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Posts Tagged ‘Prémio Nobel’

Em outubro, cumprindo-se a tradição, iniciou-se a comunicação dos galardoados com os prémios Nobel, sendo que, este ano, houve consenso em relação aos nomeados, não se registando nenhuma polémica como aconteceu no ano anterior em relação ao prémio de literatura. Mais uma vez, os distinguidos são todos do sexo masculino. Assim, o Prémio Nobel da Medicina foi atribuído aos investigadores norte- americanos Jeferry C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young por descobertas relativas a mecanismos moleculares que controlam o ritmo circadiano, o chamado ‘relógio biológico’ que dura  24 horas e permite aos seres vivos adaptarem-se às diferentes fases do dia e da noite. Foram atribuídos até hoje 108 prémios Nobel da Medicina e em apenas 39 vezes foram entregues a um único laureado.

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O Prémio Nobel da Física foi concedido aos cientistas astrofísicos norte-americanos Rainer Weiss, Barry C. Barish e Kip S. Thorne, pelo seu estudo e observação das ondas gravitacionais. Segundo o comité Nobel “está-se perante algo totalmente novo e diferente, que abre mundos até agora insuspeitos…um sem fim de descobertas estão agora ao nosso alcance após terem sido, finalmente, capturadas as ondas e entendidas as suas mensagens”. Os três cientistas são responsáveis pelo Observatório de Interferometria Laser de Ondas Gravitacionais (LIGO) que tem como principal missão observar ondas gravitacionais de origem cósmica, pelo que as suas descobertas são consideradas um avanço notável na investigação confirmando a Teoria de Relatividade de Albert Einstein de há um século.

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O  Nobel de Química distinguiu o suiço Jacques Dubochet, o alemão Joachim Frank  e  o  escocês Richard Henderson  pelo “desenvolvimento da criomicroscopia eletrónica para a determinação em alta resolução da estrutura de biomoléculas numa solução”. Segundo nota da academia, “o mérito dos premiados consiste em criar métodos que geram imagens tridimensionais das moléculas da vida”, sendo que a estrutura dessas moléculas está diretamente relacionada com o que são capazes de fazer, e conhecê-la e fotografá-la ajuda a entender sua função. A criomicroscopia eletrónica permitiu congelar essas biomoléculas em movimento e tirar uma foto delas com resolução a nível atómico. Graças a isso, foi possível observar, com precisão, proteínas que provocam resistência a tratamentos de quimioterapia contra as doenças oncológicas ou aos antibióticos que empregamos contra as infecções.

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Quanto ao Nobel de Economia, atribuído desde 1969 e cuja designação oficial é Prémio do Banco da Suécia para as Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, foi justificado pela Academia Real Sueca das Ciências pelo contributo que Richard Thaler, professor da Chicago Booth School of Business, deu para a “compreensão da psicologia da economia”. Referindo ainda que “as contribuições de Richard Thaler construíram uma ponte entre a análise económica e a análise psicológica, no processo de tomada de decisões a nível individual”, assim como “as suas conclusões empíricas e teóricas têm sido cruciais para a criação da área da economia comportamental, que está em rápida expansão, e tiveram um impacto profundo em várias áreas da pesquisa e da política económica”.

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Nobel da Economia

O Nobel da Literatura foi atribuído ao excelente escritor inglês Kazuo Ishiguro  nascido em  Nagasaqui, Japão, em 1954  pelos  seus “romances de grande força emocional, que revelam o abismo da nossa ilusória sensação de conforto em relação ao mundo”. Autor de obras memoráveis como “As colinas de Nagasaki”,  “Os Despojos do Dia”, vencedor do Booker Prize, “Quando Éramos Órfãos “, “Nunca me Deixes”,  “Nocturnos”  e  “O Gigante Enterrado”. O autor considerou que o prémio atribuído representa “uma honra magnífica”, que o coloca nas pegadas “dos maiores autores que já viveram”. Acrescentou ainda que “O mundo vive um momento muito incerto e eu espero que todos os prémios Nobel possam ser uma força positiva no mundo. Ficaria profundamente comovido se pudesse de algum modo contribuir para uma atmosfera positiva em tempos tão incertos”.

