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Posts Tagged ‘Filmes’

No mês de maio o mundo cinematográfico esteve concentrado nos acontecimentos ligados ao festival de Cannes que decorreu com o glamour habitual. No vasto leque de prémios atribuídos os portugueses também foram contemplados pois o realizador Pedro Pinho venceu o Prémio FIPRESCI, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, pelo filme ‘A fábrica de nada’, estreado na Quinzena de Realizadores, secção paralela ao festival. Esta obra, interpretada por atores e não atores, segue a vida de um grupo de operários que tentam manter os seus locais de trabalho e evitar o encerramento da fábrica através de uma solução de autogestão coletiva.

Quanto a estreias em maio abrangeram vários géneros mas a referência especial vai para o belíssimo filme do suíço Claude Barras, um dos nomeados para o Óscar de melhor longa metragem de animação, A Minha Vida de Courgette que, utilizando as técnicas de manipulação de pequenos bonequinhos (“stop motion”), apresenta um emocionante e comovente retrato de um órfão que, na instituição onde vive, vai aprender o que significa estabelecer uma relação humana. Outra obra de animação, a primeira em 3D produzida pela equipa da TO Studio de Paris, Amarelinho, de Christian De Vita, tem como base de argumento as migrações de ave pelo que além de ser muito educativo também transmite uma mensagem sobre força de vontade e superação individual.

Os enredos ligados à 2ª guerra mundial, por seu turno, continuam a originar boas obras como é o caso da produção norueguesa A escolha do rei de Erik Poppe sobre a opção do rei Haakon da Noruega perante o ultimato dos alemães em abril de 1940. É uma obra importante pois demonstra como é determinante o papel de líderes honestos e corajosos na tomada de decisões em épocas cruciais para as nações. Ainda sobre a mesma época mas, neste caso, apresentando o contributo da população civil para mitigar os efeitos negativos do conflito, temos Heróis da nação da realizadora dinamarquesa Lone Scherfig, uma adaptação do best-seller de 2009 “Their Finest Hour and a Half”, da escritora inglesa Lissa Evans. Realça o esforço de mulheres nomeadamente na realização dos filmes de propaganda ingleses que contribuíram não só para levantar o moral das populações durante o Blitzkriegg, quando a Inglaterra estava na iminência de ser invadida pelos exércitos nazis, como também serviram para convencer os norte-americanos a entrarem no conflito.

Os argumentos de ação e aventura foram a base em várias películas como A Cidade  Perdida de Z  de James Gray,  história verídica do explorador e aventureiro inglês Percy Fawcett , que viaja ate à Amazónia no início do século XX e descobre provas de uma avançada civilização até então desconhecida, que terá habitado a região. Como a comunidade científica não aceita esta suposta descoberta, o obcecado explorador  retorna à região desaparecendo misteriosamente  em 1925.  Outra aventura mas, neste caso, no alto-mar, Pirata das Caraíbas: homens mortos não contam histórias de Joaquim Ronning e Espen Sandberg,  é a quinta película  da  lucrativa saga  da Disney com um  orçamento  record da história do cinema  no valor  de 320 milhões de dólares continuando a apresentar Johnny Depp como protagonista  no papel do carismático pirata Jack Sparrow.

Ridley Scott retoma o terror associado  à ficção científica  em  Alien: Covenant que certamente será do agrado de imensos cinéfilos que têm como culto a saga Alien. Igualmente os que preferem cenas com personagens mais ou menos históricas interessam-se por Rei Artur – a lenda da espada de Guy Ritchie,  que retoma um tema já tratado em muitas obras sobre luta pelo poder. Num género diferente que associa suspense a terror, Foge de Jordan Peele é uma obra perturbante que utiliza a sátira racial  para focar a hipocrisia de determinados grupos sociais em relação à diversidade étnica. Apesar dos vários momentos assustadores e arrepiantes que o filme apresenta é uma  obra aconselhável pela crítica implícita à hipocrisia da sociedade atual  sobre questões ligadas ao racismo.

