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Archive for Janeiro, 2018

Como é de conhecimento geral, nos dois primeiros meses de cada ano desenrola-se a temporada de prémios cinematográficos que são indicadores das inclinações de voto para os troféus mais desejados, os Óscares da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Este ano a cerimónia de um dos maiores acontecimentos dos média a nível global está prevista para 4 março com apresentação de Jimmy Kimmel. O filme com mais nomeações, treze no total, A Forma da água de Guillermo del Toro só estreia a 1 fevereiro e, por isso, será referido nas próximas Fitas.

Mas em janeiro, houve estreias que têm tido grande reconhecimento internacional, como é o caso do excelente Três cartazes à beira da estrada de Martin McDonagh, com Frances McDormand numa magistral interpretação de uma mãe que usa os três cartazes para denunciar o péssimo trabalho da polícia na investigação da violação e homicídio da sua filha. É uma forte candidata ao prémio para melhor atriz sendo que esta obra emotiva apresenta sete nomeações.

Outra excelente candidata a este prémio, Meryl Streep, premiada com a sua 21ª nomeação, brilha num filme com caráter histórico no papel de Katharine Graham, proprietária do jornal The Washington Post em The Post de Steven Spielberg. Este carismático realizador apresenta uma obra clássica sobre a história por trás da decisão do referido jornal de publicar, contra a vontade do presidente Richard Nixon, os documentos ultra-secretos denominados Papéis do Pentágono, com informações que comprometem as ações dos EUA durante a Guerra do Vietname.

Igualmente de grande qualidade, temos mais uma adaptação cinematográfica de um episódio crucial da 2ª guerra mundial – A hora mais negra de Joe Wright, focando as dificuldades vividas pelo primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, quanto às decisões adequadas a tomar e que vão marcar o desfecho do conflito. Gary Oldman tem uma prestação excelente na figura do icónico político o que lhe tem valido vários prémios sendo também candidato ao Óscar de melhor ator.

Com quatro nomeações para os Óscares, o revoltante drama Mudbound – as lamas do Mississipi de Dee Rees, em que Rachel Morrison, diretora de fotografia, se tornou primeira mulher a ser indicada nesta categoria.  Baseado no livro de Hillary Jordan, a ação desenrola-se no período pós 2ª guerra mundial e demonstra o preconceito e racismo de uma comunidade americana ignorante que não aceita a amizade de dois veteranos de guerra, um branco e outro negro, marcados pelos momentos terríveis que viveram durante o conflito. Da realizadora de Singapura Kirsten Tan uma comédia dramática insólita mas cativante pela sua simplicidade e valorização da amizade e memória surge-nos Pop Aye,

Prémio Especial do Júri do festival de Sundance e no Festival de Roterdão Prémio VPRO Big Screen. James Franco realizou Um desastre de artista, a história tragicómica de Tommy Wiseau, numa obra sobre sonhos que parecem ser impossíveis de realizar, a partir do best-seller de Greg Sestero que descreve a preparação de The Room (“The Greatest Bad Movie Ever Made”), considerado uma “obra maldita” mas que, ironicamente, se tornou um filme de culto.

O argumentista Aaron Sorkin estreia-se na realização com a história real de Molly Bloom, a chamada “princesa do poker” que se evidenciou numa atividade exclusivamente masculina em que se movimentam apostas milionárias. O jogo de alta roda, baseado no livro de Molly Bloom, demonstra como a ambição e sucesso podem estar ligadas ao submundo do crime organizado. Liam Neeson protagoniza mais um filme de acção e suspense em The commuter – o passageiro de Jaume Collet-Serra. É um filme com traços idênticos a outros deste ator mas que é do agrado de algum público.

A vitalidade do cinema turco destaca-se numa obra que agradará aos amantes de animais em Gatos de Ceyda Torun, uma história original que, partindo da descrição do quotidiano de grupos de felinos que povoam a cidade de Istambul, é uma forma interessante e diferente de olhar para esta cidade.

