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Posts Tagged ‘Televisão’

C-Btv_GarbageAcabam as aulas. Vou estudar. Chego a casa e não paro de me questionar: será que está alguém em casa? Olho para o sofá e não vejo ninguém. Sento-me, ligo a televisão, pego no comando e clico, por engano, no canal cinco, o melhor canal do mundo!

Apercebo-me de que os homens da paz aparecem nas notícias a ameaçarem-se um ao outro: se mais alguma bomba for utilizada, declaro guerra! – Disse o americano ao pequeno coreano. Será que esta ameaça é só “garganta” ou vai haver guerra? Bem, continuo a ver o telejornal. O jornalista pivô continua, sem se preocupar com o facto de uma nova guerra começar.

O reino dos anúncios começa. A repetição e os produtos são o mais interessante do telejornal! Parece que toda a gente passa à frente do telejornal só para ver os modelos a desfilarem em frente às câmaras. De repente, os anúncios acabam, e tudo volta a ser como era. O jornalista a tagarelar sempre a mesma coisa: “ E agora, vamos falar sobre os refugiados” ou então “incêndio ameaça as casas”, para não falar do futebol.

Está na hora. As notícias acabaram. As audiências desapareceram, e passa “TV SHOP”.

 João Gonçalves, 9.º D

imagem daqui

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Atualmente vivemos num mundo cheio de ilusões. Porém, será que estamos preparados para enfrentarmos a realidade como ela é?  Como podemos ter total acesso à realidade?

Primeiramente, vamos clarificar o conceito de realidade. A realidade é entendida como: qualidade do que é real; o que existe de facto; certeza; aquilo que se opõe ao nada; ao aparente; ao ilusório; etc.

Será que no mundo de tantas ilusões e dissimulação, a mentira tem algum papel na nossa vida? O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, na sua obra Sobre a Verdade e a Mentira no Sentido Extramoral, diz que na arte a dissimulação é válida, porque pode satirizar a sociedade. Ou seja, a dissimulação é utilizada pelo teatro, por exemplo, e neste caso ela é válida. O filósofo faz uma análise da verdade e da mentira num sentido extramoral, ou seja, para além daquilo do que moralmente achamos que é correto: a verdade é boa e a mentira é má. A mentira inserida no contexto artístico dá-nos acesso à outra realidade, o teatro.

Nietzsche

Nietzsche define a mentira e a verdade. Ele diz que O mentiroso utiliza as designações válidas, as palavras, para fazer com que o irreal pareça real. Ele diz, por exemplo, “Sou rico”, quando a designação correta seria precisamente a palavra “pobre”. Faz mau uso das convenções estabelecidas através de trocas arbitrárias ou até inversões de nomes, feitas a seu bel-prazer. (1) Para Nietzsche, a mentira dá-nos acesso a outro mundo, o mundo artístico, um mundo de esperança, felicidade, etc. A mentira é uma aparência, porém agradável, que nos faz viver. A aparência faz parte da nossa vida. O filósofo entende como verdade: (…) as verdades são ilusões que foram esquecidas enquanto tais, metáforas que foram gastas e que ficaram esvaziadas do seu sentido, moedas que perderam o seu cunho e que agora são consideradas, não já como moedas, mas como metal. (1) Nietzsche explica como ser verdadeiro, isto é, utilizar as metáforas usuais, portanto, expresso de uma maneira moral da obrigação de mentir segundo uma convenção estabelecida, de mentir de um modo gregário, num estilo vinculativo para todos. Ora, é certo que o homem esquece que é isso que se passa com ele; ele mente do modo indicado, inconscientemente e segundo hábitos de séculos – e precisamente através dessa não consciência e através desse esquecimento ele atinge o sentido de ser verdadeiro.(1) Friedrich Nietzsche entende a verdade como sendo um ponto de vista. O filósofo não especifica nem aceita a definição da verdade, uma vez que não se pode alcançar uma certeza sobre a realidade do oposto da mentira.

