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Posts Tagged ‘Migrações’

Cá estamos para mais um artigo do nosso e vosso “GEOescritas”!  Desta vez com um tema interessante e atual: a distribuição da População em Portugal!  Como sabem, a População Portuguesa distribui-se de modo heterogéneo, concentrando-se, sobretudo, no litoral, em virtude de diversos fatores de ordem física e humana, os quais importa analisar e estudar. Vamos conhecê-los!

Profª. Leonett Abrantes

Nas aulas de Geografia A, a nossa professora mostrou-nos alguns dos episódios do Documentário «Portugal, um Retrato Social», do Professor Dr. António Barreto, que reproduzem aspetos geográficos importante no âmbito da distribuição da população no nosso país.

A população, em Portugal, distribui-se de forma desigual, existindo fortes assimetrias entre o litoral e o interior.

Nos anos 50 – 60, Portugal era um país rural. A maior parte da população trabalhava na agricultora. O Setor Primário era o que ocupava uma grande percentagem de população ativa. Com a progressiva instalação de máquinas e a implementação de comércio e serviços junto à costa, a população decide abandonar os campos e procurar uma vida melhor nas cidades do litoral. A atração ao litoral foi proporcionada pela existência de empregos geradores de salários mais elevados e de melhor nível de vida. As áreas rurais ficaram ao abandono e assistiu-se ao seu progressivo despovoamento. Deu-se o êxodo rural!

Deste modo, na origem das grandes assimetrias litoral/interior, podemos assinalar um conjunto de fatores de ordem natural e humana, que contribuíram para acentuar o desequilíbrio da população no território português.

  • Dos fatores naturais ou físicos, o clima ameno, o relevo mais plano, a maior fertilidade dos solos junto ao litoral e o aumento da ligação ao mar e, consequentemente, a outros países e continentes são os mais condicionantes da distribuição da população, atraindo e fixando a população ao litoral. Pelo contrário, o clima mais agreste nas regiões do interior, com verões mais quentes e invernos mais frios, condiciona a prática da agricultura, tal como o relevo acidentado e a fraca fertilidade natural dos solos; são fatores de repulsão da população.
  • Dos fatores humanos, a fixação das atividades económicas, a existência de indústrias, de comércio, de serviços gerados de postos de trabalho, a maior mobilidade provocada pelo aumento da rede de transportes e de vias de comunicação (acessibilidade) e o dinamismo urbano, são aqueles que, principalmente, explicam a fixação da população portuguesa no litoral do país.

A Litoralização

Considerada como um processo de progressiva concentração de população e de atividades económicas ao longo da faixa litoral, associada à perda de importância e de despovoamento do interior, a litoralização é acentuada pelos seguintes movimentos migratórios: o Êxodo Rural e os Movimentos Migratórios Internacionais (Emigração/Imigração).

A Bipolarização

É um processo de concentração de população e de atividades económicas nas duas grandes Áreas Metropolitanas: AML (Área Metropolitana de Lisboa) e AMP (Área Metropolitana do Porto).

Assim:

  • O Êxodo Rural foi responsável pela redistribuição da população no território nacional, por meio da saída de um elevado número de habitantes das áreas rurais para as áreas urbanas localizadas, sobretudo uma faixa entre Viana do Castelo e Setúbal e em torno das duas grandes Áreas Metropolitanas – AML (Área Metropolitana de Lisboa) e AMP (Área Metropolitana do Porto).

Com a chegada da população às cidades, assistiu-se à expansão das áreas urbanas desde o Centro para a periferia. O Centro – vulgarmente designado por CBD (Central Business District) – encontra-se ocupado com atividades com o Setor Terciário e, até mesmo, do Secundário. Assim, as cidades começaram a expandir-se e cresceram os subúrbios de modo desordenado e caótico. Surgiram bairros de habitação precária nas periferias das cidades e originaram-se movimentos pendulares, de casa para o trabalho e do trabalho para casa.

  • Os Movimentos Migratórios Internacionais:
  • A Emigração fez-se sentir, igualmente, nas regiões do interior, com a saída de jovens/adultos para outros países, originando o consequente decréscimo de população absoluta e o aumento do envelhecimento nas áreas rurais.
  • A Imigração – fenómeno mais recente no país – é mais elevada no litoral e contribuiu para reforçar as assimetrias, embora alguns imigrantes já se comecem a fixar, atualmente, no interior do país, atenuando os desequilíbrios populacionais em Portugal.

Eis um «RETRATO SOCIAL» do nosso país: 

Trabalha-se nas cidades, reside-se nos subúrbios. Os pais saem muito cedo de casa, os filhos ficam na escola. Os pais regressam muito tarde a casa, os filhos ficam com a chave de casa e entregues a si próprios! Constituem a “Geração da Chave”!

 Fruto das assimetrias populacionais apresentadas, outros problemas se verificam, tais como:

Nas áreas urbanas:

  • a falta de Ordenamento do Território, que pressupõe a falta de espaços verdes e a deficiente ocupação do uso dos solos;
  • a escassez de infraestruturas e a sobrelotação de serviços nas áreas da Educação, Saúde, Justiça, Transportes, etc.;
  • a degradação ambiental, devido à poluição atmosférica e sonora (devido à progressiva industrialização e ao tráfego intenso, provocado pelos movimentos pendulares) e a excessiva produção de resíduos;
  • a degradação dos edifícios e do património histórico edificado;
  • a deficiente manutenção de estradas, ruas e passeios;
  • a escassez de parques de estacionamento;
  • a saturação das cidades com construções excessivas, de caráter uniforme e, por vezes, clandestinas;
  • a desqualificação social e humana, fruto de situações de desemprego, subemprego, insegurança, marginalidade e diminuição da qualidade de vida;
  • o congestionamento de trânsito, com os consequentes gastos em combustíveis e portagens e as longas filas de automóveis, que originam perdas de tempo, problemas de saúde e “stress”.

Nas áreas rurais:

  • o despovoamento e o abandono dos campos agrícolas;
  • a escassez de mão de obra;
  • a falta de mecanização nos campos;
  • o fraco desenvolvimento da agricultura;
  • o fraco investimento nas atividades dos Setores Secundário e Terciário;
  • a fraca oferta de bens e de serviços;
  • a fraca instalação de infraestruturas (ex.: redes de saneamento básico e de distribuição de energia);
  • a degradação do património natural e edificado;
  • a fraca criação de empregos, como forma de atração de população jovem/adulta ao interior.

Para colmatar estes problemas, é necessária a implementação de medidas no território português, que apresentaremos no próximo GEOescritas”. NÃO PERCAM!

A Turma do 10ºG

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