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Posts Tagged ‘Documentário’

bichosNo mês das festas natalícias, estreiam-se alguns eventos relacionados com o cinema. Em Almada, entre os dias 10 e 13 de dezembro, o projeto Amor Rafeiro traz ao Auditório Fernando Lopes Graça, no Fórum Romeu Correia, a primeira edição de BICHOS! Animais na Sétima Arte, um ciclo de cinema dedicado aos animais, com uma programação que interessará não só aos amantes de bom cinema como a todos aqueles para quem o respeito pelos animais é uma questão de cidadania. Com exibição de produções independentes nacionais e internacionais de ficção e animação programadas para adultos, famílias e escolas, as receitas de bilheteira reverterão para a construção do futuro canil/gatil multiusos do concelho de Almada.

No Porto, de 4 a 13 dezembro, realiza-se a primeira edição do Festival Internacional de Documentário e Cinema do Real com a projecção de 52 filmes sendo 12 em competição, complementadas com várias iniciativas entre as quais a secção dedicada aos direitos humanos. No dia 11, data de aniversário de Manoel de Oliveira, será exibida a sua mais recente criação a curta-metragem “O velho do Restelo”.

No que respeita a estreias, o realce para o excelente Interstellar de Christopher Nolan que certamente, se tornará um clássico da ficção científica. A partir dos escritos do astrofísico da universidade da Califórnia, Kip Thorne, sobre mecânica quântica, viagens no tempo, buracos negros, Matthew McConaughey protagoniza uma emocionante obra que, além de uma reflexão sobre o destino da humanidade após os recursos do planeta se esgotarem, representa um hino à vida. Para quem quer passar momentos hilariantes na sala de cinema, aconselho Orgulho de Matthew Warchus, um delicioso filme baseado em factos verídicos ocorridos em Inglaterra em 1984 durante o governo de Margareth Thatcher no período de greve dos mineiros britânicos, quando estes tiveram o apoio inesperado de grupos de gays e lésbicas o que, como seria previsível, provoca situações de conflito mas também de cumplicidade. Serena, realizada por Susanne Bier em 2012 a partir da adaptação do romance homónimo de Ron Rash, apresenta, pela terceira vez, o par romântico Jennifer Lawrence e Bradley Cooper num drama ocorrido na época da Grande Depressão de 1929. Um quadro pintado em finais do século XVIII com Dido Elizabeth Belle, filha ilegítimas de um capitão da Marinha inglesa e de uma escrava negra, foi a inspiração para Belle de Amma Asante que, além do drama amoroso, descreve os preconceitos da sociedade da época e a campanha a favor da abolição da escravatura. O primeiro filme de Dan Gilroy Nightcrawler-reporter na noite é uma sarcástica reflexão sobre o papel dos media, com Jake Gyllenhaal numa interpretação magistral de um repórter freelancer que utiliza todos as estratégias para sobreviver e ascender profissionalmente num meio desprovido, inúmeras vezes, de valores éticos. Reflexão sobre um tema atual em que a comunicação social é dominada pelo sensacionalismo e manipulação com o objetivo de satisfazer um público sedento de violência e de notícias choque. Os excelentes realizadores belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne tratam, igualmente, temas atuais como a precariedade do emprego e o flagelo do desemprego em Dois dias, uma noite em que Marion Cotillard encarna, de forma brilhante e realista, uma personagem que tem um fim-de-semana para convencer os seus colegas a prescindirem de bonificações para ela manter o emprego. Diferente mas que se vê com agrado A viagem a Itália de Michael Winterbottom com Steve Coogan e Rob Brydon na adaptação de uma série da BBC sobre gastronomia e, neste caso, a italiana. A decorrer no contexto italiano a comédia Viva a liberdade de Roberto Ando. Um verão na Provença de Rose Bosch apresenta-nos uma obra sobre o confronto de gerações com a qualidade que o cinema francês nos habituou. Para os que apreciam biografias têm a possibilidade de assistir a documentários sobre músicos carismáticos do século XX com 20.000 dias na Terra de Iain Forsyth e Jane Pollard sobre Nick Cave e Get on up de Tate Taylor sobre James Brown assim como a película Saint Laurent de Bertrand Bonello sobre o homónimo estilista francês que dominou o mundo da moda. John Wick de Chad Stahelski e David Leitch apresenta acção e aventura dirigida aos inúmeros fãs de Keanu Reeves. Quando se comemora cem anos do início da 1ª guerra mundial Pontes de Sarajevo expõe curtas-metragens de treze realizadores europeus de várias gerações entre os quais Teresa Villaverde com olhares sobre a cidade que marcou o destino de milhões. Com um objetivo idêntico Rio, eu te ama uma súmula de dez curtas-metragens de igual número de realizadores sobre temas ligados à “ cidade maravilhosa”. Por fim, The hunger games: a revolta, parte 1 de Francis Lawrence continua a famosa saga baseada na trilogia dos livros de Suzanne Collins.

