que os homens vão votar em 7 fevereiro de 1971.

O realizador Mike Newell regressa, em filme com argumento de Kevin Hood e Thomas Bezucha, interpretado por Lily James, Michiel Huisman e Matthew Goode, para contar a experiência de uma jornalista na pesquisa para um livro sobre a ocupação nazi de Guernsey, uma das ilhas do Canal da Mancha, entre o Reino Unido e França. E o que começou como correspondência com a sociedade literária local e prosseguiu com uma visita à ilha transforma-se num retrato que envolve vários dos habitantes numa história de amizade e solidariedade.O realizador Mike Newell regressa, em filme com argumento de Kevin Hood e Thomas Bezucha, interpretado por Lily James, Michiel Huisman e Matthew Goode, para contar a experiência de uma jornalista na pesquisa para um livro sobre a ocupação nazi de Guernsey, uma das ilhas do Canal da Mancha, entre o Reino Unido e França. E o que começou como correspondência com a sociedade literária local e prosseguiu com uma visita à ilha transforma-se num retrato que envolve vários dos habitantes numa história de amizade e solidariedade.O cinema francês está representado na sátira ao ensino em Madame Hyde de Serge Bozond com Isabelle Huppert, contemplada com o prémio de melhor atriz no festival de Locarno, no papel de uma professora que após ser atingida por um raio desenvolve poderes misteriosos que a transformam totalmente a nível pessoal e profissional. Os fãs dos géneros de terror e de ficção científica devem apreciar Um lugar silencioso de John Krasinski que, num misto do suspense de Hitchcock e do universo Alien, é considerado uma parábola da realidade atual americana ao descrever um mundo apocalíptico em que qualquer som pode chamar seres alienígenas aterradores. Sobre personalidades americanas, LBJ, de Robe Reiner com Woody Harrelson no papel do 36º presidente americano, é um relato da vida política de Lyndon B. Johnson durante a sua permanência no Senado, como vice-presidente de John F. Kennedy e presidente após o assassinato deste em 22 novembro 1963.

Por fim, surgiu nos ecrãs o aguardado Han Solo, uma história da Star Wars de Ron Howard sobre a juventude de um dos mais icónicos rebeldes do cinema. Alden Ehrenreich substitui Harrison Ford na personagem que faz parte da saga que movimenta milhões de fãs e que já pertence ao imaginário popular desde os anos 70 do século XX. Mais uma obra a demonstrar como a magia do cinema une várias gerações e contínua presente ao longo do tempo.

Luísa Oliveira

Read Full Post »

No ano em que se comemoram 100 anos da assinatura do Armistício que assinalou o fim da 1ª guerra mundial, é natural que surjam obras cinematográficas que abordem temas ligados a este terrível conflito. Portugal não foi exceção e estreou o interessante O Soldado Milhões de Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa. Um filme passado na década de 1940 e durante a Primeira Grande Guerra, em que Portugal participou com o Corpo Expedicionário Português (CEP), sofrendo uma dura derrota na Batalha de La Lys (França ). No dia 9 de abril assinalou-se o centenário da famosa batalha na qual o Soldado Milhões ou mais precisamente Aníbal Milhais (1895-1970), ficou conhecido por ter aguentado nas trincheiras, sozinho, com a sua Luisinha (diminutivo de Luísa, nome dado pelos portugueses à metralhadora Lewis), a investida alemã salvando, dessa forma, muitos portugueses e ingleses. Segundo passou a ser referenciado, pela sua ação, o comandante Ferreira do Amaral saudou-o com a frase “Tu és Milhais, mas vales Milhões!”.

Igualmente sobre o conflito e as suas consequências sociais, a obra distinguida, este ano, com cinco Césares foi  Até Nos Vermos Lá Em Cima de Albert Dupontel, inspirado no romance homónimo de Pierre Lemaitre, vencedor, em 2013, do Prémio Goncourt, o mais prestigiado galardão da literatura francesa. Uma interessante sátira social que, com humor negro, demonstra a insensatez das decisões tomadas pelas chefias militares e os esquemas fraudulentos surgidos com o enterro e memoriais dos combatentes que morreram durante a guerra.

