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Posts Tagged ‘Documentário’

bichosNo mês das festas natalícias, estreiam-se alguns eventos relacionados com o cinema. Em Almada, entre os dias 10 e 13 de dezembro, o projeto Amor Rafeiro traz ao Auditório Fernando Lopes Graça, no Fórum Romeu Correia, a primeira edição de BICHOS! Animais na Sétima Arte, um ciclo de cinema dedicado aos animais, com uma programação que interessará não só aos amantes de bom cinema como a todos aqueles para quem o respeito pelos animais é uma questão de cidadania. Com exibição de produções independentes nacionais e internacionais de ficção e animação programadas para adultos, famílias e escolas, as receitas de bilheteira reverterão para a construção do futuro canil/gatil multiusos do concelho de Almada.

No Porto, de 4 a 13 dezembro, realiza-se a primeira edição do Festival Internacional de Documentário e Cinema do Real com a projecção de 52 filmes sendo 12 em competição, complementadas com várias iniciativas entre as quais a secção dedicada aos direitos humanos. No dia 11, data de aniversário de Manoel de Oliveira, será exibida a sua mais recente criação a curta-metragem “O velho do Restelo”.

No que respeita a estreias, o realce para o excelente Interstellar de Christopher Nolan que certamente, se tornará um clássico da ficção científica. A partir dos escritos do astrofísico da universidade da Califórnia, Kip Thorne, sobre mecânica quântica, viagens no tempo, buracos negros, Matthew McConaughey protagoniza uma emocionante obra que, além de uma reflexão sobre o destino da humanidade após os recursos do planeta se esgotarem, representa um hino à vida. Para quem quer passar momentos hilariantes na sala de cinema, aconselho Orgulho de Matthew Warchus, um delicioso filme baseado em factos verídicos ocorridos em Inglaterra em 1984 durante o governo de Margareth Thatcher no período de greve dos mineiros britânicos, quando estes tiveram o apoio inesperado de grupos de gays e lésbicas o que, como seria previsível, provoca situações de conflito mas também de cumplicidade. Serena, realizada por Susanne Bier em 2012 a partir da adaptação do romance homónimo de Ron Rash, apresenta, pela terceira vez, o par romântico Jennifer Lawrence e Bradley Cooper num drama ocorrido na época da Grande Depressão de 1929. Um quadro pintado em finais do século XVIII com Dido Elizabeth Belle, filha ilegítimas de um capitão da Marinha inglesa e de uma escrava negra, foi a inspiração para Belle de Amma Asante que, além do drama amoroso, descreve os preconceitos da sociedade da época e a campanha a favor da abolição da escravatura. O primeiro filme de Dan Gilroy Nightcrawler-reporter na noite é uma sarcástica reflexão sobre o papel dos media, com Jake Gyllenhaal numa interpretação magistral de um repórter freelancer que utiliza todos as estratégias para sobreviver e ascender profissionalmente num meio desprovido, inúmeras vezes, de valores éticos. Reflexão sobre um tema atual em que a comunicação social é dominada pelo sensacionalismo e manipulação com o objetivo de satisfazer um público sedento de violência e de notícias choque. Os excelentes realizadores belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne tratam, igualmente, temas atuais como a precariedade do emprego e o flagelo do desemprego em Dois dias, uma noite em que Marion Cotillard encarna, de forma brilhante e realista, uma personagem que tem um fim-de-semana para convencer os seus colegas a prescindirem de bonificações para ela manter o emprego. Diferente mas que se vê com agrado A viagem a Itália de Michael Winterbottom com Steve Coogan e Rob Brydon na adaptação de uma série da BBC sobre gastronomia e, neste caso, a italiana. A decorrer no contexto italiano a comédia Viva a liberdade de Roberto Ando. Um verão na Provença de Rose Bosch apresenta-nos uma obra sobre o confronto de gerações com a qualidade que o cinema francês nos habituou. Para os que apreciam biografias têm a possibilidade de assistir a documentários sobre músicos carismáticos do século XX com 20.000 dias na Terra de Iain Forsyth e Jane Pollard sobre Nick Cave e Get on up de Tate Taylor sobre James Brown assim como a película Saint Laurent de Bertrand Bonello sobre o homónimo estilista francês que dominou o mundo da moda. John Wick de Chad Stahelski e David Leitch apresenta acção e aventura dirigida aos inúmeros fãs de Keanu Reeves. Quando se comemora cem anos do início da 1ª guerra mundial Pontes de Sarajevo expõe curtas-metragens de treze realizadores europeus de várias gerações entre os quais Teresa Villaverde com olhares sobre a cidade que marcou o destino de milhões. Com um objetivo idêntico Rio, eu te ama uma súmula de dez curtas-metragens de igual número de realizadores sobre temas ligados à “ cidade maravilhosa”. Por fim, The hunger games: a revolta, parte 1 de Francis Lawrence continua a famosa saga baseada na trilogia dos livros de Suzanne Collins.

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Quanto a notícias sobre produções nacionais, dois filmes co-produzidos pelo Cine-Clube de Avanca foram distinguidos no evento “The Spirits of the Earth Internacional Film Festival” em Castello della Rovere na cidade italiana de Vinovo em Turim onde são apresentadas obras preocupadas com a sustentabilidade, a ecologia e a cultura. Lágrimas de um Palhaço do premiado Cláudio Sá, ganhou o Prémio de Melhor Filme de Animação, sendo o Prémio para o Melhor Filme feito por estudantes  atribuído à curta-metragem de animação Os Guardiões das Florestas, adaptação de uma obra literária de Evandro Morgado realizado por estudantes da Escola E/B 2.3 Dr. Bento Carqueja de Oliveira de Azeméis e produzido ao longo do ano escolar numa oficina orientada por animadores do Cineclube de Avanca. Fuligem, de David Doutel e Vasco Sá, venceu a 38.ª edição do Cinanima – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho na competição internacional a que concorreram dezanove países ganhando, igualmente, o prémio António Gaio a que se candidataram onze obras de realizadores portugueses de mais de trinta anos.

Luísa Oliveira

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Em outubro, no Centro Cultural de Belém, numa cerimónia dedicada à música no cinema português, realizou-se a terceira edição dos Prémios Sophia atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema. A última vez que vi Macau de  João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, venceu na categoria de Melhor Filme sendo a de  Melhor Realizador  entregue a Joaquim Leitão, pela longa-metragem Até Amanhã, Camaradas. O prémio para Melhor Atriz Principal foi atribuído a Rita Durão pela interpretação em Em segunda mão e, pelo mesmo filme, Pedro Hestnes venceu a categoria de Melhor Ator Principal.

No que respeita a estreias, o mês foi marcado por alguns filmes de qualidade destacando-se a penúltima e última obras de Alain Resnais, respetivamente, Vocês ainda não viram nada e Amar, beber e cantar. Enquanto a primeira é apresentada como uma monótona peça de teatro, a segunda, premiada no festival de Berlim, é uma adaptação de uma peça teatral de Alan Ayckbourn abordando os rumos de vida e questões ligadas à morte de um grupo de amigos. Diferente mas bastante interessante pela mistura de mitologia, história e ficção e com excelentes efeitos especiais, Drácula: a história desconhecida de Gary Shore foca a origem do famoso vampiro inspirado no reinado de terror do príncipe da Roménia do século XV, Vlad Tepes. Num excelente e sombrio policial, Liam Neeson interpreta um detetive à moda antiga em O caminho entre o bem e o mal de Scott Frank, adaptação do bestseller de Lawrence Block. Matem o mensageiro de Michael Cuesta descreve o mundo do jornalismo de investigação e, neste caso, o envolvimento da CIA no contrabando de cocaína para os EUA.

