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Posts Tagged ‘Texto argumentativo’

O livro de que vou falar é “Madame Bovary” de Gustave Flaubert, publicado em 1857. Esta obra é um romance cuja ação decorre no século XIX e que explora os limites do amor e da liberdade.

Ema, a personagem principal, é uma jovem, pertencente à burguesia, educada num convento. Desde cedo, começa a ler fantasias românticas, as quais espera encontrar no casamento.  Quando se casa com Carlos Bovary e se apercebe que leva uma vida demasiado monótona e nada como a que teria idealizado, procura realizar o seu sonho de um amor perfeito fora do casamento. Assim, comete adultério mais de uma vez e, insatisfeita com a sua vida e com os seus amantes, começa a fazer compras fúteis e desnecessárias, acabando assim por se afogar a si e à família em dívidas.

A questão-problema que desenvolvi através desta obra é: Será “Madame Bovary” o romance dos romances?

Na minha opinião sim, pois temos de ter em mente que o romance foi escrito na década de 50 do séc. XIX. Como tal, o romance é inovador, criticando a burguesia e o clero e retratando ainda o adultério, o que seria um pecado mas, acima de tudo, um crime nesta época.

Esta obra mostra uma perspetiva de romance que leva ao adultério, algo inovador e demasiado cru no século XIX. Mas demasiado comum, nem por isso correto, no nosso dia a dia. O que seria um assunto tabu há 200 anos, atualmente está demasiado banalizado, apesar de ser errado. Provando assim que o romance é algo polémico e intemporal.

Apesar do romance ter sido publicado no século XIX, conseguimos encontrar referências evidentes na atualidade.

Passo então a explicar:

  • Ema quando não encontra o tão esperado amor perfeito, começa a refugiar-se em compras supérfluas, passando assim o seu tempo a adorar objetos e posses materiais. Em vez de, procurar amar a sua família e fazer o seu romance perfeito acontecer com Carlos.
  • Tal como nós, quando nos deparamos com um obstáculo, e não conseguimos resolver o problema que nos é pedido para superar o mesmo. Escolhemos passar ao lado deste sentindo vazio imenso correspondendo à solução. Escolhemos assim refugiar-nos em objetos e posses materiais, de forma a tentar preencher um vazio impreenchível.

Ilustração da obra por Mikhail Mayofis

Também nós, como Ema, idealizamos um romance perfeito que nos é embutido pela sociedade estereotipada em que vivemos através de livros, telenovelas, filmes românticos e até mesmo pelas redes sociais.

Muitos podem pensar que “Madame Bovary” não merece este reconhecimento, pois esta obra é só mais uma entre muitas onde, as histórias são semelhantes ou até mesmo porque não tem um final feliz como muitos esperariam num livro como este. Mas este romance é a inovação dos romances e traz consigo uma nova vertente de escrita. Quanto ao final feliz eu penso que o autor apenas procurou fazer transparecer aquilo que é a realidade e não um conto de fadas.

Algumas curiosidades que sustentam a minha argumentação:

O autor Gustave Flaubert vai a tribunal por ter publicado o livro, pois este contem ofensas à moral, religião, clero e burguesia. Para se defender Flaubert diz ser Madame Bovary “Ema Bovary c’est moi“. Pois também ele se sente preso numa sociedade completamente estereotipada, infeliz com tudo o que tem e refém das compras supérfluas.

FLAUBERT, Gustave (2017), Madame Bovary, Ed. Clube do Autor, 1ªedição

Clara Dias, 11ºC

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Nós vivemos no melhor dos mundos possíveis. Qualquer mundo que existisse, nunca seria tão bom como o nosso, pois, mesmo não tendo certos problemas, teria outros, garantidamente piores. Esta tese, desenvolvida por Leibniz, é um bocadinho rebuscada, admito-o, e é exatamente uma das principais doutrinas que Voltaire pretende contra-argumentar na sua obra satírica “Cândido ou o Otimismo”.

Este livro foca-se nas desventuras de Cândido, pelas quais passou após ter sido expulso do castelo em que vivia. Cândido foi educado pelo professor Pangloss, que lhe incutiu esta doutrina otimista. Através dos azares de Cândido, evidencia-se que o otimismo não é viável pois até Cândido, crente no otimismo, deixa de o ser.

