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Posts Tagged ‘Química’

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the-nobel-literature-prize-2016-bob-dylanA temporada dos prémios Nobel 2016 vai estar sempre ligada à polémica causada pela atribuição do galardão da Literatura a Bob Dylan pois é a primeira vez que um músico ganha o citado prémio. Na verdade, esta escolha não deixou ninguém indiferente desencadeando perplexidade que se manifestou tanto no apoio como no desacordo, sendo neste último caso o mais evidente o do escritor peruano Mario Vargas Llosa, Nobel da Literatura de 2010. Este, durante a cerimónia em que lhe foi atribuído o grau de Doutor Honoris Causa, pela Universidade de Burgos, em Espanha, criticou a “cultura de espetáculo” que impera na sociedade atual questionando se no próximo ano o prémio não será entregue a um futebolista. O escritor Gary Shteyngart, ironicamente, por seu lado, diz que entende que para o comité sueco, “ler um livro é difícil”. Entre os que concordaram com a atribuição o destaque vai para o escritor Salman Rushdie que considerou uma “ótima escolha”.

A polémica aumentou pelo facto de Bob Dylan, tardar a reagir à distinção, não atendendo telefonemas e mensagens da Academia Real Sueca reconhecendo, mais tarde, que se sentia honrado pela atribuição do prémio, embora não possa estar presente na cerimónia de entrega do mesmo em 10 de dezembro, dizendo que tinha “ compromissos prévios”. No entanto, nos seis meses seguintes à cerimónia terá de fazer o discurso de aceitação que é o único requisito exigido aos laureados e, como tal, aguardam-se novos desenvolvimentos, embora esta situação não seja inédita e já aconteceu, por diversas razões, nomeadamente com Doris Lessing, Harold Pinter e Elfriede Jelinek.  Em mais de um século de história dos Nobel da Literatura, apenas dois autores recusaram o prémio: em 1958, por pressão do poder soviético, Boris Pasternak, viu-se obrigado a rejeitar a honra, recebendo o prémio mais tarde e, em 1964, foi a vez do francês existencialista Jean Paul Sartre  não aceitar o prémio.

the-nobel-medicine-prize-2016-yoshinori-ohsumiMas, naturalmente, esta polémica não pode ofuscar o mérito dos restantes galardoados. Assim, o Nobel da Medicina, foi atribuído ao japonês Yoshinori Ohsumi, professor no Instituto de Tecnologia de Tóquio, por ter contribuído, de forma decisiva, para que fossem conhecidos os mecanismos da autofagia celular. Em comunicado, a Academia refere que o laureado “descobriu e elucidou sobre os mecanismos da autofagia, um processo fundamental para a degradação e reciclagem dos componentes celulares”. Yoshinori Ohsumi, especialista em biologia celular, conseguiu através de uma série de experiências com fermento de padeiro identificar os genes essenciais para a autofagia, no início da década de 90 do século passado. As suas descobertas abriram o caminho à compreensão da importância fundamental da autofagia em muitos processos fisiológicos, como a adaptação à fome ou a resposta à infecção concluindo-se, também, que as mutações nos genes da autofagia podem provocar doenças e o próprio processo autofágico está envolvido em diversos problemas, incluindo o cancro e a doença neurológica.

Quanto ao  Prémio Nobel da Física, foi atribuído a três britânicos: David Thouless, Duncan Haldane e Michael Kosterlitz, pois graças ao seu trabalho pioneiro  nas décadas de 70 e 80, revelaram os segredos da matéria exótica no mundo quântico contribuindo para a comunidade científica procurar novas e exóticas fases da matéria com  potenciais aplicações, tanto na ciência de materiais como na electrónica. Segundo o comunicado da Real Academia Sueca das Ciências, “os laureados deste ano abriram a porta para um mundo desconhecido onde a matéria pode assumir estados estranhos. Usaram métodos matemáticos avançados para estudar fases, ou estados, pouco habituais da matéria, como os supercondutores, superfluidos ou películas magnéticas finas”.

