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Visualização na aula de Geografia A do Projeto Diálogo Intergeracional-11ºE

Visualização na aula de Geografia A do Projeto Diálogo Intergeracional-11ºE

No Projeto Diálogo Intergeracional – Redescobrir/Reconhecer – documentários produzidos pela Direção-Geral da Educação e seus parceiros no âmbito do evento Portugal Maior – 2013 (FIL, Parque das Nações, Lisboa, de 30/11 a 8/12/2013), foram apresentados filmes reflexivos sobre a sociedade multigeracional.

Com o argumento da professora Dulce Godinho e com intervenções dos professores Vanda Rodrigues, Maria João Albuquerque e Fernando Rebelo, estes documentários versaram temáticas variadas, que se inserem nos Conteúdos Programáticos da Geografia A (10º e11º Anos)

Após visualizarmos estes documentários nas aulas e com o auxílio da nossa professora de Geografia A, decidimos abordar aspetos relativos à Família, ao Projeto de Vida, à Sustentabilidade, à Viagem e aos Territórios Humanos e Geográficos.

Integrando os Conteúdos Programáticos da Geografia A de 10º e 11º Anos, foi-nos permitido tirar algumas conclusões, que, seguidamente, apresentamos:

→ A tendência de Envelhecimento Demográfico no país é marcada pelo aumento da proporção de idosos, acompanhada pela diminuição da proporção de jovens, fenómeno este explicado por fatores interligados, como a diminuição progressiva da Taxa de Natalidade – nº de nados-vivos em cada 1000 habitantes –, a diminuição da Taxa de Mortalidade – nº de óbitos em cada 1000 habitantes – e o aumento da Esperança Média de Vida – nº de anos que, em média, se tem probabilidade de viver, devido à melhoria da qualidade de vida da população em Portugal.

Sendo um dos objetivos o estudo da população portuguesa, o Projeto Diálogo Intergeracional permitiu constatar que a Natalidade tem vindo a diminuir com o declínio da Fecundidade, devido à generalização do Planeamento Familiar, ao aumento da Taxa de Atividade Feminina, ao prolongamento da escolaridade, aos casamentos mais tardios e ao adiamento do nascimento do primeiro filho.

O Envelhecimento Demográfico também se justifica pelo aumento da Esperança Média de Vida, devido aos progressos nos cuidados médico-hospitalares e à

Maria Inês Costa e Tiago Oliveira

Maria Inês Costa e Tiago Oliveira

melhoria da alimentação.

A Taxa de Crescimento Efetivo relaciona o crescimento natural com o saldo migratório e reflete o envelhecimento demográfico do país, pois a população jovem/adulta tem emigrado nos últimos anos (ou continua a efetuar o êxodo rural). Em Portugal, têm permanecido os mais idosos.

→ É, assim, possível, constatar um duplo envelhecimento, devido à diminuição da proporção de jovens e ao aumento da proporção de idosos. Se analisarmos estes dados numa Pirâmide Etária, verificamos o estreitamento da base e o alargamento do topo, dificultando a renovação das gerações. O Índice Sintético de Fecundidade – nº médio, que apresenta um valor muito baixo em Portugal (1,3 em 2013.) O Índice de Dependência de Idosos – quociente entre o número de pessoas com 65 e mais anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos – tende, pois, a aumentar em Portugal.

Os principais problemas daí resultantes são:

  •  o acréscimo de despesas com o sistema de saúde – que poderá entrar em risco de rotura financeira, por diminuição de receitas por decréscimo de contribuintes e aumento de despesas por incremento de idosos;
  •  o acréscimo de despesas com a Segurança Social, nomeadamente os serviços sociais de apoio à população idosa;
  • o acréscimo de despesas com o pagamento de pensões e de reformas à população idosa
  • o reduzido número de ativos, que propicia a diminuição da produtividade, o espírito de iniciativa tão característico dos jovens;
  • o acréscimo de despesas com a assistência aos idosos: alojamentos adaptados à diminuição das suas capacidades, atividades de lazer, passatempos, ajudas familiares, assistentes sociais.
Geografia A - Apresentação do trabalho sobre o Projeto Diálogo Intergeracional-11ºE

Geografia A – Apresentação do trabalho sobre o Projeto Diálogo Intergeracional-11ºE

→ A resolução destes problemas poderá passar por Políticas Natalistas, em que o Estado assume um papel importante na atribuição de subsídios e na redução de impostos às famílias mais numerosas, bem como na construção de creches e de jardins-de-infância, incentivando o aumento da Natalidade.