Apesar disto, discordo do argumento de Voltaire, porque, no fim, Cândido, mesmo não estando completamente satisfeito por um conjunto de razões, vive em harmonia, já que passa a “Cultivar o seu jardim”, isto é, a encontrar a felicidade nas suas simples vivências.

Isto para dizer: é possível que vivamos, mesmo, no melhor dos mundos possíveis. E esta conceção do mundo é fundamental, especialmente no contexto atual.

Antes de continuar, quero dizer que tenho todo o respeito por aqueles que estão a sofrer devido à pandemia, e que não pretendo de modo nenhum diminuir o seu sofrimento – quis, pelo contrário, vir trazer umas palavras de esperança.

Algum tempo depois de ter sido expulso do castelo, Cândido reencontra Pangloss a viver na rua, quase irreconhecível, pois contraiu um vírus. Pangloss explicou que contraiu sífilis porque Cristóvão Colombo o trouxe da América. E, se não tivesse lá ido, não teriam as suas coisas boas na Europa – chocolate, milho, batatas, tomates… Por isto, era necessário que contraísse a doença.

Do mesmo modo, acredito que o vírus que está agora a infetar o mundo tem um propósito semelhante. Está, de facto, a tirar muitas vidas. Mas os avanços médicos e tecnológicos que nos trará podem vir a salvar muitas mais, no futuro. Mais uma vez, o mal acontece para um bem maior.

Mas que bem maior? Para isto, deixo as palavras de Bill Gates, que se tem dedicado à sensibilização das pandemias eminentes há alguns anos:

Maturaremos algumas destas plataformas para as vacinas, que não só servem para pandemias, como para desenvolver vacinas contra a malária, a tuberculose, e o HIV. Assim como em tempo de guerra, avançámos rapidamente e experimentámos coisas novas. Até em termos do nosso estilo de vida: Podemos usar a telemedicina, a tele-escola, podemos evitar algumas das viagens que fazemos para o trabalho? Os nossos olhos foram abertos, e esse software está a tornar-se muito melhor. É uma verdadeira aceleração.

Muito bem. Mas agora, dizem-me vocês, como é que posso ter a certeza de que vivemos mesmo no “melhor dos mundos possíveis”? Não posso. A teoria de Leibniz baseia-se num Deus criador todo poderoso e bom que escolheria sempre o melhor dos mundos possíveis para criar. Mas não consigo provar que Deus existe. Como é que saio daqui?

Deixem-me tentar explicá-lo com os ideais antitéticos de Martin, pessimista, e Cândido, otimista, que têm uma discussão filosófica ao voltar para a Europa:

Por toda a parte, os fracos abominam os poderosos perante os quais rastejam, e os poderosos tratam-nos como rebanhos de que vendem a lã e a carne. Um milhão de assassinos arregimentados, correndo de um ao outro extremo da Europa, exercem o morticínio e a pilhagem com toda a disciplina, porque não têm ofício mais honrado; e, nas cidades (…), os homens são devorados de (..) inveja(…).

Após ser expulso do castelo onde nasceu, Cândido inicia sua jornada em busca de sua amada Cunegundes e descobre que o mundo não é tão maravilhoso quanto ele pensou.

Esta é a perspetiva que Martin tem da vida, que é intrinsecamente triste. Cândido, pelo contrário, replica: “Mas há um lado bom”. O otimismo de Cândido retrata a vida sob uma luz positiva. Vendo a vida assim, acabamos por ser mais felizes e ter mais esperança: o modo como vemos o mundo influencia como nos sentimos.

A felicidade, a meu ver, é aquilo que se pretende alcançar na vida. Estar mais perto de a ter é desejável e, por isto, devemos conceber o mundo otimisticamente. Não podendo aceitar a visão otimista do mundo como verdade absoluta, podemos tomá-la como, pelo menos, verosímil.

Resumindo, mesmo que soframos, não quer dizer que o mundo em que vivemos seja mau. Os maus momentos são necessários para apreciarmos os bons. E é assim que devemos olhar para o nosso contexto atual – as dificuldades que se nos apresentam têm o propósito de nos fazer crescer pessoalmente, e evoluir o mundo. Ter uma perspetiva positiva da situação traz-nos conforto, e isso é algo que, em tempos atribulados, não deve ser subestimado. Assim, não se esqueçam de procurar o bem na vossa vida.