Por fim o emotivo O sentido do fim de Ritesh Batra, a partir da obra homónima de Julian Barnes,  apresenta um conjunto de atores consagrados como Charlotte Rampling e Jim Broadbent  o que garante boas interpretações  num drama passado em duas épocas distintas sobre as consequências de determinadas escolhas de vida.

Luísa Oliveira

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Quem aprecia cinema está atento não só às estreias como a eventos ligados ao mundo cinematográfico. Como tal, a realização do Indie Lisboa de 3 a 14 maio terá, certamente, grande adesão do público como tem vindo a acontecer ao longo das treze edições anteriores. Prevê-se a apresentação de um conjunto de obras de grande interesse com inúmeras atividades dirigidas para diferentes faixas etárias e que enriquecem este evento.

Igualmente para usufruir a terceira edição da Festa do Cinema promete mais de dez mil sessões de cinema em todo o país a 2,5 euros entre os dias 22 e 24 de maio.

Em relação às estreias de abril assinalo as que considero de maior qualidade sendo que o destaque vai para a curiosa coprodução azerbaijana e britânica Ali e Nino de Asif Kapadia, uma mistura de história de amor e de guerra que decorre no início do século XX durante a luta do Azerbeijão pela independência. A paixão entre o príncipe mouro Ali, descendente de uma das grandes famílias que controla a produção petrolífera, e a princesa cristã ortodoxa Nino, da elite financeira georgiana, faz deste filme uma espécie de Romeu e Julieta. Esta obra que devido à sua temática teve estreia europeia, em março, no Parlamento Europeu, baseia-se no romance mais célebre da literatura do Azerbaijão, assinado pelo pseudónimo Kurban Said em 1937.

Também numa história de amor mas em tempos recentes, Javier Bardem e Charlize Theron são os protagonistas de The Last Face – A Última Fronteira de Sean Penn,   num cenário de guerra na sofrida Libéria com a ajuda humanitária internacional  a contribuir para minimizar a violência de  um conflito em que a vida humana não tem nenhum valor.

Abordando a mesma temática da esperança e resistência à barbárie extremista, O Jardim da Esperança de Niki Caro é mais uma obra sobre o terrível período da 2ª guerra mundial quando a Polónia é invadida pelas tropas nazis onde até o Jardim Zoológico de Varsóvia não foge ao controlo das tropas invasoras. Fundamentado em factos verídicos retratados no livro homónimo da escritora Diane Ackerman a partir dos diários de Antonina Zabinska que juntamente com o seu marido, diretor do Jardim Zoológico, conseguem salvar centenas de judeus colaborando com a Resistência.

Juntos para sempre de Lasse Hallstrom com Dennis Quaid é um filme para toda a família contado sob a perspetiva de um cão e que emocionará sobretudo os que gostam de animais. Baseado no romance bestseller A Dog’s Purpose de W. Bruce Cameron, é a história de um cão que nas diversas reencarnações encontra o significado da sua própria existência através das vidas dos humanos que ele ensina a rir e amar.

Já num género diferente, Ladrões Com Muito Estilo de Zach Braff é uma comédia que retoma um tema já tratado anteriormente de um grupo de idosos reformados que organiza um assalto a um banco como forma de resolverem as suas dificuldades financeiras – filme divertido que demonstra que atores como Morgan Freeman e Michael Caine, apesar da idade avançada, mantêm as suas qualidades artísticas.

Por fim, a coprodução portuguesa e são-tomense A Ilha dos Cães de Jorge António tem a particularidade apresentar a última prestação de Nicolau Breyner no cinema interpretando um sádico fazendeiro esclavagista. Adaptação do romance “Os senhores do areal”, do escritor angolano Henrique Abranches, é uma ficção passada em diferentes épocas em São Tomé e Príncipe e Angola, abordando a escravatura e a descolonização. Segundo o seu realizador na nota de intenções, o filme parte de um “tema forte e universal – o Homem versus a sua (própria) natureza … uma excelente premissa para criar um filme diferente, na medida em que as personagens se colocam e nos colocam questões pertinentes sobre como o presente resolve (ou não) as expetativas geradas no passado e como pode (ou não) projetar o futuro. Os cães representam a força da natureza e do que não pode ser subjugado”.