Sem a dimensão de um conflito mundial mas igualmente devastador e actual, o belga Philippe Van Leeuw filmou Na Síria, a partir do ponto de vista de um grupo de civis. Trata-se de um filme claustrofóbico e tenso que mostra as consequências devastadoras do conflito. Protagonizado maioritariamente por refugiados sírios no Líbano, demonstra como os civis continuam a ser as maiores vítimas do conflito que aniquila física e psicologicamente membros de várias gerações.

Com uma temática diferente e apresentado de forma burlesca, temos a sátira política  A morte de Estaline  de Armando Iannuci, que  relata  os conflitos entre o círculo próximo de Estaline após a sua morte, em março de 1953, misturando  humor negro e alguns factos históricos.   Estreado em 2017, no Festival de Cinema de Toronto, o teor deste filme causou muita controvérsia entre políticos e figuras das artes de várias repúblicas da antiga URSS tendo sido banido em alguma delas.

Em abril também são de realçar as comédias Madame de Amanda Sthers, com Rossy de Palma, uma das musas do realizador espanhol Pedro Almodóvar e a divertida produção franco belga Assim não vais longe de Franck Dubosc, uma produção romântica sobre as consequências de enganos e mentiras. Também neste género, estreou Ammore e Malavita dos irmãos Antonio e Marco Manetti, que associa a comédia ao musical, numa sátira social sobre a Máfia com todos os lugares comuns ligados a esta temática.

No género terror, Helen Mirren domina em A Maldição da Casa Winchester de Michael & Peter Spierig, obra inspirado em factos verídicos. Película valorizada pela interpretação da talentosa atriz inglesa no papel de viúva e herdeira do criador das lendárias espingardas que vivia convencida que a sua casa era assombrada pelos espíritos das pessoas mortas por esta arma e que a única forma de os acalmar era acrescentar novas divisões, pelo que, que a habitação esteve em permanente construção até à sua morte, em 1922.

Os apreciadores de aventuras que incluem experiências genéticas, catástrofes globais e muitos efeitos digitais devem apreciar Rampage – Fora de Controlo 2D de Brad Peyt.  O realizador Wes Anderson voltou à animação em stop-motion com a comovente  fábula  Ilha dos cães, vencedora do Urso de Prata do festival de Berlim,  tendo sido o primeiro filme de animação que abriu a Berlinale. É uma obra que agradará não só aos que gostam do “melhor amigo do homem” que na película aparecem como os principais personagens numa ilha depósito de lixo municipal para onde foram enviados pelo residente da Câmara Municipal. Conforme consta da informação, o filme demorou dois anos a ser rodado na complicada técnica de filmar os bonecos/marionetas, tendo estado envolvidas cerca de 670 artistas, incluindo 70 animadores de bonecos e 38 técnicos de animação com a câmara digital Canon IDX a registar 130 mil frames que juntos dão a ilusão de movimento. Assim, todo o filme foi feito à moda antiga da técnica stop-motion, quase não tendo sido usadas imagens geradas por computador, sendo o cão-robot a única marioneta concebida em 3D.

Por fim, ninguém fica indiferente à reposição da maravilhosa e intemporal obra de 1988 Cinema Paraíso de Giuseppe Tornatore, com Philipe Noiret, numa magistral interpretação num filme que é considerado uma autêntica homenagem à magia do cinema.

Termino relembrando que até 6 maio decorre a 15º edição do IndieLisboa com a apresentação de mais de duzentos filmes, inúmeras propostas artísticas e as homenagens a Lucrecia Martel  e Jacques Rozier.

