Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Janeiro, 2018

Em nove de dezembro, na 30ª edição dos Prémios da Academia Europeia de Cinema realizada em Berlim, o filme O Quadrado do sueco Ruben Östlund foi distinguido em seis categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador. Esta obra que continua em exibição nos cinemas portugueses já tinha sido reconhecida com a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes. Na categoria de Melhor Filme de Animação foi distinguido A Paixão de Van Gogh feito a partir de mais de 65.000 pinturas a óleo, recriando o traço impressionista do pintor holandês e na de Melhor Documentário “Communion”. O prémio de Descoberta Europeu foi para Lady Macbeth de William Oldroyd.

Quanto às estreias do mês, verificou-se um conjunto de filmes de qualidade dirigidos a públicos diversos. Começo com o aguardado e muito desejado pelos inúmeros fãs da saga iniciada por George Lucas Star Wars: Episódio VIII: Os Últimos Jedi, escrito e realizado por Rian Johnson. O certo é que este novo capítulo não desilude com um final intenso e arrebatador que compensa todo o tempo de espera . Igualmente uma prenda para os apreciadores de Woody Allen, Roda Gigante é uma obra melancólica ao estilo deste realizador sobre frustrações amorosas tendo como local de ação um parque de diversões em Coney Island nos anos 50. Com um argumento emotivo a partir do best-seller de R.J. Palacio, Stephen Chbosky realizou Wonder – Encantador sobre a entrada na escola pública de uma criança com o rosto deformado. Embora seja um tema delicado é apresentado sem melodramas revivendo-se a magia da infância.

Outro olhar sobre a infância é o que sobressai em mais uma obra ligada a factos trágicos da 2ª guerra mundial, neste caso, ocorridos durante a ocupação nazi de França em Os meninos que enganavam os nazis de Christian Duguay. Baseado no livro autobiográfico de Joseph Joffo publicado 1973, a coprodução francesa e canadense mostra como este, por decisão familiar, é obrigado a fugir de Paris com o irmão mais velho com o objectivo de evitarem o transporte para um campo de concentração. Assistimos à reconstrução de factos históricos durante a jornada dos irmãos pelo interior do país pautada pela coragem e amor numa época marcada pela intolerância e medo. E, apesar do final triste o filme transmite a esperança de que a união da humanidade contribui para dominar o mal.

Igualmente focando acontecimentos históricos terríveis do genocídio arménio perpetrado pelos turcos, temos outro filme de grande qualidade A Promessa de Terry George. É uma obra romântica que retrata, fielmente, os factos relacionados com o que é considerado o primeiro genocídio do Século XX que decorreu durante a 1ª guerra mundial num período de desmoronamento do império turco otomano. A casa torta,  de Gilles Paquet – Brenner, baseado numa obra de Agatha Christhie, é um policial  com cenários e guarda roupa que reproduzem com exatidão o ambiente do Reino Unido nos anos 50. É uma obra bastante agradável com muitas surpresas  no enredo o que leva  a um suspense contínuo até ao final surpreendente. Igualmente com uma excelente recriação dos anos 50 Suburbicon de George Clooney e argumento original dos irmãos Joel e Ethan Coen, que mais uma vez representa uma crítica à sociedade americana que não presta atenção aos verdadeiros problemas sociais. Com algum humor são apresentados dois enredos paralelos focando o racismo numa comunidade americana e o mistério que envolve um crime com destaque para a interpretação de Matt Damon na personagem principal.

Um bom entretenimento O grande Showman de Michael Gracey é um musical realizado a partir de uma história verídica protagonizado por Hugh Jackman como P. T. Barnum, visionário que, criando um grande circo, contribuiu para o aparecimento do show business. Num ritmo acelerado acompanhado por belas obras musicais são apresentadas diferentes e exóticas personagens no meio de cenários magníficos transmitindo a beleza e magnificência do espetáculo artístico.

Por fim, a maravilhosa fábula Paddington 2 de Paul King é a continuação da adaptação dos livros de Michael Bond ligados ao imaginário dos animais que falam. Ben Whishaw volta a dar voz ao irrequieto ursinho numa obra agradável e descontraída,  mais um exemplo da magia do cinema.

Luísa Oliveira

Anúncios

Read Full Post »

Espero que te possa confiar tudo a ti; o que, até agora nunca pude fazer a ninguém, e espero que venhas a ser um grande amparo para mim.

Anne Frank

Imagem1Anne Frank, uma pequena menina judia de 13 anos recebe no dia do seu aniversário, um pequeno diário.  Anne vai escrevê-lo frequentemente sob a forma de carta a uma amiga imaginária, a quem vai chamar “Kitty”. Nele, Anne desabafa sobre a sua vida e os seus pensamentos mais íntimos.

Às três horas da tarde, a família Frank recebe uma carta, a dizer que Margot, irmã de Anne, teria de ir para um campo de concentração na Alemanha. Otto, pai de Anne, decide abandonar as suas vidas antigas para não serem apanhados pela Gestapo (polícia nazi). Escondem-se num pequeno “apartamento”, onde Otto trabalhava. A esse “apartamento”, Anne chama “anexo” e aos seus habitantes de “mergulhadores”.

No “anexo”, não podiam fazer barulho, por causa dos operários que trabalhavam no rés-

Imagem3

o “Anexo”

do-chão. Ao ir para o “anexo”, a família Frank ficou privada de sair à rua  porque podia ser descoberta a qualquer altura. Como não podiam sair à rua, Miep uma operária que trabalhava para Otto, sacrificou-se a ajudar a família Frank trazendo comida e notícias “do mundo exterior”. Anne admirava muito Miep, chamando-a de “a nossa heroína”.