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Nobel da Literatura

 

O Comité Nobel norueguês atribuiu o Nobel da Paz à  Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares.(ICAN) pelo trabalho feito para a eliminação de armamento nuclear no mundo. Esta escolha surgiu numa conjuntura internacional tensa pois a Coreia do Norte multiplica ensaios nucleares e disparos de mísseis balísticos além de que pode estar em risco o acordo sobre o programa nuclear iraniano assinado em 2015 entre o Irão, Alemanha e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia). Nesse sentido, o Comité apelou aos Estados detentores de armas nucleares para se comprometerem a eliminar gradualmente os respetivos arsenais pois estima-se  existirem cerca de 15 mil armas nucleares,  acrescentando a presidente do Comité norueguês, Berit Reiss-Andersen, que “vivemos num mundo onde o risco de recurso a armas nucleares é maior do que era desde há muito”. A porta-voz da organização ICAN, Daniela Varano, em declaração à atribuição do prémio disse que este refletia o “reconhecimento do trabalho de todos os ativistas ao longo dos anos e, muito especialmente, dos Hibakusha isto é, os sobreviventes das duas bombas atómicas lançadas no Japão no final da II Guerra Mundial. ” Num comunicado posterior a ICAN   salientou que, com aquela atribuição, “se ilumina o caminho para um mundo livre de armas nucleares”.

SWITZERLAND-NOBEL-AWARD-PEACE

Mais uma vez, e cumprindo também a tradição, a cerimónia de homenagem e entrega dos prémios aos laureados realiza-se em 10 dezembro, data de aniversário da morte do patrono Alfred Nobel. O da Paz será entregue em Oslo City Hall pelo rei de Noruega e os restantes no Stockholm Concert Hall  pelo rei da Suécia Nestas cerimónias cada laureado além do prémio monetário receberá um  diploma, certificado  e medalha do Prémios Nobel que tem o mesmo design desde 1902. Como se costuma dizer, é a homenagem “aos melhores entre os melhores” e que nas diferentes áreas têm contribuído para o progresso da humanidade.

Luísa Oliveira

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2016Apesar de ainda faltarem alguns dias para o final do ano e ainda muita coisa poder acontecer, é chegada a hora de olhar para trás e escolher o acontecimento mais marcante, quer a nível nacional, quer internacional – terá sido o que nos fez mais feliz? Ou pelo contrário o que nos marcou, ou ao país, ao mundo de uma forma negativa? Terá sido o que nos surpreendeu mais?

Eis a pergunta que propomos aos leitores com esta nova sondagem. Diga-nos a sua opinião (na caixa lateral do lado direito do blog).

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the-nobel-literature-prize-2016-bob-dylanA temporada dos prémios Nobel 2016 vai estar sempre ligada à polémica causada pela atribuição do galardão da Literatura a Bob Dylan pois é a primeira vez que um músico ganha o citado prémio. Na verdade, esta escolha não deixou ninguém indiferente desencadeando perplexidade que se manifestou tanto no apoio como no desacordo, sendo neste último caso o mais evidente o do escritor peruano Mario Vargas Llosa, Nobel da Literatura de 2010. Este, durante a cerimónia em que lhe foi atribuído o grau de Doutor Honoris Causa, pela Universidade de Burgos, em Espanha, criticou a “cultura de espetáculo” que impera na sociedade atual questionando se no próximo ano o prémio não será entregue a um futebolista. O escritor Gary Shteyngart, ironicamente, por seu lado, diz que entende que para o comité sueco, “ler um livro é difícil”. Entre os que concordaram com a atribuição o destaque vai para o escritor Salman Rushdie que considerou uma “ótima escolha”.

A polémica aumentou pelo facto de Bob Dylan, tardar a reagir à distinção, não atendendo telefonemas e mensagens da Academia Real Sueca reconhecendo, mais tarde, que se sentia honrado pela atribuição do prémio, embora não possa estar presente na cerimónia de entrega do mesmo em 10 de dezembro, dizendo que tinha “ compromissos prévios”. No entanto, nos seis meses seguintes à cerimónia terá de fazer o discurso de aceitação que é o único requisito exigido aos laureados e, como tal, aguardam-se novos desenvolvimentos, embora esta situação não seja inédita e já aconteceu, por diversas razões, nomeadamente com Doris Lessing, Harold Pinter e Elfriede Jelinek.  Em mais de um século de história dos Nobel da Literatura, apenas dois autores recusaram o prémio: em 1958, por pressão do poder soviético, Boris Pasternak, viu-se obrigado a rejeitar a honra, recebendo o prémio mais tarde e, em 1964, foi a vez do francês existencialista Jean Paul Sartre  não aceitar o prémio.

