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Archive for the ‘As Fitas do Mês’ Category

A produção cinematográfica nacional teve mais um reconhecimento pois o filme  Diamantino, a primeira longa- metragem de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, venceu o Grande Prémio da 57ª Semana da Crítica da 71ª edição do Festival de Cinema de Cannes. Conforme comunicado pela produtora, enquanto se aguarda a sua estreia comercial, o filme conta “a história de Diamantino, interpretado pelo ator Carloto Cotta, uma superestrela do futebol mundial, cuja carreira cai em desgraça… à procura de um novo objetivo para a sua vida, Diamantino entra numa odisseia delirante, que envolve neofascismo, crise dos refugiados, modificação genética e a busca pela origem da genialidade”. Ainda sobre o mundo futebolístico, é de referir a estreia de Ruth de António Pinhão Botelho, uma abordagem interessante sobre os costumes e vivências de Portugal durante a ditadura salazarista, tendo como pretexto a história da contratação do futebolista Eusébio pelo Benfica.

Os conflitos mundiais continuam com adaptações no cinema, sendo que a 1ª guerra mundial está presente no intenso e belíssimo melodrama franco-alemão de François Ozon, Frantz. Baseado no filme de 1932 realizado por Ernst Lubitsch “O homem que eu matei”, é uma obra apresentada a preto e branco com excelentes interpretações e banda sonora adequada que realçam o luto e o sentimentalismo feminino. De igual forma, a 2ª guerra mundial é um tema recorrente que se pode ver em Os invisíveis de Claus Rafle, um drama com caraterísticas de documentário que decorre em Berlim num período em que a cidade é declarada pelos nazis “livre de judeus”. No entanto, centenas conseguiram escapar às perseguições apresentando-se, nesta obra, os testemunhos de quatro dos sobreviventes, de como viveram a sua vida de adolescentes e jovens adultos num contexto terrível.

O período após a 2ª guerra mundial serve de base ao filme Sociedade literária da tarte da casca da batata de Mike Newell, uma história comovente e deliciosa a partir do livro de Mary Ann Schaffer e Annie Barrows. Nesta excelente película, realça-se importância das relações baseadas na amizade, no amor e na paixão pelos livros que se desenvolvem durante a ocupação alemã da ilha de Guernsey (Canal da Mancha) entre 30 junho de 1940 e 9 maio de 1945 e que constituíram uma forma de resistência.

Também como reflexo de conflitos armados, Refugiados do irreverente artista chinês Ai Weiwei revela-se como um emocionante documentário sobre uma trágica realidade global atual que movimenta milhões de seres. A equipa de filmagem visitou 40 campos de refugiados em 23 países e, entre as afirmações de Ai Weiwei, destacam-se “Este é o meu trabalho: dar voz aos que não têm como falar… Eu tinha muita curiosidade sobre as 65 milhões de pessoas que perderam suas casas em conflitos e desastres naturais. Vê-las sem rumo é muito chocante. Ao mesmo tempo, a resposta europeia é igualmente chocante, pois eles não fazem muito para ajudar”.

Ainda sobre situações problemáticas globais Nunca estiveste aqui de Lynne Ramsay, adaptação do romance homónimo de Jonathan Ames, foca o mundo tenebroso do tráfico humano, tendo ganho no festival de Cannes de 2017 o prémio de melhor argumento e o protagonista, Joaquim Phoenix, o de melhor ator. Outra temática atual, 17 rapariga das irmãs Muriel e Delphine Coulin acaba por ser um filme que provoca um debate sobre a temática da gravidez na adolescência e a reação dos pais e professores à situação. Baseado num caso real ocorrido numa escola dos E.U.A. em 2008 em que dezassete adolescentes decidem engravidar ao mesmo tempo, a ação foi adaptada a uma cidade francesa  constituindo uma reflexão sobre situações vividas por muitos adolescentes.

Ainda sobre ligações humanas, Só te vejo a ti de Marc Forster é um interessante thriller psicológico em que Blake Lively e Jason Clarke protagonizam um casal cuja relação amorosa vai ser posta à prova após a mulher recuperar a visão que tinha perdido devido a um acidente rodoviário. Ordem divina de Petra Volpe, filme selecionado pela Suíça para concorrer ao Óscar de melhor filme estrangeiro, está centrado na luta pela igualdade de direitos para as mulheres na Suíça que, surpreendentemente, só tiveram direito a votar a partir de 1971. Baseia-se nas reações de familiares, amigos e conhecidos à luta pública de uma mulher pelo reconhecimento do direito ao voto feminino que os homens vão votar em 7 fevereiro de 1971.