O Prémio Nobel da Química  foi atribuído ao francês Jean-Pierre Sauvage, ao escocês J. Fraser Stoddart e ao holandês Bernard L. Feringa, pelo desenho e síntese de máquinas moleculares, a miniaturização da tecnologia, pelo desenvolvimento de moléculas com movimentos controláveis quando lhes é fornecida energia resultando na criação das máquinas mais pequenas do mundo – mil vezes mais pequena que um fio de cabelo. O comunicado da Academia salienta que “[Ainda assim,] em termos de desenvolvimento, o motor molecular está ao mesmo nível que o motor elétrico estava em 1830, quando os cientistas exibiam máquinas elétricas capazes de mover pedais e rodas, mas não sabiam que essas máquinas iriam tornar-se comboios, máquinas de lavar, ventoinhas e processadores de alimentos”. Esta área de investigação apresenta inúmeras aplicações, nomeadamente na Medicina.

O Prémio Nobel da Economia foi atribuído ao britânico Oliver Hart e ao escocês Bengt Holmström, dois professores de universidades norte-americanas de Harvard e MIT que estudam a teoria dos contratos, isto é, o estudo sobre a forma como os contratos de trabalho e outros são construídos para servirem de base às relações económicas. A Academia, em comunicado, refere que “as novas ferramentas teóricas criadas por Hart e Holmström são valiosas para compreender os contratos e as instituições na vida real, bem como potenciais fracassos na conceção de contratos”.

the-nobel-peace-prize-2016-juan-manuel-santosPor fim, o Nobel da Paz distinguiu o presidente colombiano Juan Manuel Santos pelos esforços de paz com a guerrilha marxista das FARC para pôr fim a 50 anos de guerra civil que causou mais de 220 mil mortos no país e que resultaram, no dia 26 de Setembro, na assinatura do acordo de paz negociado durante quatro anos em Cuba. E apesar da vitória do Não no referendo de 2 outubro, Kaci Kullmann Five, a presidente do Comité Nobel sublinhou que o resultado do referendo torna ainda mais importante que Santos e as FARC respeitem o cessar-fogo destacando que  “o facto de a maioria do povo ter dito não ao acordo não significa que o processo de paz esteja morto”.  Juan Manuel Santos tornou-se, assim, no 26.º chefe do Estado a receber um Nobel e a  América Latina volta a receber o galardão da Paz depois da vitória de Rigoberta Menchu em 1992, pela sua defesa das mulheres indígenas.

Luísa Oliveira

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Mantendo a tradição, o mês de outubro começou com a indicação dos laureados para os prestigiados Prémios Nobel. O primeiro anúncio foi para o de Medicina  e Fisiologia sendo  galardoados  os investigadores norte-americano William C. Campbell, japonês Satoshi Omura e chinesa Youyou Tu. Enquanto Campbell e Omura foram distinguidos pelas descobertas relacionadas com uma nova terapia para combater infeções provocadas por parasitas como lombrigas, Youyou Tu vai receber o prémio por uma inovadora terapia contra a malária. O contributo destes investigadores no combate de doenças mortais causadas por vermes parasitas e da eficácia dos medicamentos Avermectin no combate a doenças parasitárias e do Artemisinin, que contribuiu para reduzir a taxa de mortalidade entre os que contraíram malária foi enaltecido no comunicado do júri em que é referido que “as doenças provocadas por parasitas têm afetado a humanidade há milénios e constituem um problema sanitário global. Em particular, as doenças parasitárias afetam as populações das regiões mais pobres do mundo e representam uma grande barreira à melhoria da saúde e do bem-estar. Este ano, os laureados pelo Nobel desenvolveram terapias que revolucionaram o tratamento de algumas das mais devastadoras doenças parasitárias”. Realçaram, igualmente, que “as duas descobertas concederam à humanidade meios poderosos para combater este tipo de doenças debilitadoras que afetam anualmente milhões de pessoas em todo o mundo. São imensas as consequências para a melhoria da saúde humana e para a redução do sofrimento”.

medicina e fisiologia

Medicina e Fisiologia

Quanto ao Nobel da Física, os contemplados foram Takaaki Kajita e Arthur B. McDonald sendo que a investigação contemplada também tem participação portuguesa, porque a experiência liderada por McDonald integrava, na altura, dois físicos do LIP – Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas  de Coimbra  destacando-se que o grupo português continua a trabalhar com o cientista canadiano. Com investigações separadas o japonês Takaaki Kajita e o canadiano

Física

Física

Arthur B. McDonald solucionaram o enigma sobre os neutrinos (partículas elementares mais abundantes no universo) que emitidos pelo Sol não chegavam à Terra, tendo concluído que aqueles não se perdem, apenas mudam de “sabor”, e isso significa que, afinal, têm massa. Segundo o júri, o estudo “mudou a nossa compreensão dos mecanismos internos da matéria e pode ser crucial para a nossa visão do universo”.

