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Posts Tagged ‘Medicina’

Esta nova rúbrica, que  se inicia com a publicação deste artigo, decorre do projeto conjunto da professora de Biologia, Telma Rodrigues, com o 12ºB e a BE. Inicialmente desenhado para ser uma ponte entre a literacia da informação e a literacia científica, acabou por ser integrado num projeto mais largado – O SMiLES (Strenghtening  Methodologies in Learning Science), que constitui uma parceria ERASMUS+ KA2, com escolas de Letónia. Lituânia, Itália e Turquia e que na nossa escola envolve 6 professores e cerca de 150 alunos de Ciências e Tecnologias do Ensino Secundário.

O artigo que hoje se publica ficou em 1º lugar entre os artigos realizados por todos os alunos do 12ºB e constituiu critério principal de seleção dos alunos que irão participar no próximo encontro em Uggiate (Itália) no próximo mês de março.

Nota do editor

Descoberta da proteína que inicia propagação de tumor 

Investigadores espanhóis identificam a proteína responsável pela origem das metástases

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fig.1 Líder do grupo, Salvador Aznar Benitah e parceira, Gloria Pascual, no Laboratório de Células Estaminais e Cancerígenas

Cientistas do Instituto de Investigação Biomédica de Barcelona (IRB) publicaram dia 7 de dezembro de 2016, na revista britânica “Nature”, um estudo que revela ter descoberto a proteína que inicia o processo de metástases do cancro (CD36).

Metástase é uma palavra que provoca receio porque significa a morte em 90% dos casos de cancro, mas este processo está mais perto de ser compreendido. Um grupo

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fig.2 Processo Metastásico

de pesquisa liderado pelo cientista Salvador Benitah, no IRB de Barcelona, publicou um estudo no qual identifica uma proteína crucial, a CD36, encontrada na membrana de células tumorais, responsável pela absorção de lípidos (gorduras) e início de uma metástase.

O projeto realizado por esta equipa relaciona o consumo de gorduras com o processo de alastramento do cancro e questiona: será que uma dieta rica em   gorduras leva ao aumento da frequência das metástases?caixa1

Em colaboração com a Organização de Pesquisa Internacional de Cancro (IARC),observaram que ratos inoculados com células tumorais e que seguiram uma dieta normal apresentaram metástases em 30% dos casos. No entanto, quando eram alimentados com uma dieta 15% mais rica em gorduras, cerca de 80% dos ratos tinham mais metástase e de maior tamanho.

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fig.3 Entrada de moléculas de gordura numa célula tumoral através da proteína CD36.

Verificou-se que o bloqueio do transporte de lípidos, através da CD36, em ratos leva a uma diminuição da ocorrência de metástases nos mesmos. Assim, quando a CD36 não está presente nos tumores, o organismo não propaga as células cancerígenas. Mais importante ainda, se se introduzir essa proteína em células tumorais não metastáticas o cancro desenvolver-se-á.

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fig.4 rato de laboratório a ser alimentado

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Sabendo que a CD36 é um transportador, um possível tratamento seria providenciar anticorpos que se “ligassem” às proteínas intermembranares de modo a bloquear a passagem de gorduras.

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fig.5 Bloqueio da passagem de gorduras para uma célula tumoral através de anticorpos ligados à proteína CD36

Novos exames foram  realizados para testar o medicamento de anticorpos  e em 20% dos roedores a metástase chegava a desaparecer por completo. Nos restantes, ocorria uma redução significativa do número de focos metastáticos, bem como do seu tamanho. Além disso, o tratamento não apresenta efeitos colaterais intoleráveis, o que abre caminho para a terapia em humanos.

O laboratório já solicitou a proteção de patente e começou uma colaboração com a empresa inglesa MRC Technology, especializada no desenvolvimento de anticorpos para uso clínico. Serão realizados testes em humanos e, se o resultado for positivo, poderão estar disponíveis num prazo de 5 a 10 anos, até lá, o especialista recomenda uma mudança na alimentação diária de cada um.

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Referências bibliográficas

Fontes das imagens

Ana Luísa Oliveira e Carolina Marques, 12ºB

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the-nobel-literature-prize-2016-bob-dylanA temporada dos prémios Nobel 2016 vai estar sempre ligada à polémica causada pela atribuição do galardão da Literatura a Bob Dylan pois é a primeira vez que um músico ganha o citado prémio. Na verdade, esta escolha não deixou ninguém indiferente desencadeando perplexidade que se manifestou tanto no apoio como no desacordo, sendo neste último caso o mais evidente o do escritor peruano Mario Vargas Llosa, Nobel da Literatura de 2010. Este, durante a cerimónia em que lhe foi atribuído o grau de Doutor Honoris Causa, pela Universidade de Burgos, em Espanha, criticou a “cultura de espetáculo” que impera na sociedade atual questionando se no próximo ano o prémio não será entregue a um futebolista. O escritor Gary Shteyngart, ironicamente, por seu lado, diz que entende que para o comité sueco, “ler um livro é difícil”. Entre os que concordaram com a atribuição o destaque vai para o escritor Salman Rushdie que considerou uma “ótima escolha”.