Por fim, relembro que o Cineclube da Gandaia, no centro comercial O pescador na Costa de Caparica anima todas as quintas-feiras o auditório com obras cinematográficas com início às 21:00 horas e em fevereiro apresenta o ciclo When Tim meets Johnny, que celebra o trabalho conjunto do realizador Tim Burton com o ator Johnny Depp. Além do visionamento das obras há um pequeno debate e bibliografia sobre a obra a visionar.

Luísa Oliveira

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As auroras polares, ou, como são mais conhecidas, auroras boreais, são um fenómeno muito bonito e peculiar que durante muitos anos inspirou muitos mitos. Na mitologia nórdica, os Vikings achavam que as auroras eram uma ponte entre o nosso mundo e Asgard, onde o Thor e outros deuses viviam. Noutro mito, elas eram a luz refletida pelas armaduras das Valkyries, um conjunto de mulheres guerreiras. Além disso, os finlandeses pensavam que era o anjo Michael a lutar contra o diabo.

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Hoje em dia sabe-se que isto são apenas mitos e não a verdade. O famoso astrónomo Galileo Galilei foi quem deu o nome de Auroras Boreais, que significa “amanhecer do norte”, em homenagem à deusa do amanhecer Aurora.

Mas a verdadeira origem das auroras polares foi apenas descoberta em 1896 pelo cientista norueguês Christian Birkeland. No centro da terra, existe um núcleo de ferro fundido que gera campos magnéticos que se estendem pela crusta terrestre e no espaço em volta de todo o planeta, criando aquilo que se chama o campo magnético da Terra.

É fundamental que a Terra o tenha, pois o campo magnético protege-nos de todas as partículas que são “cuspidas” pelo sol. O sol é tão quente que produz plasma (um quarto estado de matéria) onde átomos positivos (iões) e eletrões negativos andam livremente uns em volta dos outros. O plasma arrasta o campo magnético para além da superfície do sol, fazendo com que este se estique e contorça como um elástico. Quando o elástico se parte, envia biliões de partículas de plasma fora do sol. Ou seja, devido ao facto de que os iões e os eletrões são partículas de carga muito alta, têm energia suficiente para sair da gravidade do sol e dispersarem-se pelo espaço, indo em direção do planeta Terra como se fossem um tiro de uma espingarda de “odio solar”. Isto é o que chamamos de tempestade solar.56154e212f30d

Uma tempestade solar consegue atingir velocidades de 8 milhões km/h e em apenas 18 horas atingir a Terra. Quando isto acontece, o campo magnético da Terra desvia a tempestade. No lado de dia do planeta, o campo magnético estica-se e cria um “funil” para o gás da tempestade solar se dirigir para os polos, criando assim a aurora de dia. No lado de noite do planeta, o campo magnético estica-se ainda mais fazendo com que o “elástico” de plasma se quebre e o gás da tempestade solar se dirija para os polos, criando assim a aurora de noite. Este fenómeno pode acontecer a qualquer altura do dia, mas as auroras de dia não são visíveis pois a luz do sol ofusca-as.

Apesar do nome auroras boreais, também existem auroras austrais. Ambas são auroras polares, mas enquanto uma acontece no polo norte a outra acontece no polo sul. E, por isso, na nossa opinião, o nome de aurora boreal não devia ser usado como sinónimo para aurora polar.

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Ambos os tipos de aurora acontecem devido à reação química entre os eletrões que entram pelos polos na nossa atmosfera e os elementos da mesma, principalmente o oxigénio e o azoto. O eletrões transferem energia para os átomos de oxigénio e azoto, excitando-os. Para que estes voltem ao seu estado fundamental, os átomos devem libertar energia em forma de fotões. Os fotões são a partícula elementar das radiações eletromagnéticas como a luz.

Assim, dependendo onde esta reação ocorre na atmosfera, assim vão ser emitidas diferentes radiações: a maiores altitudes, o oxigénio emite uma radiação na zona do vermelho; a altitudes mais baixas, emite uma radiação na zona do verde e amarelo e a altitudes ainda mais baixas, o azoto emite uma radiação na zona do azul. Mas estas “cores” podem misturar-se e formar novas cores como o rosa, roxo e branco. É como se fosse um arco-íris do espaço.