O  Nobel da Química premiou Tomas Lindahl, Paul Modrich e Aziz Sancar, pelos estudos mecanicistas da reparação do ADN. Os três investigadores conseguiram mapear, a nível molecular, como é que as células reparam o ADN danificado e salvaguardam a informação genética. O sueco Tomas Lindahl, do Instituto Francis Crick e do Laboratório Clare Hall, em Hertfordshite, no Reino Unido, provou que o ADN se deteriora a uma taxa que faria com que a vida na Terra fosse impossível. Por isso, percebeu que tinha de existir um mecanismo que vai contra o colapso do nosso ADN: a reparação de excisão de base. Paul Modrich, do Instituto Médico Howard Hughes e da Faculdade Médica da Universidade de Duke, demonstrou como a célula corrige os erros ocorridos quando o ADN é replicado através da divisão das células. Ao mecanismo, chama-se excisão da incompatibilidade. O turco Aziz Sancar, da Universidade da Carolina do Norte, mapeou a reparação de excisão dos nucleótidos que é usada pelas células para reparar os danos dos raios ultravioleta no ADN. As pessoas que nascem com defeitos neste sistema desenvolvem cancro da pele se forem expostas à luz do sol.  Segundo o júri, os cientistas contribuíram para o conhecimento fundamental sobre o funcionamento de uma célula viva, o que pode ser crucial no desenvolvimento de novos tratamentos para o cancro.

química

Química

Literatura

Literatura

O 112.º laureado com o prémio Nobel de Literatura é a escritora e jornalista bielorrussa Svetlana Aleksievitch, a 14.ª mulher a receber o galardão. Alexievich foi escolhida pela sua “obra polifónica, um monumento do sofrimento e da coragem em nosso tempo”.  Esta nomeação não constituiu surpresa pois a escritora e jornalista bielorussa já era apontada antes, pela imprensa internacional, como a favorita para receber o galardão. Em Portugal, apenas uma das suas obras está publicada, O Fim do Homem Soviético – Um Tempo de Desencanto, livro vencedor do Prémio Médicis Ensaio e indicado pela revista Lire como Livro do Ano 2013 em França. Aguardam-se, por isso, novas publicações sobre a escritora de obras de não ficção e cujos temas estão ligados à história da URSS e há identidade russa.

O sempre aguardado  anúncio do Prémio Nobel da Paz surpreendeu todos com a atribuição ao Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia pela contribuição para a construção de uma democracia pluralista após a Revolução de Jasmim de 2011. O Quarteto integra quatro “organizações chave” da sociedade civil tunisina: A União Geral dos Trabalhadores da Tunísia (UGTT), A Confederação de Indústria, Comércio e Artesanato da Tunísia (UTICA), A Liga dos Direitos Humanos da Tunísia (LDHT) e da Ordem Nacional dos Advogados da Tunísia (ONAT) e  contribuíram  para que o país se mantivesse numa sociedade democrática  após a Primavera Árabe. Como tal o comité norueguês reconhece “Um factor esssencial para que revolução da Tunísia tenha culminado em eleições pacíficas e democráticas no Outono passado foi o esforço feito pelo Quarteto para apoiar o trabalho da Assembleia Constituinte e garantir que a população apoiasse o processo constitucional. O Quarteto abriu caminho para um diálogo pacífico entre os cidadãos, os partidos políticos e as autoridades e ajudou a encontrar soluções de consenso num vasto leque de divisões políticas e religiosas”. Destacou ainda “o contributo decisivo para a construção de uma democracia pluralista na Tunísia” e disse esperar que o prémio sirva para consolidar a democracia naquele que é hoje o único caso de sucesso das revoltas no mundo árabe. O Quarteto de Diálogo para a Tunísia é, segundo o comité de Oslo, a principal razão pela qual o país não caiu na mesma instabilidade e autoritarismo que foram o destino das revoluções árabes no Egipto e Líbia e “Mostra que movimentos islamitas e políticos conseguem trabalhar em conjunto e atingir resultados significativos no melhor interesse do país” acrescentando que  “tem esperança de que o prémio deste ano contribua para a preservação da democracia na Tunísia e que este seja uma inspiração para todos os que procuram promover a paz e a democracia no Médio Oriente, Norte de África e no resto do mundo”.