Em parte incerta marca o regresso de David Fincher com um brilhante filme adaptado da obra homónima de Gillian Flynn, em que Ben Affleck e Rosamund Pike apresentam boas interpretações numa película misteriosa recheada de ilusões e mentiras, sátira aos relacionamentos conjugais. Aproveita a vida de Henry Altmann e Phil Alden Robinson é, por seu turno, uma boa forma de relembrar o saudoso Robin Williams. De aconselhar, igualmente, obras baseadas em factos reais: O gene rosa de Steven Bernstein, biografia de duas mulheres notáveis, Annie Parker, que venceu três vezes a luta contra o cancro e a geneticista Mary-Claire King, cuja descoberta do gene BRCA do cancro da mama é considerada uma das descobertas mais importantes do século XX e A boa mentira de Philippe Falardeau, sobre o terrível drama dos refugiados da guerra do Sudão e o papel das organizações humanitárias na recuperação dos seus traumas. Brad Pitt apresenta um ótimo desempenho em Fúria de David Ayer, um excelente filme de guerra que, a partir do interior de um tanque militar, descreve a luta pela sobrevivência e o horror dos últimos dias da 2ª guerra mundial. O terror sobrenatural de qualidade está de volta com Annabelle de John R. Leonetti que tem constituído um sucesso de bilheteira.

Por fim, do realizador brasileiro João Jardim, Getúlio pode ser considerado um documentário dos últimos dias do carismático presidente brasileiro Getúlio Vargas.

Em outubro, o Doclisboa decorreu com o sucesso habitual tendo sido premiado, na competição internacional, o realizador chinês Wang Bing com a obra sobre os desfavorecidos da China atual Father and sons, enquanto na competição nacional João Pedro Plácido foi o premiado com a obra Volta à terra. Ainda neste género na X edição do festival internacional de cinema documental Extrema’Doc, em Cáceres, Espanha, o documentário Hospedaria de Pedro Neves, venceu o Prémio Transfronteira. Em novembro, de 7 a 16, realiza-se o Lisbon & Estoril Film Festival com inúmeras obras em competição, exposições e eventos de destaque nomeadamente o simpósio internacional Ficção e realidade: para além do Big Brother.

Luísa Oliveira

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Visualização na aula de Geografia A do Projeto Diálogo Intergeracional-11ºE

Visualização na aula de Geografia A do Projeto Diálogo Intergeracional-11ºE

No Projeto Diálogo Intergeracional – Redescobrir/Reconhecer – documentários produzidos pela Direção-Geral da Educação e seus parceiros no âmbito do evento Portugal Maior – 2013 (FIL, Parque das Nações, Lisboa, de 30/11 a 8/12/2013), foram apresentados filmes reflexivos sobre a sociedade multigeracional.

Com o argumento da professora Dulce Godinho e com intervenções dos professores Vanda Rodrigues, Maria João Albuquerque e Fernando Rebelo, estes documentários versaram temáticas variadas, que se inserem nos Conteúdos Programáticos da Geografia A (10º e11º Anos)

Após visualizarmos estes documentários nas aulas e com o auxílio da nossa professora de Geografia A, decidimos abordar aspetos relativos à Família, ao Projeto de Vida, à Sustentabilidade, à Viagem e aos Territórios Humanos e Geográficos.

Integrando os Conteúdos Programáticos da Geografia A de 10º e 11º Anos, foi-nos permitido tirar algumas conclusões, que, seguidamente, apresentamos:

→ A tendência de Envelhecimento Demográfico no país é marcada pelo aumento da proporção de idosos, acompanhada pela diminuição da proporção de jovens, fenómeno este explicado por fatores interligados, como a diminuição progressiva da Taxa de Natalidade – nº de nados-vivos em cada 1000 habitantes –, a diminuição da Taxa de Mortalidade – nº de óbitos em cada 1000 habitantes – e o aumento da Esperança Média de Vida – nº de anos que, em média, se tem probabilidade de viver, devido à melhoria da qualidade de vida da população em Portugal.

Sendo um dos objetivos o estudo da população portuguesa, o Projeto Diálogo Intergeracional permitiu constatar que a Natalidade tem vindo a diminuir com o declínio da Fecundidade, devido à generalização do Planeamento Familiar, ao aumento da Taxa de Atividade Feminina, ao prolongamento da escolaridade, aos casamentos mais tardios e ao adiamento do nascimento do primeiro filho.

O Envelhecimento Demográfico também se justifica pelo aumento da Esperança Média de Vida, devido aos progressos nos cuidados médico-hospitalares e à

Maria Inês Costa e Tiago Oliveira

Maria Inês Costa e Tiago Oliveira

melhoria da alimentação.

A Taxa de Crescimento Efetivo relaciona o crescimento natural com o saldo migratório e reflete o envelhecimento demográfico do país, pois a população jovem/adulta tem emigrado nos últimos anos (ou continua a efetuar o êxodo rural). Em Portugal, têm permanecido os mais idosos.

→ É, assim, possível, constatar um duplo envelhecimento, devido à diminuição da proporção de jovens e ao aumento da proporção de idosos. Se analisarmos estes dados numa Pirâmide Etária, verificamos o estreitamento da base e o alargamento do topo, dificultando a renovação das gerações. O Índice Sintético de Fecundidade – nº médio, que apresenta um valor muito baixo em Portugal (1,3 em 2013.) O Índice de Dependência de Idosos – quociente entre o número de pessoas com 65 e mais anos e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos – tende, pois, a aumentar em Portugal.

Os principais problemas daí resultantes são:

  •  o acréscimo de despesas com o sistema de saúde – que poderá entrar em risco de rotura financeira, por diminuição de receitas por decréscimo de contribuintes e aumento de despesas por incremento de idosos;
  •  o acréscimo de despesas com a Segurança Social, nomeadamente os serviços sociais de apoio à população idosa;
  • o acréscimo de despesas com o pagamento de pensões e de reformas à população idosa
  • o reduzido número de ativos, que propicia a diminuição da produtividade, o espírito de iniciativa tão característico dos jovens;
  • o acréscimo de despesas com a assistência aos idosos: alojamentos adaptados à diminuição das suas capacidades, atividades de lazer, passatempos, ajudas familiares, assistentes sociais.
Geografia A - Apresentação do trabalho sobre o Projeto Diálogo Intergeracional-11ºE

Geografia A – Apresentação do trabalho sobre o Projeto Diálogo Intergeracional-11ºE

→ A resolução destes problemas poderá passar por Políticas Natalistas, em que o Estado assume um papel importante na atribuição de subsídios e na redução de impostos às famílias mais numerosas, bem como na construção de creches e de jardins-de-infância, incentivando o aumento da Natalidade.

A preocupação com a classe etária dos idosos, no sentido de valorização do seu conhecimento, das suas experiências, do ‘Saber’  e do ‘Saber-Fazer’, é crescente!

→ A partilha de conhecimentos com os adultos e com os jovens (filhos e netos) permite concretizar aprendizagens. Os mais novos adotam, muitas vezes, o gosto por algumas das atividades profissionais dos pais e dos avós (que passam de geração em geração). Constata-se, assim,  a influência, por parte dos mais idosos, na tomada de decisões futuras dos mais jovens. Estes conseguem ser melhores profissionais em atividades desempenhadas, no passado, pelos mais idosos.

→ A fixação de jovens/adultos no interior traria vantagens em termos de rejuvenescimento demográfico e progresso económico. Com a especialização dos jovens – mais instruídos e qualificados – nas mesmas áreas dos seus familiares mais idosos, dinamizar-se-ia o trabalho em parceria, e proceder-se-ia ao investimento, juntando o saber de experiência feito dos idosos, com o saber o teórico dos jovens.

→ Com a visualização do Projeto «Diálogo Intergeracional», denota-se uma preferência de alguns destes dos jovens por permanecer no interior, o que contribuir para atenuar a Litoralização, isto é, a concentração de população e de atividades económicas no litoral português ocidental, entre Setúbal e Viana do Castelo e, também, na costa meridional (Algarve). Igualmente, reduz concentração de população em dois polos: Lisboa e Porto (Bipolarização).

A fixação de jovens nas áreas rurais conduz ao dinamismo das regiões, atenuando os contrastes Litoral/Interior.