A meu ver, a verdade vai muito para além da teoria de Nietzsche. A verdade é contar os factos tais como aconteceram, sem adulteração da realidade, sem que a imaginação acrescente pormenores. É verdade que a verdade pode magoar e a distorção da verdade, ou seja, o uso da arte da dissimulação pode minimizar o sofrimento das pessoas envolvidas. No entanto, a arte da dissimulação é utilizada de maneira a diminuir a dor dos indivíduos na sociedade. Trata-se apenas de uma desculpa para modificar a verdade/realidade, para nos protegermos do modo como a sociedade nos vê quando nos pronunciamos acerca daquilo que,para nós, é verdade. Parece-me que a teoria de Nietzsche é extremamente convincente, uma vez que nos dá uma ideia liberal, i.e., dá-nos uma ideia de que a experiência da vida em sociedade se realiza, se cada indivíduo respeitar a perspectiva do outro e que todos os indivíduos procurem sempre a verdade, tentando evitar a todo custo a dissimulação.

Na minha opinião, no domínio das artes, cada pessoa tem uma perspectiva diferente sobre uma determinada peça. Para alguns, pode ser a peça mais bonita do mundo e para outros pode ser a peça mais simples de todas. Porém, nas ciências exatas, por exemplo, nomeadamente na matemática, sabemos que “9 x 9 é 81”. Não há dúvidas relativamente a este facto. Podemos fazer esta conta as vezes que forem necessárias, que o resultado será sempre o mesmo. Se alguém fizer esta operação matemática e obtiver um resultado diferente, então esse resultado estará errado e isto não depende das perspectivas. Esta é uma verdade científica e é universal. Existem casos em que não há várias perspectivas sobre um determinado assunto, existe apenas uma verdade universal e comprovada. Se a perspectiva de todas as pessoas é diferente, logo ninguém tem acesso à realidade.

Platão diz que a verdade é racional. Nietzsche diz que a verdade e a mentira estão misturadas, e isto nos faz viver, faz parte da nossa vida. Isto não faz mal nenhum. É aí que está o encanto da vida. A vida é-nos apresentada, basta vivermos. Nós estamos permanentemente a recorrer à mentira, uma vez que não temos total acesso à realidade.

Nietzsche crê que o ser humano anseia pela verdade, não para tornar-se melhor, mas por medo dos resultados negativos. Se no mundo nos quiséssemos prejudicar uns aos outros, como seria mantida a paz na sociedade? Por outras palavras, a verdade é extremamente necessária. Como podemos observar durante toda a história da Humanidade, surgem personalidades obscuras como Adolf Hitler, Getúlio Vargas, Muammar Al-Gaddaf, etc., que utilizam a dissimulação para iludir pessoas e cometer crimes horríveis.

Outro exemplo bem presente nas nossas vidas é a preferência  por telenovelas. Geralmente,  abundam em clichés quando mostram a vida das diferentes classes sociais. Grande parte do público que assistem às telenovelas desconhece o modo como vivem as pessoas de outras camadas sociais.  A partir das telenovelas, contactam com o modo de vida de outras classes sociais. Em resumo, não têm acesso total à realidade mas sim sobre uma perspectiva.  Geralmente trata-se de uma perspectiva errada e estereotipada.

Um texto que, apesar de ter sido escrito há muitos anos precisamente por Platão, continua a ter uma validade intemporal sobre este tema é a Alegoria da Caverna. A Alegoria da Caverna é uma metáfora sobre a vida humana. Para Platão existem dois mundos: o Inteligível, da realidade, onde podemos ascender; e o Sensível, das aparências, onde vivemos. Platão diz que quando os homens da caverna entram em contacto com a luz e os objetos reais, ou seja, com a realidade, são incapazes de os ver, por  não estarem acostumados à luz mas sim à escuridão (salientando que a luz representa a sabedoria e conhecimento da realidade, e a escuridão representa as aparências). Seguidamente, diz que o homem não crê no que vê e a escuridão e as sombras parecem-lhe mais reais. O autor também afirma que é muito difícil para o homem olhar para estes objetos na escuridão, onde é mais confortável. Após algum tempo e uma dura adaptação, o homem consegue viver com a luz. O homem da caverna não fica maravilhado com a luz e não mostra gratidão a quem o ajudou a encontrá-la. No começo, o homem protesta e mais tarde, esclarecido quanto à realidade, o homem dá valor e entende que toda a difícil adaptação à realidade é compensada.