Paz

Paz

deaton_economia

Economia

Por fim o Nobel das Ciências Económicas, contemplou o professor de origem escocesa da Universidade de Princeton, Angus Deaton por “ projetar uma política económica que promova o bem-estar e reduza a pobreza, devemos primeiro entender as escolhas de consumo individuais e mais do que ninguém, Angus Deaton tem reforçado esse entendimento contemplando o seu  trabalho de pesquisa sobre os temas do consumo, pobreza e economia do bem estar”. Aquando da sua participação na conferência de imprensa em que foi anunciado o prémio, via telefone, foi questionado sobre crise dos refugiados e respondeu que esta é o resultado das “barreiras” que existem entre o “mundo pobre e o mundo rico”, ao cabo de “séculos de desenvolvimento desigual”. “A redução da pobreza nos países pobres pode resolver o problema, ainda que não por muito tempo”, respondeu o académico.

nobelprisutdelning_07_06_sthlmCumprindo a tradição no dia 10 dezembro, aniversário da morte do patrono Alfred Nobel, serão entregues aos laureados o diploma, medalha e importância monetária de acordo com as receitas da Fundação Nobel. E, como também é habitual, as cerimónias de entrega serão rodeadas de algum esplendor como reconhecimento do esforço dos contemplados para o progresso da humanidade.

Luísa Oliveira

imagens daqui e daqui

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Aminoacido: estrutura geral

Aminoácido: estrutura geral

As proteínas estão presentes em todos os seres vivos e participam em praticamente todos os processos celulares, desempenhando um vasto conjunto de funções no organismo, como a replicação de ADN, a resposta a estímulos e o transporte de moléculas. Muitas proteínas são enzimas que catalisam reações bioquímicas vitais para o metabolismo. As proteínas têm também funções estruturais ou mecânicas. Podemos encontrar proteínas no leite, nos ovos, na carne, no peixe…

Em termos da química, as proteínas encontram-se entre os compostos orgânicos ou  compostos de carbono, em que os hidrocarbonetos estão ligados quimicamente a átomos de azoto ou oxigénio, por exemplo.

As proteínas são polímeros naturais, ou seja são constituídas por grupo de átomos que se repetem. Cada um destes grupos, e portanto a unidade que se repete, designa-se por  monómero. As proteínas formam-se através da condensação de várias moléculas de aminoácidos. A ordem de distribuição dos aminoácidos numa proteína é importante para o desempenho das funções metabólicas. A alteração de um dado aminoácido ou a sua sequência na cadeia é o suficiente para mudar a função biológica da proteína em questão. Assim, o monómero de uma proteína é um aminoácido. A designação aminoácido deve-se à sua constituição:

o grupo  amino (NH₂)

o grupo  ácido carboxílico (COOH)

Existem cerca de 20 aminoácidos que entram na estrutura de várias proteínas. O mais simples, em termos de química, corresponde à glicina.

Apresentam-se, como exemplo, a fórmula de estrutura de alguns aminoácidos:

Ana Ramos e João Rodrigues,  9ºA

fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Prote%C3%ADna

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Eram outros tempos… Estávamos em 1995, eu tinha acabado de recusar fazer o Doutoramento em Engenharia Bioquímica depois de ter estado como bolseiro em investigação durante 2 anos na FCT e fiquei colocado na Escola Secundária da Sobreda, na altura conhecida como “Vale Figueira”, a dar aulas de Fisica-Química. Nesse ano tomava posse como Ministro da Ciência e Tecnologia do XIII Governo Constitucional o Professor José Mariano Pires Rebelo Gago. Licenciado em Engenharia Electrotécnica pelo Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, em 1971, doutorou-se em Física pela Faculdade de Ciências da Universidade de Paris, em 1976. Foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura, no Laboratório de Física Nuclear e de Altas Tecnologias da École Polytechnique, de 1971 a 1976, e na Organização Europeia de Pesquisa Nuclear, de 1976 a 1978. Agregado em Física, desde 1979, no Instituto Superior Técnico, foi presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, vulgo JNICT,entre 1986 e 1989. Foi presidente do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, em Lisboa, e Professor Catedrático do Instituto Superior Técnico.

mgago (2)A escola era muito diferente daquilo que é hoje. A nossa Biblioteca, por exemplo, tinha apenas 1 ou 2 computadores e eram poucas as pessoas que se “aventuravam” a mexer neles. Apesar de já existir internet, apenas as pessoas que tinham estado em contacto com ela nas Faculdades sabiam o que era isso. As escolas ainda não sabiam sequer o que era montar um sistema em rede… Os telemóveis eram coisas de “ricos” e estávamos ainda a começar com a tecnologia GSM, global system mobile. Ou seja, o telemóvel era apenas para…fazer e receber chamadas!

