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Archive for the ‘As Fitas do Mês’ Category

O mês de dezembro iniciou-se com a atribuição dos prémios relativos à 24ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português, em Coimbra, dedicado, exclusivamente, às obras nacionais. O Grande Prémio foi atribuído ao filme Cabaret Maxime do realizador Bruno Almeida que tem como argumento as dificuldades vividas pelo dono de um cabaret devido às mudanças no bairro onde este se localiza e que põe em causa o grupo de artistas que nele trabalha e apresenta números musicais, de burlesco e comédia. Esta obra conquistou ainda os galardões máximos nas categorias de direcção artística, realização, ator secundário e banda sonora. Terra Franca de Leonor Teles, venceu na categoria de Melhor Longa Metragem de Ficção, Entre Sombras de Mónica Santos e Alice Guimarães ganhou prémio de Melhor Animação e Até Que O Porno Nos Separe de Jorge Pelicano o de Melhor Documentário.

Nas estreias em dezembro a produção nacional esteve presente com Parque Mayer de António-Pedro Vasconcelos, uma interessante comédia/drama que revisita um marcante espaço de entretenimento lisboeta num período em que a censura do Estado Novo limitava cada vez mais a liberdade criativa. Quanto às restantes estreias destaque para a obra do cineasta mexicano Alfonso Cuarón que escreveu, realizou e produziu o excelente Roma, vencedor do Leão de Ouro no festival de Veneza e que tem recebido inúmeras críticas positivas perfilando-se como vencedor de vários galardões. O título do filme refere-se a um bairro de classe média na cidade do México, revelando-se como crítica à sociedade mexicana e, especificamente, à posição da mulher, focando, igualmente, a situação política no país na década de 70 do século XX. A belíssima fotografia a preto e branco realça os choques inerentes às desigualdades sociais ao mesmo tempo que é enaltecida a força da mulher que sobrevive às mudanças e aos conflitos.

Igualmente como obra de denúncia social, surge Dogman, do realizador italiano Matteo Garrone, inspirado num caso real, onde sobressai o expressivo ator Marcello Fonte, galardoado no festival de Cannes, no papel de protagonista como um humilde tratador de cães vulnerável aos violentos abusos do criminoso mais temido do decadente bairro periférico que habitam. Retrato humano e de grande realismo de uma sociedade em que a violência impera.

A atriz Keira Knightley protagoniza Sidonie-Gabrielle Colette na obra Colette de Wash Westmoreland – um retrato fiel do ambiente social e cultural da Belle Époque  demonstrando, ao mesmo tempo,  como a intimidade da escritora  vai contribuir   para romper estereótipos sociais e revolucionar a literatura.  Julia Roberts, por sua vez, tem uma brilhante prestação em O Ben está de volta de Peter Hedges, no papel de uma mãe a defender obsessivamente o seu filho toxicodependente; embora a ação decorra na época natalícia é um filme sombrio e triste ao expor o sofrimento dos que têm familiares e amigos envolvidos no submundo da toxicodependência e marginalidade.

Num género diferente e mais de acordo com a leveza da época, temos a divertida comédia dramática francesa, já visionada na Festa do Cinema Francês, Ou nadas ou afundas de Gilles Lellouche, sobre um grupo de homens quarentões que decidem criar uma equipa de natação sincronizada. Igualmente animado e direccionado para quem gosta dos patudos Dog Days – vidas de cão de Ken Marino, sobre um grupo de personagens interligadas com as vidas dos seus cães.

Termino com O Regresso de Mary Poppins de Rob Marshall o filme ideal para divertir toda a família com uma história simples em que a magia, música e animação conduzem a um final feliz tal como tinha sido a primeira versão de 1964.

Luísa Oliveira

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A primeira longa metragem da realizadora Leonor Teles, “Terra Franca”, foi distinguida com Prix de La Ville d’Amiens, no 38.º Festival International du Film d’Amiens, em França, e com o Prémio de Melhor Primeira Obra da Competição Internacional na 33.ª edição do Festival Internacional de Cine de Mar del Plata (Argentina). O filme, cuja estreia está prevista para o próximo mês de janeiro, já tinha recebido vários prémios internacionais e retrata a vida de um pescador que vive numa comunidade piscatória à beira do Tejo. A longa-metragem “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos” de João Salavisa e Renée Nader Messora continua a acumular prémios pois foi também distinguida com o Prémio Especial do Júri no Festival Internacional de Cine de Mar del Plata depois de ter sido duplamente premiada no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro (Melhor Realização e Melhor Fotografia). A estreia, em Portugal, está prevista para março de 2019.

