Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘Nazismo’

Espero que te possa confiar tudo a ti; o que, até agora nunca pude fazer a ninguém, e espero que venhas a ser um grande amparo para mim.

Anne Frank

Imagem1Anne Frank, uma pequena menina judia de 13 anos recebe no dia do seu aniversário, um pequeno diário.  Anne vai escrevê-lo frequentemente sob a forma de carta a uma amiga imaginária, a quem vai chamar “Kitty”. Nele, Anne desabafa sobre a sua vida e os seus pensamentos mais íntimos.

Às três horas da tarde, a família Frank recebe uma carta, a dizer que Margot, irmã de Anne, teria de ir para um campo de concentração na Alemanha. Otto, pai de Anne, decide abandonar as suas vidas antigas para não serem apanhados pela Gestapo (polícia nazi). Escondem-se num pequeno “apartamento”, onde Otto trabalhava. A esse “apartamento”, Anne chama “anexo” e aos seus habitantes de “mergulhadores”.

No “anexo”, não podiam fazer barulho, por causa dos operários que trabalhavam no rés-

Imagem3

o “Anexo”

do-chão. Ao ir para o “anexo”, a família Frank ficou privada de sair à rua  porque podia ser descoberta a qualquer altura. Como não podiam sair à rua, Miep uma operária que trabalhava para Otto, sacrificou-se a ajudar a família Frank trazendo comida e notícias “do mundo exterior”. Anne admirava muito Miep, chamando-a de “a nossa heroína”.

“Como refúgio, a casa de trás é ideal; ainda que seja húmida e esteja toda inclinada, estou segura de que em toda Amsterdão, e talvez em toda Holanda, não há outro refúgio tão confortável como o que temos instalado aqui.”

No início a família Frank não consegue habituar-se à sua nova vida de “mergulhador”.  Anne sente muitas dificuldades, mas aceita e consegue habituar-se a certas mudanças. Às nove horas da manhã, o anexo receberia mais três moradores, a família van Daans. Estes não conseguem habituar-se às suas novas vidas, queixando-se de tudo e  deixando Anne desconfortável.

“ A gente não tem ideia de como mudou até que a mudança já tenha acontecido.”

Como o “anexo” se encontrava no meio de Amesterdão, os bombardeamentos ingleses eram frequentes, deixando todos os “mergulhadores” receosos. Vivia-se um período de medo. Mais tarde, entra o oitavo “mergulhador, Dussel, um homem solitário com a mulher no estrangeiro. Este, como não tinha lugar para dormir, muda-se para o quarto de Anne. Anne não simpatiza com Dussel.

“Como se já não ouvisse bastante ‘psius’ durante o dia, porque estou fazendo barulho demais, meu caro companheiro de quarto teve a ideia de ficar fazendo ‘psius’ também à noite. De acordo com ele, eu não deveria nem me mexer. Eu me recuso a dar trela, e da próxima vez em que ele pedir silêncio vou devolver-lhe o ‘psiu’.”

A vida dos moradores não era nada fácil. Acordavam às 7:30, as mulheres preparavam as refeições enquanto os homens, trabalhavam nas suas “secretarias”. Anne passava a tarde a estudar e à noite escrevia no seu diário.

Vários meses se passam e os “mergulhadores” habituam-se à sua nova vida. Anne, por ser a mais nova de entre os moradores, normalmente recebia a culpa de tudo.

Às sete horas da tarde, Anne e os restantes “mergulhadores”, reúnem-se a ouvir a rádio, na emissora Orange. Ouvem que a Itália fascista tinha capitulado e que a derrota dos alemães estava próxima. Os moradores do anexo, ao ouvirem isso, começaram a ficar ansiosos pelo fim da guerra e por poderem voltar as suas antigas vidas.

Já é 1944, e a derrota dos Alemães, estava prevista para o inverno. Anne já tem quase 15 e começa a perder o receio dos “mergulhadores serem descobertos pelos alemães. Começa a aproximar-se de Peter, o único filho da família van Daans. Mais tarde, apaixona-se por Peter, chegando mesmo a beijá-lo. Peter já tinha dezoito anos e Anne nunca conseguiu pedi-lo em namoro, visto que tinha mais três anos do que ela.

imagem5

Mais uma vez, Anne e os mergulhadores reúnem-se à volta da rádio a ouvir as notícias. Ao meio dia, a rádio inglesa anunciou o «D-day». Anne percebeu logo que não tardava o colapso da Alemanha e que o fim da guerra estava próximo.