the-nobel-medicine-prize-2016-yoshinori-ohsumiMas, naturalmente, esta polémica não pode ofuscar o mérito dos restantes galardoados. Assim, o Nobel da Medicina, foi atribuído ao japonês Yoshinori Ohsumi, professor no Instituto de Tecnologia de Tóquio, por ter contribuído, de forma decisiva, para que fossem conhecidos os mecanismos da autofagia celular. Em comunicado, a Academia refere que o laureado “descobriu e elucidou sobre os mecanismos da autofagia, um processo fundamental para a degradação e reciclagem dos componentes celulares”. Yoshinori Ohsumi, especialista em biologia celular, conseguiu através de uma série de experiências com fermento de padeiro identificar os genes essenciais para a autofagia, no início da década de 90 do século passado. As suas descobertas abriram o caminho à compreensão da importância fundamental da autofagia em muitos processos fisiológicos, como a adaptação à fome ou a resposta à infecção concluindo-se, também, que as mutações nos genes da autofagia podem provocar doenças e o próprio processo autofágico está envolvido em diversos problemas, incluindo o cancro e a doença neurológica.

Quanto ao  Prémio Nobel da Física, foi atribuído a três britânicos: David Thouless, Duncan Haldane e Michael Kosterlitz, pois graças ao seu trabalho pioneiro  nas décadas de 70 e 80, revelaram os segredos da matéria exótica no mundo quântico contribuindo para a comunidade científica procurar novas e exóticas fases da matéria com  potenciais aplicações, tanto na ciência de materiais como na electrónica. Segundo o comunicado da Real Academia Sueca das Ciências, “os laureados deste ano abriram a porta para um mundo desconhecido onde a matéria pode assumir estados estranhos. Usaram métodos matemáticos avançados para estudar fases, ou estados, pouco habituais da matéria, como os supercondutores, superfluidos ou películas magnéticas finas”.

O Prémio Nobel da Química  foi atribuído ao francês Jean-Pierre Sauvage, ao escocês J. Fraser Stoddart e ao holandês Bernard L. Feringa, pelo desenho e síntese de máquinas moleculares, a miniaturização da tecnologia, pelo desenvolvimento de moléculas com movimentos controláveis quando lhes é fornecida energia resultando na criação das máquinas mais pequenas do mundo – mil vezes mais pequena que um fio de cabelo. O comunicado da Academia salienta que “[Ainda assim,] em termos de desenvolvimento, o motor molecular está ao mesmo nível que o motor elétrico estava em 1830, quando os cientistas exibiam máquinas elétricas capazes de mover pedais e rodas, mas não sabiam que essas máquinas iriam tornar-se comboios, máquinas de lavar, ventoinhas e processadores de alimentos”. Esta área de investigação apresenta inúmeras aplicações, nomeadamente na Medicina.

O Prémio Nobel da Economia foi atribuído ao britânico Oliver Hart e ao escocês Bengt Holmström, dois professores de universidades norte-americanas de Harvard e MIT que estudam a teoria dos contratos, isto é, o estudo sobre a forma como os contratos de trabalho e outros são construídos para servirem de base às relações económicas. A Academia, em comunicado, refere que “as novas ferramentas teóricas criadas por Hart e Holmström são valiosas para compreender os contratos e as instituições na vida real, bem como potenciais fracassos na conceção de contratos”.

the-nobel-peace-prize-2016-juan-manuel-santosPor fim, o Nobel da Paz distinguiu o presidente colombiano Juan Manuel Santos pelos esforços de paz com a guerrilha marxista das FARC para pôr fim a 50 anos de guerra civil que causou mais de 220 mil mortos no país e que resultaram, no dia 26 de Setembro, na assinatura do acordo de paz negociado durante quatro anos em Cuba. E apesar da vitória do Não no referendo de 2 outubro, Kaci Kullmann Five, a presidente do Comité Nobel sublinhou que o resultado do referendo torna ainda mais importante que Santos e as FARC respeitem o cessar-fogo destacando que  “o facto de a maioria do povo ter dito não ao acordo não significa que o processo de paz esteja morto”.  Juan Manuel Santos tornou-se, assim, no 26.º chefe do Estado a receber um Nobel e a  América Latina volta a receber o galardão da Paz depois da vitória de Rigoberta Menchu em 1992, pela sua defesa das mulheres indígenas.

Luísa Oliveira

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Medicina

Medicina

Com a atribuição dos Prémios Nobel em 10 dezembro, data da morte do patrono Alfred Nobel, continua o reconhecimento internacional dos“ melhores entre os melhores”.