Se refletirmos um pouco, concluímos que geralmente somos contra tudo o que é novo. As teorias do Heliocentrismo e do Geocentrismo são disso um exemplo. Antes de Galileu ter comprovado o Heliocentrismo, a teoria que era tida como verdadeira era a teoria de Ptolomeu, o Geocentrismo.  Este astrónomo, matemático e geógrafo dizia que a Terra estava imóvel, no centro do Universo, e os restantes planetas giravam à sua volta. Entretanto, Copérnico apresentou uma revolucionária e nova teoria que mais tarde veio a ser comprovada por Galileu, o Heliocentrismo, que contradizia o Geocentrismo.  Galileu afirmava que não era a terra que estava no centro do Universo mas sim o Sol e que os restantes astros, juntamente com a Terra, faziam um movimento de translação em volta da terra.

Como Galileu defendia a teoria heliocentrica, teve alguns problemas com a Igreja, nomeadamente com o Santo Ofício, dado que a Igreja defendia a teoria do Geocentrismo. Galileu só não foi condenado à morte e à tortura pelo Santo Ofício, porque era amigo do Papa. No entanto, foi forçado a abdicar publicamente da sua teoria. Apesar de tudo, Galileu continuava a acreditar na sua tese. Os seus livros entraram para o Index (lista de livros proibidos/condenados pela Igreja, visto que contradiziam os princípios bíblicos). A teoria de Galileu contradizia a Igreja, poderia gerar dúvidas nos fiéis e isto poderia ameaçar o poderio da Igreja. Galileu conseguiu comprovar que o nosso planeta não está no centro do Universo, e é apenas um pequeno planeta. Só mais tarde, no séc. XX, o Papa reconheceu a teoria de Galileu.

Outro aspecto que está bem presente na nossa vida é a televisão. A  televisão pode ser um perigo para a percepção da realidade. Segundo Popper no seu livro Televisão: Um Perigo para a Democracia, as crianças são influenciadas e se adaptam aos diferentes meios com que se deparam. Assim, a sua evolução mental depende largamente do seu ambiente.(2) A televisão é um perigo para as crianças, uma vez que lhes rouba o tempo e as crianças têm muita dificuldade em distinguir a realidade da ficção, devido à compreensão limitada que possuem do mundo E assim são mais vulneráveis do que os adultos. (2) Os super-heróis não só influenciam o dia a dia das crianças como também são essenciais para a formação da personalidade de seu filho. É nessa relação da criança com os super-heróis que são plantadas as sementes de valores como ética, coragem, humildade, assim como também nos contos de fadas, onde os heróis são os mais humildes e bondosos, são os que aceitam enfrentar a perigosa tarefa que irá salvar o reino, o rei, o pai etc.” (in http://www.guiagratisbrasil.com/saiba-como-os-super-herois-influenciam-na-vida-das-criancas/) E se estes mesmos super-heróis pregam que só com a violência podemos vencer o mal? Qual será a lição que  estão a passar para as nossas crianças?  Quando assistem a cenas de violência, por exemplo, é provável que concluam à sua maneira que, é o mais forte quem tem razão. (2) As crianças têm dificuldade em perceber as mensagens mais subtis e com algumas técnicas como as mensagens subliminares, por exemplo, alguns produtores podem manipular o comportamento das crianças. Para solucionar este problema da televisão, Popper sugere que o Estado crie um órgão moderador para a produção dos programas televisivos e que quem trabalha na televisão seja portador de uma licença. Em caso de desrespeito pelas regras estabelecidas por este órgão,  seria retirada a licença. A licença só  seria entregue após uma formação e uma prova. O autor exemplifica o problema dizendo que em Inglaterra uma mulher quis castigar um ator que desempenhava o papel de criminoso. E casos como este estão se espalhando por todo o mundo. Esta pessoa, adulta, tem dificuldades em distinguir a realidade da ficção. Aliás, um dos objetivos da ficção em geral e de todos os géneros de ficção propostos na televisão é mostrar cenas tão vivas e reais quanto possível. (2)