Luísa Oliveira

Read Full Post »

O mês de março iniciou-se com 90ª edição da cerimónia dos Óscares da Academia de Hollywood que decorreu no Dolby Theatre, em Los Angeles, apresentada por Jimmy Kimmel. Não houve muitas surpresas nos prémios atribuídos nas várias categorias tendo o realizador mexicano Guillermo Del Toro sido o grande vencedor pois não só foi galardoado com a estatueta para Melhor Realizador como também arrebatou o Óscar de Melhor Filme para A Forma da Água que ganhou quatro estatuetas das treze para que estava nomeada. De registar um feito inédito pois é a quarta vez em cinco anos que um realizador mexicano vence o Óscar para Melhor Realizador com Alfonso Claro em 2014 e Alejandro G. Iñarritú em 2015 e 2016.

Três Cartazes à Beira da Estrada perdeu muitos dos prémios para os quais estava nomeado mas levou dois Óscares em categorias fundamentais: Melhor Atriz para a talentosa Frances McDormand e Melhor Ator Secundário para Sam Rockwell. Na corrida por Melhor Atriz Secundária a vencedora foi Allison Janney, com a sua interpretação brilhante em Eu, Tonya sendo o Melhor ator para Gary Oldman na personagem de Winston Churchill na Hora mais negra. James Ivory também confirmou as previsões ao ganhar o Óscar para Melhor Argumento Adaptado com Chama-me Pelo Teu Nome, enquanto Jordan Peele se tornou o primeiro afro-americano a receber a estatueta de Melhor Argumento Original por Foge. Em termos técnicos, Blade Runner 2049 e Dunkirk foram os mais contemplados, enquanto Coco levou duas estatuetas para Melhor Filme Animado e Melhor Canção Original.

Mas nem todos os filmes de qualidade são contemplados com estes ambicionados prémios, como foi o caso de uma das estreias de março, a comédia dramática Lady Bird de Greta Gerwig candidata em cinco categorias. Um filme de grande sensibilidade já contemplado com prémios de diversos organismos e valorizado pela excelente interpretação de Saoirse Ronan de uma jovem da Califórnia a “crescer” e com uma ligação conflituosa com a mãe numa época de crise económica.

Portugal também tem os seus prémios de cinema e neste ano os Prémios Sophia da Academia Portuguesa de Cinema teve a cerimónia em 25 março, conduzida pela atriz Ana Bola no Casino Estoril. O filme São Jorge de Marco Martins venceu em sete das catorze categorias para que estava nomeado tornando-se, assim, o grande vencedor desta 6ª edição. E, conforme afirmou o premiado realizador no discurso de agradecimento, a sua obra retrata “a primeira crise da minha geração e todos os dias havia direitos que pareciam que nos eram retirados. Aquele filme é sobre a crise e sobre a minha crise, a nossa crise”…“espero que estes prémios ajudem a aproximar o público dos filmes portugueses”. Além dos prémios habituais ligados à produção cinematográfica foram ainda atribuídos três prémios de carreira à caracterizadora Ana Lorena, ao realizador e ensaísta Lauro António e ao realizador Artur Correia, recentemente falecido.

Prosseguindo a valorização da produção cinematográfica nacional, em março, estrearam-se obras que merecem referência. Ramiro de Manuel Mozos, apresentado na abertura do Doc Lisboa, é uma comédia melancólica sobre a resistência e a não adaptação às mudanças verificadas na cidade de Lisboa a partir das vivências quotidianas de uma personagem depressiva interpretada por António Mortágua. Colo de Teresa Villaverde que também foi produtora e argumentista é, lê-se na nota de divulgação, “uma reflexão muito atual, e quase serena, sobre o nosso caminho comum como sociedades europeias de hoje, sobre o nosso isolamento, a nossa perplexidade perante as dificuldades que nos vão surgindo, sobre a nossa vida nas cidades e dentro das nossas famílias. É um filme em tensão crescente que nunca chega a explodir”. Esta obra venceu o Prémio Sauvage, principal galardão do 13.º Festival “L’Europe Autour de l’Europe”, em Paris.