Infelizmente, as auroras não são apenas um bonito espetáculo de luzes mas também têm consequências para o nosso corpo e o planeta. Alguns estudos afirmam que este fenómeno pode mudar o fluxo sanguíneo, especialmente ao nível dos capilares, afetando assim a nossa pressão sanguínea e aumenta a adrenalina no corpo. Isto acontece porque quando a tempestade solar atinge a Terra, o seu campo magnético pode mudar por um momento e dessa forma mudar o nosso batimento cardíaco.

No entanto, as tempestades solares não são perigosas para pessoas saudáveis mas sim para pessoas com um sistema imunitário fraco como pessoas idosas e bebés recém-nascidos.

Para além disso, também podem afetar as comunicações de rádio. As tempestades solares podem afetar a atmosfera e dessa forma afetam as ondas de rádio que estão a comunicar informação pelo mundo todo.Este fenómeno não pode acontecer sem haver uma tempestade solar. A tempestade solar explode os cabos e fios elétricos da rua devido à quantidade de energia magnética que tem.

A atmosfera da Terra também se pode expandir um pouco quando as auroras polares estão a acontecer. Isto significa que qualquer satélite a voar a baixa altitude pode atingir a atmosfera e em casos mais graves cair na superfície terrestre.

Por último, a maioria das pessoas pensa que as auroras boreais são um fenómeno raro o que não é verdade. Elas acontecem a toda a hora, mas devido à luz do sol não as conseguimos ver. A sua intensidade depende porém da intensidade da tempestade solar, logo quanto maior a tempestade solar maior será a aurora.

Mariana Mamede, Beatriz Nabais e Bárbara Santos, 12ºA

Referências bibliográficas:

Nota do editor: este artigo é uma sinopse do trabalho apresentado pelas alunas no âmbito da seleção de alunos para a participação de um encontro SMiLES (KA2), a decorrer em Abril 2018, na Turquia.

 

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Como um ilusionista numa ação performativa sugere que algo de sobrenatural acontece, o artista holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972), desafiando a razão, vai suscitar o mesmo espanto e deslumbramento ao criar figuras que se transformam, que desaparecem, escadas que o observador sobe e, incompreensivelmente, começa a descer, uma confusão dos sentidos, uma distorção da perceção como até aí ninguém tinha feito.

Para entender a génese do seu trabalho, há que recuar a diversos momentos que impressionaram o artista, sendo um deles uma casa do séc XVII que habitou quando era jovem, em Amesterdão, onde havia pinturas nas portas, com a técnica de “trompe l’oeil” que o surpreendiam por parecerem baixos-relevos.

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Fig.3 Pintura de uma casa em Amesterdão, Pieter de Wit

A técnica artística de “trompe l’oeil”  proporciona o aumento visual do espaço conseguido por um efeito de ilusão de ótica onde as formas de duas dimensões aparentam ter três. Foi uma técnica utilizada na Antiguidade, em murais de Pompeia, onde eram pintadas portas, janelas ou corredores, precisamente  para causar esse alargamento visual do espaço. Foi usada no período do Renascimento, do Barroco e atualmente, em paredes cegas de edifícios urbanos.

Os frescos nos tetos de igrejas barrocas combinando a pintura com a escultura e a arquitetura, ligadas entre si, produziam um tipo de representação que impressionou Escher pela situação de conflito entre as formas tridimensionais e o plano bidimensional, a ideia de que o mundo tridimensional podia ser representado numa superfície plana e que tudo isso era uma ilusão pareceu diverti-lo.

Aprendeu técnicas de gravura artística com um professor de origem portuguesa, Samuel Jesserun de Mesquita, a quem muito se afeiçoou e cuja fotografia manteve sempre afixada no seu estúdio.

Das técnicas de gravura que aprendeu, a xilogravura, ou gravura em madeira, foi aquela em que mais se destacou.

Fig. 4

Fig. 4 Esboço feito em Alhambra, 1936

Diversificada mas com grande unidade, a sua obra é o resultado de muitas experiências e muitas pesquisas, uma delas é a divisão regular da superfície que parece ter despontado com uma visita a Alhambra onde o artista ficou impressionado com os ornamentos mouriscos e com a quantidade de possibilidades que a divisão rítmica de uma superfície permite.