Diana Alves, Teresa Rosado, Paulo Lopes, Maria Inês Costa, Rita Caleça

Diana Alves, Teresa Rosado, Paulo Lopes, Maria Inês Costa, Rita Caleça

Assim:

Na perspetiva do Presente, concluímos da importância da Política Regional de Coesão Económica e Social no atenuar das desigualdades no país e na qualidade de vida, a fim de proporcionar as mesmas oportunidades à população.

 ► Na perspetiva do Futuro, o Projeto «Diálogo Intergeracional» permite aferir a valorização das profissões mais antigas e tradicionais, que poderão ser modernizadas, fomentando a economia das cidades do interior e atenuando as desigualdades regionais do país.

Autores (alunos que colaboraram no projeto no âmbito da disciplina de Geografia A): Ana Filipa Cândido, 11ºD, Diana Alves, Maria Inês Costa, Paulo Lopes, Rita Caleça, Teresa Rosado, 11ºE, sob a orientação da professora de Geografia A, Leonett Abrantes

Documentário realizado na BE com alunos da ESDS e seus respetivos avós no âmbito da vertente Reconhecer:

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Quando se comemora 40 anos do fim do regime repressivo do Estado Novo, justifica-se uma referência especial à curta-metragem portuguesa A Caça Revoluções, da realizadora Margarida Rêgo, coproduzida pelo Royal College of Art, que foi selecionada para integrar a Quinzena dos Realizadores de 15 a 25 de maio, em Cannes, paralelamente ao Festival de Cinema. Esta primeira obra da realizadora é uma animação experimental a partir de uma fotografia tirada durante a revolução de Abril 1974, transmitindo os sons das manifestações, comícios, canções e poemas desse momento revolucionário. O filme é dedicado a “todas as pessoas que acreditam na possibilidade de um país diferente” e antes de ser exibido na prestigiada Quinzena de Realizadores integrará a competição do festival IndieLisboa.

É igualmente de assinalar a 8ª edição do PANORAMA, que decorrerá entre  9 e 15 de maio, com um vasto e interessante reportório dirigido a todos os que se interessam pelo cinema documental português. O trabalho da realizadora Catarina Alves Costa estará em destaque, com a apresentação, na sessão de abertura, do documentário que realizou há 20 anos, Senhora Aparecida. A realizadora irá ainda orientar um workshop para alunos sobre a relação do documentário cinematográfico com a antropologia. A parceria com o Goethe-Institut Portugal e a Fundação Alfred Gerhard leva à apresentação de obras dos cineastas alemães, Alfred Ehrhardt e Hubert Fichte, que filmaram no nosso país na década de 50 e 60 do século XX, assim como a apresentação da coleção de Filmes do Göttingen Institut, realizados na década de 70, cedidos pelo Museu de Etnologia.

No que respeita a estreias, uma menção especial para o polémico Noé de Darren Aronofsky com uma visão peculiar da épica história da personagem bíblica que, neste filme é encarnada de forma intensa  por Russel Crowe, como um indivíduo com uma fé inabalável no Criador que se afasta da sociedade decadente em que vivem os descendentes de Caim e os nómadas descendentes de Seth. É uma obra de ação com incríveis efeitos especiais, filmada na Islândia, a não perder não só pelo polémico argumento, dominado pela eterna luta entre o bem e o mal, como pela interpretação do elenco de luxo em que também se destacam Anthony Hopkins, Emma Watson e Jennifer Connelly.

Também com um excelente elenco, merece menção a comédia de suspense Grand Budapest Hotel de Wes Anderson, em que sobressai Ralph Fiennes no papel de um mordomo libertino de um grandioso hotel na década de 30, época de instabilidade política, social e económica que adivinhava o terror que o mundo iria viver passado pouco tempo. Inspirado na obra de Stefan Zweig, escritor austríaco de origem judaica, descreve uma realidade idílica, imaginária no tempo.

São igualmente interessantes as adaptações de grandes obras literárias Em segredo de Charlie Stratton, a partir do romancede Émile Zola, Thérèse Raquin, sobre desencontros e paixões e O que a Maisie sabe de Alex Van Warmerdam, baseado na obra homónima de Henry James, em que Onata Aprile transmite a angústia dos filhos que são apanhados na teia das separações conjugais.

Para toda a família, recomenda-se a animação de Rio 2 de Carlos Saldanha e a comédia de enganos Marretas procuram-se de James Bobin, sequela de entretenimento com agradáveis momentos cómicos graças às interpretações de Tina Fey, Ricky Gervais e Ty Burrell, e às músicas de Céline Dion, Lady Gaga e Usher.

Salientam-se ainda três documentários imperdíveis: A imagem que falta de Rithy Panh ,O Acto de matar de Joshua Oppenheimer e A dois passos do estrelato de Morgan Neville.

O primeiro, ao apresentar figuras de plasticina na busca de uma fotografia que retrate os anos de terror em que o Camboja foi governado pelo regime do Khmer Vermelho, responsável por um terrível genocídio que vitimou cerca de dois milhões de pessoas entre 1975 e 1979, serve para relembrar esse período terrível. Recebeu o prémio Un certain regard do festival de Cannes e foi nomeado para os Óscares e prémios europeus de cinema.

O segundo, que ganhou um BAFTA e o prémio do público no festival de Berlim, revisita os massacres do golpe militar na Indonésia em 1965 com a participação voluntária dos torturadores que pertenciam aos esquadrões da morte responsáveis pela morte de 500 mil pessoas. Nesta obra perturbante estes indivíduos encenam os crimes pelos quais não foram julgados pois, além de continuarem ligados ao poder, são considerados heróis nacionais. Os dois documentários referidos revestem-se, como tal, de grande importância pois preservem a memória de períodos e locais em que os direitos humanos não eram respeitados.

Com temática diferente das obras anteriores, o terceiro documentário, que ganhou um Óscar em 2013, coloca lendas musicais e outras personalidades do mundo do espetáculo a falarem sobre a forma como os elementos dos coros que acompanham os artistas não são devidamente valorizados, nem reconhecido o seu contributo para o sucesso de muitas obras musicais.

Luísa Oliveira

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O filme A Gaiola Dourada voltou a ser notícia não só pelo êxito de bilheteira e estreia em dez países mas também à previsível exibição, em 2014, no Museu de Arte Moderna (MoMa) de Nova Iorque, no âmbito de uma semana dedicada ao tema da emigração. Quanto a iniciativas cinéfilas já realizadas, destaque para a 11ª edição do Doclisboa – Festival Internacional de Cinema que, entre 24 de outubro e 3 de novembro, exibiu 244 filmes de 40 países, somando um total de 123 longas e 121 curtas-metragens. Almada foi uma das cidades que recebeu este evento e o documentário que integrou o 30º Festival de Almada como homenagem a Joaquim Benite (1943-2012) foi agora premiado com o Prémio do Público para a melhor longa-metragem portuguesa. No Lisbon &  Estoril Film Festival (Leffest)  Fish & Cat do iraniano Shahram Mokri foi considerada a melhor das doze longas metragens em competição. Primária, curta documental do português Hugo Pedro, foi considerada a melhor das 24 curtas-metragens rodadas por alunos de escolas de Cinema de toda a Europa. Esta obra já tinha sido premiada na edição 2013 do Córtex  – Festival de Curtas-metragens de Sintra. No que respeita a próximas iniciativas, em dezembro, de 12 a 15 realiza-se, nos Cinema São Jorge e City Alvalade, a 4ª edição da Mostra de Cinema da América Latina que promete apresentar os doze melhores filmes latino-americanos. Ao longo das várias edições esta iniciativa, organizada pela Casa da América Latina em parceria com várias entidades nomeadamente o Instituto do Cinema e do Audiovisual, tem sido um evento de grande qualidade que, além do caráter intercultural que lhe é inerente visa também estimular as relações comerciais e de promoção do cinema entre Portugal e a América Latina através do contacto entre produtores e distribuidores nacionais e internacionais. Também é de assinalar que em Santa Maria da Feira de 1 a 8 realiza-se a 17ª edição do festival de cinema luso-brasileiro.