No que respeita a estreias nacionais, a apresentação foi diversificada abrangendo vários géneros cinematográficos. Começo pelo filme de Sérgio Tréfaut Raiva, a adaptação do clássico da literatura portuguesa do século XX, ‘Seara de Vento’ de Manuel da Fonseca. A película foi rodada no Alentejo retratando, num período de fome e violência, um assassinato executado por um camponês e a sua resistência à polícia e exército. Ainda sobre produção portuguesa o documentário Doutores palhaços de Hélder Faria e Bernardo Lopes sobre o emocionante contributo dos que pretendem melhorar o quotidiano de quem vive em ambientes de grande sofrimento.

No mesmo género, A febre Ferrante de Giacomo Durzi sobre a excelente escritora napolitana Elena Ferrante   e a sua pretensão de manter o anonimato enquanto a sua obra delícia milhões de leitores. Igualmente no âmbito da literatura o drama Dovlatov de Aleksey Germna Jr. apresenta seis dias da vida do escritor russo Sergei Dovlatov e a sua preocupação em manter a liberdade artística durante o opressivo regime soviético.

No género terror, uma interessante obra do cinema independente americano, realizada e protagonizada por Aaron Moorhead e Justin Benson, O interminável, debruça-se sobre o tenebroso universo dos cultos e seitas religiosas.  Utoya, 22 julho de Erik Poppe é um filme perturbador sobre o massacre da Noruega em 2011 e que alerta contra a ascensão da extrema-direita europeia, uma obra contra o esquecimento descrevendo o pesadelo que o ódio criou.

Outra excelente e igualmente perturbadora obra, Uma guerra pessoal de Matthew Heineman, baseada em factos reais, retrata a extraordinária vida de Marie Colvin (interpretada por Rosemund Pike), uma das jornalistas de guerra mais reconhecidas do nosso tempo que colaborava com o jornal The Sunday Times. Com um espírito rebelde e insubmisso, arriscando a própria vida, teve como missão de vida dar voz, nos seus artigos jornalísticos, aos que de outro modo nunca teriam forma de ser ouvidos, transmitindo de forma realista e crua o que é viver no meio da guerra até à sua morte em Homs, na Síria em 2012.

Viúvas de Steve McQueen, baseado no livro homónimo de Lynda La Plante, adaptado por Gillian Flynn, com um elenco talentoso em que sobressai Viola Davis, apresenta um grupo de mulheres que pretendem vingar as mortes dos maridos criminosos no meio de violência, racismo e corrupção em Chicago. O tema foi apresentado numa minissérie na TV inglesa em 1983 e adaptado à realidade americana.

O sensível Beautiful Boy, de Felix Van Groeningen, mostra o amor resistente de uma família perante o vício do filho e as tentativas de reabilitação. Baseado nas biografias do jornalista David Sheff e do seu filho, Nic Sheff, apresenta interpretações brilhantes dos atores Steve Carell e Timothée Chalamet, este último no papel do filho na fase em que se torna viciado em metanfetaminas.

A vingança de Lizzie Borden, de Craig Macneill, é um thriller psicológico baseado em factos reais, em que a atriz Chloe Sevigny interpreta o papel de Lizzie Andrew Borden, uma das figuras mais icónicas da cultura popular norte-americana que foi a julgamento   pelo duplo homicídio do seu pai, Andrew J. Borden, e da sua madrasta, Abby Borden, no dia 4 de agosto de 1892.

Mais uma produção francesa de qualidade no thriller dramático Histórias de uma vida de Jean Becher, numa adaptação do romance de Jean-Christophe Rufin, desenrola-se no primeiro pós-guerra em que um cão dá contributo importante para a resolução de um mistério.

O segundo filme da spinoff de Harry Porter constitui um sucesso de bilheteira dos estúdios Warner Bros Monstros Fantásticos – Os Crimes de Grindelwald de David Yates, com Eddie Redmayne que volta para ser o protagonista Newt Scamander na luta contra o poderoso e maléfico feiticeiro Gellert Grindelwald em mais uma obra de fantasia de J. K. Rowling. Na época natalícia é adequado o regresso do duende verde Grinch de Yannow Cheney e Scott Mosie. A história do filme sofre poucas mudanças relativamente à película de 2000, mas é uma criatura mais social e menos assustadora numa película de animação bastante colorida e divertida com Benedict Cumberbatch a dar voz ao Grinch.

Por fim, justifica-se uma menção ao falecimento do polémico e genial cineasta italiano, Bernardo Bertolucci, que realizou inúmeras obras memoráveis além de 1900 e O último imperador, que farão sempre parte da memória do cinema.

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Nas estreias do mês de outubro foram registados documentários de personalidades marcantes de várias áreas. Assim, destaca-se Ingmar Bergman – a vida e obra do génio    de Margarethe von Trotta para relembrar o trajeto de vida do icónico realizador, não só no mundo de cinema como a nível familiar, a que se acrescenta a opinião dos novos cineastas. O documentário insere-se no âmbito das celebrações do centenário do nascimento do realizador que tem como objetivo divulgar a sua magnífica obra.