A polémica aumentou pelo facto de Bob Dylan, tardar a reagir à distinção, não atendendo telefonemas e mensagens da Academia Real Sueca reconhecendo, mais tarde, que se sentia honrado pela atribuição do prémio, embora não possa estar presente na cerimónia de entrega do mesmo em 10 de dezembro, dizendo que tinha “ compromissos prévios”. No entanto, nos seis meses seguintes à cerimónia terá de fazer o discurso de aceitação que é o único requisito exigido aos laureados e, como tal, aguardam-se novos desenvolvimentos, embora esta situação não seja inédita e já aconteceu, por diversas razões, nomeadamente com Doris Lessing, Harold Pinter e Elfriede Jelinek.  Em mais de um século de história dos Nobel da Literatura, apenas dois autores recusaram o prémio: em 1958, por pressão do poder soviético, Boris Pasternak, viu-se obrigado a rejeitar a honra, recebendo o prémio mais tarde e, em 1964, foi a vez do francês existencialista Jean Paul Sartre  não aceitar o prémio.

the-nobel-medicine-prize-2016-yoshinori-ohsumiMas, naturalmente, esta polémica não pode ofuscar o mérito dos restantes galardoados. Assim, o Nobel da Medicina, foi atribuído ao japonês Yoshinori Ohsumi, professor no Instituto de Tecnologia de Tóquio, por ter contribuído, de forma decisiva, para que fossem conhecidos os mecanismos da autofagia celular. Em comunicado, a Academia refere que o laureado “descobriu e elucidou sobre os mecanismos da autofagia, um processo fundamental para a degradação e reciclagem dos componentes celulares”. Yoshinori Ohsumi, especialista em biologia celular, conseguiu através de uma série de experiências com fermento de padeiro identificar os genes essenciais para a autofagia, no início da década de 90 do século passado. As suas descobertas abriram o caminho à compreensão da importância fundamental da autofagia em muitos processos fisiológicos, como a adaptação à fome ou a resposta à infecção concluindo-se, também, que as mutações nos genes da autofagia podem provocar doenças e o próprio processo autofágico está envolvido em diversos problemas, incluindo o cancro e a doença neurológica.

Quanto ao  Prémio Nobel da Física, foi atribuído a três britânicos: David Thouless, Duncan Haldane e Michael Kosterlitz, pois graças ao seu trabalho pioneiro  nas décadas de 70 e 80, revelaram os segredos da matéria exótica no mundo quântico contribuindo para a comunidade científica procurar novas e exóticas fases da matéria com  potenciais aplicações, tanto na ciência de materiais como na electrónica. Segundo o comunicado da Real Academia Sueca das Ciências, “os laureados deste ano abriram a porta para um mundo desconhecido onde a matéria pode assumir estados estranhos. Usaram métodos matemáticos avançados para estudar fases, ou estados, pouco habituais da matéria, como os supercondutores, superfluidos ou películas magnéticas finas”.

O Prémio Nobel da Química  foi atribuído ao francês Jean-Pierre Sauvage, ao escocês J. Fraser Stoddart e ao holandês Bernard L. Feringa, pelo desenho e síntese de máquinas moleculares, a miniaturização da tecnologia, pelo desenvolvimento de moléculas com movimentos controláveis quando lhes é fornecida energia resultando na criação das máquinas mais pequenas do mundo – mil vezes mais pequena que um fio de cabelo. O comunicado da Academia salienta que “[Ainda assim,] em termos de desenvolvimento, o motor molecular está ao mesmo nível que o motor elétrico estava em 1830, quando os cientistas exibiam máquinas elétricas capazes de mover pedais e rodas, mas não sabiam que essas máquinas iriam tornar-se comboios, máquinas de lavar, ventoinhas e processadores de alimentos”. Esta área de investigação apresenta inúmeras aplicações, nomeadamente na Medicina.