Obstinado com a ideia de dividir regularmente a superfície do desenho e tendo que respeitar duas condições: a não sobreposição de desenhos e não deixar espaços por desenhar, obtém um primeiro resultado que considera insatisfatório.

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Fig. 5

Volta uma segunda vez a Alhambra, em 1936, e copia os ornamentos mouriscos, investiga-os, lê livros sobre ornamentação e ensaios matemáticos, pois a dificuldade em revestir uma superfície plana sem espaços livres e sem sobreposições foi um problema matemático que Escher levou tempo a resolver.

No dia a dia, quando observamos uma superfície preenchida com mosaicos, com uma forma poligonal regular, como por exemplo revestimentos de paredes ou de chão, podemos pensar que a repetição desse mosaico pela área a revestir servirá para preencher a superfície, mas nem sempre é assim.

A combinação dos vários mosaicos com formas poligonais, cujas arestas têm de coincidir e produzir composições geométricas é simples somente para os matemáticos que têm esse problema resolvido. Por exemplo, se tivermos um mosaico com a forma de um pentágono regular e quisermos preencher toda a área com módulos iguais, é uma tarefa impossível, pois ao unir três pentágonos regulares, a soma dos seus ângulos internos perfaz 324º, ora para fechar o espaço teria de perfazer 360º.

Fig. 5

Fig. 6

Assim sendo, o ângulo interno do polígono regular tem de ser divisor de 360º, ou seja, 120º, 90º, 60º, que é o caso do hexágono regular, do quadrado e do triângulo equilátero.

Os hexágonos regulares podem ser divididos em triângulos equiláteros, pelo que as redes que compõem a base da composição geométrica só podem ser triangulares ou quadrangulares e são essas que existem à nossa volta.

Ainda assim, há composições com pentágonos que não são regulares como os que são formados por um quadrado e um triângulo, mas são pouco usados devido à sua componente estética pouco interessante.

Em Alhambra, onde Escher terá ficado impressionado com as estruturas das superfícies e a possibilidade de módulos daí resultantes, apresentam-se alguns tipos:

Fig. 6

Fig. 7 “Osso” ou “Osso Nasrid”

Tendo por base um quadrado, são traçadas as linhas diagonais e dividida a base em quatro partes iguais a partir das quais se traçam linhas verticais nos pontos de corte dos segmentos.

Separam-se os paralelogramos que resultaram do cruzamento das linhas e colocam-se no motivo conforme a figura oito ilustra. O padrão obtido é conseguido por um efeito de repetição e translação do motivo.

Fig. 7jpg

Fig.8 “Passarinho”

A figura 9 resulta de uma rede triangular em que a partir de um triângulo equilátero se traçam curvas com centro nos vértices até ao meio de cada lado, retirando-se depois as restantes superfícies.

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Fig. 9 “Cravo”

O terceiro exemplo parte de um quadrado onde se desenharam dois triângulos retângulos com a hipotenusa coincidente com o lado do quadrado. Depois deslocaram-se os triângulos para fora.

Fig. 9

Fig. 10 “Criação de uma metamorfose”

Foi com muito trabalho que Escher elaborou um sistema que lhe permitiu dividir uma superfície plana para desenvolver as suas composições, o qual veio suscitar a admiração de matemáticos e cristalógrafos.

No exemplo dado tomamos conhecimento de um processo de divisão da superfície e da transformação da forma.

Nestas divisões, a metamorfose e os ciclos foram os temas dominantes.

Recorrendo a movimentos de rotação, translação e reflexão desenvolve algumas composições como a “Dia e Noite” que apresenta uma das mais simples possibilidades de preenchimento regular da superfície, destacando-se o movimento de translação do padrão das aves.

Fig. 10

Fig. 11 “Dia e noite”

Em outras composições, como a “Circulação”, surge uma figura humana, no alto, muito animada, descendo umas escadas, sem saber que aos poucos se vai transformar, perder tridimensionalidade, diluir-se com outras figuras semelhantes e, no final, cingir-se à condição de figura geométrica.