O realizador Mike Newell regressa, em filme com argumento de Kevin Hood e Thomas Bezucha, interpretado por Lily James, Michiel Huisman e Matthew Goode, para contar a experiência de uma jornalista na pesquisa para um livro sobre a ocupação nazi de Guernsey, uma das ilhas do Canal da Mancha, entre o Reino Unido e França. E o que começou como correspondência com a sociedade literária local e prosseguiu com uma visita à ilha transforma-se num retrato que envolve vários dos habitantes numa história de amizade e solidariedade.O realizador Mike Newell regressa, em filme com argumento de Kevin Hood e Thomas Bezucha, interpretado por Lily James, Michiel Huisman e Matthew Goode, para contar a experiência de uma jornalista na pesquisa para um livro sobre a ocupação nazi de Guernsey, uma das ilhas do Canal da Mancha, entre o Reino Unido e França. E o que começou como correspondência com a sociedade literária local e prosseguiu com uma visita à ilha transforma-se num retrato que envolve vários dos habitantes numa história de amizade e solidariedade.O cinema francês está representado na sátira ao ensino em Madame Hyde de Serge Bozond com Isabelle Huppert, contemplada com o prémio de melhor atriz no festival de Locarno, no papel de uma professora que após ser atingida por um raio desenvolve poderes misteriosos que a transformam totalmente a nível pessoal e profissional. Os fãs dos géneros de terror e de ficção científica devem apreciar Um lugar silencioso de John Krasinski que, num misto do suspense de Hitchcock e do universo Alien, é considerado uma parábola da realidade atual americana ao descrever um mundo apocalíptico em que qualquer som pode chamar seres alienígenas aterradores. Sobre personalidades americanas, LBJ, de Robe Reiner com Woody Harrelson no papel do 36º presidente americano, é um relato da vida política de Lyndon B. Johnson durante a sua permanência no Senado, como vice-presidente de John F. Kennedy e presidente após o assassinato deste em 22 novembro 1963.

Por fim, surgiu nos ecrãs o aguardado Han Solo, uma história da Star Wars de Ron Howard sobre a juventude de um dos mais icónicos rebeldes do cinema. Alden Ehrenreich substitui Harrison Ford na personagem que faz parte da saga que movimenta milhões de fãs e que já pertence ao imaginário popular desde os anos 70 do século XX. Mais uma obra a demonstrar como a magia do cinema une várias gerações e contínua presente ao longo do tempo.

Luísa Oliveira

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O mês de março iniciou-se com 90ª edição da cerimónia dos Óscares da Academia de Hollywood que decorreu no Dolby Theatre, em Los Angeles, apresentada por Jimmy Kimmel. Não houve muitas surpresas nos prémios atribuídos nas várias categorias tendo o realizador mexicano Guillermo Del Toro sido o grande vencedor pois não só foi galardoado com a estatueta para Melhor Realizador como também arrebatou o Óscar de Melhor Filme para A Forma da Água que ganhou quatro estatuetas das treze para que estava nomeada. De registar um feito inédito pois é a quarta vez em cinco anos que um realizador mexicano vence o Óscar para Melhor Realizador com Alfonso Claro em 2014 e Alejandro G. Iñarritú em 2015 e 2016.

Três Cartazes à Beira da Estrada perdeu muitos dos prémios para os quais estava nomeado mas levou dois Óscares em categorias fundamentais: Melhor Atriz para a talentosa Frances McDormand e Melhor Ator Secundário para Sam Rockwell. Na corrida por Melhor Atriz Secundária a vencedora foi Allison Janney, com a sua interpretação brilhante em Eu, Tonya sendo o Melhor ator para Gary Oldman na personagem de Winston Churchill na Hora mais negra. James Ivory também confirmou as previsões ao ganhar o Óscar para Melhor Argumento Adaptado com Chama-me Pelo Teu Nome, enquanto Jordan Peele se tornou o primeiro afro-americano a receber a estatueta de Melhor Argumento Original por Foge. Em termos técnicos, Blade Runner 2049 e Dunkirk foram os mais contemplados, enquanto Coco levou duas estatuetas para Melhor Filme Animado e Melhor Canção Original.

Mas nem todos os filmes de qualidade são contemplados com estes ambicionados prémios, como foi o caso de uma das estreias de março, a comédia dramática Lady Bird de Greta Gerwig candidata em cinco categorias. Um filme de grande sensibilidade já contemplado com prémios de diversos organismos e valorizado pela excelente interpretação de Saoirse Ronan de uma jovem da Califórnia a “crescer” e com uma ligação conflituosa com a mãe numa época de crise económica.

Portugal também tem os seus prémios de cinema e neste ano os Prémios Sophia da Academia Portuguesa de Cinema teve a cerimónia em 25 março, conduzida pela atriz Ana Bola no Casino Estoril. O filme São Jorge de Marco Martins venceu em sete das catorze categorias para que estava nomeado tornando-se, assim, o grande vencedor desta 6ª edição. E, conforme afirmou o premiado realizador no discurso de agradecimento, a sua obra retrata “a primeira crise da minha geração e todos os dias havia direitos que pareciam que nos eram retirados. Aquele filme é sobre a crise e sobre a minha crise, a nossa crise”…“espero que estes prémios ajudem a aproximar o público dos filmes portugueses”. Além dos prémios habituais ligados à produção cinematográfica foram ainda atribuídos três prémios de carreira à caracterizadora Ana Lorena, ao realizador e ensaísta Lauro António e ao realizador Artur Correia, recentemente falecido.