No que respeita a um mundo em que a criatividade e os excessos estão interligados, McQueen, de Ian Bonhote and Peter Ettedgui  é relembrado a partir de entrevistas a familiares e amigos do inquietante e controverso designer de moda.

Do mundo da música, Bohemian Rapsody de Bryan Singer e Dexter Flecther revê a ascensão da carismática banda musical “Queen” e sobretudo do seu fabuloso vocalista Freddie Mercury. É um excelente pretexto para assistirmos às suas maravilhosas e eternas  canções.

Ryan Gosling representa Neil Alden Armstrong, engenheiro aeronáutico cujo nome ficará para sempre ligado  à exploração espacial, em O primeiro homem na Lua, de Damien Chazelle, filme onde  assistimos ao seu percurso entre 1961 e 1969 quando,  em 20 julho, no âmbito da missão espacial Apollo 11, dá os primeiros passos na Lua.

Feliz Como Lázaro  de Alice Rohrwacher ganhou o prémio para melhor argumento no festival de Cannes é uma comovente obra com uma banda sonora condizente com a realidade rural de uma comunidade isolada, num misto de fábula religiosa e sátira social.

O drama A Mulher de  Bjorn Runge, premiado no festival internacional de filme de Toronto,  baseado na obra homónima de Meg Wolitzer,  apresenta Glenn Close  numa excelente  e emocionante interpretação no papel da mulher de um escritor  famoso que vive durante décadas na sombra do marido, sacrificando o seu talento e ignorando as humilhações de que foi alvo durante o seu casamento até que põe fim ao relacionamento.

Não Deixeis Cair Em Tentação do francês Cédric Kahn, versa questões ligadas à fé e à oração no processo de cura de toxicodependentes numa comunidade religiosa, e valeu  ao  ator Anthony Bajon o Urso de prata no festival de Berlim.

Verão 1993 da catalã Carla Simón é uma comovente obra autobiográfica sobre o processo de adoção e as relações desenvolvidas entre os pais e a criança com situações vividas,  certamente, por muitas famílias no decurso da adaptação à nova realidade familiar.

Pedro e Inês de António Ferreira, adaptação do romance de Rosa Lobato de Faria “A trança de Inês”,  tendo como base a lendária paixão, desenvolve-se ao longo de três épocas diferentes em que a história de amor se repete.

O divertido e intrigante thriller Sete Estranhos no El Royale de Drew Goddard  apresenta um conjunto de estrelas Jeff Bridges, Chris Hemsworth, Jon Hamm, Dakota Johnson e Cynthia Erivo, com boas interpretações de personagens estranhas num hotel  decadente  dividido  ao meio entre os estados de Califórnia e Nevada.

Igualmente divertido  e com alguma ação, Rei dos Ladrões de James Marsh, trata  do assalto do roubo de joias e dinheiro de uma caixa-forte  de Hatton Garden, o maior da história  londrina, em abril de 2015. Este acontecimento que  teve grande repercussão nos media, pois provocou um prejuízo  de 14 milhões de libras, foi protagonizado por homens entre os 59 e 75 anos, alguns reformados, outros com cadastro criminal  e com doenças graves.

Uma obra interessante e verídica sobre  um acontecimento   histórico  da Guerra Fria   Revolução Silenciosa  de Lars  Kraume, adaptação  da obra homónima do escritor alemão Dietrich Garstka, decorre em 1956, na República Democrática Alemã ( RDA). Os alunos de uma escola da cidade de Stalinstadt (actual Eisenhüttenstadt) decidem fazer um minuto de silêncio em homenagem aos que lutaram pela liberdade e foram vítimas da violência das tropas soviéticas que invadiram a Hungria. Mas o simbólico protesto  acaba por ter uma dimensão maior revelando as questões políticas e sociais  da época e a luta dos jovens  pela mudança e resistência às políticas totalitárias.

As películas de terror e de ação  têm sempre muitos fãs como é o caso de  Venom  de Ruben Fleischer, mais uma adaptação de um dos personagens da Marvel,  protagonizado por Tom Hardy no papel do jornalista Eddie Brock que entra em contato com um  alienígena e se torna Venom. Mas, sem dúvida, que este género que apresenta ambientes de tensão e de medos está bem representado  no interessante  thriller Halloween  de  David Gordon Green em que Jamie Lee Curtis  volta a personificar   Laurie Strode  na continuação de factos ocorridos em 1978 .  Passados 40 anos sobre a estreia do clássico de John Carpenter  que, além de produtor executivo  é também o autor da banda sonora, regista-se o confronto decisivo e final  entre Laurie Strode, a sobrevivente do massacre das “babysitters” de 1978, e Michael Myers, o assassino silencioso.