Desde a atribuição dos primeiro prémios em 1901 o anúncio dos laureados é acompanhado com muita expetativa pelos media começando com a indicação dos contemplados pelo prémio respeitante à Fisiologia e Medicina. Os contemplados foram o norte- americano John O´Keef, professor da University College de Londres e o casal de investigadores noruegueses, May-Britt e Edvard Mosel, pelas suas descobertas sobre as “células que constituem um sistema no cérebro de determinação da posição”, identificando células que explicam a capacidade de orientação do cérebro o que se pode considerar uma espécie de GPS interno.

Física

Física

O prémio Nobel da Física foi atribuído aos investigadores japoneses Isamu Akasaki e Hiroshi Amano e ao norte-americano e Shuji Nakamura reconhecidos pela invenção do díodo eletroluminescente (LED), que permite significativas poupanças de energia. O júri referiu o aspeto revolucionário desta invenção considerando que “enquanto as lâmpadas incandescentes iluminaram o século XX, o século XXI será iluminado pelas lâmpadas LED”.

Química

Química

Os norte-americanos Eric Betzig e William Moerner e o alemão Stefan Hell venceram o Nobel da Química pelos melhoramentos que introduziram no microscópio. Os três químicos foram recompensados pelo “desenvolvimento da microscopia fluorescente em alta resolução”, o que permite visualizar “dentro das paredes das moléculas individuais em células vivas” tornando, assim, mais eficaz a compreensão de doenças como a de Parkinson, Alzheimer e de Huntington.

Literatura

Literatura

O Nobel da Literatura foi atribuído ao escritor intimista e misterioso Patrick Modiano reconhecido porque “através da arte da memória, evocou os mais inapreensíveis destinos da Humanidade”. O 15º autor de língua francesa a ser distinguido com este prémio já tinha recebido numerosas distinções nomeadamente os Prémios Marguerite Duras, Grande Prémio de Romance da Academia Francesa assim como o Prémio Goncourt.

Paz

Paz

O disputado Prémio Nobel da Paz, este ano, não teve contestação pois premiou figuras humanas ímpares como sejam a corajosa  ativista paquistanesa Malala Yousafzai e o incansável ativista dos direitos humanos o indiano Kailash Satyarthi.  Foram premiados “pela sua luta contra a opressão das crianças e dos jovens e pelo direito de todas as crianças à educação”,conforme anúncio do presidente do Comité Nobel norueguês, Thorbjoern Jagland, acrescentando ainda que “as crianças devem ir à escola enão serem exploradas financeiramente”. Malala foi atacada, no dia 9 de outubro de 2012, por fundamentalistas que invadiram o autocarro onde seguia para a escola, tendo acabado por ser baleada na cabeça. Tornou-se num símbolo de resistência aos esforços dos talibãs em negar educação e outros direitos às mulheres facto reconhecido internacionalmente com a atribuição de inúmeros prémios da área dos direitos humanos. Kailash Satyarthi, de 60 anos, é um ativista indiano dos direitos das crianças lutando há várias décadas contra o trabalho infantil e através da sua organização ‘Bachpan Bachao Andolan’ já libertou mais de 80 mil crianças da escravidão, ajudando-as na sua reintegração, reabilitação e educação.

Economia

Economia

Neste ano mais um cidadão francês foi distinguido, neste caso, com o Nobel da Economia atribuído ao economista da universidade de Toulouse, Jean Tirole, pela investigação sobre o poder de mercado das empresas e sua regulação. Jean Tirole foi o terceiro francês a receber este prémios sendo, há vários anos, um dos fortes candidatos pois é considerado um dos mais influentes economistas da atualidade. O júri destacou que “muitas indústrias são dominadas por um pequeno número de grandes empresas ou um único monopólio. Sem regulação, estes mercados produzem resultados socialmente indesejados – preços mais altos do que os que resultam dos custos ou empresas improdutivos que sobrevivem porque bloqueiam a entrada de outras, mais novas e mais produtivas”. O prémio da Economia, entregue pela primeira vez em 1969, é o único que não estava incluído no testamento original do cientista e filantropo sueco, Alfredo Nobel, tendo sido criado em 1968 pelo Banco Central Sueco para celebrar o seu tricentenário.

cerimónia de entregue dos Nobel

Cerimónia do Nobel

Como é da tradição, os premiados recebem um diploma, uma medalha Nobel em ouro e uma importância que varia conforme as receitas da Fundação Nobel no ano a que os prémios dizem respeito. A entrega formal dos prémios é feita na Câmara Municipal de Oslo, Noruega, para o Nobel da Paz enquanto os restantes são entregues pelo rei sueco no Palácio de Concertos em Estocolmo.