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Quanto a notícias sobre produções nacionais, dois filmes co-produzidos pelo Cine-Clube de Avanca foram distinguidos no evento “The Spirits of the Earth Internacional Film Festival” em Castello della Rovere na cidade italiana de Vinovo em Turim onde são apresentadas obras preocupadas com a sustentabilidade, a ecologia e a cultura. Lágrimas de um Palhaço do premiado Cláudio Sá, ganhou o Prémio de Melhor Filme de Animação, sendo o Prémio para o Melhor Filme feito por estudantes  atribuído à curta-metragem de animação Os Guardiões das Florestas, adaptação de uma obra literária de Evandro Morgado realizado por estudantes da Escola E/B 2.3 Dr. Bento Carqueja de Oliveira de Azeméis e produzido ao longo do ano escolar numa oficina orientada por animadores do Cineclube de Avanca. Fuligem, de David Doutel e Vasco Sá, venceu a 38.ª edição do Cinanima – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho na competição internacional a que concorreram dezanove países ganhando, igualmente, o prémio António Gaio a que se candidataram onze obras de realizadores portugueses de mais de trinta anos.

Luísa Oliveira

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Em outubro, no Centro Cultural de Belém, numa cerimónia dedicada à música no cinema português, realizou-se a terceira edição dos Prémios Sophia atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema. A última vez que vi Macau de  João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, venceu na categoria de Melhor Filme sendo a de  Melhor Realizador  entregue a Joaquim Leitão, pela longa-metragem Até Amanhã, Camaradas. O prémio para Melhor Atriz Principal foi atribuído a Rita Durão pela interpretação em Em segunda mão e, pelo mesmo filme, Pedro Hestnes venceu a categoria de Melhor Ator Principal.

No que respeita a estreias, o mês foi marcado por alguns filmes de qualidade destacando-se a penúltima e última obras de Alain Resnais, respetivamente, Vocês ainda não viram nada e Amar, beber e cantar. Enquanto a primeira é apresentada como uma monótona peça de teatro, a segunda, premiada no festival de Berlim, é uma adaptação de uma peça teatral de Alan Ayckbourn abordando os rumos de vida e questões ligadas à morte de um grupo de amigos. Diferente mas bastante interessante pela mistura de mitologia, história e ficção e com excelentes efeitos especiais, Drácula: a história desconhecida de Gary Shore foca a origem do famoso vampiro inspirado no reinado de terror do príncipe da Roménia do século XV, Vlad Tepes. Num excelente e sombrio policial, Liam Neeson interpreta um detetive à moda antiga em O caminho entre o bem e o mal de Scott Frank, adaptação do bestseller de Lawrence Block. Matem o mensageiro de Michael Cuesta descreve o mundo do jornalismo de investigação e, neste caso, o envolvimento da CIA no contrabando de cocaína para os EUA.

Em parte incerta marca o regresso de David Fincher com um brilhante filme adaptado da obra homónima de Gillian Flynn, em que Ben Affleck e Rosamund Pike apresentam boas interpretações numa película misteriosa recheada de ilusões e mentiras, sátira aos relacionamentos conjugais. Aproveita a vida de Henry Altmann e Phil Alden Robinson é, por seu turno, uma boa forma de relembrar o saudoso Robin Williams. De aconselhar, igualmente, obras baseadas em factos reais: O gene rosa de Steven Bernstein, biografia de duas mulheres notáveis, Annie Parker, que venceu três vezes a luta contra o cancro e a geneticista Mary-Claire King, cuja descoberta do gene BRCA do cancro da mama é considerada uma das descobertas mais importantes do século XX e A boa mentira de Philippe Falardeau, sobre o terrível drama dos refugiados da guerra do Sudão e o papel das organizações humanitárias na recuperação dos seus traumas. Brad Pitt apresenta um ótimo desempenho em Fúria de David Ayer, um excelente filme de guerra que, a partir do interior de um tanque militar, descreve a luta pela sobrevivência e o horror dos últimos dias da 2ª guerra mundial. O terror sobrenatural de qualidade está de volta com Annabelle de John R. Leonetti que tem constituído um sucesso de bilheteira.