Fig 11

Fig. 12 “Circulação”

Mas a obra de Escher não se ficou só pelo preenchimento regular de superfícies, o artista empreendeu estudos no âmbito da perspetiva clássica de onde resultaram trabalhos como “Um outro mundo II” onde se pode confundir o em cima com o em baixo, a direita com a esquerda, a frente com a parte de trás, partindo de um único ponto de fuga.

Fig 12

Fig. 13 “Um outro mundo”, 1947

Na litografia “Relatividade” existem três pontos de fuga que ficam para além da imagem e que formam um triângulo equilátero com lados de dois metros de comprimento.

Nesta litografia estão representados três mundos diferentes, as figuras que os habitam têm uma noção das coisas de um modo diferente dos demais, assim o que para uns é o teto para outros é uma parede ou o que é uma porta para uns é uma abertura no chão para outros.

Fig 13

Fig. 14 “Relatividade”

Esta abordagem à obra do artista está longe de ilustrar todo o seu trabalho, não são mencionados os estudos dos sólidos geométricos, os laços de Moebius, a construção de ligações impossíveis, de mundos impossíveis, entre outros. Com uma obra tão vasta e complexa, o resultado foi a incessante procura da compreensão da realidade, das formas, dos padrões, dos ritmos, e essa compreensão só a matemática a revelou.

Presente em Lisboa, o Museu de Arte Popular apresenta uma exposição que ilustra o universo deste notável artista.

Ana Guerreiro

Bibliografia:

  • Bruno Ernst, O espelho mágico de M. C. Escher
  • National Geographic, A proporção Áurea

 

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Em nove de dezembro, na 30ª edição dos Prémios da Academia Europeia de Cinema realizada em Berlim, o filme O Quadrado do sueco Ruben Östlund foi distinguido em seis categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador. Esta obra que continua em exibição nos cinemas portugueses já tinha sido reconhecida com a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes. Na categoria de Melhor Filme de Animação foi distinguido A Paixão de Van Gogh feito a partir de mais de 65.000 pinturas a óleo, recriando o traço impressionista do pintor holandês e na de Melhor Documentário “Communion”. O prémio de Descoberta Europeu foi para Lady Macbeth de William Oldroyd.

Quanto às estreias do mês, verificou-se um conjunto de filmes de qualidade dirigidos a públicos diversos. Começo com o aguardado e muito desejado pelos inúmeros fãs da saga iniciada por George Lucas Star Wars: Episódio VIII: Os Últimos Jedi, escrito e realizado por Rian Johnson. O certo é que este novo capítulo não desilude com um final intenso e arrebatador que compensa todo o tempo de espera . Igualmente uma prenda para os apreciadores de Woody Allen, Roda Gigante é uma obra melancólica ao estilo deste realizador sobre frustrações amorosas tendo como local de ação um parque de diversões em Coney Island nos anos 50. Com um argumento emotivo a partir do best-seller de R.J. Palacio, Stephen Chbosky realizou Wonder – Encantador sobre a entrada na escola pública de uma criança com o rosto deformado. Embora seja um tema delicado é apresentado sem melodramas revivendo-se a magia da infância.

Outro olhar sobre a infância é o que sobressai em mais uma obra ligada a factos trágicos da 2ª guerra mundial, neste caso, ocorridos durante a ocupação nazi de França em Os meninos que enganavam os nazis de Christian Duguay. Baseado no livro autobiográfico de Joseph Joffo publicado 1973, a coprodução francesa e canadense mostra como este, por decisão familiar, é obrigado a fugir de Paris com o irmão mais velho com o objectivo de evitarem o transporte para um campo de concentração. Assistimos à reconstrução de factos históricos durante a jornada dos irmãos pelo interior do país pautada pela coragem e amor numa época marcada pela intolerância e medo. E, apesar do final triste o filme transmite a esperança de que a união da humanidade contribui para dominar o mal.

