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Posts Tagged ‘John Green’

imageGREEN, John (2014), O Teorema Katherine, Asa

O livro conta-nos a história de Colin Singleton, um rapaz prodígio de 17 anos, doido por anagramas, que acaba de terminar o Ensino Secundário de coração partido. O facto de ele ser considerado um rapaz prodígio e não um génio… E digo desde já que “prodígio” e “génio” são termos com significados completamente diferentes em que “prodígio” é uma pessoa que aprende as coisas muito rapidamente e “génio” é alguém que cria/descobre coisas novas. Como eu estava a dizer, o facto de ele ser considerado um prodígio e não um génio incomodava-o bastante pois ele tinha medo de não ter aquele momento grandioso de descobrir coisas novas. Tinha medo de não ter o seu momento Eureka. E foi a sua obsessão em tentar atingir esse momento que a sua namorada, Katherine XIX, o decide deixar. Sim, a Katherine nº19. Colin Singleton namorou com 19 raparigas. Todas chamadas Katherines. E todas, sem exceção, lhe deram com os “pés”. Ficou tão arrasado com o final da relação, que decidiu ficar a deprimir no quarto o resto das férias. Mas, o seu melhor – e único – amigo, Hassan, não permite que isso aconteça e decide que em vez de se preparem para a faculdade, façam uma viagem de carro, sem rumo determinado. Uma viagem que teve como destino uma pequena cidade do Tennessee denominada Gutshot. Foi neste local que a vida de Colin mudou por completo e também foi lá que teve finalmente o seu momento Eureka. Decidiu elaborar e comprovar o chamado Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines que prevê, através da linguagem pura da matemática, o fim de qualquer relacionamento amoroso mesmo antes de as duas pessoas se conhecerem. O livro alega que existem estudos recentes que afirmam que possa mesmo haver a possibilidade de existir uma única fórmula que preveja o romance de uma relação.

Eu decidi escrever sobre este livro pois, em primeiro lugar, foi um dos poucos livros que li.

john

John Green

Em segundo, porque tem uma linguagem fluida e compreensível. Em terceiro, porque é um livro que tem uma narrativa completamente diferente de todos os outros livros que John Green escreveu. Quase todos os livros que escreveu, como por exemplo, “A culpa é das estrelas”, “À procura de Alaska”, “Cidades de papel”, são livros mais virados para o drama e para a tristeza. Mas “O Teorema Katherine” é exatamente o oposto desses livros. É um livro cheio de humor. Os diálogos entre Colin e Hassan são super hilariantes. E, na minha opinião, o ponto forte do livro foi mesmo a personagem Hassan, um árabe gordinho que desrespeita constantemente as regras da fé islâmica. Ele é uma espécie de orientador de Colin.

Outra coisa boa nesta obra são os recursos linguísticos utilizados pelo autor. Quando se pensa que ele não tem mais nada que inventar, ele decide usar várias notas de rodapé. Normalmente elas enervam um bocado, pois exigem que o leitor perca o seu ritmo de leitura para as ler. Mas tal não acontece com este livro. Elas contribuem imenso para o texto, dando-lhe mais humor e conferem uma narrativa um tom mais inteligente.

Houve uma nota de rodapé em especial que me cativou. Eu simplesmente achei fascinante uma criança de 10 anos ter conseguido memorizar os noventa e nove dígitos de pi.

O que Colin fez aos dez anos foi compor uma frase de 99 letras na qual a primeira letra de cada palavra correspondia ao dígito de pi (a=1, b=2 etc.; j=0). A frase, caso estejam curiosos: “Costumam adorar doses alcoólicas esses inconsequentes bacalhaus, fanfarrões embriagados, cometendo excessos hepáticos, instigando grandes indulgências com benefícios calamitosos. Heroicamente, dedicadas focas babás fazem das crias carentes habilidosas crianças bacalhau, garantido incondicionalmente educação justa, básica, honesta, harmoniosa, dando auxílio integralmente gratuito à família. Inspiram confiança imensa, inclusive, cultivando generosidade e alegria. Já essas horríveis bicudas joviais insultam garoupas domésticas inadequadamente, demonstrando demérito e incomodando bastante cada jovem garoupa. Humilham as feiosas damas, justamente fazendo brincadeiras horrendas, falando bestialidades jocosas. Hostilidades irritantemente inescrupulosas, habitualmente ferinas, bestas, horripilantes. Jovens crianças declaram hostilizar bicudas enquanto causadoras de brigas. Aprendei a glorificar jubilosamente fantásticas garoupas!”

Íris Fernandes, 10ºB

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GREEN, John (2013), À procura de Alaska, Edições Asa – localização na BE821.1/9. GRE1

Tinha expectativas altíssimas em relação a este livro depois de ter lido A culpa é das Estrelas e Cidades de Papel. John Green tem-se vindo a tornar no meu autor predileto: a sua maneira de escrever descreve perfeitamente a pessoa que é. Tenho por hábito ler o que os escritores têm a dizer das suas próprias obras e Green reflete neste livro a sua infância pois, tal como Miles Halter (uma das personagens principais), tem o vício de ler biografias só pelo mero interesse de saber quais foram as últimas palavras do biografado antes de falecer.

Miles é um jovem de 16 anos que está habituado à solidão e a não ser compreendido por ninguém, nem os seus pais o entendem; então ele pede-lhes que o inscrevam num colégio interno onde só os estudantes mais inteligentes conseguem lugar. Como o seu pai já tinha frequentado esse colégio,  concordou de imediato.

Assim que se transferiu, ele conhece o Comandante (o seu colega de quarto), Takumi e Alaska, de quem ele se vem a tornar bastante próximo, pois todos eles residem lá e praticamente vivem sozinhos.

Durante a leitura, reparei numa certa fixação que todos tinham por Alaska, uma rapariga bonita mas muito peculiar, que adora livros, é inteligente mas um pouco deprimida devido à morte da sua mãe quando era mais nova. Miles mostra um interesse ainda maior do que os outros por Alaska porque se sente fascinado por ela ao longo do livro e ao longo das suas aventuras juntos no colégio.

Na escuridão atrás de mim, ela cheirava a suor, luz do sol e baunilha e, nessa noite de pouco luar, eu pouco mais podia ver além da sua silhueta mas, mesmo no escuro, consegui ver-lhe os olhos – esmeraldas intensas. E não era só linda, era também uma brasa.

Numa parte da sinopse do livro, que só percebi depois de acabar de ler, John Green escreve sobre adolescentes e aborda sempre temas com que muitos jovens se podem, por vezes, identificar.

John fala sobre amar incondicionalmente o próximo, amizade, relações, depressões, perda, mas acima de tudo temos que saber viver porque “para quê estar vivo se não sabemos viver?” Miles vai aprender isto da pior maneira, mas vai entender que por vezes a vida é como um comboio, tantas paragens, uns vão entrando e outros saindo – passamos por diversas paisagens, umas boas, outras em que preferimos fechar os olhos, mas palavras não fazem justiça a este livro, esta obra de arte de John Green só consegue ser entendida por quem a lê e espero que tenha o reconhecimento que merece.

Entretanto, para que se decidam a lê-lo, partilho convosco o meu excerto favorito:

Instantâneo? Nada é instantâneo. O arroz instantâneo demora cinco minutos, o pudim instantâneo uma hora. Duvido que um instante de dor pungente de uma sensação particularmente instantânea. Terá tido tempo para que a vida lhe passasse a frente dos olhos? Estaria eu lá?            

 Cristiana Vicente, 12ºG.

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