Por fim, do realizador brasileiro João Jardim, Getúlio pode ser considerado um documentário dos últimos dias do carismático presidente brasileiro Getúlio Vargas.

Em outubro, o Doclisboa decorreu com o sucesso habitual tendo sido premiado, na competição internacional, o realizador chinês Wang Bing com a obra sobre os desfavorecidos da China atual Father and sons, enquanto na competição nacional João Pedro Plácido foi o premiado com a obra Volta à terra. Ainda neste género na X edição do festival internacional de cinema documental Extrema’Doc, em Cáceres, Espanha, o documentário Hospedaria de Pedro Neves, venceu o Prémio Transfronteira. Em novembro, de 7 a 16, realiza-se o Lisbon & Estoril Film Festival com inúmeras obras em competição, exposições e eventos de destaque nomeadamente o simpósio internacional Ficção e realidade: para além do Big Brother.

Luísa Oliveira

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Visualização na aula de Geografia A do Projeto Diálogo Intergeracional-11ºE

Visualização na aula de Geografia A do Projeto Diálogo Intergeracional-11ºE

No Projeto Diálogo Intergeracional – Redescobrir/Reconhecer – documentários produzidos pela Direção-Geral da Educação e seus parceiros no âmbito do evento Portugal Maior – 2013 (FIL, Parque das Nações, Lisboa, de 30/11 a 8/12/2013), foram apresentados filmes reflexivos sobre a sociedade multigeracional.

Com o argumento da professora Dulce Godinho e com intervenções dos professores Vanda Rodrigues, Maria João Albuquerque e Fernando Rebelo, estes documentários versaram temáticas variadas, que se inserem nos Conteúdos Programáticos da Geografia A (10º e11º Anos)

Após visualizarmos estes documentários nas aulas e com o auxílio da nossa professora de Geografia A, decidimos abordar aspetos relativos à Família, ao Projeto de Vida, à Sustentabilidade, à Viagem e aos Territórios Humanos e Geográficos.

Integrando os Conteúdos Programáticos da Geografia A de 10º e 11º Anos, foi-nos permitido tirar algumas conclusões, que, seguidamente, apresentamos:

→ A tendência de Envelhecimento Demográfico no país é marcada pelo aumento da proporção de idosos, acompanhada pela diminuição da proporção de jovens, fenómeno este explicado por fatores interligados, como a diminuição progressiva da Taxa de Natalidade – nº de nados-vivos em cada 1000 habitantes –, a diminuição da Taxa de Mortalidade – nº de óbitos em cada 1000 habitantes – e o aumento da Esperança Média de Vida – nº de anos que, em média, se tem probabilidade de viver, devido à melhoria da qualidade de vida da população em Portugal.

Sendo um dos objetivos o estudo da população portuguesa, o Projeto Diálogo Intergeracional permitiu constatar que a Natalidade tem vindo a diminuir com o declínio da Fecundidade, devido à generalização do Planeamento Familiar, ao aumento da Taxa de Atividade Feminina, ao prolongamento da escolaridade, aos casamentos mais tardios e ao adiamento do nascimento do primeiro filho.

O Envelhecimento Demográfico também se justifica pelo aumento da Esperança Média de Vida, devido aos progressos nos cuidados médico-hospitalares e à

Maria Inês Costa e Tiago Oliveira

Maria Inês Costa e Tiago Oliveira

melhoria da alimentação.

A Taxa de Crescimento Efetivo relaciona o crescimento natural com o saldo migratório e reflete o envelhecimento demográfico do país, pois a população jovem/adulta tem emigrado nos últimos anos (ou continua a efetuar o êxodo rural). Em Portugal, têm permanecido os mais idosos.

→ É, assim, possível, constatar um duplo envelhecimento, devido à diminuição da proporção de jovens e ao aumento da proporção de idosos. Se analisarmos estes dados numa Pirâmide Etária, verificamos o estreitamento da base e o alargamento do topo, dificultando a renovação das gerações. O Índice Sintético de Fecundidade – nº médio, que apresenta um valor muito baixo em Portugal (1,3 em 2013.) O Índice de Dependência de Idosos – quociente entre o número de pessoas com 65 e mais anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos – tende, pois, a aumentar em Portugal.