A preocupação com a classe etária dos idosos, no sentido de valorização do seu conhecimento, das suas experiências, do ‘Saber’  e do ‘Saber-Fazer’, é crescente!

→ A partilha de conhecimentos com os adultos e com os jovens (filhos e netos) permite concretizar aprendizagens. Os mais novos adotam, muitas vezes, o gosto por algumas das atividades profissionais dos pais e dos avós (que passam de geração em geração). Constata-se, assim,  a influência, por parte dos mais idosos, na tomada de decisões futuras dos mais jovens. Estes conseguem ser melhores profissionais em atividades desempenhadas, no passado, pelos mais idosos.

→ A fixação de jovens/adultos no interior traria vantagens em termos de rejuvenescimento demográfico e progresso económico. Com a especialização dos jovens – mais instruídos e qualificados – nas mesmas áreas dos seus familiares mais idosos, dinamizar-se-ia o trabalho em parceria, e proceder-se-ia ao investimento, juntando o saber de experiência feito dos idosos, com o saber o teórico dos jovens.

→ Com a visualização do Projeto «Diálogo Intergeracional», denota-se uma preferência de alguns destes dos jovens por permanecer no interior, o que contribuir para atenuar a Litoralização, isto é, a concentração de população e de atividades económicas no litoral português ocidental, entre Setúbal e Viana do Castelo e, também, na costa meridional (Algarve). Igualmente, reduz concentração de população em dois polos: Lisboa e Porto (Bipolarização).

A fixação de jovens nas áreas rurais conduz ao dinamismo das regiões, atenuando os contrastes Litoral/Interior.

Diana Alves, Teresa Rosado, Paulo Lopes, Maria Inês Costa, Rita Caleça

Diana Alves, Teresa Rosado, Paulo Lopes, Maria Inês Costa, Rita Caleça

Assim:

Na perspetiva do Presente, concluímos da importância da Política Regional de Coesão Económica e Social no atenuar das desigualdades no país e na qualidade de vida, a fim de proporcionar as mesmas oportunidades à população.

 ► Na perspetiva do Futuro, o Projeto «Diálogo Intergeracional» permite aferir a valorização das profissões mais antigas e tradicionais, que poderão ser modernizadas, fomentando a economia das cidades do interior e atenuando as desigualdades regionais do país.

Autores (alunos que colaboraram no projeto no âmbito da disciplina de Geografia A): Ana Filipa Cândido, 11ºD, Diana Alves, Maria Inês Costa, Paulo Lopes, Rita Caleça, Teresa Rosado, 11ºE, sob a orientação da professora de Geografia A, Leonett Abrantes

Documentário realizado na BE com alunos da ESDS e seus respetivos avós no âmbito da vertente Reconhecer:

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Quando os médicos Alfred Hardy e Aimé de Montméja publicaram a revista médica “Clínica fotográfica do hospital de Saint Louis”, em França, não tinham em mente a criação de uma obra artística, antes um trabalho científico que visasse mostrar e catalogar as doenças da pele e circulasse entre a classe médica.

As imagens, desta e de outras revistas de medicina, publicadas em 1868, eram ainda de fraca qualidade pelo que necessitavam de ser retocadas de modo a realçar as lesões da pele provocadas pela doença.

Félix Méheux, fotógrafo da revista entre 1884 e 1904, realizou esse trabalho, mas, ao mesmo tempo, dirigiu a atenção para outros aspetos de ordem estética, aos quais a sua natureza não era indiferente.

Com o olhar atento à luz, ao enquadramento, à envolvência, e, além do mais, assinando as fotografias, os médicos reconhecem-lhe mérito, mas acusam-no de produzir um trabalho que não serve para publicação.

Este “artista dermatologista”, como foi chamado, desenvolveu a técnica a cor, quando o preto e branco já não era suficiente. Esta técnica, morosa, requeria a coloração a aguarela sobre as fotografias, o que implicava um contacto mais próximo com cada doente, de modo a que o artista se detivesse a observar as lesões da pele e as especificidades de cada uma e as ilustrasse com o rigor científico que exigiam.

Esta aproximação ter-lhe-á permitido outra descoberta: a do ser humano na sua imensa tragédia. Por detrás da imensa deformação da pele de cada doente, onde manchas, bolhas, pústulas, crostas quase o ocultam, Méheux irá realçar a individualidade e, desse trabalho, sairão fotografias perturbadoras onde o horror, a raiva, a dor, o humor, se revezam e desorganizam os sentimentos.