Em novembro registou-se um largo conjunto de estreias de qualidade mas assinalo as que considero mais importantes. Começo com uma obra que apresenta uma comunidade escolar como referência Nunca desistas de Daniel Barnaz em que Viola Davis e Maggie Gyllenhaal desempenham o papel de mães dinâmicas e corajosas lutando contra o burocrático e decadente ensino tradicional americano. Baseado em factos verídicos, esta obra demonstra como, através de muita persistência é possível fazer a diferença e contribuir para a mudança. Como os tempos que vivemos estão cinzentos, nada melhor que uma comédia para criar boa disposição e, nesse sentido, Malavita de Luc Besson  e produção de Martin Scorsese  é o ideal. Inspirado no romance homónimo de Tonino Benacquista, Robert de Niro e Michelle Pfeiffer estão perfeitos  no papel de ex–mafiosos colocados em França ao abrigo do Programa de Proteção de Testemunhas,  assim como Tommy Lee no do agente policial que os deveria controlar. Jogando com os estereótipos ligados ao mundo da marginalidade e às diferenças culturais francesas e americanas é uma forma diferente e original de contar histórias de mafiosos e de mostrar a violência inerente a estes argumentos. No género drama e como comemoração do 50º aniversário do assassinato do presidente ícone da América, J.F.Kennedy,  Parkland de Peter Landesman, com Tom Hanks como produtor, é uma versão interessante deste acontecimento traumático do passado recente americano. Num registo quase documental a adaptação do livro de Vincent Bugliosi, Four days in november apresenta-nos as pessoas comuns que estiveram envolvidas nos acontecimentos trágicos desse dia. Desde o médico que assistiu JFK no hospital (Zac Efron), ao próprio Lee Harvey Oswald (Jeremy Strong), o alegado atirador, também ele assassinado, bem como a sua mãe (JacWeaver), para além de vários membros do staff político e organização policial. Igualmente no âmbito de um aniversário, desta feita, do nascimento do líder comunista Álvaro Cunhal, tivemos Até amanhã, camaradas de Joaquim Leitão, readaptação para cinema da série de televisão produzida em 2005, com ação em pleno período fascista e cujo enredo acompanha um grupo de militantes comunistas que preparam uma jornada de luta, ao mesmo tempo que reorganizam o partido, então na clandestinidade. Esta obra e Lápis Azul de Rafael Antunes, documentário de ficção baseado em factos reais sobre a censura no período do Estado Novo, servem para  avivar memórias de uma época ainda mais sombria e para mostrar que, como dizia o poeta, “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”. Do mesmo modo Virgem Margarida de Lícínio Azevedo baseia-se em factos reais para retratar uma época conturbada após a descolonização de Moçambique. Numa obra de grande qualidade que tem tido reconhecimento em alguns festivais internacionais, com a atriz principal, Iva Mugalela, a receber prémios pelo seu desempenho, demonstra-se que os imperativos nacionais nem sempre se coadunam com os direitos humanos. Noutro género, o perigoso mundo do tráfico de droga, surge  O Conselheiro de Ridley Scott com argumento do premiado escritor Cormac McCarthy, que criou algumas expectativas não totalmente satisfeitas mas que se vê com agrado devido ao seu elenco de luxo onde se incluem atores como Brad Pitt, Javier Bardem, Cameron Diaz e Michael Fassender. Venus de Vison do polémico Roman Polanski abriu o Lisbon & Estoril Film Festival com a adaptação da peça de David Ives inspirada na obra de Leopold Von Sachen-Masoch de 1870 também adaptada a banda desenhada de 1985. Com ação a desenrolar-se num teatro parisiense Emmanuelle Seigner e Mathieu Amalric protagonizam um jogo de poder e sedução num filme provocador.

Estrearam-se ainda documentários que merecem uma referência: Histórias que contamos de Sarah Polley sobre segredos familiares, que tem acumulado críticas bastante positivas em vários festivais perfilando-se como um dos candidatos ao Óscar 2014 na sua categoria, e A história do cinema – uma odisseia do prestigiado realizador Mark Cousins, um autêntico guia do cinema mundial. Este documentário serve de pretexto para relembrar que a Cinemateca Portuguesa continua a prestigiar este mundo dos sonhos apresentando ciclos temáticos, obras imortais e outras iniciativas do mundo cinematográfico.

Luísa Oliveira

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O facto inédito de um aluno da ESDS, Rodrigo Perdigão, do 10ºE, participar num filme premiado levou à necessidade de uma entrevista para conhecermos melhor as circunstâncias que levaram a tornar-se protagonista do filme de João Salaviza, Rafa, vencedor do Urso de Ouro para curtas metragens no festival internacional de cinema de Berlim 2012. O filme estreia-se no circuito comercial no dia 10 maio e, por isso, podemos apreciar a prestação do Rodrigo  que  tem sido muito elogiada pelos críticos cinematográficos.

P – Como surgiu a possibilidade de participares num filme?

R – Esta experiência surgiu na noite de Santo António  de 2011, cerca das 2 hs da manhã. Estava com um grupo de amigos em Santos, Lisboa, quando duas pessoas se aproximaram dizendo que estavam a fazer uma curta-metragem  e perguntado se eu estava interessado em participar nela dado que  parecia ter o perfil da personagem principal. Concordei e indiquei os contactos dos meus encarregados de educação. Uma semana depois ligaram-me para fazer o casting e só  então acreditei verdadeiramente que poderia participar num filme.

P– Como decorreram as filmagens?

R – As filmagens correram bem pois a equipa era bastante simpática e orientadora. Ajudaram-me muito, nomeadamente, a Joana Verona (no filme “ Sónia”, irmã do “Rafa”) que também contribuiu para o sucesso da minha personagem.

Rodrigo Perdigão

P – Aspetos agradáveis e desagradáveis durante a rodagem…

R – Aspetos desagradáveis só encontro um, que era o desgaste de quatro noites sem dormir, mas como estava a fazer com agrado foram bem passadas. Os aspetos agradáveis foram muitos pois foi uma experiência marcante na minha vida – ver como se faz um filme mas principalmente o facto de ter conhecido muitas pessoas e ter feito amizades na equipa.

P – Qual a sensação de participar num filme?

R – A sensação foi estranha mas boa pois nunca tinha sido durante tanto tempo o centro das atenções  e o motivo das conversas. Muito menos ter um projeto dependente de mim pois se eu falhasse falhava a equipa comigo. Esta responsabilidade fez-me crescer muito pois comecei a ver tudo de outra maneira.

P – Pretendes continuar no meio cinematográfico ?

R – Pretendo e vou lutar para isso. O  problema é que além de não depender só de mim, o cinema português é cada vez menos apoiado pelo Estado tornando assim difícil o acolhimento de muitos atores.

Depois de esta pequena entrevista só podemos desejar que o Rodrigo continue persistente na sua vontade de singrar no cinema. 