Luísa Oliveira

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No dia vinte e  três de março, no Centro Cultural de Belém,  foram entregues os Prémios Sophia, da Academia Portuguesa de Cinema, que  contemplou o filme Cartas de Guerra de Ivo Ferreira com 9 das 21 estatuetas distribuídas,  entre as quais as de Melhor Filme e Melhor Realização. Esta obra que tinha 11 nomeações foi feita a partir da correspondência entre o escritor António Lobo Antunes e a primeira mulher, Maria José, quando esteve destacado em Angola, durante a Guerra Colonial: “Cartas da Guerra” deixa um retrato sobre “a maior tragédia portuguesa do século XX”, como o realizador disse à Lusa, quando a longa-metragem teve estreia em sala, em setembro do ano passado.

A memória da Guerra Colonial passa igualmente por “Estilhaços”, de José Miguel Ribeiro, que juntou o Prémio de Melhor Curta-Metragem de Animação, ao seu rol de distinções enquanto Balada de um Batráquio de Leonor Teles recebeu o Sophia de Melhor Documentário em Curta-Metragem. A Academia Portuguesa de Cinema distinguiu ainda o ator Ruy de Carvalho com o Prémio Mérito e Excelência, assinalando os seus 90 anos de vida e 75 de carreira assim como atribuiu os prémios Sophia Carreira à atriz Adelaide João e ao diretor de fotografia Elso Roque.

Quanto a estreias, começo com filmes de ficção científica com o interessante O Espaço Que Nos Une de Peter Chelsom, uma forma diferente e curiosa de abordar este género numa história de amor e de perda a partir da primeira missão de colonização do planeta Marte e das dúvidas e interrogações do primeiro humano nascido no planeta vermelho. Igualmente de ficção científica, o thriller espacial Vida inteligente de Daniel Espinosa remete-nos para a série de culto Alien e, por isso, aguarda-se a sequela desta obra claustrofóbica. A recolha de uma amostra do solo de Marte por um grupo de cientistas da estação espacial internacional conduz não só à primeira prova de existência de vida extraterrestre como também é o ponto de partida para momentos de tensão e um conjunto de acções violentas e sangrentas que levam a classificar esta obra também de terror.

Para os apreciadores de argumentos românticos e baseados em factos verídicos Um  Reino Unido de Amma Asante  a partir de factos ocorridos no final da década de 40 do século XX envolvendo  o casamento  do  príncipe herdeiro do Botswana, Seretse Khama  e  Ruth  Williams, britânica e branca. Um amor que causou grande polémica pois o casal embora exilado do Botswana  resistiu às  pressões  familiares e políticas,   numa época em que o colonialismo  e o apartheid sul africano dominavam, causando também solidariedade internacional. Quando o território se torna independente em setembro de 1966 Seretse Khama torna-se Presidente, cargo que ocupará até à sua morte em 1980.

Igualmente sobre relações amorosas e  desejo feminino  o filme  francês  Um Instante de Amor de Nicole Garcia baseado na obra homónima de Milena Agus com Marion Cotillard a brilhar no papel de uma mulher em conflito  e na  busca do amor  numa sociedade conservadora no  pós 2ª guerra Mundial. A Warner Bros. Pictures e Legendary Pictures e os japoneses da Toho recriam a origem do mítico King Kong  em  Kong: Ilha da Caveira numa emocionante e original aventura do realizador Jordan Vogt-Roberts . Neste filme a equipa de exploradores integra elementos ligados a departamentos governamentais e militares de que fazem parte os  protagonistas Brie Larson como fotógrafa, Tom Hiddleston  Samuel L. Jackson e John Goodman, nesta   nova versão de exploração numa ilha desconhecida do Pacífico. A aventura original envolvendo esta figura clássica data de 1933 e, embora ao longo dos tempos tenha tido várias  versões, o argumento baseia-se  sempre na oposição entre o avanço tecnológico e os seres de um mundo primitivo.

