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Posts Tagged ‘Sermão’

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Encontro-me perante um auditório repleto de homens, impressionante, como este se encontra cheio! mas há um problema… os homens não se aproveitam!

Isto suposto, quero hoje, à imitação de Santo António, voltar-me deste auditório para a terra e, já que os homens não se aproveitam, pregar aos gatos os louvores das suas virtudes e, em seguida, as repreensões dos seus vícios em geral e em particular.gatos

Começando pelos vossos louvores, irmãos gatos, bem vos pudera eu dizer que, entre as criaturas viventes e sensitivas, vós sois a mais independente, curiosa e inteligente de todas dos três elementos. Vindo pois, irmãos às vossas virtudes, que são as que só podem dar o verdadeiro louvor, é aquela subtileza com que vós fazeis as suas tarefas pela honra de vosso Criador e Senhor.

Descendo ao particular, de alguns somente farei menção. E o que tem o primeiro lugar entre todos é aquela santa gata Iuki a quem lhe foi proposto petiscar junto dos seus outros irmãos gatos, por ser fêmea e não ter capacidade para caçar o seu próprio alimento. Se Iuki não fosse uma gata independente, teria aceitado a proposta, mas preferiu manter a sua dignidade, uma vez que saberia que ia chegar o dia em que teria de enfrentar a vida sozinha. Assim, aprendeu aos poucos a ser uma gata feroz na caça do seu alimento, conseguindo sempre o que queria. Já os homens, muitas vezes não têm esta dádiva de pensar no futuro e no que é melhor para a sua vida, já para não falar da discriminação feita às mulheres e à falta de determinação e persistência para alcançar um objetivo.fourpackcoloredcats

Passando dos da força de vontade, quem haverá que não louve e admire muito a virtude tão celebrada por Califa que, ao ver qualquer objeto, quer logo perceber do que se trata e qual o seu fim, aprendendo assim através da sua curiosidade. Tomara a maioria dos homens ter esta qualidade, pois  permanecem na ignorância e não partem para a descoberta do mundo exterior.

Antes, porém, que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Descendo novamente ao particular, direi agora gatos, o que tenho contra alguns de vós, começando aqui pelo Yoshi, que só vem a casa quando tem fome, para receber mimos quando está carente ou para se abrigar do frio, no entanto, se nós quisermos a companhia dele simplesmente desaparece, tal como a maioria dos homens, que só agem por interesse.

Com esta única e última advertência vos despido, ou me despido de vós, meus gatos. E que vades consolados com um sermão, que não sei quando ouvireis outro.

Beatriz Oliveira, 11ºC

Imagens editadas daqui e daqui

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Quero hoje, à imitação de Padre António Vieira, louvar as virtudes e criticar os defeitos da sociedade. Para isso, voltar-me-ei para os suricatas, elogiando-os, e para os papagaios, criticando-os, enquanto censuro os comportamentos dos Homens.

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Os suricatas são os animais mais valentes, humildes e protetores

Começando pois pelos vossos louvores, suricatas, que são dos animais mais valentes, humildes e protetores, quero salientar a vossa capacidade de ensinar as vossas crias a ultrapassar dificuldades e o vosso incrível instinto paternal. Considero essa virtude uma das coisas que faz da nossa sociedade tão humana. Proteger os que nos são próximos e ensinar todos os conhecimentos que temos é uma forma de garantir que deixamos sempre algo de nós para trás. Mas será que somos todos assim? Será que todos temos essa capacidade que faz de nós tão humanos?

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Os papagaios facilmente entregam os segredos mais íntimos

 

Suposto isto, falando agora dos vossos defeitos, papagaios, que gostam muito de imitar outros e se influenciam facilmente, quero repreender o facto de não terem uma voz própria e facilmente entregarem os segredos mais íntimos do mundo que vos rodeia. Este defeito representa muito bem a sociedade atual, pois vivemos num mundo cheio de tendências e manias onde aqueles que se recusam a ser iguais aos outros são considerados loucos. As pessoas são facilmente influenciadas pois têm medo de não serem aceites pela sociedade e não se apercebem que estão aos poucos a perder a sua própria individualidade. Será que somos assim tão diferentes quanto pensamos? Seremos nós os loucos ou os que consideramos os outros loucos?

Assim é a nossa sociedade. Podemos até dizer que vivemos numa sociedade de extremos, onde ou somos suricatas ou somos papagaios, no entanto por muito individualistas que pensemos ser, se calhar até somos muito parecidos uns com os outros e é isso que faz de nós uma sociedade tão única.

Mariana Mamede, 11ºC

Imagens daqui e daqui

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tartaruga-1Quero hoje, à imitação de Padre António Vieira, apontar as virtudes e os defeitos da tartaruga, um animal muito pequeno, esquecido por todos, mas cujas capacidades espantam os mais céticos. Quis Deus dar-lhe estas características, suposto  que enfrentam e acabam com a tirania dos grandes, quer na água, quer na terra.

A sua ambição é sobrenatural – entre todos os outros animais, em nenhum reino é possível encontrar tal ambição e dedicação. Apesar da sua lenta locomoção e fraca estatura, louvo a sua perseverança em alcançar os seus objectivos. Mesmo levando um grande peso nas suas costas, a sua ambição é sempre maior; a sua inteligência também é algo a notar: em situações de perigo usa a sua grande carapaça como proteção, aproveitando-se da ignorância e impaciência do seu atacante, pondo em evidência a sua astúcia.

tartaruga-2Mas será isto absoluto? Um bicho pequeno não devia enfrentar os grandes? Enfrentar aqueles que o pisam e se aproveitam dos pequenos e fracos? A tartaruga porém encolhe-se por cobardia e fraqueza, deixando–se ser pisada e arremessada. Animal como este tão bem protegido, não devia ter um caráter corajoso? De que lhe vale a sua ambição, se a coragem lhe falta? Deus não apoia cobardes.

Esse é o problema da nossa sociedade, a desigualdade entre duas classes: os grandes e os pequenos. Os fracos são pisados e, devido à sua cobardia não enfrentam os poderosos, que os controlam e desvalorizam. Porém, os pequenos são mais astutos e dedicados do que os grandes e, com muito trabalho, alcançam grandes coisas.

Terá o trabalho de Deus falhado? Ou é porque os grandes são demasiado poderosos? Sendo esse o caso, serão os fracos para sempre governados pelos grandes?

Tiago Batista, 11ºC

imagens editadas daqui

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Peixes Caboclos, por Patrícia Moura

Sabia que o fel do bíblico peixe que curou a cegueira do pai de Tobias podia  muito bem ter sido óleo de fígado de bacalhau que, com a sua vitamina A, possui  propriedades curativas no campo da oftalmologia?

Sabia que o Pegador, alvo de repreensões no capítulo V do Sermão de S. António aos Peixes, tratar-se-ia provavelmente de uma Rémora,  escolhida pelo pregador, opostamente, como modelo de virtudes no capítulo III?

P. António Vieira

Estas e outras curiosidades fazem parte de um trabalho interdisciplinar dos alunos do 11ºB da ESDS (ano lectivo 2010-11) que se propuseram a analisar a possível realidade factual-científica por detrás dos elementos alegóricos-morais do sermão.

Sendo da área de Ciências e Tecnologias e participantes do Clube de Aquariofilia/Biomuseu os alunos puderam aliar a ciência à literatura, neste projecto interdisciplinar entre Português e Biologia que se publica agora na nossa Linha na Estante e que pode ser acedido aqui.

imagens daqui e daqui

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