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No passado mês de Outubro, demos início aqui no Bibli a uma nova iniciativa: Prometeu Rouba o fogoa Sondagem do Mês. Perguntava-se aos leitores qual o efeito da utilização generalizada da internet nos hábitos de leitura e de escrita.

58% opinaram que a utilização da internet tinha criado novas oportunidades e meios para a prática da leitura e da escrita, enquanto 25% defenderam a tese contrária. Finalmente, 18% acharam que nada mudou: quem lia/escrevia continuou a ler/escrever. Regista-se o último lugar para a neutralidade.

É evidente que estas nossas sondagenzinhas não têm mais valor científico do que as que são publicadas em qualquer site informativo ou de opinião, não têm mais pretensões do que ser um pretexto, uma pausa para uma reflexão sobre um determinado assunto.

E, sobre este assunto que lançámos, haverá opiniões em todos os quadrantes e  para todos os gostos: desde os que concebem as Novas Tecnologias em si mesmas como um Prometeu ilimitado do séc. XXI  que roubará este novo fogo os deuses  até aos, que no outro extremo, no coro trágico, restrigem a credibilidade do conhecimento sólido, a aquisição do “saber” ao manuseamento das folhas de um livro.

Scribe-books-computerAssim também terá sido provavelmente quando surgiu a imprensa no século XV – o códice, objecto com um valor patrimonial enquanto tal, deu lugar a uma revolução que banalizou o objecto, multiplicando-o: passou-se do Livro (meio caminho entre obra de arte e suporte documental) para o Exemplar, perdeu-se em raridade ganhou-se em número de leitores.

Também na época terá sido defendida a tese de que a generalização do meio veiculava ideias pagãs, que o uso do vernáculo secularizava e dessacralizava o saber e, sem dúvida, muito mais difícil  se tornou a tarefa do index inquisitorial com a multiplicação industrial do material impresso.

Mas não nos iludamos: se, por um lado, não vejo razão para que o suporte, a facilidade no acesso à informação, à divulgação do escrito (veja-se a nova revolução na formação de opinião introduzida pela blogoesfera, pelo Twitter; o potencial epistolográfico do correio electrónico) não possam ser tidos como grandes aquisições humanas, na cidadania, na participação nas redes do conhecimento, também estes meios (e não fins) trouxeram novos perigos, novos desafios a quem procura promover um saber significativo.

Qualquer utilizador mais imaturo ou menos avisado destes espaços caverna tecnológicadesmaterializados, onde circula uma imensidão de bites diária, está sujeito a perigos que todos nós conhecemos. Sem querer abordar aspectos mais dramáticos do assunto, creio que muitos de nós já se deram conta do leitor-zapping em que muitos nos tornámos – a quantidade em detrimento da qualidade, a superficialidade  suplantando a reflexão e a investigação, o rumor sobre a verdadeira informação, o veloz corta-e-cola do Google em vez da trabalhosa síntese crítica.

Pois aqui está um importante papel para as bibliotecas escolares: ajudar a transformar tanto equipamento tecnológico, tanta informação em conhecimento, desenvolvimento, espírito crítico, cidadania…

Por tudo isto, neste ano em que se abrem novas oportunidades e se generalizam modelos de gestão das bibliotecas escolares, não vinha mais a propósito este tema que lançámos nesta nova sondagem que propomos para o mês de Novembro.

Participem!

Fernando C. Rebelo

conferência

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pedroO livro da minha vida foi Pedro, olhos de águia de Maria Teresa Maia Gonzalez que nasceu em Coimbra, em 1958. Licenciada em Línguas e Literaturas modernas, foi professora de língua portuguesa entre 1982 a 1997, no ensino oficial e particular, sendo uma das mais vendidas e prestigiadas autoras portuguesas de livros dedicados a crianças e jovens adolescentes.

