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É através da comunicação social que sabemos o que está a ocorrer à volta do mundo. Mas, por vezes, deparamo-nos com visões um pouco distintas, visto que as opiniões, argumentos e palavras mudam consoante a fonte que consultamos.

imagesAtualmente podemos verificar esse facto, mais regularmente, quando o assunto são “os refugiados”. Todos os acontecimentos negativos protagonizados por indivíduos de etnia árabe parecem ser culpa dos refugiados. Mas será que essa é a realidade? Ou será que a sociedade está já demasiado vinculada à ideia de que tudo o que diz respeito a essa etnia tem a ver com os refugiados?

Esta questão colocou-se a propósito dos acontecimentos do passado dia 31 de Dezembro, na Alemanha quando, pelo menos, 80 mulheres foram brutalmente atacadas por homens. Tendo em conta que foi algo que mereceu uma grande atenção por parte dos média, podemos deparar-nos com mais do que uma visão sobre o mesmo assunto em distintas fontes.

Assim o pude constatar quando li a notícia do jornal Expresso e a comparei com a dohamburgo-antinazista-g1 Observador. Na notícia apresentada pelo jornal Expresso podemos ler que os ataques terão sido, supostamente, planeados por agressores de etnia árabe e africana. Embora a notícia não seja extensa, podemos comprovar que o foco está na dimensão monstruosa do que se passou em Colónia (Alemanha) e igualmente, embora em menor escala, em Hamburgo e Estugarda: o número de mulheres assediadas, agredidas ou assaltadas. Neste jornal, no entanto, a notícia não refere os agressores como refugiados mas apenas menciona as suas etnias.

Por outro lado, no jornal Observador a notícia sobre o mesmo assunto acrescenta o suposto “perigo” que é a Alemanha dar asilo aos refugiados, na medida em que alguns agressores eram de etnia árabe, questionando, na linha de pensamento de Frauke Petry e outros grupos, se Angela Merkel não concorda que a vaga de violência na passagem de ano não serviria de “aviso” à política de “portas abertas” da chanceler alemã. Apesar de incluir igualmente a opinião de Henriette Reker, que discorda que os refugiados estejam envolvidos neste trágico acontecimento, o foco acaba assim por se deslocar do ataque para a questão dos refugiados.

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Esta é apenas uma amostra de como a comunicação social pode mudar o ênfase de uma notícia e torná-la distinta de um jornal para outro. Tudo depende de quem está por detrás da caneta ou do computador a escrevê-la. Daí podermos defender que nunca nos devemos guiar por uma simples fonte de informação, mas antes procurar mais fontes para assim recolhermos mais dados de modo a retirarmos as nossas próprias conclusões, de uma forma mais crítica e informada.

Mónica Andrade, 12ºD

fontes analisadas:

fonte das imagens: aqui, aqui e aqui

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Damos hoje início a uma nova rubrica aqui no Bibliblog com a publicação de um artigo da Micaela Rafael.

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mil maneiras de mostrar os factos

Este nova rubrica – Um olhar sobre as notícias – resulta da colaboração da BE com a disciplina de História lecionada pela Luísa Oliveira ao 12ºE, turma que se dispôs a participar neste projeto.

O nosso objetivo é combinar a consciência cívica, a atualização informativa, a opinião fundamentada e, em particular, promovendo a literacia dos media, a formação de uma consciência crítica em relação às opções editoriais dos vários media.

Pretendemos que os alunos envolvidos neste projeto

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um espetador desprevenido

se apercebam das mil maneiras de olhar e de mostrar  os “factos” – como, por vezes, meras opções gráficas ou destaques podem refletir o mesmo facto de distintas formas, infelizmente algumas delas com um efeito manipulatório sobre um leitor/espetador mais desprevenido ou menos educado na forma como filtra e reage criticamente à informação que lhe é fornecida em catadupa nos dias de hoje.

Fernando Rebelo (PB)

Imagens daqui e daqui

As consequências de uma sociedade conformista

O aquecimento global poderá ser sanado quando, entre outras coisas, houver um crescimento global de mentalidade

É do conhecimento geral que um dos principais temas da atualidade se prende com as alterações climáticas. O aumento da temperatura, a subida no nível médio das águas ou a degradação da qualidade do ar são consequência de uma sociedade cada vez mais consumista, indiferente e conformista.

A verdade é que todos nós gostamos de ter aquela camisola a 15 euros, uma caneta a 2 euros ou um par de calças a 20 euros, a casa aquecida no inverno e um carro para nos deslocarmos de forma cómoda para o trabalho, no entanto, pensamos nas consequências que daí advêm? Não.

original (2)Assim, na sequência desta questão e de outras, líderes de todo o mundo reúnem-se em Paris, de forma a chegar a um acordo relativamente às medidas a tomar para combater as alterações climáticas, tendo como principal objectivo que até 2100 a subida da temperatura não exceda os 2 graus celsius.