Luísa Oliveira

 

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A produção cinematográfica nacional teve mais um reconhecimento pois o filme  Diamantino, a primeira longa- metragem de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, venceu o Grande Prémio da 57ª Semana da Crítica da 71ª edição do Festival de Cinema de Cannes. Conforme comunicado pela produtora, enquanto se aguarda a sua estreia comercial, o filme conta “a história de Diamantino, interpretado pelo ator Carloto Cotta, uma superestrela do futebol mundial, cuja carreira cai em desgraça… à procura de um novo objetivo para a sua vida, Diamantino entra numa odisseia delirante, que envolve neofascismo, crise dos refugiados, modificação genética e a busca pela origem da genialidade”. Ainda sobre o mundo futebolístico, é de referir a estreia de Ruth de António Pinhão Botelho, uma abordagem interessante sobre os costumes e vivências de Portugal durante a ditadura salazarista, tendo como pretexto a história da contratação do futebolista Eusébio pelo Benfica.

Os conflitos mundiais continuam com adaptações no cinema, sendo que a 1ª guerra mundial está presente no intenso e belíssimo melodrama franco-alemão de François Ozon, Frantz. Baseado no filme de 1932 realizado por Ernst Lubitsch “O homem que eu matei”, é uma obra apresentada a preto e branco com excelentes interpretações e banda sonora adequada que realçam o luto e o sentimentalismo feminino. De igual forma, a 2ª guerra mundial é um tema recorrente que se pode ver em Os invisíveis de Claus Rafle, um drama com caraterísticas de documentário que decorre em Berlim num período em que a cidade é declarada pelos nazis “livre de judeus”. No entanto, centenas conseguiram escapar às perseguições apresentando-se, nesta obra, os testemunhos de quatro dos sobreviventes, de como viveram a sua vida de adolescentes e jovens adultos num contexto terrível.

O período após a 2ª guerra mundial serve de base ao filme Sociedade literária da tarte da casca da batata de Mike Newell, uma história comovente e deliciosa a partir do livro de Mary Ann Schaffer e Annie Barrows. Nesta excelente película, realça-se importância das relações baseadas na amizade, no amor e na paixão pelos livros que se desenvolvem durante a ocupação alemã da ilha de Guernsey (Canal da Mancha) entre 30 junho de 1940 e 9 maio de 1945 e que constituíram uma forma de resistência.

Também como reflexo de conflitos armados, Refugiados do irreverente artista chinês Ai Weiwei revela-se como um emocionante documentário sobre uma trágica realidade global atual que movimenta milhões de seres. A equipa de filmagem visitou 40 campos de refugiados em 23 países e, entre as afirmações de Ai Weiwei, destacam-se “Este é o meu trabalho: dar voz aos que não têm como falar… Eu tinha muita curiosidade sobre as 65 milhões de pessoas que perderam suas casas em conflitos e desastres naturais. Vê-las sem rumo é muito chocante. Ao mesmo tempo, a resposta europeia é igualmente chocante, pois eles não fazem muito para ajudar”.

Ainda sobre situações problemáticas globais Nunca estiveste aqui de Lynne Ramsay, adaptação do romance homónimo de Jonathan Ames, foca o mundo tenebroso do tráfico humano, tendo ganho no festival de Cannes de 2017 o prémio de melhor argumento e o protagonista, Joaquim Phoenix, o de melhor ator. Outra temática atual, 17 rapariga das irmãs Muriel e Delphine Coulin acaba por ser um filme que provoca um debate sobre a temática da gravidez na adolescência e a reação dos pais e professores à situação. Baseado num caso real ocorrido numa escola dos E.U.A. em 2008 em que dezassete adolescentes decidem engravidar ao mesmo tempo, a ação foi adaptada a uma cidade francesa  constituindo uma reflexão sobre situações vividas por muitos adolescentes.

Ainda sobre ligações humanas, Só te vejo a ti de Marc Forster é um interessante thriller psicológico em que Blake Lively e Jason Clarke protagonizam um casal cuja relação amorosa vai ser posta à prova após a mulher recuperar a visão que tinha perdido devido a um acidente rodoviário. Ordem divina de Petra Volpe, filme selecionado pela Suíça para concorrer ao Óscar de melhor filme estrangeiro, está centrado na luta pela igualdade de direitos para as mulheres na Suíça que, surpreendentemente, só tiveram direito a votar a partir de 1971. Baseia-se nas reações de familiares, amigos e conhecidos à luta pública de uma mulher pelo reconhecimento do direito ao voto feminino que os homens vão votar em 7 fevereiro de 1971.