“Como refúgio, a casa de trás é ideal; ainda que seja húmida e esteja toda inclinada, estou segura de que em toda Amsterdão, e talvez em toda Holanda, não há outro refúgio tão confortável como o que temos instalado aqui.”

No início a família Frank não consegue habituar-se à sua nova vida de “mergulhador”.  Anne sente muitas dificuldades, mas aceita e consegue habituar-se a certas mudanças. Às nove horas da manhã, o anexo receberia mais três moradores, a família van Daans. Estes não conseguem habituar-se às suas novas vidas, queixando-se de tudo e  deixando Anne desconfortável.

“ A gente não tem ideia de como mudou até que a mudança já tenha acontecido.”

Como o “anexo” se encontrava no meio de Amesterdão, os bombardeamentos ingleses eram frequentes, deixando todos os “mergulhadores” receosos. Vivia-se um período de medo. Mais tarde, entra o oitavo “mergulhador, Dussel, um homem solitário com a mulher no estrangeiro. Este, como não tinha lugar para dormir, muda-se para o quarto de Anne. Anne não simpatiza com Dussel.

“Como se já não ouvisse bastante ‘psius’ durante o dia, porque estou fazendo barulho demais, meu caro companheiro de quarto teve a ideia de ficar fazendo ‘psius’ também à noite. De acordo com ele, eu não deveria nem me mexer. Eu me recuso a dar trela, e da próxima vez em que ele pedir silêncio vou devolver-lhe o ‘psiu’.”

A vida dos moradores não era nada fácil. Acordavam às 7:30, as mulheres preparavam as refeições enquanto os homens, trabalhavam nas suas “secretarias”. Anne passava a tarde a estudar e à noite escrevia no seu diário.

Vários meses se passam e os “mergulhadores” habituam-se à sua nova vida. Anne, por ser a mais nova de entre os moradores, normalmente recebia a culpa de tudo.

Às sete horas da tarde, Anne e os restantes “mergulhadores”, reúnem-se a ouvir a rádio, na emissora Orange. Ouvem que a Itália fascista tinha capitulado e que a derrota dos alemães estava próxima. Os moradores do anexo, ao ouvirem isso, começaram a ficar ansiosos pelo fim da guerra e por poderem voltar as suas antigas vidas.

Já é 1944, e a derrota dos Alemães, estava prevista para o inverno. Anne já tem quase 15 e começa a perder o receio dos “mergulhadores serem descobertos pelos alemães. Começa a aproximar-se de Peter, o único filho da família van Daans. Mais tarde, apaixona-se por Peter, chegando mesmo a beijá-lo. Peter já tinha dezoito anos e Anne nunca conseguiu pedi-lo em namoro, visto que tinha mais três anos do que ela.

imagem5

Mais uma vez, Anne e os mergulhadores reúnem-se à volta da rádio a ouvir as notícias. Ao meio dia, a rádio inglesa anunciou o «D-day». Anne percebeu logo que não tardava o colapso da Alemanha e que o fim da guerra estava próximo.

“Os horríveis alemães oprimiram-nos e ameaçam-nos tanto tempo, que só o pensar, agora, não se trata só dos judeus. Agora  trata-se da Holanda e de toda a Europa.”

«Um feixe de contradições», esta foi a frase que Anne começou a escrever para Kitty a 1 de agosto de 1944. Nesse dia Anne escreve um desabafo final sobre o que ela pensava do mundo. Desabafa uma última vez com “Kitty”. Estas foram as últimas palavras a serem escritas no seu diário:

“ (…) e continuo a procurar um meio para vir a ser aquela que gostava de ser, que era capaz de ser, se…sim, se não houvesse mais ninguém no Mundo. ”

Tua Anne M. Frank

A 4 de agosto, a policia «Grune Polizei» invade o “anexo”, prendendo todos os habitantes, levando-os para um campo de concentração na Alemanha. Em 1945, nove meses após a Imagem6sua deportação, Anne morre no campo de concentração de Bergen-Belsen. A sua irmã Margot tinha falecido também vítima de tifo e subnutrição dias antes de Anne. A sua morte aconteceu duas semanas antes do campo ser liberto. Dos oito “mergulhadores”, apenas o pai de Anne sobreviveu.

Na minha opinião, o tema retratado na obra (a vida de uma menina judaica presa num “anexo” durante a 2º guerra mundial) é interessante para o leitor, com poucas passagens desinteressantes. Após a morte de Anne, o leitor certamente sentirá compaixão e tristeza, visto que acompanhamos a sua vida no “anexo”. Recomendaria esta obra aos meus colegas, sendo esse o motivo pelo qual decidi escrever sobre ela.

Imagem7Os agentes alemães pilharam o “anexo”, levando fotografias, jornais, etc. Dois anos depois, Miep encontra numa pilha de jornais e papeis velhos, o diário de Anne. Alguns anos mais tarde Otto, pai de Anne, publica pela 1ª vez o livro da filha, com o nome de: “Como sobrevivi ao holocausto” . Miep morreu em 2010, com 101 anos de idade e ficou conhecida como a ajudante de Anne. Otto morreu em 1980, em Berna com cancro do pulmão. Ficou conhecido na história como pai de Anne  e passou a sua vida a divulgar os pensamentos da filha.

Atualmente o Diário de Anne Frank é um dos dez livros mais lidos em todo o mundo.

 

Jaime Espada , 7ºE

Read Full Post »

2018!

1ae73f7b8703c4b8020bcdb8077ec207

Read Full Post »