Existe um grande risco das pessoas (tanto adultos como crianças) confundirem a realidade com a ficção e isto pode ter sérias consequências. Foi o que aconteceu com dois rapazes de 10 anos, em Liverpool. Eles sequestraram e mataram uma criança de dois anos, em 1993.  Na Grã–Bretanha e nos Estados Unidos, os criminosos confessaram que foram influenciados pelo que tinham assistido na televisão.

Em suma, muitas vezes mentimos sem saber pois não temos total acesso à realidade. A mentira inserida no contexto artístico, nomeadamente no teatro, tem um papel muito importante nas nossas vidas pois torna-a muito mais divertida. A mentira também pode ser usada para minimizar o sofrimento das outras pessoas, uma vez que a verdade por vezes é dolorosa. E, como diria Platão, muitas vezes é mais cómodo ficar na nossa caverna do que ser confrontado com a luz.  Será que isto é saudável?

Luiz Monteiro, 11º E

Fontes bibliográficas citadas:

(1) Sobre a Verdade e a Mentira no Sentido Extramoral – Nietzsche

(2) Televisão: Um Perigo para a DemocraciaKarl Popper

imagens:

daqui, daqui, daqui, daqui e daqui

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Os alunos que fazem parte da equipa do JEDS, Luiz Monteiro (10º E), Barbara (10º D), Filipa (10º D), Soraia (10º D), Rafael (10º C) e a Prof. responsável Teresa Reis, participaram num concurso do Diário de Noticias, elaborando um nota biográfica sobre uma personalidade portuguesa, tendo a escolha recaído sobre Joana Vasconcelos, que é uma das artistas plásticas portuguesas mais aclamadas internacionalmente.

aceda ao site do concurso

Alguns dias depois  da equipa do JEDS enviar a nota biográfica, o DN contactou-nos, dizendo que a o nosso trabalho havia sido seleccionado e que a nossa equipa iria entrevistar uma personalidade portuguesa, neste caso a actriz Cleia Almeida, que faz parte do elenco da novela “Perfeito Coração”. A entrevista vai realizar-se no auditório da Escola no dia 3 de Maio no período da manhã.

É um orgulho muito grande para a equipa do JEDS e para a nossa Escola participar neste evento. Esperamos que no dia 3 de Maio corra tudo bem, e contamos para tal com a colaboração dos alunos e dos professores.

Luiz Felipe Monteiro, 10º E, em nome da equipa do JEDS

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clique para aceder à informação

Sinónimo de noticiário televisivo mas, na realidade, nome de um programa noticioso regular da RTP, desde o tempo em que nem se sonhava com outros canais, o Telejornal faz 50 anos.

Independentemente das preferências de cada um por qualquer dos canais abertos ou por cabo a que temos profusamente acesso hoje em dia, o certo é que o Telejornal é já uma peça importante da História da 2ª metade do séc. XX, História essa que muitos de nós viveram  ainda a preto e branco mas já em directo, vendo “A Televisão” (sim, ter um (só) aparelho e um (só) canal ainda era um luxo nos idos sessenta do séc. passado).

Assim, além do programa da conferência comemorativa, os aficcionados da comunicação social, os nostálgicos ou meros curiosos, podem dar aqui uma vista de olhos a uma série de antigos genéricos do Telejornal ao longo dos anos, aceder à página da RTP que convida a uma visita no âmbito destas comemorações, ou ainda ao Museu Virtual da RTP, já publicitado aqui no Bibli.

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Já está online o Museu Virtual da RTP onde se pode ter acesso a um já considerável numero de peças do seu arquivo de TV e de Rádio, assim como visitar uma exposição e observar as velhas tecnologias dos seus primórdios. Uma viagem na História Contemporânea de Portugal a não perder, quer para estudiosos, nostálgicos ou meros curiosos.

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site do Museu Virtual RTP

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