Os principais problemas daí resultantes são:

  •  o acréscimo de despesas com o sistema de saúde – que poderá entrar em risco de rotura financeira, por diminuição de receitas por decréscimo de contribuintes e aumento de despesas por incremento de idosos;
  •  o acréscimo de despesas com a Segurança Social, nomeadamente os serviços sociais de apoio à população idosa;
  • o acréscimo de despesas com o pagamento de pensões e de reformas à população idosa
  • o reduzido número de ativos, que propicia a diminuição da produtividade, o espírito de iniciativa tão característico dos jovens;
  • o acréscimo de despesas com a assistência aos idosos: alojamentos adaptados à diminuição das suas capacidades, atividades de lazer, passatempos, ajudas familiares, assistentes sociais.
Geografia A - Apresentação do trabalho sobre o Projeto Diálogo Intergeracional-11ºE

Geografia A – Apresentação do trabalho sobre o Projeto Diálogo Intergeracional-11ºE

→ A resolução destes problemas poderá passar por Políticas Natalistas, em que o Estado assume um papel importante na atribuição de subsídios e na redução de impostos às famílias mais numerosas, bem como na construção de creches e de jardins-de-infância, incentivando o aumento da Natalidade.

A preocupação com a classe etária dos idosos, no sentido de valorização do seu conhecimento, das suas experiências, do ‘Saber’  e do ‘Saber-Fazer’, é crescente!

→ A partilha de conhecimentos com os adultos e com os jovens (filhos e netos) permite concretizar aprendizagens. Os mais novos adotam, muitas vezes, o gosto por algumas das atividades profissionais dos pais e dos avós (que passam de geração em geração). Constata-se, assim,  a influência, por parte dos mais idosos, na tomada de decisões futuras dos mais jovens. Estes conseguem ser melhores profissionais em atividades desempenhadas, no passado, pelos mais idosos.

→ A fixação de jovens/adultos no interior traria vantagens em termos de rejuvenescimento demográfico e progresso económico. Com a especialização dos jovens – mais instruídos e qualificados – nas mesmas áreas dos seus familiares mais idosos, dinamizar-se-ia o trabalho em parceria, e proceder-se-ia ao investimento, juntando o saber de experiência feito dos idosos, com o saber o teórico dos jovens.

→ Com a visualização do Projeto «Diálogo Intergeracional», denota-se uma preferência de alguns destes dos jovens por permanecer no interior, o que contribuir para atenuar a Litoralização, isto é, a concentração de população e de atividades económicas no litoral português ocidental, entre Setúbal e Viana do Castelo e, também, na costa meridional (Algarve). Igualmente, reduz concentração de população em dois polos: Lisboa e Porto (Bipolarização).

A fixação de jovens nas áreas rurais conduz ao dinamismo das regiões, atenuando os contrastes Litoral/Interior.

Diana Alves, Teresa Rosado, Paulo Lopes, Maria Inês Costa, Rita Caleça

Diana Alves, Teresa Rosado, Paulo Lopes, Maria Inês Costa, Rita Caleça

Assim:

Na perspetiva do Presente, concluímos da importância da Política Regional de Coesão Económica e Social no atenuar das desigualdades no país e na qualidade de vida, a fim de proporcionar as mesmas oportunidades à população.

 ► Na perspetiva do Futuro, o Projeto «Diálogo Intergeracional» permite aferir a valorização das profissões mais antigas e tradicionais, que poderão ser modernizadas, fomentando a economia das cidades do interior e atenuando as desigualdades regionais do país.

Autores (alunos que colaboraram no projeto no âmbito da disciplina de Geografia A): Ana Filipa Cândido, 11ºD, Diana Alves, Maria Inês Costa, Paulo Lopes, Rita Caleça, Teresa Rosado, 11ºE, sob a orientação da professora de Geografia A, Leonett Abrantes

Documentário realizado na BE com alunos da ESDS e seus respetivos avós no âmbito da vertente Reconhecer:

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Quando se comemora 40 anos do fim do regime repressivo do Estado Novo, justifica-se uma referência especial à curta-metragem portuguesa A Caça Revoluções, da realizadora Margarida Rêgo, coproduzida pelo Royal College of Art, que foi selecionada para integrar a Quinzena dos Realizadores de 15 a 25 de maio, em Cannes, paralelamente ao Festival de Cinema. Esta primeira obra da realizadora é uma animação experimental a partir de uma fotografia tirada durante a revolução de Abril 1974, transmitindo os sons das manifestações, comícios, canções e poemas desse momento revolucionário. O filme é dedicado a “todas as pessoas que acreditam na possibilidade de um país diferente” e antes de ser exibido na prestigiada Quinzena de Realizadores integrará a competição do festival IndieLisboa.