“Os horríveis alemães oprimiram-nos e ameaçam-nos tanto tempo, que só o pensar, agora, não se trata só dos judeus. Agora  trata-se da Holanda e de toda a Europa.”

«Um feixe de contradições», esta foi a frase que Anne começou a escrever para Kitty a 1 de agosto de 1944. Nesse dia Anne escreve um desabafo final sobre o que ela pensava do mundo. Desabafa uma última vez com “Kitty”. Estas foram as últimas palavras a serem escritas no seu diário:

“ (…) e continuo a procurar um meio para vir a ser aquela que gostava de ser, que era capaz de ser, se…sim, se não houvesse mais ninguém no Mundo. ”

Tua Anne M. Frank

A 4 de agosto, a policia «Grune Polizei» invade o “anexo”, prendendo todos os habitantes, levando-os para um campo de concentração na Alemanha. Em 1945, nove meses após a Imagem6sua deportação, Anne morre no campo de concentração de Bergen-Belsen. A sua irmã Margot tinha falecido também vítima de tifo e subnutrição dias antes de Anne. A sua morte aconteceu duas semanas antes do campo ser liberto. Dos oito “mergulhadores”, apenas o pai de Anne sobreviveu.

Na minha opinião, o tema retratado na obra (a vida de uma menina judaica presa num “anexo” durante a 2º guerra mundial) é interessante para o leitor, com poucas passagens desinteressantes. Após a morte de Anne, o leitor certamente sentirá compaixão e tristeza, visto que acompanhamos a sua vida no “anexo”. Recomendaria esta obra aos meus colegas, sendo esse o motivo pelo qual decidi escrever sobre ela.

Imagem7Os agentes alemães pilharam o “anexo”, levando fotografias, jornais, etc. Dois anos depois, Miep encontra numa pilha de jornais e papeis velhos, o diário de Anne. Alguns anos mais tarde Otto, pai de Anne, publica pela 1ª vez o livro da filha, com o nome de: “Como sobrevivi ao holocausto” . Miep morreu em 2010, com 101 anos de idade e ficou conhecida como a ajudante de Anne. Otto morreu em 1980, em Berna com cancro do pulmão. Ficou conhecido na história como pai de Anne  e passou a sua vida a divulgar os pensamentos da filha.

Atualmente o Diário de Anne Frank é um dos dez livros mais lidos em todo o mundo.

 

Jaime Espada , 7ºE

Anúncios

Read Full Post »

general-alfred-jold-assina-os-termos-de-rendicao.bmpHá 70 anos a rendição da Alemanha marcou o fim, na Europa, de um dos períodos mais sombrios da história da humanidade. Para a posteridade, o 8 de maio de 1945 é a data oficial da rendição da Alemanha nazi: “ Dia da vitória”  mas o primeiro ato aconteceu, na verdade, um dia antes,  no quartel-general americano em Reims (França).

Tratou-se de uma ata de rendição puramente militar (Act of Military 8-VE-Day-008Surrender), que exigia das tropas alemãs a obediência às ordens que impunham o fim dos combates em 8 de maio, às 23h01 (hora da Europa Central).O general Jodl, chefe do Estado–Maior da Wehrmacht e o almirante Friedeburg assinaram  a capitulação de todas as forças alemãs  enquanto do lado dos vencedores, a ata foi rubricada pelo general Walter Bodell-Smith, chefe do Estado-Maior do general Dwight Eisenhower, comandante supremo dos Aliados, e o general soviético Ivan Susloparov. O general francês François Sevez, chefe do Estado-Maior do general Charles de Gaulle, foi convidado para assiná-lo na qualidade de simples testemunha o que, segundo se consta, desagradou aos alemães.

flat,800x800,070,fNenhum dos altos comandos aliados esteve presente no momento da assinatura sendo que Eisenhower negou-se a reunir com os alemães até que estes tivessem assinado a rendição. No entanto, como sinal do emergente poderio soviético e da rivalidade com os norte americanos, Estaline exigiu que o ato se repetisse em Karlshorstla, na periferia de Berlim, na Escola de Engenharia Militar da Wehrmacht, onde tinha sido instalado o QG das forças soviéticas.