Outra adaptação, mas neste caso do clássico de animação de 1991, A Bela e o Monstro de Bill Condon é uma versão com modernos efeitos especiais digitais que partilham com os atores a composição das cenas. Sem caráter lúdico, o horror do Holocausto serve de base a uma obra cinematográfica em Negação de Mick Jackson a partir de factos reais sobre a disputa judicial envolvendo uma historiadora do Holocausto e um negacionista do mesmo.  Baseado no famoso livro “Denial: Holocaust History on Trial” que a historiadora norte-americana Deborah Lipstadt escreveu como ré no processo de difamação movido por David Irving que nega a existência do Holocausto. Com um excelente elenco é uma obra actual numa época em que vivemos com conflitos entre crenças religiosas e ideológicas esquecendo-se muitos factos históricos.

Também sobre memórias e resistência, temos a interessante obra do realizador brasileiro Kleber Mendonça Filho Aquarius, em que a veterana Sónia Braga interpreta uma viúva aposentada que recusa vender o seu apartamento lutando contra as pressões de que é vítima. Por fim, um divertido e comovente filme sueco nomeado para os Óscares de Melhor filme estrangeiro e de Melhor maquilhagem Um homem chamado Ove de Hannes Holm  a partir do best seller homónimo de Fredrik Backman.  Esta obra agradável consegue equilibrar situações de humor negro com os bons sentimentos de uma personagem que mantém as mesmas rotinas, zangas com os vizinhos e paixão pela mulher morta. É uma obra que enfatiza a importância da tolerância e da entreajuda na comunidade como forma das pessoas demonstrarem os valores e caráter que têm.

Luísa Oliveira

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Embora o tema principal do mês seja a cerimónia dos Óscares de Hollywood, é de destacar, por um lado, a atribuição do Urso de melhor filme na Berlinale Short a Diogo Costa Amarante  com Cidade Pequena, um filme estreado no Curtas Vila do Conde. Por outro lado, Gabriel Abrantes viu o seu Os Humores Artificiais nomeado para o prémio de melhor curta-metragem dos Prémios do Cinema Europeu de 2017, os chamados Óscares da Academia europeia. Quanto ao Cineclube Impala, a funcionar no centro comercial O Pescador na Costa de Caparica, inicia, no mês de março, o ciclo dedicado a Woody Allen com projeção, às 5ª feiras de cinco obras deste emblemático realizador.

No que respeita à 89ª edição dos Óscares da Academia de Hollywood, ela será sempre lembrada pelo momento insólito causado pela troca de envelopes aquando da indicação de melhor filme inicialmente atribuído a La La Land mas que momentos depois foi retificada, sendo o vencedor o excelente drama Moonlight de Barry Jenkins. Um embaraço histórico de uma cerimónia marcada pelas críticas a Trump mas que foram ofuscadas pela situação vivida no final.

Moonlight foi uma das estreias de fevereiro e das oito nomeações recebeu três, pois também foi distinguido com os prémios de melhor argumento original e de ator secundário atribuído a Mahershala Ali. Inspirado num  projecto, nunca apresentado, do dramaturgo Tarell Alvin McCraney, “In Moonlight Black Boys Look Blue” apresenta três momentos distintos da vida de Chiron, um jovem afro americano introvertido e solitário vivendo num bairro problemático de Miami enquanto faz o seu percurso em busca da identidade própria apoiado na figura de um traficante local e de sua mãe, uma enfermeira viciada em crack. É uma história densa e violenta, típica da periferia de Miami, onde McCraney e Jenkins cresceram.