Igualmente focando acontecimentos históricos terríveis do genocídio arménio perpetrado pelos turcos, temos outro filme de grande qualidade A Promessa de Terry George. É uma obra romântica que retrata, fielmente, os factos relacionados com o que é considerado o primeiro genocídio do Século XX que decorreu durante a 1ª guerra mundial num período de desmoronamento do império turco otomano. A casa torta,  de Gilles Paquet – Brenner, baseado numa obra de Agatha Christhie, é um policial  com cenários e guarda roupa que reproduzem com exatidão o ambiente do Reino Unido nos anos 50. É uma obra bastante agradável com muitas surpresas  no enredo o que leva  a um suspense contínuo até ao final surpreendente. Igualmente com uma excelente recriação dos anos 50 Suburbicon de George Clooney e argumento original dos irmãos Joel e Ethan Coen, que mais uma vez representa uma crítica à sociedade americana que não presta atenção aos verdadeiros problemas sociais. Com algum humor são apresentados dois enredos paralelos focando o racismo numa comunidade americana e o mistério que envolve um crime com destaque para a interpretação de Matt Damon na personagem principal.

Um bom entretenimento O grande Showman de Michael Gracey é um musical realizado a partir de uma história verídica protagonizado por Hugh Jackman como P. T. Barnum, visionário que, criando um grande circo, contribuiu para o aparecimento do show business. Num ritmo acelerado acompanhado por belas obras musicais são apresentadas diferentes e exóticas personagens no meio de cenários magníficos transmitindo a beleza e magnificência do espetáculo artístico.

Por fim, a maravilhosa fábula Paddington 2 de Paul King é a continuação da adaptação dos livros de Michael Bond ligados ao imaginário dos animais que falam. Ben Whishaw volta a dar voz ao irrequieto ursinho numa obra agradável e descontraída,  mais um exemplo da magia do cinema.

Luísa Oliveira

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Espero que te possa confiar tudo a ti; o que, até agora nunca pude fazer a ninguém, e espero que venhas a ser um grande amparo para mim.

Anne Frank

Imagem1Anne Frank, uma pequena menina judia de 13 anos recebe no dia do seu aniversário, um pequeno diário.  Anne vai escrevê-lo frequentemente sob a forma de carta a uma amiga imaginária, a quem vai chamar “Kitty”. Nele, Anne desabafa sobre a sua vida e os seus pensamentos mais íntimos.

Às três horas da tarde, a família Frank recebe uma carta, a dizer que Margot, irmã de Anne, teria de ir para um campo de concentração na Alemanha. Otto, pai de Anne, decide abandonar as suas vidas antigas para não serem apanhados pela Gestapo (polícia nazi). Escondem-se num pequeno “apartamento”, onde Otto trabalhava. A esse “apartamento”, Anne chama “anexo” e aos seus habitantes de “mergulhadores”.

No “anexo”, não podiam fazer barulho, por causa dos operários que trabalhavam no rés-

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o “Anexo”

do-chão. Ao ir para o “anexo”, a família Frank ficou privada de sair à rua  porque podia ser descoberta a qualquer altura. Como não podiam sair à rua, Miep uma operária que trabalhava para Otto, sacrificou-se a ajudar a família Frank trazendo comida e notícias “do mundo exterior”. Anne admirava muito Miep, chamando-a de “a nossa heroína”.

“Como refúgio, a casa de trás é ideal; ainda que seja húmida e esteja toda inclinada, estou segura de que em toda Amsterdão, e talvez em toda Holanda, não há outro refúgio tão confortável como o que temos instalado aqui.”

No início a família Frank não consegue habituar-se à sua nova vida de “mergulhador”.  Anne sente muitas dificuldades, mas aceita e consegue habituar-se a certas mudanças. Às nove horas da manhã, o anexo receberia mais três moradores, a família van Daans. Estes não conseguem habituar-se às suas novas vidas, queixando-se de tudo e  deixando Anne desconfortável.

“ A gente não tem ideia de como mudou até que a mudança já tenha acontecido.”

Como o “anexo” se encontrava no meio de Amesterdão, os bombardeamentos ingleses eram frequentes, deixando todos os “mergulhadores” receosos. Vivia-se um período de medo. Mais tarde, entra o oitavo “mergulhador, Dussel, um homem solitário com a mulher no estrangeiro. Este, como não tinha lugar para dormir, muda-se para o quarto de Anne. Anne não simpatiza com Dussel.