Pois bem, passado um ano, e já como Ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago começou a “revolução silenciosa” da Ciência em Portugal. Digo “revolução” pois quebrou o modo como a Ciência era vista em Portugal. De certa maneira, “democratizou-a” fazendo que todos pudessem ter acesso a ela e não apenas alguns. “Silenciosa” pois fez de um modo discreto, sem grandes alaridos e sem falsas arrogâncias.

Na altura, e a convite do Coordenador da Biblioteca da nossa escola, Prof. Fernando Rebelo, comecei a trabalhar como colaborador da Biblioteca. São tempos que guardo com saudade. Eu, o Fernando, o Filipe e o Sérgio, fomos pioneiros da revolução informática da nossa escola. Lembro-me, por exemplo, de gravar em disquetes de 3 ½ polegadas sites de interesse didáctico-pedagógico e de digitalizar artigos de revistas e jornais para que fosse criado uma espécie de arquivo…Sim, na altura não havia Google nem Yahoo e fomos uma das primeiras escolas a fazer este tipo de armazenamento. Fomos também uma das primeiras escolas a criar a Sala Nónio, com mais de uma dúzia de computadores “topo de gama” ligados em rede (lembram-se da formação, Fernando e Filipe, em que tínhamos a “fina nata” dos professores do concelho a aprender como é que se montava uma rede com as fichas RJ45?).

Mas não era apenas ao nível informático que se operava esta revolução. O Programa Ciência Viva, do qual fui colaboradorMarca_Ciencia_Viva durante alguns anos, permitiu que as escolas conseguissem ter acesso a diverso material laboratorial. Lembro-me, com saudades, do entusiasmo com que os meus alunos se inscreviam nos Cursos de Verão, onde passavam 1 ou 2 semanas numa instituição do ensino superior a aprender ciência.

Podia continuar com outros exemplos. Mas o que me interessa referir é que essa “revolução silenciosa” com tantos Programas teve na sua génese um denominador comum: o Professor Mariano Gago, e a sua visão daquilo que devia ser a Ciência em Portugal. Na primeira década mgago (1)deste milénio, Portugal foi o país que mais cresceu em número de doutorados e parte do mérito, como é óbvio, é dele. As pessoas passaram a apostar mais na sua formação, a querer valorizar-se profissionalmente e o resultado foi um crescimento abissal em termos de doutoramentos e mestrados (que não foi devidamente assimilado pelo tecido empresarial, mas isso é outra história). O que é certo é que houve um tempo “antes de Mariano Gago” e outro “após Mariano Gago”. Ele mudou o Paradigma da Ciência em Portugal e será, estou certo, lembrado por muito tempo por isso. Esta simples homenagem que lhe presto é de alguém que reconhece a importância do seu contributo para que hoje a ciência seja acessível a todos, seja através dos inúmeros Parques Ciência Viva, abertos a escolas e público em geral, seja através dos inúmeros programas de investigação científica que proliferam nos meios académicos e não só. O exímio professor de Física, pois é assim que gosto de recordar-me dele, e que enquanto Ministro sempre colocou todo o seu empenho em prol do serviço público, ou seja, o seu interesse sempre foi a divulgação e disseminação da ciência em Portugal, e não o “carreirismo político-partidário” de tantos outros, ficará para sempre recordado como alguém que contribuiu para o engrandecimento de Portugal enquanto Nação. E por isso curvo-me, respeitosamente, perante a sua memória…

homenagem a Mariano Gago no "Ciência Viva"

homenagem a Mariano Gago no “Ciência Viva”

Rudolfo Pereira (professor de Química da ESDS)

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Medicina

Medicina

Com a atribuição dos Prémios Nobel em 10 dezembro, data da morte do patrono Alfred Nobel, continua o reconhecimento internacional dos“ melhores entre os melhores”.

Desde a atribuição dos primeiro prémios em 1901 o anúncio dos laureados é acompanhado com muita expetativa pelos media começando com a indicação dos contemplados pelo prémio respeitante à Fisiologia e Medicina. Os contemplados foram o norte- americano John O´Keef, professor da University College de Londres e o casal de investigadores noruegueses, May-Britt e Edvard Mosel, pelas suas descobertas sobre as “células que constituem um sistema no cérebro de determinação da posição”, identificando células que explicam a capacidade de orientação do cérebro o que se pode considerar uma espécie de GPS interno.