Citações/fontes

  • Gates, Bill. Bill Gates on how to end this pandemic—and prepare for the next. Susan Goldberg. National Geographic, 14 setembro 2020: 

https://www.nationalgeographic.com/science/2020/09/bill-gates-how-to-end-this-pandemic-and-prepare-for-the-next/

 Marta Vasconcelos, 11ºC

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Acerca deste tema, defendo que a pena de morte é inadmissível, independentemente das circunstâncias, pelas razões que serão seguidamente explicadas.

    pena-de-morte Em primeiro lugar, no artigo 24º da constituição portuguesa e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, está expresso o direito inalienável e inviolável de todos os indivíduos à vida. A pena de morte viola este direito, sendo moralmente condenável.  Além disso, creio que deve ser fornecida a hipótese ao indivíduo de se regenerar e de se reintegrar na sociedade, após cumprimento do seu castigo, possibilidade negada pela pena de morte. Assim, é nosso dever, enquanto sociedade civilizada, não permitir o retrocesso à mentalidade do “olho por olho, dente por dente”, que leva à confusão entre vingança e justiça.

Também é importante realçar que o efeito dissuasor normalmente associado a esta condenação, na prática, não se verifica. Nos Estados Unidos, por exemplo, as taxas de homicídio em estados nos quais a pena capital é legal são superiores às dos estados onde esta é ilegal (5,63 e 4,49, respetivamente).

Acrescento ainda que pessoas de classes sociais mais baixas estarão mais expostas a esta condenação, aumentando a desigualdade, por não terem posses para contratar advogados de renome, estando sujeitos à nomeação de defesa por parte da Ordem dos Advogados, existindo a hipótese de serem defendidos por profissionais com menos experiência ou capacidades.images

Por fim, apresento um exemplo proveniente dos Estados Unidos, onde 1,6% dos condenados à morte são libertados por se provar a sua inocência, sendo que um estudo publicado por uma revista científica, a Proceedings of the National Academy of Sciences, permitiu concluir que 4,1% dos réus que aguardam ou aguardaram no corredor da morte neste país são inocentes. Desse modo, podemos inferir que já existiram casos de execução de pessoas isentas de culpa, o que é inadmissível.

Tomás Noválio, 12ºC

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A pena de morte como todos sabem é uma punição para crimes capitais. Portugal foi praticamente o primeiro país da Europa e do Mundo a abolir esta pena, sendo o primeiro estado do mundo a prever a abolição da pena de morte na Lei Constitucional, após a reforma penal de 1867. Nos dias de hoje ainda é aplicada em alguns países como a China, Arábia Saudita e em muitos dos estados federais dos EUA; sendo nestes países aplicada segundo as regras do direito e da lei (não é arbitrária). Quando falamos na aplicação da pena de morte é importante frisar que estarão em causa casos muito específicos configurados no quadro legal vigente do pais em causa.

pena-de-morte.jpgCom este texto vou apresentar argumentos que universalmente podemos encontrar a favor da pena de morte, não como uma banalidade face a todos os tipos de crime, mas sim em condições muito específicas, sempre no enquadramento  legal e no pressuposto absoluto que não existem dúvidas sobre a autoria do crime.

Na defesa desta tese são normalmente utilizados os seguintes argumentos:

  • argumento dissuasor que defende que, ao existir a pena de morte no quadro legal e sendo esta a mais pesada, poderá levar a uma potencial diminuição dos crimes uma vez que poderá criar alguma intimidação aos potenciais criminosos levando assim a uma maior segurança dos cidadãos;
  • argumento da proporcionalidade do sofrimento, em que é defendido que quem impõe sofrimento de grau elevado deverá ser punido com grau de sofrimento o mais idêntico possível;
  • argumento do castigo final (morte) que de alguma forma é controlado pela justiça e poderá impedir vinganças futuras que podem ser muito mais dolorosas;
  • argumento de garantia de que o criminoso não voltará a cometer crimes.

Surgem muitas vezes contra-argumentos relativos a este último, designadamente no sentido da pena de prisão perpétua, em que também pode ser alegado que o criminoso não voltara a cometer crimes. No entanto, esta afirmação será apenas válida em teoria, porque para além do criminoso dentro da cadeia poder continuar a promover o crime também pode ser sujeito a atenuantes legais da pena que o façam sair mais cedo ou até ser libertado.