O Prémio Nobel da Economia foi atribuído ao britânico Oliver Hart e ao escocês Bengt Holmström, dois professores de universidades norte-americanas de Harvard e MIT que estudam a teoria dos contratos, isto é, o estudo sobre a forma como os contratos de trabalho e outros são construídos para servirem de base às relações económicas. A Academia, em comunicado, refere que “as novas ferramentas teóricas criadas por Hart e Holmström são valiosas para compreender os contratos e as instituições na vida real, bem como potenciais fracassos na conceção de contratos”.

the-nobel-peace-prize-2016-juan-manuel-santosPor fim, o Nobel da Paz distinguiu o presidente colombiano Juan Manuel Santos pelos esforços de paz com a guerrilha marxista das FARC para pôr fim a 50 anos de guerra civil que causou mais de 220 mil mortos no país e que resultaram, no dia 26 de Setembro, na assinatura do acordo de paz negociado durante quatro anos em Cuba. E apesar da vitória do Não no referendo de 2 outubro, Kaci Kullmann Five, a presidente do Comité Nobel sublinhou que o resultado do referendo torna ainda mais importante que Santos e as FARC respeitem o cessar-fogo destacando que  “o facto de a maioria do povo ter dito não ao acordo não significa que o processo de paz esteja morto”.  Juan Manuel Santos tornou-se, assim, no 26.º chefe do Estado a receber um Nobel e a  América Latina volta a receber o galardão da Paz depois da vitória de Rigoberta Menchu em 1992, pela sua defesa das mulheres indígenas.

Luísa Oliveira

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Mantendo a tradição, o mês de outubro começou com a indicação dos laureados para os prestigiados Prémios Nobel. O primeiro anúncio foi para o de Medicina  e Fisiologia sendo  galardoados  os investigadores norte-americano William C. Campbell, japonês Satoshi Omura e chinesa Youyou Tu. Enquanto Campbell e Omura foram distinguidos pelas descobertas relacionadas com uma nova terapia para combater infeções provocadas por parasitas como lombrigas, Youyou Tu vai receber o prémio por uma inovadora terapia contra a malária. O contributo destes investigadores no combate de doenças mortais causadas por vermes parasitas e da eficácia dos medicamentos Avermectin no combate a doenças parasitárias e do Artemisinin, que contribuiu para reduzir a taxa de mortalidade entre os que contraíram malária foi enaltecido no comunicado do júri em que é referido que “as doenças provocadas por parasitas têm afetado a humanidade há milénios e constituem um problema sanitário global. Em particular, as doenças parasitárias afetam as populações das regiões mais pobres do mundo e representam uma grande barreira à melhoria da saúde e do bem-estar. Este ano, os laureados pelo Nobel desenvolveram terapias que revolucionaram o tratamento de algumas das mais devastadoras doenças parasitárias”. Realçaram, igualmente, que “as duas descobertas concederam à humanidade meios poderosos para combater este tipo de doenças debilitadoras que afetam anualmente milhões de pessoas em todo o mundo. São imensas as consequências para a melhoria da saúde humana e para a redução do sofrimento”.

medicina e fisiologia

Medicina e Fisiologia

Quanto ao Nobel da Física, os contemplados foram Takaaki Kajita e Arthur B. McDonald sendo que a investigação contemplada também tem participação portuguesa, porque a experiência liderada por McDonald integrava, na altura, dois físicos do LIP – Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas  de Coimbra  destacando-se que o grupo português continua a trabalhar com o cientista canadiano. Com investigações separadas o japonês Takaaki Kajita e o canadiano

Física

Física

Arthur B. McDonald solucionaram o enigma sobre os neutrinos (partículas elementares mais abundantes no universo) que emitidos pelo Sol não chegavam à Terra, tendo concluído que aqueles não se perdem, apenas mudam de “sabor”, e isso significa que, afinal, têm massa. Segundo o júri, o estudo “mudou a nossa compreensão dos mecanismos internos da matéria e pode ser crucial para a nossa visão do universo”.

O  Nobel da Química premiou Tomas Lindahl, Paul Modrich e Aziz Sancar, pelos estudos mecanicistas da reparação do ADN. Os três investigadores conseguiram mapear, a nível molecular, como é que as células reparam o ADN danificado e salvaguardam a informação genética. O sueco Tomas Lindahl, do Instituto Francis Crick e do Laboratório Clare Hall, em Hertfordshite, no Reino Unido, provou que o ADN se deteriora a uma taxa que faria com que a vida na Terra fosse impossível. Por isso, percebeu que tinha de existir um mecanismo que vai contra o colapso do nosso ADN: a reparação de excisão de base. Paul Modrich, do Instituto Médico Howard Hughes e da Faculdade Médica da Universidade de Duke, demonstrou como a célula corrige os erros ocorridos quando o ADN é replicado através da divisão das células. Ao mecanismo, chama-se excisão da incompatibilidade. O turco Aziz Sancar, da Universidade da Carolina do Norte, mapeou a reparação de excisão dos nucleótidos que é usada pelas células para reparar os danos dos raios ultravioleta no ADN. As pessoas que nascem com defeitos neste sistema desenvolvem cancro da pele se forem expostas à luz do sol.  Segundo o júri, os cientistas contribuíram para o conhecimento fundamental sobre o funcionamento de uma célula viva, o que pode ser crucial no desenvolvimento de novos tratamentos para o cancro.

química

Química

Literatura

Literatura

O 112.º laureado com o prémio Nobel de Literatura é a escritora e jornalista bielorrussa Svetlana Aleksievitch, a 14.ª mulher a receber o galardão. Alexievich foi escolhida pela sua “obra polifónica, um monumento do sofrimento e da coragem em nosso tempo”.  Esta nomeação não constituiu surpresa pois a escritora e jornalista bielorussa já era apontada antes, pela imprensa internacional, como a favorita para receber o galardão. Em Portugal, apenas uma das suas obras está publicada, O Fim do Homem Soviético – Um Tempo de Desencanto, livro vencedor do Prémio Médicis Ensaio e indicado pela revista Lire como Livro do Ano 2013 em França. Aguardam-se, por isso, novas publicações sobre a escritora de obras de não ficção e cujos temas estão ligados à história da URSS e há identidade russa.