Prosseguindo a valorização da produção cinematográfica nacional, em março, estrearam-se obras que merecem referência. Ramiro de Manuel Mozos, apresentado na abertura do Doc Lisboa, é uma comédia melancólica sobre a resistência e a não adaptação às mudanças verificadas na cidade de Lisboa a partir das vivências quotidianas de uma personagem depressiva interpretada por António Mortágua. Colo de Teresa Villaverde que também foi produtora e argumentista é, lê-se na nota de divulgação, “uma reflexão muito atual, e quase serena, sobre o nosso caminho comum como sociedades europeias de hoje, sobre o nosso isolamento, a nossa perplexidade perante as dificuldades que nos vão surgindo, sobre a nossa vida nas cidades e dentro das nossas famílias. É um filme em tensão crescente que nunca chega a explodir”. Esta obra venceu o Prémio Sauvage, principal galardão do 13.º Festival “L’Europe Autour de l’Europe”, em Paris.

Aparição de Fernando Vendrell leva-nos à redescoberta do grande escritor da literatura portuguesa – Vergílio Ferreira. O filme situa-se em Évora, cidade claustrofóbica onde o próprio Vergílio Ferreira foi colocado como professor nos anos 50 do século passado e onde se desenvolvem relações que terminam de forma trágica. Os documentários são sempre obras relevantes e assim o demonstra No Intenso Agora de João Moreira Salles, uma mistura de imagens pessoais da mãe do realizador com outras de arquivo que fazem parte de acontecimentos marcantes do século XX. Assim vemos um conjunto de imagens que documentam as lutas e protestos conduzidos por populares nas ruas de vários países como em maio de 1968 na França e Checoslováquia, da revolução cultural chinesa em 1966 e da resistência contra o golpe militar no Brasil nos anos 1960.

Outra obra que trata um tema de caráter internacional Mark Felt – o homem que derrubou a Casa Branca de Peter Landesman conta a história da vida privada e profissional do denunciante secreto do escândalo Watergate que transmitiu informações aos jornalistas do Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, que levaram à demissão do presidente americano Richard Nixon em 9 agosto de 1974. A identidade deste denunciante só foi conhecida através de um artigo da Vanity Fair em 2015 em que Mark Felt, vice-presidente do FBI, se apresenta como o homem que arriscou a sua vida pessoal e profissional em defesa da verdade.

Sobre conturbados percursos pessoais em que a resiliência está presente, Marvin de Anne Fontaine é uma adaptação do romance autobiográfico e best-seller “en finir avec Eddy Bellegueule” de Edouard Louis, uma emocionante história de como o autor consegue sobreviver às perseguições na escola e ao perturbado ambiente familiar tornando-se um reconhecido escritor e ator. É um filme que parte da relação do passado com o presente para demonstrar a ascensão social de um jovem homossexual pobre, rejeitado e humilhado na região onde nasceu.

Ainda outra obra francesa admirável e emocionante é Passo a passo de Mehdi Idir, baseada na autobiografia de Grand Corps Malade que também participou na realização. Escrita por Fabien Marsuad, em 2012, como agradecimento a todos os que o ajudaram na sua recuperação após um acidente que o deixou praticamente paraplégico. É uma obra que representa um hino à vida pois, ao apresentar o seu processo de reabilitação, passa a fazer parte de um conjunto largo de pessoas que apesar das suas limitações e lutas diárias não perdem o humor e a esperança.

Diferente desta perspetiva de vida, Com paixão de James Marsh é um drama biográfico sobre a verdadeira odisseia do velejador amador Donald Crowhurst, protagonizado por Colin Firth, que competiu na Golden Globe Race de 1968, na esperança de se tornar a pessoa sozinha mais rápida a circum-navegar o mundo sem paragens. O seu barco, Teignmouth Electron, não tinha condições para tal empreendimento nem o próprio velejador estava preparado a nível físico e psíquico envolvendo-se num conjunto de mentiras e ilusões quando toma conhecimento de que poderá ser o vencedor. O filme apresenta-se assim como uma reflexão sobre os dilemas, limites e a condição do ser humano.

Por fim, a ficção científica de Steven Spielberg em Ready Player One: Jogador 1,  a partir da adaptação do livro de Ernest Cline é, sobretudo, uma belíssima viagem nostálgica à década de 80 do século XX. É gratificante rever os elementos que faziam parte da cultura de massas da época a que se juntaram as inovações tecnológicas pois foi rodado em 3D. A ação frenética, apresentada como num jogo de vídeo tanto no mundo virtual como no real, representa um excelente entretenimento, o que constitui afinal um dos objetivos do cinema.