Mas o vencedor da noite foi, sem dúvida, La La Land  de Damien Chazelle que  se tornou no mais jovem realizador a ganhar o prémio de melhor realização que se veio juntar a outros cinco entre os quais o  da fabulosa banda sonora.

Entre os inúmeros prémios realce para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro do filme The Salesman, de Asghar Farhadi, do Irão pois tanto o realizador como os atores não compareceram à cerimónia como protesto contra as medidas xenofóbas de Trump, tendo sido  representados por duas figuras iranianas de grande relevância nos Estados Unidos: a engenheira Anousheh Ansari, primeira mulher a fazer turismo espacial, e Firouz Naderi, antigo diretor de explorações solares da NASA.

Outra estreia de fevereiro foi Vedações de Denzel Washington que valeu, o merecido reconhecimento, a Viola Davis com o Óscar de melhor atriz secundária tornando-se na primeira atriz afro-americana a acumular  este prémio com o Tony e Emmy. Baseia-se na premiada peça teatral homónima de August Wilson e retrata, com diálogos intensos e comoventes, uma história familiar na década de 1950, época de descriminação racial.

Também sobre a descriminação racial, Elementos secretos de Ted Melfi apresenta a história desconhecida e valiosa do importante contributo para a corrida espacial da NASA de brilhantes mulheres afro-americanas.

Igualmente sobre momentos históricos americanos, tivemos Jackie de Pablo Larraín, com Natalie Portman a interpretar a  bela e misteriosa Jacqueline Kennedy, mulher do presidente americano John Kennedy assassinado em  22 de novembro de 1963.

Outra obra didática e quando estamos a viver uma época em que sopram, novamente, os ventos da intolerância, Stefan Zweig – adeus Europa de Maria Schrader relata episódios  da vida  do escritor e pacifista judeu austríaco perseguido pelos nazis, que previu o declínio da Europa. Exibido, anteriormente, na Mostra de Cinema de Expressão Alemã é apresentado como um documentário histórico sobre uma das grandes personagens do século XX durante o seu exílio no continente americano até ao suicídio em Petropólis, Brasil, em 1942.

Outra obra com enredo no século passado, Mulheres do século XX de Mike Mills é uma agradável comédia dramática autobiográfica sobre as memórias do realizador relacionadas com o papel que as figuras femininas tiveram no seu percurso de vida .

Por seu turno, Toni Erdmann de Mare Ade é um premiado filme que, além de distinguido com inúmeros galardões pela Academia europeia de cinema e de nomeações para vários festivais, foi o representante da Alemanha ao Óscar de melhor filme estrangeiro. Apesar de longo é uma obra divertida que tem como base a relação familiar conturbada entre pai e filha e a forma como vai evoluir de maneira a criarem laços afectivos.

Os que consideram Trainspotting de 1996 de Danny Boyle um filme de culto devem aprovar a sequela com o mesmo elenco. Este segundo filme, baseado no livro de Irvine Welsh intitulado Porno, passa-se nove anos depois dos eventos da primeira longa-metragem com o tema habitual relacionado com a autodestruição, a heroína, a vingança e a amizade.

Por fim, da longínqua Nova Zelândia, chega-nos O Patriarca de Lee Tamahori,  baseado no livro de Witi Ihimaera  Bublibasha: King of the Gypsies. Com ação na década de 1960, apresenta um drama familiar centrado na disputa entre duas famílias mahori envolvidas na indústria de lã. Embora o enredo não seja original, o filme vale pela banda sonora e pelas belíssimas paisagens da Nova Zelândia rural além de que é sempre enriquecedor ver cinematografia de outros países além das produções europeias e norte-americanas.

Termino com uma referência especial à 16 ª edição da Monstra Festival de Animação de Lisboa, a decorrer de 16 a 26 março, com a Itália como país convidado, exibindo uma programação aliciante e diversificada, abrangendo obras de várias proveniências que, certamente, irão agradar aos cinéfilos.