O sempre aguardado  anúncio do Prémio Nobel da Paz surpreendeu todos com a atribuição ao Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia pela contribuição para a construção de uma democracia pluralista após a Revolução de Jasmim de 2011. O Quarteto integra quatro “organizações chave” da sociedade civil tunisina: A União Geral dos Trabalhadores da Tunísia (UGTT), A Confederação de Indústria, Comércio e Artesanato da Tunísia (UTICA), A Liga dos Direitos Humanos da Tunísia (LDHT) e da Ordem Nacional dos Advogados da Tunísia (ONAT) e  contribuíram  para que o país se mantivesse numa sociedade democrática  após a Primavera Árabe. Como tal o comité norueguês reconhece “Um factor esssencial para que revolução da Tunísia tenha culminado em eleições pacíficas e democráticas no Outono passado foi o esforço feito pelo Quarteto para apoiar o trabalho da Assembleia Constituinte e garantir que a população apoiasse o processo constitucional. O Quarteto abriu caminho para um diálogo pacífico entre os cidadãos, os partidos políticos e as autoridades e ajudou a encontrar soluções de consenso num vasto leque de divisões políticas e religiosas”. Destacou ainda “o contributo decisivo para a construção de uma democracia pluralista na Tunísia” e disse esperar que o prémio sirva para consolidar a democracia naquele que é hoje o único caso de sucesso das revoltas no mundo árabe. O Quarteto de Diálogo para a Tunísia é, segundo o comité de Oslo, a principal razão pela qual o país não caiu na mesma instabilidade e autoritarismo que foram o destino das revoluções árabes no Egipto e Líbia e “Mostra que movimentos islamitas e políticos conseguem trabalhar em conjunto e atingir resultados significativos no melhor interesse do país” acrescentando que  “tem esperança de que o prémio deste ano contribua para a preservação da democracia na Tunísia e que este seja uma inspiração para todos os que procuram promover a paz e a democracia no Médio Oriente, Norte de África e no resto do mundo”.

Paz

Paz

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Economia

Por fim o Nobel das Ciências Económicas, contemplou o professor de origem escocesa da Universidade de Princeton, Angus Deaton por “ projetar uma política económica que promova o bem-estar e reduza a pobreza, devemos primeiro entender as escolhas de consumo individuais e mais do que ninguém, Angus Deaton tem reforçado esse entendimento contemplando o seu  trabalho de pesquisa sobre os temas do consumo, pobreza e economia do bem estar”. Aquando da sua participação na conferência de imprensa em que foi anunciado o prémio, via telefone, foi questionado sobre crise dos refugiados e respondeu que esta é o resultado das “barreiras” que existem entre o “mundo pobre e o mundo rico”, ao cabo de “séculos de desenvolvimento desigual”. “A redução da pobreza nos países pobres pode resolver o problema, ainda que não por muito tempo”, respondeu o académico.

nobelprisutdelning_07_06_sthlmCumprindo a tradição no dia 10 dezembro, aniversário da morte do patrono Alfred Nobel, serão entregues aos laureados o diploma, medalha e importância monetária de acordo com as receitas da Fundação Nobel. E, como também é habitual, as cerimónias de entrega serão rodeadas de algum esplendor como reconhecimento do esforço dos contemplados para o progresso da humanidade.

Luísa Oliveira

imagens daqui e daqui

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Medicina

Medicina

Com a atribuição dos Prémios Nobel em 10 dezembro, data da morte do patrono Alfred Nobel, continua o reconhecimento internacional dos“ melhores entre os melhores”.

Desde a atribuição dos primeiro prémios em 1901 o anúncio dos laureados é acompanhado com muita expetativa pelos media começando com a indicação dos contemplados pelo prémio respeitante à Fisiologia e Medicina. Os contemplados foram o norte- americano John O´Keef, professor da University College de Londres e o casal de investigadores noruegueses, May-Britt e Edvard Mosel, pelas suas descobertas sobre as “células que constituem um sistema no cérebro de determinação da posição”, identificando células que explicam a capacidade de orientação do cérebro o que se pode considerar uma espécie de GPS interno.