Mais uma vez, será de frisar que a pena de morte para ser aplicada deverá ser sempre em casos muito específicos, sempre no quadro legal e no pressuposto absoluto que não existem dúvidas sobre a autoria do crime. Não posso também deixar de referir que atualmente a questão da pena de morte possa estar a ganhar  algum relevo face aos atos terroristas que tem vindo a ser praticados.

Tomás Gaspar, 12ºC

imagens: daqui, daqui e daqui

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Encontro-me perante um auditório repleto de homens, impressionante, como este se encontra cheio! mas há um problema… os homens não se aproveitam!

Isto suposto, quero hoje, à imitação de Santo António, voltar-me deste auditório para a terra e, já que os homens não se aproveitam, pregar aos gatos os louvores das suas virtudes e, em seguida, as repreensões dos seus vícios em geral e em particular.gatos

Começando pelos vossos louvores, irmãos gatos, bem vos pudera eu dizer que, entre as criaturas viventes e sensitivas, vós sois a mais independente, curiosa e inteligente de todas dos três elementos. Vindo pois, irmãos às vossas virtudes, que são as que só podem dar o verdadeiro louvor, é aquela subtileza com que vós fazeis as suas tarefas pela honra de vosso Criador e Senhor.

Descendo ao particular, de alguns somente farei menção. E o que tem o primeiro lugar entre todos é aquela santa gata Iuki a quem lhe foi proposto petiscar junto dos seus outros irmãos gatos, por ser fêmea e não ter capacidade para caçar o seu próprio alimento. Se Iuki não fosse uma gata independente, teria aceitado a proposta, mas preferiu manter a sua dignidade, uma vez que saberia que ia chegar o dia em que teria de enfrentar a vida sozinha. Assim, aprendeu aos poucos a ser uma gata feroz na caça do seu alimento, conseguindo sempre o que queria. Já os homens, muitas vezes não têm esta dádiva de pensar no futuro e no que é melhor para a sua vida, já para não falar da discriminação feita às mulheres e à falta de determinação e persistência para alcançar um objetivo.fourpackcoloredcats

Passando dos da força de vontade, quem haverá que não louve e admire muito a virtude tão celebrada por Califa que, ao ver qualquer objeto, quer logo perceber do que se trata e qual o seu fim, aprendendo assim através da sua curiosidade. Tomara a maioria dos homens ter esta qualidade, pois  permanecem na ignorância e não partem para a descoberta do mundo exterior.

Antes, porém, que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Descendo novamente ao particular, direi agora gatos, o que tenho contra alguns de vós, começando aqui pelo Yoshi, que só vem a casa quando tem fome, para receber mimos quando está carente ou para se abrigar do frio, no entanto, se nós quisermos a companhia dele simplesmente desaparece, tal como a maioria dos homens, que só agem por interesse.

Com esta única e última advertência vos despido, ou me despido de vós, meus gatos. E que vades consolados com um sermão, que não sei quando ouvireis outro.

Beatriz Oliveira, 11ºC

Imagens editadas daqui e daqui

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Quero hoje, à imitação de Padre António Vieira, louvar as virtudes e criticar os defeitos da sociedade. Para isso, voltar-me-ei para os suricatas, elogiando-os, e para os papagaios, criticando-os, enquanto censuro os comportamentos dos Homens.

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Os suricatas são os animais mais valentes, humildes e protetores

Começando pois pelos vossos louvores, suricatas, que são dos animais mais valentes, humildes e protetores, quero salientar a vossa capacidade de ensinar as vossas crias a ultrapassar dificuldades e o vosso incrível instinto paternal. Considero essa virtude uma das coisas que faz da nossa sociedade tão humana. Proteger os que nos são próximos e ensinar todos os conhecimentos que temos é uma forma de garantir que deixamos sempre algo de nós para trás. Mas será que somos todos assim? Será que todos temos essa capacidade que faz de nós tão humanos?

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Os papagaios facilmente entregam os segredos mais íntimos

 

Suposto isto, falando agora dos vossos defeitos, papagaios, que gostam muito de imitar outros e se influenciam facilmente, quero repreender o facto de não terem uma voz própria e facilmente entregarem os segredos mais íntimos do mundo que vos rodeia. Este defeito representa muito bem a sociedade atual, pois vivemos num mundo cheio de tendências e manias onde aqueles que se recusam a ser iguais aos outros são considerados loucos. As pessoas são facilmente influenciadas pois têm medo de não serem aceites pela sociedade e não se apercebem que estão aos poucos a perder a sua própria individualidade. Será que somos assim tão diferentes quanto pensamos? Seremos nós os loucos ou os que consideramos os outros loucos?