Luísa Oliveira

imagens daqui e daqui

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Cumprindo-se uma tradição iniciada em 1901, as cerimónias oficiais de entrega dos Prémios mais cobiçados internacionalmente realizaram-se em Oslo e Estocolmo no dia 10 dezembro, aniversário da morte do patrono, Alfred Nobel, filantropo e industrial e, ironicamente, inventor da dinamite.

Foto 2Em outubro os sucessivos anúncios dos diversos laureados, que são sempre seguidos com expetativa pela imprensa internacional, iniciam-se com os contemplados com O Prémio Nobel da Medicina, que este ano distinguiu James E. Rothman (Universidade de Yale), Randy W. Schekman (Universidade da Califórnia em Berkeley) e Thomas C. Südhof (Universidade de Standford), “pelas suas descobertas da maquinaria de regulação do tráfego vesicular, um importante sistema de transporte nas nossas células”. Já se sabia que as moléculas produzidas pelas células vivas são transportadas para os diferentes locais onde são necessárias, dentro de pequenas bolsas ou vesículas sendo que a questão de saber como as vesículas conseguiam entregar a sua carga no sítio certo, na altura certa, permanecia um dos grandes mistérios do funcionamento celular. Devido a este facto, o trabalho dos laureados permitiu perceber os pormenores deste sistema de tráfego vesicular que é crucial para uma variedade de processos celulares na medida que certas doenças imunitárias, neurológicas assim como  a diabetes, caracterizam-se por defeitos nestes processos, habitualmente muito bem orquestrados, de tráfego intracelular. E, embora estas descobertas não tenham ainda dado origem a novos tratamentos contra este tipo de doenças, o importante é perceber como funciona este sistema de base, crucial para o normal funcionamento de todas as células.

François Englebert e Peter Higgs, laureados com o Nobel da Física

François Englebert e Peter Higgs, laureados com o Nobel da Física

Seguiu-se-lhe o anúncio do Prémio Nobel da Física, atribuído ao belga François Englert e ao britânico Peter Higgs pelo seu trabalho sobre o bosão de Higgs, também conhecido como “partícula de Deus”. Os dois cientistas octogenários foram distinguidos pelos seus trabalhos “sobre a descoberta teórica de um mecanismo que contribui para a compreensão da origem da massa das partículas subatómicas”. Este reconhecimento verificou-se devido à confirmação experimental da existência do bosão, em 4 de julho de 2012, pelo Centro Europeu de Física de Partículas (CERN) no seguimento de conclusões da investigação apresentada há cinquenta anos por aqueles cientistas e pelo físico belga Robert Brout, já falecido. Trata-se de uma partícula que está presente em todo o espaço e é nas interacções com ela que as outras partículas subatómicas adquirem a sua massa, uma vez que, sem esta partícula, nem nós próprios existiríamos. No entanto, o bosão de Higgs é extremamente difícil de “apanhar” e só se manifesta de forma extremamente fugidia em experiências que põem em jogo os feixes de partículas mais potentes e os detectores de partículas mais sensíveis que existem no planeta, pelo que, a sua deteção exigiu anos de esforços por parte dos cerca de seis mil cientistas que participam nas duas complexíssimas experiências do CERN, ATLAS e CMS, concebidas para o detetar.

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O Prémio Nobel da Química de 2013 foi para os cientistas de nacionalidade norte-americana Martin Karplus (Universidade de Estrasburgo, França, e Universidade de Harvard, EUA), Michael Levitt (Universidade de Stanford, EUA) e Arieh Warshel (Universidade da Califórnia do Sul, EUA), “pelo desenvolvimento de modelos multiescala para sistemas químicos complexos”, conforme anúncio da Real Academia Sueca das Ciências. Hoje em dia, a simulação das mais complexas reacções químicas no computador é prática corrente. Mas não foi sempre assim – de facto, os três laureados “construíram as bases dos potentes programas [informáticos] que são [hoje] utilizados para perceber e prever os processos químicos”, salienta a mesma entidade em comunicado acrescentando que “a força dos métodos desenvolvidos reside no seu carácter universal pois podem ser usados para estudar todo o tipo de química, das moléculas da vida aos processos químicos industriais.” Um dos sonhos assumidos de Levitt é simular a totalidade de um organismo vivo ao nível molecular. E, segundo a academia, “só o futuro pode decidir” se as poderosas ferramentas desenvolvidas pelos laureados irão um dia permitir concretizar esse sonho.