Este livro fala sobre um rapaz chamado Pedro com quinze anos e postura atlética, que pertence a uma família de Cascais com um grande passado, muita rica, chamada Castelo Branco. O seu pai, porém, está na prisão, conhecendo assim a solidão e a doença. Só Pedro o apoia e visita na prisão durante 3 longos anos até a sua libertação.

Foi o livro da minha vida, porque gostei imenso e foi o único livro que eu li até hoje. Uma das mensagens do livro que ficou marcada no meu pensamento foi que até os nossos queridos parentes podem desapontar-nos, mas, mesmo assim, não os podemos abandonar no meio do nada – pelo contrário, devemos ajudá-los em tudo que estiver ao nosso alcance e torná-los  pessoas melhores. No caso do Pedro, apesar das origens familiares, ele vai visitar e apoiar o seu pai, que conhece a prisão, a solidão e a doença, porque não deixa de ser seu pai e ele sabe que ao ajudá-lo, irá torná-lo numa pessoa melhor.

Este livro é sem dúvida um dos melhores livros que já li, porque deixa como mensagem, o amor de um filho, pelo seu pai que passa grandes dificuldades na sua vida, mesmo depois de este o ter desapontado.

Diogo Jorge, 10ºB

Sabemos que há estórias & histórias. Dicionaria-mente falando, diremos que aquelas são narrativas de ficção, factos sem o serem, puramente imaginados, romanceados; estas, são factuais, directamente observáveis ou baseadas em documentos e testemunhos, traduzindo-se ambas em contos, crónicas, Um-bailado-no-centro-da-almanovelas, fábulas, enfim… narrativas.

O que será mais real: nós ou as nossas imagens?, a Vida ou a Literatura?, as nossas histórias ou as nossas estórias?

Oscar Wilde escreveu duas frases que, na minha idiossincrasia, traduzem bem a necessidade e a importância espiritual de uma “outra vida” (ou dimensão desta) talvez mais autêntica e real que aquela a que estamos habituados e à qual estamos presos julgando – por vezes – ser a única: «a literatura antecede sempre a vida»; «o máximo na literatura é a realização daquilo que não existe». Podemos ser e ter tudo em Literatura, sobretudo aquilo que julgávamos não existir. “O que (ainda) não existe” – para aqueles que perderam a capacidade de sonhar, de imaginar -  é a outra dimensão da Vida. Quando narramos aos outros e a nós mesmos, os nossos desejos, utopias, sonhos, impossibilidades e vontades radicais, estamos a criar, como deuses – no Olimpo da Literatura – aquilo que “não existia”. Também Fernando Pessoa(s) assumia, em termos de Vida-vivida, com mais autenticidade e sentido(s), pelo fingimento e com as máscaras (uma outra forma de imaginar e criar mundos), o primado da Vida-Literatura: «a literatura como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta».

Escrever, seja o que for, com coerência, paixão, sentido(s) e capacidade de inovação, é cada vez mais difícil. Vivemos rodeados de verborreias televisivas e outras de toda a espécie (sobretudo no plano da Educação e Ensino) – arriscamo-nos ao esgotamento e à “de(s)ignificação” dos rituais, do encanto, dos mistérios e da magia do Ver-a-Ler, das palavras-luz através das quais se vê o mundo – escre(ver) é ver, ver é contar… Recriar o mundo pela narrativa, é talvez uma das tábuas de salvação do Homem.

Por isto e por algo mais que sinto mas que não consigo dizer (dar-a-ver) porque há palavras que estão cansadas e doentes, agradeço a todos os escritores do mundo, oftalmologistas de palavras, a re-criação/re-visão deste mundo e a criação/visão de outros mundos.

