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Neste ano em que se celebram os 8 séculos da língua portuguesa aqui fica uma sugestão de um canal YouTube, uma lista de reprodução gerida por Carlos Alberto Didier, dedicado à língua portuguesa e à literatura da lusofonia. Nesta compilação de 175 documentos audiovisuais incluem-se documentários sobre grandes clássicos da literatura portuguesa (muitos deles curriculares, de Camões a Saramago), assim como de outros países da lusofonia, numa variedade de originais lidos e declamados, documentários e entrevistas – sem dúvida um espólio muito interessante quer para fins letivos, quer para  simples amantes desta nossa pátria-língua.

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O verão de 2012 será relembrado pela tragédia  num cinema em Aurora, Colorado, onde, um louco, confundindo ficção com realidade, assassinou 12 pessoas  aquando da estreia  do último filme da trilogia Batman O cavaleiro da trevas renasce de Christopher Nolan. Além deste filme registaram-se inúmeras estreias  nacionais mas refiro somente as que considero mais pertinentes. Realce especial para o grandioso As Flores da guerra de Zhang Yimou, considerado um dos melhores filmes do ano. A partir do romance de Yan Geling, assistimos ao relato da  violentíssima 2ª guerra sino-japonesa (1937-45)  no contexto do  terrível massacre de Nanjing . Pode considerar-se um autêntico clássico com uma dimensão épica feita de mártires e hérois que se vê  com muita emoção.  Também de produção japonesa as tensões no espaço familiar no drama  O meu maior desejo de Hirokazu Koreeda. Filme de qualidade Elena do russo Andrey Zvyagintse que, numa obra de silêncios, nos apresenta os contrastes sociais da Rússia capitalista. As comédias são sempre apreciadas  e entre um vasto conjunto é agradável visionar Ted de Seth McFarlane,  autor  ligado à criação de séries  animadas como Family Guy, American Dad e The Cleveland Show; Moonrise Kingdom de Wes Anderson; Morre… e deixa-me em paz  de  Richard Linklater; O Futuro de Miranda July e o romance na  produção  francesa  A Delicadeza do Amor de David Foenkinos. Interessante também é a adaptação do musical da Broadway A idade do Rock de Adam Shankman. Obras dirigidas ao público infantil, e não só, as novas  aventuras de  Madagáscar 3 de Conrad Vernon, Eric Darnell e Tom McGrath, a primeira heroína dos estúdios Pixar, Brave – Indomável de  Brenda Chapman e O fantástico homem-aranha de Marc Webb. Os inúmeros fãs de ficção científica podem apreciar as excelentes interpretações de Willem Dafoe e Shanyn Leigh  em 4:44, Último dia na Terra de Abel Ferrara. De igual modo, podem concluir  se os efeitos visuais mais sofisticados fazem esquecer a obra original, no remake do célebre filme inspirado na obra de Philipp K. Dick, Desafio total de Len Wiseman, em que Colin Farrell sucede a Arnold Schwarzenneger no papel de Douglas Quaid. A ação continua no quarto filme baseado na obra de Robert Ludlum, O legado de Bourne  de Tony Gilroy. Também com algum interesse o documentário do artista fancês JR , Women are heroes.

Quanto a obras portuguesas a adaptação da famosa série televisiva Morangos com açúcaro filme, de Hugo Sousa, levará muitos adolescentes às salas de cinema.

No que diz respeito a notícias do mundo cinematográfico,  o filme La fille de nulle part, do francês Jean Claude Brisseau, foi o vencedor do Leopardo de Ouro, do festival de cinema de Locarno, que também contemplou duas obras de portugueses com um prémio e uma menção especial do júri. A longa-metragem  A última vez que vi Macau de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, que estava a concurso com outros 18 filmes, mereceu uma menção especial do júri à “extraordinária personagem Candy” e a sua “poderosa presença através da ausência ressoou para o júri como uma representação da imensa coragem do cinema português em tempos em que os falhanços dos governos e dos sistemas sociais ameaçam as artes cinematográficas no mundo inteiro”. Este filme teve estreia mundial no festival e conta a história de um homem que recebe um pedido de ajuda de uma ex-amante, Candy, que se radicou em Macau. Viajando para a cidade onde vivera trinta anos, o homem vive uma série de desencontros que transformam Candy quase num fantasma. João Rui Guerra da Mata também concorreu com  a curta-metragem O que arde cura  na secção “Pardi di domani” que procura “novos talentos” em filmes de menor duração, ganhando o prémio “Legendagem de Filme e Vídeo”, que financia a legendagem do filme em três línguas europeias. No festival de cinema de animação de Hiroshima, Japão,  a curta- metragem de Regina Pessoa, Kali, o pequeno vampiro foi premiada. Esta obra tem música original dos Young Gods e narração do ator Christopher Plummer  na versão em inglês e do realizador Fernando Lopes na versão portuguesa.