Física

Física

O prémio Nobel da Física foi atribuído aos investigadores japoneses Isamu Akasaki e Hiroshi Amano e ao norte-americano e Shuji Nakamura reconhecidos pela invenção do díodo eletroluminescente (LED), que permite significativas poupanças de energia. O júri referiu o aspeto revolucionário desta invenção considerando que “enquanto as lâmpadas incandescentes iluminaram o século XX, o século XXI será iluminado pelas lâmpadas LED”.

Química

Química

Os norte-americanos Eric Betzig e William Moerner e o alemão Stefan Hell venceram o Nobel da Química pelos melhoramentos que introduziram no microscópio. Os três químicos foram recompensados pelo “desenvolvimento da microscopia fluorescente em alta resolução”, o que permite visualizar “dentro das paredes das moléculas individuais em células vivas” tornando, assim, mais eficaz a compreensão de doenças como a de Parkinson, Alzheimer e de Huntington.

Literatura

Literatura

O Nobel da Literatura foi atribuído ao escritor intimista e misterioso Patrick Modiano reconhecido porque “através da arte da memória, evocou os mais inapreensíveis destinos da Humanidade”. O 15º autor de língua francesa a ser distinguido com este prémio já tinha recebido numerosas distinções nomeadamente os Prémios Marguerite Duras, Grande Prémio de Romance da Academia Francesa assim como o Prémio Goncourt.

Paz

Paz

O disputado Prémio Nobel da Paz, este ano, não teve contestação pois premiou figuras humanas ímpares como sejam a corajosa  ativista paquistanesa Malala Yousafzai e o incansável ativista dos direitos humanos o indiano Kailash Satyarthi.  Foram premiados “pela sua luta contra a opressão das crianças e dos jovens e pelo direito de todas as crianças à educação”,conforme anúncio do presidente do Comité Nobel norueguês, Thorbjoern Jagland, acrescentando ainda que “as crianças devem ir à escola enão serem exploradas financeiramente”. Malala foi atacada, no dia 9 de outubro de 2012, por fundamentalistas que invadiram o autocarro onde seguia para a escola, tendo acabado por ser baleada na cabeça. Tornou-se num símbolo de resistência aos esforços dos talibãs em negar educação e outros direitos às mulheres facto reconhecido internacionalmente com a atribuição de inúmeros prémios da área dos direitos humanos. Kailash Satyarthi, de 60 anos, é um ativista indiano dos direitos das crianças lutando há várias décadas contra o trabalho infantil e através da sua organização ‘Bachpan Bachao Andolan’ já libertou mais de 80 mil crianças da escravidão, ajudando-as na sua reintegração, reabilitação e educação.

Economia

Economia

Neste ano mais um cidadão francês foi distinguido, neste caso, com o Nobel da Economia atribuído ao economista da universidade de Toulouse, Jean Tirole, pela investigação sobre o poder de mercado das empresas e sua regulação. Jean Tirole foi o terceiro francês a receber este prémios sendo, há vários anos, um dos fortes candidatos pois é considerado um dos mais influentes economistas da atualidade. O júri destacou que “muitas indústrias são dominadas por um pequeno número de grandes empresas ou um único monopólio. Sem regulação, estes mercados produzem resultados socialmente indesejados – preços mais altos do que os que resultam dos custos ou empresas improdutivos que sobrevivem porque bloqueiam a entrada de outras, mais novas e mais produtivas”. O prémio da Economia, entregue pela primeira vez em 1969, é o único que não estava incluído no testamento original do cientista e filantropo sueco, Alfredo Nobel, tendo sido criado em 1968 pelo Banco Central Sueco para celebrar o seu tricentenário.

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Cerimónia do Nobel

Como é da tradição, os premiados recebem um diploma, uma medalha Nobel em ouro e uma importância que varia conforme as receitas da Fundação Nobel no ano a que os prémios dizem respeito. A entrega formal dos prémios é feita na Câmara Municipal de Oslo, Noruega, para o Nobel da Paz enquanto os restantes são entregues pelo rei sueco no Palácio de Concertos em Estocolmo.

Luísa Oliveira

imagens daqui e daqui

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Quando os médicos Alfred Hardy e Aimé de Montméja publicaram a revista médica “Clínica fotográfica do hospital de Saint Louis”, em França, não tinham em mente a criação de uma obra artística, antes um trabalho científico que visasse mostrar e catalogar as doenças da pele e circulasse entre a classe médica.

As imagens, desta e de outras revistas de medicina, publicadas em 1868, eram ainda de fraca qualidade pelo que necessitavam de ser retocadas de modo a realçar as lesões da pele provocadas pela doença.

Félix Méheux, fotógrafo da revista entre 1884 e 1904, realizou esse trabalho, mas, ao mesmo tempo, dirigiu a atenção para outros aspetos de ordem estética, aos quais a sua natureza não era indiferente.