Luísa Oliveira

 

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O período anterior à cerimónia dos Óscares é caracterizado pela estreia de algumas obras candidatas aos ambicionados prémios. Em fevereiro entre essas estreias destaca-se A forma da Água de Guillermo del Toro com treze candidaturas aos galardões máximos e que tem acumulado inúmeros prémios, embora o realizador tenha sido acusado de plágio. Mas, apesar disso, é uma agradável fábula romântica sobre a relação especial, em plena guerra fria, de dois seres de espécies diferentes, uma mulher muda, empregada de limpeza num laboratório governamental secreto e um ser anfíbio capturado na Amazónia que vive num tanque de água e será alvo de experiências científicas. O enredo é protagonizado por Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Octavia Spencer e Michael Stuhlbarg num ambiente em que os cenários reconstituem, de forma convincente, a atmosfera da época, os anos sessenta do século XX.

Igualmente candidato aos Óscares com seis nomeações, Linha fantasma marca o regresso de Paul Thomas Anderson numa obra em que se destaca a interpretação exemplar de Daniel Day-Lewis como Reynolds Woodcock, uma excêntrica figura da alta-costura britânica da década de 50, criada pelo realizador mas inspirada em criadores da moda europeia e americana. É uma belíssima obra com um enredo emocionalmente inquietante e intrigante que se desenvolve num ambiente de luxo e glamour na cidade de Londres no período pós guerra com uma adequada banda sonora do guitarrista  Jonny Greenwood.

Com três nomeações o drama,  Eu, Tonya de Craig Gillespie relata factos verídicos que envolveram  a  patinadora artística americana Tonya Harding na agressão à sua rival, Nancy Kerrigam, antes das Olimpíadas de inverno de 1994, em Lillehammer. A australiana Margot Robbie, no papel da patinadora que acabou por ser irradiada da patinagem artística, está nomeada para o Óscar de Melhor Atriz, enquanto  Allison Janney é  favorita para o Óscar de Melhor Atriz Secundária, no papel da  sua  abusiva mãe . As suas excelentes interpretações  valorizam um enredo de personagens absurdas em que sobressaem  os abusos  físicos e psicológicos  de que a patinadora era vítima  por parte da mãe e do marido.

Também baseado em factos reais que envolveram violência, Todo do Dinheiro do Mundo de Ridley Scott é inspirado na história do sequestro em julho de 1973, por mafiosos italianos, do adolescente John Paul Getty III, neto do magnata americano do petróleo John Paul Getty, interpretado por Christopher Plummer com nomeação para o Óscar de melhor ator secundário. O filme narra as tentativas desesperadas da  mãe do adolescente  em convencer o intransigente  avô bilionário  a pagar a elevada quantia exigida como resgaste,  assim como a relação que o refém vai estabelecer com um dos seus sequestradores.

Numa vertente diferente e sendo considerado um dos melhores filmes da temporada, temos um olhar real e duro sobre a América atual  em The Florida Project  de Sean Baker , sobre os  que não vivem o “sonho americano“ e que lutam, todos os dias, para sobreviver. Com interpretações realistas de atores estreantes destaca-se o veterano Willem Dafoe, candidato ao Óscar de melhor ator secundário, no papel de um gerente que tenta conciliar os valores humanitários com as preocupações económicas. Ainda sobre a América e a atualidade, o grande mestre do cinema clássico americano, Clint Eastwood, recria em 15:17 Destino Paris, a história verídica de três jovens americanos banais  que, em viagem pela Europa, se transformaram em heróis com um ato de coragem  impedindo um ataque terrorista  em 21 agosto de 2015. O filme demonstra como as pessoais consideradas normais são capazes de comportamentos excecionais em determinadas circunstâncias. É uma obra agradável em que três amigos se interpretam a si próprios com grande autenticidade fazendo esquecer que não são atores.

De super heróis trata o mais recente filme da Marvel Studios,  Black Panther  de Ryan Coogler, uma autêntica celebração da cultura  negra. Desde a sua estreia que se tem afirmado como um filme bastante rentável com um elenco de excelentes atores negros num enredo que explora a cultura e mitologia negra e a valorização das suas raízes. Ao longo da ação afirma-se também como uma obra inovadora e criativa que apresenta questões políticas, sociais e culturais, pois estão presentes as críticas e comentários à vida da comunidade afro-americana na atualidade.

Por fim,  é também digno de menção o filme português Amor, Amor, a segunda longa metragem de ficção de Jorge Cramez , referida como  “uma comédia dramática de enganos  sobre dois casais“ em que o fascínio e a provocação estão presentes.

Luísa Oliveira

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Como é de conhecimento geral, nos dois primeiros meses de cada ano desenrola-se a temporada de prémios cinematográficos que são indicadores das inclinações de voto para os troféus mais desejados, os Óscares da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Este ano a cerimónia de um dos maiores acontecimentos dos média a nível global está prevista para 4 março com apresentação de Jimmy Kimmel. O filme com mais nomeações, treze no total, A Forma da água de Guillermo del Toro só estreia a 1 fevereiro e, por isso, será referido nas próximas Fitas.