Entrevista conduzida por Luísa Oliveira

veja aqui o trailer do filme

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Apesar das expetativas geradas pela atribuição dos Óscares, o destaque do mês vai para a cinematografia nacional. O aluno do 10º E, Rodrigo Perdigão, está de parabéns como protagonista  da curta metragem Rafa de João Salaviza que, no festival internacional de cinema de Berlim, ganhou  o Urso de Ouro. No mesmo  festival,  a longa-metragem Tabu de Miguel Gomes venceu o prémio da crítica. Mesmo assim, embora o mês tenha sido fértil em eventos ligados ao cinema, o que despertou mais atenção, foi a  84.ª edição dos Óscares, 26 fevereiro em Los Angeles. Este evento confirmou as tendências manifestadas nos inúmero festivais com os filmes O Artista e A Invenção de Hugo a ganharem, cada um, cinco estatuetas. A película de Martin Scorsese ganhou nas categorias técnicas enquanto o filme francês venceu nas outras mais importantes.
Ao arrecadar o  prémio de melhor filme, O Artista fez história pois foi a primeira vez que uma produção não a norte-americana o conseguiu. O produtor Thomas Langmann foi receber a estatueta ao palco com Michel Hazanavicius que recebera poucos minutos antes o prémio de melhor realizador e  agradeceu três vezes ao falecido realizador Billy Wilder. Jean Dujardin que interpretou a personagem do famoso “artista” que se transforma num inadaptado na mudança do cinema mudo para o sonoro, foi distinguido com o Óscar para melhor actor. A estes prémios juntaram-se ainda os de  melhor guarda-roupa e de melhor banda sonora original. Numa época em que os meios tecnológicos inundaram a indústria cinematográfica  quem adivinharia que um filme mudo, a preto e branco, se tornaria numa das obras mais nomeadas e premiadas? O certo é que esta obra seduz pela forma como celebra o cinema  ao descrever os problemas provocados pelo advento do sonoro que, substituindo  o mudo, atraia multidões ávidas de novidade. Não posso deixar de mencionar o artista canino Uggie que, pelo seu desempenho, também contribuiu para o sucesso desta película.
A Invenção de Hugo é a primeira incursão de Martin Scorsese no 3D, adaptação do livro A invenção de Hugo Cabret do escritor  norte-americano Brian Selznick. Esta obra juvenil é também um tributo a George Méliès  denominado “o pai dos efeitos especiais”.  Com  onze nomeações,  ganhou os prémios de  melhor fotografia, melhor direcção artística, melhores efeitos visuais, melhor montagem de som e melhor mistura de som. Na 17ª nomeação,  a fabulosa Meryl Streep  ganhou o terceiro Óscar da sua carreira e esse facto foi um dos pontos altos da cerimónia, tendo sido aplaudida por uma plateia de pé. A sua memorável interpretação  em A Dama de Ferro de Phyllida Lloyd, no qual deu corpo à ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher já tinha sido distinguida com um Globo de Ouro e um Bafta. Octavia Spencer de  As Serviçais ganhou o prémio para melhor atriz secundária.
Christopher Plummer, de 82 anos e 60 de carreira, tornou-se o mais velho ator galardoado com o Óscar, neste caso, para melhor actor secundário, pelo desempenho em Assim É o Amor. Woody Allen que, como é habitual, não esteve presente na cerimónia, também voltou a ser premiado pela Academia norte-americana, com o Óscar para melhor argumento original por Meia-Noite em Paris. Em relação ao melhor filme estrangeiro, como era previsível, o prémio foi para Uma separação do iraniano Asghar Farhadi. Num mês empolgante para os cinéfilos entre as várias estreias  destaco, além dos oscarizados O Artista de Michel Hazanavicius, A invenção de Hugo de Martin Scorcese e A Dama de ferro de Phyllida Lloyd, os filmes Jovem adulta de Jason Reitman e o emocionante Cavalo de guerra de Steven Spielberg.

Luísa Oliveira

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Janeiro, como sempre, foi marcado não só pela azáfama de entrega de prémios pelos organismos ligados ao cinema como também pelas nomeações dos candidatos aos Óscares. Começo pelos Globos de Ouro que, desde 1944, são os prémios mais importantes da indústria cinematográfica a seguir aos Óscares, servindo como um importante barómetro para os ambicionados galardões. Os vencedores são eleitos por um grupo de cerca de cem jornalistas internacionais que trabalham em Hollywood. Tendo como anfitrião o humorista Rick Gervais que, nesta edição, não causou polémica, a cerimónia de entrega dos Globos de Ouro norte-americanos encheu de estrelas o salão do Hotel Beverly Hilton, em Los Angeles. O grande vencedor foi o filme francês mudo, a preto e branco, O Artista de Michel Hazanavicius, que arrecadou um total de três globos, seguido de Os Descendentes, com duas estatuetas. O Sindicatos dos Realizadores dos E.U.A. (Directors Guild Awards) também atribuiu a Michel Hazanavicius o galardão máximo.

Desde a sua estreia no festival de Cannes 2011, O Artista tem sido aclamado pela crítica e acumulado prémios. Mas na 18º Gala do Sindicato de Atores de Hollywood (Screen Actors Guild Awards) As Serviçais foi o filme vencedor, embora o prémio de Melhor Ator tenha sido atribuído ao francês Jean Dujardin, protagonista de O Artista.

Na 23ª edição dos prémios do sindicato dos produtores norte-americanos (PGA – Producers Guild of America) O Artista ganhou o prémio de melhor filme confirmando, assim, o estatuto de grande candidato aos Óscares. Nos últimos quatro anos a escolha do prémio de melhor filme da PGA e da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood foi coincidente. Por isso, sem surpresas, O Artista é o favorito da corrida aos Óscares 2012 com dez nomeações.Além do facto de ser uma produção estrangeira, embora rodada, em parte, em território americano e com equipa americana é o único filme que está presente em três das quatro categorias principais – melhor filme, melhor realizador e melhor actor.

Porém, A Invenção de Hugo do emblemático Martin Scorsese recebeu o maior número de nomeações: onze no total, entre as quais melhor filme, melhor realizador e melhor argumento adaptado. As restantes oito, contudo, foram-no apenas em categorias técnicas. Adivinha-se, como tal, uma disputa renhida para o dia 26 fevereiro, em Los Angeles.

As obras portuguesas não foram nomeadas gorando-se, mais uma vez, as expetativas geradas. Mas, apesar desta desilusão, sempre vão aparecendo algumas notícias animadoras. É na Terra, não é na Lua, o filme de Gonçalo Tocha, foi considerado pelos críticos da revista americana ‘Cinemascope’ como um dos melhores filmes de 2011. Relembro que este filme venceu a última edição do DocLisboa e tinha já recebido uma menção honrosa no Festival de Locarno. Trata-se de um documentário sobre a vida na ilha açoriana do Corvo. Água Fria, curta-metragem do jornalista Pedro Neves e Fado do homem crescido de Pedro Brito estão entre os finalistas do festival francês de Clermont – Ferrand, considerado o maior festival do mundo de curtas-metragens e o segundo mais importante do cinema francês após Cannes. Entre as milhares de candidaturas só 77 foram escolhidas para a competição internacional que se realiza até 4 fevereiro. Finalmente, a curta metragem Rafa do jovem realizador João Salaviza foi selecionada para concurso na secção Shorts II do festival internacional de cinema de Berlim. Mérito também do aluno Rodrigo Perdigão da turma 10º E que faz parte do elenco. No que respeita às estreias do mês, começo pelo documentário A Gruta dos Sonhos Perdidos de Werner Herzog que nos mostra as espetaculares Grutas Chauvet, localizadas no sul da França.

A cinematografia francesa esteve presente com os dramas Três vezes 20 anos de Julie Gravas,  Imperdoáveis de André Téchiné, Apollonide – memórias de um bordel de Bertrand Bonello, a comédia Uma pequena zona de turbulência de Alfred Lot e o emocionante The Lady de Luc Besson, biografia da ativista birmanesa Aung San Sui Kyi e do marido Michael Aris. Destaque especial para Polissia de Maiwenn le Besco, prémio do júri para Melhor filme do festival de Cannes 2011 e que tem treze nomeações para os Césares 2012. Menção ainda aos aos trilhers/ação e dramas sempre do agrado de muitos: O Espião Fantasma de Michael Brandt, Sherlock Holmes: Jogo de Sombras de Guy Ritchie, Um homem no limite de Asger Leth, Underworld: o despertar de Bjorn Stein e Mans Marlind, Warrior – combate entre irmãos de Gain O`Connor, A minha semana com Marilyn de Simon Curtis, baseado no livro homónimo de Colin Clark e Martha Marcy May Marlene de Sean Durkin. Os fãs da triologia Millenium do falecido escritor sueco Stieg Larsson têm disponível a adaptação de David Fincher Millenium 1 – os homens que odeiam as mulheres – pessoalmente, prefiro o filme sueco de 2009.

No campo do terror A hora mais negra de Chris Gorak, Tucker & Dale contra o mal de Eli Craig e de comédia O idiota do nosso irmão de Jesse Peretz merecem umam referência. Da Grécia, e galardoado com o prémio de melhor actriz do festival de Veneza, o inquietante Attenberg de Athina Rachel Tsangari e, do Brasil, País do desejo de Paulo Caldas.