Mas apreciar um bom filme não se esgota nas salas comerciais e, em setembro, realizam-se várias iniciativas  interessantes que apresentam  programações ambiciosas com obras imortais. De 6 a 9 no Teatro do Bairro realiza-se Cinema Bioscoop festival de cinema de língua neerlandesa. Até 15 decorre a 4º edição das Fitas na Rua com homenagem ao cinema português em vários locais da capital, aos  sábados e domingos. Até 24  na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio (www.centromariodionisio.org) o ciclo cinema ao ar livre “Quem canta seus males espanta. Até 26 decorre no cinema King (www.medeiafilmes.com)  o ciclo “um ano de cinema(s)”. Além destes eventos, também se realizará  no cinema São Jorge de 12 a 16 setembro  a 6ª edição do MOTELx – festival internacional de cinema de terror de Lisboa, com a retrospetiva da obra do  realizador de culto deste género, Dario Argento, que estará presente neste evento. A programação poderá ser consultada em www.Motelx.org. A 28ª edição do Festróia, que apresentará obras maioritariamente de origem europeia,  é um pretexto para a deslocação ao Forum Municipal Luísa Todi, em  Setúbal, de 21 a 30 setembro. De igual modo, a 4ª edição do Douro Harvest, de 26 a 29, continua a valorizar  a região do Douro e um dos seus emblemas, o vinho. Nesta edição vão estar em competição curtas-metragens de cineastas portugueses no concurso “Curtas da casa”. Este género tem tido algum reconhecimento e o facto é que  na 69ª edição do  Festival de Veneza que decorre até 8 de setembro, a curta-metragem North Atlantic, do português Bernardo Nascimento, está entre as obras escolhidas. No Festival de Toronto serão, por sua vez, apresentados seis filmes portugueses.

A revista Sight & Sound,  do Instituto Britânico do Filme, organiza em cada dez anos uma votação, em que participam  críticos de cinema de todo o Mundo, no sentido de escolherem os melhores filmes de sempre. Em 2002, a última vez que foi feita esta votação, VertigoA mulher que viveu duas vezes estava apenas a cinco votos de distância do líder durante cinquenta anos, o mítico Citizen Kane – o mundo a seus pés de Orson Welles. Dez anos depois, ultrapassou‑o. Durante a próxima década, pelo menos, será  Vertigo – A mulher que viveu duas Vezes, do genial Alfred Hitchcock, com James Stewart e Kim Novak, o melhor filme de todos os tempos. Mas vale a pena  mencionar as  primeiras dez obras intemporais que fazem parte desta lista que pode ser consultada, na totalidade, em www.bfi.org.uk:

  • Vertigo – A Mulher que viveu Duas Vezes (Hitchcock, 1958)
  •  Citizen Kane – O Mundo a seus Pés (Welles, 1941)
  •  Viagem a Tóquio (Yasujiro Ozu, 1953)
  •  A Regra do Jogo (Jean Renoir, 1939)
  • Aurora (F.W. Murnau, 1927)
  •  2001: Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968)
  •  A Desaparecida (John Ford, 1956)
  •  O Homem da Câmara de Filmar (Vertov, 1929)
  •  A Paixão de Joana d’ Arc (Dreyer, 1927)
  •   8 ½ ( Frederico Fellini, 1963)

 Filmes para ver/descobrir pois constituem a essência do que é o cinema.

Luísa Oliveira

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