Alice Munro, Prémio Nobel da Literatura

Alice Munro, Prémio Nobel da Literatura

O Prémio  da Literatura, sempre um dos mais aguardados, contemplou a autora canadiana Alice Munro denominada “mestre do conto contemporâneo” e também conhecida como o Chekhov canadiano, tendo vencido, em 2009, o Man Booker Prize  pela totalidade da sua obra. Os seus romances e contos exploram as complexidades humanas através de narrativas aparentemente simples em que prevalecem os temas ligados ao envelhecimento e ao dilema da rapariga rural na relação com a sua família e a pequena cidade.  Por razões de saúde não está prevista porém a sua presença na cerimónia.

Organização para a proibição das armas químicas, Nobel da Paz

Organização para a proibição das armas químicas, Nobel da Paz

Mas a nomeação que cria sempre mais expectativa é a do Nobel da Paz sendo que, neste ano, a jovem ativista paquistanesa, Malala Yousafzai, vítima da violência taliban e defensora da educação para as adolescentes e mulheres era a que mais consenso gerava entre as 259 candidaturas. No entanto, a Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPCW, sigla em ingês) “pelo seu trabalho considerável para eliminar as armas químicas”, foi a selecionada  pelo presidente do comité Nobel, Thorbjoern Jagland que acrescentou ainda que “os acontecimentos na Síria, onde as armas químicas foram usadas, sublinham bem a necessidade de aumentar os esforços no sentido de acabar com este tipo de armas”. Embora pouco conhecida do grande público esta organização foi fundada, em 1997, para pôr em prática a convenção sobre as Armas Químicas. Atualmente conta com 189 membros representando 89% da população mundial . O trabalho da OPCW tem estado em foco depois de ficar encarregue, através de uma resolução das Nações Unidas, de supervisionar o desmantelamento do arsenal químico do regime sírio de Bashar al-Assad até 30 de junho de 2014.

Foto 4O Prémio Nobel da Economia 2013, na realidade designado por Prémio de Ciências Económicas e patrocinado, desde 1969, pelo Sveriges Riksbank  foi  atribuído aos economistas norte-americanos Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller pelos estudos de análise empírica sobre os preços dos ativos justificando o comité que “apesar de ainda não dispormos de explicações completas e completamente consensuais sobre a forma como os mercados financeiros funcionam, a investigação dos laureados melhorou significativamente a nossa compreensão sobre os preços dos ativos e revelou um número de regularidades empíricas importantes, tal como fatores plausíveis dessas regularidades”.

E, para não quebrar a tradição, a entrega dos prémios naquelas cidades escandinavas foi acompanhada de vários eventos comemorativos.

Luísa Oliveira

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premio-nobel As cerimónias oficiais de entrega dos Prémios Nobel 2012 realizaram-se no  dia 10, aniversário da morte do industrial e filantropo sueco Alfred Nobel em 1896, distribuindo-se entre Oslo e Estocolmo e, como vem sendo habitual, rodeadas de alguma polémica que começa com a indicação dos laureados, em outubro.

Este ano foi o caso do Prémio Nobel da Paz atribuído à União Europeia que, embora justificado pelo  seu contributo para a

Von Rumpoy, Barroso e Shultz

Von Rumpoy, Barroso e Shulz

democracia e direitos humanos e pela transformação de “um continente de guerra num continente de paz” não impediu que muitas vozes se levantassem contra esta atribuição. Entre os contestatários estiveram antigos galardoados, nomeadamente o arcebispo sul-africano Desmond Tutu e o líder histórico polaco Lech Walesa. Mas, apesar da contestação e de marchas de protesto, a cerimónia realizou-se na Câmara Municipal de Oslo e os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso e do Parlamento Europeu, Martin Schulz comprometeram-se a defender o euro  como forma de preservar  a União numa época de  crise e tensão entre os  seus  membros, muitos deles presentes na cerimónia. Em resposta à contestação, o valor pecuniário do prémio  de 930.000 euros será destinado a projetos de apoio a crianças vítimas de conflitos armados. Na cerimónia oficial a cultura portuguesa esteve representada com a atuação da banda de Almada, OqueStrada.