Clint Eastwood estreou a obra J. Edgar sobre o enigmático e todo–poderoso chefe do FBI que, sem dúvida, é símbolo de uma época. Referência para filmes que também estão na corrida aos Óscares: Moneyball – jogada de risco de Bennett Miller, biografia de Billy Beane, diretor da equipa de basebol Oakland Athletics e Os descendentes de Alexander Payne, adaptação da primeira obra da escritora Kaui Hart Henmmings. Estes dois filmes podem dar prémios, respetivamente, a Brad Pitt e George Clooney.

No próximo mês, os grandes acontecimentos serão o festival internacional de cinema de Berlim, a entrega dos Césares, prémios da Academia francesa, e a cerimónia dos Óscares no Teatro Kodak em Los Angeles.

Para quem se interessa pelos eventos no concelho de Almada, aconselho a consulta das agendas da C.M.A. Assim, além de filmes de qualidade exibidos no Auditório Fernando Lopes-Graça do Fórum Municipal Romeu Correia, também é possível assistir a ciclos de cinema. De 11 a 25 vai decorrer na sala Pablo Neruda do referido Fórum um ciclo de filmes dedicado ao realizador norte-americano Michael Moore, organizado pela Associação dos Amigos da Cidade de Almada. Consulta mais pormenorizada em www.m-almada.pt e www.almadadigital.pt.

Luísa Oliveira

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O destaque do mês vai, sem dúvida, para o filme de João Canijo, Sangue do meu sangue. Representa um exemplo do cinema nacional de qualidade, um ótimo filme com excelentes prestações de atores, distinguindo-se Rita Blanco. Também português, é o filme de terror O Barão  de Edgar Pêra, adaptação do livro homónimo de Branquinho da Fonseca. No documentário O meu Raul, de Patrícia Vasconcelos, é possível recordar o saudoso Raul Solnado.

Com uma vasta campanha de promoção, a estreia do mês é  As aventuras de Tintim, o segredo do Licorne, realizado em imagem real por Steven Spielberg e transporto para animação, com captura de movimento em 3D, pelo produtor Peter Jackson. Este primeiro filme de uma trilogia baseia-se nos álbuns O segredo do Licorne e o tesouro de Rackham, o terrível.

São também de destacar os filmes  Submarino de Richard Ayoade, uma agradável surpresa do cinema inglês, o romeno Terça, depois do natal de Radu Muntean e o emocionante Serviçais de Tate Taylor, baseado no bestseller de Kathryn Stockett The Help. Com ação no Mississipi racista dos anos 60, relata  factos verídicos  da luta pelos direitos civis de minorias étnicas.

Nas comédias  distinguiu-se a sátira a 007 com Rowan Atkinson (o impagável Mr. Bean) no  papel de um  espião pouco ortodoxo em O regresso de Johnny English de Oliver Parker .

O romantismo está presente nos filmes A lista dos Ex de Mark Mylod, Românticos Anónimos de Jean Pierre Améris e Não sei como ela consegue de Douglas McGrath.

Do conjunto de filmes de terror fazem parte  Medo profundo em 3D de David R. Ellis,  Contágio de Steven Soderbergh,  Não tenhas medo do escuro  de  Troy Nixey e Atividade Paranormal 3 de Ariel Schulman e Henry Joost.

A merecer alguma atenção Identidade secreta de John Singleton, A outra verdade de Ken Loach, o brasileiro No meu lugar de Eduardo Valente, Incendies – a mulher que canta de Denis Villeneuve, Pater de Alain Cavalier e a nova versão do  famoso clássico de Alexandre Dumas, agora em 3D,  Os três mosqueteiros   de W.S.Anderson.

Quanto a estreias, termino com a referência ao documentário sobre o emblemático cabaret parisiense Crazy Horse de Frederick Wiseman, também apresentado na abertura do Doclisboa 2011. Nesta edição, o vencedor  do Grande Prémio da Cidade de Lisboa  foi a obra de Gonçalo Tocha  É na terra não é na lua, filmada na ilha açoriana do Corvo.

Ainda em Lisboa, os apreciadores do cinema alemão  podem usufruir de sessões gratuitas na biblioteca do Goethe Institut, quinzenalmente, a partir das 19:30 e, de 4 a 13 novembro, realiza-se o Lisbon & Estoril Film Festival. A extensa e preenchida programação poderá ser consultada em http://www.leffest.com.

Uma questão muitas vezes debatida no mundo lusófono é a criação de um mercado comum de cinema. Sérgio Sá Leitão, presidente do festival internacional do Rio de Janeiro, deu o apoio público a  esta iniciativa. A crise  será a justificação para o projeto não avançar?

Infelizmente, em outubro, foi novamente notícia a contínua perseguição a actores e realizadores no Irão. A atriz Marzieh Vafamehr foi condenada a 1 ano de prisão e 90 chibatadas  por ter protagonizado um filmes sobre a situação das mulheres naquele país, enquanto o cineasta Jafar Panahi viu confirmada a condenação a seis anos de prisão e proibição de viajar, realizar filmes e dar entrevistas durante vinte anos.

Luísa Oliveira

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Para os cinéfilos o documentário não é um género menor do universo cinematográfico. Como tal, o Doclisboa, festival internacional de cinema, que neste ano comemora a IX edição, é um acontecimento marcante do mês de outubro e da vida cultural da cidade de Lisboa. O crescente número de espetadores demonstra o sucesso deste festival que, ano após ano, se vem afirmando no panorama nacional. Tal é fruto do trabalho competente dos organizadores que conciliam a qualidade dos documentários exibidos com as inúmeras atividades paralelas e de caráter pedagógico como debates, workshops, festas…

Nesta edição, de 20 a 30 outubro, as projeções dividem-se pela Culturgest, Cinemateca, cinemas Londres, S. Jorge, City Campo Pequeno (projeção em 3D) e Teatro do Bairro. Naturalmente, a crise que atravessamos revela-se em algumas mudanças relativamente a edições anteriores, pois há um número menor de obras exibidas e concentradas em menos salas.

Entre os 172 filmes de 33 países o destaque vai para as projeções ligadas à guerra colonial e, em concreto, aos movimentos de libertação em Moçambique, Angola e Guiné-Bissau. A reflexão sobre a guerra colonial e a descolonização faz-se através do olhar de diversos cineastas que apresentam o quotidiano da guerra tanto a nível da atividade militar como na criação de estruturas de uma sociedade civil.

Também de assinalar a retrospetiva das obras dos conceituados cineastas documentaristas Jean Rouch e Harun Farocki. Este último estará presente na homenagem com a exibição de catorze dos seus documentários e uma exposição no palácio Galveias.

Nos workshops de realização, realizadores como Sérgio Treffaut transmitem a sua experiência profissional assim como nos debates com o público, no grande auditório da Culturgest, após a apresentação das obras. Também interessante o facto da videoteca da Culturgest disponibilizar o visionamento de 1380 títulos enviados para este festival. Ainda de assinalar, o programa Docs 4 Kids, para crianças entre os 6 e 12 anos, em que o documentário é apresentado como um veículo de aprendizagem.

A juntar à aliciante programação, que poderá ser consultada clicando no banner abaixo, os preços acessíveis dos bilhetes são motivos suficientes para comprovar o mote de que “em outubro o mundo inteiro cabe em Lisboa”. 

Luísa Oliveira

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Neste período realizaram-se dois festivais que, apesar dos cortes orçamentais, já têm lugar de destaque no calendário do cinéfilo. Na 31ª edição do Fantasporto foram apresentados 307 filmes oriundos de 25 países que contribuíram para o êxito de bilheteira.  Alguns  destes filmes tiveram  estreia comercial em Março. Os prémios principais foram atribuídos  ao thriller psicológico Two eyes staring do holandês Elbert Van Strien,  que ganhou o Grande Prémio e o de Melhor Argumento e A Serbian Film de Srdjan Spasojevic com o  Prémio Especial do Júri. Maria de Medeiros foi distinguida com Prémio de Carreira e Pedro Sena Nunes recebeu o  1º prémio do cinema português neste festival.