Os líderes Estaline, Truman e Churchill concordaram em bloquear a V-E-Day_Stars_and_Stripes_No_285_Paris_8_May_1945notícia da capitulação para não desvalorizar a cerimónia em Berlim mas este embargo político/ militar não foi cumprido por alguns jornalistas. O certo é que o documento definitivo de capitulação da Alemanha, datado de 8 de maio de 1945, foi assinado pelo marechal soviético Yukov e o marechal britânico Arthur William Tedder, em nome do Comandante Supremo do Corpo Expedicionário Aliado na Europa, e, como testemunhas, pelo general francês De Lattre de Tassigny e o general norte-americano Carl Spaatz sendo os delegados alemães o marechal Keitel, o almirante Friedeburg e o general Stumpff. O texto, semelhante ao documento firmado em Reims, indicava que a Alemanha seria “completamente desarmada”, que os navios e equipamentos militares não deviam ser destruídos e, finalmente, precisava que a ata tinha sido redigida em inglês, russo e alemão, mas que apenas os textos em inglês e russo deveriam ser considerados autênticos.

VE-Day-2Terminava, formalmente, a trágica loucura comandada por Hitler que supostamente teria cometido  suicídio  em 30 abril nomeando, antes, como seu  sucessor e chefe de Estado, o almirante Doenitz, formando-se o então denominado “governo dos almirantes”. Desde finais de abril que as forças militares alemãs se rendiam em vários territórios ocupados sendo que a primeira grande capitulação de uma grande formação do exército alemão aconteceu no dia 4 de maio de 1945 quando o marechal de campo britânico Bernard Montgomery recebeu a rendição parcial do almirante Hans Georg von Friedeburg em Luneburg, na Alemanha, ato que se estendeu a outras zonas do país. Ao mesmo tempo iniciaram-se conversações para a rendição incondicional de todas as forças mas que foram sendo retardadas pelos alemães para possibilitar a fuga dos seus cidadãos, civis e militares, que se encontravam no leste da europa aterrorizados pelo avanço das temidas forças soviéticas que invadiam a frente oriental, conquistando Berlim, enquanto os exércitos anglo-americanos invadiam a frente ocidental.images

O “Dia da vitória” é comemorado por norte-americanos no dia 7, a generalidade dos europeus no dia 8 e os russos no dia 9. Nenhuma das datas, no entanto, está correta pois embora o conflito, iniciado em setembro de 1939 com a invasão da Polónia pelas tropas nazis, tenha terminado na Europa prosseguiu na Ásia até à rendição do Japão em 2 setembro de 1945.

Terminou então ”a guerra desnecessária“, como Churchill a apelidava, que se saldou por milhões de mortos, a maioria civis, e que deu origem a um diferente mapa político mundial dominado pela rivalidade soviético-americana. Um novo mundo emergiu mas sem paz.

Luísa Oliveira

imagens daqui, daqui, daqui, daqui, daqui e daqui

Read Full Post »

clique para saber mais

E a próposito destes tempos, que não podemos nunca esquecer, estão disponíveis na BE, entre outros:

  • LEVI, Primo (2002), Se isto é um homem, col. Mil folhas, Público – localização: 821.1/.9.LEV
  • LOSA, Ilse (1987), O Mundo em que Vivi, Afrontamento, 20ª ed. – localização:821.1/.9.LOS
  • KERR, Judith (1992), Quando Hitler me roubou o coelho cor-de-rosa, Caminho Jovens – localização: 0875.5. KER
  • BOYNE, John (2009), O rapaz do pijama às riscas, ASA, 6ªed. – localização: 821.1/.9 BOY
  • FRANK, Anne (2000), Diário de Anne Frank, Livros do Brasil – localização: 0875.5. FRA

Read Full Post »