O top de países mais poluentes são efetivamente, e sem surpresa, os países que mais produzem. China, Estados Unidos, Índia, Rússia, etc. Tornando-se evidente que é necessário estabelecer de forma igualitária os encargos dos países industrializados e dos países em desenvolvimento, para que não aconteçam situações como a que se está a viver agora na capital chinesa, Pequim.

Jornais como o Diário de Notícias, Expresso ou o Jornal de Negócios avançam

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Pequim em alerta vermelho (Sicnotícias.pt)

com a notícia chocante de que a China activou o alerta vermelho pela primeira vez na sua história: o máximo numa escala de quatro em relação aos níveis de poluição. Medidas como a proibição de circulação de veículos ou o aconselhamento às populações para permanecerem nas suas casas já estão em vigor na capital chinesa.


A maioria dos jornais mantem-se fiel à mesma linha informativa, destacando que esta é a primeira vez que tais medidas são implementadas e explicando o sucedido com a existência de um denso nevoeiro branco seguido de um forte odor a carvão. No entanto, conseguimos ver que tanto o Jornal de Negócios como o2015-12-07-Pequim  Diário de Notícias se centram unicamente nas medidas tomadas por Pequim, sendo tal visível na repetição da expressão “alerta vermelho em Pequim” chamando assim mais a atenção dos leitores para este lado pontual da questão. Já o Expresso, para além da descrição dos factos, alargou mais o campo informativo, procurando dar uma base mais científica ao artigo, reportando muitos números baseados em estudos relacionados com a poluição, incluindo relatos de residentes, explicações do Presidente da Câmara de Pequim e os estudos de um investigador.

Não deixa de ser irónico o sucedido, visto que, não há muitos dias, a China, o país mais poluente no mundo, expressava a sua vontade de reduzir em cerca de 60% as emissões dos gases poluentes na Conferência do clima em Paris.

Este é um tema que deve interessar a todos, tendo em conta que se trata,2015-11-29-paris-1 nada mais, nada menos, do que o reflexo de uma sociedade consumista que quer sempre mais e mais a um preço cada vez mais baixo, o que não é possível sem colocar em causa a “saúde” do nosso planeta e das imensas pessoas que nele habitam, como é referido no jornal Expresso, que divulga um estudo em que 1,4 milhões de chineses podem morrer prematuramente anualmente por causas relacionadas com a poluição, sendo que a poluição mata diariamente 4000 pessoas.

Cabe-nos então a nós pensar se realmente queremos continuar a adoptar uma atitude conformista ou agir – será que uma camisola, um lenço ou mais um ar-condicionado ligado em casa vale, a longo prazo, a vida das pessoas, vale o fim da biodiversidade, vale o início de secas, a escassez de água e novos conflitos mundiais? Deixemos de ser egoístas e pensemos nas gerações vindouras, como Veríssimo Andrade refere: “O aquecimento global poderá ser sanado quando, entre outras coisas, houver um crescimento global de mentalidade.”

Micaela Rafael, 12º E

Fonte das imagens: sicnotícias.pt e expresso.pt

 

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A Assembleia Geral  das Nações Unidas, em 1993, instituiu  a comemoração do Dia Mundial da Imprensa em 13 abril  uma forma de salientar a sua  importânciano mundo contemporêno. Numa época  de globalização da informação e da comunicação é importante relembrar os primórdios da imprensa e como teria sido inimaginável sem a tipografia (do grego typos — “forma” — e graphein — “escrita”). Recuamos, por isso,  à primeira metade do século XV  e ao inventor alemão Johannes Gutemberg apesar das evidências de que o holandês Laurens Coste iniciou a impressão de livros com a utilização de carateres móveis de madeira, alguns anos antes de Gutenberg, razão pela qual é g 1considerado, por muitos, como o pai da imprensa. Deve-se, no entanto, referir o mérito de inventores chineses que já conheciam o papel desde o século II e prensas de madeira onde gravavam textos e imagens desde o século VIII e tipos móveis no século XI. Jikji , ensinamentos sobre o budismo, foi o primeiro livro impresso com carateres móveis  metálicos , em finais do século XIV, na Coreia.