É igualmente de assinalar a 8ª edição do PANORAMA, que decorrerá entre  9 e 15 de maio, com um vasto e interessante reportório dirigido a todos os que se interessam pelo cinema documental português. O trabalho da realizadora Catarina Alves Costa estará em destaque, com a apresentação, na sessão de abertura, do documentário que realizou há 20 anos, Senhora Aparecida. A realizadora irá ainda orientar um workshop para alunos sobre a relação do documentário cinematográfico com a antropologia. A parceria com o Goethe-Institut Portugal e a Fundação Alfred Gerhard leva à apresentação de obras dos cineastas alemães, Alfred Ehrhardt e Hubert Fichte, que filmaram no nosso país na década de 50 e 60 do século XX, assim como a apresentação da coleção de Filmes do Göttingen Institut, realizados na década de 70, cedidos pelo Museu de Etnologia.

No que respeita a estreias, uma menção especial para o polémico Noé de Darren Aronofsky com uma visão peculiar da épica história da personagem bíblica que, neste filme é encarnada de forma intensa  por Russel Crowe, como um indivíduo com uma fé inabalável no Criador que se afasta da sociedade decadente em que vivem os descendentes de Caim e os nómadas descendentes de Seth. É uma obra de ação com incríveis efeitos especiais, filmada na Islândia, a não perder não só pelo polémico argumento, dominado pela eterna luta entre o bem e o mal, como pela interpretação do elenco de luxo em que também se destacam Anthony Hopkins, Emma Watson e Jennifer Connelly.

Também com um excelente elenco, merece menção a comédia de suspense Grand Budapest Hotel de Wes Anderson, em que sobressai Ralph Fiennes no papel de um mordomo libertino de um grandioso hotel na década de 30, época de instabilidade política, social e económica que adivinhava o terror que o mundo iria viver passado pouco tempo. Inspirado na obra de Stefan Zweig, escritor austríaco de origem judaica, descreve uma realidade idílica, imaginária no tempo.

São igualmente interessantes as adaptações de grandes obras literárias Em segredo de Charlie Stratton, a partir do romancede Émile Zola, Thérèse Raquin, sobre desencontros e paixões e O que a Maisie sabe de Alex Van Warmerdam, baseado na obra homónima de Henry James, em que Onata Aprile transmite a angústia dos filhos que são apanhados na teia das separações conjugais.

Para toda a família, recomenda-se a animação de Rio 2 de Carlos Saldanha e a comédia de enganos Marretas procuram-se de James Bobin, sequela de entretenimento com agradáveis momentos cómicos graças às interpretações de Tina Fey, Ricky Gervais e Ty Burrell, e às músicas de Céline Dion, Lady Gaga e Usher.

Salientam-se ainda três documentários imperdíveis: A imagem que falta de Rithy Panh ,O Acto de matar de Joshua Oppenheimer e A dois passos do estrelato de Morgan Neville.

O primeiro, ao apresentar figuras de plasticina na busca de uma fotografia que retrate os anos de terror em que o Camboja foi governado pelo regime do Khmer Vermelho, responsável por um terrível genocídio que vitimou cerca de dois milhões de pessoas entre 1975 e 1979, serve para relembrar esse período terrível. Recebeu o prémio Un certain regard do festival de Cannes e foi nomeado para os Óscares e prémios europeus de cinema.

O segundo, que ganhou um BAFTA e o prémio do público no festival de Berlim, revisita os massacres do golpe militar na Indonésia em 1965 com a participação voluntária dos torturadores que pertenciam aos esquadrões da morte responsáveis pela morte de 500 mil pessoas. Nesta obra perturbante estes indivíduos encenam os crimes pelos quais não foram julgados pois, além de continuarem ligados ao poder, são considerados heróis nacionais. Os dois documentários referidos revestem-se, como tal, de grande importância pois preservem a memória de períodos e locais em que os direitos humanos não eram respeitados.