Com o olhar atento à luz, ao enquadramento, à envolvência, e, além do mais, assinando as fotografias, os médicos reconhecem-lhe mérito, mas acusam-no de produzir um trabalho que não serve para publicação.

Este “artista dermatologista”, como foi chamado, desenvolveu a técnica a cor, quando o preto e branco já não era suficiente. Esta técnica, morosa, requeria a coloração a aguarela sobre as fotografias, o que implicava um contacto mais próximo com cada doente, de modo a que o artista se detivesse a observar as lesões da pele e as especificidades de cada uma e as ilustrasse com o rigor científico que exigiam.

Esta aproximação ter-lhe-á permitido outra descoberta: a do ser humano na sua imensa tragédia. Por detrás da imensa deformação da pele de cada doente, onde manchas, bolhas, pústulas, crostas quase o ocultam, Méheux irá realçar a individualidade e, desse trabalho, sairão fotografias perturbadoras onde o horror, a raiva, a dor, o humor, se revezam e desorganizam os sentimentos.

Acusado de não homogeneizar as séries fotográficas e, como tal, não fazer trabalho científico, as fotos deveriam apresentar-se alinhadas e impessoais, classificadas de acordo com as morfologias, preenchendo, assim, as páginas da “Clínica fotográfica”.

Esta revista, com fotografias a ilustrar as doenças da pele, permite que os médicos conheçam as doenças sem a observação direta dos doentes. Mas, se a presença do médico na observação do doente podia ser dispensada e substituída pela imagem, em algumas situações, o mesmo não se poderá dizer da presença do médico nas fotografias, onde figurará desde o aparecimento desta.

Muito antes da fotografia, já as imagens gravadas em suporte de madeira mostravam as primeiras autópsias realizadas com a figura do médico ocupando uma posição de relevo mas distanciada da ação.

Fig.3- Fascículo de medicina, 1494. Reprodução de gravura em madeira

Fig.3- Fascículo de medicina, 1494. Reprodução de gravura em madeira

Esta atitude permitiu a Andreas Vesalius, no seu livro “De Humani Corporis Fabrica” (Da Organização do Corpo Humano), escrito em 1543, e considerado um dos mais influentes livros científicos de todos os tempos, escarnecer dessas figuras sentadas em cátedras que “como gaios, falam de coisas que nunca compreenderam, mas que foram buscar aos livros e as memorizaram, sem nunca as verem”.

Este lugar de destaque, nas gravuras, de alguém que ocupa uma posição privilegiada, de alguém que observa, mas distante daquele que toca, e se mantém acima dos demais, vai estabelecendo diferenças, formando hierarquias.

A figura do médico irá sair da gravura e entrar na fotografia, da sala de dissecação do cadáver para a sala de cirurgia e aí posar, sobrepondo a sua imagem à do doente.

A fotografia, e depois a radiografia, no final do séc. XIX, e o poder alcançado pelos fotógrafos e também pelos físicos, no domínio da máquina, ameaça a classe médica que tudo fará para que esse monopólio seja exclusivamente seu.

A questão intensifica-se quando técnicos, não médicos, são nomeados responsáveis pelos departamentos de radiologia do hospital.

Só a lei conseguirá impor a obrigação de um diploma em medicina para a utilização de raios X com fins diagnósticos e terapêuticos, mas respeitando as posições adquiridas por alguns não médicos.

Com o domínio da máquina e com todas as consequências benéficas que daí advêm para a saúde, a relação entre o médico e o doente altera-se.

Com a nova realidade, as palavras também sofreram alterações, são agora mais técnicas. Na relação com o doente, a máquina interpõe-se entre ambos, é ela que vê o que não é visível, é ela que pesquisa, que percorre todas as partes do corpo e expõe o interior, e o médico, perante as imagens que o ecrã lhe dita, já não diz que o doente não tem nada, mas antes, que não vê nada, sentindo-se desresponsabilizado de qualquer erro de diagnóstico.

A iconografia da doença nunca foi muito representada na história da arte, outras formas de sofrimento causadas pela ira, divina ou humana, foram, desde a antiguidade, largamente abordadas, mas a doença, propriamente dita, nunca interessou os artistas, nem mesmo aos fotógrafos quando registaram, durante a guerra, tantos corpos destroçados, nunca a doença por si só, lhes mereceu uma especial atenção.

O dedo que dispara o botão e o olho que vê, condicionados por imagens anteriores que os moldaram e ditaram hierarquias, nem sempre estão livres para ver o que sempre se quis esconder – afinal fotografar é enquadrar e enquadrar pressupõe excluir.

Provavelmente, só a proximidade com a doença, como o fez Félix Méheux ou ainda o artista japonês Tatsumi Omoto, cuja obra artística e performativa reflete sobre questões como a doença de Alzheimer de que a sua mãe é vítima, mas também sobre o envelhecimento e a falta de apoio dos familiares aos idosos (e a propósito, esteve recentemente em Portugal, em Évora, num lar de idosos), a deixou de tratar como um tema tabu que as sociedades modernas preferem remeter para  segundo plano.