Outro evento importante foi a 10 ª edição da Monstra festival de Animação de Lisboa que decorreu de 21 a 27.  A Holanda foi o país convidado e, entre outras iniciativas, procedeu-se a  uma retrospectiva do cinema de animação dos estúdios japoneses Ghibli, e  a uma competição de escolas de todo o mundo com 85 curtas-metragens. No encerramento apresentou-se um filme de dez minutos, de vários autores nacionais, sobre a arte na Primeira República. Piercing 1 do realizador chinês Liu Jian, uma reflexão sobre a China atual, recebeu o Grande Prémio, O Mágico de Sylvain Chomet o Prémio do Público e Cozido à Portuguesa de Natália Andrade o prémio entre as obras portuguesas.

O dinâmico cinema de animação português é reconhecido mundialmente e a prova disso  é o facto  de quatro dos sete filmes a concurso de 6 a 1 de Junho no Festival Internacional de animação de Annecy, em França, pertencerem  à produtora Sardinha em Lata.

Outra notícia interessante foi o facto da curta-metragem Alfama de João Viana ter conquistado o Grande Prémio na 12º edição do Festival Internacional do filme de Aubagne, principal acontecimento mundial consagrado à relação do cinema com o som. Entre as obras oriundas de 29 países, o júri considerou Alfama “ a melhor criação sonora para uma curta-metragem, pela função estruturante do som na escrita do guião”.

Quanto às estreias, em Março houve géneros para todos os gostos embora, nem sempre, de  qualidade. Da amálgama de estreias, os destaques vão  para obras já laureadas:  o drama comovente tendo com base a doença de Alzheimer de Poesia do realizador sul-coreano Lee Chang-Dong– prémio do Melhor Argumento no Festival de Cannes ; a comtemplação de Mel de Semih  Kaplanoglu da Turquia que venceu o Urso de Ouro no festival de Berlim de 2010; Camino de Javier Fesser, drama espanhol inspirado numa história verídica que ganhou seis Goyas, incluindo o de melhor filme espanhol de 2008.

Também merecem destaque A tempestade de Julie Taymor, adaptação da obra homónima de William Shakespeare,  O tio Boonmee (que se lembra das suas vidas anteriores) de Apichatpong Weerassethkul Tailândia e a acção de A maldição do faraó – as aventuras de Adèle Blanc-Sec de Luc Besson, baseado numa famosa série de banda desenhada francesa.

As comédias, como é usual, marcaram grande presença: Tens a certeza? de James L. Brooks;  Igualdade de sexos de Nigel Cole;  o francês Potiche – minha rica mulherzinha de François Ozon; Rédea solta de Bobby e Peter Farrelly; O agente disfarçado: tal pai, tal filho; Copacabana de Marc Fitoussi; Micmacs – uma brilhante confusão de Jean-Pierre Jeunet e o hilariante Manhãs gloriosas de Roger Michell sobre o mundo  dos programas matinais  da televisão.

Também marcaram presença em Março os filmes de acção: Os agentes do destino de George Nolfi  –  thriller romântico baseado num conto de Philip K. Dick ; O Profissional de Simon West; Homens de negócios de John Wells, Época das bruxas de Dominic Sena, sobre um herói das Cruzadas e Guerreiros do Amanhã de Stuart Beattie, uma aventura da Austrália.

Os  apreciadores de ficção científica ou terror podem escolher entre Ritual de Mikael Hafstrom inspirado em factos reais  sobre exorcismo, Mutante de Vincenzo Natali ou o terror espanhol de O exorcismo de Manuel Carballo, Sou o número quatro de D. J.Caruso, Perigo à espreita de Antti Jokinen e ainda  Monsters – zona interdita, ficção de Gareth Edwards, e Sucker Punch- Mundo surreal de Zack Snyder.

Para entreter o público infantil tivemos Rango de Gore Verbinski, Zé Colmeia de Eric Brevig, Gnomeu e Julieta de Kelly Asbury animação  inspirado na peça de William Shakespeare, Alpha & Omega de Anthony Bell e Ben Gluck  e Winx Club 3D : a aventura magica de Iginio Straffi.

Registaram-se  ainda as estreias de E o tempo passa de Alberto Seixa Santos, Filme Socialismo de Jean-Luc Godard e Em último recurso de Baltasar Kormákur.

Por fim, documentários com algum interesse: Chelsea hotel de Abel Ferrara sobre o mais icónico hotel de Nova Yorque que enfrenta uma ameaça de despejo e Os 2 da (nova) vaga, de Emmanuel Laurent,  sobre os cineastas franceses François Truffaut e Jean-Luc Godard, fundadores do emblemático movimento cinematográfico  Nouvelle Vague.  Especialmente dirigido aos adolescentes  o musical Justin Bieber: never say never,   de Jon Chu sobre a ascensão do jovem ídolo que se tornou uma estrela no mundo da música .

De 1 a 10 Abril, no cinema São Jorge,  vai realizar-se a 5ª Mostra do Documentário Português Panorama, um género que  cada vez tem mais adeptos. Esta edição  vai centrar-se num período pós 25 Abril de 1974, conturbado mas saudoso para alguns, o PREC.

De 14 a 21 Abril realiza-se a 4º edição de 81|2 – Festa do Cinema Italiano cuja programação, em Lisboa, divide-se entre o cinema Monumental e o espaço Nimas. A partir desta data e até 8 Maio a festa continua em Coimbra, Porto e Funchal.

Luísa Oliveira

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Após a interrupção do Verão, as Fitas retomam com notícias das estreias que marcaram o período quente. Começo por referir filmes que agradam a todas as faixas etárias  como Shrek- Para sempre de Mike Mitchell, e o que considero  o melhor filme desta estação o mundo encantador  e emocionante de Toy Story 3 de Lee Unkrich, último filme da famosa trilogia da Pixar,  complementado pela curta  Day & Night de Teddy Wewton. Destaque  merecido para  o excelente filme policial/suspense O escritor fantasma do polémico e genial Roman Polanski que, com mérito, ganhou o Urso de Ouro de Melhor Realizador no Festival de Berlim  2010.

Assistiu-se a estreias de  filmes  fascinantes, realizados fora do circuito de Hollywood, como  Vão-me buscar alecrim dos irmãos Benny e Josh Safdie, um comovente filme  autobiográfico sobre a infância que representa uma homenagem dos realizadores ao pai de ambos e que já tinha arrecadado o Grande Prémio no Indielisboa 2010;  a obra peruana vencedora do Festival de Berlim 2009 A Teta assustada de Claudia Llosa, que relata a forma como o medo pode aniquilar a alma  ; do Uruguai, o Prémio da Crítica do Festival de Cannes 2004 Whisky de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll sobre o quotidiano banal e,  do novo cinema norueguês, Águas Agitadas de Erik Poppe, um discreto e melancólico drama sobre o direito  que todos têm à regeneração humana e social,  convertendo em Bem todo o Mal.

O Verão  também ficou marcado pelo que é considerado o filme do ano: a ficção científica A origem de Christopher Nolan, com um enredo intrigante que prende o  espectador.

Para os apreciadores de argumentos de espionagem, estrearam-se O Caso Farewell de Christian Carion, uma ficção baseada num dos mais importantes casos de espionagem  do período da Guerra Fria e Salt de Phillip Noyce. O Barão Vermelho de Nikolai Mullerschon,   baseado na vida de Manfred von Richthofenn, admirado piloto alemão da 1ª Guerra Mundial, deve agradar aos que gostam de biografias.

Para um público mais restrito, os filmes  perturbantes Canino de Giorgos  Lanthimos e  Meu filho, olha o que fizeste de Werner Herzog,  este último baseado num caso verídico que descreve  a insanidade crescente de um indivíduo.

O género terror esteve representado por Saw VI – Jogos Mortais de Kevin Greutert e o mundo fantástico e  mágico  pela nova  versão  do filme Fantasia, produzida pela  Walt Disney Pictures,  Aprendiz de feiticeiro de Jon Turteltaub.

Surgiram também adaptações  como Presente de morte de Richard Kelly, baseado num episódio da emblemática série televisiva A Quinta Dimensão, Soldados da Fortuna de Joe Carnahan  e  Lucky Luke de James Huth.