Com temática diferente das obras anteriores, o terceiro documentário, que ganhou um Óscar em 2013, coloca lendas musicais e outras personalidades do mundo do espetáculo a falarem sobre a forma como os elementos dos coros que acompanham os artistas não são devidamente valorizados, nem reconhecido o seu contributo para o sucesso de muitas obras musicais.

Luísa Oliveira

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O filme A Gaiola Dourada voltou a ser notícia não só pelo êxito de bilheteira e estreia em dez países mas também à previsível exibição, em 2014, no Museu de Arte Moderna (MoMa) de Nova Iorque, no âmbito de uma semana dedicada ao tema da emigração. Quanto a iniciativas cinéfilas já realizadas, destaque para a 11ª edição do Doclisboa – Festival Internacional de Cinema que, entre 24 de outubro e 3 de novembro, exibiu 244 filmes de 40 países, somando um total de 123 longas e 121 curtas-metragens. Almada foi uma das cidades que recebeu este evento e o documentário que integrou o 30º Festival de Almada como homenagem a Joaquim Benite (1943-2012) foi agora premiado com o Prémio do Público para a melhor longa-metragem portuguesa. No Lisbon &  Estoril Film Festival (Leffest)  Fish & Cat do iraniano Shahram Mokri foi considerada a melhor das doze longas metragens em competição. Primária, curta documental do português Hugo Pedro, foi considerada a melhor das 24 curtas-metragens rodadas por alunos de escolas de Cinema de toda a Europa. Esta obra já tinha sido premiada na edição 2013 do Córtex  – Festival de Curtas-metragens de Sintra. No que respeita a próximas iniciativas, em dezembro, de 12 a 15 realiza-se, nos Cinema São Jorge e City Alvalade, a 4ª edição da Mostra de Cinema da América Latina que promete apresentar os doze melhores filmes latino-americanos. Ao longo das várias edições esta iniciativa, organizada pela Casa da América Latina em parceria com várias entidades nomeadamente o Instituto do Cinema e do Audiovisual, tem sido um evento de grande qualidade que, além do caráter intercultural que lhe é inerente visa também estimular as relações comerciais e de promoção do cinema entre Portugal e a América Latina através do contacto entre produtores e distribuidores nacionais e internacionais. Também é de assinalar que em Santa Maria da Feira de 1 a 8 realiza-se a 17ª edição do festival de cinema luso-brasileiro.

Em novembro registou-se um largo conjunto de estreias de qualidade mas assinalo as que considero mais importantes. Começo com uma obra que apresenta uma comunidade escolar como referência Nunca desistas de Daniel Barnaz em que Viola Davis e Maggie Gyllenhaal desempenham o papel de mães dinâmicas e corajosas lutando contra o burocrático e decadente ensino tradicional americano. Baseado em factos verídicos, esta obra demonstra como, através de muita persistência é possível fazer a diferença e contribuir para a mudança. Como os tempos que vivemos estão cinzentos, nada melhor que uma comédia para criar boa disposição e, nesse sentido, Malavita de Luc Besson  e produção de Martin Scorsese  é o ideal. Inspirado no romance homónimo de Tonino Benacquista, Robert de Niro e Michelle Pfeiffer estão perfeitos  no papel de ex–mafiosos colocados em França ao abrigo do Programa de Proteção de Testemunhas,  assim como Tommy Lee no do agente policial que os deveria controlar. Jogando com os estereótipos ligados ao mundo da marginalidade e às diferenças culturais francesas e americanas é uma forma diferente e original de contar histórias de mafiosos e de mostrar a violência inerente a estes argumentos. No género drama e como comemoração do 50º aniversário do assassinato do presidente ícone da América, J.F.Kennedy,  Parkland de Peter Landesman, com Tom Hanks como produtor, é uma versão interessante deste acontecimento traumático do passado recente americano. Num registo quase documental a adaptação do livro de Vincent Bugliosi, Four days in november apresenta-nos as pessoas comuns que estiveram envolvidas nos acontecimentos trágicos desse dia. Desde o médico que assistiu JFK no hospital (Zac Efron), ao próprio Lee Harvey Oswald (Jeremy Strong), o alegado atirador, também ele assassinado, bem como a sua mãe (JacWeaver), para além de vários membros do staff político e organização policial. Igualmente no âmbito de um aniversário, desta feita, do nascimento do líder comunista Álvaro Cunhal, tivemos Até amanhã, camaradas de Joaquim Leitão, readaptação para cinema da série de televisão produzida em 2005, com ação em pleno período fascista e cujo enredo acompanha um grupo de militantes comunistas que preparam uma jornada de luta, ao mesmo tempo que reorganizam o partido, então na clandestinidade. Esta obra e Lápis Azul de Rafael Antunes, documentário de ficção baseado em factos reais sobre a censura no período do Estado Novo, servem para  avivar memórias de uma época ainda mais sombria e para mostrar que, como dizia o poeta, “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”. Do mesmo modo Virgem Margarida de Lícínio Azevedo baseia-se em factos reais para retratar uma época conturbada após a descolonização de Moçambique. Numa obra de grande qualidade que tem tido reconhecimento em alguns festivais internacionais, com a atriz principal, Iva Mugalela, a receber prémios pelo seu desempenho, demonstra-se que os imperativos nacionais nem sempre se coadunam com os direitos humanos. Noutro género, o perigoso mundo do tráfico de droga, surge  O Conselheiro de Ridley Scott com argumento do premiado escritor Cormac McCarthy, que criou algumas expectativas não totalmente satisfeitas mas que se vê com agrado devido ao seu elenco de luxo onde se incluem atores como Brad Pitt, Javier Bardem, Cameron Diaz e Michael Fassender. Venus de Vison do polémico Roman Polanski abriu o Lisbon & Estoril Film Festival com a adaptação da peça de David Ives inspirada na obra de Leopold Von Sachen-Masoch de 1870 também adaptada a banda desenhada de 1985. Com ação a desenrolar-se num teatro parisiense Emmanuelle Seigner e Mathieu Amalric protagonizam um jogo de poder e sedução num filme provocador.