O realizador Mike Newell regressa, em filme com argumento de Kevin Hood e Thomas Bezucha, interpretado por Lily James, Michiel Huisman e Matthew Goode, para contar a experiência de uma jornalista na pesquisa para um livro sobre a ocupação nazi de Guernsey, uma das ilhas do Canal da Mancha, entre o Reino Unido e França. E o que começou como correspondência com a sociedade literária local e prosseguiu com uma visita à ilha transforma-se num retrato que envolve vários dos habitantes numa história de amizade e solidariedade.O realizador Mike Newell regressa, em filme com argumento de Kevin Hood e Thomas Bezucha, interpretado por Lily James, Michiel Huisman e Matthew Goode, para contar a experiência de uma jornalista na pesquisa para um livro sobre a ocupação nazi de Guernsey, uma das ilhas do Canal da Mancha, entre o Reino Unido e França. E o que começou como correspondência com a sociedade literária local e prosseguiu com uma visita à ilha transforma-se num retrato que envolve vários dos habitantes numa história de amizade e solidariedade.O cinema francês está representado na sátira ao ensino em Madame Hyde de Serge Bozond com Isabelle Huppert, contemplada com o prémio de melhor atriz no festival de Locarno, no papel de uma professora que após ser atingida por um raio desenvolve poderes misteriosos que a transformam totalmente a nível pessoal e profissional. Os fãs dos géneros de terror e de ficção científica devem apreciar Um lugar silencioso de John Krasinski que, num misto do suspense de Hitchcock e do universo Alien, é considerado uma parábola da realidade atual americana ao descrever um mundo apocalíptico em que qualquer som pode chamar seres alienígenas aterradores. Sobre personalidades americanas, LBJ, de Robe Reiner com Woody Harrelson no papel do 36º presidente americano, é um relato da vida política de Lyndon B. Johnson durante a sua permanência no Senado, como vice-presidente de John F. Kennedy e presidente após o assassinato deste em 22 novembro 1963.

Por fim, surgiu nos ecrãs o aguardado Han Solo, uma história da Star Wars de Ron Howard sobre a juventude de um dos mais icónicos rebeldes do cinema. Alden Ehrenreich substitui Harrison Ford na personagem que faz parte da saga que movimenta milhões de fãs e que já pertence ao imaginário popular desde os anos 70 do século XX. Mais uma obra a demonstrar como a magia do cinema une várias gerações e contínua presente ao longo do tempo.

Luísa Oliveira

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O mês de março iniciou-se com 90ª edição da cerimónia dos Óscares da Academia de Hollywood que decorreu no Dolby Theatre, em Los Angeles, apresentada por Jimmy Kimmel. Não houve muitas surpresas nos prémios atribuídos nas várias categorias tendo o realizador mexicano Guillermo Del Toro sido o grande vencedor pois não só foi galardoado com a estatueta para Melhor Realizador como também arrebatou o Óscar de Melhor Filme para A Forma da Água que ganhou quatro estatuetas das treze para que estava nomeada. De registar um feito inédito pois é a quarta vez em cinco anos que um realizador mexicano vence o Óscar para Melhor Realizador com Alfonso Claro em 2014 e Alejandro G. Iñarritú em 2015 e 2016.

Três Cartazes à Beira da Estrada perdeu muitos dos prémios para os quais estava nomeado mas levou dois Óscares em categorias fundamentais: Melhor Atriz para a talentosa Frances McDormand e Melhor Ator Secundário para Sam Rockwell. Na corrida por Melhor Atriz Secundária a vencedora foi Allison Janney, com a sua interpretação brilhante em Eu, Tonya sendo o Melhor ator para Gary Oldman na personagem de Winston Churchill na Hora mais negra. James Ivory também confirmou as previsões ao ganhar o Óscar para Melhor Argumento Adaptado com Chama-me Pelo Teu Nome, enquanto Jordan Peele se tornou o primeiro afro-americano a receber a estatueta de Melhor Argumento Original por Foge. Em termos técnicos, Blade Runner 2049 e Dunkirk foram os mais contemplados, enquanto Coco levou duas estatuetas para Melhor Filme Animado e Melhor Canção Original.

Mas nem todos os filmes de qualidade são contemplados com estes ambicionados prémios, como foi o caso de uma das estreias de março, a comédia dramática Lady Bird de Greta Gerwig candidata em cinco categorias. Um filme de grande sensibilidade já contemplado com prémios de diversos organismos e valorizado pela excelente interpretação de Saoirse Ronan de uma jovem da Califórnia a “crescer” e com uma ligação conflituosa com a mãe numa época de crise económica.