Sendo o Verão uma época propícia  a comédias românticas, Jennifer Aniston não podia falhar em Como gerir o amor de Stephen Belbert, que se pode  juntar a outras produções vulgares como  É muito rock, meu de Nicholas Stoller, Miúdos e Graúdos de Dennis Dugan, com o habitual Adam Sandler, Beijos & Balas de Robert Luketic, Cartas para Julieta de Gary Winick  e a  espanhola A estrada de Santiago de Robert Santiago.

Os filmes de acção também estiveram presentes com Dia e Noite de James Mangold,  Golpe de artistas de Peter, O último Airbender 3D de M. Night Shymalan e Os Mercenários de Silvester Stallone .

A cinematografia francesa, como é habitual,  marcou presença com os documentários A Dança de  Fredéric Wiseman sobre a conceituada Companhia de Bailado da Ópera de Paris e Iréne de Alain Cavalier, a partir do drama causado pela morte da mulher, a actriz Irene Tunc  e com  as comédias  Casamento a três de Jacques Doillon  e  Louise-Michel de Benoît Delepine e Gustave de Kervern, produção de 2008, com um argumento interessante.

Quanto a filmes nacionais, contámos com Contraluz de Fernando Fragata, O inimigo sem rosto de José Farinha, baseado no livro da magistrada Maria José Morgado e do jornalista José Vegar sobre a corrupção em Portugal, e a produção animada Dama da Lapa, curta animação de Joana Toste vencedora de vários prémios.

Em Setembro começa a definir-se  o cenário para os Óscares 2011  nos importantes Festivais de Toronto, San Sebastian, Nova Iorque e Veneza.

A 67ª edição do  Festival de Cinema de Veneza, que  decorre de 1 a 11   de Setembro, apresenta a estreia mundial de 79 obras. Portugal está presente com a curta-metragem de Manoel de Oliveira, Painéis de São Vicente,Visão Poética e a primeira longa-metragem de João Nicolau A Espada e a Rosa.

Ainda sem a projecção dos festivais mencionados vai decorrer a 2ª edição do Douro Filme Harvest de 5 a 11 que alia a 7ª Arte  à gastronomia para promover a belíssima região duriense. Neste evento,  a actriz italiana Sophia Loren será homenageada.

No âmbito das comemorações do Centenário da Implantação da República a Cinemateca vai apresentar, nos meses de Setembro e Outubro, documentários e filmes relacionados com o tema.

Profª. Luísa Oliveira


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Março começou com a 82º edição dos Óscares, os ambicionados prémios da Academia de Hollywood que tiveram a melhor audiência dos últimos cinco anos. Os prémios atribuídos não constituíram grande surpresa e Estado de Guerra merecidamente, apesar de ser um filme pouco lucrativo, foi o grande vencedor, arrecadando seis estatuetas das nove categorias para as quais estava nomeado. Avatar que só ganhou três estatuetas de categorias técnicas e James Cameron foram os grandes derrotados. Kathryn  Bigelow , conhecida por nunca ter realizado  um filme de estúdio, entrou para a história do cinema ao ser a primeira mulher a conquistar os dois prémios mais importantes  (Melhor Filme e Melhor Realizador).  Quem assistiu à cerimónia deduziu que ela seria a vencedora quando Barbra Streisand  surgiu a anunciar os vencedores destes prémios tão cobiçados. Também esperados os prémios atribuídos a Sandra Bullock (Um Sonho  Possível) num desempenho dramático pouco habitual na sua carreira  (curiosamente também ganhou o prémio Razzies para a pior actriz do ano), a Jeff Bridges (Crazy Heart) num filme agradável, a Mó’nique ( Precious) numa excelente interpretação de uma infeliz mãe dominadora, e a Christopher Waltz no convincente oficial nazi em Sacanas sem lei . Entre outros prémios atribuídos estão os de Melhor Documentário ao chocante The Cove, e o de Animação ao divertido Up-Altamente. O Melhor Filme Estrangeiro foi, inesperadamente, para El secreto de sus ojos do argentino Juan José Campanella destronando os favoritos Laço Branco de Michael Hanneck e Um profeta de Jacques Audiard, que venceu em nove categorias nos Césares,  Prémios  da Academia Francesa, em vinte sete de Fevereiro.

No que respeita às estreias do mês, destaco Alice no País das Maravilhas do excêntrico Tim Burton com adaptação  da famosa obra de Lewis Carroll num mundo de cor e fantasia  e Um Sonho Possível de John Lee Hancock com a já referida  Sandra Bullock .

Entre os vários filmes em exibição, registam-se adaptações de best-sellers como Visto do Céu de Peter Jackson, a partir de uma obra de Alice Sebold , o drama romântico Juntos ao luar de Lasse Hallstrom,  do romance homónimo de Nicholas Sparks e o thriller sueco  Millenium 2 – a rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo de Daniel Alfredson, com a recriação do  imaginário de Stig Larsson.

Do Chile, estreou-se um filme invulgar e interessante, Tony Manero de Pablo Larrain, considerado uma metáfora da ditadura de Pinochet, com uma personagem psicopata  fã de John Travolta no filme  Febre de Sábado à noite.

Estrearam-se filmes com actores carismáticos como a fabulosa Meryl Streep (merecia ter ganho um Óscar pela interpretação em Julie & Julia) ,  em  Amar…é complicado de Nancy Meyers, a comédia dramática  Estão todos bem de Kink Jones, com o excelente Robert de Niro, o notável  Denzel Washington em O livro de Eli dos irmãos Allen e Albert Hughes que interpreta uma personagem de um mundo apocalíptico. Fora  de controlo de Martin Campbell  é um género que leva muito público às salas de cinema com Mel Gibson num filme de acção/suspense que é um remake de uma minisérie da BBC.

Lembra-te de mim, por ouro lado, de Allen Coulter, é um drama romântico com boas receitas de bilheteira devido  ao ídolo dos adolescentes, Robert Pattinson, ser um dos protagonistas.

Quem aprecia filmes épicos pode assistir ao aparecimento do novo herói de um mundo de demónios  em  Solomon Kane de Michael J. Basset, que abriu o Fantasporto e é o primeiro realizado de uma prevista trilogia, adaptação de um livro de Robert E. Howard .

Parnassus – o homem que queria enganar o Diabo de Terry   Gilliam tem a particularidade  de, durante a sua rodagem, ter ocorrido a morte do protagonista, Heath Ledger.

Quanto a obras portuguesas, estrearam-se As maltratadas de Ana Campina, uma curta-metragem sobre drama familiar, Cinerama de Inês Oliveira e Tony de Bruno Lourenço.

Para o público infantil,  exibe-se Como treinares o teu dragão de Dean Deblois e Chris Sanders que teve a maior antestreia de sempre em 3D em Portugal no Estádio do Dragão, no dia 20 de Março.

Relativamente às notícias do mundo cinematográfico, o destaque vai para a realização da 7ª edição do Indielisboa de 22 de Abril  a 2 Maio,  com  274 exibições  em vários espaços, nomeadamente, Culturgest e Cinemas  S. Jorge, Londres e City Classic Alvalade.  O cinema português estará em foco com a apresentação,  na cerimónia de abertura oficial,  do filme/documentário Fantasia lusitana de João Canijo, em que a Lisboa dos anos 40 é retratada com imagens de arquivo e testemunhos de refugiados que durante a 2º Guerra Mundial passaram pela capital para fugirem ao regime nazi.

Especialmente para o público infantil, vai realizar-se em Rio Tinto o Festival de Cinema Infantil nos dias 17 e 18 de Abril. Serão apresentados filmes actuais em simultâneo com alguns clássicos como o famoso e emocionante Dumbo que comemora 70 anos.

E, por fim, é de salientar que a realizadora Susana Sousa Dias ganhou o Grande Prémio do Festival Cinéma du Réel (Paris) com o documentário 48 sobre os anos de ditadura fascista,  que  já tinha sido apresentado e elogiado no Doclisboa 2009. Aguarda-se a possibilidade de ser exibido no circuito comercial.

Profª Luísa Oliveira


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