Mas em janeiro, houve estreias que têm tido grande reconhecimento internacional, como é o caso do excelente Três cartazes à beira da estrada de Martin McDonagh, com Frances McDormand numa magistral interpretação de uma mãe que usa os três cartazes para denunciar o péssimo trabalho da polícia na investigação da violação e homicídio da sua filha. É uma forte candidata ao prémio para melhor atriz sendo que esta obra emotiva apresenta sete nomeações.

Outra excelente candidata a este prémio, Meryl Streep, premiada com a sua 21ª nomeação, brilha num filme com caráter histórico no papel de Katharine Graham, proprietária do jornal The Washington Post em The Post de Steven Spielberg. Este carismático realizador apresenta uma obra clássica sobre a história por trás da decisão do referido jornal de publicar, contra a vontade do presidente Richard Nixon, os documentos ultra-secretos denominados Papéis do Pentágono, com informações que comprometem as ações dos EUA durante a Guerra do Vietname.

Igualmente de grande qualidade, temos mais uma adaptação cinematográfica de um episódio crucial da 2ª guerra mundial – A hora mais negra de Joe Wright, focando as dificuldades vividas pelo primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, quanto às decisões adequadas a tomar e que vão marcar o desfecho do conflito. Gary Oldman tem uma prestação excelente na figura do icónico político o que lhe tem valido vários prémios sendo também candidato ao Óscar de melhor ator.

Com quatro nomeações para os Óscares, o revoltante drama Mudbound – as lamas do Mississipi de Dee Rees, em que Rachel Morrison, diretora de fotografia, se tornou primeira mulher a ser indicada nesta categoria.  Baseado no livro de Hillary Jordan, a ação desenrola-se no período pós 2ª guerra mundial e demonstra o preconceito e racismo de uma comunidade americana ignorante que não aceita a amizade de dois veteranos de guerra, um branco e outro negro, marcados pelos momentos terríveis que viveram durante o conflito. Da realizadora de Singapura Kirsten Tan uma comédia dramática insólita mas cativante pela sua simplicidade e valorização da amizade e memória surge-nos Pop Aye,

Prémio Especial do Júri do festival de Sundance e no Festival de Roterdão Prémio VPRO Big Screen. James Franco realizou Um desastre de artista, a história tragicómica de Tommy Wiseau, numa obra sobre sonhos que parecem ser impossíveis de realizar, a partir do best-seller de Greg Sestero que descreve a preparação de The Room (“The Greatest Bad Movie Ever Made”), considerado uma “obra maldita” mas que, ironicamente, se tornou um filme de culto.

O argumentista Aaron Sorkin estreia-se na realização com a história real de Molly Bloom, a chamada “princesa do poker” que se evidenciou numa atividade exclusivamente masculina em que se movimentam apostas milionárias. O jogo de alta roda, baseado no livro de Molly Bloom, demonstra como a ambição e sucesso podem estar ligadas ao submundo do crime organizado. Liam Neeson protagoniza mais um filme de acção e suspense em The commuter – o passageiro de Jaume Collet-Serra. É um filme com traços idênticos a outros deste ator mas que é do agrado de algum público.

A vitalidade do cinema turco destaca-se numa obra que agradará aos amantes de animais em Gatos de Ceyda Torun, uma história original que, partindo da descrição do quotidiano de grupos de felinos que povoam a cidade de Istambul, é uma forma interessante e diferente de olhar para esta cidade.

Por fim, relembro que o Cineclube da Gandaia, no centro comercial O pescador na Costa de Caparica anima todas as quintas-feiras o auditório com obras cinematográficas com início às 21:00 horas e em fevereiro apresenta o ciclo When Tim meets Johnny, que celebra o trabalho conjunto do realizador Tim Burton com o ator Johnny Depp. Além do visionamento das obras há um pequeno debate e bibliografia sobre a obra a visionar.

Luísa Oliveira

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Em nove de dezembro, na 30ª edição dos Prémios da Academia Europeia de Cinema realizada em Berlim, o filme O Quadrado do sueco Ruben Östlund foi distinguido em seis categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador. Esta obra que continua em exibição nos cinemas portugueses já tinha sido reconhecida com a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes. Na categoria de Melhor Filme de Animação foi distinguido A Paixão de Van Gogh feito a partir de mais de 65.000 pinturas a óleo, recriando o traço impressionista do pintor holandês e na de Melhor Documentário “Communion”. O prémio de Descoberta Europeu foi para Lady Macbeth de William Oldroyd.