Luísa Oliveira

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No mês das nomeações para os Óscares não é demais relembrar que bem perto de nós há iniciativas que valorizam as obras cinematográficas. É o caso do Cineclube Impala  no Auditório da Costa de Caparica  localizado no Centro comercial O Pescador  que, todas as quintas feiras, apresenta filmes enquadrados em ciclos sendo o de fevereiro  dedicado ao  excelente cinema francês.

Quanto às nomeações para a 89ª edição dos Óscares, o anúncio para as vinte e quatro categorias  foi feito apenas via Internet estando a cerimónia marcada para 26 de fevereiro em Los Angeles, com apresentação de Jimmy Kimmel.

Não foi surpresa o facto da obra LA LA Land de Damien Chazelle ter sido a mais nomeada  pois tem arrecadado prémios em vários festivais e  com 14 nomeações  em treze categorias (duas canções para o prémio de melhor canção original) iguala recordes anteriormente atingidos. É um filme bastante agradável e apesar de representar o regresso do musical, um género com poucos apreciadores, não deixa de ser uma história de amor sem final feliz entre uma pretendente a atriz e um pianista, papéis desempenhados por Emma Stone e Ryan Gosling num argumento que também salienta importância de cada um nunca desistir dos seus sonhos.

Outro filme premiado com seis nomeações é o excelente drama Manchester By the Sea de  Kenneth Lonergan, com um elenco de grande qualidade encabeçado por Casey Affleck  que, de forma simples e subtil, apresenta uma personagem que  carrega o fardo da culpa e a dor de uma tragédia pessoal. Este ator tem uma interpretação soberba nesta obra comovente e intimista sobre situações pessoais e familiares de dor e perda, no presente e no passado mas também apresenta momentos divertidos a partir de situações do quotidiano.

Num género diferente, A Morte de Luís XIV, do realizador catalão Albert Serra, é mais indicado para os que apreciam enredos mais ou menos credíveis envolvendo figuras históricas, neste caso, o poderoso Rei Sol nos seus momentos finais. O filme de Albert Serra teve grande êxito em Cannes, tendo o seu protagonista, Jean-Pierre Léaud, recebido a Palma de Ouro pelo conjunto da sua carreira.

Um filme oportuno, já que a política americana está na ordem do dia, Miss Sloane – Uma Mulher de Armas, do conceituado John Madden, é um interessante thriller  sobre os meandros do poder político americano,com Jessica Chastein  no papel de uma lobista profissional.

Uma estreia aguardada, pois envolve situações vividas por portugueses, Silêncio, do prestigiado Martin Scorsese, adapta o romance homónimo de Shusaku Endo sobre a violenta história do cristianismo no Japão nomeadamente no século XVII. Liam Neeson interpreta o padre jesuíta português Cristóvão Ferreira cuja informação de que tinha renunciado a Deus leva dois jovens jesuítas àquele território distante.  É um filme que provoca reações e análises diversas sobre o martírio e os limites da fé face à tortura e agonia e de como é interpretado o silêncio de Deus face os mártires.

Por fim, A Desaparecida, o Aleijado e os Trogloditas de S. Craig Zahler, apesar de classificado como um western, faz lembrar filmes de terror pela crueza e violência  apresentada na busca por uma mulher raptada por canibais, caracterizando de uma forma autêntica  o velho oeste americano.