Estas técnicas eram desconhecidas na Europa e, independentemente da polémica, é seguro que Gutenberg que tinha aprendido o ofício de ourives e que foi aclamado durante a Revolução Francesa como “primeiro revolucionário e benfeitor da humanidade” utilizou um método com carateres móveis que veio a revolucionar a cultura europeia. Inventou a tinta de impressão para papel e pergaminho misturando  fuligem, resina e óleo de linhaça e criou um processo que consistia em cunhar as letras em matrizes de cobre, com uma punção de aço com letras gravadas em relevo, gerando uma espécie de molde de letras, que eram finalmente montadas em uma base de chumbo,  onde recebiam a tinta  e eram prensadas no papel. Para a feitura da prensa gráfica (termo de imprensa deriva deste equipamento) Gutenberg  inspirou-se nas prensas utilizadas para espremer uvas da região de Mongúcia, g 3Alemanha, de onde era natural.  Este método permitiu a obtenção de carateres precisos e resistentes ao desgaste da impressão e veio substituir o moroso trabalho dos copistas que tornava os dispendiosos livros autênticas obras de arte que implicavam materiais como o couro paara a encadernação assim como tecidos bordados. O primeiro exemplar deste método revolucionário foi a Bíblia de 42 linhas, em latim, de cuja edição existem 48 exemplares. Esta técnica propagou-se rapidamente  nas cidades universitárias e comerciais, nomeadamente Veneza e Paris e, em pouco tempo, as tipografias espalharam-se pela Europa, tornando os livros mais acessiveis e democratizando um saber “erudito”, que deixa de ser exclusivo do clero. Em 1539, a primeira tipografia chega ao continente americano com o alemão  Johann Cromberger.

Em Portugal o primeiro impresso saiu da oficina de D. Samuel Porteira Gacon, judeu que tinha fugido das perseguições da Inquisição em Espanha e que se estabeleceu em Faro. O único exemplar desta edição , em hebraico,  O Pentateuco encontra-se na British Library , em Londres.  Não há consenso no que respeita às obras  impressas em português e a disputa faz-se entre O Sacramental de Clemente Vercial de 1488 e Tratado de Confissom de 1489, impresso em Chaves com um único exemplar na Biblioteca Nacional, em Lisboa.

Esta invenção teve um enorme alcance  revolucionando o conhecimento com o desenvolvimento das línguas nacionais, cultura e ciência. Os valores da modernidade difundiram-se, o racionalismo, o individualismo, o gosto pelo saber, a importância dada à observação são as bases da nova g 2mentalidade.  Numa fase inicial, a Igreja Católica apoiou esta invenção e, sinal disso, é o facto da maior parte das primeiras obras impressas tratarem temáticas religiosas, embora em latim, nomeadamente  a Bíblia, que se tornara mais barata por meio da sua reprodução tipográfica. Porém, ao tomarem consciência do alcance deste novo recurso, os impressores enfrentaram alguns riscos, tendo sido perseguidos pela Inquisição. A proibição da tradução da Bíblia para as línguas nacionais  não impediu a sua tradução para o inglês e impressão em Antuérpia, em 1521,  tendo o seu  tradutor, o sacerdote inglês William Tyndale, sido queimado na fogueira por isso.

No século XVI, os tipógrafos jornaleiros tinham um horário de trabalho de 16 horas diárias, o que desencadeou algumas greves, particularmente em França. Em 1695, a Inglaterra  acabou com a lei que regulava as suas atividades e em 1791 a Primeira Emenda à Constituição Americana proibia qualquer lei que limitasse a liberdade de imprensa. A 1ª publicação impressa periódica regular aparece em 1602 em Antuérpia e o 1º jornal em português em 1641 com o nome Gazeta da Restauração. No século XIX, com a industrialização,  aparecem as primeiras agências de notícias e  em 1851 Paul Julius Reuter funda a Reuters. O telégrafo, técnicas de impressão, emissão de rádio, cinema e tv revolucionaram as tecnologias de informação e comunicação já no seéc. XX.

Mseu Nacional da Imprensa

Museu Nacional da Imprensa

Um forma de reconhecer a importância da imprensa e enaltecer o direito fundamental que é a liberdade de expressão é visitar espaços  que dignificam a “ arte negra” e o valor da imprensa. O Museu Nacional da Imprensa, Jornais e Artes Gráficas, no Porto, apresenta, desde 1997,  exposições permanentes e temporárias sobre esta temática. De igual modo, é estimulante conhecer o Espaço Memória-Tipografia Popular do Seixal, extensão do Ecomuseu Municipal, localizada no Núcleo urbano antigo do Seixal em instalações remodeladas de uma oficina tipográfica tradicional, empresa familiar estabelecida naquele local desde os anos 50 do século XX. A  visita  guiada orientada por um excelente pedagogo, antigo tipógrafo, transmite, de forma cativante, memórias, saberes e curiosidades ligadas a esta arte à volta de peças de elevado valor patrimonial pois preservam as artes da composição, impressão e encadernação  destacando-se as de impressão de finais do século XIX e primeira década do século XX e as primeiras impressora introduzidas em Portugal.

Visitar estes espaços museológicos é, por isso, uma excelente oportunidade para relembrar as origens da tipografia e a sua evolução, de refletir sobre os meios de difusão de notícias e fazer uma viagem no tempo em volta das máquinas que tanto contribuiram para a evolução da humanidade.

Luísa Oliveira

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