Quanto às estreias do mês, verificou-se um conjunto de filmes de qualidade dirigidos a públicos diversos. Começo com o aguardado e muito desejado pelos inúmeros fãs da saga iniciada por George Lucas Star Wars: Episódio VIII: Os Últimos Jedi, escrito e realizado por Rian Johnson. O certo é que este novo capítulo não desilude com um final intenso e arrebatador que compensa todo o tempo de espera . Igualmente uma prenda para os apreciadores de Woody Allen, Roda Gigante é uma obra melancólica ao estilo deste realizador sobre frustrações amorosas tendo como local de ação um parque de diversões em Coney Island nos anos 50. Com um argumento emotivo a partir do best-seller de R.J. Palacio, Stephen Chbosky realizou Wonder – Encantador sobre a entrada na escola pública de uma criança com o rosto deformado. Embora seja um tema delicado é apresentado sem melodramas revivendo-se a magia da infância.

Outro olhar sobre a infância é o que sobressai em mais uma obra ligada a factos trágicos da 2ª guerra mundial, neste caso, ocorridos durante a ocupação nazi de França em Os meninos que enganavam os nazis de Christian Duguay. Baseado no livro autobiográfico de Joseph Joffo publicado 1973, a coprodução francesa e canadense mostra como este, por decisão familiar, é obrigado a fugir de Paris com o irmão mais velho com o objectivo de evitarem o transporte para um campo de concentração. Assistimos à reconstrução de factos históricos durante a jornada dos irmãos pelo interior do país pautada pela coragem e amor numa época marcada pela intolerância e medo. E, apesar do final triste o filme transmite a esperança de que a união da humanidade contribui para dominar o mal.

Igualmente focando acontecimentos históricos terríveis do genocídio arménio perpetrado pelos turcos, temos outro filme de grande qualidade A Promessa de Terry George. É uma obra romântica que retrata, fielmente, os factos relacionados com o que é considerado o primeiro genocídio do Século XX que decorreu durante a 1ª guerra mundial num período de desmoronamento do império turco otomano. A casa torta,  de Gilles Paquet – Brenner, baseado numa obra de Agatha Christhie, é um policial  com cenários e guarda roupa que reproduzem com exatidão o ambiente do Reino Unido nos anos 50. É uma obra bastante agradável com muitas surpresas  no enredo o que leva  a um suspense contínuo até ao final surpreendente. Igualmente com uma excelente recriação dos anos 50 Suburbicon de George Clooney e argumento original dos irmãos Joel e Ethan Coen, que mais uma vez representa uma crítica à sociedade americana que não presta atenção aos verdadeiros problemas sociais. Com algum humor são apresentados dois enredos paralelos focando o racismo numa comunidade americana e o mistério que envolve um crime com destaque para a interpretação de Matt Damon na personagem principal.

Um bom entretenimento O grande Showman de Michael Gracey é um musical realizado a partir de uma história verídica protagonizado por Hugh Jackman como P. T. Barnum, visionário que, criando um grande circo, contribuiu para o aparecimento do show business. Num ritmo acelerado acompanhado por belas obras musicais são apresentadas diferentes e exóticas personagens no meio de cenários magníficos transmitindo a beleza e magnificência do espetáculo artístico.

Por fim, a maravilhosa fábula Paddington 2 de Paul King é a continuação da adaptação dos livros de Michael Bond ligados ao imaginário dos animais que falam. Ben Whishaw volta a dar voz ao irrequieto ursinho numa obra agradável e descontraída,  mais um exemplo da magia do cinema.

Luísa Oliveira

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No conjunto das estreias de novembro o destaque vai para o documentário apresentado em sessões especiais Rosas de Ermera de Luís Filipe Rocha. Relato verídico do período da 2ª guerra mundial em que Timor foi invadido por tropas japonesas e os pais e irmã do cantor de resistência e intervenção José Afonso foram internados num campo de concentração. Com imagens de arquivo e testemunhos dos irmãos do cantor é uma forma emotiva de revisitar e reviver esse período, tanto em Timor como na metrópole salazarista.

Igualmente muito interessante é Peregrinação de João Botelho, adaptação da obra homónima de Fernão Mendes Pinto, impressa pela primeira vez em 1614, com as aventuras no oriente apresentadas numa mistura de fantasia e realidade, em ambientes fantásticos e misteriosos valorizados pela excelente fotografia a que se junta coros como elementos enriquecedores.

Nas estreias do mês destaque ainda para o filme que lidera as nomeações para os prémios da Academia Europeia de Cinema, a entregar em 09 de dezembro, O Quadrado do sueco Ruben Ostlund, galardoado com a Palma de Ouro do último Festival de Cannes. Inspirado em algumas situações reais vividas pelo realizador, esta sátira desenrola-se no espaço de um museu enquanto decorre uma instalação de arte contemporânea e, segundo aquele, deve ser analisada numa perspetiva sociológica para se concluir o que falha no ser humano, neste caso, a degradação progressiva do curador da exposição com tudo o que o rodeia.

