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Cordeiro Pascal, Josefa de Óbidos

O que tem a ver algo tão  solene como a celebração da morte e ressurreição de um homem, dito filho de deus,  há mais de 2000 anos, com o cabrito assado, os ovos e as amêndoas coloridas, os coelhos a correrem pelos bosques?

É, ao fim e ao cabo, a mescla, mais do que a síntese, de diferentes tradições (à semelhança  do que acontece com o Natal)  que constitue os nossos rituais pascoais.

ícone da ressureição – Anastasis

 Páscoa, segundo muitos especialistas no assunto, provém assim, quer etimologicamente, quer como tradição, da festa judaica Pessach (“passagem”) que celebra a libertação do povo de Israel da servidão no Egipto. A “passagem” não se refere porém a essa libertação mas à passagem do Anjo da Morte que dizimou todos os primogénitos egípcios e convenceu por fim o faraó a deixar sair os judeus. Em agradecimento a deus, segundo era tradição na época, foi sacrificado um cordeiro, que curiosamente ainda é um dos nossos pratos tradicionais nesta época.

Também mais  antiga que a  festa litúrgica da ressurreição, é a celebração  da fertilidade nas religiões europeias pré-cristãs, associada à primavera, ao ovo e à lebre, que nos chegou até hoje como uma versão mais leve e doce desta quadra. A sua origem está  ligada à deusa do amanhecer ou da fertilidade Eostre (ou Ostera), o que fez com que em algumas línguas germânicas, como o inglês e o alemão (Easter e Ostern, respectivamente), tenham mantido essa etimologia para designar esta quadra, mesmo após a cristinianização.

Ovos de Páscoa, Igor Oleynikov (via Pinzelladas al món)

Mas, seja acreditando numa redenção universal através da morte e ressurreição de um homem-deus, celebrando uma libertação comendo um cabrito assado, ou simplesmente imaginando coelhos pintando ovos de fertilidade, o certo é que qualquer Easter, Pessach ou Páscoa acompanham a renovação colorida que cada primavera traz, lembrando-nos a capacidade que a natureza tem de produzir ciclicamente algo novo e pujante – o que, em tempos de crise, já não é mau.

Boa Páscoa!

Fernando Rebelo

fontes: Wikipédia

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