Prémio Nobel Literatura

Mo Yan

Os restantes prémios foram entregues no Concert Hall, em Estocolmo, e a polémica também rodeou o Nobel da Literatura  atribuído ao escritor chinês , pseudónimo literário de Guan Moye,  que significa”não fales”. A obra de Mo Yan foi reconhecida pelo “realismo alucinatório” que “funde contos populares, história e o contemporâneo”, como justificou em outubro passado a Academia Sueca, durante o anúncio do laureado. Em Portugal, foi publicado em 2007 o excelente “Peito grande, ancas largas”,  traduzido por João Martins e editado pela Ulisseia, aguardando-se a publicação das restantes obras. Mo Yan, que se define como “ contador de histórias”, sendo um  dos escritores chineses contemporâneos mais publicados, nasceu numa família pobre da China rural dedicando o seu prémio à falecida mãe analfabeta. Mo Yan considera que “um escritor deve enterrar os seus pensamentos e transmiti-los através dos personagens dos seus romances”, assume-se como independente, tendo sido bastante criticado  pelos dissidentes chineses por não assinar  uma petição pela libertação do seu compatriota Liu Xiaobo, Prémio Nobel da Paz em 2010. Curiosamente, algumas das suas obras estiveram proibidas pelo regime que agora vem elogiá-lo considerando que a atribuição do prémio é um reconhecimento do valor da cultura chinesa.

O Nobel de  Fisiologia e Medicina foi entregue ao britânico John B. Gurdon do Institute Gurdon no Reino Unido e ao japonês Shinya Yamanaka da Drawing1Universidade de Quioto pela descoberta de que “as células humanas maduras podem ser reprogramadas para se tornarem pluripotentes“ possibilitando o seu desenvolvimento em qualquer tecido do corpo. Conforme o comunicado, “A sua descoberta revolucionou a nossa compreensão de como as células  e os organismos se desenvolvem”.

nobel físicaO francês Serge Haroche do College de France e o norte-americano David J. Wineland  da Universidade do Colorado receberam o Nobel de Física, pela pesquisa em que desenvolveram inovadores métodos experimentais que permitem medição e manipulação de sistemas quânticos individuais e, conforme foi referido, “abriram a porta para uma nova era de experimentação em física quântica”. Segundo o comunicado da Academia Nobel, o trabalho dos dois investigadores ajudou nas primeiras fases de desenvolvimento de um novo tipo de super computadores baseados na física quântica assim como a  construção de um novo tipo de relógio que poderá tornar-se a base de um novo sistema de medição do tempo, com uma precisão cem vezes superior à dos atuais relógios atómicos.Prémio Nobel Química

O Nobel de  Química   foi para os norte-americanos Robert J. Lefkowitz e Brian K. Kobilka com “estudos sobre os recetores acoplados à proteína G”, uma família de receptores situados nas membranas celulares que se ligam a moléculas no exterior e enviam “sinais” para dentro, possibilitando que a célula responda de maneira específica.

nobel_economia_0O Nobel da Economia  criado pelo Banco da Suécia, em 1969, foi igualmente atribuído a dois norte-americanos, Alvin Roth  da Universidade de Harvard e Lloyd Shapley da Universidade da Califórnia, pela investigação sobre os mercados: “ teoria de alocações estáveis e ao modelo de mercado”.

Os rituais que se mantêm há décadas nas cerimónias de gala, conferências, palestras são rodeados por algum fausto mas, sinal dos tempos, a dotação financeira  dos prémios teve uma redução de  20%.

Luísa Oliveira

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Em 10 dezembro realizou-se  mais uma  cerimónia de entrega dos credenciados Prémios Nobel. Esta data assinala o aniversário da morte de Alfred Nobel, químico e industrial sueco, inventor da dinamite  e patrono destes galardões. Foi o culminar de um processo  iniciado em setembro do ano anterior que gera  muita expetativa quando em outubro  são anunciados os laureados.

Começo por referir o Nobel da Literatura para o qual há sempre um desfile de potenciais candidatos. A Academia Sueca atribuiu o prémio ao poeta lírico e tradutor sueco Tomas Transtromer por mérito das “imagens condensadas e translúcidas” expressas na sua obra. É o poeta sueco mais traduzido do mundo e conquistou, ao longo da sua carreira, inúmeros prémios literários. Embora hemiplégico e quase afásico devido a um acidente cerebral vascular  que sofreu em 1990, continuou a escrever e publicar obras. Na coletânea da editora Vega “21 poemas suecos”  consta um  poema deste autor com referências às zonas históricas da capital portuguesa.