Portugal também tem os seus prémios de cinema e neste ano os Prémios Sophia da Academia Portuguesa de Cinema teve a cerimónia em 25 março, conduzida pela atriz Ana Bola no Casino Estoril. O filme São Jorge de Marco Martins venceu em sete das catorze categorias para que estava nomeado tornando-se, assim, o grande vencedor desta 6ª edição. E, conforme afirmou o premiado realizador no discurso de agradecimento, a sua obra retrata “a primeira crise da minha geração e todos os dias havia direitos que pareciam que nos eram retirados. Aquele filme é sobre a crise e sobre a minha crise, a nossa crise”…“espero que estes prémios ajudem a aproximar o público dos filmes portugueses”. Além dos prémios habituais ligados à produção cinematográfica foram ainda atribuídos três prémios de carreira à caracterizadora Ana Lorena, ao realizador e ensaísta Lauro António e ao realizador Artur Correia, recentemente falecido.

Prosseguindo a valorização da produção cinematográfica nacional, em março, estrearam-se obras que merecem referência. Ramiro de Manuel Mozos, apresentado na abertura do Doc Lisboa, é uma comédia melancólica sobre a resistência e a não adaptação às mudanças verificadas na cidade de Lisboa a partir das vivências quotidianas de uma personagem depressiva interpretada por António Mortágua. Colo de Teresa Villaverde que também foi produtora e argumentista é, lê-se na nota de divulgação, “uma reflexão muito atual, e quase serena, sobre o nosso caminho comum como sociedades europeias de hoje, sobre o nosso isolamento, a nossa perplexidade perante as dificuldades que nos vão surgindo, sobre a nossa vida nas cidades e dentro das nossas famílias. É um filme em tensão crescente que nunca chega a explodir”. Esta obra venceu o Prémio Sauvage, principal galardão do 13.º Festival “L’Europe Autour de l’Europe”, em Paris.

Aparição de Fernando Vendrell leva-nos à redescoberta do grande escritor da literatura portuguesa – Vergílio Ferreira. O filme situa-se em Évora, cidade claustrofóbica onde o próprio Vergílio Ferreira foi colocado como professor nos anos 50 do século passado e onde se desenvolvem relações que terminam de forma trágica. Os documentários são sempre obras relevantes e assim o demonstra No Intenso Agora de João Moreira Salles, uma mistura de imagens pessoais da mãe do realizador com outras de arquivo que fazem parte de acontecimentos marcantes do século XX. Assim vemos um conjunto de imagens que documentam as lutas e protestos conduzidos por populares nas ruas de vários países como em maio de 1968 na França e Checoslováquia, da revolução cultural chinesa em 1966 e da resistência contra o golpe militar no Brasil nos anos 1960.

Outra obra que trata um tema de caráter internacional Mark Felt – o homem que derrubou a Casa Branca de Peter Landesman conta a história da vida privada e profissional do denunciante secreto do escândalo Watergate que transmitiu informações aos jornalistas do Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, que levaram à demissão do presidente americano Richard Nixon em 9 agosto de 1974. A identidade deste denunciante só foi conhecida através de um artigo da Vanity Fair em 2015 em que Mark Felt, vice-presidente do FBI, se apresenta como o homem que arriscou a sua vida pessoal e profissional em defesa da verdade.

Sobre conturbados percursos pessoais em que a resiliência está presente, Marvin de Anne Fontaine é uma adaptação do romance autobiográfico e best-seller “en finir avec Eddy Bellegueule” de Edouard Louis, uma emocionante história de como o autor consegue sobreviver às perseguições na escola e ao perturbado ambiente familiar tornando-se um reconhecido escritor e ator. É um filme que parte da relação do passado com o presente para demonstrar a ascensão social de um jovem homossexual pobre, rejeitado e humilhado na região onde nasceu.

Ainda outra obra francesa admirável e emocionante é Passo a passo de Mehdi Idir, baseada na autobiografia de Grand Corps Malade que também participou na realização. Escrita por Fabien Marsuad, em 2012, como agradecimento a todos os que o ajudaram na sua recuperação após um acidente que o deixou praticamente paraplégico. É uma obra que representa um hino à vida pois, ao apresentar o seu processo de reabilitação, passa a fazer parte de um conjunto largo de pessoas que apesar das suas limitações e lutas diárias não perdem o humor e a esperança.

Diferente desta perspetiva de vida, Com paixão de James Marsh é um drama biográfico sobre a verdadeira odisseia do velejador amador Donald Crowhurst, protagonizado por Colin Firth, que competiu na Golden Globe Race de 1968, na esperança de se tornar a pessoa sozinha mais rápida a circum-navegar o mundo sem paragens. O seu barco, Teignmouth Electron, não tinha condições para tal empreendimento nem o próprio velejador estava preparado a nível físico e psíquico envolvendo-se num conjunto de mentiras e ilusões quando toma conhecimento de que poderá ser o vencedor. O filme apresenta-se assim como uma reflexão sobre os dilemas, limites e a condição do ser humano.