Prof. Ângelo Rodrigues

in um bailado no centro da Alma, Editorial Minerva, Maio de 2002

visite o site do autor

O Outono convida a passar bons momentos num cinema. Assim deve ter sentido quem assistiu à 10ª Festa do Cinema Francês que apresentou  vinte e um  filmes em antestreia nas  cidades de Lisboa, Porto, Guimarães, Almada , Coimbra e Faro. Em Almada  as exibições foram no Auditório do Fórum Municipal Romeu Correia de 13 a 18 . Como já é habitual o DocLisboa 2009 proporcionou espectáculos muito bons  com a apresentação de duzentos  documentários. Entre os inúmeros prémios atribuídos,  destaca-se,  na competição nacional, o documentário sobre a linha do Tua, Pare, Escute, Olhe, de Jorge Pelicano, que arrecadou três prémios. Na competição internacional  o grande prémio de longa-metragem  foi  atribuído a Petition, do chinês Zhao Liang, enquanto a melhor primeira obra foi para October Country, de Donal Mosher e Michael Palmieri.

Quanto às estreias, algumas estão ainda em exibição e vale a pena sair de casa para assistir ao comovente drama familiar sobre arrependimento  Andando O Dia da Saia, de Jean-Paul Lilienfeld, com uma extraordinária interpretação de Isabelle Adjani, no papel de uma professora à beira de um colapso nervoso, ao filme redentor  Desgraça de Steve Jacobs, adaptação do romance homónimo do nobelizado escritor sul-africano J.M. Coetzee , ao drama verídico O solista de Joe Wright,  à excelente comédia negra O Delator! de Steven Soderbergh,  baseado no livro homónimo do jornalista  Kurt Eichenwald e com uma soberba interpretação de Matt Damon  e a  Il Divo, de Paolo Sorrentino,  sobre a vida  do poderoso político italiano Giulio Andreotti.

Também ainda em exibição,  está a  produção luso-francesa Morrer como um homem, de João Pedro Rodrigues,  que trata do quotidiano de um travesti  dividido entre viver como uma mulher ou morrer como um homem.

Quanto a comédias,  exibem-se Loucos e Fãs de Kyle Newman, que  parodia os fanáticos da saga Guerra da Estrelas, Marido por acidente, de Griffin Dunne e Caçadores de vampiras lésbicas, de Phil Claydon.

Os filmes de terror também marcam presença com Orfã, de Jaume Collet-Serra, O Eco, de Yam Laranas e  São Valentim Sangrento, de Patrick Lussier.

No que respeita a thrillers, destacam-se Orgulho e Glória, de Gavin O´Connor e Os Informadores, de Gregon Jordan. Os substitutos, de Jonathan Mostow, deve ser apreciado pelos que gostam de ficção científica/ acção . Também interessante é o drama francês de Philippe Lioret Welcome, que trata da situação real dos refugiados que escolhem a Europa para viverem uma vida mais digna.

Os fãs do mundo do futebol  de certeza que apreciam um enredo sobre o treinador Brian Clough em Maldito United, de Tom Hooper. Para quem goste de filmes musicais,  Fama, de Kevin Tancharoen, relembra a famosa série televisiva. No final do mês, destacou-se a estreia do documentário  This is it realizado por Kenny Ortega, coreógrafo do espectáculo que Michael Jackson  preparava  para apresentar em tournée.

Para o público infantil exibem-se os  filmes de animação  Sininho e o Tesouro perdido, de Klay Hall, Em defesa da Terra, de Aristomenis Tsirbas e Força G, de Hoyt Yeatman.

Uma notícia interessante do mês de Outubro é a de que a  campanha Save Miguel continua a somar galardões em concursos internacionais. Recentemente  foi distinguida com o prémio Charles Darwin do Art & Tur- Festival Internacional de Filmes de Turismo em Barcelos. Esta campanha é patrocinada pela Corticeira Amorim e   pretende sensibilizar para a importância da cortiça  e do montado de sobro na preservação da biodiversidade.

No mês de Novembro é de destacar a realização, entre 5 e 14,  da 3º edição do Estoril Film Festival, que além da projecção de filmes apresenta inúmeras actividades ligadas ao mundo do cinema.