Assim é a nossa sociedade. Podemos até dizer que vivemos numa sociedade de extremos, onde ou somos suricatas ou somos papagaios, no entanto por muito individualistas que pensemos ser, se calhar até somos muito parecidos uns com os outros e é isso que faz de nós uma sociedade tão única.

Mariana Mamede, 11ºC

Imagens daqui e daqui

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tartaruga-1Quero hoje, à imitação de Padre António Vieira, apontar as virtudes e os defeitos da tartaruga, um animal muito pequeno, esquecido por todos, mas cujas capacidades espantam os mais céticos. Quis Deus dar-lhe estas características, suposto  que enfrentam e acabam com a tirania dos grandes, quer na água, quer na terra.

A sua ambição é sobrenatural – entre todos os outros animais, em nenhum reino é possível encontrar tal ambição e dedicação. Apesar da sua lenta locomoção e fraca estatura, louvo a sua perseverança em alcançar os seus objectivos. Mesmo levando um grande peso nas suas costas, a sua ambição é sempre maior; a sua inteligência também é algo a notar: em situações de perigo usa a sua grande carapaça como proteção, aproveitando-se da ignorância e impaciência do seu atacante, pondo em evidência a sua astúcia.

tartaruga-2Mas será isto absoluto? Um bicho pequeno não devia enfrentar os grandes? Enfrentar aqueles que o pisam e se aproveitam dos pequenos e fracos? A tartaruga porém encolhe-se por cobardia e fraqueza, deixando–se ser pisada e arremessada. Animal como este tão bem protegido, não devia ter um caráter corajoso? De que lhe vale a sua ambição, se a coragem lhe falta? Deus não apoia cobardes.

Esse é o problema da nossa sociedade, a desigualdade entre duas classes: os grandes e os pequenos. Os fracos são pisados e, devido à sua cobardia não enfrentam os poderosos, que os controlam e desvalorizam. Porém, os pequenos são mais astutos e dedicados do que os grandes e, com muito trabalho, alcançam grandes coisas.

Terá o trabalho de Deus falhado? Ou é porque os grandes são demasiado poderosos? Sendo esse o caso, serão os fracos para sempre governados pelos grandes?

Tiago Batista, 11ºC

imagens editadas daqui

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 O direito à morte sem sofrimento

A eutanásia deve ser legalizada, porque o desejo de morrer para acabar com o sofrimento deve ser respeitado e as pessoas têm o direito de morrer com dignidade

eutanásia 4Eutanásia é a prática pela qual se abrevia a vida de um doente incurável, de maneira controlada e assistida por um especialista. Em sentido amplo, é a morte sem sofrimento físico; em sentido estrito, é a ação de pôr termo voluntariamente e de forma indolor à vida de uma pessoa. Esta palavra deriva do grego euthanatos, onde eu significa “bom” e thanatos, significa “morte”. Traduzido como “boa morte”, o termo é sinónimo de morte pouco dolorosa.

Eu defendo a prática e legalização da eutanásia, pois esta permite evitar a dor e o sofrimento de pessoas em fase terminal e sem qualidade de vida. Na minha opinião, a eutanásia deveria ser legalizada, pois cada um de nós deveria ter o direito de decidir aquilo que pretende fazer com a sua vida. O Homem é proprietário do seu corpo, logo deveria ter liberdade de escolha, pois sabe melhor do que ninguém aquilo que deseja. No entanto, defendo que só o doente deve tomar essa decisão. E tem de ser uma decisão consciente e informada.

Quem condena a prática de eutanásia utiliza frequentemente o argumento religioso de que só Deus tem o direito de dar ou tirar a vida e, portanto, o médico não deve interferir nesse dom sagrado. No entanto, se Deus criou o Homem como um ser inteligente e livre ele devia, para além de ter o direito à vida, também ter o direito à morte. Assim, não lhe pode ser negado o direito de escolher a forma como quer morrer e o dia da sua morte. Outra ideia ainda a ter em conta é que, para os crentes, a vida na Terra é apenas uma passagem, logo a morte não é vista como um fim, mas sim como o início de uma vida melhor.

