Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Recordações’

O conhecimento do funcionamento do cérebro pode ser usado para melhorar a aprendizagem. Apesar dos numerosos estudos sobre o funcionamento do cérebro humano, muitas das questões sobre esta matéria, continuam por responder.

Sobre o funcionamento do cérebro humano, como sobre outros assuntos, factos falsos repetidos frequentemente são difíceis de corrigir. Assim persistem alguns equívocos sobre o nosso cérebro, afirmações que convencem muita gente, mas que os cientistas afirmam não serem válidas.

Ao longo de 6 semanas vamos desmistificar algumas dessas crenças. Aqui abordamos a sexta. Leia para descobrir a verdade por detrás dos mitos sobre o cérebro.

6. A memória de acontecimentos passados é precisa e exata: falso

Todos nós temos recordações de acontecimentos que nos parecem tão vivos e exatos, como uma imagem fotográfica. Sobre acontecimentos que nos marcaram, agradáveis ou desagradáveis, dizemos: “lembro-me tão bem, recordo-me como se fosse hoje…”. De facto, sobre esses momentos, especialmente se forem acontecimentos vividos de forma empolgante ou historicamente marcantes, achamos sempre que sabemos, com toda a certeza, onde estávamos, com quem estávamos e o que estávamos a fazer. Quando dizemos, “se a memória não me atraiçoa”, receamos ter esquecido algum detalhe, mas não sentimos que a informação que vamos reproduzir sobre uma situação possa estar alterada. Isto significa que, geralmente, confiamos na precisão e exatidão das informações evocadas, reproduzidas pela nossa memória.

Quando recordamos um acontecimento passado, poderemos não ter um reflexo exato e preciso desse acontecimento e a recordação pode ser inexata, imprecisa e pouco fiel. Assim como outras memórias se alteram (por exemplo, a forma como se faz uma conta de dividir), também a memória de acontecimentos se pode alterar – podemos esquecer detalhes importantes e adicionar alguns incorretos, sem consciência disso.

Sempre que falamos em alterações da memória, pensamos em episódios sobre os quais não conseguimos recordar algo que aconteceu e nunca no facto de nos lembrarmos de algo que não aconteceu. Será então possível termos recordações de coisas que não vimos ou reviver emoções que não sentimos? Alguns estudos experimentais sobre esta matéria demonstram que é possível implantar falsas memórias e descrevem as circunstâncias em que essas memórias são produzidas. Outros estudos mostram que a alteração da reprodução de acontecimentos passados, dada a sua natureza psicológica, é o resultado de um trabalho mental involuntário.

Em vez de pensarmos que a nossa memória funciona como uma câmara fotográfica ou de filmar, temos de saber que os acontecimentos recordados, podem ser modificados ao longo do tempo e tornar-se uma mistura da memória e do pensamento, em que as exigências para recordar ou esquecer e a relação emocional com a matéria reproduzida são aspetos determinantes dessa recordação.

Aqui abordámos apenas  um aspeto da memória: a reprodução de acontecimentos – para quem quiser pensar e saber mais sobre isto, lembre-se que a memória é um sistema muito complexo do qual fazem parte os processos de retenção, reconhecimento, reprodução, conservação e esquecimento.

Teresa Alves Soares

(Psicóloga da ESDS)

imagens daqui e daqui

Read Full Post »