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Um Estudo Em Vermelho (A Study in Scarlet no original) foi a primeira narrativa, escrita por  Arthur Conan Doyle onde surge a sua famosa personagem Sherlock Holmes. Publicada originalmente na revista Beeton’s Christmas Annual em novembro de 1887, só seria lançada em formato de livro em julho de 1888.

Sherlock Holmes haveria de ter uma legião de seguidores, já contemporâneos das primeiras publicações – de tal maneira que o seu autor, depois de o ter morto por já estar cansado da personagem, o teve de ressuscitar perante a insistência, quando não fúria, dos seus fiéis leitores. Produto do racionalismo positivista e da sociedade vitoriana, a personagem serviu de inspiração a muitos outros detetives de papel, entre os quais se conta  Hercules Poirot da não menos famosa Agatha Christie.

É neste Um Estudo Em Vermelho que se dá o primeiro encontro com Dr. Watson, narrador, admirador e participante nas aventuras do detetive nas histórias subsequentes. Eis como o descreve  no 2º capítulo dessa primeira obra:

Evidentemente, a convivência com Holmes não era difícil. Tinha hábitos tranquilos e regulares. Era raro vê-lo em pé depois das dez horas da noite, e invariavelmente já preparara o seu café da manhã e saíra quando eu me levantava da cama. Às vezes passava o dia no laboratório químico, outras, na sala de dissecação e ocasionalmente em longos passeios, que pareciam levá-lo aos bairros mais sórdidos da cidade. Nada era capaz de ultrapassar a sua energia quando tomado por um acesso de atividade.

 À medida em que as semanas passavam, o meu interesse por ele e a minha curiosidade quanto aos seus objetivos na vida iam gradualmente aumentando em extensão e profundidade. Até o seu físico era tal que despertava a atenção do mais descuidado observador. Quanto à sua estatura, passava de um metro e oitenta, mas era tão magro que parecia mais alto ainda. Os seus olhos eram agudos e penetrantes e o seu nariz delgado, aquilino, acrescentava às suas feições um ar de vigilância e decisão. Também o queixo, quadrado e forte, indicava nele o homem resoluto. As suas mãos andavam invariavelmente salpicadas de tinta e manchadas por substâncias químicas, mas possuíam uma extraordinária delicadeza de tato, como frequentemente tive ocasião de notar ao vê-lo manipular os seus frágeis instrumentos de alquimista.[…]

Sherlock Holmes em ilustração de 1904 por Sidney Paget

Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta minha, confirmara a opinião de Stamford sobre esse ponto. Também não parecia ter feito qualquer curso regular que o habilitasse a integrar-se em algum ramo da ciência ou a penetrar nos umbrais do mundo erudito. Contudo, o seu zelo por outros estudos era notável e, dentro de limites excêntricos, o seu conhecimento era tão extraordinariamente amplo e minucioso, que as suas observações me causavam grande espanto. Evidentemente, nenhum homem trabalharia tanto para adquirir informações tão precisas se não tivesse em vista um objetivo bem definido. Leitores desorganizados dificilmente se fazem notar pela exatidão dos seus conhecimentos. E ninguém sobrecarrega o cérebro com minudências especiais, a menos que tenha um bom motivo para fazê-lo.

disponível na BE

in Um Estudo em Vermelho

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Fernando Rebelo

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