Também de degradação, mas social, a brilhante comédia apresentada em tom teatral e que termina em tragédia A Festa de Sally Potter, produzida pela BBC com excelentes interpretes, como Kristin Scott Thomas, apresenta um pequeno grupo de sete pessoas da classe média-alta cujas atitudes representam uma metáfora da actual  situação sócio-política da Inglaterra.

Tivemos Um Crime no Expresso do Oriente de Kenneth Branagh, realizador e protagonista nesta nova adaptação do policial clássico de Agatha Christie. Nesta obra, porém, além de algumas alterações à narrativa original, o carismático detective belga, Hercule Poirot, surge totalmente descaraterizado e ridículo, completamente diferente da personagem original da autora, valendo o filme apenas pelos excelentes atores que fazem parte do elenco.

Várias estreias mostraram argumentos sobre resistência e resiliência de quem viveu situações traumáticas. David Gordon Green em Stronger – a força de viver trata uma temática ligada ao terrorismo, o atentado de 15 de Abril de 2013 na maratona de Boston. Baseado no livro de memórias de Jeff Bauman que perdeu ambas as pernas no atentado mas que ajudou a encontrar um dos terroristas, demonstra o efeito que o acontecimento teve na sua vida e na dos seus familiares. Os atores Jake Gyllenhaal e Tatiana Maslany transmitem na perfeição a angústia vivida por Jeff no seu quotidiano como deficiente mas também a sua superação física e emocional transmitindo uma mensagem de esperança.

Com a mesma finalidade Vive de Andy Serkis, produzido por Jonathan Cavendish, retrata as vivências resultantes do facto do seu pai, Robin Cavendish, ter contraído poliomielite aos 28 anos. Além da história de amor e de ânimo dos pais do produtor perante a adversidade, também tem um objectivo informativo pois valoriza o contributo de Robin Cavendish para a melhoria das condições de tratamento de quem sofria as mesmas limitações causadas pela doença.

Focando também as consequências de doenças terríveis no seio familiar  Um Homem de Família de Mark Williams conta com Gerard Butler no papel do protagonista que altera a sua perspectiva do mundo quando vê o filho de 10 anos, Ryan (Max Jenkins), ser internado com leucemia. A montanha entre nós de Hany Abu-Asad é mais um argumento sobre o instinto de sobrevivência em condições adversas com adaptação da obra homónima de Charles Martin. Enriquecido pelas interpretações da oscarizada Kate Winslet e Idris Elba que juntam esforços para sobreviverem num ambiente hostil após um trágico acidente de avião.

Marcas de guerra de Jason Hall apresenta factos reais vividos por milhares de combatentes, neste caso soldados americanos que combateram no Iraque, ao ingressarem na vida civil e a forma como têm de viver com os traumas de guerra. Shot caller – sobreviver a todo o custo de Ric Roman Waugh retrata a realidade do ambiente violento e aterrador do meio prisional. Protagonizado, de forma exemplar, por Nikolaj Coster- Waldau o realizador pesquisou e contactou durante vários anos os elementos desse meio para realizar um drama contra um sistema que leva muitos prisioneiros à degradação moral e a transformarem os seus percursos de vida para sobreviverem.

E porque nunca é demais esquecer os ideólogos do mal mas, sobretudo, os que lutaram  contra o terror  nazi defendendo o direito à liberdade, temos  O homem do coração de ferro de Cédric Jimenez, denominação atribuída por Hitler à terrível figura emblemática do nazismo: Reinhard Tristan Eugen Heydrich. O filme descreve a sua ascensão nas tenebrosas  SS e a forma como  espalhou o terror por onde passava até à sua morte com 38 anos de idade em maio de 1942, vítima de um atentado em Praga organizado pela Operação Antropóide. Este acontecimento idealizado por Winston Churchill e por um pequeno grupo da Resistência Checa e dirigido por membros do governo checolosvaco no exílio foi posto em prática por Jan Kubis e Jozef Gabci. No entanto, a morte de Reinhard Heydrich desencadeou uma terrível sequência de massacres perpetuados pelos nazis com destaque para o que teve como alvo a destruição sangrenta da aldeia de Lídice.

Com a aproximação da época natalícia, surgem mais filmes direcionados para o público  infantil / juvenil, como é o caso do colorido  Coco de Lee Unkrich e do artista gráfico Adrian Molina. É uma maravilhosa obra animada da Disney Pixar, que valoriza os costumes e tradições mexicanas a partir da viagem de uma criança com o seu companheiro canino ao mundo dos mortos. Não é uma obra assustadora, muito pelo contrário, pois apresenta-se divertida, animada, com cenários mágicos, realçando os sonhos de criança e o respeito e valorização da família, o que condiz com a época festiva.