Profª Luísa Oliveira

Fecho os olhos e vejo o meu coração …

“To dance before sea and sky”, por Steve Hanks
“To dance before sea and sky”, por Steve Hanks

Dúvidas que pairam, ignorância que sobressai e medos que me embaraçam. Esta realidade que me fez pensar no passado, estabilizar no presente e temer o futuro.

Como uma onda que me deita abaixo e que me deixa sem intenção de me erguer e seguir a minha paixão …

O chão foge-me dos pés e o céu deixa de ser visível – torno-me ignorante ao não querer saber o que se passa na minha vida…

Tento encobrir-me, deixo de acreditar na verdade, naquilo que aparenta ser a minha felicidade. Esforço-me para esconder o óbvio, limito-me a sobreviver, enxugando as lágrimas vindas do mais profundo que há em mim.

Meu refúgio, que é o mar, preserva-me as ilusões e torna-me notável. Manto azul que reflecte o luar, concedo-lhe o meu sonho na esperança que floresça… Que se forme lentamente e um dia seja a minha vida, que vagueie no maior oceano e um dia se transforme no meu destino.

Agora, perdida no seu infinito, sinto que é essencial seguir a minha visão, o meu sonho, que é dançar.

Jamais vou desistir daquilo que um dia me fez existir.

Por fora não, mas por dentro vale a pena sonhar.

Joana Pinto, 10ºB

asterix Nasceu em 1959, tal como este bibliblogueiro. Leia a notícia da exposição comemorativa no Público, conheça a colecção completa  publicada pela Asa e não perca tempo: agarre já num dos seus muitos exemplares que estão nas estantes da nossa biblioteca.

meu filho nickO livro O meu filho Nick, de Danielle Steel, conta-nos a história de um rapaz chamado Nick que sofria de psicose maníaco-depressiva. Esta doença, incurável, provocava-lhe mudanças drásticas no comportamento, embora Nick estivesse a ser acompanhado por médicos e medicado.

Nick foi crescendo e, com ajuda dos psiquiatras, da sua mãe e da sua família foi lutando contra a sua doença. Quando chegou à fase da adolescência, apaixonou-se por muitas coisas novas, como a música. Passados alguns anos, constituiu uma banda onde cantou músicas compostas e interpretadas por ele, viajando pelo mundo.

Todos os médicos consultados pela sua mãe diziam que se Nick conseguisse sobreviver até 30 anos podia ter fortes probabilidades de viver uma vida mental normal. Mas Nick foi por caminhos menos bons, consumindo drogas, não tomando os medicamentos, recusando a ajuda e revoltando-se contra todos os que o amavam, principalmente a sua mãe. Pouco tempo mais tarde, Nick morreu com apenas 19 anos de idade, vítima dessa doença que o levaria ao suicídio.

A sua mãe escreveu então este livro e criou uma fundação com o mesmo objectivo: ajudar e explicar os malefícios de uma doença sem cura, uma maldita doença que lhe tirou o seu próprio filho.

Susana Ruas, 10ºB

Normalmente, quando publico um post, faço-o no plural. Isto porque, ao longo do ano lectivo anterior, outros blogueiros deram também vida ao Bibli . Agora, enquanto espero a adesão de uma nova equipa, deixo aqui à Teresa Antunes, parte do ADN deste, também seu, Bibli, um abraço especial.

Mas como a vida não pára, a Teresa, agora integrada na equipa da BE da ES Romeu Correia,  continua o seu afã bloguista com a criatividade com que marcou muitas vezes este outro sítio da BE da Daniel Sampaio.

Aqui fica então a notícia do lançamento do Romeu’s Blog e, como de laços se fazem links, cá estará também no cantinho das nossas especiais biblices.