Acusado de não homogeneizar as séries fotográficas e, como tal, não fazer trabalho científico, as fotos deveriam apresentar-se alinhadas e impessoais, classificadas de acordo com as morfologias, preenchendo, assim, as páginas da “Clínica fotográfica”.

Esta revista, com fotografias a ilustrar as doenças da pele, permite que os médicos conheçam as doenças sem a observação direta dos doentes. Mas, se a presença do médico na observação do doente podia ser dispensada e substituída pela imagem, em algumas situações, o mesmo não se poderá dizer da presença do médico nas fotografias, onde figurará desde o aparecimento desta.

Muito antes da fotografia, já as imagens gravadas em suporte de madeira mostravam as primeiras autópsias realizadas com a figura do médico ocupando uma posição de relevo mas distanciada da ação.

Fig.3- Fascículo de medicina, 1494. Reprodução de gravura em madeira

Fig.3- Fascículo de medicina, 1494. Reprodução de gravura em madeira

Esta atitude permitiu a Andreas Vesalius, no seu livro “De Humani Corporis Fabrica” (Da Organização do Corpo Humano), escrito em 1543, e considerado um dos mais influentes livros científicos de todos os tempos, escarnecer dessas figuras sentadas em cátedras que “como gaios, falam de coisas que nunca compreenderam, mas que foram buscar aos livros e as memorizaram, sem nunca as verem”.

Este lugar de destaque, nas gravuras, de alguém que ocupa uma posição privilegiada, de alguém que observa, mas distante daquele que toca, e se mantém acima dos demais, vai estabelecendo diferenças, formando hierarquias.

A figura do médico irá sair da gravura e entrar na fotografia, da sala de dissecação do cadáver para a sala de cirurgia e aí posar, sobrepondo a sua imagem à do doente.

A fotografia, e depois a radiografia, no final do séc. XIX, e o poder alcançado pelos fotógrafos e também pelos físicos, no domínio da máquina, ameaça a classe médica que tudo fará para que esse monopólio seja exclusivamente seu.

A questão intensifica-se quando técnicos, não médicos, são nomeados responsáveis pelos departamentos de radiologia do hospital.

Só a lei conseguirá impor a obrigação de um diploma em medicina para a utilização de raios X com fins diagnósticos e terapêuticos, mas respeitando as posições adquiridas por alguns não médicos.

Com o domínio da máquina e com todas as consequências benéficas que daí advêm para a saúde, a relação entre o médico e o doente altera-se.

Com a nova realidade, as palavras também sofreram alterações, são agora mais técnicas. Na relação com o doente, a máquina interpõe-se entre ambos, é ela que vê o que não é visível, é ela que pesquisa, que percorre todas as partes do corpo e expõe o interior, e o médico, perante as imagens que o ecrã lhe dita, já não diz que o doente não tem nada, mas antes, que não vê nada, sentindo-se desresponsabilizado de qualquer erro de diagnóstico.

A iconografia da doença nunca foi muito representada na história da arte, outras formas de sofrimento causadas pela ira, divina ou humana, foram, desde a antiguidade, largamente abordadas, mas a doença, propriamente dita, nunca interessou os artistas, nem mesmo aos fotógrafos quando registaram, durante a guerra, tantos corpos destroçados, nunca a doença por si só, lhes mereceu uma especial atenção.

O dedo que dispara o botão e o olho que vê, condicionados por imagens anteriores que os moldaram e ditaram hierarquias, nem sempre estão livres para ver o que sempre se quis esconder – afinal fotografar é enquadrar e enquadrar pressupõe excluir.

Provavelmente, só a proximidade com a doença, como o fez Félix Méheux ou ainda o artista japonês Tatsumi Omoto, cuja obra artística e performativa reflete sobre questões como a doença de Alzheimer de que a sua mãe é vítima, mas também sobre o envelhecimento e a falta de apoio dos familiares aos idosos (e a propósito, esteve recentemente em Portugal, em Évora, num lar de idosos), a deixou de tratar como um tema tabu que as sociedades modernas preferem remeter para  segundo plano.

Fig. 6

Fig. 6

Também conhecido por Bread Man, este artista desenvolveu o projeto Art Mama que consiste num trabalho artístico e documental do processo de envelhecimento e degenerativo da sua mãe. Cuidar e transformar esse cuidado em arte é o seu objetivo e, à semelhança das fotografias de Félix Méheux, também o seu trabalho desconcerta, também levanta questões e também desorganiza sentimentos.

Ana Guerreiro

Fontes:

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