Por fim, a ficção científica de Steven Spielberg em Ready Player One: Jogador 1,  a partir da adaptação do livro de Ernest Cline é, sobretudo, uma belíssima viagem nostálgica à década de 80 do século XX. É gratificante rever os elementos que faziam parte da cultura de massas da época a que se juntaram as inovações tecnológicas pois foi rodado em 3D. A ação frenética, apresentada como num jogo de vídeo tanto no mundo virtual como no real, representa um excelente entretenimento, o que constitui afinal um dos objetivos do cinema.

Luísa Oliveira

 

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O período anterior à cerimónia dos Óscares é caracterizado pela estreia de algumas obras candidatas aos ambicionados prémios. Em fevereiro entre essas estreias destaca-se A forma da Água de Guillermo del Toro com treze candidaturas aos galardões máximos e que tem acumulado inúmeros prémios, embora o realizador tenha sido acusado de plágio. Mas, apesar disso, é uma agradável fábula romântica sobre a relação especial, em plena guerra fria, de dois seres de espécies diferentes, uma mulher muda, empregada de limpeza num laboratório governamental secreto e um ser anfíbio capturado na Amazónia que vive num tanque de água e será alvo de experiências científicas. O enredo é protagonizado por Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Octavia Spencer e Michael Stuhlbarg num ambiente em que os cenários reconstituem, de forma convincente, a atmosfera da época, os anos sessenta do século XX.

Igualmente candidato aos Óscares com seis nomeações, Linha fantasma marca o regresso de Paul Thomas Anderson numa obra em que se destaca a interpretação exemplar de Daniel Day-Lewis como Reynolds Woodcock, uma excêntrica figura da alta-costura britânica da década de 50, criada pelo realizador mas inspirada em criadores da moda europeia e americana. É uma belíssima obra com um enredo emocionalmente inquietante e intrigante que se desenvolve num ambiente de luxo e glamour na cidade de Londres no período pós guerra com uma adequada banda sonora do guitarrista  Jonny Greenwood.

Com três nomeações o drama,  Eu, Tonya de Craig Gillespie relata factos verídicos que envolveram  a  patinadora artística americana Tonya Harding na agressão à sua rival, Nancy Kerrigam, antes das Olimpíadas de inverno de 1994, em Lillehammer. A australiana Margot Robbie, no papel da patinadora que acabou por ser irradiada da patinagem artística, está nomeada para o Óscar de Melhor Atriz, enquanto  Allison Janney é  favorita para o Óscar de Melhor Atriz Secundária, no papel da  sua  abusiva mãe . As suas excelentes interpretações  valorizam um enredo de personagens absurdas em que sobressaem  os abusos  físicos e psicológicos  de que a patinadora era vítima  por parte da mãe e do marido.

Também baseado em factos reais que envolveram violência, Todo do Dinheiro do Mundo de Ridley Scott é inspirado na história do sequestro em julho de 1973, por mafiosos italianos, do adolescente John Paul Getty III, neto do magnata americano do petróleo John Paul Getty, interpretado por Christopher Plummer com nomeação para o Óscar de melhor ator secundário. O filme narra as tentativas desesperadas da  mãe do adolescente  em convencer o intransigente  avô bilionário  a pagar a elevada quantia exigida como resgaste,  assim como a relação que o refém vai estabelecer com um dos seus sequestradores.

Numa vertente diferente e sendo considerado um dos melhores filmes da temporada, temos um olhar real e duro sobre a América atual  em The Florida Project  de Sean Baker , sobre os  que não vivem o “sonho americano“ e que lutam, todos os dias, para sobreviver. Com interpretações realistas de atores estreantes destaca-se o veterano Willem Dafoe, candidato ao Óscar de melhor ator secundário, no papel de um gerente que tenta conciliar os valores humanitários com as preocupações económicas. Ainda sobre a América e a atualidade, o grande mestre do cinema clássico americano, Clint Eastwood, recria em 15:17 Destino Paris, a história verídica de três jovens americanos banais  que, em viagem pela Europa, se transformaram em heróis com um ato de coragem  impedindo um ataque terrorista  em 21 agosto de 2015. O filme demonstra como as pessoais consideradas normais são capazes de comportamentos excecionais em determinadas circunstâncias. É uma obra agradável em que três amigos se interpretam a si próprios com grande autenticidade fazendo esquecer que não são atores.

De super heróis trata o mais recente filme da Marvel Studios,  Black Panther  de Ryan Coogler, uma autêntica celebração da cultura  negra. Desde a sua estreia que se tem afirmado como um filme bastante rentável com um elenco de excelentes atores negros num enredo que explora a cultura e mitologia negra e a valorização das suas raízes. Ao longo da ação afirma-se também como uma obra inovadora e criativa que apresenta questões políticas, sociais e culturais, pois estão presentes as críticas e comentários à vida da comunidade afro-americana na atualidade.