O Prémio Nobel da Paz  causa, inúmeras vezes, muita polémica por parte de algumas organizações internacionais e de governos ditatoriais. Este ano, o universo feminino foi contemplado pelo Comité Nobel da Noruega com a escolha das liberianas Ellen Johnson-Sirleaf e Leymah Gbowee e da iemenita Tawakkul Karman que se distinguiram “na defesa da segurança das mulheres e na luta pelo seu direito a participarem na construção da paz”.

O prémio atribuído a Ellen Johnson-Sirleaf  causou alguma contestação embora tenha sido  a primeira chefe de Estado eleita livremente num país africano.  Foi reeleita no passado mês de novembro numas  eleições manchadas pela violência mas que os observadores internacionais declararam legais.

Mas houve consenso geral em relação às restantes laureadas. Há muito que a pacifista Leymah Gbowee, “a guerreira da paz”, luta pela defesa dos direitos humanos tendo organizado uma “greve do sexo” das mulheres liberianas que contribuiu para pôr fim à segunda guerra civil em 2003. Para a galardoada, este prémio vem recordar ao mundo “o papel das mulheres, as suas necessidades e prioridades”.

A terceira premiada é uma figura da  Primavera Árabe, a jornalista iemenita Tawakkul Karman.  Esta dedicou o prémio ao povo iemenita que,  com a sua luta persistente,  contribuiu para a saída do ditador Ali Abdullah Saleh e para a futura realização de eleições livres.

Nobel da Paz

Em plena crise económica mundial o Prémio Nobel da Economia, criado em 1968 pelo Banco Central da Suécia, também despertou alguma curiosidade.Os norte-americanos Christopher A. Sims e Thomas J. Sargent  foram premiados pelo trabalho efetuado no âmbito da investigação empírica sobre  causas e efeitos em macro economia. Estudaram as relações causais entre a política económica e as diferentes variáveis macroeconómcas como o PIB,  inflação, emprego e investimento concluindo sobre as relações bilaterais que estabelecem. Esperemos que as suas conclusões sejam analisadas pelos “ senhores do mundo” e  que tenham efeitos práticos no combate à crise.

O Prémio Nobel da Física foi  atribuído aos norte-americanos Saul Perlmutter, Brian P. Schmidt e Adam G. Riess, na área da astrofísica, “pela descoberta da aceleração da expansão do Universo, através de observações de supernovas  distantes”. Estes investigadores mediram a forma como a luz  das supernovas se distorcia para ver a rapidez como as galáxias estão a afastar-se uma das outras. Concluíram que todas as estrelas, galáxias e aglomerados de galáxias movem-se cada vez mais rapidamente, acreditando que há outra força misteriosa por trás do comportamento inesperado do universo que denominam  energia escura.

O Prémio Nobel de Medicina ou Fisiologia foi desta vez atribuído a investigadores na área do sistema imunitário. Foi dividido entre  o norte-americano Bruce A. Beutler e o luxemburguês Jules A. Hoffmann “pelas descobertas sobre a ativação da imunidade inata” e o canadiano Ralph M. Steinman “pela descoberta das células dendríticas e o seu papel na imunidade adaptativa”. Infelizmente este último não assistiu ao importante reconhecimento público pois faleceu três dias antes do anúncio. O trabalho meritório destes investigadores trouxe mais dados sobre os mecanismos de resposta às doenças, pelo que, as suas pesquisas  são decisivas para o desenvolvimento de novas vacinas e medicamentos para doenças autoimunes e neoplasias.

Por fim,  o Prémio Nobel de Química  foi  entregue  ao israelita Daniel Shechtman, investigador do Instituto de Tecnologia de Israel, responsável pela descoberta dos quasicristais. Foi o único das áreas científicas a não ser partilhado, tendo sido reconhecido pelo seu trabalho “notável, solitário, tenaz  baseado em sólidos dados empíricos”.  A sua descoberta alterou a forma como os químicos concebem a matéria sólida.

Cada laureado com um destes  prestigiosos  prémios recebe uma medalha de ouro com a efígie de Alfred Nobel, um diploma  com a citação da condecoração e um determinado valor monetário, que depende do orçamento anual da Fundação Nobel. Desde 1902 são formalmente  entregues pelo rei da Suécia no Stockholm  Concert Hall com excepção do Prémio Nobel da Paz que é entregue pelo rei da Noruega no Oslo City Hall.

Luísa Oliveira

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