Estrearam-se ainda documentários que merecem uma referência: Histórias que contamos de Sarah Polley sobre segredos familiares, que tem acumulado críticas bastante positivas em vários festivais perfilando-se como um dos candidatos ao Óscar 2014 na sua categoria, e A história do cinema – uma odisseia do prestigiado realizador Mark Cousins, um autêntico guia do cinema mundial. Este documentário serve de pretexto para relembrar que a Cinemateca Portuguesa continua a prestigiar este mundo dos sonhos apresentando ciclos temáticos, obras imortais e outras iniciativas do mundo cinematográfico.

Luísa Oliveira

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O facto inédito de um aluno da ESDS, Rodrigo Perdigão, do 10ºE, participar num filme premiado levou à necessidade de uma entrevista para conhecermos melhor as circunstâncias que levaram a tornar-se protagonista do filme de João Salaviza, Rafa, vencedor do Urso de Ouro para curtas metragens no festival internacional de cinema de Berlim 2012. O filme estreia-se no circuito comercial no dia 10 maio e, por isso, podemos apreciar a prestação do Rodrigo  que  tem sido muito elogiada pelos críticos cinematográficos.

P – Como surgiu a possibilidade de participares num filme?

R – Esta experiência surgiu na noite de Santo António  de 2011, cerca das 2 hs da manhã. Estava com um grupo de amigos em Santos, Lisboa, quando duas pessoas se aproximaram dizendo que estavam a fazer uma curta-metragem  e perguntado se eu estava interessado em participar nela dado que  parecia ter o perfil da personagem principal. Concordei e indiquei os contactos dos meus encarregados de educação. Uma semana depois ligaram-me para fazer o casting e só  então acreditei verdadeiramente que poderia participar num filme.

P– Como decorreram as filmagens?

R – As filmagens correram bem pois a equipa era bastante simpática e orientadora. Ajudaram-me muito, nomeadamente, a Joana Verona (no filme “ Sónia”, irmã do “Rafa”) que também contribuiu para o sucesso da minha personagem.

Rodrigo Perdigão

P – Aspetos agradáveis e desagradáveis durante a rodagem…

R – Aspetos desagradáveis só encontro um, que era o desgaste de quatro noites sem dormir, mas como estava a fazer com agrado foram bem passadas. Os aspetos agradáveis foram muitos pois foi uma experiência marcante na minha vida – ver como se faz um filme mas principalmente o facto de ter conhecido muitas pessoas e ter feito amizades na equipa.

P – Qual a sensação de participar num filme?

R – A sensação foi estranha mas boa pois nunca tinha sido durante tanto tempo o centro das atenções  e o motivo das conversas. Muito menos ter um projeto dependente de mim pois se eu falhasse falhava a equipa comigo. Esta responsabilidade fez-me crescer muito pois comecei a ver tudo de outra maneira.