Luísa Oliveira

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Em dezembro foram atribuídos os prémios do cinema europeu numa cerimónia realizada na cidade polaca de Wroclaw, sendo o grande vencedor a obra Toni Erdmann da realizadora Maren Ade, considerado o Melhor Filme Europeu de 2016, que acumulou com os prémios de melhor realização, argumento e atores. Esta co-produção entre Alemanha, Áustria e Roménia, que explora a complexa relação entre uma rica empresária e o seu excêntrico pai, teve a antestreia mundial no Festival de Cannes, onde recebeu o prémio FIPRESCI e, desde então, tem acumulado várias nomeações e galardões. É o candidato da Alemanha ao Óscar de Melhor Filme Estrangeira.
No que respeita às estreias nacionais na época natalícia, a comédia Festa de Natal da Empresa de Josh Gordon e Will Speck apresenta a fórmula habitual para o sucesso: elenco com atores credíveis, como Jennifer Aniston, e situações cómicas e diversificadas que oferecem momentos de boa disposição.
Mas também estrearam dramas que levam muitos espectadores às lágrimas, destacando-se entre estes Lion – a longa estrada para casa de Garth Davis. A história do menino indiano, Saroo Brierley, perdido da família e adotado por um casal australiano e que, através do Google Earth, encontra a sua aldeia Kwanda e a sua família biológica passados 25 anos. É um filme emocionante baseado na obra autobiográfica “ a long day home” e já se perfila como um forte candidato aos Óscares 2017. Referência especial ao papel desempenhado por Sunny Pawar, com cinco anos transmite a angústia de uma criança sozinha a enfrentar o mundo, realidade cruel do abandono infantil com milhares de crianças que desaparecem nas ruas de cidades e em que a grande maioria não teve a sorte da personagem do filme.
Outra obra que é um autêntico melodrama é Luz entre oceanos de Derek Cianfrance, baseado num romance da escritora australiana ML Steadman . Apresenta uma cuidadosa recriação da época pós 1ª guerra mundial, com uma paisagem idílica e campestre como pano de fundo e um enredo sobre as consequência de decisões emotivas.
Num género diferente, A dançarina de Stéphanie Di Giusto é uma adaptação da obra do crítico de arte Giovanni Lista sobre a bailarina e coreógrafa de finais do século XIX e princípios do século XX, Loie Fuller, que revolucionou a dança contemporânea. É uma agradável película sobre a sua relação de amizade e rivalidade com outro ícone da dança, Isadora Duncan.
A 2ª guerra mundial continua a servir de base a argumentos cinematográficos, como é o caso de Aliados de Robert Zemeckis, com Brad Pitt e Marion Cotillard interpretando um par amoroso no meio de espionagem e suspense, e de O número de Atom Egoyan com Christopher Plummer no papel de um antigo prisioneiro do campo de concentração de Auschwitz que, com um amigo, deseja encontrar o responsável pelo massacre das suas famílias.
Os fãs das aventuras de ficção científica têm contribuído para os recordes de bilheteira de Rogue One: uma história de Star Wars de Gareth Edwards , spin-off produzido pela Disney com base na saga Guerra das Estrelas com a eterna luta entre as forças do bem e do mal e muitos efeitos especiais a completar uma obra interessante. Igualmente de ficção científica, mas que pode ser classificado como uma comédia romântica no espaço, com Jennifer Lawrence a brilhar, Passageiros do norueguês Morten Tyldum demonstra que, apesar da evolução científica/tecnológica com naves espaciais a voarem perto da velocidade de luz e a possibilidade de sobreviver em hibernação durante centenas de anos, os homens continuam dominados por sentimentos como o amor e a compaixão.
O veterano realizador Ken Loach continua com um olhar crítico e acusador sobre o Estado britânico em Eu, Daniel Blake, vencedor da Palma de Ouro da 69ª edição do festival de Cannes 2016, além de outros prémios em vários festivais. Com atores profissionais e não profissionais, é uma excelente obra sobre a dignidade humana e o direito de lutar contra as injustiças sociais a partir do caso de um operário que sobrevive a um ataque cardíaco mas não à burocracia do Estado social.
Por fim, na produção nacional, estreou-se A mãe é que sabe de Nuno Rocha, uma comédia curiosa sobre uma família disfuncional, com passagens em épocas diferentes e sendo, por isso, as mesmas personagens interpretadas por distintos actores. Esta mescla de fantasia, viagens no tempo e universos paralelos proporciona momentos divertidos além de ser sempre gratificante ver bons atores portugueses.