Aparição de Fernando Vendrell leva-nos à redescoberta do grande escritor da literatura portuguesa – Vergílio Ferreira. O filme situa-se em Évora, cidade claustrofóbica onde o próprio Vergílio Ferreira foi colocado como professor nos anos 50 do século passado e onde se desenvolvem relações que terminam de forma trágica. Os documentários são sempre obras relevantes e assim o demonstra No Intenso Agora de João Moreira Salles, uma mistura de imagens pessoais da mãe do realizador com outras de arquivo que fazem parte de acontecimentos marcantes do século XX. Assim vemos um conjunto de imagens que documentam as lutas e protestos conduzidos por populares nas ruas de vários países como em maio de 1968 na França e Checoslováquia, da revolução cultural chinesa em 1966 e da resistência contra o golpe militar no Brasil nos anos 1960.

Outra obra que trata um tema de caráter internacional Mark Felt – o homem que derrubou a Casa Branca de Peter Landesman conta a história da vida privada e profissional do denunciante secreto do escândalo Watergate que transmitiu informações aos jornalistas do Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, que levaram à demissão do presidente americano Richard Nixon em 9 agosto de 1974. A identidade deste denunciante só foi conhecida através de um artigo da Vanity Fair em 2015 em que Mark Felt, vice-presidente do FBI, se apresenta como o homem que arriscou a sua vida pessoal e profissional em defesa da verdade.

Sobre conturbados percursos pessoais em que a resiliência está presente, Marvin de Anne Fontaine é uma adaptação do romance autobiográfico e best-seller “en finir avec Eddy Bellegueule” de Edouard Louis, uma emocionante história de como o autor consegue sobreviver às perseguições na escola e ao perturbado ambiente familiar tornando-se um reconhecido escritor e ator. É um filme que parte da relação do passado com o presente para demonstrar a ascensão social de um jovem homossexual pobre, rejeitado e humilhado na região onde nasceu.

Ainda outra obra francesa admirável e emocionante é Passo a passo de Mehdi Idir, baseada na autobiografia de Grand Corps Malade que também participou na realização. Escrita por Fabien Marsuad, em 2012, como agradecimento a todos os que o ajudaram na sua recuperação após um acidente que o deixou praticamente paraplégico. É uma obra que representa um hino à vida pois, ao apresentar o seu processo de reabilitação, passa a fazer parte de um conjunto largo de pessoas que apesar das suas limitações e lutas diárias não perdem o humor e a esperança.

Diferente desta perspetiva de vida, Com paixão de James Marsh é um drama biográfico sobre a verdadeira odisseia do velejador amador Donald Crowhurst, protagonizado por Colin Firth, que competiu na Golden Globe Race de 1968, na esperança de se tornar a pessoa sozinha mais rápida a circum-navegar o mundo sem paragens. O seu barco, Teignmouth Electron, não tinha condições para tal empreendimento nem o próprio velejador estava preparado a nível físico e psíquico envolvendo-se num conjunto de mentiras e ilusões quando toma conhecimento de que poderá ser o vencedor. O filme apresenta-se assim como uma reflexão sobre os dilemas, limites e a condição do ser humano.

Por fim, a ficção científica de Steven Spielberg em Ready Player One: Jogador 1,  a partir da adaptação do livro de Ernest Cline é, sobretudo, uma belíssima viagem nostálgica à década de 80 do século XX. É gratificante rever os elementos que faziam parte da cultura de massas da época a que se juntaram as inovações tecnológicas pois foi rodado em 3D. A ação frenética, apresentada como num jogo de vídeo tanto no mundo virtual como no real, representa um excelente entretenimento, o que constitui afinal um dos objetivos do cinema.

Luísa Oliveira

 

Read Full Post »

O período anterior à cerimónia dos Óscares é caracterizado pela estreia de algumas obras candidatas aos ambicionados prémios. Em fevereiro entre essas estreias destaca-se A forma da Água de Guillermo del Toro com treze candidaturas aos galardões máximos e que tem acumulado inúmeros prémios, embora o realizador tenha sido acusado de plágio. Mas, apesar disso, é uma agradável fábula romântica sobre a relação especial, em plena guerra fria, de dois seres de espécies diferentes, uma mulher muda, empregada de limpeza num laboratório governamental secreto e um ser anfíbio capturado na Amazónia que vive num tanque de água e será alvo de experiências científicas. O enredo é protagonizado por Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Octavia Spencer e Michael Stuhlbarg num ambiente em que os cenários reconstituem, de forma convincente, a atmosfera da época, os anos sessenta do século XX.