Termino salientando que em novembro, além das estreias, também se verificou reconhecimento de obras nacionais em acontecimentos cinematográficos internacionais. A primeira longa-metragem de ficção do realizador português Pedro Pinho A fábrica de nada  recebeu o Prémio de Melhor Filme no Festival de Cinema de Sevilha que se vem juntar a outros galardões, nomeadamente, os Prémios do Público  no Festival Ficvaldivia, no Chile, CineVision no Filmfest München, de Melhor Realização no Duhok IFF’17, do Júri no CineFest Miskolc Internacional Film Festival’17 e o da Crítica no Festival de Cannes.  Também o filme Farpões Baldios de Marta Mateus, que reflete sobre ruralidade e trabalho, já tinha vencido o Grande Prémio do Curtas Vila do Conde- Internacional Film Festival conquistou o Grande Prémio do Hiroshima International Film Festival, no Japão.

Luísa Oliveira

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Os fãs de ficção científica há muito que aguardavam a estreia de Blade Runner 2049 de Dennis Villeneuve, 35 anos após o filme de culto realizado por Ridley Scott .  Mas a espera valeu a pena pois a magia do cinema continua nos 163 minutos desta obra que apresenta agora Ridley Scott como produtor, continuando a personagem de Harrison Ford  assim como o   mesmo ambiente soturno  e claustrofóbico de Los Angeles, com a excelente banda sonora a contribuir para a atmosfera assombrada  da cidade. No meio de paisagens futuristas, fruto de fotografias espectaculares, mantem-se a questão filosófica sobre as noções de realidade e definição do ser humano a que se junta a de paternidade.

Outra estreia a salientar devido ao modo criativo como combina atores, tecnologia digital e imagens pintadas a óleo sobre tela por 120 artistas é  A Paixão de Van Gogh, animação de longa-metragem do inglês Hugh Welchman e da polaca Dorota Kobiela,  com um enredo passado após a morte do carismático pintor  partindo de um  inquérito  às circunstâncias  em que a mesma ocorreu. Assim, nesta obra denominada ”a primeira longa metragem totalmente pintada do mundo”, em que se especula acerca da explicação aceite  sobre o acontecimento, os realizadores pretenderam preservar a autenticidade estética dos quadros, utilizarando técnicas morosas e pouco convencionais pelo que, a realização demorou 5 anos.

Mas sem dúvida que a estreia a salientar em outubro é a obra premiada com o Urso de Prata de melhor realizador no festival de Berlim: O Outro Lado da Esperança de Aki Kaurismäki  é considerada  por muitos o melhor filme do ano. O tema é atual e pertinente  pois  debruça-se sobre a situação de um refugiado sírio que procura reconstruir a sua vida em Helsinquia onde a sua presença provoca reações contraditórias pois, embora seja  apoiado por alguns elementos da comunidade,  também é atacado por outros. No meio de situações humorísticas e dramáticas do quotidiano o que transparece nesta emotiva obra é que ainda é possível ter esperança na humanidade.

Em Amor de Improviso, Michael Showalter trata com humor factos reais envolvendo a vida pessoal do comediante paquistanês Kumail Nanjiani, autor do argumento, sobre o período em que conheceu a sua mulher e de que forma é que conseguiram manter o relacionamento apesar do mesmo não ser aceite pela sua família tradicional. Igualmente sobre ambientes familiares temos o simpático Castelo de vidro de Destin Cretton, baseado na autobiografia da jornalista Jeannette Walls e na sua problemática infância no seio de uma família disfuncional, sendo este testemunho uma forma da jornalista se reconciliar com o seu passado instável. O papel dos laços familiares também está presente em Aquilo que nos une de Cédric Kllapisch, a história de uma família  vinícola  a debater-se  com a continuação do negócio e o futuro da herança familiar. O filme embora apresente as tensões resultantes da indefinição no que respeita às decisões a tomar é uma forma de enaltecer a união e o legado familiar associado, neste caso, à terra.

Um filme de qualidade que junta ação, suspense e questões políticas, O estrangeiro de Martin Campbell, apresenta Jackie Chan numa boa interpretação de um pai desesperado pela morte da filha num atentado terrorista e que se transforma num homem sedento de vingança  na  busca dos  responsáveis pelo ato criminoso. Sobre um tema sempre actual e que envolve várias gerações de emigrantes, Todos os sonhos do mundo de Laurence Ferreira Barbosa aborda a vida dos portugueses emigrados em França, descrevendo a realidade de uma geração de luso-descendentes na procura de identidade e dividida entre duas culturas.

Por fim, um filme que esperemos que não seja premonitório, Geostorm – Ameaça global de Dean Devlin, para os que apreciam obras em que ficção científica, relata-nos situações catastróficas que põem em causa a segurança do planeta.

Termino relembrando que Cineclube Impala Cine, da Associação Gandaia, no Auditório da Costa de Caparica continua os ciclos de cinema, sendo o do mês de novembro, dedicado ao tema «No despertar do Sonho Americano», o que representa uma oportunidade para rever obras de qualidade às quintas-feiras às 21:00 horas.

Luísa Oliveira

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