Luísa Oliveira

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As primeiras décadas do século XX e, principalmente, a 2ª guerra mundial são fontes inesgotáveis de argumentos cinematográficos e as estreias do mês de novembro demonstram isso mesmo.

Começo com duas obras recomendáveis em que sobressai a esperança no futuro mesmo em momentos de desespero sendo que uma delas, As inocentes de Anne Fontaine, venceu o Prémio do Público na Festa do cinema francês e é considerado um dos melhores filmes do ano. A partir da história verídica de uma médica comunista da Cruz Vermelha francesa que auxilia as freiras de um convento da Polónia, violadas por soldados soviéticos no final da 2ª guerra mundial, assistimos a um turbilhão emocional, psicológico e espiritual envolvendo as protagonistas e as angústias e interrogações desencadeadas pelo momento em que vivem.

Um olhar diferente sobre as tropas soviéticas, a partir da inocência e imaginação de uma criança, é apresentado no filme A primavera de Christine de Mirjam Unger. Com ação em Viena, baseia-se na obra autobiográfica de Christine Nöstlinger, a autora mais famosa de livros infantis na Alemanha e na Áustria e que viveu os terríveis acontecimentos como uma aventura.

Em sentido contrário a emergência do mal surge em A Infância de um Líder, a estreia como realizador de Brady Corbert vencedor do Prémio “Revelação TAP 2015” do Lisbon and Estoril Film Festival (LEFFEST), e dos Prémios “Melhor Primeiro Filme” e “Melhor Realizador” (Orizzonti Award) no 72º Festival de Cinema de Veneza. Baseado no conto homónimo de Jean-Paul Sartre (1939), o filme tem a função de um documentário pois é uma visão assustadora sobre a ascensão do fascismo no Século XX.

Mas há sempre chance de dizer não e de resistir-se ao mal e a película Sózinhos em Berlim de Vincent Pérez, adaptação da obra homónima de Hans Fallada, dá conta disso, com a verdadeira história de coragem  dos resistentes ao nazismo, Otto e Elise Hampel, executados pelo regime por terem apelado à desobediência  aos nazis.

Igualmente sobre factos deste período, O herói de Hacksaw Ridge de Mel Gibson é um relato verídico e violento sobre o único soldado americano, Desmond Doss, que participou na batalha de Okinawa sem estar armado pois era objector de consciência. Médico do exército, consegue salvar 75 pessoas tendo sido condecorado com a medalha de honra do Congresso americano.

Num registo diferente mas igualmente do género drama, Chocolate de Roschdy Zem apresenta o primeiro palhaço negro nos palcos franceses, Rafael Padilla, um ex-escravo de origem cubana que fugiu para a França no final do século XIX e tornou-se uma estrela em Paris com a ajuda de seu parceiro Tony Grice, conhecido como o palhaço Footit. Chocolat usou o riso para lutar contra o preconceito e o ator Omar Sy tem uma interpretação perfeita como protagonista, mostrando  a ambivalência  de  um homem que deseja ser rico e livre mas que reconhece que  ainda  é controlado e manipulado por outros.

Ewan McGregor estreou-se na realização com American Pastoral baseado no notável romance homónimo de Philip Roth que valeu a este escritor o Prémio Pullitzer . Um filme inquietante sobre o sonho americano e as contradições de ser americano entre os que consideram, orgulhosamente, a América a terra das oportunidades e os que a vêem como símbolo do mal.

Num registo diferente dos anteriores a aventura e divertimento de Monstros fantásticos e onde encontrá-los de David Yates. A famosa escritora J.K. Rowling estreou-se como argumentista numa obra com personagens mágicas em que sobressai o expressivo Eddie Redmayne como um herói atrapalhado mas muito decidido em lutar pelo que considerava justo e correto. Esta obra é um bom regresso ao universo mágico “Harry Potter” aguardando-se com expetativa os quatro filmes que se seguirão.

Luísa Oliveira

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