Igualmente candidato aos Óscares com seis nomeações, Linha fantasma marca o regresso de Paul Thomas Anderson numa obra em que se destaca a interpretação exemplar de Daniel Day-Lewis como Reynolds Woodcock, uma excêntrica figura da alta-costura britânica da década de 50, criada pelo realizador mas inspirada em criadores da moda europeia e americana. É uma belíssima obra com um enredo emocionalmente inquietante e intrigante que se desenvolve num ambiente de luxo e glamour na cidade de Londres no período pós guerra com uma adequada banda sonora do guitarrista  Jonny Greenwood.

Com três nomeações o drama,  Eu, Tonya de Craig Gillespie relata factos verídicos que envolveram  a  patinadora artística americana Tonya Harding na agressão à sua rival, Nancy Kerrigam, antes das Olimpíadas de inverno de 1994, em Lillehammer. A australiana Margot Robbie, no papel da patinadora que acabou por ser irradiada da patinagem artística, está nomeada para o Óscar de Melhor Atriz, enquanto  Allison Janney é  favorita para o Óscar de Melhor Atriz Secundária, no papel da  sua  abusiva mãe . As suas excelentes interpretações  valorizam um enredo de personagens absurdas em que sobressaem  os abusos  físicos e psicológicos  de que a patinadora era vítima  por parte da mãe e do marido.

Também baseado em factos reais que envolveram violência, Todo do Dinheiro do Mundo de Ridley Scott é inspirado na história do sequestro em julho de 1973, por mafiosos italianos, do adolescente John Paul Getty III, neto do magnata americano do petróleo John Paul Getty, interpretado por Christopher Plummer com nomeação para o Óscar de melhor ator secundário. O filme narra as tentativas desesperadas da  mãe do adolescente  em convencer o intransigente  avô bilionário  a pagar a elevada quantia exigida como resgaste,  assim como a relação que o refém vai estabelecer com um dos seus sequestradores.

Numa vertente diferente e sendo considerado um dos melhores filmes da temporada, temos um olhar real e duro sobre a América atual  em The Florida Project  de Sean Baker , sobre os  que não vivem o “sonho americano“ e que lutam, todos os dias, para sobreviver. Com interpretações realistas de atores estreantes destaca-se o veterano Willem Dafoe, candidato ao Óscar de melhor ator secundário, no papel de um gerente que tenta conciliar os valores humanitários com as preocupações económicas. Ainda sobre a América e a atualidade, o grande mestre do cinema clássico americano, Clint Eastwood, recria em 15:17 Destino Paris, a história verídica de três jovens americanos banais  que, em viagem pela Europa, se transformaram em heróis com um ato de coragem  impedindo um ataque terrorista  em 21 agosto de 2015. O filme demonstra como as pessoais consideradas normais são capazes de comportamentos excecionais em determinadas circunstâncias. É uma obra agradável em que três amigos se interpretam a si próprios com grande autenticidade fazendo esquecer que não são atores.

De super heróis trata o mais recente filme da Marvel Studios,  Black Panther  de Ryan Coogler, uma autêntica celebração da cultura  negra. Desde a sua estreia que se tem afirmado como um filme bastante rentável com um elenco de excelentes atores negros num enredo que explora a cultura e mitologia negra e a valorização das suas raízes. Ao longo da ação afirma-se também como uma obra inovadora e criativa que apresenta questões políticas, sociais e culturais, pois estão presentes as críticas e comentários à vida da comunidade afro-americana na atualidade.

Por fim,  é também digno de menção o filme português Amor, Amor, a segunda longa metragem de ficção de Jorge Cramez , referida como  “uma comédia dramática de enganos  sobre dois casais“ em que o fascínio e a provocação estão presentes.

Luísa Oliveira

Read Full Post »

Older Posts »