Física

Física

O prémio Nobel da Física foi atribuído aos investigadores japoneses Isamu Akasaki e Hiroshi Amano e ao norte-americano e Shuji Nakamura reconhecidos pela invenção do díodo eletroluminescente (LED), que permite significativas poupanças de energia. O júri referiu o aspeto revolucionário desta invenção considerando que “enquanto as lâmpadas incandescentes iluminaram o século XX, o século XXI será iluminado pelas lâmpadas LED”.

Química

Química

Os norte-americanos Eric Betzig e William Moerner e o alemão Stefan Hell venceram o Nobel da Química pelos melhoramentos que introduziram no microscópio. Os três químicos foram recompensados pelo “desenvolvimento da microscopia fluorescente em alta resolução”, o que permite visualizar “dentro das paredes das moléculas individuais em células vivas” tornando, assim, mais eficaz a compreensão de doenças como a de Parkinson, Alzheimer e de Huntington.

Literatura

Literatura

O Nobel da Literatura foi atribuído ao escritor intimista e misterioso Patrick Modiano reconhecido porque “através da arte da memória, evocou os mais inapreensíveis destinos da Humanidade”. O 15º autor de língua francesa a ser distinguido com este prémio já tinha recebido numerosas distinções nomeadamente os Prémios Marguerite Duras, Grande Prémio de Romance da Academia Francesa assim como o Prémio Goncourt.

Paz

Paz

O disputado Prémio Nobel da Paz, este ano, não teve contestação pois premiou figuras humanas ímpares como sejam a corajosa  ativista paquistanesa Malala Yousafzai e o incansável ativista dos direitos humanos o indiano Kailash Satyarthi.  Foram premiados “pela sua luta contra a opressão das crianças e dos jovens e pelo direito de todas as crianças à educação”,conforme anúncio do presidente do Comité Nobel norueguês, Thorbjoern Jagland, acrescentando ainda que “as crianças devem ir à escola enão serem exploradas financeiramente”. Malala foi atacada, no dia 9 de outubro de 2012, por fundamentalistas que invadiram o autocarro onde seguia para a escola, tendo acabado por ser baleada na cabeça. Tornou-se num símbolo de resistência aos esforços dos talibãs em negar educação e outros direitos às mulheres facto reconhecido internacionalmente com a atribuição de inúmeros prémios da área dos direitos humanos. Kailash Satyarthi, de 60 anos, é um ativista indiano dos direitos das crianças lutando há várias décadas contra o trabalho infantil e através da sua organização ‘Bachpan Bachao Andolan’ já libertou mais de 80 mil crianças da escravidão, ajudando-as na sua reintegração, reabilitação e educação.

Economia

Economia

Neste ano mais um cidadão francês foi distinguido, neste caso, com o Nobel da Economia atribuído ao economista da universidade de Toulouse, Jean Tirole, pela investigação sobre o poder de mercado das empresas e sua regulação. Jean Tirole foi o terceiro francês a receber este prémios sendo, há vários anos, um dos fortes candidatos pois é considerado um dos mais influentes economistas da atualidade. O júri destacou que “muitas indústrias são dominadas por um pequeno número de grandes empresas ou um único monopólio. Sem regulação, estes mercados produzem resultados socialmente indesejados – preços mais altos do que os que resultam dos custos ou empresas improdutivos que sobrevivem porque bloqueiam a entrada de outras, mais novas e mais produtivas”. O prémio da Economia, entregue pela primeira vez em 1969, é o único que não estava incluído no testamento original do cientista e filantropo sueco, Alfredo Nobel, tendo sido criado em 1968 pelo Banco Central Sueco para celebrar o seu tricentenário.

cerimónia de entregue dos Nobel

Cerimónia do Nobel

Como é da tradição, os premiados recebem um diploma, uma medalha Nobel em ouro e uma importância que varia conforme as receitas da Fundação Nobel no ano a que os prémios dizem respeito. A entrega formal dos prémios é feita na Câmara Municipal de Oslo, Noruega, para o Nobel da Paz enquanto os restantes são entregues pelo rei sueco no Palácio de Concertos em Estocolmo.

Luísa Oliveira

imagens daqui e daqui

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