Fig. 6

Fig. 6

Também conhecido por Bread Man, este artista desenvolveu o projeto Art Mama que consiste num trabalho artístico e documental do processo de envelhecimento e degenerativo da sua mãe. Cuidar e transformar esse cuidado em arte é o seu objetivo e, à semelhança das fotografias de Félix Méheux, também o seu trabalho desconcerta, também levanta questões e também desorganiza sentimentos.

Ana Guerreiro

Fontes:

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A clonagem como solução terapêutica e não como duplicação humana

O que aconteceria ao nosso sentido de individualidade se as crianças fossem feitas por encomenda? Desapareceria  –  não só ele como também a variabilidade genética.

A clonagem é um processo em que se produzem células geneticamente iguais, através de uma reprodução assexuada de uma célula-mãe, que resulta na obtenção de cópias geneticamente idênticas de um mesmo ser vivo, ou seja, um clone. A clonagem pode ser terapêutica ou reprodutiva. A clonagem reprodutiva consiste na duplicação de um ser existente, enquanto, que a clonagem terapêutica é utilizada para reproduzir órgãos e tecidos para transplantes.

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Na minha opinião, a clonagem deveria ser utilizada apenas para fins terapêuticos, pois poderia evitar doenças ou mesmo salvar vidas. Sou contra a clonagem reprodutiva porque acredito que todos os seres têm direito à sua individualidade.

A clonagem terapêutica pode evitar doenças genéticas como o Síndrome de Down ou até recuperar a vida de pessoas que ficaram tetraplégicas e que teriam de passar as suas vidas em cadeiras de rodas. Através das células-tronco é possível substituir células danificadas e, assim, reverter as consequências, por exemplo, de um ataque cardíaco. Segundo o Human Genome Program, também as células estaminais podem ser utilizadas na clonagem terapêutica, pois estas dividem-se e podem originar qualquerclones tipo de célula especializada. Esta variedade de clonagem pode trazer vantagens como a criação de medicamentos adequados a cada doente, assim como reduzir significativamente as listas de espera para transplantes, pois é possível a criação de um órgão completamente novo a partir de novas células mas com a mesma informação genética, o que impede que este seja rejeitado pelo doente.

Em relação à clonagem reprodutiva, penso que não é correta porque uma criança tem o direito de ser uma mistura genética dos seus dois progenitores, ou seja, ser imprevisível, parecida com os seus pais mas única na sua individualidade.O que aconteceria ao nosso sentido de individualidade se as crianças fossem feitas por encomenda? Desapareceria – não só ele como também a variabilidade genética. Com a clonagem reprodutiva vêm muito mais desvantagens como o envelhecimento rápido do clone ou mesmo deformações físicas ou malformações que poderiam 1_123125_123104_2240687_2262768_100820_medex_searchingtn.jpg.CROP.original-originallevar a uma morte muito precoce ou a uma vida de sofrimento.

Em conclusão, penso que antes de avançarmos para qualquer tipo de clonagem, devemos realizar mais experiências e estudos de modo a que sejam reduzidos todos os riscos da clonagem no geral. No caso da terapêutica penso que seria muito benéfica para a população, principalmente para pessoas com doenças graves. Da clonagem reprodutiva, como já referi, não sou a favor, mas acho que no caso de vir a ser possível executá-la creio que seria necessária a criação de uma série de leis restritivas.

Mariana Aires, 11ºC

Os benefícios da clonagem humana

Desde que se desenvolva de uma forma segura e que sejam criadas leis que a regulem, todo e qualquer tipo de clonagem só trará benefícios à humanidade.

A clonagem divide-se em reprodutiva e terapêutica. A primeira consiste na criação de um novo ser geneticamente idêntico a outroClonagem4- Ofélia já existente. Para tal, substitui-se o núcleo de um óvulo não fecundado pelo de uma célula somática de um indivíduo desenvolvido e coloca-se num útero. A clonagem terapêutica é utilizada para produzir uma cópia saudável do tecido ou órgão de uma pessoa doente ou com deficiência para transplante. Esse processo é semelhante ao da reprodutiva, mas a blástula (segundo estado de desenvolvimento do embrião) não é introduzida no útero, sendo utilizada em laboratório para a produção de células estaminais.

Defendo que se devem praticar ambos os tipos de clonagem. No entanto, principalmente em relação à reprodutiva, é necessário que se desenvolvam e melhorem as suas técnicas e que se criem leis restritivas para a sua prática. Um dos maiores problemas associados à clonagem reprodutiva deve-se à sua baixa taxa de sucesso, no entanto, o britânico John Gurdon, vencedor do prémio Nobel da Medicina em 2012, afirmou que, em no máximo 50 anos, a clonagem humana será possível e bastante natural; diz também que até essa altura precisamos melhorar muito as técnicas de clonagem antes de começar a testá-las em humanos. Relativamente à variabilidade genética, as leis que têm de ser criadas irão impedir que esta se perca, pois esta prática não pode ser feita indiscriminadamente.