P – Pretendes continuar no meio cinematográfico ?

R – Pretendo e vou lutar para isso. O  problema é que além de não depender só de mim, o cinema português é cada vez menos apoiado pelo Estado tornando assim difícil o acolhimento de muitos atores.

Depois de esta pequena entrevista só podemos desejar que o Rodrigo continue persistente na sua vontade de singrar no cinema. 

Entrevista conduzida por Luísa Oliveira

veja aqui o trailer do filme

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Apesar das expetativas geradas pela atribuição dos Óscares, o destaque do mês vai para a cinematografia nacional. O aluno do 10º E, Rodrigo Perdigão, está de parabéns como protagonista  da curta metragem Rafa de João Salaviza que, no festival internacional de cinema de Berlim, ganhou  o Urso de Ouro. No mesmo  festival,  a longa-metragem Tabu de Miguel Gomes venceu o prémio da crítica. Mesmo assim, embora o mês tenha sido fértil em eventos ligados ao cinema, o que despertou mais atenção, foi a  84.ª edição dos Óscares, 26 fevereiro em Los Angeles. Este evento confirmou as tendências manifestadas nos inúmero festivais com os filmes O Artista e A Invenção de Hugo a ganharem, cada um, cinco estatuetas. A película de Martin Scorsese ganhou nas categorias técnicas enquanto o filme francês venceu nas outras mais importantes.
Ao arrecadar o  prémio de melhor filme, O Artista fez história pois foi a primeira vez que uma produção não a norte-americana o conseguiu. O produtor Thomas Langmann foi receber a estatueta ao palco com Michel Hazanavicius que recebera poucos minutos antes o prémio de melhor realizador e  agradeceu três vezes ao falecido realizador Billy Wilder. Jean Dujardin que interpretou a personagem do famoso “artista” que se transforma num inadaptado na mudança do cinema mudo para o sonoro, foi distinguido com o Óscar para melhor actor. A estes prémios juntaram-se ainda os de  melhor guarda-roupa e de melhor banda sonora original. Numa época em que os meios tecnológicos inundaram a indústria cinematográfica  quem adivinharia que um filme mudo, a preto e branco, se tornaria numa das obras mais nomeadas e premiadas? O certo é que esta obra seduz pela forma como celebra o cinema  ao descrever os problemas provocados pelo advento do sonoro que, substituindo  o mudo, atraia multidões ávidas de novidade. Não posso deixar de mencionar o artista canino Uggie que, pelo seu desempenho, também contribuiu para o sucesso desta película.
A Invenção de Hugo é a primeira incursão de Martin Scorsese no 3D, adaptação do livro A invenção de Hugo Cabret do escritor  norte-americano Brian Selznick. Esta obra juvenil é também um tributo a George Méliès  denominado “o pai dos efeitos especiais”.  Com  onze nomeações,  ganhou os prémios de  melhor fotografia, melhor direcção artística, melhores efeitos visuais, melhor montagem de som e melhor mistura de som. Na 17ª nomeação,  a fabulosa Meryl Streep  ganhou o terceiro Óscar da sua carreira e esse facto foi um dos pontos altos da cerimónia, tendo sido aplaudida por uma plateia de pé. A sua memorável interpretação  em A Dama de Ferro de Phyllida Lloyd, no qual deu corpo à ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher já tinha sido distinguida com um Globo de Ouro e um Bafta. Octavia Spencer de  As Serviçais ganhou o prémio para melhor atriz secundária.
Christopher Plummer, de 82 anos e 60 de carreira, tornou-se o mais velho ator galardoado com o Óscar, neste caso, para melhor actor secundário, pelo desempenho em Assim É o Amor. Woody Allen que, como é habitual, não esteve presente na cerimónia, também voltou a ser premiado pela Academia norte-americana, com o Óscar para melhor argumento original por Meia-Noite em Paris. Em relação ao melhor filme estrangeiro, como era previsível, o prémio foi para Uma separação do iraniano Asghar Farhadi. Num mês empolgante para os cinéfilos entre as várias estreias  destaco, além dos oscarizados O Artista de Michel Hazanavicius, A invenção de Hugo de Martin Scorcese e A Dama de ferro de Phyllida Lloyd, os filmes Jovem adulta de Jason Reitman e o emocionante Cavalo de guerra de Steven Spielberg.

Luísa Oliveira

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