Fernando Rebelo

romeu's


Halloween na BibCom origem na tradição anglo-saxónica, o Halloween, ou Dia das Bruxas, tem vindo a ganhar destaque em Portugal, sendo já comum verem-se crianças disfarçadas a bater às portas da vizinhança na noite de 31 de Outubro com o costumeiro trick or treat (doces ou travessuras). Assim, tal como as luzes, as estrelas, a árvore constituem os adereços do Natal, o Halloween ilustra-se de abóboras iluminadas de sorrisos diabólicos, bruxas, esqueletos, fantasmas, morcegos…

Mas é também  uma boa oportunidade para aqueles que se assustam com a leitura porem um pouco à prova a sua coragem. E, como o Halloween também também se pode encontrar na nossa biblioteca , aqui fica uma sugestão de livros e DVDs que podem levar directamente das nossas estantes…

Bons sustos :D

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O Livro de que eu vou falar chama-se A Esperança Reencontrada, de esperança reencontrada Andrew Mark. Andrew Mark cresceu na Europa e na Ásia, estudou Antropologia na Faculdade de Connecticut e fez um mestrado em Belas-Artes na Universidade da Columbia, sendo este livro o seu segundo romance.

Ben Minor, um ex-estudante de medicina, tinha decidido abandonar Nova Iorque, deixando todos os seus problemas para passar férias nas montanhas a norte do país, acabando por ficar em Cotagge Mills, uma pequena localidade entre o Maine e o Canadá, onde conheceu Annie. Ben e Annie começam a criar laços e Ben começa a sentir-se cada vez mais intimamente ligado àquele lugar e a Annie. Passado algum tempo, porém, Ben descobriu que nem tudo poderia ser perfeito, pois tomou conhecimento de que Annie se encontrava doente . Annie tinha um linfoma já há alguns anos do qual pensava ter ficado curada, mas o problema voltara a surgir. Annie recusava-se, contudo, a receber terapia, pois já estava cansada dos seus efeitos secundários. No entanto, Ben, um homem cheio de força e coragem, consegue convencê-la a não desistir.

Este livro, foi um dos livros da minha vida, por ter um desfecho magnífico: Estavam entrelaçados agora como os fios de uma corda. E foi então que Ben percebeu que os médicos podiam aprender algo com os poetas: era o amor que suavizava a dor da vida. Era a única coisa que tornava a vida suportável. E esse bálsamo era o melhor medicamento que Ben jamais conhecera.

Este livro  foi sem dúvida marcante, pois mostra a extrema coragem e o verdadeiro amor que Ben sentia por Annie ao ponto de a conseguir convencer a receber de novo o tratamento.

Sara Moreira, 10ºB

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João Sousa, 8ºC

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Patrícia Moga, 7ºB

Patrícia Moga, 7ºB

Patrícia Moga, 7ºB

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Tiago Coelho, 7ºB

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João Marques, 7º B

João Marques, 7º B

narcisoNinguém: Que andas tu i buscando?
Todo-o-mundo: Mil cousas ando a buscar: delas não posso achar, porém ando porfiando, por quão bom é perfiar.
Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?
Todo-o-mundo: Eu hei nome Todo-o-Mundo, e meu tempo todo inteiro sempre é buscar dinheiro e sempre nisto me fundo.
Ninguém: Eu hei nome Ninguém, e busco a consciência.
Berzebu: Esta é boa experiência! Dinato, escreve isto bem.
Dinato: Que escreverei, companheiro?
Belzebu: Que Ninguém busca consciência e Todo-o-Mundo dinheiro.gilVic02
Ninguém: E agora, que buscas lá?
Todo-o-Mundo: Busco honra muito grande.
Ninguém: E eu virtude, que Deos mande que tope co’ela já.
Belzebu: Outra adição nos acude: escreve logo i a fundo, que busca honra Todo-o-Mundo, e Ninguém busca virtude.
Ninguém: Buscas outro mor bem qu´esse?
Todo-o-Mundo: Busco mais quem me louvasse tudo quanto eu fezesse.
Ninguém: E eu quem me reprendesse em cada cousa que errasse.
Belzebu: Escreve mais.
Dinato: Que tens sabido?
Belzebu: Que quer em extremo grado Todo-o-Mundo ser louvado, e Ninguém ser reprendido.

in Gil Vicente, Auto da Lusitânia, 1532

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