Relativamente ao facto da lei em Portugal não permitir a prática da eutanásia, através de vários estudos e sondagens realizados, verificou-se que grande parte da população gostava que aeutanasia lei fosse alterada. Por exemplo, Rui Nunes, sociólogo, efetuou um estudo muito interessante, ao escolher uma população com mais de 65 anos e sem doença terminal. Ou seja, escolheu uma faixa etária que por estar mais próxima do final da vida, está mais predisposta a pensar na morte. O estudo revelou que mais de 50% dos inquiridos defenderam a legalização da eutanásia.

Resta-me dizer que todos os anos ocorrem casos de eutanásia em vários países, seja ela ou não legalizada. Um caso muito conhecido foi o de Ramón Sampedro, que aos 26 anos ficou tetraplégico. Ele planeou a sua morte ao fim de 29 anos, depois de ter pedido autorização para morrer, e dos juízes espanhóis terem negado. A sua vida está retratada no filme Mar Adentro (*), onde afirma que “a vida assim não é digna para mim” e que “viver é um direito, não uma obrigação”.

Assim, posso concluir que a eutanásia deve ser legalizada, porque o desejo de morrer para acabar com o sofrimento deve ser respeitado e as pessoas têm o direito de morrer com dignidade.

Rita Pereira, 11ºC

A vida humana como um valor intrínseco

a expressão “direito de morrer” não passa de uma “máscara” que os defensores da eutanásia arranjaram para o termo “direito a morrer em paz”, pois todos nós iremos morrer e, por isso, não precisamos de nos encarregar disso

A eutanásia é um termo que deriva do grego “ευθανασία” e que significa “boa morte”, ou seja, é uma forma de terminar com a vida de um doente em fase terminal ou numa situação de saúde delicada, acabando com o seu sofrimento de uma forma controlada e assistida por um especialista.

eutanásia 3Eu defendo que a eutanásia não devia ser praticada porque a vida de uma pessoa é um direito e não deve, por isso, ser violada (independentemente da situação em causa).

Quem defende a eutanásia não vê a vida humana como um valor intrínseco pois, para si, a condição necessária para viver são as qualidades subjacentes à vida, como por exemplo a saúde e não a vida em si mesma. Apesar de se dever reduzir o sofrimento de uma pessoa ao máximo, matá-la é uma solução radical, pois existem tratamentos que podem ser administrados aos pacientes e que atenuam as suas dores, ainda que possam aproximar a hora da morte.

A prática da eutanásia também não pode ser justificada pela redução dos custos de saúde, devido ao facto de uma vida ter um valor muito superior e incomparável ao de qualquer quantia de dinheiro que se possa poupar. Esta prática também pode ser considerada uma solução fácil, cómoda e egoísta para resolver a situação por parte dos familiares do paciente, já que o seu dever seria ajudá-lo dando lhe amor, carinho e compaixão.

A única forma de morrer dignamente não é ter uma morte “fácil”, neste caso, pela prática da eutanásia. Por isso, a expressão “direito de morrer” não passa de uma “máscara” que os defensores da eutanásia arranjaram para o termo “direito a morrer em paz”, pois todos nós iremos morrer e, eutanasia 2por isso, não precisamos de nos encarregar disso.

Por outro lado, não sabemos até que ponto é que o estado de saúde de uma pessoa pode melhorar para que ela possa voltar a ter uma vida com condições mínimas. Portanto, ao retirarmos a vida a um doente podemos estar a retirar-lhe a hipótese de ele recuperar e voltar a ter uma vida decente.

Muitas vezes também acontece que os pacientes tomam a decisão de que querem que lhes seja aplicada a eutanásia, por influência dos médicos, familiares ou amigos, o que não é correto, pois estes deviam apoiar o paciente a ultrapassar a situação e não torna-la ainda pior (fora os casos em que a eutanásia é praticada sem o consentimento do doente).

Deste modo, defendo que a eutanásia não deve ser legalizada, pois caso isso aconteça, os casos de morte por eutanásia vão aumentar desmedidamente, porque as pessoas já não ponderarão tanto sobre o assunto, já que este é permitido por lei.

Gonçalo Rolo, 11ºC

 mar_adentro(*) Mar Adentro, de Alejandro Amenábar (2004), uma sugestão da autora a não perder.

Ilustrações dos textos daqui, daqui, daqui e daqui.

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