Por fim,  é também digno de menção o filme português Amor, Amor, a segunda longa metragem de ficção de Jorge Cramez , referida como  “uma comédia dramática de enganos  sobre dois casais“ em que o fascínio e a provocação estão presentes.

Luísa Oliveira

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Como é de conhecimento geral, nos dois primeiros meses de cada ano desenrola-se a temporada de prémios cinematográficos que são indicadores das inclinações de voto para os troféus mais desejados, os Óscares da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Este ano a cerimónia de um dos maiores acontecimentos dos média a nível global está prevista para 4 março com apresentação de Jimmy Kimmel. O filme com mais nomeações, treze no total, A Forma da água de Guillermo del Toro só estreia a 1 fevereiro e, por isso, será referido nas próximas Fitas.

Mas em janeiro, houve estreias que têm tido grande reconhecimento internacional, como é o caso do excelente Três cartazes à beira da estrada de Martin McDonagh, com Frances McDormand numa magistral interpretação de uma mãe que usa os três cartazes para denunciar o péssimo trabalho da polícia na investigação da violação e homicídio da sua filha. É uma forte candidata ao prémio para melhor atriz sendo que esta obra emotiva apresenta sete nomeações.

Outra excelente candidata a este prémio, Meryl Streep, premiada com a sua 21ª nomeação, brilha num filme com caráter histórico no papel de Katharine Graham, proprietária do jornal The Washington Post em The Post de Steven Spielberg. Este carismático realizador apresenta uma obra clássica sobre a história por trás da decisão do referido jornal de publicar, contra a vontade do presidente Richard Nixon, os documentos ultra-secretos denominados Papéis do Pentágono, com informações que comprometem as ações dos EUA durante a Guerra do Vietname.

Igualmente de grande qualidade, temos mais uma adaptação cinematográfica de um episódio crucial da 2ª guerra mundial – A hora mais negra de Joe Wright, focando as dificuldades vividas pelo primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, quanto às decisões adequadas a tomar e que vão marcar o desfecho do conflito. Gary Oldman tem uma prestação excelente na figura do icónico político o que lhe tem valido vários prémios sendo também candidato ao Óscar de melhor ator.

Com quatro nomeações para os Óscares, o revoltante drama Mudbound – as lamas do Mississipi de Dee Rees, em que Rachel Morrison, diretora de fotografia, se tornou primeira mulher a ser indicada nesta categoria.  Baseado no livro de Hillary Jordan, a ação desenrola-se no período pós 2ª guerra mundial e demonstra o preconceito e racismo de uma comunidade americana ignorante que não aceita a amizade de dois veteranos de guerra, um branco e outro negro, marcados pelos momentos terríveis que viveram durante o conflito. Da realizadora de Singapura Kirsten Tan uma comédia dramática insólita mas cativante pela sua simplicidade e valorização da amizade e memória surge-nos Pop Aye,

Prémio Especial do Júri do festival de Sundance e no Festival de Roterdão Prémio VPRO Big Screen. James Franco realizou Um desastre de artista, a história tragicómica de Tommy Wiseau, numa obra sobre sonhos que parecem ser impossíveis de realizar, a partir do best-seller de Greg Sestero que descreve a preparação de The Room (“The Greatest Bad Movie Ever Made”), considerado uma “obra maldita” mas que, ironicamente, se tornou um filme de culto.

O argumentista Aaron Sorkin estreia-se na realização com a história real de Molly Bloom, a chamada “princesa do poker” que se evidenciou numa atividade exclusivamente masculina em que se movimentam apostas milionárias. O jogo de alta roda, baseado no livro de Molly Bloom, demonstra como a ambição e sucesso podem estar ligadas ao submundo do crime organizado. Liam Neeson protagoniza mais um filme de acção e suspense em The commuter – o passageiro de Jaume Collet-Serra. É um filme com traços idênticos a outros deste ator mas que é do agrado de algum público.

A vitalidade do cinema turco destaca-se numa obra que agradará aos amantes de animais em Gatos de Ceyda Torun, uma história original que, partindo da descrição do quotidiano de grupos de felinos que povoam a cidade de Istambul, é uma forma interessante e diferente de olhar para esta cidade.

Por fim, relembro que o Cineclube da Gandaia, no centro comercial O pescador na Costa de Caparica anima todas as quintas-feiras o auditório com obras cinematográficas com início às 21:00 horas e em fevereiro apresenta o ciclo When Tim meets Johnny, que celebra o trabalho conjunto do realizador Tim Burton com o ator Johnny Depp. Além do visionamento das obras há um pequeno debate e bibliografia sobre a obra a visionar.

Luísa Oliveira

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