627_00Muitos dizem também que este processo vai contra as leis da natureza e que o clone terá problemas de identidade. Contudo, a clonagem é uma forma de reprodução que se assemelha às já existentes na própria natureza, nomeadamente, nos processos de reprodução assexuada em que os indivíduos gerados são sempre geneticamente iguais aos progenitores e também em alguns processos de reprodução sexuada, no caso dos gémeos. Assim, o clone será como que um irmão gémeo, não havendo problemas de identidade. Cada indivíduo é único apesar do seu DNA, pois tem características, gostos, personalidade e caráter únicos que derivam, não do material genético, mas das experiências por si vividas, além de que, tal como nos gémeos, o DNA nunca é exatamente igual devido a erros/mutações que sempre ocorrem.

A clonagem poderá ainda ajudar casais inférteis a ter filhos e, no caso dos animais, assegurar a continuidade das espéciescura, impedindo a sua extinção. A clonagem terapêutica, por sua vez, traz inúmeras vantagens à sociedade, pois podem-se diminuir os danos de um acidente vascular cerebral, de um ataque cardíaco ou de alguns cancros e curar doenças como a diabetes, a leucemia, a doença de Alzheimer, de Parkinson, o Síndrome de Down e muitas outras doenças cardíacas, neurológicas, sanguíneas, hormonais, genéticas… Imagine a felicidade de uma pessoa paralítica que assim poderá sair da cadeira de rodas e andar pelos seus próprios pés. Com esta prática é possível transplantar órgãos sem o risco de rejeição e mais rapidamente, uma vez que há pessoas que ficam anos numa lista de espera.

Concluo reafirmando que, desde que se desenvolva de uma forma segura e que sejam criadas leis que a regulem, todo e qualquer tipo de clonagem só trará benefícios à humanidade.

Miriam Colaço, 11ºC

imagens: daqui, daqui, daqui, daqui, daqui e daqui

Disponível para requisição na BE: Clonagem (2002), realização de John Rubin; National Geographic; DVD; localização: 57.CLO

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O conhecimento do funcionamento do cérebro pode ser usado para melhorar a aprendizagem. Apesar dos numerosos estudos sobre o funcionamento do cérebro humano, muitas das questões sobre esta matéria, continuam por responder. 

Sobre o funcionamento do cérebro humano, como sobre outros assuntos, factos falsos repetidos frequentemente são difíceis de corrigir. Assim persistem alguns equívocos sobre o nosso cérebro, afirmações que convencem muita gente, mas que os cientistas afirmam não serem válidas.

Ao longo de 6 semanas vamos desmistificar algumas dessas crenças. Aqui abordamos a quinta. Leia para descobrir a verdade por detrás dos mitos sobre o cérebro.

5. Uma lesão cerebral causa sempre danos permanentes nas funções do cérebro: falso

Felizmente nem sempre é assim! Uma lesão cerebral é sempre uma coisa assustadora, misteriosa, mas também surpreendente.

Em alguns casos, após a lesão de uma área cerebral, o cérebro pode reparar-se, isto é, contornar o dano causado e restaurar uma função perdida. Esta recuperação assenta em variáveis, algumas conhecidas, outras não, que têm a ver com o rearranjo das redes neuronais, com o desenvolvimento de novas ligações entre os conjuntos de neurónios.

Dizemos que o cérebro é um sistema especializado na criação de novos sistemas, ou seja, ele é notavelmente, dinâmico e plástico. Hoje não se pode ver o cérebro como um conjunto de neurónios, estruturados de forma estática.

Quando ocorre uma lesão cerebral, ela torna-se geralmente observável, pela perda ou interrupção temporária de funções cerebrais. Muitas vezes, uma função perdida (por exemplo a fala, movimentos finos, ou até o equilíbrio) pode ser restaurada. Por vezes são áreas adjacentes à área cerebral afetada que, com a terapia adequada, passam a assumir as funções perdidas, restaurando-as. Esta “função de suplência” do cérebro significa que áreas anteriormente não envolvidas numa função, podem assumir funções das áreas danificadas, graças ao desenvolvimento de novas sinapses (conexões), entre conjuntos de neurónios.

Quando se diagnostica uma lesão cerebral, nem sempre é possível dizer qual será o grau de recuperação. A possibilidade de reorganização funcional é variável, dependendo de muitos fatores relacionados com a lesão, com a terapia e com características do próprio indivíduo.

Teresa Alves Soares

(Psicóloga da ESDS)

imagens daqui e daqui

 

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