“Como se já não ouvisse bastante ‘psius’ durante o dia, porque estou fazendo barulho demais, meu caro companheiro de quarto teve a ideia de ficar fazendo ‘psius’ também à noite. De acordo com ele, eu não deveria nem me mexer. Eu me recuso a dar trela, e da próxima vez em que ele pedir silêncio vou devolver-lhe o ‘psiu’.”

A vida dos moradores não era nada fácil. Acordavam às 7:30, as mulheres preparavam as refeições enquanto os homens, trabalhavam nas suas “secretarias”. Anne passava a tarde a estudar e à noite escrevia no seu diário.

Vários meses se passam e os “mergulhadores” habituam-se à sua nova vida. Anne, por ser a mais nova de entre os moradores, normalmente recebia a culpa de tudo.

Às sete horas da tarde, Anne e os restantes “mergulhadores”, reúnem-se a ouvir a rádio, na emissora Orange. Ouvem que a Itália fascista tinha capitulado e que a derrota dos alemães estava próxima. Os moradores do anexo, ao ouvirem isso, começaram a ficar ansiosos pelo fim da guerra e por poderem voltar as suas antigas vidas.

Já é 1944, e a derrota dos Alemães, estava prevista para o inverno. Anne já tem quase 15 e começa a perder o receio dos “mergulhadores serem descobertos pelos alemães. Começa a aproximar-se de Peter, o único filho da família van Daans. Mais tarde, apaixona-se por Peter, chegando mesmo a beijá-lo. Peter já tinha dezoito anos e Anne nunca conseguiu pedi-lo em namoro, visto que tinha mais três anos do que ela.

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Mais uma vez, Anne e os mergulhadores reúnem-se à volta da rádio a ouvir as notícias. Ao meio dia, a rádio inglesa anunciou o «D-day». Anne percebeu logo que não tardava o colapso da Alemanha e que o fim da guerra estava próximo.

“Os horríveis alemães oprimiram-nos e ameaçam-nos tanto tempo, que só o pensar, agora, não se trata só dos judeus. Agora  trata-se da Holanda e de toda a Europa.”

«Um feixe de contradições», esta foi a frase que Anne começou a escrever para Kitty a 1 de agosto de 1944. Nesse dia Anne escreve um desabafo final sobre o que ela pensava do mundo. Desabafa uma última vez com “Kitty”. Estas foram as últimas palavras a serem escritas no seu diário:

“ (…) e continuo a procurar um meio para vir a ser aquela que gostava de ser, que era capaz de ser, se…sim, se não houvesse mais ninguém no Mundo. ”

Tua Anne M. Frank

A 4 de agosto, a policia «Grune Polizei» invade o “anexo”, prendendo todos os habitantes, levando-os para um campo de concentração na Alemanha. Em 1945, nove meses após a Imagem6sua deportação, Anne morre no campo de concentração de Bergen-Belsen. A sua irmã Margot tinha falecido também vítima de tifo e subnutrição dias antes de Anne. A sua morte aconteceu duas semanas antes do campo ser liberto. Dos oito “mergulhadores”, apenas o pai de Anne sobreviveu.

Na minha opinião, o tema retratado na obra (a vida de uma menina judaica presa num “anexo” durante a 2º guerra mundial) é interessante para o leitor, com poucas passagens desinteressantes. Após a morte de Anne, o leitor certamente sentirá compaixão e tristeza, visto que acompanhamos a sua vida no “anexo”. Recomendaria esta obra aos meus colegas, sendo esse o motivo pelo qual decidi escrever sobre ela.

Imagem7Os agentes alemães pilharam o “anexo”, levando fotografias, jornais, etc. Dois anos depois, Miep encontra numa pilha de jornais e papeis velhos, o diário de Anne. Alguns anos mais tarde Otto, pai de Anne, publica pela 1ª vez o livro da filha, com o nome de: “Como sobrevivi ao holocausto” . Miep morreu em 2010, com 101 anos de idade e ficou conhecida como a ajudante de Anne. Otto morreu em 1980, em Berna com cancro do pulmão. Ficou conhecido na história como pai de Anne  e passou a sua vida a divulgar os pensamentos da filha.

Atualmente o Diário de Anne Frank é um dos dez livros mais lidos em todo o mundo.

 

Jaime Espada , 7ºE

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2018!

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